sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Diploma duma Vida


Após longo percurso social, entre vivências assinaladas em comprovativos escritos e memorizados de aptidões e constatações, desde diplomas literário-formativos até recordações humanas, o melhor diploma recebido até hoje é o da amizade e reconhecimento, como neste último dia de Outubro foi entregue ao autor deste espaço, numa demonstração de companheirismo de colegas da mais recente parte da minha carreira profissional. Cujo rosto está na imagem acima, a falar por si e por cada qual. O que me tocou bem cá dentro, profundamente e, a mim que sempre gostei de escrever, me deixa sem saber colocar aqui e agora frases capazes de expressar em forma de estilo eloquente o sentimento que invadiu cá bem no íntimo. 
Assim, com simplicidade, como quem bebe água pura, que é corredia e límpida, bastando deixar correr o pensamento, em torrente sincera digo que valeu a pena esta última fase profissional vivida, para ter felizmente conhecido gente tão acolhedora, simpática e plena de companheirismo - como boa razão para haver estado na existência da UAG de Lousada, Unidade de Apoio e Gestão do Agrupamento de Centros de Saúde do Vale do Sousa Norte, Tâmega III.

Armando Pinto

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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Olhares antepassados, através da publicidade felgueirense de tempos idos


Outubro suão, negação de verão. Assim dizia um ditado popular antigo, a calhar para este tempo outonal com temperaturas fora de época, a fazer lembrar o verão tardiamente.

Num ambiente assim fora de tempo, calha a preceito dar uma olhadela por tempos de outrora, por meio de recordação de reclames de outras eras, pondo os olhos em anúncios publicitários de tempos de nossos antepassados. Porque, entre tudo o que se vê nas colunas publicitárias, há sempre pormenores que nos contam alguma coisa da realidade de tempos idos, de nomes e situações que foram contemporâneas de nossos visavós, avós e pais, pelo menos.

Para o efeito servimo-nos dos chamados reclames que foram sendo publicados na imprensa local concelhia, detendo atenção por algumas caixas publicitárias que ficaram impressas nos jornais felgueirenses. Apenas de tempos antigos, por via do cheiro das tintas e do pó que possa levantar-se…


Para não alongar o tema, desta vez dedicamos espaço a um dos jornais concelhios, ficando para próximas oportunidades a vez de outros periódicos felgueirenses.

Então, desta feita, aqui, começa-se pelo jornal Semana de Felgueiras, do Conselheiro Dr. António Barbosa Mendonça, de onde respigamos, a fazer memória, alguns anúncios que fizeram divulgação pública entre os anos de 1896 a 1910.















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Armando Pinto

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Curiosidades da Imprensa Felgueirense: Veneração à Beata-Santa Alexandrina de Balazar


A quem se dedica, quando possível, ao folhear de  páginas capazes de memorizar factos de interesse, relacionados com estudo da história local e memória coletiva, por vezes surgem notícias que de imediato despertam a nossa atenção, mesmo que à primeira vista podendo parecer não muito pertinentes  à possibilidade de mais conhecimentos atinentes ao motivo de pesquisa.

Um destes dias, numa busca por páginas de jornais antigos de Felgueiras, deparou-se-nos uma curiosa notícia, relacionada com excursões realizadas nos inícios da década de cinquenta, do século XX, a partir de Felgueiras, e com destino a Balazar - perante a fama de santidade então já chegada a estas nossas paragens, da Serva de Deus Alexandrina de Balazar, termo da Póvoa de Varzim. Contudo, atendendo à época, e por nestas terras de Felgueiras ainda estar a começar a saber-se de tal realidade, por essa época, a notícia era dada com curiosa circunstância, como transcrevemos – deixando fluir a descrição coeva, que apenas transcrevemos em escrita atualizada, do recorte que acima colocamos. Tratando-se duma pequena nota noticiosa, do Jornal de Felgueiras de 11 de Julho de 1953 (sensivelmente um ano antes de nascer aqui o autor destas linhas de agora), dando então nota, naquele tempo, de deslocações excursionistas efetuadas através da empresa de camionagem Cabanelas, como é sabido de origem felgueirense e ao tempo instalada em Felgueiras, a dizer assim:

«Uma mulher que não se alimenta
Referiram os jornais o caso de uma mulher que não se alimenta, segundo dizem e mora em Balazar, na Póvoa de Varzim.
Por ordem do médico assistente, não poderá receber visitas.
Num indeterminado dia, encontravam-se próximo de sua habitação cerca de 80 camionetes com pessoas que a queriam visitar, segundo nos informou um indivíduo nosso conterrâneo.
A Viação Cabanelas já ali se deslocou por 4 vezes com passageiros. Muita gente pede-lhe graças.»

Ora, Alexandrina Maria da Costa, ainda viva por essa ocasião, sabendo-se que faleceu depois em 1955, e entretanto com auréola reconhecida pelo povo das mais variadas partes do país e do mundo, era entretanto considerada santa: «Além de ter sido uma reconhecida mística católica com fama de santidade, foi ainda declarada beata pelo Papa João Paulo II a 25 de Abril de 2004».

Armando Pinto


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sábado, 25 de outubro de 2014

Sempre Felgueiras no “Semanário de Felgueiras”


Pelos caminhos do apreço aos valores felgueirenses e procurando desenvolver sempre temas dignos de merecimento conterrâneo, desta feita colaboramos no jornal concelhio Semanário de Felgueiras com mais um texto alusivo à junção da memória coletiva com a atualidade local.

Assim, para os efeitos devidos, aqui deixamos, mais uma vez, uma partilha da regular colaboração no SF, agora com o texto saído na edição de sexta-feira, dia 24 de Outubro, em sua página 12, através de imagem da coluna respetiva; e, de seguida, para leitura facilitada, transcrevemos o texto original, ilustrado com uma foto referente a uma das épocas relatadas.


Felgueiras sempre!

Na vida humana ou institucional, percorrida por uma pessoa ou uma instituição, há naturalmente factos mais marcantes, em diversos e diferenciados aspetos. Chegando sempre ao ponto de encontro dos afetos e recordações, porque conta muito haver memória, em sinal de valer a pena, quanto representa tal existência.

Vem ao pensamento esta ideia na atualidade da consolidação do Futebol Clube de Felgueiras, após a fusão recente dos dois clubes desportivo-futebolísticos com nome Felgueiras. Tendo passado o clube unificado a ter uma equipa A e outra B, com as mesmas cores e distintivo, a jogar em divisões diferentes, perante o carácter do futebol sénior ao nível competitivo de categoria superior e também  da formação, respetivamente, em boa solução encontrada. E assim houve finalmente união do futebol felgueirense, inscrito presentemente como F C Felgueiras 1932, em homenagem ao nome tradicional e extensivamente ao ano da histórica fundação inicial, mas normalmente referido por F C Felgueiras, na unificação popular. Tanto o que se alcança na percepção pública, do que chega ao adepto comum.

Volta, deste modo, o clube felgueirista a ser de todo o universo rúbeo, por assim dizer, além de unir o passado ao presente, em ideia de futuro. Inclusivamente despertando algumas reminiscências de lembranças guardadas em recantos do baú de memórias, na ligação renovada ao clube das eras de afetos dos bons velhos tempos. Querendo-se com isto dizer, e assim desejando, que a antiga afeição pelo clube retorne, a pontos de termos o mesmo como Felgueiras de sempre.

Ora, nesta atmosfera envolvente, tendo por base a identidade do clube que noutros tempos era um elo comum de unidade felgueirense, retemos lembranças, assim, dum tempo de horas boas dos inícios da ascensão clubista. Associando, em lugar recôndito de nossa cabeça, aqueles tempos em que todo o povo se entusiasmava com a evolução da nossa equipa, quer sob ambiente poeirento ou vislumbre lamacento, conforme fizesse sol ou chuva, no terreno saibrado do campo Dr. Machado de Matos. E todos, pelo concelho, sabiam ou pelo menos conheciam de nome, que no Felgueiras jogavam Sabú, Pimenta, Mamede, Rodas, Mário, Cardoso, Mendes, Monteiro, Zé Maria, Pacheco, Estebainha, Zé Carlos e mais desse tempo, daqueles rapazes que entusiasmavam multidões que iam em magotes pela reta da Marfel até à Rebela, para verem e apoiarem, naquele recinto rodeado de arvoredo, a equipa de que todos gostavam e com que se identificavam. Tudo e todos em sintonia, dando largas a um entusiasmo resultante dos pontapés na bola chegada às redes das balizas, como ideia de evasão especial, em torno dum emblema coletivo. Havendo até adeptos especiais, como, por exemplo, uma senhora que, ao lado do marido, seguia o Felgueiras por quase todo o lado (a quem ainda havemos de dedicar uma crónica evocativa)…


Nesses tempos, quando o Felgueiras assumia já liderança rumo à primeira subida de divisão alcançada, à época de forte afirmação local do clube, recordamo-nos de ter sido sensivelmente pela temporada do aparecimento duma canção de grande sucesso luso-brasileiro. Chegavam cá, vindos do outro lado do Atlântico e aportando até a estas paragens, do interior nortenho português, os acordes da nova vaga brasileira, da chamada bossa nova. Ouvia-se e eram trauteadas melodiosas cantigas de Robertos Carlos, Martinha, Erasmo e Ronnie Von, entre outros da jovem guarda, movimento artístico e cultural brasileiro destacável. Sendo período em que o calhambeque era cantado, apitando pi-pi nos bailes de garagem da juventude que também ouvia os Beatles, mas sobretudo Roberto Carlos mandava, entoando, tudo para o inferno (“… e quero que me aqueça neste inverno / e que tudo o mais, vá pró inferno”). Ficou desde então no ouvido essa associação, de maneira que sempre ficamos a ligar tal recordação, porque os do tempo do Sabú, como depois Caiçara e mais tarde Costa Leite, Adão, Freitas, Carvalho e Cª, com suas jogadas, defesas e golos mandavam os adversários pró inferno, como antes, a meio e no fim dos jogos, se ouvia nos altifalantes do campo do Felgueiras, entre o ritual que fazia parte da festa da bola, quanto preenchia domingos de terna memória. 

ARMANDO PINTO

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Ecos históricos duma Missão…


Um destes dias deparou-se-nos, entre documentação e recordações guardadas ao longo dos anos, um calendário de parede cuja memória nos transporta a tempos que há muito já lá vão. Tratando-se duma junção de folhas que, ao tempo, serviram para angariação de donativos para uma ordem religiosa, nos idos de sessenta, do século XX, aquando duma semana de Missão acontecida na paróquia de São Tiago de Rande, terra de Felgueiras, ao tempo da paroquialidade do saudoso Padre João Ferreira da Silva.

Com efeito, das diversas vezes que tiveram lugar missões tradicionais que, de anos a anos, eram realizadas nas paróquias desta região nortenha e particularmente na referida freguesia de Rande, ficou deveras assinalada a Missão Popular que teve como protagonista um simpático frade da Ordem dos Capuchinhos, o sr. Padre Donato de Ourém. Tendo esse sacerdote, da referida ordem franciscana, realizado em Julho de 1964 tão vincada missão, ao longo duma semana inteira e culminada na festividade da Profissão de Fé das crianças de Rande e Sernande, que nesse ano fizeram a chamada Comunhão Solene, entre os quais se contava o autor destas linhas. Havendo então conseguido ainda cativar alguns jovens comungantes para aderirem ao ensino seminarista, dos quais um seguiu nesse ano ainda rumo à casa conventual da mesma ordem e mais dois lhe seguiram as pisadas em consecutivos dois anos seguintes, embora nenhum, depois, tenha prosseguido em definitivo esse caminho.


O padre Donato (como ao tempo era conhecido, por ter adotado esse nome quando professou; mas que era chamado Albino Felicíssimo e depois, na alteração canónica, voltou a usar o nome verdadeiro) faleceu recentemente. Servindo, a preceito, esta recordação para homenagear sua presença na terra e o que é digno de recordação de tão interessante e marcante passagem temporária por terras do pão de ló, do calçado e das nascentes do rio Sousa, em Felgueiras. Deixando-se, aqui e agora, uma vista de olhos por uma das páginas do tal calendário (então direcionado para o ano de 1965), distribuído aquando da sua estada na igreja de Rande, em 1964.

Paz à sua alma, do Padre Albino dos Santos Felicíssimo (Donato) e também do Padre João de Rande e Sernande.


Armando Pinto

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domingo, 19 de outubro de 2014

Ser Portista…!


Costuma-se dizer que quem não se sente não é filho de boa gente. E é verdade, pois quem sente o que é seu, tem raízes, descende de algo. Tal como quem sente a sua região defende os seus valores, as suas tradições, as suas representações. Ora, como sempre tivemos nossa terra mátria como integrante de nosso ser, fazendo parte de nosso carácter bairrista e entusiasta da valorização e preservação memorial, naturalmente somos pelos símbolos de nossa terra e sua região. Além de sempre apreciarmos o bem e gostarmos do que é bom com olhos de ver, de saber ver. Assim sendo, tendo o Porto como distrito e diocese e o azul como cor do céu, naturalmente que sou Portista! 

Ontém e hoje, antigamente e agora, antes e depois, sempre, ser Portista é algo especial, uma crença infinita, um sentimento verdadeiro… Uma fé que até também já moveu um treinador adversário, a pontos  que acabou por se ajoelhar diante de nós, quando o clube protegido do regime sofreu um golo sobre a hora, em tempo extra, de tal forma evidente e surpreendente que não pôde ser anulado pelo árbitro… E é ainda, também, um entusiasmo superior que leva a suplantar historicamente o segundo clube de Lisboa, sempre à espera de migalhas que caiem e se ufana como rico pedinte… Mas mais que tudo, ser Portista é já ter vivido o tal minutos 92, depois de se ter visto levantar a inesquecível taça que todos agarramos em nos sentirmos como o João Pinto, tal qual de ter sentido o frio de Tóquio de coração quente como o Gomes a sorrir para a Intercontinental, idem aspas na Supertaça europeia que deu volta de honra nas Antas agarrada por Gomes e Lima Pereira mais acompanhantes, tal qual fizeram Jorge Costa e Baía anos depois em Sevilha, e tudo o mais que se seguiu… E também ter sentido o que se passou de permeio, assim como atualmente.

Não serão precisas mais palavras que isto, para enquadramento. Servindo-nos do exemplo dum lapidar panfleto distribuído há uns anos largos, colocando nomes de antigos atletas e dirigentes. Como se tivesse sido noutras épocas, em anos diversos, poderiam ter sido apontados nomes duns Araújo, Hernâni, Américo, Gomes, Pedroto, Baía e Pinto da Costa… contando com o sangue que corre e pulsa em Portistas que se identificam nestas definições.


À atenção dos atuais timoneiros e de toda a massa adepta, em suma. Sendo preciso conhecer a História do F C Porto, para reconhecer os nomes antigos e entender o significado das respetivas associações, mas também a história permanente de quanto custa quando o Porto perde… bem como o que representa quando o Porto ganha!

Eis aqui, então, uma máxima dos Portistas que honrosamente são bairristas e sabem dar valor ao que tem valor.


Armando Pinto

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Guarda-redes felgueirense… goleador


De forma a dar devida ênfase a uma caricata ocorrência, desta vez detemos atenção por tema singular, neste canto de apreço por assuntos culturais e históricos, assim como pela memória felgueirense do passado e presente, dando nota dum caso interessante, relacionado com alguém do nosso meio ambiente concelhio. Sendo digno de registo um caso passado no meio futebolístico da região, tendo como protagonista pessoa conhecida – o guarda-redes de futebol David Teixeira, formado no F C Felgueiras, onde se sagrou ainda recentemente campeão (conforme se recorda na imagem fotográfica ao lado, do jogo da entrega das faixas aos campeões nacionais da série B da 3ª Nacional), e atualmente a representar o F C da Lixa, na divisão superior dos Distritais da Associação de  Futebol do Porto.


Os guarda-redes têm como missão especial defenderem as bolas, de modo a impedirem golos na baliza de sua equipa. Não sendo muito usual rematarem às balizas dos adversários, no desempenho de marcação de golos, e, como tal, quando isso sucede é motivo de admiração. Como foi o que se passou no passado fim de semana em que David marcou um golo a favor da sua equipa de agora, o Lixa. A pontos de tal feito haver merecido uma caixa noticiosa no diário nacional Jornal de Notícias, em sua edição de terça-feira 14 de Outubro – como aqui reproduzimos, em imagem fotografada sobre a respetiva página do JN portuense.

(Clicar sobre a imagem do recorte jornalístico, para ampliar )

Será de vincar, em reforço da importância dada, o facto de terem sido poucos os guarda-redes que, em Portugal, pelo menos, foram autores de proezas do género, em jogos de competições oficiais. Com golos de baliza a baliza, ou seja tendo chutado para o meio campo adversário, acabaram por levar a bola ao interior da outra baliza, originando isso que os pioneiros tenham ficado algo lendários com essas proezas. Do que se sabe, o primeiro foi Acúrcio, guardião do F C Porto, que em 1958 foi autor de célebre golo ao Belenenses, ajudando a importante vitória portista no estádio do Restelo (curiosamente, então, quando não havia ainda substituições, estando em campo com um braço partido, em choque com Matateu, o que não impediu que tivesse chutado o esférico, em pontapé de baliza, num violento arremesso pelo ar, até ter acabado a bola por cair dentro da baliza contrária, traindo o guarda-redes José Pereira, o “pássaro azul” de Belém, como era conhecido). Além de guarda-redes que marcaram de penaltis, segundo nos lembramos de Mlynarczik ter marcado ao Boavista na marcação de pontapés da marca da grande penalidade, em 1887/88 e mais tarde Ricardo pela seleção portuguesa à Inglaterra, no Europeu de 2004. Mas de jogada de bola corrida, não temos ideia, a não ser agora este caso, e de cabeça, como realçou o Jornal de Notícias.

Anteriormente, David fora ainda recentemente campeão pelo CAF/"F C Felgueiras 1932" em 2013, integrante como foi da equipa que levou o clube de Felgueiras ao atual estatuto de participante na Divisão Nacional Senior. Tendo, nessa ocasião, oferecido a sua camisola de campeão ao autor destas anotações, motivando que a sua camisola de campeão (conforme se vê na foto da equipa da época, com as respetivas faixas), tenha merecido figurar, como está, entre camisolas de nossas recordações… afetivas.


Como ilustração, no decurso desta descrição de registo, juntamos imagens relacionadas, que "falam" por si.

Armando Pinto

sábado, 11 de outubro de 2014

Foral de Felgueiras


Transposta a fase de “maior aperta” das vindimas, como se diz aqui pela nossa área, ao chegar a faina das desfolhadas pode também, por analogia figurativa, desfolhar-se algumas folhas de História coletiva.

É que é nesta época que efetivamente, em pleno Outubro, entrado já o Outono no dia-a-dia, ocorre o aniversário da outorga do Foral Manuelino a Felgueiras, carta régia concedida por D. Manuel I a 15 de Outubro de 1514. Uma significativa numeração na simbologia local, apesar de essa vetusta alforria não abarcar ao tempo toda a região que, séculos mais tarde, se irmanou em concelho.

Assim sendo, faz este ano 500 anos desde a outorga do foral manuelino a Felgueiras. E quinhentos anos não é uma conta qualquer, mas sim uma soma significativa de longa existência e prolongada memória. Uma efeméride que vai ser assinalada através de algumas iniciativas oficiais, de modo a celebrar condignamente tão importante data para o ego Felgariano.

Desde os primórdios da História Portuguesa, após as conquistas de terras, que o poder real concedia cartas de foral a estabelecer direitos e deveres dos habitantes dessas terras, englobando condições nas concessões de propriedades, para atrair moradores e servidores em vista ao desenvolvimento local e, mais tarde, para definir posições bem como obrigações dos proprietários dos prédios reguengos.

Na tradição, segundo alguns textos escritos, parece ter havido possibilidade de antigas concessões a Felgueiras de cartas régias, porém sem fundo documental comprovativo desses factos. Certezas há quanto ao foral quinhentista, concedido pelo monarca venturoso dos Descobrimentos.

Os forais novos, como o de Felgueiras, eram cartas régias que passaram a ser documentos de reconhecimento de usos antigos de uma circunscrição, confirmando anteriores ordenações, ancestrais costumes bons, direitos e liberdades, incluindo os bens pagos aos senhores das terras, que de orais ficavam lavrados por escrito. Forais que eram assim atribuídos a oficializar categoria jurisdicional e a ordenar de vez segundo a lei do tempo, legitimando as formas de organização social dessa era.

No caso, reportava-se a concessão do rei venturoso, naquela época medieval, apenas a 21 freguesias englobadas no concelho com nome de Felgueiras, cujo tombo portanto não continha ainda as freguesias a sul de Margaride, ou seja as terras do Julgado do Unhão - as quais aliás foram também atombadas de seguida, volvidos cinco meses na régia reforma então empreendida. Sendo o território do Julgado do Unhão igualmente ainda dotado com reconhecimento através de foral, que determinou nova categoria administrativa local, por meio evolutivo da passagem do aludido Julgado ao coevo concelho do Unhão, criado pela Carta de Foral de 20 de Março de 1515 (que teve primeiro estudo no “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, como vem transcrito aliás no referido volume).

Ora, verificadas ao longo dos tempos diversas transformações administrativas nas áreas dos antigos concelhos de Felgueiras e Unhão, mais dos longínquos Alfozes dos Coutos de Pombeiro e Caramos, um Couto do lugar de Brolhães, que daria depois vez à freguesia de Aião, além do muito posterior e fugaz concelho de Barrosas, como depois todas essas partes foram reunidas em torno de um só concelho, composto nesse tempo de trinta e três freguesias, é de significado amplo a atribuição de 15 de Outubro à terra que se tornou sede de toda a zona, de confirmação de direitos e deveres antigos.

É esta a data principal das comemorações presentemente em curso, sob a égide da edilidade felgueirense, ao longo de alguns dias e semanas em que decorre o programa festivo - conforme anuncia o cartaz aqui também difundido.

A data em apreço chegou, inclusive, noutros tempos, a ser considerada de modo particular nalguns casos da vida concelhia. Porém, depois da implantação da República, quando foram definitivamente oficializados os feriados de cada concelho, e em vista de quando o concelho de Felgueiras ficou completo, em 1855, havia já acrescento de mais freguesias, foi então o Feriado Municipal atribuído ao dia da festa mais importante da região, entre alguns reajustamentos ocorridos. Porque, a partir de determinada altura, verificando-se que as populações não se reviam totalmente na data do foral felgueirense,  pela dispersão antiga das diversas divisões administrativas, como se aflorou, foi assim  decidido que passasse a ser o dia de S. Pedro, a 29 de Junho, derivado a ser o da festa mais antiga realizada na área. Evento que ainda é, no mesmo sentido, referência comum às históricas trinta e duas freguesias da anterior unidade concelhia - depois que em 1998 Felgueiras perdeu a freguesia de Santo Adrião de Vizela para a criação do concelho de Vizela, mantendo contudo as de S. Jorge de Vizela e Santa Comba de Regilde, que inicialmente estiveram no mesmo pacote. E antes da asneirada que foi a reforma administrativa, a que ficarão ligados responsáveis que a história acabará por não esquecer, nos julgamentos da memória.

Volteando na representatividade dos forais, e extensivamente até regulamentações posteriores definitivas, pode considerar-se que também os tempos que correm clamam definições. Transpondo assim as disposições de antanho para o presente, há que tirar o pó ao funesto  decreto que estabeleceu a incompreensível divisão atual, e  reponha os direitos históricos do concelho completo e diplomas legais que delimitaram a comunidade Felgueirense nas suas parcelas. Em pleno terceiro milénio de contagem humana da era cristã e no perfazer da soma de meio século do Foral, quais inquirições às tradições locais...

ARMANDO PINTO