sábado, 19 de outubro de 2019

Naia (António Magalhães): um artista plástico felgueirense exposto em Guimarães


Não é novidade nenhuma que Felgueiras sempre teve gente de valor e que vai tendo ilustres felgueirenses nos mais variados campos da sociedade e também das artes. Cujos talentos por vezes são quase desconhecidos entre seus conterrâneos e quase nem reconhecidos a nível do concelho natal. Entre variadas situações. Felizmente conhecidos noutros lados algumas vezes, também.

Ora um destes dias teve lugar num jornal de Guimarães uma crónica sobre um felgueirense que é artista plástico. Embora isso nem seja de admirar também visto ele residir em Guimarães há uns quantos anos, já. Porém sendo natural do concelho de Felgueiras, apraz aqui registar o facto, para que por cá se saiba melhor de mais um felgueirense de valor, este que anda nas telas da cidade vizinha de Guimarães. Tratando-se do artista Naia, como é o pseudónimo artístico de António Magalhães, natural e durante anos residente na freguesia da Pedreira, concelho de Felgueiras.


Pois o amigo Magalhães da Pedreira é o artista que aqui merece apreço e sobre o qual apraz dar um reconhecimento mais vasto. Para quem não associar de imediato o nome com a cara, para não dizer a letra com a careta, o melhor jeito de o apresentar é identifica-lo como é, com um apropriado cartão-de-visita familiar: - É filho dos históricos professores da Pedreira, da professora D. Joaquina (Dias de Sousa Ribeiro) e do professor Luciano (António Mendes de Magalhães), que foram rostos conhecidos e admirados na área da Longra e arredores, enquanto na Pedreira eram estimados pelo povo de modo particular, atendendo à ligação existente, havendo ensinado as primeiras letras e seguintes palavras e números a sucessivas gerações. Sendo o filho de nome completo António Manuel Ribeiro Magalhães, mais conhecido por António Magalhães, o pintor artístico Naia.

Então o Magalhães, que em tempos que há muito lá vão, quando era ainda estudante e vivia na Pedreira, andava muito pela Longra em convivência com amigos de livros estudantis (entre os quais o autor destas linhas) sensivelmente da mesma idade e também da mesma condição de andarem à boleia e atrás de caras bonitas, agora e desde há muito vive em Guimarães e é artista de nome feito no mundo das artes plásticas.

Assim sendo é com muito gosto que aqui se dá à estampa o facto de mais uma vez o Magalhães ter tido honras de parangonas, desta feita referindo seu engenho artístico em tudo o que assina como Naia. Tal o caso de ter sido nomeado na coluna “Pessoas & Causas” do jornal O Comércio de Guimarães, em sua edição da semana do meio de outubro, a propósito de sua exposição mais recente – “Histórias pintadas com porta à Berta”. Como agora ele está então lá exposto.


Armando Pinto
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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Um dia especial… em reflexo de algo de jeito, feito!


Há muito que tenho por lema dar valor ao que tem valor. Em cujo sentido a vida é para ser vivida sem ser só por ver outros por aqui andarem. De modo que quando se faz alguma coisa de jeito é sempre melhor, não para outros verem, mas para nós próprios nos sentirmos bem.

Ora, na linha de não ser por ver os outros, mas por nós mesmos, todos já devemos ter feito alguma coisa que nos fez sentir bem. Havendo dias assim, a terça-feira dia 15 de outubro foi um dia que, não pela data em si, mas pelo modo como o dia correu, para o autor destas linhas, foi algo especial.

Pois então, nesse dia tive a feliz oportunidade de assistir à oferta duma cópia fac-similada da Regra de São Bento a Felgueiras. Facto acontecido no dia em que ocorria a passagem de mais um aniversário da outorga do Foral Manuelino. Então o município de Felgueiras foi presenteado com um documento histórico da lavra de um ilustre felgueirense – o volume das iluminuras da Regra de São Bento, da lavra do célebre artista Lucas Teixeira. Tendo-se deslocado a Felgueiras, desde o Brasil, a filha desse felgueirense importante como iluminurista e poeta falecido entretanto, sobre o qual ainda no ano passado teve lugar na Biblioteca de Felgueiras uma exposição comemorativa de seu centenário. Oferta aquela concretizada num gesto bonito de D. Maria Margarida Teixeira Moreira Lima, filha do felgueirense senhor Armando Teixeira, como era o nome de batismo de Lucas Teixeira, nome este de profissão e artista.


À entrega referida estiveram presentes as Dr.ª Dulce Freitas e Dr.ª Manuela Melo, que receberam em mãos o documento, respetivamente em nome da Biblioteca e do Arquivo Municipal, além de haver assistido atentamente o autor desta anotação, na presença também do marido da senhora engenheira Maria Margarida.


É o notável documento um conjunto de iluminuras em fac-simile das muitas páginas de pergaminho elaboradas com minucia entre 1944 a 1954 (mais duas posteriores), num trabalho de mestre, cujo original, muito valioso, está na nação brasileira à guarda dum colecionador particular, depois de leiloado, havendo de permeio estado à guarda do Jockey Clube de São Paulo. Ficando agora na Biblioteca e Arquivo Municipal de Felgueiras uma cópia fac-similada de tão importante acervo.


Como intermediário do conhecimento sobre esse que foi o tão apreciado Frei Lucas Teixeira, esteve presente o autor destas linhas e também colaborador do jornal Semanário de Felgueiras, normalmente autor de artigos sobre a memória felgueirense, tendo enviado para publicação no mesmo Semanário de Felgueiras uma notícia do facto, a dar conhecimento público desse importante ato.

(imagem da coluna do SF )

Isto na parte de privilégio comunitário, de interesse felgueirense, no caso.

Quanto a uma outra parte, deveras sensibilizante, foi muito bom e bonito, como se pode dizer da oportunidade da convivência havida com a filha e o genro do ilustre Felgueirense sr. Armando (Lucas) Teixeira, falecido (em 2013) mas praticamente bem presente em tudo e em todos nós que depois percorremos alguns dos sítios e afinidades de sua naturalidade local, como tive a possibilidade de procurar ser um género de cicerone de D. Maria Margarida e marido.

Assim, tal como quando se faz algo de jeito nos sentimos bem, o que foi possível fazer nos fez sentir melhor. De modo que as coisas não acontecem sem qualquer razão, e o facto de um dia ter começado a interessar-me pelo personagem Frei Lucas Teixeira, como felgueirense notável, deu razão à razão…


Isso porque, nas andanças de pesquisas sobre temas felgueirenses, há já muitos anos descobri (exprimindo na primeira pessoa) que, entre os bons felgueirenses dignos de merecerem lembrança, havia um felgueirense de nascimento, Frei Lucas Teixeira, que era exímio artista na arte clássica de iluminuras. E então, começando a estudar esse personagem, já em inícios do século XXI escrevi um artigo jornalístico sobre ele, que foi publicado no Semanário de Felgueiras em fevereiro de 2002, com o que até aí já tinha descoberto, procurando enaltecer sua aura de artista, para honra do sentimento felgueirense, quer como autor de iluminuras feitas com paciente mão de mestre, quer como poeta, autor de diversos livros com poesias de terna recordação. 


Após isso, pensando que ele devia tomar conhecimento do facto, mas também com ideia de aprofundar mais as informações sobre tal artífice dessa arte rara, lembrei-me de o contactar, para lhe remeter cópia do artigo. Então, sabendo que ele estava no Brasil e havendo lido num blogue da internet algo sobre a sua vivência em terras brasileiras, tentei contactá-lo e consegui, depois de diversas tentativas. Passando a manter com ele uma correspondência interessante que redundou em maior admiração ainda e boa amizade. Sucedendo-se mais alguns artigos, mais completos ou com novos dados e mesmo crónicas também já em blogues. Juntando diversa documentação até, respeitante ao sr. Armando Teixeira, o admirado Lucas Teixeira. Com o desejo de quando possível verter todo esse material em livro, para o qual ao longo dos anos e até agora ainda não houve viabilidade, à falta de patrocínios. Mas continuou o interesse e admiração. A partir daí rolou a bola da vida, até que a filha, D. Maria Margarida, me conseguiu também contactar depois da morte do pai. De permeio lembrei publicamente que seu centenário se aproximava e depois houve felizmente na Biblioteca Municipal de Felgueiras uma exposição comemorativa. Tendo agora, por estes dias do outono do norte português, havido o que se regista aqui: a vinda da filha de Lucas Teixeira, passados anos, quando foi possível, em viagem desde o outro lado do Atlântico até ao concelho natal de seu pai. Sendo com emoção (como me contou, tocando-me profundamente) que entrou na cidade de Felgueiras, pelo acesso desde a autoestrada, sob indicação do GPS a ouvir para sair da rotunda pela segunda saída e… seguir pela Rua Frei Lucas Teixeira!


E o resto estará por certo, mais que certo, na memória das pessoas que estiveram envolvidas nos diversos momentos desse dia muito agradável e sentido. Com o sentimento que a honra de enobrecer Felgueiras nos contemplou bem então. Pois cumpriu-se o que estava subjacente.

Como poetou Fernando Pessoa, «tudo vale a pena, se a alma não é pequena»!

Armando Pinto
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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

NOTICIA, sobre a USF da Longra, na edição impressa do Semanário de Felgueiras


Notícia, assinada pelo autor, publicada na dição do jornal Semanário de Felgueiras, número de sexta-feira dia 11 de outubro, à página 7:

Armando Pinto
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sábado, 12 de outubro de 2019

Original da foto de 1945 do Sport Club da Longra


A talhe da referência à publicação, numa revista desportiva de Lisboa, da foto do antigo grupo de basquetebol Sport Club da Longra, conforme no artigo anterior aqui foi anotado, neste blogue, sobre essa nota histórica remontando a 1945, regista-se desta vez imagem da foto original da pose correspondente dessa mesma equipa que teve honras na revista Stadium.

Ora, como a fotografia original dessa mesma imagem foi oferecida há anos ao autor deste blogue, aquando do trabalho de recolha atinente à elaboração do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, através da colaboração prestada pelo promotor principal dos movimentos desportivo-sociais acontecidos na Longra por aqueles tempos de quarenta e cinquenta (o entretanto já falecido sr. Adriano Sampaio Castro), é possível ver a fotografia por inteiro, conforme aliás também se colocou no livro publicado em 1997 (bem como está para vir também num livro próximo...) e aqui e agora se volta a dar à estampa em tamanho maior.


Pela imagem pode ver-se como era a vedação do recinto, onde jogava o Sport Club da Longra, com paredes em tabuado, ou seja de tábuas de madeira a fazer cerca de tapamento, e a delimitação do terreno de jogo marcado com linha feita a pó de cal, junto aos assentos para o público, havendo delimitação por uma corda de vedação. Dando a imagem ainda o pormenor de ter assistência assinalável, podendo ver-se ao fundo um grupo de meninas desse tempo. Num friso feminino de jovens de boas famílias, como se reconhecem, sabendo-se a identificação delas, embora pessoalmente, no caso do autor destas linhas, as tivessemos conhecido muitos anos depois (agora já falecidas quase todas, e não todas por felizmente haver ainda uma viva, atualmente com 101 anos, em 2019).

O tempo passa… mas ao menos consegue-se recordar factos e fisionomias quando há testemunhos, assim.

Armando Pinto
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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Memória do antigo “Sport Club da Longra” na revista histórico-desportiva de Lisboa “Stadium”


Confirmando antigas existências, das que pouca gente se lembrava e sabe ainda, mas foram devidamente historiadas no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, mais uma comprovação chega a nossos olhos passados muitos anos. Tal o caso de um destes dias, ao pesquisar determinada curiosidade, (o autor destas linhas) ter descoberto que também numa revista de Lisboa dos anos quarentas aparece referência a uma antiga coletividade da região sul de Felgueiras, mais propriamente a um dos antigos clubes de basquetebol que existiram na Longra.


Com efeito, no número de 18 de Julho de 1945, da revista Stadium, aparece uma foto e ao lado a respetiva legenda, do Sport Club da Longra, “equipa de «basketball», como é referida em grafia do tempo, na forma inglesada dos primórdios do desporto.


Ora, o Sport Club da Longra, fundado em 1941 (como está registado no referido livro da história da região, Memorial Histórico…), existia então e resistia pujante desde aí até pelo menos 1945, ano em que teve uma foto publicada na revista de Desportos Stadium, em sua página “Stadium na Província” – conforme se transpõe para aqui a respetiva página inteira, mais a própria 1ª página da mesma publicação; e, pormenorizando, também em recortes que se juntam. Reconhecemos (identificando) facilmente, em cima o primeiro e o terceiro a partir da esquerda, respetivamente Adriano Castro e Luís de Sousa Gonçalves; e em baixo à direita, o jovem desse tempo António Dâmaso (mais conhecido depois por sr. Damas).


Não será necessário arriscar muito um palpite quanto à possível autoria e procedência do envio dessa foto, para Lisboa, sabendo que desse tempo a referência que ficou na memória foi da pessoa de Adriano Castro, entusiasta local de quase tudo o que se fazia por estes lados nos anos quarentas e cinquentas. Tendo sido ele o fundador dos clubes das diversas modalidades que foram aparecendo por esses anos e tinha contactos pessoais com gente do desporto da cidade do Porto e da imprensa (inclusive ficara amigo de Cândido de Oliveira, desde que esse senhor do futebol esteve a treinador do FC Porto; tendo ele mesmo levado para o FCP o ciclista Artur Coelho, mais os futebolistas juniores Silva e Freitas, todos de Felgueiras). Entre variadas ações, incluindo, mais tarde, ter sido Adriano Castro que fez a crónica de reportagem para O Norte Desportivo da festa da primeira subida de divisão do Futebol Club de Felgueiras.

Armando Pinto
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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Exposição sobre Oliveira da Fonseca, benemérito felgueirense e republicano, na passagem de 150 anos de seu nascimento - na Biblioteca Municipal de Felgueiras



No âmbito comemorativo da implantação da República, e no vasto programa “Outono Cultural” em desenvolvimento na sede concelhia, foi no dia 5 de Outubro assinalada em Felgueiras a comemoração dessa histórica ocorrência, com a inauguração duma exposição, na Biblioteca Municipal, a fazer memória de um republicano felgueirense, José Joaquim Oliveira da Fonseca, juntando essa sua faceta de cidadania com o fator de ter sido um benemérito da antiga vila de Felgueiras.


Com efeito, Felgueiras comemorou a Implantação da República perante uma homenagem a um republicano e benemérito do concelho - José Joaquim Oliveira da Fonseca. Além de mais um ou outro número de programa, como sucedeu também através duma outra homenagem a um nome relacionado com o 25 de Abril de 1974 (Zeca Afonso), sem relação com o 5 de Outubro de 1910.

Ora, no dia 05 de outubro a Biblioteca e Arquivo Municipal foi palco da cerimónia de homenagem a José Joaquim Oliveira da Fonseca que se traduziu numa exposição que marca os 150 anos do seu nascimento.


No evento referiu-se que José Joaquim Oliveira da Fonseca nasceu em Felgueiras em novembro de 1869, emigrou para o Brasil e, após alguns anos, lá fez fortuna e regressou à sua terra. Construiu os edifícios de Belém e a Casa das Torres, esta última de arquitetura chamada brasileira, embora no caso mais propriamente em estilo Arte Nova. Destacando-se então como benemérito da terra, tendo oferecido terreno e mobília para a construção da escola primária de Margaride, da qual recebeu louvor da República Portuguesa; e como vereador da Câmara Municipal, onde exerceu os seus ideais republicanos. Além de ter feito parte de diversas comissões, como ficou referido no livro “Luís Gonçalves: Amanuense-Engenheiro da Casa das Torres” (publicado em 2014), a memorizar também o arquiteto encarregado por Oliveira da Fonseca na edificação de seu palacete das Torres.


A família Oliveira da Fonseca esteve bem representada, tendo sido por um dos sucessores deveras bem narrada e justificada toda a envolvência que a figura de José Joaquim Oliveira da Fonseca transporta na memória coletiva felgueirense. Justificando sobremaneira o facto dele estar honrado na toponímia felgueirense com seu nome numa rua da atual cidade de Felgueiras. Aliás a mesma família Fonseca foi naqueles tempos de inícios do século XX preponderante na vida urbana da então vila de Felgueiras, como se nota num seu irmão, Henrique Oliveira da Fonseca, haver ficado ligado à construção do Coreto de ferro, erguido em 1912 a substituir os antigos do largo da Corredoura, poiso da feira e arraial de festas nesses lustros.

= Nota noticiosa n’ O Jornal de Felgueiras de 15 de Junho de 1912.

A exposição, inaugurada no sábado e feriado 5 de Outubro, patente ao público ainda durante mais algum tempo, mostra diversa documentação e imagens relacionadas com a vida e obra do homenageado, algo que é de interesse felgueirense.

De assinalar que as comemorações encerraram no dia 5 de outubro, na Casa das Artes com o Concerto Comemorativo da Implantação da República, interpretado pela Banda de Música de Felgueiras.


Armando Pinto
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sábado, 5 de outubro de 2019

= Curiosidade e Rememoração: um grupo de republicanos felgueirenses defensores da República


Uma curiosidade e memoração, através da imagem que se dá à estampa:

-  Grupo de republicanos felgueirenses, que integraram o exército que conteve os revoltosos (adeptos do regime monárquico deposto em 1910) contra a então ainda jovem República. Tendo o grupo fiel ao regime republicano enfrentado esses revoltosos que em Cabeceiras de Basto tentaram reinstalar a monarquia em Julho de 1912.

Atente-se na legenda da gravura, que ao tempo foi publicada na revista Ilustração Portugueza, em seu número 343 de 16 de Setembro de 1912.


Vários desses nomes são conhecidos pela história de Felgueiras. Entre eles, o Dr. António Pinto de Sampaio e Castro, Conservador do Registo Civil e Administrador do Concelho de Felgueiras, era oriundo da família Castro da casa de Moinhos do Unhão e depois viveu grande parte da sua vida em sua casa da Leira, na Longra, no antigo lugar da Leira (parte da atual Rua Verdial Horácio de Moura). Tem seu nome atribuído numa rua da vila da Longra, como Rua Dr. António Castro.

Armando Pinto
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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Viagem Memorial Histórica pelos estabelecimentos de saúde da região de Felgueiras e arredores – a propósito da passagem aniversária da USF Longara Vida



Núcleos de Saúde em Felgueiras

Na calha do recente aniversário da Unidade de Saúde familiar da Longra, oficialmente chamada USF Longara Vida, vem em talhe uma rememoração de enquadramento histórico relacionado.


*****
Nas existências benéficas pelos tempos em equação, detendo vislumbre na apreciação de estudo dos diversos tipos de socialização, há dotações que pelas suas características são incontornáveis, num circuito com devido alcance. Mas, intrometendo-se nas mesmas obtenções, factos acrescem que têm de ser vincados, a propósito. Por entre variadas motivações valorizáveis, seja das chamadas culturas urbana, ambiental e demais, incluindo intentos de preservação patrimonial, recuperação de identidade, iminências da memória coletiva, como outros valores dignos de crédito, será de somar algo relativo à área da saúde. 

Vêm a talhe estas considerações relativamente à continuidade da Unidade de Saúde da Longra, de jeito a aproveitar para rememorar um panorama retrospetivo dos estabelecimentos de saúde no concelho de Felgueiras, no especto de apontamento historiador.


Então, indo por partes e passando ao primeiro ponto, de mais importante fator histórico, o percurso cronológico da saúde institucionalizada, no concelho de Felgueiras, remonta ao século XIX, com a construção do antigo Hospital de Felgueiras. Sabe-se que em 1855, por iniciativa do Dr. António Leite Ribeiro Magalhães, da Casa da Vitoreira, com a colaboração de outras pessoas importantes da terra felgariana, foi fundada a Irmandade da Misericórdia da Vila de Felgueiras, com a finalidade primordial da construção de um hospital. O qual começou a ser feito pouco depois e ficou implantado no edifício mais tarde conhecido por hospital velho (posteriormente transformado na original sede da Cercifel e depois, com a mudança desta, integrando também aumento das novas instalações do hospital atual).

Já no século XX, corria 1912, Agostinho Ribeiro, que fizera fortuna no Brasil, doou seus bens à mesma Misericórdia para custear a construção de novo hospital, acrescido de um lar de asilo próximo, como aconteceu. Com a então nova construção, o edifício hospitalar surgido viria a ser denominado Hospital Agostinho Ribeiro, em homenagem ao seu maior obreiro, e o Lar teve o nome de Maria Viana, em memória da esposa do referido benfeitor.

= Hospital de Felgueiras - antigas fisionomias da frente e das traseiras

Entretanto, ainda no século XIX, começara também a funcionar o Hospital da Misericórdia do Unhão, após haver sido comprado em 1868 o edifício que fora palácio dos condes, adquirido pela mesma Misericórdia ao Barão do Calvário. Aquisição aquela, então feita, para instalar a sede da referida instituição antes fundada em 1630, e onde viria a funcionar o dito hospital, inicialmente chamado de S. Mateus, em dedicatória ao que fora anteriormente patrono da mesma casa fidalga. Essa mansão (que, de permeio, servira como Paços do antigo concelho e se prestara ainda para acolher a cadeia na vigência do mesmo velho concelho do Unhão e do depois sucessor e efémero de Barrosas), teve então conversão em hospital, tendo em 1870 havido aquisição de mais espaços anexos para o efeito, em cuja sequência e derivada ampliação patrimonial, volvido um ano tiveram início os cuidados assistenciais, então entregues às Irmãs Hospitaleiras. A pontos de em 1871 terem ali entrado os três primeiros doentes, e em 1872 ter sido lançado no livro de registo de óbitos o nome do primeiro defunto que lá expirou.

= Centro de Saúde de Felgueiras quando funcionou nas instalações do antigo estabelecimento de ensino Externato Infante D. Henrique

Mantiveram-se durante longos anos estas duas dotações concelhias (com o Hospital do Unhão a chamar-se já de Nossa Senhora do Rosário, alusivo à Padroeira da Misericórdia sua proprietária, o qual a partir de 1934 ficou ao cuidado das Irmãs de Caridade da Ordem de S. Vicente de Paulo), até que surgiu o primeiro Posto de Saúde, adstrito à Casa do Povo da Longra, nos inícios da década de quarenta, do século XX. Tendo essa casa Longrina, em junção às benesses proporcionadas a seus beneficiários, efetivamente criado em 1941 seu Posto Médico, como Delegação Clínica local de abrangência a diversas freguesias da respetiva área – em época ambulatória cingida aos então dois estabelecimentos hospitalares do concelho. Ao passo que, no que toca a aparecimento de outros Postos Médicos, só na década de cinquenta foi criado um outro Posto na Casa do Povo de Jugueiros, enquanto o de Margaride-Felgueiras, mais tarde sede do Centro de Saúde concelhio, foi implementado apenas na década de sessenta (ao tempo numa fração de um prédio da travessa de Belém e muito depois passado para o edifício do antigo Externato), seguindo-se os Postos Médicos da Casa do Povo de Borba de Godim-Lixa, Casa do Povo do Marco de Simães e os Postos Clínicos de Várzea, Regilde e Serrinha, enquanto, por exemplo, o de Barrosas era ainda uma dependência do então Posto da Casa do Povo da Longra e do sucessor Posto Clínico da Longra, ficando independente simplesmente em 1979.


Enquanto isso, o Hospital da Misericórdia do Unhão foi de permeio, já na década de sessenta também, transformado em estabelecimento de ensino. Ao passo que o Hospital de Felgueiras passou por sucessivas alterações, chegando a estar depedente do Centro de Saúde de Felgueiras, até que em 2002 e após retorno à posse da Misericórdia, passou em revitalização a ter características especiais, derivadas de protocolos entre a Misericórdia de Felgueiras e a Administração Regional de Saúde do Porto.

= Imagens de convívios de colegas, no tempo do Posto Clínico da Casa do Povo da Longra.

Entretanto, passando ainda as décadas de setenta e oitenta do século XX, os Postos Clínicos da região (com esse nome, como foram conhecidos durante muitos anos), dependiam então dos chamados Serviços Médico-Sociais do Distrito do Porto, incluídos na dependência dessa tutela, em parceria com instituições locais onde estavam inseridos. Sendo assim independentes uns dos outros, os que estavam sediados em Casas do Povo encontrando-se interligados ao respetivo organismo (acumulando Previdência Rural e Segurança Social), enquanto os outros se encontravam diretamente ligados aos serviços centrais do SMS do Porto.


Em 1977 houve separação institucional, através de autonomia dos referidos Postos Médicos, aquando de diploma governamental que integrou as Unidades Médico-sociais das Casas do Povo nos Serviços-médicos Distritais. Após isso, estabelecido depois novidade de um regime dos Centros de Saúde, na década de oitenta, passou a haver junção de todas as Unidades concelhias em torno de uma Direção, tornando-se a Unidade de Saúde da então vila-sede do concelho em central e as restantes como derivadas extensões.

Estava então em ação o famoso Posto Clínico 105 da Longra…


Tendo essas Unidades estado em diversas situações de instalação (residência), por assim dizer, na transição de século surgiram edificações construídas de raiz: A partir de 1999 a sede de Felgueiras passou a ocupar novas instalações próprias (entre o quartel da GNR e a Biblioteca Municipal), como houve idêntica inauguração na Lixa no mesmo ano; e, já em 2004 se seguiu igual mudança na Longra e em 2005 idêntica praxe inaugurativa em Regilde, tendo em 2008 sido a vez de Simães, Barrosas e Jugueiros, período em que praticamente se alongaram obras também para inerentes transplantes de instalações de quase todas as restantes.


Neste pé, passa-se a outro ponto da ordem: Tendo em conta a mudança verificada na Extensão da Longra e, quanto ao respetivo local de situação, tem de se referir, em reforço à posteridade, que o terreno em que foi construído o edifício do novo Centro de Saúde da Longra foi cedido pela Associação Casa do Povo da Longra, para o efeito, de modo a evitar que saísse da localidade tal dotação. Terreno aquele, portanto, onde ficou ereto o Centro de Saúde da Longra, então proveniente de cedência pela Casa do Povo da Longra. De facto derivado ao carácter de serviço público preciso, para a sua permanência na Longra.


Por fim, entrado 2009, por legislação governamental, passou a vigorar nova regulamentação de Agrupamentos, ficando englobados conjuntamente, numa nova denominação de ACES do Tâmega, os Centros de Saúde das áreas dos concelhos de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira.


Na situação seguinte, o Centro de Saúde de Felgueiras, desde a referida regulamentação correspondente, passara a comportar a sua Sede de Margaride-Felgueiras e Extensões distribuídas pelas localidades das Unidades anteriormente enumeradas, num universo de áreas repartidas em maiores escalas pelas Unidades da cidade de Felgueiras e das vilas da Longra e Lixa, cada qual com números humanos que rondam (numa escala arredondada de mil e tantos, em princípios do séc. XXI) a conta de18.000 inscritos na U. S. de Felgueiras, 12.000 utentes na Longra e 7.500 na Lixa. Estando, na mesma época de inícios do presente séc. XXI, inscritos pelas outras Unidades totais ainda significativos, tais como na casa dos 5.000 em Barrosas, Jugueiros e Simães, 4.000 em Várzea e Serrinha e 3.000 em Regilde.

Então encontravam-se inscritos pelos Centros de Saúde do concelho de Felgueiras também pessoas residentes noutros concelhos, permanecidas por opção nos seus locais anteriores de assistência médica, entre outros exemplos de situações verificadas.


Passados tempos adveio a nova atualização com a junção dos Centros de Saúde na chamada ACES, sendo no caso a ACES Tâmega III - Vale do Sousa Norte, Agrupamento de Centros de Saúde da região, englobando Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira, com sede no Centro de Saúde de Lousada. Dentro do Serviço Nacional de Saúde e da Administração Regional de Saúde do Norte.


Até que, nesse período ainda, houve criação das Unidades Familiares de Saúde, com um novo regime de manutenção administrativa e autónoma gerência em dependência relativa.

Então, em Setembro de 2014 resultou a oficialização da Unidade de Saúde Familiar Longara Vida, como ficou chamada a da Longra. A USF continuadora do antigo Centro de Saúde da Longra que, na génese de sua criação e por todas as mesmas instituições deverem ter uma denominação de ligação local, tomou o nome antigo de Lôngara. Que historicamente remete para algo arqueológico. Atendendo ao passado da terra, que de Lôngara, por encurtamento normal, deu Longra.

A USF Longara Vida faz recuar memórias de pessoas que foram conhecidas também pelos anos de trabalho dedicado durante longo tempo, desde o antigo Posto Médico da Casa do Povo da Longra, passando pela Unidade do Centro de Saúde que foi implantado no atual local em autêntico finca-pé pessoal do então presidente da Casa do Povo e responsável administrativo da Unidade de Saúde da Longra, para que que a mesma não saísse da terra, como é do conhecimento histórico. Ficando nas mesmas instalações ainda peças de mobiliário cirúrgico antigo, de coleção particular, a testemunhar todo esse trajeto.

 *****


Entre memórias pessoais de uma vida de 38 anos de trabalho no Centro de Saúde da Longra, e mais algum tempo, a pedido e por moticvo de saúde, na sede em Lousada, gabinete da UAG - Unidade de Apoio e Gestão, ficaram boas recordações, em fotos e comprovativos.


Armando Pinto
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