quarta-feira, 1 de abril de 2020

Primavera enganada



Todos os anos o mês de Abril começa com o considerado dia dos enganos. Pelo menos na nossa era, pois em tempos remotos isso terá começado quando houve alteração no ano civil do antigo calendário. Quando o ano começava a 21 de Março, ou seja com o equinócio da Primavera, ocorrendo na ocasião festividades extensíveis até 1 de Abril. Assim, com a adoção de nova contagem anual, mediante o calendário gregoriano, transferido que foi o Ano Novo para o dia da circuncisão de Jesus, no 1º de Janeiro, a data anterior transformou-se em ano falso, ou seja dia de presentes fingidos. Como tal, porque se manteve alguma confusão na cabeça das pessoas, o antigo início do calendário passou a ser visto como dia de engano para os que não assimilaram logo os novos hábitos, pelo que na evolução temporal ficou a simbolizar data de mentiras, derivando costumes de brincadeiras propositadas.

Pois então, no tema do 1º de Abril, do Dia dos Enganos, desde remotos tempos que há costume de se pregar partidas e mentiras brincalhonas nesta data da fase revigorante do ano, ao nível do povo ou até no aspeto mediático, sobretudo por via da comunicação social, de onde partiram famosas mentiras que induziram engraçados logros em muita gente, agora com menor impacto por sobreaviso escaldado.

Ora, este ano, com a pandemia que está a alterar a vida das pessoas, não parece ser só este mesmo dia a enganar alguém, ou tudo e todos, porque com toda a gente confinada ao recolhimento caseiro é um tempo algo inédito de coisas completamente desconhecidas. Porém, como é dito num célebre poema, aparece isto em tempo primaveril mas e a Primavera como não sabia nem sabe continua a rejuvenescer a natureza, enquanto o pessoal fica em casa, na esperança de não deixar alastrar a doentia fase do Coronavírus, à espera de melhores dias.

Surge este malfadado vírus passados cerca de 102 anos depois duma anterior virologia que deixou marcas na vida antepassada, como foi com a Pneumónica, a chamada gripe espanhola que grassou em 1918. Algo nefasto que tanto alterou o panorama e mesmo a história, como pode voltar a suceder. Tema que bem poderá dar para uma crónica a desenvolver, também, por exemplo nalgum espaço de colaboração publicista.  

Entretanto, no próprio dia e seguintes tempos, a Primavera está enganada mesmo e até a Páscoa deve passar como se não fosse em tempo Pascal. Até que, como também se diz, depois dos tempos virão outros tempos.

Armando Pinto

terça-feira, 31 de março de 2020

Alguns dados e curiosidades sobre parcelas de Felgueiras em “Dicionário de Artistas e Artífices do Norte de Portugal"



Entre livros recentes a fazer alguma memória da região nortenha de tempos idos, há desde 2008 um volume intitulado "Dicionário de Artistas e Artífices do Norte de Portugal", coordenado por Natália Marinho Ferreira-Alves, cujo trabalho apresenta um levantamento exaustivo quanto possível de diversos artistas que exerceram a sua atividade no Norte de Portugal entre os séculos XII e XX. Sobremaneira incidindo em artistas de arte religiosa, naturalmente atendendo ao que ainda há de registos paroquiais.

Obviamente o conteúdo apresenta material conforme os livros a que os colaboradores desse trabalho tiveram acesso. Visto, no caso do concelho de Felgueiras, serem poucas as paróquias anotadas. Sabendo-se que se de algumas paróquias livros houve a irem para arquivos públicos, de outras alguns ficaram em casas particulares ou pelo menos em casas paroquiais. O que se entende bem, pois no caso conhecido do autor destas linhas de agora, por exemplo, aquando da inicial pesquisa para o livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras" (publicado em 1997) havia pelos anos 70 (e tal...) alguns livros de registos antigos na Residência Paroquial de Rande, dos quais alguns anos depois já não se viram em nova consulta, pelos inícios dos anos 80.

De todo o modo este livro, com o feixe de notas apresentado, possibilita algumas notícias de outrora e dá conhecimento da antiguidade de algumas igrejas, e nem tanto de outras. Bem como conhecimento de alguns artistas e artífices que laboraram nas construções ou reconstruções dos referenciados templos paroquiais, embora faltando alguns nomes, como lembra não constar um, Joaquim Luís, que mereceu figurar na toponímia da então vika e atual cidade de Felgueiras, como grande mestre construtor da Casa do Pão de Ló e de obras de alargamento da igreja de Margaride, por exemplo, dos que vêm na tradição conhecida.

Passando à enumeração, do que se lê nesse livro, indicamos os nomes com relevância na arte de Felgueiras, quer pela naturalidade ou participação. Indicando-se nas obras naturalmente apenas os respeitantes ao concelho de Felgueiras e nos itens (sados biográficos, tipo, formação, aprendizagem, encomendador e obras) apenas o que consta em cada caso.

Eis então – da Obra de Coordenação de NATÁLIA MARINHO FERREIRA-ALVES, sob título “Dicionário de Artistas e Artífices do Norte de Portugal”, Edição CEPESE - Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade, em 2008:

(por ordem alfabética a partir dos apelidos/sobrenomes)

BARROS, Joaquim José de
Dados Biográficos: de Guimarães
Encomendador: Pároco de São Vicente de Sousa, Felgueiras
Obras: Douramento e pintura do retábulo-mor e painéis do forro da capela-mor da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras (1693-1694).

CARNEIRO, Clemente
Dados Biográficos: Natural da freguesia da Lixa. Residia na Rua do Loureiro, Porto (1690). Filho de João Gonçalves e de Catarina Caneira.
Tipo: Aprendiz de ensamblador
Aprendizagem: Oficina do mestre ensamblador Manuel Francisco

CORREIA, João
Dados Biográficos: Vila Cova da Lixa, Felgueiras
Tipo: Mestre ensamblador
Encomendador: Confraria do Santíssimo Sacramento de Borba de Godim, Felgueiras.
Obras: Tribuna da capela-mor da Igreja matriz de Borba de Godim, Felgueiras (1742)

COSTA, António da
Dados Biográficos: Guimarães
Tipo: Imaginário
Formação: Aprendizagem
Encomendador: Pároco de São Vicente de Sousa, Felgueiras.
Obras: Talha, douramento e pintura da tribuna do retábulo-mor, novos painéis e imagem de São Vicente da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras (cerca de 1703)

COUROS, João Carneiro de
Dados Biográficos: Do Moinho de S. Domingos, Porto.
Tipo: Oficial de ensamblador
Encomendador: Manuel Ferreira, mercador da Lixa, Felgueiras.
Obras: Grades da capela-mor da Igreja matriz de Vila Cova da Lixa, Felgueiras (1680).

FARIA, António
Dados Biográficos: Airães, Felgueiras.
Tipo: Mestre imaginário
Encomendador: Pároco de São Pedro de Torrados, Felgueiras.
Obras: Retábulo-mor da Igreja matriz de Torrados, Felgueiras e arcaz da Igreja matriz de Revinhade, Felgueiras (1719).

FIGUEIREDO, Manuel Ferreira de
Dados Biográficos: Rua Cimo de Vila, Arrifana de Sousa (Penafiel).
Encomendador: Prior do Mosteiro de Caramos, Felgueiras;
Obras: retábulo-mor da igreja do Mosteiro de Caramos, Felgueiras (1692).

FRANCISCO
Dados Biográficos: Guimarães
Tipo: Pintor
Encomendador: Pároco da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras.
Obras: Pintura na igreja matriz de Sousa, Felgueiras (1693-1694).

FREITAS, Manuel de
Dados Biográficos: Guimarães
Tipo: Pintor
Encomendador: Pároco da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras.
Obras: Douramento e pintura do retábulo-mor e painéis do forro da capela-mor da igreja matriz de Sousa, Felgueiras (1693-1694).

COELHO, Constantino de Almeida
Dados Biográficos: Bouça da Pia, Varziela, Felgueiras, 26 anos de idade.
Tipo: Pintor

GOMES, Pedro Machado
Dados Biográficos: Referenciado em Guimarães
Tipo: Mestre pintor
Encomendador: Pároco da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras.
Obras: Douramento e pintura do retábulo-mor e painéis do forro da capela-mor da igreja de Sousa, Felgueiras (1693-1694).

LEITE, Custódio
Tipo: Dourador
Encomendador: Paróquia de Friande, Felgueiras.
Obras: Retábulo-mor da igreja matriz de Friande, Felgueiras (1686-1688).

LUÍS, António
Dados Biográficos: Natural da vila de Felgueiras. Referido em 1849
Tipo: Mestre pedreiro

LUÍS, Manuel
Tipo: Mestre pedreiro
Encomendador: Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras.
Obras: Obras do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras (1600).

MACHADO, Manuel
Dados Biográficos: Residia na freguesia de Rande, Felgueiras.
Tipo: Imaginário; Entalhador marceneiro
Encomendador: Pároco da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras.
Obras: Grades de madeira para a igreja matriz de Sousa, Felgueiras (1698).

MACHADO, Manuel
Dados Biográficos: Residia no lugar de Pinheiro, S. Miguel de Varziela, Felgueiras.
Tipo: Mestre imaginário
Encomendador: Pároco da Igreja matriz de Torrados, Felgueiras.
Obras: Retábulo-mor da igreja matriz de Torrados, e arcaz da (anexa) igreja matriz de Revinhade, Felgueiras (1719).

MARQUES, António
Dados Biográficos: Natural da Cruz de Pedra, Braga.
Tipo: Mestre entalhador
Encomendador: Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras.
Obras: Mudança da caixa de órgão, grades e outras obras na igreja do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras (1743)

MELO, António Manuel de
Dados Biográficos: Era assistente no lugar de São Mamede, freguesia de Alentém, (ao tempo do) concelho de Unhão (atual concelho de Lousada). Referido em 1788

MONTEIRO, Bento Luís
Dados Biográficos: do lugar do Assento, freguesia de São João de Sernande, concelho de Unhão (atualmente Felgueiras).
Tipo: Ensamblador

PEREIRA, Paulo
Dados Biográficos: Guimarães
Tipo: Pintor
Encomendador: Pároco da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras.
Obras: Pintura na igreja matriz de Sousa, Felgueiras (1693-1694).

SAMPAIO, Francisco de
Dados Biográficos: Residente em Travassos, Santa Maria de Landim, termo de Barcelos, atualmente Vila Nova de Famalicão.
Tipo: Mestre entalhador
Encomendador: Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras.
Obras: Retábulos colaterais da igreja do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras (1733).

SAMPAIO, José de
Dados Biográficos: Residente em Travassos, Santa Maria de Landim, termo de Barcelos, atualmente Vila Nova de Famalicão.
Tipo: Mestre entalhador
Encomendador: Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras.
Obras: Retábulos colaterais da igreja do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras (1733).

SILVA, Domingos Luís da
Dados Biográficos: Guimarães
Tipo: Pintor
Encomendador: Pároco da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras.
Obras: Talha, douramento e pintura da tribuna do retábulo-mor, novos painéis e imagem de São Vicente da igreja matriz de Sousa, Felgueiras (c. 1703).

SILVA, Luís Manuel da
Dados Biográficos: Braga
Tipo: Mestre entalhador
Encomendador: Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras.
Obras: Forro das capelas laterais da igreja do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras (1764-1769).

SILVEIRA, Manuel Leão da
Dados Biográficos: Referenciado em Felgueiras
Tipo: Pintor
Encomendador: Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras.
Obras: Pintura do painel de São João batizando Cristo, na capelinha onde está a pia batismal, no lado da Epístola, da igreja do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras (1726).

TAPIA, Justo
Dados Biográficos: Guimarães
Tipo: Pintor
Encomendador: Pároco da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras.
Obras: Douramento e pintura do retábulo-mor e painéis do forro da capela-mor da igreja matriz de Sousa, Felgueiras (1693-1694).

VELOSO, José Pereira
Dados Biográficos: Rua de Chãos de Baixo, Braga.
Tipo: Mestre entalhador
Obras: Retábulo-mor da igreja matriz de Vila Fria, Felgueiras (1765).

VIEIRA, Manuel
Dados Biográficos: Torrados, Felgueiras.
Tipo: Imaginário
Encomendador: Pároco da Igreja matriz de Sousa, Felgueiras.
Obras: Talha, douramento e pintura da tribuna do retábulo-mor, novos painéis e imagem de São Vicente da igreja matriz de Sousa, Felgueiras (c. 1703).

VILAÇA, Frei José de Santo António Ferreira
Dados Biográficos: Natural de Braga. Em 23 de Outubro de 1764 residia em Braga, no Mosteiro de Tibães. Entre 1770 e 1792 sabe-se que residiu no Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras.
Tipo: Arquiteto; entalhador; escultor; riscador.
Encomendador: Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras
Obras: arquitetura, talha, ensamblagem e aquisição de ouro para o Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras (1767-1770); retábulo-mor da Igreja do Mosteiro de Santa Maria de
Pombeiro, Felgueiras (1770-1773); talha, escultura, ensamblagem, douramento e estuque do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras (1770-1773); retábulos das capelas laterais da Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, Felgueiras (1777).

A. P. 

sexta-feira, 27 de março de 2020

Número de “Atualidade / Vive Felgueiras”: Edição de Março 2020 do atual Boletim Municipal de Felgueiras


Com o título “Atualidade” no chamado cabeçalho, e mais em baixo sub-título “Vive Felgueiras!”, chegou-nos um destes dias às mãos e naturalmente aos olhos, após entrado na caixa do correio cá de casa, o Boletim Municipal que atualmente tem esse nome. Em cuja série este é o número 2, com data de Março 2020.

Boletim Informativo da Câmara Municipal de Felgueiras, este, que procura abarcar a cronologia de realizações de 2019 e parte já acontecida de 2020, dando seguimento ao nº 1 saído com data de Dezembro 2018.

O atual Boletim Informativo da CMF, “Atualidade”, é pois continuador de anteriores versões do Boletim Municipal, iniciado em 1982, e que em contagem decrescente de 2012 a 2017 teve 11 números como “Felgueiras + Informa”; em 2011 teve 1 número como “Felgueiras + Positiva”; de 2006 a 2009 teve 19 números como “felgueiras município com futuro”; e assim sucessivamente, revendo para trás, como “Boletim Municipal Felgueiras” e “Felgueiras Municipal” teve 41 números de 1989 até 2006 (assim numerados sequencialmente); além de pelo meio ter havido alguns números especiais dedicados a eventos; bem como antes como “Informação Municipal” e “Boletim Informativo” teve 13 números entre 1986 a 1989 (incluindo um nº 0 e 12 numerados); e no princípio com o original título de “Boletim Municipal", iniciado em Janeiro de 1982, teve 8 números até Dezembro de 1985.


Com este conjunto entretanto publicado ao longo dos correspondentes 38 anos, sensivelmente, forma-se uma interessante coleção de documentação historicamente informativa, dentro do que ao tempo e em cada época foi ali incluído. Como tal, é de apreciar essa matéria publicada, sendo de anotar que conviria também incluir as ocorrências de todas as áreas, verificando-se haver pouco espaço dedicado a eventos culturais ocorridos na Biblioteca Municipal, por exemplo, comparativamente a eventos festivos realizados noutros locais. Senão daqui a anos haverá ideia que na Biblioteca pouca coisa aconteceu, olhando-se ao que fica registado nesta espécie de anais do Boletim Municipal. Devendo haver maior interligação de setores, para o efeito. Porque tudo o que aconteceu e ocorre também foi e será realidade e tem sua relevância.


Como dizia o cronista régio Fernão Lopes quanto a dever narrar na direita estrada, no caminho da verdade e objetividade, estes boletins registam assim a crónica das realizações verificadas em ações e espaços municipais, ao longo dos tempos da política autárquica na democracia local, a bem de Felgueiras e dos Felgueirenses.

Armando Pinto
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sábado, 21 de março de 2020

Primavera



Chegou a Primavera. Mais uma Primavera em nossas vidas, mas uma Primavera diferente no nosso tempo. Com o raio do vírus provindo dos confins a fazer tanto mal a todo o mundo, estando agora tudo acabrunhado, distante dos semblantes anteriores deste tempo de renovação da natureza. Sendo já uma saudade os dias alegres ainda de há um ou dois e três anos do passado recente, sem ser preciso recuar muito a tempos de antanho. Olhando-se a antes, no caso das gerações menos recentes, em que por vezes havia alguma saudade no ar dos tempos da infância e juventude, quando a vinda das andorinhas era tão arreigada que até isso era associado à felicidade familiar.

Com efeito, foi mesmo um adereço simbólico a imagem de andorinhas colocadas nas paredes das casas. A partir da figura criada em finais do século XIX por Rafael Bordalo Pinheiro, através de pequenas andorinhas feitas de barro, cujo efeito nesse formato de cerâmica ele próprio desenhara. Uma peça que com o tempo foi integrando os gostos populares e durante muitos anos povoou o artesanato e imaginário tradicional português.

Tal envolvência era associada ao caso da mesma ave migratória anunciar a primavera nos seus voos de chegada e depressa assentar lugar com a construção do ninho próprio de recomeço de vida. Pois que, aquando do seu regresso a um determinado sítio, procura construir o seu ninho sempre no mesmo local onde anteriormente habitara, com o mesmo companheiro por norma. E assim a andorinha, por possuir um único parceiro ao longo da vida, assumiu um simbolismo conotado com valores como Lar, Família, mas sobretudo, Amor, Lealdade e Fidelidade.

Era pois do cenário das famílias tradicionais, outrora, haver na maioria das casas tais imagens de andorinhas, em barro pintado de preto esmaltado, a dar viva harmonia ao ambiente caseiro. Dessa forma, facilmente assimilável pela grei em virtude da sua própria identificação com a mensagem expressa, vulgarizou-se a troca de andorinhas cerâmicas entre os amantes, usadas não só como gesto de amor ou troca simbólica, mas também como uma espécie de amuleto de harmonia, felicidade e prosperidade no lar.

A vida tem destas coisas e os ciclos sucedem-se. Há que esperar que a natureza tenha força para uma renovação eficazmente sã, de jeito a voltar a dar gosto ver os dias nascerem com radiosa beleza social.

Armando Pinto

sexta-feira, 20 de março de 2020

Orgulho Felgueirense (em artigo no SF)


Artigo do autor no Semanário de Felgueiras, em seu número de 20 de março, à página 7:


Dentro de casa, como aconselha o bom senso mas também as normas de proteção perante o atual surto do Coronavírus/Covid-19 que percorre o país e o mundo, enquanto se está a sofrer e viver tal crise pandémica, mais um artigo foi escrito na linha de temática felgueirense; e, sem sair de dentro da casa informativa concelhia, foi publicado no jornal de expansão regular felgueirense.

(...)

A edição em apreço merece ser lida de fio a pavio, de todo do jornal, pelo retrato que dá da atualidade felgueirense diante da nova realidade desse maldito vírus que surpreende os hábitos das pessoas. Entre cujas peças dignas de figurarem na memória, haverá algo também na ideia que esteve subjacente ao artigo no habitual formato de missiva de teor remetente à  preservação da memória coletiva.

De mais esta missiva escrita em forma de crónica se regista, além de imagem de parte da coluna, também o respetivo texto saído a público no Semanário de Felgueiras, em sua edição de sexta-feira 20 de março.

Orgulho Felgueirense

Com a chegada de alguns casos assinaláveis, na diferença de índole e feitio, Felgueiras saltou para a ribalta por diferentes motivos. A nível geral e nacional, primeiro com o regresso de um Rali que voltou a trazer para estas paragens a passagem de tal espetáculo de competição automobilística. Depois, na inversa do interesse comunitário, com a ocorrência da infeliz novidade do Coronavírus, por haver sido associado o nome de Felgueiras às correspondentes notícias difundidas pelo mundo, desde Portugal.


Ora, começando pela parte que menos apetece descrever, por quanto foi e ainda é demais badalada, a pandemia Covid-19 colocou a região sousã, a partir sobretudo dos concelhos de Felgueiras e Lousada, nos trombones da comunicação social e dos olhares de esguelha da visão pública. Por ter sido na fronteira destes dois concelhos vizinhos que surgiu o primeiro caso conhecido dum doente infetado em Portugal com os sintomas desse vírus, trazido de Itália por via de presenças numa feira internacional de calçado. Mas, deixando isso, também por algum hábito havido desde o famigerado saco azul, foi dada uma lição quer aos governantes nacionais como aos fazedores da opinião pública. Sendo de louvar a ação dos órgãos autárquicos, bem como outras entidades, assim como a população tem sabido corresponder desde que houve assimilação real da gravidade da situação.



Ora, na ocasião em que pelo País, a níveis diversificados, aconteceram situações de discriminação para com felgueirenses e má observação perante a realidade local, gerou-se uma onda de revolta coletiva que levou à associação do sentimento de orgulho felgueirense manifestado nas redes sociais, entre outras posições. Sendo natural que nos mostremos sentidos e tenhamos um enorme orgulho em todos nós e na nossa terra.


Ao invés, com o peito cheio assim de sentimento coletivo, no âmbito do interesse geral felgueirense, deparamo-nos com um caso bem agradável também recentemente e até anterior, primeiro em tudo. Tal o que se verificou com a passagem em Felgueiras do ainda recente Rali das Serras de Fafe e Felgueiras, antecedendo a próxima vinda do Rali de Portugal, que em boa hora voltará a passar em terra de Felgueiras. Sendo que, além de tudo o que foi do conhecimento público e se sentiu no ambiente concelhio, um facto houve que ficou desde aí na paisagem. Podendo parecer de somenos importância, mas com impacto visual e reflexos amplos.

Pois então, na preparação da pista para os bólides e arranjos dos terrenos laterais para a assistência, houve a interessante e feliz ideia de pintar em letras bem grandes, na parede duma das estruturas ali existentes, de modo a poder ler-se à distância do lado da cidade, a legenda FELGUEIRAS em altaneiro sítio público.


Agora, ao chegarmos à entrada da sede do concelho, em diversos locais, dá gosto vermos de cá de baixo “Felgueiras” escrita naquele painel lá em cima. Algo que nos traz uma ideia também interessante: Assim como noutros pontos do País há grandiosos símbolos à vista, colocados em locais estratégicos, como peças escultóricas em sítios visíveis, seria agradável e deveras simbólico haver assim também, no cimo do Monte das Maravilhas, algo que remeta à identidade felgueirense. Como poderia ser um artístico feto metálico, associando à origem do nome felgariano, ou uma grande chave de S. Pedro, voltada para cima, vendo-se de baixo a parecer tocar no além, como que a abrir a porta do céu em Felgueiras.


Honra então a Felgueiras, onde há verde pintado na natureza e no nome de seu vinho, embora de cor púrpura no tinto que deu cor heráldica; como tem amarelo no fofo pão de ló e nas abelhas do mel laborioso adjuvante na coloração dos símbolos municipais; tal é concelho com azulada faixa alusiva ao rio Sousa e também coroado no azul do céu guardado pelo patrono São Pedro, sob o manto de Santa Quitéria deitada na barquinha ondulante pelas nuvens abertas do progresso.

ARMANDO PINTO

sexta-feira, 13 de março de 2020

Notícia da apresentação do livro ‘ Ciclistas de Felgueiras ’ no Semanário de Felgueiras


No seu papel informativo da atualidade destacável e de registo memorizador dos acontecimentos que deverão passar ao conhecimento até à posteridade, o jornal Semanário de Felgueiras regista, no seu número seguinte à apresentação pública do livro Ciclistas de Felgueiras, uma alusiva crónica ao lançamento dessa obra histórico-literária do seu colaborador regular de apontamentos historiadores – o autor do livro e aqui deste blogue.

Tendo a sessão de apresentação desse livro, que coloca Felgueiras entre as terras com livros sobre ciclismo, tido uma assinalável repercussão na aderência que preencheu o vasto auditório da Biblioteca e Arquivo Municipal, a notícia tem o condão de memorizar a ocorrência, que extravasou o aspeto local com a participação do amigo do autor que apresentou a obra, Diogo Faria, da Comunicação do FC Porto, do corpo redatorial da revista Dragões e comentador do Porto Canal, a juntar à apresentação geral de Arlindo Pinto, também amigo do autor e conhecido publicista de âmbito felgueirense e da Rádio Felgueiras. Numa mesa de honra deveras honrada com a presença do Presidente da Câmara e da Vereadora da Cultura Municipal de Felgueiras, Nuno Fonseca e Dr.ª Ana Medeiros, respetivamente, mais de José Luís Pacheco, Presidente da Associação de Ciclismo do Porto e Adriano Quintanilha, um dos biografados na obra e principal responsável da equipa W52-FC Porto. Felgueirense que agora também trouxe a sede dessa equipa para Felgueiras (transferindo da anterior localização de Sobrado-Valongo para Várzea-Felgueiras essa campeã equipa que representa o FC Porto nos dias que correm). Além de tudo o mais de que a notícia no SF dá conta, também.


Dessa notícia, inserta na contra capa do Semanário de Felgueiras de 13 de março de 2020, em seu nº 1334 do ano 29 de publicação efetiva do jornal que atualmente resiste em Felgueiras (único a chegar ao público na versão clássica de papel impresso), se partilha por esta via a respetiva coluna.


Armando Pinto
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quinta-feira, 12 de março de 2020

Livro “Ciclistas de Felgueiras” entre livros de ciclismo, incluindo Felgueiras em terras com livros de ciclismo e FC Porto, Académico e Paredes com algo também... relacionado!


Está o livro intitulado "Ciclistas de Felgueiras" já nas mãos dos muitos entusiastas que estiveram na sessão de apresentação, que muito cativou emoções e apreciações, bem como já pode ser adquirido esse livrinho por outros interessados através dos canais derivados da respetiva editora. Estando mais ainda já cotado entre os livros e álbuns históricos sobre ciclismo.


Disso resulta, com elevada predominância, o facto do mesmo livro ficar a constar na lista e escaparate da literatura historiadora de temas de ciclismo. Com extensiva atenção ao caso de Felgueiras de ora em diante estar entre as terras com história escrita direcionada a esse desporto das bicicletas. Não sendo muitos os concelhos detentores de tal marca registada nessa perpetuação. Havendo entretanto alguns números assim na coleção de livros sobre essa temática, dos quais aqui o autor destas linhas tem alguns também, mas poucos para o que gostaria de possuir (motivo porque se deita olhos a outros dos que não constam na coleção pessoal).


Olhando aos títulos conhecidos, pode Felgueiras juntar-se a Almada e Alpiarça (tal como ilustramos o tema através de imagens de exemplares da coleção do amigo José Machado, de Penafiel), e ainda a Santa Maria da Feira (de cujo acervo desses tem aqui o autor também o livro dedicado a todos os Dragões, incluindo os ciclistas feirenses que correram pelo FC Porto, bem como a revista que contém os ciclistas da Feira vencedores da Volta a Portugal).


Além disso, a existência do mesmo livro sobre os Ciclistas de Felgueiras (como foi sintetizado o título, embora abarcando mais que isso), passa a figurar por entre os diversos dedicados à historiografia de temas afins. Como se pode fazer ver através de imagens de outros livros da coleção pessoal, sobre o mesmo desporto dos heróis das bicicletas.


Posto isto, vincadas assim essas ditas inclusões, resta acrescentar a evidência do FC Porto ter ficado algo reforçado nessa compilação, embora sem ainda ter escrita uma História do Ciclismo do FC Porto, no que o ciclismo azul e branco está menos cotado no número de publicações de livros dessa temática, comparativamente aos outros grandes do desporto nacional, apesar de ser o clube com melhor palmarés nacional e maior vencedor da Volta a Portugal. Como ainda, no meio do facto agora acrescido com o recente livro, também o Académico do Porto e o Paredes passam a aparecer literariamente na coleção memorizante do desporto clássico dos pedais.


Armando Pinto
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