Espaço de atividade literária pública e memória cronista

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Atendendo ao ditado antigo... estará este inverno (de 2026) para acabar...?

 

Hoje é dia de Nossa Senhora das Candeias. Dia de fazer previsão meteorológica, de antevisão ao tempo futuro, na tradição popular, se pelo dia Nossa Senhora estiver a rir ou chorar. Pois é dia em que, segundo o ditado popular, se estiver de sol (ou seja Nossa Senhora a rir), está o inverno para vir... E, pelo contrário, se estiver de chuva, a chorar, está a acabar... Ora, como hoje e na linha dos dias recentes, tem estado um dia chuvoso, a calhar ser dada razão ao velho aforisma que na tradição oral já de nossos avós vem, vamos então proximamente ter dias melhores e um inverno menos rigoroso.

E esta hem?!

A propósito, recorde-se um dos anteriores artigos de lembranças assim relembradas, noutros anos, avivando o que se anotou num exemplo sobre o Dia das Candeias, também neste dia e aqui neste blogue de partilha memorial.


Candeias do Tempo…! 

Chegado Fevereiro, no mando da tradição com tempo até muito próprio, pois sendo “chuvoso faz o ano formoso”, logo entra a conta das Candeias, a 2 de Fevereiro, na passagem do dia de Nossa Senhora das Candeias. Como tradicionalmente se designa essa data litúrgica da apresentação do Senhor ou da Purificação de Nossa Senhora Mãe de Deus.

Uma época que, devido ao Carnaval ser uma festividade de data móvel, calhando tanto no início, como a meio ou final do mês, se confunde com essa fase, derivada como terá sido de festividades populares de tempos recuados. Sabendo-se disso por se haverem realizado durante a romanização as Lupercais, antes das Calendas de Março, celebradas em honra de Pan, deus dos pastores - relacionando-se a denominação com Lupercus (do latino lobo). Ora esta festa anual estava associada a orgias e outras boémias, pelo que o Papa Gelásio instituiu, em sua substituição, a festa da Purificação ou da Candelária. Não tendo sido, porém, completamente extintos os festejos com os desmandos abusivos do Carnaval, passou depois essa festa religiosa a cingir-se ao dia, como ficou mais conhecido, de Nossa Senhora das Candeias. 

Em dia das Candeias “se (havendo dia chuvoso) Nossa Senhora está a chorar, está o inverno a acabar; se (perante tempo de sol) estiver a rir, está o inverno p’ra vir”, diz a voz popular, dos saberes antigos. Isto segundo o calendário rifoneiro, das fases descritas através de rifões com que a sabedoria popular impregnou os elementos naturais do quotidiano social.

= Nossa Senhora das Candeias ou Rainha da Paz – como em Rande está representada na estatuária paroquial (vendo-se a imagem de Nª Senhora sobre andor, aquando de procissão da festa de S. Tiago de Rande).= 

Eis-nos então neste tempo, de início de Fevereiro e em plena Candelária. As candeias, que, pese tantas transformações operadas na vida normal da sociedade comum e com a religiosidade a ficar algo aquém de antigos hábitos, permanece na memória duma época de afeições, dum tempo romântico aos olhos de nossas recordações. Tal as lembranças que afloram, ao autor destas linhas, sobre tempos da missa das Candeias e, por extensão, do afago de nossa mãe… 

Um destes dias, numa daquelas ocasiões em que nos deixamos levar por pensamentos, nas asas do tempo – em devaneios, até que… zás! – demos connosco a pensar em tempos de infância, quando ia pela mão de minha mãe à igreja e à sua beira ficava, lá no meio, enquanto ela me sussurrava ao ouvido orações, que me entravam com encanto no mais íntimo do ser. Ali, com ela a rodear-me em seus braços, enquanto me ensinava a orar – além de assim, também, me ter à sua beira, para não estar junto aos outros moços, alguns por acaso normal sempre com os sentidos noutros lados e modos. E dei comigo a experimentar como sinto falta, agora, de me achar bem junto à minha mãe, de como tenho saudades dela. Já passaram muitos anos, coisa de um quarto de século, desde que perdemos sua presença física. Mas parece que foi ontem ainda que nos sentíamos abraçados no encosto de seus sussurros carinhosos, ali na igreja, como nos ensinamentos de vida que nos foi dando. E lá veio à mente a missa das candeias, por ser dum tempo marcante, decorrendo o inverno, como agora. Íamos logo pela manhã cedo, com o corpo a tentar espantar o frio, ainda a noite dominava o horizonte de breu, perante o caminho alumiado por lanternas, tal a escuridão (também coisa que volta ao panorama, nos dias que correm com as poupanças atuais em luz pública, enquanto nas altas esfera do poder continua um forrobodó…); e, então naquele tempo, chegados ao templo, resplandecia um ambiente de luz das muitas velas e lâmpadas espalhadas, mais um odor de incenso que se elevava no ar. Ficando-nos, para sempre, na retina memorial, essas manhãs das Candeias, em tais dias, daqueles que tivemos nossa mãe a envolver-nos… ternamente. E, até parecendo, apesar da penumbra do alvorecer da manhã, sem ter rompido ainda o sol, que nossa senhora sorria…! 

Armando Pinto

sábado, 31 de janeiro de 2026

Figurão do Entrudo exposto a anunciar o Carnaval da Longra de 2026 (30.º Corso Carnavalesco da Longra)!

Já está exposto no Largo da Longra, pendurado no poste do candeeiro central, o tradicional Entrudo figurativo. O boneco habitualmente anunciador do Carnaval da Longra, acontecimento anual já tradicionalmente famoso pelo seu cortejo do Corso Longrino e seguinte enterro, mais final da queima do mesmo Entrudo. 




Lembra este habitual "figurão" essa festiva ocorrência próxima da terça-feira gorda carnavalesca, este ano a 17 de fevereiro.




Nota: Na realização deste ano, o Corso Carnavalesco da Longra completa 30 edições, desde que começou a ser organizado, como desfile de figurantes e carros alegóricos. Sendo assim o Carnaval da Longra de 2026 o 30.º CORSO CARNAVALESCO DA LONGRA !

Armando Pinto

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O senhor Machado… da Loja do senhor Machado!

As terras associadas à Longra, desde a antiga povoação da Longra e extensivamente a freguesia de Rande e outras envolventes, agora integradas na área da atual Vila da Longra, não tiveram em tempos idos quem registasse suas memórias, durante largos lustros e até perto dos finais do século XX. Podendo-se dizer que sofreram como vítimas da perda da memória dos tempos. Tendo sido deveras marginalizadas na literatura felgueirense de tempos ainda não muito distantes, incluindo até jornais na maioria dos casos. Originando que, como refiro no livro historiador da região, me tivesse metido, já lá vão uns anos bons, por meio de pesquisas aprofundadas de anos, a tentar recuperar algum do tesouro da nossa história local e regional. O que, por motivos conhecidos, levou muitos anos a conseguir chegar a público, por faltas de patrocínio (até que apareceu um, graças ao Dr. Manuel Faria para a edição por meio do Semanário de Felgueiras) para a devida publicação de tal obra naturalmente cara, monetariamente. Que como tal ainda ficou incompleta, com muito material de fora, para não encarecer mais a publicação desse trabalho, concluído em setecentas e tal páginas impressas. Levando isso a que, por vezes, alguns desses temas andem aqui por este blogue. Pois, do que depender de mim, prosseguirei com a preservação de tudo e mais alguma coisa relacionada com a história local, tentando contá-la, lembrá-la, até ao meu último suspiro. Não só como apaixonado pela minha e nossa terra, mas também pela sensibilidade que estas coisas devem merecer, para não ficarem esquecidas. Coisas e loisas, mas também pessoas, quer salientes por sua participação social, em atividades de cidadania, quer normais mas com carisma na convivência e popularidade.

Ora, além das narrativas historiadoras, diversas pessoas constaram e estão mencionadas no livro referido, o “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997 e entretanto esgotado, apesar de a tiragem ter sido de 1.000 exemplares, mais que o costume para livros do género (enquanto em Felgueiras, por exemplo, qualquer livro por norma não costuma ultrapassar entre 200 a 300 exemplares). Personalidades essas que umas estão biografadas e outras referidas em diversos locais do livro. Como no caso desta vez aqui merecedor de ser relembrado - o senhor Fernando Machado, que teve um histórico estabelecimento comercial de venda de produtos diversos. Uma daquelas lojas, como eram conhecidas, e como tal também popularizadas como “vendas”. Tendo ele sido então conhecido desde sempre por senhor “Machado da Loja” e a sua “venda” conhecida por “Loja do senhor Machado”.  

= Imagens da loja de venda diversificada do senhor Machado, na Longra, que em tempos também serviu de taberna, mas por fim, com o último “vendeiro”, o sr. Fernando Machado, se dedicou à especialidade de mercearia (Fotos do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Pois o senhor Fernando de Sousa Machado foi alguém que efetivamente ficou ligado à história da Longra e da freguesia de Rande, onde nasceu e viveu, apesar de depois haver saído da região para ter ido viver para S. Miguel de Lousada. Primeiro por ter feito parte da primeira equipa de futebol de que há memória ter havido na Longra, o FC Pró-Longra, com campo de jogos inaugurado em 1932, como faz parte da história também do FC Felgueiras por a equipa do Felgueiras ter participado na inauguração desse campo do Longra, assim como o Longra participou na inauguração do campo do Felgueiras. Como consta do livro “Futebol de Felgueiras - Nas Fintas do Tempo 1932/2007”, quanto aos recintos; assim como no referido “Memorial…”, na respetiva parte do FC Longra, em modo desenvolvido na narrativa dos componentes da equipa e outros pormenores. Depois por ter sido um dos primeiros empregados da fábrica original do sr. Américo Martins (tanto que havia uma foto com os operários sentados no muro do barracão da fábrica do Largo da Longra, todos com suas gorras e chapéus, cujo paradeiro da foto se perdeu…), assim como, mais tarde, foi com ele como sócio do sr. Luís Sousa que começou a indústria da fábrica Móveis Longra, dos começos da IMO, como está anotado no livro “Luís de Sousa Gonçalves-o Senhor Sousa da Imo”. Bem como, de permeio, fez parte de um mandato dos órgãos diretivos da Casa do Povo da Longra, como secretário. E, entretanto, por ter integrado durante alguns anos a Comissão Fabriqueira da Paróquia de S. Tiago de Rande. Assim como foi figura pública com a sua loja, que foi ícone do comércio tradicional da Longra e do concelho de Felgueiras. Ah, e ainda, como pessoa muito sociável e bom conversador, com sua clientela mas também com amigos com quem convivia na Longra, onde passava a maior parte de seu tempo, mesmo depois de ter ficado a residir mais longe.

Fica assim aqui rendida lembrança a mais um senhor de respeito da Longra, de tempos idos. Porque, neste caso, como no livro a sua ação conhecida foi e está desenvolvida por partes diversas dos capítulos respeitantes aos respetivos assuntos, justo é avivar sua memória com a junção de tudo, como que a fazer lembrar como na Longra de outras eras também houve assim gente com capacidades diversificadas.

Armando Pinto

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O senhor “Zé Branco”!

 

Pegando numa ideia de recordar pessoas antigas, entre alguns personagens típicos ou figuras públicas da vivência da Longra, num tema entretanto interrompido por poder ser melindroso, tendo de se referir sobrenomes popularmente tradicionais do conhecimento publico, para natural melhor identificação… volta-se ao tema, para não cometer injustiça com outros cujos apelidos serão mais aceites. Eis então um exemplo, para citar um senhor que foi pessoa simpática nas andanças pela Longra, em tempos que já lá vão, na memória local.  

Recuando no tempo permanecido nas memórias, há certa magia da vida desde a infância, pela convivência com pessoas que de alguma forma ficaram nas nossas recordações. Percebendo ser, tal permanência no subconsciente, bem capaz de dar vida às coisas, de reavivá-las no cantinho do cérebro recriador, pelos olhos da memória, na “Pedra Filosofal” que faz o mundo pular e avançar. Como por essa espécie de retina relembro pessoas que, em meu tempo de infância e juventude, eram senhores idosos a meus olhos, ainda que os tenha conhecido na casa de seus cinquenta, sessentas e até setenta e tais anos, por exemplo. Quão relembro o senhor José Teixeira, que era muito amigo de meu tio José da Costa Moreira, o meu tio Zé.

Ora, dito e referido assim, por José Teixeira, por certo que quase ninguém verá desde já quem será, ou terá sido, melhor dizendo. Josés Teixeiras houve e há muitos. Mas se disser que se trata de evocar o senhor Zé Branco, já há quem saiba quem foi, obviamente. E o apelido nem é desinteressante, pois já antigamente se dizia que uma pessoa muito vista e lembrada era como o pão branco.

Ora o senhor Zé Branco era um senhor que me habituei a ver na Longra e muito apreciava de o ver em quaisquer das atividades que iam acontecendo nesses tempos de minha infância e seguinte juventude. Além de ser pai do meu amigo Tónio Branco, o António Vieira Teixeira, colega de escola e até companheiro na ida ao exame da 4.ª Classe que completamos juntos. Bem como do Raul, mais velho que eu mas que deveras comigo conversava, por ambos sermos Portistas. Tal qual com o Pedro Celestino, companheiro de conversas no café da Longra. Enquanto o senhor Zé Branco, embora vivendo mais acima da Longra, passava quase todo o seu tempo pela Longra. Como depois, quando eu acompanhava muito o meu tio Zé Moreira, também eramos companheiros de convivência e naturais conversas, ouvindo-os contar coisas e loisas de seus tempos. Ao ponto que quando meu tio Zé morreu, o senhor Zé Branco foi ao funeral e antes ao passar entre os familiares do finado que estavam a receber as condolências, aquando de dar os sentimentos, logo se me dirigiu e cumprimentou de modo especial, por saber que eu ali era um amigo especial do meu tio falecido e eu e ele tínhamos afinidades nessa convivência.  

Jamais haverei de esquecer-me de pessoas dessas, que admirei de ouvir e conheci em suas andanças pela Longra. Como o senhor Zé Branco. Cujas memórias passam aqui diante de mim e pedem que sejam passadas à escrita destas recordações, que, podendo ser simples, podem vir a ser transformadas em pedras preciosas na afetividade da memória coletiva.

Armando Pinto

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

De vez em quando - (Mais) uma foto com história…

 

Tal como de outras vezes, desta feita calha ser vez de uma fotografia relacionada com a memória pessoal, mas também local. Tratando-se, neste caso, de um instantâneo fotográfico do dia da apresentação do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, em 1997, e mais propriamente de um dos momentos das assinaturas nos livros, tipo sessão de autógrafos, nessa noite. Por acaso, ainda e também foto, esta, colocada numa pequena moldura, junto com uma foto pessoal de infância, que, além de estar assim no escritório doméstico, é também parcialmente imagem cimeira deste blogue, a servir de ilustração genérica daqui do “Longra Histórico-Literária”.

Armando Pinto

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Vislumbre memorando sobre a Adega Cooperativa de Felgueiras - a propósito de recente passagem de imagens documentais na RTP2...

Tendo por estes dias passado no 2.º Canal da Radiotelevisão Portuguesa, atualmente chamado de RTP 2, uma lembrança sobre imagens antigas relacionadas com Felgueiras, chamou a atenção o facto, tratando-se de fugaz passagem a ilustrar a inauguração oficial da então Adega Cooperativa de Felgueiras, acontecida em 1959. Algo que assim passou no programa Preto no Branco, de reposição de imagens do Arquivo da RTP, como que olhando desde o início da Radiotelevisão Portuguesa e revisitando o passado, no tempo em que se vía Portugal a preto e branco.



Ora a Adega Cooperativa de Felgueiras foi fundada em 1957, precisamente no mesmo ano do surgimento da televisão em Portugal. E começou a laborar em 1959, ano em que foi inaugurada oficialmente, conforme as imagens de arquivo da RTP. Sendo referido na peça televisiva que “foi pelo Governador Civil do Porto inaugurada a Adega Cooperativa de Felgueiras”, em 1959. Curiosamente, nas revistas publicadas aquando das comemorações de anos jubilares da instituição, entre os dados históricos referentes à mesma Cooperativa apenas é referido o ano da fundação e o do início da laboração, sem constar a inauguração.

A propósito deste tema, vindo à lembrança com a vista das imagens passadas na RTP 2, recorda-se um artigo em tempos publicado no jornal Semanário de Felgueiras, com alguns acrescentos posteriores, duma lavra de anos atrás, já.

Associativismo Cooperativo em Felgueiras:

Sindicato Agrícola - Grémio da Lavoura e Adega/Cooperativa

Sendo Felgueiras um concelho com significativa posição no sector agrário, inserido em plena zona demarcada do vinho verde, com cabimento tem entre as suas organizações associativas de peso a Cooperativa Agrícola, sucessora da antiga Adega, por sua vez herdeira do Grémio da Lavoura e do pioneiro Sindicato Agrícola, em sequência retroativa.

Tudo começou em finais do século XIX com a criação de um organismo local congregador dos interesses agrícolas do concelho, numa iniciativa de associativismo do sector então primordial da região. Estava-se em tempos de revolução de desenvolvimento industrial, em que Felgueiras ainda estava algo alheia, confinada a oficinas artesanais, enquanto a agricultura passava por estagnação acomodada de séculos, pese ser ao tempo a lavoura o sector dominante no panorama económico regional. Na tentativa de alterar a situação, visando alcance evolutivo, um grupo de homens de acção resolveu seguir as linhas em vigor de implementação do associativismo. Entusiasmados com a ideia, meteram ombros a projecto de fundação de uma colectividade de defesa dos interesses dos agentes agrícolas. Foram mentores da sua criação o Dr. Manuel Baltazar Leite de Vasconcelos, da Casa de Cabeça de Porca, e o Conselheiro Dr. António de Barbosa Mendonça, da Casa de Rande, acompanhados por João Seara, Inácio Vasconcelos, Dr. António Costa Santos, Dr. António Vasconcelos, António Brochado, Dr. António Brandão, Dr. Henrique Menezes e outros, que criaram em finais de 1895 o Sindicato Agrícola de Felgueiras. Desde logo organizando-se, conforme atestavam as bases estatutárias, cujo regulamento foi impresso em 1896 – “Estatutos do Syndicato Agricola de Felgueiras”, de 10 páginas, publicado pela Imprensa Nacional-Lisboa, em 1896. Inicialmente teve instalações divididas em aposentos cedidos por dois associados, na vila de Felgueiras (a sede social num 2º andar, de Manuel José Antunes, e o depósito numa dependência de Eduardo Menezes Coelho); depois esteve na Casa de Vila Baía, em cedência temporária da Misericórdia de Felgueiras, ainda na sede do concelho. Vivendo as atribuladas condições da época, patente nas diversas instalações que teve por sede, dependências de depósitos e armazéns, mesmo assim teve este Sindicato um órgão de informação, o jornal “Semana de Felgueiras”, criado em 1896 sob a direcção do Conselheiro Dr. António Mendonça e de João Seara, contendo inicialmente no cabeçalho o nome responsável-directivo de Francisco António de Medeiros Machado. Jornal mais tarde transformado em tribuna literária e informativa passando a ser propriedade do Dr. António Mendonça. A instituição também tivera entretanto sede em Varziela, numa casa que por esse facto era conhecida por casa do Sindicato (depois denominada por Bom Repouso, com novo nome esculpido na frontaria). Na evolução natural, o mesmo Sindicato Agrícola juntou-se na década de vinte à Cooperativa de Consumo “A Felgueirense”, de permeio formulada e em cujas instalações o Sindicato se instalou em 1926, anexando-lhe depois um armazém. Na década de 30, quando era Presidente Joaquim Ferreira de Paiva Sampaio e Gerente o Padre António da Fonseca Magalhães, foi na vila de Felgueiras construído de raiz seu edifício-sede, transformando-se em organização denominada Cooperativa Agrícola Felgueirense, que passou a funcionar também com loja de vendas, nesse prédio do antigo Campo da Feira de Gado (actual Praça Vasco da Gama). Até que em finais dessa década, com a criação dos grémios, foi alterado o seu pacto estatutário para Grémio da Lavoura de Felgueiras, criado oficialmente por Decreto de 10 de Dezembro de 1940.

Passados anos, foi em 1957 formada a Adega Cooperativa de Felgueiras, criada por 51 sócios, alguns dos quais também do Grémio, sendo oficializada por escritura de 24 de Julho e aprovada por Alvará de 3 de Outubro seguinte. Agremiação essa que passou a laborar em 1959, ao dispor de boas instalações construídas no lugar das Idanhas, barreira sul da então vila. Organização esta posteriormente transformada em Cooperativa Agrícola por outro Alvará de 30 de Setembro de 1977. Embora, no conhecimento popular, sempre mais conhecida por Adega de Felgueiras.

Devido a alterações de habilitações, relacionadas com as modificações da vida social do país, houve em 1974 extinção dos grémios, pelo que, decorridas décadas de produtivo labor, foi o Grémio da Lavoura e seu património integrado na Cooperativa, como instituição de alcance e representatividade do sector. Desde aí consignada como Cooperativa Polivalente e englobando as instalações do Campo da Feira e das Idanhas, passou a ser chamada de Cooperativa Agrícola de Felgueiras, S.C.R.L., código cooperativo transformado em 1983 para C.R.L., com secções de viticultores, produtores de leite, de aprovisionamento e escoamento de produtos, e pecuária. Fruto da gestão empreendida, depressa a Cooperativa Agrícola de Felgueiras deu passos em frente na sua implantação, apoiando actividades afins como foi, em 1986, a abertura da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Felgueiras, antes instituída em Maio de 1985; tal como firmou marcas próprias de vinhos, levou a efeito acções de formação e especialização de empresários do sector, incluindo jardinagem, produção de plantas, operadores de máquinas, doces regionais, etc. Bem como se transfiguraria ainda posteriormente, na década de noventa, para nova denominação de Cooperativa Agrícola de Felgueiras-Caves Felgerias Rubeas, CRL, cujos estatutos renovados tiveram oficialização escriturada em Outubro de 2000, acrescentando às suas secções mais as de organização de produtores pecuários para a defesa sanitária, gestão, horto-fluri e fruticultura, florestal, produtores e engarrafadores de vinhos de quinta, protecção e produção integrada das culturas de vinha e outras, entre as quais a Actinidea (vulgarmente conhecida por “Kiwi”) e de produtores de mel.

A referida Caixa de Crédito Mútuo seria mais tarde alargada aos domínios da região circunvizinha, deixando de estar vinculada à Cooperativa de Felgueiras, por fusão resultante de incorporação com congéneres de concelhos vizinhos, passando a chamar-se Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Terras de Sousa, Ave, Basto e Tâmega, CRL, contudo mantendo sede administrativa em Felgueiras.

Embora mantendo alguns serviços no edifício do antigo Grémio, durante anos, a sede da Cooperativa ganhou maior expressão nas Idanhas, nas suas amplas dependências, onde, para lá de balcão de venda geral, criou loja adjacente de venda de produtos tradicionais, a juntar à capacidade de laborar e envasilhar vinho das uvas recebidas dos associados. Produzindo vinhos de marcas de diversas qualidades, por diversas vezes premiados em vários certames. Tal qual colaborando com realizações de âmbito social concelhio, como aconteceu, na década de oitenta, do século XX, com a localização da Felmostra e, em princípios do século XXI, a Feira de Maio. Evoluindo e transformando-se no decurso do tempo (sendo a situação descrita até à época da escrita destas simples anotações).

Feita em traços largos uma resumida retrovisão do percurso histórico pela existência antepassada de associativismo agrícola local e, consequentemente, pela sucedânea Cooperativa de Felgueiras, releve-se alguns nomes salientes na vida desta instituição que perdurou no tempo, como foram os fundadores, entre os quais o primeiro presidente, Dr. Augusto Leite da Costa Faria, mais o Dr. António José Ribeiro, Joaquim Francisco da Fonseca, Joaquim de Carvalho, Luis Augusto de Vasconcelos, Albérico Sobral, Dr. Abel Tavares, etc; e os sucessivos presidentes Tenente Coronel António Moreira Peixoto, Dr. José de Barros Carneiro, Padre João Ferreira, Dr. Artur Pacheco Mendonça, D. Ana Maria Vasconcelos, Aurélio Carvalho, Dr. Manuel Faria, Eng.º Casimiro Alves; mais restantes dirigentes, em cujos orgãos sociais há certo realce para o atual presidente do Conselho Fiscal, José Luís Martins, entre muitos empenhados associados e cooperadores, sem esquecer os dedicados funcionários, ao longo dos tempos. 

Armando Pinto

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Misericórdia do Unhão-Felgueiras em reunião com o Bispo do Porto no Paço Episcopal para reflexão sobre o trabalho nas Misericórdias.

 

Na passada terça-feira, 20 de janeiro, decorreu na cidade da Virgem uma reunião do Bispo do Porto com representantes das Misericórdias da Diocese Portucalense. Em cuja reunião, que decorreu no Paço Episcopal do Porto, a Misericórdia de Nossa Senhora do Rosário do Unhão esteve representada pelo seu atual Provedor, sr. Amadeu Faria, a convite de Sua Excelência Reverendíssima o sr. Bispo do Porto, D. Manuel Linda. Tendo o Bispo Diocesano estado acompanhado por D. Roberto Mariz, Bispo Auxiliar do Porto, que fez uma reflexão sobre o compromisso da Igreja, e também das Misericórdias, com os pobres e os mais frágeis, incidindo na primeira Exortação Apostólica do Pontificado do Papa Leão XIV.

Uma ocorrência que se assinala, pelo interesse que motiva tudo o que representa a nossa região. 

A Misericórdia do Unhão está devidamente historiada no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997. Assim como as obras que deram o aspeto atual à casa estão também referidas no livro “Luís Gonçalves: Amanuense-Engenheiro da Casa das Torres”, publicado em 2014 - tendo o mesmo sr. Luís Gonçalves da Longra sido também, em 1915, o autor do projeto da remodelação do edifício do então hospital que, anos depois, passou a albergar também as Irmãs de Caridade (para volvidos anos ter passado a convento das mesmas irmãs da Ordem Vicentina e estabelecimento de ensino, até atualmente ser um Externato), como se sabe.

Armando Pinto

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