sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Artigo no SF dedicado a Fernando Sampaio, antigo diretor e presidente histórico do FC Felgueiras


Por quanto uma das virtudes da memória é o sentido do reconhecimento, dando valor ao que tem valor, como sempre foi norma pessoal do autor, desta vez dirigem-se nossas palavras escritas para a valorização da coisa pública desportiva de brado conterrâneo. Como fica registado no artigo escrito para o espaço da habitual colaboração no jornal Semanário de Felgueiras, em seu número da terceira sexta feira de 2018, 19 de janeiro – do qual para aqui transpomos o texto e imagem da respetiva coluna:


Fernando Sampaio: Referência do futebol felgueirense

Tempos houve em que o futebol foi rei em Felgueiras. A pontos de, como diz a lenda que quem beber da fonte da Santa permanece cá, também se dizia nessas épocas que quem veio à bola ficou. Bem como quem sentiu o entusiasmo desses tempos áureos ficou felgueirista para sempre. Mais ainda tratando-se de naturais do rincão, entre gente apaixonada pela terra, como alguns bons adeptos do futebol felgueirense, emblemáticos depois e para a vida toda. Algo de relevo, no caso, sendo o futebol um mundo que faz rolar a vida, quão pula e avança, dando vida às terras e englobando vidas de pessoas. Tal o facto ora em apreço, por quanto o desporto-rei em Felgueiras tem muito, entre outros, dum felgueirense chamado Fernando Sampaio. Desta vez o conterrâneo merecedor das linhas costumeiras do autor a recordar e valorizar algo ou alguém da nossa terra.

Como tudo na vida tem alfa e ómega, o futebol em Felgueiras passou pela ação duns Verdial Moura (Abílio), Dr. Machado de Matos, Adriano Sampaio Castro, Joaquim Carvalho, P.e Hernâni e continuou com uns Belmiro da Vitoreira, Armindo Carvalho, Paulino, Zé Luís Martins, etc. Até que com Álvaro Costa o FC Felgueiras passou a contar com a colaboração de Fernando Sampaio, entusiasta que antes acompanhava a equipa como apoiante ferrenho, de seguida andara pelos campos a jogar e então ficou a ocupar o banco, mas como dirigente, entregando-se às pugnas futebolísticas em diversas funções ao serviço do futebol integrante de sua vida. E se depois da criação, em 1932, o Felgueiras passou por fases marcantes como foram a filiação associativa em 1953, a primeira subida de divisão em 1965, a primeira vez que foi Campeão Distrital em 1966, a entrada nos Nacionais em 1982, o título de Campeão Nacional da 2ª B em 1992, mas sobretudo a subida à 1ª Divisão em 1995, seria em 2006 a refundação, com o então CAF, que mais revelaria acérrimos defensores da existência dum clube de futebol digno representante do nome Felgueiras, entre os quais esteve na linha da frente Fernando Sampaio. Culminando tudo com as fintas da nova realidade (como está narrado em livro) até dar-se em 2013 a retoma histórica perante a oficial transformação na atual denominação do FC Felgueiras 1932. Sendo assim Sampaio merecedor de reconhecimento, aqui resumido diante de sua folha de préstimos ao clube, cujo currículo dava para encher várias páginas deste jornal. Como tal, para não alongar a narrativa, simplesmente como justa evocação, dirigimos outra atenção ao mesmo num artigo mais desenvolvido no blog pessoal do autor destas linhas – “Longra Histórico-Literária”

É pois Fernando Sampaio referência no fenómeno futebolístico felgariano. De cujo papel associativo, assentando na memória coletiva, se pode fazer balanço como homem que nunca deixou cair o futebol em Felgueiras. Tendo feito parte da comissão refundadora, como Secretário da Assembleia, além de diretor para todo o serviço como era seu timbre, entre as funções da direção inicial em distribuição decidida por sorteio, de modo que todos estavam compenetrados do serviço à causa.

Nascido em 1951, Fernando passou pela infância futeboleira de transição felgueirense do recinto de Fontões para o surgimento do campo da Rebela e de permeio foi jovem simpatizante de bandeirinha do Felgueiras na mão mais distintivo na lapela, como era uso nessas eras anteriores aos cachecóis, seguindo por todo o lado os ídolos do futebol local de então. Até pela vida fora ter dado muito ao clube, na sucessiva evolução e diversas alterações, cruzando com seus sucessos particulares uma vivência de profundo conhecedor do futebol e dinâmico dirigente. Chegando a ser presidente do FCF em mais que uma gerência e por fim, após a extinção do histórico clube, criou ainda a nova versão do Felgueiras, do qual mais tarde também foi presidente do CAF em 2009/10, à época da subida da 1ª Distrital à Divisão de Honra.

Sendo deveras conhecido, apesar de agora ausente da vida social devido a doença crónica respiratória que o retém acamado, continua presente na memória dos apreciadores do futebol azul-grená e leva a esta crónica de homenagem pública, justa e sintomática.

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Acresce, para complemento do acima exposto, como ficou também indicado no artigo jornalístico, que, por pouco caber numa crónica assim, há muito material descritivo a juntar. Havendo sido obtido, em espécie de entrevista recebida por escrito, uma descrição pessoal do próprio Fernando Sampaio, a pedido do autor e para melhor informação relacionada ao fim em vista. Tendo o sr. Sampaio enviado extenso relatório, escrito por si, em género de História de Vida – que, pelo seu natural tamanho não era possível incluir nem sequer resumir totalmente no trabalho jornalístico, mas disso, como base de tudo, aqui transcrevemos como escreveu na primeira pessoa.

Assim sendo, para uma melhor elucidação de todo esse vasto percurso referente ao labor referido em prol do popular Felgueiras, ficará bem aqui e agora dar desse modo a palavra ao mesmo histórico antigo dirigente do FC Felgueiras - que por suas palavras (escritas) narra:

« Começando pela minha infância, informo que nasci a 01 de Setembro de 1951, e que logo aqui aconteceu algo caricato, pois como na altura se pagava multa (quando era passado o prazo desse tempo para ir fazer o registo civil), meu Pai, para fugir aos efeitos do atraso, só me foi registar no dia 10 do mesmo mês (e como tal ficou esse dia no livro respetivo). Logo oficialmente faço anos a 10 de setembro, sendo que festejo com a família a 01 e com os amigos a 10.

Depois tive ao longo de 4 anos alguns problemas asmáticos, pelo que quando tinha 6 anos os médicos disseram a meus pais que estava livre de perigo, pese embora os sintomas pudessem regressar aos 20 ou 40 anos, e realmente voltaram aos 45, com os quais fui vivendo com momentos normais e com outros menos bons.

No entanto e na infância cedo tive o bichinho da bola, e com 8, 9 e 10 anos já era craque. Ao mesmo tempo, acompanhava o Felgueiras, em casa, e fora, fugia a meus pais para ir na camioneta dos jogadores, pois jogava lá o meu falecido tio Mário Sarrilha, entre outros, como Mamede, Vilas, Ventura, Zé Maria Paulino, Barnabé, Zé Carlos (“Mãos de Ferro”), Sabú, Augusto de Barrosas, Estebainha, Cardoso, Zeca Pinto, mais tarde Pacheco, Pimenta, Rodas, Mendes, Loureiro, Caiçara, Mesquita (da Aparecida), e uns tantos outros que fui conhecendo (dos quais não parava mais de mencionar nomes).

Enquanto isso meus pais trabalhavam como qualquer casal para o sustento da casa, e como aos 10 anos já tinha mais duas irmãs, a vida não era fácil, daí que ainda na terceira classe e quarta, quando tinha aulas de manhã, ia trabalhar de tarde, e quando tinha aulas de tarde trabalhava de manhã. Nessa altura meus pais empregaram-me nesses part-times na casa Valinhas, loja que ficava atrás da Câmara Municipal, mas como era um autêntico louco pelo futebol, muitas vezes fugia para os jogos diários que os meus colegas faziam no campo da feira, que era onde hoje é o Edifício Campo da Feira e está o Banco Espírito Santo. Assim e como fui sempre, apesar de trabalhar, como dizia fui sempre um bom aluno, mantinha a meta dos melhoras da escola, que como sabe era só de rapazes, e não mistas como hoje.

Terminada a Quarta Classe minha professora dessa altura, D. Marília Dias, filha do falecido Sr. Dias do Grémio, que viviam na Quintã, em Margaride, foi junto de minha mãe para que eu fizesse o exame de Admissão para continuar a estudar, pois nessa altura era assim que funcionava, mas meus pais não tinham possibilidades de me colocar a estudar. Chorei, queria continuar a estudar e a jogar futebol, mas meus pais não podiam, e então deram-me ainda uma alternativa, que era a de ir estudar para o Seminário dos Padres de Oleiros (em Lagares), mas eu não quis, pois não me sentia com mentalidade nem com inclinação para ser padre. Fui tolo, digo agora, pois podia ter aproveitado os estudos e depois saía como muitos fizeram. Mas ao mesmo tempo também vi a necessidade que meus pais tinham de quem os ajudasse a sustentar a casa, pois tinha mais duas irmãs, daí não fui estudar; e aos 11 anos já trabalhava na fábrica de calçado SIC, ainda na velhinha nos Carvalhinhos, tendo de seguida ido fazer parte da inauguração da nova, que agora foi transformada em pavilhões novos depois de vários anos ao abandono.

Enquanto isto, em que vivíamos no Pé-do-Monte, em Margaride, da então vila de Felgueiras, nesse espaço de tempo fomos viver para o Monte das Ruas, lugar de Lagares, ou seja na estrada Carvalhinhos-Torrados, localidade onde o Carvalhais tem a sua fábrica.

Trabalhei na SIC até aos 15 anos, e lá aprendi a trabalhar com diversas máquinas na produção de sapatos. Nessa altura a SIC era considerada a melhor fábrica a produzir o melhor calçado, e muito lá aprendi. Certo dia, como sempre fui muito determinado, e não aceitando um pequeno castigo que me foi injustamente aplicado, despedi-me de imediato, e muito embora o patrão da altura, sr. Avelino Pereira, muito me pedisse para ficar, o certo é que não voltei atrás na decisão, mesmo ficando desempregado. Mas como na vida necessitava que algo fizesse, sendo que meu pai era nessa altura Mestre Trolha e tinha alguns empregados, pois tratava diversas obras completas e arranjos, levou que daí fui para trolha com ele trabalhar. Coisa que durou apenas um ano, até ao momento que arranjei novo emprego, e veja-se, saí de trolha e fui trabalhar para o escritório da fábrica de Calçado Tofel, mais conhecida pela fábrica do Sr. Batista, aqui em Torrados. Ali trabalhei e muito aprendi no setor da contabilidade, até ao momento de ir para o Serviço Militar, no qual fui parar em Angola.

Bem mas pelo meio de tudo isto que descrevi, o futebol mantinha-se comigo, pois lembro-me de continuar a jogar na terra, e em qualquer local que nos fosse possível, bastando colocar umas balizas, ou seja umas pedras a servir de balizas.

Entretanto, ainda na fase dos 15 e 16 anos, já tinha comigo a forte vontade de realizar coisas e cheguei mesmo a enviar uma carta para o F. C. do Porto, sendo que na altura os jovens ainda jogavam na Constituição, tendo enviado essa carta para ir lá treinar, da qual recebi a resposta ainda trabalhava na Sic Calçados; e foi o próprio patrão que ma veio entregar, com uma resposta positiva, só que meus pais não me deixaram ir, e como naqueles tempos pouco ou nada ainda tinha saído de Felgueiras, mais uma vez não concretizei os meus desejos.


= Uma formação de equipamento à Porto com Fernando Sampaio como homem da bola, em equipa da região, reconhecendo-se Pachim, Fernando Sampaio e Adélio, entre outros jovens que eram já conhecidos dos meios da bola felgueirense, ao tempo.=

Enquanto isso, já namoriscava uma colega de trabalho e que era dos Carvalhinhos. Então o F.C. Felgueiras leva a cabo um Torneio de Futebol de 11, para a categoria de juniores, e como sempre lá organizei uma equipa e, juntamente como Zé Maria Mendes e o Adão (Bombeiro) inscrevemos uma equipa dos Carvalhinhos nesse torneio, onde eu era o capitão, jogando nela vários meus colegas escolhidos por mim, pelo Zé e pelo Adão. Entre esses escolhidos estavam e jogaram o Pachim, o Adélio Pinto Lopes, o Mário Lopes, o Jorge Mendes, enfim mais uns quantos, que agora me estão a passar. Nesse torneio entrou também uma equipa de Margaride, que era treinada pelo velho Vilmar, que tinha sido e chegou a ser treinador do F.C.F. Ora no jogo entre Margaride e Carvalhinhos o árbitro era um dirigente do F.C.F. chamado José Luís, que trabalhava numa fábrica metalúrgica da Serrinha. Tinha ele uma motorizada de nome Floret, e nesse jogo estava tudo a favor do seu mister Vilmar, até que numa certa altura do jogo me dá ordem de expulsão, o que não acatei, e os meus colegas a mim se juntaram, que se eu fosse expulso a equipa saía toda, Aí a resolução foi mudar o árbitro, então quem foi arbitrar foi o Sr. Rogério Veloso. O jogo acabou com vitória nossa por 5-1, mas as consequências vieram depois. O tal dirigente José Luís veio depois já da parte de tarde tirar satisfações comigo, ameaçando que iria fazer queixa de mim a meu pai, e que eu já não iria ser escolhido para os Juniores do F.C.F...  Nessa mesma semana, vieram ter comigo em nome do FC da Lixa o Zé de Meios e o Artur Bica e ainda o Fernandes (Costa), que foi guarda-redes do Lixa, vindo dizer-me para ir treinar e jogar no Lixa. Ora como tive a ameaça de que não iria ser escolhido para júnior do F.C.F., aceitei. Treinei e logo me quiseram, vieram de imediato pedir a respetiva autorização aos meus pais e com eles traziam um tio meu (Armando), irmão de minha mãe, para convencerem meus pais a assinar. Assim aconteceu, e fui jogar para os juniores do Lixa, onde honra lhes seja feita, sempre me trataram muito bem.

Terminado o tempo de juniores, comecei depois a treinar nos séniores do F.C. Felgueiras, era treinador o sr. Ernesto, um Brasileiro que tinha sido jogador do Vitória de Guimarães. Estava tudo bem, convocado logo para o primeiro jogo que era em Lousada, isto como sabemos nos Distritais. Nessa semana tinha saído uma notícia no jornal da terra com este titulo: “ FRANKLIM EX-TAIPAS NO F.C.F., FERNANDO EX-LIXA NO F.C.F., MENDES RECÉM CHEGADO DE TIMOR NO F.C.F.”, Ora nessa altura os contratos que se faziam por norma era de Não-Amadores, logo os clubes podiam exercer o seu direito de opção pelo seu atleta, e os diretores do F.C. da Lixa ao lerem isso de imediato fizeram que o clube lixense exerceu o seu direito sobre mim, e na véspera do jogo chega um faxe ao escritório do Sr. Belmiro da Vitoreira, vindo da A.F. Porto, a impedir a minha inscrição pelo F.C.F. Daí não ser inscrito. Fiquei chateado e não mais joguei oficialmente por qualquer clube. Assim deixei de praticar futebol federado.


Antes jogava muito, quando tinha 13, 14, 15 anos e joguei por diversas equipas em torneios de freguesias, como em jogos de caráter particular e amigáveis, desde Carvalhinhos, Torrados, Sousa, Barrosas, Trofa, Café Jardim, enfim, era um puto muito solicitado.

Ainda no que respeita às minhas qualidades como jogador, e tal como lhe disse depois do que se passou com o Lixa na causa de não poder jogar pelo F.C.F., não mais joguei federado, até porque passados 2 anos fui para Angola, mas quando vim, vinha em grande forma. A vida não permitiu que me dedicasse só ao futebol, tendo continuado a praticá-lo sempre só pelo prazer. Como tal comecei a jogar futebol de salão, no qual em dois torneios que fiz em Vizela fui por duas vezes considerado o melhor jogador do torneio. Ensinei a rapaziada de Torrados a jogar Futebol de Salão, e cheguei a formar aqui uma equipa da minha fábrica para entrarmos no torneio em Vizela. Além disso fui sempre, enquanto cá estive em Torrados, o que desenvolvia o futebol, sendo quase sempre o treinador e jogador, além de ser ainda vice-presidente do clube. isto nos anos 1978, 79, 80, 81 e 82. Mais tarde quando comecei a dirigente do Felgueiras deixei o Torrados entregue a outros,


Sabe que nessa altura nem todas as freguesias tinham campo de futebol, e por norma quem os tinha ali organizavam os seus jogos e seus torneios. Hoje há o Campeonato de Amadores e todos têm clube e direções, enquanto noutros tempos tudo era mais difícil, mas se calhar mais belo.

Bem, parece que está feita a minha resenha duma juventude saudável e rebelde, ao mesmo tempo alegre e de bem com todos. O tempo foi passando e quando dou por mim já estava em Angola, na tropa.

Quando já instalado em Angola, zona dos Dembos, ST. Eulália, mais propriamente Zemba, a vida militar tinha de ser levada e encarada no melhor modo possível. Tínhamos, claro, muito tempo de lazer, no qual o meu era gasto quase sempre de bola nos pés, depois das tarefas obrigatórias realizadas. Aqui mesmo me tornei no organizador dum torneio entre companhias do batalhão, ou seja do BCAV-8322, que era a 1ª, 2ª, 3ª e 4ª companhias, CCS, e pelotão de sapadores, ou seja 6 equipas. Pertencendo eu à terceira companhia, fazia parte da organização, apitava jogos e era o capitão e treinador da minha equipa, além de ainda ser o comentador desportivo de um programa que se fazia uma vez por semana.

Terminada a operação serviço militar em Janeiro de 1975, graças ao 25 de Abril de 74, e como estava de namoro em Angola com aquela que viria a ser minha esposa e mãe das minhas duas filhas mais velhas, acabei por passar à disponibilidade lá mesmo, sendo que viemos todos para o Continente em Agosto de 1975, dado que o clima de guerrilha entre os movimentos Angolanos estava a tornar-se diariamente muito perigoso. Assim todos viemos viver para Torrados-Felgueiras, e com a qual vim a casar em Agosto de 1976.

Ainda, de quando vim do Ultramar, realizei aqui em Torrados diversos torneios de futebol, alguns de freguesias, entre os quais um de grande sucesso, um torneio de fábricas que foi ganho pela Fábrica de Calçado Marina. Toda a organização, todas as classificações, registos disciplinares, regulamentos e ainda questões de arbitrar jogos, arranjar equipas de arbitragem, ir buscar e levar os árbitros, como ainda jogar por uma equipa, era eu que fazia tudo. Entrava no campo ao sábado de manhã e saía do mesmo no final de Domingo. Sempre com tudo devidamente organizado.

Pronto Amigo até aqui já foi narrado bastante de mim, agora e parando de entrar em muitos detalhes pessoais, vou passar mais para minha parte no desporto-rei federado.

Então é assim: Em 1986 o meu falecido amigo Álvaro Costa convida-me a ir com ele para a Direção do F.C. Felgueiras, com o cargo de Chefe do Departamento de Futebol em parceria com o já falecido sr Joaquim Peixoto, do Café Popular. Bem, não tinha qualquer experiência do cargo, muito menos de dirigente, mas acabei por aceitar, tudo isto em part-time, pois tinha um “Corte e costura”, como empresa para gerir e sustentar a mim e aos meus.

Entretanto, antes ainda trabalhei um pouco com o treinador Manuel Barbosa, mas apenas na sua reta final, quando ainda estava como Presidente o Sr. Fernando Lima da JOIA, e quem ia assumir a nova Presidência era como atrás disse Álvaro Costa, da KATUS.


Uma das minhas primeiras ações como dirigente do clube foi ir representar o F.C. Felgueiras ao Jantar do F.C. Porto, no casino da Póvoa de Varzim comemorando a vitória da Taça dos Campeões Europeus de Viena, a tal do calcanhar de Madjer, em 1987. De permeio foi contratado para treinador dessa época o Prof. Neca, que estava no Fafe. Aqui e como comecei rápido a travar conhecimentos e a fazer amizades, estive com o presidente na maioria das contratações e consegui que de Braga nos fossem emprestados 3 Jogadores, Fernando Pires, Serrinha e Mirinho. Contratamos também Domingos e Daniel (ex-Fafe), João (G. R. ex-Lixa), Rui Palhares, Yontechev (Búlgaro). Veio A. Lima Pereira de novo, mantivemos Licinio, Inocêncio, Marçal, Matos, Fonseca, Simão, Douglas, e mais alguns que agora me estão a passar.


Bem, a época começou, mas infelizmente não da melhor maneira, e depois de 8 jornadas, e depois de algumas contestações no seio da Direção, começo a sentir que queriam mandar o treinador embora. Então numa reunião que tínhamos semanalmente, fui frontal e coloquei na mesa o acreditar ou não na equipa técnica, e se queriam a mudança, era a altura, ou então deveríamos dar total confiança para que se pudesse dar tranquilidade ao trabalho que viria a dar os seus frutos. Já que no meu ponto de vista as coisas estavam a caminhar no bom sentido. Dali ficou determinado a total confiança à equipa técnica, e assim outro dia tive uma conversa com o Prof, Neca, dando-lhe nota do que fiz e do que da reunião saiu. Agradeceu, apertamos as mãos e prometemos levantar a cabeça e levar o barco a bom porto.



Entretanto, e depois disso, seguiram-se mais dois empates, um fora, e um em casa, e de seguida tínhamos um jogo para a Taça de Portugal, em casa com o Belenenses, na altura treinado por Marinho Peres. Era da Primeira Divisão e nessa semana a comunicação social veio fazer algumas entrevistas, às quais numa delas o nosso Presidente ao jornal A Bola dá total confiança ao técnico. Estou eu a ler a entrevista em frente ao Café Jardim, encostado ao carro, e o Presidente vem-me dizer: - Não leias muito, amanhã quer percamos ou quer ganhemos o homem vai embora... Fiquei pasmado e disse-lhe: - mas afinal que é isto, estás aqui a dar-lhe total confiança, falamos o que falamos em reunião e agora vens-me dizer isto? Não te entendo, assim não sei estar nestas coisas, sinceramente estou desiludido; e imagina que eliminamos o Belenenses, que moral tens tu?. Ele me respondeu: - olha, teve que ser, se não o fizesse as pessoas que estão a ajudar monetariamente o clube, deixam de o fazer. Bem, fiquei entendido, afinal o futebol dependia da vontade dos mecenas, e não era gerido no seu interior, mas sim de fora para dentro... Ao outro dia, vamos para o jogo, e eu sinceramente ainda pensei que uma vitória nossa pudesse virar a cabeça das pessoas e voltarem à realidade. Vamos para o jogo e eliminamos o Belenenses, com um golo do Moreira de Sá, Aí pensei mesmo que nada mudasse e que tudo iria continuar no normal, pois vimos que a equipa tinha valor e que ainda íamos a tempo de obter a desejada subida à 1ª Divisão, porque nessa altura não havia 2ª Liga, era Segunda Divisão Zona Norte e subiam três. Mas não, no final do jogo confirmaram a chicotada, e eu ao outro dia pedi a minha demissão, ainda por cima pelo treinador que já tinham contratado (António Jesus, o Fadista), que anos atrás já tinha abandonado o clube sem qualquer razão, e daí o achar persona non grata, tal como disse à comunicação social, quando fui abordado pela minha demissão. Tínhamos uma equipa de jogadores que tecnicamente eram para jogar futebol de pé para pé, futebol apoiado e não uma equipa para um futebol direto como era o timbre do novo treinador.


Bem demiti-me, e o Presidente não descansou, todos os dias vinha à minha procura para me tentar demover a voltar ao ativo. Depois de tanto insistir, e mesmo até o Prof. Neca, numa entrevista à Rádio Felgueiras apelar ao meu regresso, dizendo que eu fazia falta ao clube, mas mais pela amizade com o Presidente e pelo clube, lá regressei, e fui trabalhar com o novo técnico. Sempre na mesma, sempre fiel ao clube, e admirado com algumas façanhas do novo técnico, tais como um dia me vir à fábrica perguntar qual era a minha opinião para a formação da equipa para o jogo desse fim de semana, ao que lhe respondi que não opinava sobre isso, pois o treinador era ele, e era ele quem deveria saber a equipa que iria jogar.

Bem, as coisas não melhoraram em nada, mas a equipa tinha valor, e lá fomos ganhando alguns jogos e perdendo outros. Até que um dia e no jogo em Macedo de Cavaleiros, o sr. Joaquim Peixoto foi para o banco e esteve com a equipa, pois eu tinha apanhado 10 dias de suspensão, e nesse jogo que perdemos e foi péssimo, pelo caminho (e isto foi contado pelo sr. Peixoto) o treinador quase esteve a andar à porrada com dois atletas. Ora na reunião semanal quando o sr. Peixoto contou o que se passou todos ficaram de boca aberta, e ao outro dia o Presidente foi ao estádio, reuniu com o treinador que nesse mesmo dia deixou de treinar. Tendo o grupo ficado entregue a 4 atletas provisoriamente. O inesperado veio depois, os atletas não quiseram continuar com essa situação e o Presidente não quis contratar mais nenhum treinador, faltando ainda 6 ou 7 jornadas, e a batata quente sobrou para mim, que acabei por ser eu o treinador, sem adjuntos, durante o resto do campeonato. Portanto mais uma experiência e diga-se de passagem que até me saí muito bem. Grandes jogos, bons resultados e ainda acabamos o campeonato logo atrás das 3 equipas que tinham descido da primeira divisão. Penso que fizemos um quarto ou quinto lugar. Moral da história: um primeiro ano escaldante para um principiante.

Na época seguinte segue-se a presidência do Sr Quintanilha. Fui eleito com toda a direção, mas não cheguei a tomar posse, pois logo vi que as coisas não iriam correr bem. Entrou para a Direção o Sr. Sidónio Ribeiro, e quando vejo o treinador contratado já estava feito, é que o mesmo impôs logo que nenhum jogador poderia ganhar mais que ele, que fez exigências de contratações de atletas caros, algo que me soou mal, e por isso não tomei posse. Mais tarde o Sr. Quintanilha veio a dar-me razão. Lembra-se o amigo das Assembleias que tiveram de ser feitas no mercado municipal, pois o auditório da Câmara Municipal era pequeno para tanta gente…  Enquanto isso alguém foi boicotando o Presidente, até que este deixando lá 20 mil contos acabou por deixar o Clube. Então o Sr. Álvaro Costa de novo assume a liderança, formando uma Comissão Administrativa e vem de novo buscar-me. Não lhe pude dizer não, e num jantar de angariação ainda tive de disponibilizar 200 contos, tal como os presentes nesse jantar, alguns até mais, e lá fomos para a luta mais uma vez.

= Primeira vez como Presidente do F. C. Felgueiras. Na assinatura do contrato publicitário nas camisolas. Presentes jogadores (Cordas, Pedro Sousa e Rui Luís, com os padrões das camisolas dessa época), além do Presidente do clube e do representante da empresa patrocinadora.=

Terminada a época, volta a haver impasse diretivo e não se criam soluções. Então no dia do casamento do meu amigo Álvaro Costa (já falecido) conseguem entre grupos presentes ali, em pleno casamento, empurrar-me para a Presidência dessa nova época, se bem que o treinador Luís Miguel, que vinha da anterior, tivesse contrato e com ele teríamos de continuar. Acabei por aceitar. Contratamos o indispensável. Lembro de momento, Rui Luís, Casimiro, Cordas, Amândio, Petróleo, Jorge e mais alguns que agora não estou a lembrar, mas o orçamento começa a baixar, pois na época anterior os valores tinham subido em flecha. A certa altura, e aqui teve mesmo que ser, pois a sua qualidade não era muita, houve que mudar de treinador e pela primeira vez contratamos Mário Reis.

Até aqui tudo bem, só que alguém dentro da Direção e que quisera que eu fosse o presidente, começou a fazer tudo o que lhe apetecia, e o presidente era um boneco ou um robôt. Ora isso não era para o meu feitio, e quando pensaram que iriam fazer o que entendessem sem dar conhecimento ao presidente, enganaram-se e logo lhes entreguei a pasta. Resultado dessa época com Mário Reis: Não conseguimos ficar nos lugares que davam acesso à 2ª Liga, que pela primeira vez iria ser formalizada em prova. Assim sendo ficamos na chamada Segunda-B.


Bem mais uma época com histórias lindas mas que não se podem contar todas. Mais nova época, mais crise diretiva, e quase em cima da hora, ou seja com pouco tempo para tratar de contratações e outras coisas, aparece na minha fábrica o sr. Raúl Sousa, mais conhecido por Maneta: Arranja um Presidente e uma Direcção e de novo cá o Tolinho vai á luta para dar andamento e criar soluções.

Então assume a presidência o falecido Zé Paulino, e lá vou eu de novo à procura de milagres. Foi treinador essa época o Prof. Fernando Duarte e fomos para a luta. Sempre com dificuldades financeiras, sempre com dificuldades de manter a Direção unida, mas lá aguentamos, até à penúltima jornada, altura em que depois de uma derrota em Lamas, no primeiro treino da semana o sr. Raúl e outro dirigente vão ao estádio mandar embora o treinador e equipa técnica. Faltava um jogo em casa com o Valpaços, e mais uma vez tive de ser o treinador da semana. Vencemos esse jogo por 7-1, com hat-trick de Moke. Bem como vê, vida dificil a de dirigente.

O Plantel que subiu da 2ª-B à Segunda Liga foi todo feito por mim, e só depois contratamos o treinador. Foi Presidente o Sr. José Luís Martins da Adega. Sendo constituído assim o plantel:  GR-Tomás, Jacinto João e Paulo, ex-Júnior;  Defesas-Camilo, A.L. Pereira, Rui Luís, Rodolfo Coutinho, Domingos, Simão; Médios-Paulo Lima Pereira, Tozé, Rady, Joãozinho, Fonseca, Zé Manel; Avançados-José Augusto, Brazília, Rui Lopes. Pode estar a faltar algum, que agora não me lembro. Penso que o Moke também fazia parte, mas agora estou confuso. Apenas quero também dizer-lhe que o treinador só teve direito a trazer um jogador, que mais tarde foi para seu adjunto, que foi o Zé Manel. O resto já estava tudo contratado quando partimos para as conversações com o Mário Reis. Isto foi na época 1990-1991, que tive agora a acrescentar, porque foi um feito importante, se bem que depois me retirasse dada a entrada em cena de novo do Sr. Sidónio Ribeiro. Com ele depois do que me fez e ao sr Quintanilha, nunca mais estive com ele em nada.

Continuando, não vou fazer resenha de época a época, pois é muito alongado, apenas dizer-lhe que andei nestas andanças desde 1986, fiz de tudo no clube, e sempre em part-time, sendo que ainda fui Delegado da Liga com distinção em 4 anos, e que como profissional no futebol entrei na época 1998-1999, a pedido da Presidente da Câmara Municipal  Drª. Fátima  Felgueiras, e  do Presidente da Direção Júlio Faria.

Em Abril de 1998, recebo o convite para abraçar papel de Director Executivo Permanente, a tempo inteiro, e como profissional do clube, cargo que tinha recusado 3 anos antes, mas depois de tanta insistência e do gosto que tenho pelo clube e pelo futebol, acabei por aceitar. Assim a Direção que assumiu em 1998, tomou conta de um fardo muito pesado. O clube estava completamente falido. Tinha um passivo em dívidas de um milhão e setenta mil contos, correspondendo quase a 6 Milhões de Euros em moeda atual. Eram dívidas a Fornecedores, a Bancos, ao Fisco, a treinadores com ações metidas  em Tribunal, a jogadores, a Empresas de Transporte, a Empresa da manutenção da relva, à Sócopul ainda da construção da bancada do estádio, à Empresa de fornecimento de equipamentos Adidas, enfim, a tudo quanto era cão e gato. A média salarial dos atletas que ainda tinham contrato com o clube era dos mil contos por cabeça mensal, o que era impensável para as receitas parcas que o clube tinha. Tivemos um dirigente na altura  que se demitiu, mas entrou na acta e depois não tomou posse. Mas lá começamos a época e como tal, logo me toca a negociação e liquidações dos ordenados em atraso a diversos atletas, o que fui fazendo com alguma mestria, sempre dando conhecimento ao presidente do clube e a todos os restantes dirigentes. Conseguimos fazer um belíssimo plantel, com o treinador Diamantino Miranda e seus adjuntos, Prof. Jorge Castela, Rui Luís e Matos treinador de guarda-redes.  Com as amizades criadas no futebol, tive eu a primazia de escolha nas dispensas do Vitória de Guimarães, e daí vieram Fernando Meira, Pedro Mendes, Lixa, Nuno Mendes e Selmir. Contratamos em escalões inferiores trambém atletas com valor, como Rui Pataca, Paulo Sérgio, Totta, Marafona, Rochinha, Kadim, Fredy e Manduca. Lançamos jovens valores do clube, como Filipe Teixeira, Zamorano e o guarda-redes Sérgio. Mantivemos de trás Eliseu, Ronaldo e Soeiro. Este último lesionou-se e pouco Jogou. Com tudo isto a média salarial baixou para os 250 contos de média por cabeça, e só não subimos de divisão porque alguém da Direção anterior não queria que fizéssemos mais que eles, e boicotaram o nosso trabalho, seduzindo e abanando com ofertas a alguns atletas do clube para que baixassem o seu rendimento, até fazendo com que perdessemos diversos pontos… e cito: Paços de Ferreira-Felgueiras, com auto golo e derrota, pelo menos 1 ponto; Santa Clara-Felgueiras: redução para dez jogadores e oferta de um golo, deu em derrota de 3-2, mais1 ponto perdido; Maia-Felgueiras: oferta de um golo, empatamos,  e estávamos a ganhar, mais 2 pontos à vida; Naval-Felgueiras: empate, mais um auto golo, e mais 2 pontos perdidos por oferta; Aves-Felgueiras: mais uma oferta escandalosa, empatamos, depois de termos estsdo a ganhar, mais 2 pontos oferecidos; e ainda mais escandaloso, Belenenses-Felgueiras: oferta escandalosa de cabeça ao ponta de lança do Belenenses Quim, para o 1-1, quando ganhávamos nessa altura por 1-0, acabamos por perder 2-1, pelo menos mais 1 ponto perdido. Agora o célebre jogo Felgueiras-Feirense.com roubalheira enorme que acabou em empate e que deu 2 jogos de interdição ao nosso estádio. Fomos jogar a Guimarães com o Paços de Ferreira:, empatamos 2-2, e a Braga com o Santa Clara, e ganhamos 2-0.

= «Conferência de Imprensa sobre a Arbitragem do Jogo F.C. Felgueiras-G.D. Feirense. época 1998/1999, resultado final 1-1, um escândalo com invasão ao balneário da equipa de arbitragem, sr. Mário Santos, o qual era mesmo de Vila da Feira. Eu numa entrevista televisiva atirei-me ao Conselho de Arbitragem pela sua nomeação, ainda antes do dia do jogo. Apanhamos suspensão do nosso estádio. Tivemos de jogar com o Paços de Ferreira em Guimarães, empate a 2-2, e o outro jogo em Braga com o Santa Clara, vencemos por 2-0. Este escândalo também nos impediu a possível subida à 1ª Liga nesse tempo.» = 

Bem, a parte desportiva foi esta. Na parte financeira, fomos satisfazendo os compromissos, e nesta época só de dividas do passado pagamos 120 mil contos. Esta Direção tinha assumido por 3 anos, mas alguns elementos no final da primeira deixaram o barco. Foi feita uma remodelação, sendo que o presidente se manteve, e eu como era profissional do clube também continuei, até porque tinha assumido por 3 anos tal como o Presidente e todos os restantes, mas cada um sabe das suas razões e das suas vidas.

1998/1999, 1999/2000, 2000/20001… Foram 3 épocas intensas, e a última no plano desportivo não foi boa, pois muitos jogadores saíram, incluindo a equipa técnica, e desportivamente a coisa esteve feia. É aí que surge o caso Marco, com uma Jurídica de David contra Golias (Ferreira Torres), mas o David Felgueiras desta vez ganhou, pois tinha os regulamentos pelo seu lado, um bom Advogado (Dr.Paulo Samagaio) e um único dirigente a acreditar que iria ganhar a luta, o mesmo, sempre disse e com plena certeza de que ficaríamos na Segunda Liga.


= Foto da luta que estava a travar com a LPFP, sobre o caso Marco. Processo que viemos a vencer. Esta foto do jornal desportivo O Jogo, época 2000/2001, final e inicio da época 2001/2002. Estrondosa vitória sobre o Loby “Ferreira Torres”. =

Financeiramente, o clube em 3 anos fez um encaixe financeiro de 355 mil contos em atletas, valor esse que deu todo entrada no clube, muito embora o comprador não tivesse pago tudo aos detentores dos títulos de dívida, ou seja das letras, que depois passaram a cheques. Dívida essa andava a ser resolvida em tribunal, até que o comprador morreu, e não sei como ficaram as coisas, pois sei que haviam alguns bens penhorados ao mesmo, no entanto até ao meu último conhecimento, o devedor dos 355 mil contos já tinha pago pelo menos 250 mil contos, sendo que o restante já tem muitos juros acumulados, não sei até que ponto os bens penhorados conseguem cobrir a dívida. Mas o clube fez esse encaixe isso é garantido.

Também é na época 1998/1999 que se dá a transação do Estádio Machado de Matos para a Câmara Municipal, e acreditem que então foi vendido, não por 120 mil contos como se falou. A história está muito mal contada, mas ela foi bem explicada em Assembleia Geral aos sócios, bem assim como em Assembleia Municipal. O valor correto da venda é de 875 mil contos, sendo que o clube apenas recebeu 80 mil, pois a C.M.  teve de fazer pagamento do que o clube devia da Bancada, e deduzidos todos os valores que tinha dado ao clube para essa obra, incluíndo o financiamento que tinha sido feito de 300 mil contos, por isso é mentira que Fátima Felgueiras tivesse dado para o clube 5 milhões de Euros. Isto que eu lhe conto desmonta toda especulação.

Bem, deixamos o clube em 2001 com um passivo de 415 mil contos, para quem o tinha recebido com 1.975, deduzimos aqui muito. Por assim dizer deixamos com passivo de médio e longo prazo de dois milhões setenta cinco mil euros, em fim de época de 2001, tinha recebido com passivo de cinco milhões, trezentos e setenta e cinco mil euros, bastante diferente.

Ok. Saímos e outros entraram. Não deixamos nada em tribunal, nem impedimentos de inscrições de atletas, apenas o essencial para o que é normal ter de apresentar à Liga, ou seja os pressupostos de natureza financeira, e aí penso que seriam necessários uns 40 mil contos para engrenar a máquina, pois o outro passivo dizia mais com a lei Mateus, que já vinha de trás, e outras dívidas a mais longo prazo, mas que mensalmente eram suportáveis.

Se assim ficou em 2001, em 2003, ou para a inicio da época 2003/2004, o clube estava outra vez mergulhado num pesadelo, de tal forma que ninguém se atrevia a pegar nele. Eu mesmo não queria acreditar no que fui ver: correio por abrir há 3 meses, penhoras e mais penhoras, ações de jogadores, treinadores, fornecedores, tudo por contestar, tudo perdido, era impensável, e quando fui a somar tudo, o valor de dívidas ascendia a valores impensáveis em tão pouco tempo. Em 2003 encontro um valor de passivo de 4,100 milhões de euros, com agravante de tudo penhorado, até as receitas dos jogos, qualquer contrato publicitário, tudo… Nada se podia fazer. Veja-se que só para obter as certidões e inscrever o clube, que entretanto tinha descido, mas podia aproveitar a saída do Campomaiorense, e continuar na Segunda Liga, mas só para as certidões com prazo limite até 31 de Julho de 2003, precisava-se de 150 mil  euros para as Finanças, de 45 mil para a Segurança Social, e ainda era necessário que o Secretário de Estado das Finanças aceitasse o recomeço do pagamento da Lei-Mateus, em prestações como vinha acontecendo, mas que infelizmente a Direção deixou de pagar. Quanto aos atletas e treinadores, era preciso negociar com eles, ou arranjar dinheiro para lhes pagar, e isso era coisa que não havia.

Mas meu amigo, o Louco voltou, e com a ajuda de alguns colegas de Direção e um ou outro elemento exterior, e depois de muito me solicitarem em Assembleia Geral, alguns com falsas promessas, eu lá encarei o touro de frente e fui para a luta.

Passei muitas noites sem dormir, passei por coisas que não desejo a ninguém, fiz tudo, possíveis e impossíveis, mas consegui, ou melhor conseguimos, pois devo sempre falar no plural, embora os meus colegas reconheçam que sem mim não o conseguiriam. Aliás eu penso que ninguém o conseguia, e também ninguém se meteria a tentar sequer, só mesmo um doente como eu, valendo-me de muitos conhecimentos. Consegui em tempo record fazer tudo, arranjar as certidões, levantar os impedimentos negociar dívidas, levantar as penhoras,  enfim lá consegui colocar a máquina a andar, e mais uma vez com sucessos desportivos e financeiros, pois terminamos o campeonato em 10º lugar, e com um forte abatimento ao passivo, sendo certo que ía ter uma nova luta para a época seguinte.

Acrescente-se que da época 2003/2004 e parte de 2004/2005, quero destacar alguns colegas que trabalharam comigo: Carlos Diogo, Luís Antunes, António Viana, Carlos Castro e ainda as funcionárias Elisabete Fernandes e Joana Soares. Estes nomes  merecem ser mencionados pela coragem, dedicação e ajuda em tudo que foi feito nessas temporadas. 

Tal como previa, para inscrever o clube e não ter impedimentos para a época 2004/2005, iria ser uma luta. É aqui que do nada surge uma ajuda preciosa, que foi a Drª. Dulce Noronha, irmã do Presidente da Assembleia Geral do clube sr. Rui Noronha de Sousa, e que para a fase necessária emprestou ao clube uma avultada verba, que deu para que de novo conseguíssemos ter tudo em ordem, mesmo em tempo limite, mas lá conseguimos de novo colocar a máquina em andamento mesmo sobre a meta, com orçamentos baixinhos, a viver com a realidade e tentar manter clube na Segunda Liga. Só que com o favor da Drª Dulce vem também para a Direção o seu companheiro da altura, um sr. de Guimarães chamado Miguel Ribeiro, que em pouco tempo deu para ver o tipo de homem que era, principalmente um mentiroso compulsivo, sendo uma pessoa totalmente fora do contexto de  gerir um clube, muito menos um grupo de homens, além do mais. E para cúmulo não era sério.

Então e porque já tinha criado imensos problemas, resolvi ser sério com a Drª Dulce, escrevendo-lhe um dossier  a contar-lhe tudo sobre o seu companheiro, e muitas das coisas que ela mesma não sabia nem sonhava. Bem se o fiz para a avisar, a mesma preferiu acreditar na possível história dele, e então começam a preparar para me derrubar da Presidência. Ora se pensavam que sairia sem dar luta enganaram-se, eu não estava agarrado a nada, apenas estava ali para servir o clube. Para mim já chegava os problemas do clube, muito menos queria criar problemas a alguém, e assim sendo, depois de uma apresentação de um projeto em Assembleia Geral, na qual eu impugnava se quisesse, pois o mesmo não tinha tempo de sócio suficiente para assumir, nem sequer para intervir na Assembleia, mas tanto ele como o advogado que levaram para a mesma não podiam, em função dos estatutos, falar ou intervir. Mas como quem não deve não teme, deixei que apresentassem e depois deixei que me substituísse, embora o mesmo em plena Assembleia me tenha convidado a trabalhar com ele, o que me fez rir, mas claro que não aceitei.

Mas pronto, foram vinte meses, abati ao passivo quase 2 milhões de Euros, só de impostos em 20 meses pagamos 460 mil euros, e deixei ao referido ainda o contrato de 300 mil euros para ele fazer, sendo que o mesmo já estava comigo acordado, e pronto para ser feito.  O mesmo terminou a época, pagou apenas mais 2 meses de salários, deixou a clube na classificação que eu o deixei, e tinha a grande luta de iniciar a nova época, para começar o tal projeto apresentado. Pois muito bem, contratou jogadores, alguns até bons, tinha sim senhor uma boa equipa, mas para isso é preciso pagar, e contratar coisas que se possam cumprir. Melhor dizendo para abreviar, começou a casa pelo teto e não pelos alicerces, pois fez tudo, estágios, jogos, festa da apresentação, mas não conseguiu inscrever o clube. Não conseguiu sequer as certidões para fazer o contrato com a Autarquia, e ainda para apresentar as mesmas na Liga. Não conseguiu levantar nenhum impedimento dos atletas, ou seja nada fez, pois de nada percebia, e muito menos tinha conhecimentos básicos para qualquer coisa, e pelo que sei, andou a enganar os colegas de Direção e todos os Felgueirenses até à última hora, e por fim, acabou com o clube.

Amigo, nada que eu não esperasse, quando me ligaram dos jornais, nada respondi, pois estava de férias, mas nem sequer fiquei admirado ou surpreendido, dado que estava ao corrente de que o mesmo nada tinha pago nas Finanças, e muito menos alguma negociação estava a ser feita por ele ou por alguém. Apenas lhe digo: Comigo ainda hoje esse clube existia sem nunca ter acabado, pois já tinha tudo controlado, com o contrato da C.M. e com a venda de um jogador, que já estava em marcha, iria realizar 600 mil euros, logo o clube tinha andamento, assim, deu no que deu.

Passado um ano a terra não tinha futebol oficial, e mais uma vez, sou eu que arranjo 50 sócios fundadores, dos 18 que foram à escritura do novo clube e se vem a fazer o CAF, sendo que os 3 nomes pedidos foram F. C. Felgueiras, ou Felgueiras F.C., e C. A. Felgueiras. O que veio aprovado foi o CAF, levei isso a uma reunião dos sócios fundadores e todos aceitaram. Assim logo caminhamos para formar uma Direção. Nos 50 sócios, os números atribuídos foi em sorteio, sendo que ao sr. Fernando Martins saiu o nº 1, logo ele acabou por assumir a Presidência e fazer a sua equipa. Eu fiz parte da Assembleia Geral, pois não podia ser diretor, dado que ía para Diretor Desportivo do Penafiel, mas continuei sempre a ajudar a Direção do CAF.

= Época 2006-2007, quando Diretor Desportivo do F. C. Penafiel. Com António Folha e Rui Bento, em estágio na Curia.=

Subimos na primeira época, contra tudo e todos, pois nem campo tínhamos, dado o que acabaram por fazer aos dois relvados que Felgueiras tinha, mas aí já são questões políticas e dessa matéria não me quero meter.

O sr. Fernando Martins fez os seus 3 anos, e depois mais uma vez sobrou para mim, e lá fui fazer mais um ano a Presidente da Direção do Clube Académico de Felgueiras, quando se concretizou a nossa subida da 1ª Distrital à Divisão de Honra. 

No ano seguinte ainda fiquei na Direcção a ajudar o novo Presidente e meu amigo sr. Pedro Martins, sendo que depois tive de deixar pois a saúde me atraiçoou, e o referido amigo Pedro Martins sobe o Clube da Divisão de Honra à Terceira Nacional. Sendo nesta Terceira que se encontra o clube, atualmente chamada que é de Campeonato de Portugal.

= Foto do ano de Presidente do CAF: 2009/2010 - Época de subida da 1ª Distrital à Divisão de Honra. =

Entretanto e tal como eu tinha previsto em devido tempo, as pessoas fizeram bem em recolocar o nome de F. C. Felgueiras, como F C Felgueiras 1932, em referência ao ano da fundação e deixando de lado o resto por motivos legais, pois tinha de ser assim, dadas as dívidas do extinto F.C.F.

Agora encontro-me acamado, com DPOC (Doença pulmonar obstrutiva crónica), que me inibe a respiração para me movimentar como devia. Assim sendo tenho algumas e fortes dificuldades, como, além disso, se acrescenta a solidão, porque entretanto e fruto da vida que levei no futebol, deixei um pouco de lado o sentido familiar e isso veio a pesar no desenlace final matrimonial.»

^^^^ *** ^^^^ 
Resumindo e concluindo (digo agora eu, autor do blogue): Uma longa vida ao serviço do desporto felgueirense, mais particularmente ao serviço de Felgueiras, Terra e Clube.

A. P.
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domingo, 14 de janeiro de 2018

Matilde da Costa, minha Mãe: 30 Anos de Saudade


O tempo voa, correndo depressa depois de vivido, como de outro modo voa o pensamento, no sentido de pairar e transportar a recordação, trazendo imagens e sensações. Voando nas asas do pensamento, desta vez, a saudade de minha mãe, até pousar aqui em mim, num voo de afeto, passados trinta anos de seu falecimento.

Foi a 15 de Janeiro de 1988, há trinta anos, cuja ocasião não mais esquece e continua presente em tudo o que permanece dessa data e desses dias. Fazendo ainda pousar no ramo de minha memória o voo da lembrança, desde os tempos em que comecei a andar agarrado a ela, mais a tê-la sempre comigo, tanto sua presença esteve a meu lado no ensinamento das primeiras orações, me levou à escola quando eu ainda nem fazia ideia de como teria interesse saber ler e escrever, quão estava em meu aperto de peito quando menino ainda saí de casa bem cedo e tive de deixar atrás a minha terra para ir estudar longe, como teve um dia feliz no meu casamento, esteve junto a mim logo após o nascimento de meus filhos. De jeito que recordo minha Mãezinha agora – tendo ainda comigo sua imagem na retina dos olhos e coração. Incluindo, entre outros casos, também recordações físicas, como o catecismo de sua Comunhão Solene, de cujo frontispício interior junto imagem, nesta rememoração evocativa. Lembrando-a agora e sempre, porque gosto muito dela!


A. P. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Lembrança do mais recente nevão caído na região...


Foi a 9 de Janeiro de 2009, numa manhã fria e surpreendente - já passaram nove anos, entretanto - quando caiu a mais recente grande camada de neve, como por aqui se diz, num inesquecível grande nevão a cobrir de branco a Longra... nesta área de Felgueiras e zona interior nortenha de Sousa e Tâmega. Prolongando-se pelo mesmo dia, uma sexta-feira, tal atração de flocos brancos surgidos do ar, vulgo farrapos, quais folhas esvoaçantes, que desde o alto celeste vieram em catadupa cobrir o solo e toda a natureza, transformando o ambiente assim colorido por um espesso manto de neve, de “folerca” - como por esta zona se costuma dizer popularmente (em corruptela popularucha de folheca).


Sendo como foi uma raridade e como tal é por vezes motivo de lembrança, nunca é demasiado relembrar essa ocorrência, pela alteração à monotonia verificada em ocasiões dessas.

Tal cenário até nos fez recordar poeticamente o poema "Balada da neve", de Augusto Gil...

«Fui ver. A neve caía
 do azul cinzento do céu,
 branca e leve, branca e fria…
 Há quanto tempo a não via!
 E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
 Pôs tudo da cor do linho.
 Passa gente e, quando passa,
 os passos imprime e traça
 na brancura do caminho…»

... Habituados à geada invernosa, nas áreas baixas da área, nesta zona ribeirinha do rio Sousa, todos os sentidos tiveram então, dessa vez, uma camada de neve a compor o panorama ambiental. Num facto pouco habitual, como só acontece com grandes intervalos de tempo, de permeio, mediando de muitos em muitos anos, normalmente. Tanto que desde aí ainda não voltou a ter repetição, por enquanto. 

Recordando esse dia e a visão pouco comum, relembramos aqui o facto através de algumas imagens do álbum pessoal...



© Armando Pinto

sábado, 6 de janeiro de 2018

Janeiras e Reisadas



Estamos em tempo do tradicional canto popular das Janeiras, na entoação visitante às casas de gente conhecida e entre amigos, através de grupos formados de diversas maneiras e feitios. Incluindo desde há anos as andanças de agrupamentos organizados, como Ranchos e formações tendentes à angariação de verbas. Com acrescento de recriação folclórica, embora nem sempre condizente à realidade, visto antigamente ser gente do povo que costumava andar a cantar nesse fito das visitas de casa e casa, não se entendendo por isso como aparecem trajes domingueiros  e de pessoas ricas em tal coreografia revivalista, atualmente.

Olhando a toda a envolvência relacionada, na pertinência da época, recordamos aqui um dos textos em tempos já publicados num artigo pessoal no Semanário de Felgueiras e de permeio também vindo a público noutra publicação:


Cantares de Janeiras e Reis

Começando pelo princípio do ano, debruçamo-nos de início, ainda que levemente, sobre os tão antigos cantares de Janeiras e Reis.

Passados os festejos natalícios, comido o bacalhau e as batatas da consoada, com a árvore decorativa a representar como que uma réstia do antigo cepo que ardia nos adros das igrejas em noite de missa do galo, e com a passagem de ano, tempo de beijar comunitariamente ainda os pés do Menino no fim das missas, chega a vez das Janeiras e complementares cantares dos Reis. Costume de influência importante noutras eras, teve formas variadas conforme as terras, por esse país fora, e também no nosso ambiente concelhio. Maneira essa de convívio que mais não é que um velho uso, deveras misturado num apego religioso revestido com sabor popular, vulgo pagão.

Segundo estudiosos eminentes da matéria, do que fomos lendo algures e anotando há longo tempo, essas reuniões de grupos de amigos, familiares e vizinhos, que iam às portas uns dos outros entoar as “boas entradas”, é uma usança derivada das “Saturnais”, festas clássicas celebradas pelo povo romano e romanizado em honra de Saturno, festividade relacionada com os segredos da crença popular comum à agricultura. Folganças aquelas realizadas por alturas das calendas de Janeiro e com a particularidade de que durante tal período desapareciam as distinções sociais.

Na antiguidade, conforme ainda algo que chegou transmitido através de alguns estudos historiadores, reuniam-se ranchos de gente, formando grupos de cada lugar ou famílias, os quais a partir da noite de ano novo percorriam as casas das pessoas mais gradas a desejar-lhes as boas festas, juntando-se por fim todos os da mesma freguesia num local tradicional, normalmente no adro ou proximidade da igreja paroquial, acabando ao calor do que restara do tronco da fogueira de natal a cantarem, ora ao desafio ou todos juntos.

A respetiva campanha, conforme a definição mais conhecida, é efetivamente uma tradicional manifestação de cultura popular de origem pagã, consistindo em reunião de grupos de pessoas que, no início de Janeiro, percorrem uma região, à noite, cantando pelas casas, ao som de instrumentos tradicionais de música, e desejando às pessoas conhecidas e amigas um feliz novo ano, por via de quadras de sabor popular. Tal como as Janeiras são “cantigas de boas-festas por ocasião do Ano Novo”. A propósito de Janeiro ser o primeiro mês do ano, sendo assim chamado em honra do deus Jano (de janua = porta, entrada). Uma outra ideia relacionada, pois Jano era como que um porteiro celestial, e, consequentemente, qual deus das portas, que as abria e fechava, esperando-se a sua proteção na partida e no regresso. Tido assim por um deus dos começos, Jano era invocado para afastar das casas os espíritos funestos. Fundamentando-se, por isso, que esta manifestação tem origem em cultos pagãos, que o cristianismo não conseguiu apagar e se foram transmitindo de geração em geração. Por extensão, a versão religiosa cristianizada das Janeiras é o cantar dos Reis, desde 6 de Janeiro.

Com o decurso dos tempos surgiram transformações desse hábito, das Janeiras e Reis, por via de que resultaram particularidades diversas. Passou a associar-se cambiante de convívio mais restrito, com esse canto noturno de porta em porta, dando vivas às pessoas das casas visitadas, a ser recompensado por meio de qualquer espécie alimentar, sendo depois essa angariação repartida por todos os participantes em folguedo final conjunto.

A partir da noite de Reis, depois da ceia tradicional, que nalgumas freguesias do concelho de Felgueiras, pelo menos, metia arroz de feijão branco acompanhado de rodelas de paio, começavam então as "Reizadas", seguindo o mesmo ritual, apenas com adaptação da letra entoada ao som dos instrumentos musicais mais acotiados.

Sendo estes cantos efetuados por grupos de mulheres e homens adultos, acompanhados por rapazes e raparigas jovens e por vezes também por crianças, em anos não muito distantes passaram a ser levados a efeito mais por jovens e crianças, com o fito de receberem donativos, conhecidos por “esmola”.

Tal tradição tem sido preservada nos tempos mais recentes, sobretudo, pelos Ranchos Folclóricos e outros grupos institucionais, com o propósito de angariação de receitas para a sua sobrevivência, em vista à manutenção anual associativa, ou por comissões e agrupamentos organizados como recolha de fundos para qualquer iniciativa de interesse público.

ARMANDO PINTO
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Ora, à chegada do final da quadra natalícia, qual expirar da época festiva do Natal já passado e entrada no Ano Novo entretanto iniciado, depara-se no calendário anual a terminação dos Reis, na atualidade do dia dedicado ao tema dos Reis Magos – que, como visitantes últimos ao Menino Jesus, no seguimento da estrela de Belém, dão azo à ocasião tradicional do desfazer do presépio.

Assim, em plena época do canto das Janeiras, ancestral costume que a partir deste período dos Reis dão lugar às "Reisadas", estando-se já no fim de semana de guardar as decorações natalícias, passamos à normal vivência anual. Vislumbrando-se no horizonte uma linha de anseios natural. Como tal desejamos que se realizem os mais lindos e justos desejos comuns, entre nós, os que nos revemos nos mesmos anelos íntegros!

A. P.