sábado, 17 de agosto de 2019

Continuação de artigo de “Achegas” sobre o malfadado caso das falsas uniões de freguesias e um extensivo “Está mal”…



Por se estar totalmente em sintonia com a reprovação que merece publicamente o inexplicável assunto da extinção de algumas freguesias, para crescimento de outras e inerentes interesses da social política recente e atual, reproduz-se a continuidade do que tem vindo a ser publicado através da lavra do amigo sr. Mário Pereira no espaço de Opinião do jornal concelhio Semanário de Felgueiras. Em continuação do que foi publicado anteriormente e aqui também teve destaque de divulgação.

Desse artigo mais recente, publicado na edição de 16 de Agosto do SF, partilha-se então o mesmo através de dois recortes, para por junto se tornar mais acessível a leitura:


Dentro do mesmo sentido de crítica à situação vigente, por ser tudo relacionado, partilha-se também uma coluna inserta no mesmo periódico trissemanal de Felgueiras, na rubrica ESTÁ MAL:


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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Resquícios memoriais – Lembranças de antigas existências


Em mais um exercício de memória, desta vez sobre vestígios de “coisas” que existiram em tempos passados, recorda-se dois casos diferentes, na diversidade das curiosidades integrantes da memória coletiva.  

Entre diversos exemplos, e de matérias de eras passadas. Num caso sobre tema paroquial, nos contornos da vivência em torno da igreja e toque paroquiano. E outro sobre tema escolar de antigamente.  

Quanto ao tema eclesial, sem ser de hagiografia mas mais de simbologia, embora sendo da história da igreja local, recordamos o caso de ter havido em Rande um relógio de sol granítico, fotografado pelos idos anos noventas e como tal fez parte visual e descritivamente do livro da história da freguesia, paróquia e região – "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras", edição que então foi possível editar através de patrocínio do jornal Semanário de Felgueiras, e volume há muito esgotado.  


Desse exemplar antigo juntam-se fotos, da original fotografia captada em 1991, a cores, depois entretanto incluída a preto e branco no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997. No qual se anotou, no livro original que ficou na posse do autor, algumas notas de lembrete, para memória futura, em anotações pessoais.


Antigo relógio de sol, esse, em pedra trabalhada, existente até finais do século XX, pelo menos, nas traseiras da Residência Paroquial de Rande, onde se encontrava sobre muro de suporte à eira da mesma casa. Cuja peça encontrada era vestígio do antigo templo, que existiu no local da igreja atual. Sendo pedaço de pedra que no tempo do Padre João Ferreira da Silva foi colocado ali, na ideia de ficar salvaguardado tal testemunho histórico-memorial. Mas que, afinal, deixou de estar no local, mais tarde – como, para atualização, se apontou, também.


Mudando de assunto, quanto ao outro tema, de mote escolar, recorda-se também ter havido pelos idos anos de inícios da década de sessenta uma biblioteca interna da antiga Escola Primária da Longra, com empréstimo de livros aos alunos para leitura em casa.


Dessa benesse de tempos de escola do signatário destas linhas (escola velha, mais tarde apeada para crescimento da fábrica IMO), juntamos imagem de comprovativos de algumas requisições, de livros requisitados, com a devida chancela da minha professora primária, D. Fernanda, esposa do então presidente da Câmara Municipal de Felgueiras… em 1964.

Armando Pinto
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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Arqueologia de Afinidade Identificativa


Ao mesmo tempo que se pode estudar o passado do relacionamento pátrio e a identificação com as raízes do fortalecimento mátrio, também se pode ir associando a ligação presente, porque sem passado não haveria futuro e nada disso até sem a atualidade de tudo.

Ora, entre algumas mais ou menos recentes aquisições que poderão ajudar a um melhor conhecimento do que nos precedeu e algo ainda de colecionismo distintivo, está no bornal afetivo aqui do autor mais uma peça emblemática. Juntando no grupo relativo ao tema do felgueirismo e acrescentando a anterior recordação da festividade do S. Pedro do ano passado, também uma caneca da Banda de Música de Felgueiras. Agradecendo a um amigo, elemento ativo dessa prestigiada filarmónica concelhia, o facto de ela passar a fazer parte aqui do acervo pessoal.


Armando Pinto
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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Um “retrato” pessoal


Podia perguntar-se se alguém reconheceria o então jovem retratado, neste retrato desenhado a lápis em folha simples de papel. Mas, além de familiares e amigos com alguma “memória fotográfica”, assim como pudesse haver quem se deitasse a adivinhar, por certo não reconheceriam este rosto… ao certo.

Mesmo assim, não se trata no caso de revelar a identidade mas a sua autoria… Sendo este desenho da autoria de meu irmão Fernando, feito em finais dos anos sessentas, mais precisamente em 1969. Que desde então está bem guardado aqui comigo, apenas o partilhando visualmente agora através deste meu blogue LONGRA HISTÓRICO-LITERÁRIA.

Contudo, é de frisar, o desenho é dele, mas não a cara desenhada. Para comprovar e ao mesmo tempo recordar, basta ver como era ele, o meu irmão Fernando Pinto, nesse tempo:


Fica a recordação, também eternamente em coisas como estas, simples mas grandes nas lembranças, para sempre.

Armando Pinto

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terça-feira, 30 de julho de 2019

Volta a Portugal de 2019, no mundo do desporto felgueirense !


Felgueiras, terra com alguns pergaminhos no ciclismo desportivo, recebe no dia 9 de agosto a 8ª etapa da Volta a Portugal em Bicicleta de 2019.


Nesse dia, os ciclistas partem de Viana do Castelo às 13 h 20 e chegam a Felgueiras, ao monte de Santa Quitéria, às 17 h 24. Estando a meta de final da etapa instalada no cimo desse planalto talismã do concelho de Felgueiras, cuja subida é considerada como contagem de 3ª categoria oficialmente na pontuação para o Prémio da Montanha, entre as classificações da prova, além de naturalmente a chegada contar para as classificações individuais e coletivas, em bom modo seletivo.


Esta é a 81ª edição da maior prova de ciclismo de Portugal, que este ano decorre de 31 de julho a 11 de agosto, com a participação de 140 ciclistas, em representação de 20 equipas, sendo 9 delas portuguesas. A RTP, canal televisivo estatal que acompanha direta e diariamente a corrida, fará no mesmo dia, sexta-feira 9, um programa em direto do concelho de Felgueiras.

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A Volta a Portugal em bicicleta de 2019, na sua 81ª edição em que se perfaz a conta de 92 anos desde a primeira realizada em 1927, andando assim pelas estradas do país por estes dias de calor, também no entusiasmo que a caravana do ciclismo transporta em tão tradicional prova, passa desta feita mais pelo norte e centro de Portugal, além de parte do sul até Lisboa, onde há maior entusiasmo e também houve Câmaras Municipais que apostaram em colaborar para esse fim. Como acontece em Felgueiras, associando-se o município felgueirense a esse acontecimento desportivo nacional de atração popular. Tanto que, entre as etapas de seu percurso, há passagem da caravana voltista por terras de Felgueiras e sobretudo vai haver um final de etapa no coração da capital desta mesma terra do pão de ló e calçado, também. O que apraz aqui registar, como região que é de históricas ligações ao ciclismo, no passado, e boas ligações atuais, sendo Felgueiras o concelho natal do autor destas linhas, seguidor desde há muito do ciclismo portista, e... de Adriano Quintanilha, grande entusiasta do ciclismo, como personagem empreendedor de diversos projetos resultantes em equipas que engrossaram o pelotão nacional ao longo de anos, quão importante figura que teve papel decisivo no regresso do ciclismo ao FC Porto e como tal no reavivar do entusiasmo atualmente à vista por esta modalidade  de heróis dos pedais.


Com efeito, a região do Vale do Sousa será uma das zonas que por estes dias (quando se escreve isto) terá os ciclistas da Volta a Portugal a correrem entre a verdejante paisagem destas paragens idílicas sob o céu bem azul. O que sucede à 8ª Etapa, no dia 9, após partida no alto Minho em Viana do Castelo, em direção à cidade de Felgueiras, para findar na subida do monte de Santa Quitéria.

Decorre assim aqui em terras de Felgueiras importante chegada duma etapa, onde o ciclismo teve tradições efetivas (como está historiado pelo autor destas linhas, em diversas publicações), com saliência para o ciclista Artur Coelho, natural de Felgueiras. 


O qual, correndo pelo FC Porto, participou em Voltas a Portugal entre 1955 a 1961, a prova-rainha em que ele por diversas vezes foi camisola amarela e ganhou algumas etapas, além de se ter salientado com vitórias noutras corridas como em Grandes Prémios e ter representado a Seleção Nacional em duas participações na Volta a Espanha, bem como e especialmente por haver vencido a clássica 9 de Julho de São Paulo, no Brasil, em 1957, além de ter corrido em França, etc. e tal.

= Troféu da Vitória de Artur Coelho no Brasil, em exposição no Museu do FC Porto =

Nas afinidades de Felgueiras ao ciclismo também consta nos anais das corridas nacionais o protagonismo felgueirense havido com Joaquim Costa, valoroso ciclista que correu na Volta a Portugal em 1961 e 1962, tal como em 1964 coube vez a Albino Mendes (conforme de ambos também já aludimos em anteriores artigos), assim como merece saliência ter existido, em finais dos anos setentas, a equipa Zala, representativa da fábrica de calçado Zala, na qual se incluiu como treinador e ciclista Fernando Mendes, formação que correu a Volta a Portugal de 1979, e que chegou a ter pelo menos um felgueirense no plantel, de nome Miguel Magalhães;

= Joaquim Luís Costa, ciclista que representou a equipa então existente do Académico do Porto

...tal como lembra ainda ter havido a equipa W52-Quintanilha-Felgueiras, com sede em Felgueiras e que ostentava camisola com as cores municipais com o símbolo do concelho de Felgueiras. Grupo que em 1993 alinhou nas provas do calendário velocipédico português e teve ação interessante na Volta a Portugal.

= Jornal O Jogo de 31-7-1993, apresentação das equipas para a 55ª Volta a Portugal =

Havendo depois, anos volvidos, uma outra equipa da firma felgueirense W52, também, que até saiu vencedora das Voltas de 2014 e 2015, esta que, embora com sede oficial de Sobrado-Valongo, incluiu nome patrocinador dos vinhos da também empresa felgueirense Quinta da Lixa. Equipa por fim substituída pela entrada do FC Porto nessa parceria, ficando como W52-FCPorto, com Adriano Quintanilha na cabeça, através de acordo firmado com o FC Porto, representado por elementos próprios, como um diretor mais o presidente do clube no topo orgânico e de modo particular pela representatividade que o grande clube azul e branco representa nacional e internacionalmente.

=  Revista Dragões, de Janeiro de 2016 =

Ora, o ciclismo sempre foi um desporto de heróis e, embora a modernidade tecnológica haja alterado certas panorâmicas do interesse público, continua a haver um lugar especial para certos casos que mexem com as sensibilidades, entre exemplos como é ainda o ciclismo de competição de alto nível. O que se revela em todos os que nos interessamos de algum modo por esta modalidade desportiva ao longo dos tempos e temos sempre presentes na ideia os nossos ídolos de infância e juventude, desde tempos em que, quando começamos a seguir as notícias da "Volta", havia “aqueles” ciclistas de que gostavamos (ah Sousa Cardoso, Mário Silva, Joaquim Leão, Ernesto Coelho, Gabriel Azevedo,  José Azevedo, Luís Pacheco, Joaquim Leite, Custódio Gomes, etc!) e a nossa equipa nos fazia ficarmos presos aos relatos radiofónicos das etapas e pelo tardio da noite à espera das imagens do Diário da Volta na televisão, que era de um só canal e “bibó velho”…


Pois então, desta vez e mais uma vez passará e inclusivamente pára na nossa terra a caravana do ciclismo poruguês, depois de em anos passados também já ter tido metas de chegada: Primeiro em  etapas do Grande Prémio de Minho para profissionais que, em anos diferentes, teve metas finais na cidade de Felgueiras e no monte de Santa Quitéria; e depois na Volta a Portugal em Bicicleta houve chegadas na Volta de 1992, à etapa Mondim de Basto-Felgueiras da 54ª edição da Grandíssima Portuguesa, ganha então na cidade do pão de ló pelo italiano David Bramatti, da equipa Lampre; bem como na Volta de 2006, ao correr da etapa Gondomar-Felgueiras, passando pela Longra com meta de aproximação à chegada, enquanto a meta final dessa 5ª etapa estava instalada no alto de Santa Quitéria, onde triunfou o galego Gustavo César Veloso, da equipa espanhola Kaiku (o que leva a que Felgueiras esteja associada à primeira vitória em Portugal e primeira camisola amarela deste ciclista que mais tarde venceu a Volta já por duas vezes e atualmente é dos mais destacáveis nos dias decorrentes… em que é chefe de fila da W52-FC Porto); tal como em 2008 o monte de Santa Quitéria acolheu um outro final de etapa, importante ainda por ter sido no encerramento triunfal dessa edição da Volta, em contra-relógio vindo de Penafiel, com passagem pela Longra e chegada ao cimo dessa “rampa” de  8,4 % de inclinação média, em que triunfou o também espanhol Hector Guerra, da equipa portuguesa Liberty Seguros (tendo no pódio oficial, na alameda daquele mesmo alto da Santa, sido festejada a vitória, como vencedor da Volta, de  David Blanco, do Clube de Ciclismo de Tavira-Palmeiras Resort).

= Boletim “O Felgueiras”, nº 2 de Junho de 1987 do órgão oficial do FC Felgueiras, ao tempo que Adriano Sousa fazia parte como um dos diretores =

No meio disto, apareceu de há anos a esta parte o felgueirense Adriano Quintanilha, mais conhecido desde que patrocinou, ao longo dos anos, diversificados projetos desportivos, a partir do apoio a uma dupla de automobilistas de ralis (Nuno Pinheiro e Dr. Miguel Mota, este o autor da proposta textual para a elevação da vila de Felgueiras a cidade, entrada oficialmente e aprovada na Assembleia da República; os quais vieram a falecer num desastre automóvel fora do âmbito de provas), depois com sua participação em diversas funções no clube de futebol representivo de Felgueiras, e por fim entrado no mundo do ciclismo, nomeadamente através duma equipa que correu com o nome de Felgueiras na Volta a Portugal, até uma das recentes em que teve parceria com a marca de vinhos Quinta da Lixa. Isso já depois de entretanto ter sido membro da Direção e inclusive presidente do Futebol Clube de Felgueiras (como se recorda aqui, por recortes jornalísticos). Até que o mesmo empresário, dono da empresa W52, passou a ser parceiro do FC Porto através da respetiva equipa de ciclismo.

=  Suplemento do jornal O Jogo de 22-6-1988 dedicado ao FC Felgueiras, de que Adriano Sousa era o presidente em que o povo de Felgueiras depositava confiança numa ansiada subida  à divisão imediata à que o clube estava (então na antiga II Divisão Nacional-Zona Norte) =

Adriano Quintanilha, entretanto já se tornara famoso por levar para as etapas da Volta a Portugal parte da sua coleção de carros desportivos, com os quais por vezes acompanha a prova. Fê-lo inicialmente ao serviço da equipa Quintanilha-Moda Jovem-Paços de Ferreira, tendo de imediato logo no ano seguinte continuado com a equipa W52-Quintanilha-Felgueiras, que se manteria na modalidade também em 1993. O regresso da W52 ao pelotão deu-se em 1995 com o apoio ao Clube de Ciclismo de Paredes, ao serviço de quem, nesse ano, Cândido Barbosa se estreou como profissional. Depois veio a ligação à formação de Sobrado e a Nuno Ribeiro, um portista que, depois da experiência com a equipa W52-Quinta da Lixa, se arreigou ao FC Porto com a equipa W52-FC Porto-Porto Canal, em 2016, atualmente com nome oficial de W52-FC Porto.


Recorde-se que, no ano de 2016, Quintanilha subiu mesmo ao palco da cerimónia dos Dragões de Ouro, recebendo a distinção relativa ao ‘Projeto do Ano’ do distinto galardão oficial do clube, devido à prestação da equipa ‘W52-FC Porto-Porto Canal’.

=  Revista Dragões de Novembro de 2016 =

A ligação com o FC Porto começou assim em 2015, embora sem ser Portista assumido e aliás até de permeio ter diversos contactos públicos com o Benfica, segundo por vezes surge na comunicação social, e em jovem haver tido simpatia pelo Sporting, clube com o qual, até, em 2015 chegou a ter um pré-acordo para patrocinar a equipa de ciclismo dos 'leões', algo que foi quebrado e acabou por ser selado por fim com o FC Porto em finais do mesmo ano de 2015; pois, segundo Adriano Sousa referiu publicamente «a única pessoa que apareceu e apresentou um projeto viável foi o senhor Pinto da Costa e o acordo tem viabilidade, no mínimo, para cinco anos». E essa parceria vai durando pelo tempo adiante e com sucesso, tendo o FC Porto sido o grande dominador do panorama ciclista português e especialmente triunfador das Voltas a Portugal desde então.

= Equipa W52-FC Porto para a Volta a Portugal de 2019, com Adriano Sousa "Quintanilha".

Pois bem, com tudo isso e o resto, é pois a equipa de ciclismo do FC Porto um caso à parte dentro do interesse portista de adeptos seguidores, mesmo que à distância física, sendo nesse aspeto já como que familiares os nomes e caras dos ciclista que envergam o equipamento azul e branco portista.

Entretanto, aí está então o ciclismo de élite com a Volta a Portugal percorrendo parte do país profundo, dentro do que parece ser possível à Corrida Grandíssima Portuguesa, que em tempos percorria mais o país de lés as lés e ultimamente nem tanto, mediante certas condicionantes dependentes de apoios das autarquias, patrocinadores e apreciadores da passagem da "Volta".

Diante de tudo isto, vem a talhe uma rememoração mais detalhada sobre as ligações de Felgueiras também à Volta a Portugal em bicicleta.


Ora, na atualidade da realização da Volta a Portugal em bicicleta, prova desportiva de atração popular, perante o facto de Felgueiras ser meta de chegada para a antepenúltima etapa da mesma grande prova, no dia 9 de agosto; merece tal ocorrência uma rememoração pública sobre as ligações de Felgueiras ao ciclismo competitivo e particularmente em haver inclusive tradições na Volta a Portugal, quer em passagens, como em chegadas e partidas de etapas, na antiga vila e atual cidade sede do concelho felgueirense, do distrito do Porto e província do Douro Litoral – como aliás o autor destas linhas já procurou recordar anteriormente em diversos artigos escritos no Semanário de Felgueiras.


- Aí vêm eles (i bem’ eles – na fala popular) ouvia-se de repente, cortando espera ansiosa; e um movimento de cabeças, a par de imediato bruaá, dava movimento a clamor da multidão expetante. E logo se inclinavam os dorsos, para melhor ver os corredores, pondo olhos e sentidos à direção em que os ciclistas vinham. Era assim na espera e por fim passagem repentina dos ciclistas da Volta a Portugal em bicicleta, a grande corrida nacional que levava o povo à rua para ver os ciclistas. Coisa que em Felgueiras, por tempos passados, se revelava algo social, num misto de festa popular com momentos de contemplação, pelo deslumbramento de ver, ainda que num repente, os homens dos nomes ouvidos na rádio, mais caras vislumbradas nos jornais. Como ficou na tradição oral um ano em que Fernando Moreira, ao tempo grande ídolo dos adeptos da modalidade, venceu a meta volante instalada no centro da então vila de Felgueiras, em etapa vinda da Póvoa em direção ao Porto, no ano em que venceu a Volta, em 1948 – facto perpetuado com alusiva foto que veio na revista lisboeta Stadium. Pois, durante muitos anos a caravana voltista passou em Felgueiras, mas não parava. Quer na sede do concelho, como noutras localidades concelhias. Até que lá veio tempo em que parou mesmo e de permeio a terra felgariana teve direito a ver de perto os ciclistas antes de iniciarem novo percurso, rumo à glorificação triunfante.

O ciclismo é um desporto tornado espetáculo apreciado até por gente que nem costuma andar de bicicleta, sendo antes fenómeno de apreço ao esforço e destreza, na vertente de valorização da heroicidade. Porque o ciclismo competitivo é uma máquina de heróis que em cima das máquinas de rodas dão asas aos anseios de vitórias conseguidas pelos músculos. Valorizando como tal atenção a que Felgueiras não foge à regra, com gosto de ver. Conforme tradição enraizada, desde tempos de admiração por antigos ídolos dos pedais, como no tempo do nortenho Fernando Moreira, até à existência de conterrâneos salientes sobre as bicicletas de corrida, como foram Artur Coelho, que em diversos anos chegou a andar com a camisola amarela da Volta, mais Joaquim Costa, Albino Mendes e Miguel Magalhães. Nas afinidades ao ciclismo, constando protagonismo felgueirense através daqueles conterrâneos que participaram entre os concorrentes (conforme já aludimos em anteriores artigos), mais acréscimo de ter existido a equipa Zala e mais tarde a equipa W52-Quintanilha-Felgueiras, com sede em Felgueiras e que ostentava camisola com as cores municipais com o símbolo do concelho. Enquanto este ano volta a ser realidade o facto da cidade de Felgueiras ser ponto de partida duma etapa da Volta a Portugal, por sinal de início à tirada mais apreciada da edição atual, voltando assim a ser ponto de referência, depois de em anos recuados já ter sido local de relacionamento com a mesma Grandíssima.


Com efeito, Felgueiras foi já sítio de finais de etapas algumas vezes e dessas coincidindo numa a meta final com o próprio fim da Volta; assim como teve entretanto também anteriormente um início de etapa, cuja experiência se irá repetir agora em agosto. Fazendo parte da história da ligação felgueirense com a popular Volta que em 1992 terminou na cidade de Felgueiras a etapa Mondim-Felgueiras; assim como em 2006, em meta instalada no cimo do monte de Santa Quitéria, terminou a então etapa que ligou Gondomar a Felgueiras; tal como em 2008 a 70.ª Volta a Portugal acabou com um contrarrelógio de Penafiel até ao Monte de Santa Quitéria; ao passo que na volta de 2009 teve largada de Felgueiras a 5ª etapa, de ligação entre Felgueiras-Fafe. Festivo início reeditado ainda no ano passado, em 2018, então no penúltimo dia da competição, abrindo alas à sempre difícil etapa para a Senhora da Graça.

Eis pois como é de fixar assim justa memoração, na apropriação afetiva a tal vera ligação desta região a que a natureza dotou de vivas cores. Vestindo Felgueiras condizente camisola multicolor de festiva ocasião.

A propósito, e por fim, calha recordar a vitória da anterior chegada da Volta a Felgueiras, quando em 2006 Gustavo César Veloso foi o triunfador da epata terminado no alto de Santa Quitéria.

Veloso desde aí ficou na retina, como ciclista de raça, que conhecemos obviamente apenas de o ver em cima da bicicleta, e ele a nós nem assim (nem assado), mas que há muito tem a admiração do autor destas linhas… desde que nesse Agosto de 2006 o vi vencer a etapa na seletiva subida do Monte de Santa Quitéria, no alto de Felgueiras, estava ele ainda nos seus primeiros anos de corridas em Portugal. Curiosamente, então que o FC Porto estava ausente do ciclismo, recordo, eu pensei para comigo como seria bom o FC Porto voltar a ter equipa de ciclistas e entre eles estar esse Gustavo César, como ao tempo era referido. E não é que, passados cerca de dez anos, o F C Porto voltou a ter ciclismo, desde 2016, e a partir de então esse mesmo Gustavo Veloso corre com a camisola do FC Porto?!


Ora, desse momento interessante, recorda-se essa vitória, que na ocasião deu a camisola amarela a Veloso, na Volta de 2006 (em que no fim triunfou David Blanco, da equipa Comunidad Valenciana). Podendo isso dar para lembrar que Veloso representava a equipa Kaiku, uma das formações que integrou ao longo da sua carreira, com saliência para uma importante vitória numa etapa da Volta à Espanha, e especialmente como ele planeava o seu próprio percurso, ao tempo – sem contar então fixar-se no ciclismo português, que em boa hora veio abrilhantar, sendo um dos Notáveis da Volta a Portugal e já um dos nomes célebres do ciclismo do FC Porto.


Gustavo César Veloso ciclista espanhol, nascido a 29 de janeiro de 1980 em Vilagarcía de Arousa (Galiza), é honrosamente um cidadão ibérico querido do Porto e de Portugal, um dos heróis das estradas com a camisola azul e branca do FC Porto. Assim como a seus colegas de equipa  dos quais a algum poderá ficar bem a camisola amarela de faixa central estampada com as cores portistas e letras da W52-FC Porto.


Armando Pinto
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sábado, 27 de julho de 2019

Artigo no SF sobre Freguesias – duma boa contribuição de ADN Felgueirense, por Mário Pereira


Sem necessidade de grande apresentação, pois o texto “fala” por si, partilha-se aqui um bom trabalho escrito em prol do sentimento pátrio, como é afinal a ligação às raízes da naturalidade verdadeira dum ser humano. Através de artigo publicado no jornal Semanário de Felgueiras, que apraz registar por ser dos que no habitual espaço de Opinião versam assuntos felgueirenses. Da lavra do amigo sr. Mário Pereira, pessoa conhecida da cultura felgueirense, como interessado e ativo munícipe que sabe exprimir os anseios de quem gosta do seu e nosso concelho Felgueirense, de essência natural. Em mais uma boa contribuição atinente à pugna pela reposição das antigas e históricas freguesias, no ADN genético da origem de nossas terras, que leva a haver algo próprio, e não haja desenraizamento como parece ser vontade de políticos infelizes que não têm raízes.

Eis o artigo jornalístico em apreço, publicado no SF de 26 de julho e que para aqui se transpõe (de seguida, recortado em dois pedaços, para melhor leitura):


E como o autor do artigo refere ter mais que dizer (escrever) sobre o assunto, ficamos à espera da continuação, para continuarmos a partilhar mais disto!

Armando Pinto
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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Em Dia dos Avós


26 DE JULHO – DIA DOS AVÓS. Uma data que dá para lembrar o que é o mundo das afeições mais experientes, embora sem ser necessário um dia próprio, afinal, porque os avós gostam de o ser todos os dias.

Num dia assim, recordamos também nossos avós, como víamos os pais de nossos pais com olhos de idade infante. Como um dia nossos netos nos podem recordar.

Como sabemos: - É bom ser avô e avó, termos netos a dar novo revigoramento à vida. Como gostamos de nossos netos! Podendo-se dizer, afinal, que, embora cada coisa tenha seu lugar e tudo o que é amor é amor mesmo, seja, à vez, conjugal, paternal, filial e avoengo, o apego de avós é a soma disso tudo. Mais que o que se possa dizer: tanto que é costume afirmar-se que avós são pais duas vezes, mas é muito mais. Tal o sorriso de satisfação que há só em pensar nos netos, o quão apetecível é tê-los ao colo, a felicidade que há em abraçá-los e beijá-los. Quão ditoso se torna saber e ver como eles gostam de nós!

Num dia assim, mais para nós, afinal, fica a imagem do conjunto de pequeninos livros dedicados aos netos do avô que escreve isto. Pois eles um dia saberão também o que é este sentimento, a junção de todos os nossos e seus sentimentos.

Este dia é assim, na vida vivida, um dia de avós e netos.

Armando Pinto

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