quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Livro da história dum brinquedo que não se pode estragar...


Mais  um livro de edição particular foi dado à estampa, este a meio do mês de Fevereiro, aquando do segundo aniversário do neto terceiro do autor - na linha de publicações restritas, para distribuição familiar, desta vez, tal como sucedeu com os anteriores, em oferta privada.

Ora, tendo então havido um aniversário especial, houve uma correspondente  “Prenda” – um livro, de iniciativa pessoal, oferecido pelo autor destas linhas, com uma dedicatória especial.

Porque este livro, de 35 páginas (incluindo sequência de fotos constantes na paginação), teve simplesmente uma edição reduzida, de distribuição restrita como “Presente de Aniversário” oferecido ao meu neto terceiro de idade, além de ficar destinado para ser ainda ofertado a familiares próximos, oportunamente, partilhamos do mesmo a mensagem respetiva, através do próprio texto. Só o texto, naturalmente, por motivos óbvios - como edição particular que é.

Assim sendo, em forma narrativa de estilo romântico-realista, eis esse personalizado texto, por extenso (a granel, sem divisões de páginas):


História dum Brinquedo que não se pode estragar…

2019


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Armando Pinto



História dum Brinquedo que não se pode estragar…

= Livro dedicado ao Diogo Sampaio Silva Pinto, meu terceiro neto e menino que vejo crescer. Numa mistura de crónica e história, com algo de conto sobre ele e a pensar nele, o meu neto Diogo – à mistura com histórias de modo relacionado.



2019




Edição do autor, em tiragem restrita de 15 exemplares, numerados manualmente e autenticados com rubrica autógrafa do autor.
Nº ____


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Ao Diogo!

(Ao perfazer dois anos)

No mesmo afago para com meus netos mais velhos, entra o Diogo em cena a aquecer meus dias. Quando por este tempo, ainda com um ténue sol de inverno a dar no jardim de nossa casa, jogo com o Gonçalo e o Tiago ou estou por perto noutras das suas brincadeiras; assim como ao lado, na esplanada que alargamos mais com ideia neles, os vejo andarem nas bicicletas ou a correrem em bons momentos de dar largas à sua despreocupação; também o Diogo já anda ali pelo meio, dando um chuto por vezes numa bola ou andando num dos triciclos, ao chegar à conta de seus dois anos, enquanto eu vou associando outro passatempo para um futuro que desejo também risonho…

Dirijo isto assim ao Diogo, escrevendo, para mais tarde ele ler (porque ainda é pequenino, quando escrevo esta missiva alongada) para o pegar ao colo e apertar num abraço amplo no tempo. Não só como o satisfaço e sempre fiz suas vontades, quer quando ele queria ver o portão da nossa garagem a abrir, como ao atender quando me chama para lhe ligar a televisão como ele quer, ou a deixá-lo ir até ao meu escritório para ligar o aparelho de rádio e ouvir música, quando não alguma rouquidão de som ao rodar os botões a toda a força de sua curiosidade, à velocidade da mão. Bem como ele, para eu condescender, olhando para as paredes do pequeno escritório doméstico, levanta o braço como que a puxar pelo Porto, que vai dizendo quando lhe apetece. Mas também, agora, a escrever-lhe, conto algo de memória já vivida, ao passo que intercalo histórias com a sua história, nas recordações pessoais destes dois anos em que não me canso de o ter bem comigo. Dizendo-lhe, ao Diogo, agora o meu neto mais novo: - Gosto muito de ti!

~~ * ~~


História de um brinquedo que não se pode estragar…

Era e é mais uma vez… também desta outra vez feliz. Aparecendo em nossas vidas o terceiro neto, nascido que foi o Diogo. O qual veio então e fica a juntar ao Gonçalo e ao Tiago, passando a ser três os netos a abraçar, a meter entre nossos braços e a apertar contra o peito pela vida além e para a vida toda.

Ainda com a passagem do Natal recente e na proximidade à Páscoa, estando de fresca memória as sensações natalícias e antevendo a costumeira amplitude da época pascal, a chegada de um novo neto vinha na sensibilidade pessoal como que num misto de sabor a canela e mel das rabanadas comidas ainda quentes e ao sabor aromático do fofo pão-de-ló a sair do forno. E assim, eis que quase a meio do mês de Fevereiro nascia o Diogo.

Esteve um dia risonho à espera que o Diogo nascesse, saindo ele por fim de seu aconchego materno ao final da tarde dessa segunda-feira 13 de Fevereiro. Ao segundo mês do ano de 2017. Passando a família do Nuno, da Lígia e do Tiago a ter mais um membro, com o Diogo a vir completar seu lar. E a família Pinto, no nosso caso particular, a ficar mais completa ainda, aumentando mais um lugar à mesa dos convívios familiares e a termos mais um menino para andar ao colo e beijar.

Todos nós, pai, irmão e avós estivemos à sua espera. O pai já lá estava, no Porto, a acompanhar tudo. Mas também nós avós ali fomos ter, tendo todos os cinco, avôs e avós, mais o Tiago, ido propositadamente ao Porto, onde o Diogo nasceu na antiga Maternidade Júlio Dinis, atual Centro Materno-Infantil do Norte (perto do Palácio de Cristal). Daí que no registo civil tivesse ficado como natural da freguesia correspondente a essa área, mais precisamente da chamada União de freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos, da cidade e concelho do Porto. Onde nasceu pelas 17 horas e 34 minutos, no dia 13 de Fevereiro, ao correr desse ano de 2017. E, após espera ansiosa, sabida por fim a notícia, esperamos também por poder ver o novo rebento da família. Como por fim vimos, ficando a conhecer pessoalmente o Dioguinho nascido ainda de fresco, à passagem da cama em que ia a Lígia e do berçário com o Diogo, em movimento para o quarto destinado ao tempo de internamento pós-parto. E ali mesmo, eis que o Tiago deitou os seus olhos para o irmão, na certa sem entender muito bem o que se passava – como testemunha a foto desse instante, na captação instantânea que figura no álbum de família desse período (e aqui se anexa, como ilustração).


Contudo, passado um dia, quando no dia imediato lá voltamos, ao chegar ao quarto, estando o Tiago à beira da mãe e do irmão, logo que nos debruçamos para ver o mais pequenino, o Tiago nos diz de repente, indicando o irmão e fazendo gesto de o proteger: - Não se pode estragar!

Saindo-se o Tiago assim com essa… na ideia que o irmão era como se de um brinquedo novo se tratasse, mas mais especial, pois que aquele não era como os outros, não se podia estragar.


E como todos nós o queremos, sempre a desejar que nunca se possa estragar! Quão figurativamente ansiamos que tenha um futuro feliz. Como queremos igualmente para o Tiago e o Gonçalo, assim como futuramente para a menina ou menino que ainda venha juntar-se a esta família linda, na linha de raiz familiar.


Então, com o tempo da reforma já a ocupar meus dias, ou por outras palavras mais leves, estando aposentado da vida profissional e sem a pressão dos horários e afazeres da profissão anterior, vi naquela cara apetecível e com tanta graça novo ar, como reforço à luz dos nossos dias. Então fiquei a olhar para ele já como meu que era, também. Parecendo que voltava a ser manhã da vida. Apetecendo logo dizer, apesar de ele ainda nem nos ver bem, obviamente, mas como se ele entendesse e ouvisse: - Sabes, Diogo, já gosto muito de ti! E logo vi que era mais um amor para a vida toda.

Agarrado fiquei mesmo a mais um amor, como acontece a tudo o que gosto, que nem é muito de tantas coisas, mas daquilo que gosto, gosto mesmo. Que é do que vale a pena e tem valor. Como para mim sempre foi assim: quando gosto é mesmo a valer, sem fazer por menos.

Pois o Diogo logo andou nos nossos braços, tal como o irmão e primo passou a ser coberto de beijos. Que bom é ser pequenino, ter pai, ter mãe, ter irmãos, ter primos, ter avós, ter esperança no destino e ter quem goste de nós... Como na verdade é. E se o Tiago pequenino ainda já só falava e gostava de andar com o Gonçalo, quando o primo vinha e vem à Longra, também o Tiago depressa se afeiçoou ao irmão, gostando de brincar com ele e abraçá-lo. E apesar de ter de haver atenção, para que não o pudesse aleijar, por não ter ainda noção da intensidade do contacto, o pequeno tudo permitia (“só se ri”), ficando o Diogo sempre a rir-se do que o irmão lhe ia entretanto fazendo, nas tentativas de brincadeiras.

Depressa foi medrando, crescendo e fortalecendo. Pudera, também com a boa boca que sempre mostrou… Quer durante a fase da amamentação, como depois que começou a comer papas apropriadas à idade. E Depois disso sopa e preferencialmente comida mais apaladada. Tanto que, contrariamente ao irmão, tudo o que aparecesse diante da boca ia para dentro. Pois se o Tiago não foi muito de grande comer, como se diz em linguagem corrente, já o Diogo sempre foi mostrando disponibilidade para abrir a boca a tudo o que se lhe fosse metendo. A pontos de toda a família mais chegada ir dizendo que, assim sim, era um regalo a comer.

Ora isso dava para recordar qualquer coisa muitos anos atrás… Enquanto a cada sorriso saído das curvas do rosto brilha dos olhos mais uns bocados de felicidade. Sentindo nas feições do mais novo da família ternas recordações. De quando os dias da criança de ontem, avô de hoje, eram sempre bons, na despreocupação da infância. Agora, olhando com a magia do pensamento, sobrevêm nas nuvens das lembranças os tempos de heróis grandes, aos olhos ainda pequenos.

Assim, era uma vez… era eu criança de pouco apetite por comer. Fazendo com que minha mãe me levasse para quaisquer sítios onde me distraísse melhor para eu ir debicando o que me metia à boca. Fazendo castelos com a comida amassada a tentar que perdesse o fastio, procurando atrair alguma vontade de abrir a boca para o efeito, como que a empolgar já uma apetência por coisas atrativas. E foi assim, nas esperas pelo desejo… que minha mãe fez uma promessa, na fé esperançosa de que eu medrasse. Tendo prometido fazer uma novena, como ao tempo era costume.

Chegadas a este ponto, será de recordar e explicar algo, recuando o filme da retina memorial, para chegar à posteridade. Porque isso de novenas é coisa agora já em desuso, apenas havendo reedições revivalistas de recriação, por assim dizer. Vindo a propósito contar o que isso era e foi.

Fica aqui então, como parêntese nesta memorização dedicada ao Diogo, um texto duma das crónicas de minha lavra de historiador autodidata, ao género estudioso:

Novenas a Santa Quitéria e Outras Promessas

Em boa hora houve ideia oficial em Felgueiras, no âmbito das atividades culturais e recreativas da Câmara Municipal, de recriar (em finais do século XX) as antigas tradições das novenas a Santa Quitéria, numa iniciativa tendente a recuperar essa ancestral manifestação de cunho religioso popular. Realidade com que outrora eram “pagas” promessas e que nos tempos de agora é trazida a público em revivalismo sadio, de reconhecimento devido ao interesse com que já vão sendo tidas lembranças de tempos idos, como integrantes da memória coletiva.

Essas práticas de exercício devoto seguiam pisadas das antigas peregrinações, de que ainda vão sucedendo algumas, provindas de gentes de paragens vizinhas e sítios distantes em demanda de Felgueiras, no caso, através de longas caminhadas comunitárias. Remanescentes como réstia de folclore religioso, que em tempos de antanho era exercido com danças e bailados litúrgicos, de culto externo durante a Idade Média, algo ocorrido nos templos religiosos nalgumas ocasiões de festividades, mas interditado entretanto. Essa influência religiosa cedeu assim parcelas sentimentais ao espírito popular, na senda de que a parte espiritual sempre atraiu a imaginação e a crença, refletindo na poesia singela a ambiência vivida.

Antigamente, quando havia qualquer aflição, pestes e outras doenças, tal como para livrar um mancebo da tropa ou outro motivo de força maior, pedia-se o milagre ansiado em reza a um santo ou santa da devoção particular, a quem se apegava a pessoa suplicante na sua fé, ao que em contrapartida, fundamentada em esperança de atendimento, era feita promessa de ação de graças. Entre essas promessas estavam caminhadas, desde a casa de quem tinha a promessa a cumprir até à ermida ou igreja onde se destinava, levando grupo de pessoas a cantarem clamores em agradecimento, conforme o prometido. Se o rancho de gente era de seis componentes chamava-se Serão, ao passo que de nove era Novena. Caso a prece fosse por uma menina normalmente a promessa era de levar nove meninas a cantarem, se fosse por um menino era costume um serão de meninos, e se fosse por pessoa adulta tanto iam só moças adultas como uma mistura de meninas e raparigas espigadas, até mulheres casadas por vezes. Acompanhadas atrás pelas pessoas pagadoras da graça: aquela por quem fora feito o voto, que por vezes ia amortalhada ou levava uma vela de cera do seu tamanho; e a que prometera, indo esta nesse cumprimento, levava então à cabeça cesta ou açafate (de vimes, como era uso em tempos idos) com farnel para fortalecer o rancho durante o caminho. No fim, ao regressarem a casa, era dado a todo o conjunto de pessoas intervenientes um almoço de recompensa, que por norma consistia de arroz de feijão branco, servido em companhia de bolinhos de bacalhau ou bocados de mouro (chouriço preto de carnes e sangue).

Na região de Felgueiras esses destinos eram vários, percorridos com ajuda de cânticos entoados ao longo dos percursos da satisfação das promessas. Havia serões e novenas conforme as proximidades das terras dos santos mais invocados, mas também de mais distantes paragens, podendo ser a Santa Quitéria, ao monte de seu nome, como à Senhora da Saúde ou ao S. Cristóvão, a Lordelo, à Senhora do Alívio, na Serrinha, bem como a santos e santas de devoção mais local, como aos padroeiros das freguesias, ou ainda fora do concelho à Senhora da Livração, ao S. Bento das Pêras, à Senhora da Lapinha, entre diversos rumos. Como ainda, muito mais longe, ao Senhor da Pedra, para lá do Porto e na área de Gaia, conforme ficou nos cantares populares uma dança da rusga desse nome.

(No meu caso, segundo a promessa de minha mãe, foi um serão de rapazes misturado com novena de raparigas, indo todos juntos primeiro à igreja de Rande ao S. Tiago e depois a Lordelo ao S. Cristóvão. Ao S. Tiago nosso padroeiro e ao São Cristóvão que, segundo a lenda, era forte, tipo grandalhão. De tal comer que até aguentava bem a atravessar pessoas às costas de uma margem para outra do rio e podia com mais; tal como teve ao colo e levou o Menino Jesus sentado no seu ombro em milagre que se lhe deparou, com o peso do mundo representado às mãos do Divino Menino.)

Porém as novenas mais usuais por esta zona eram, com efeito, as direcionadas ao Monte de Santa Quitéria, em especial na ocasião da romaria antigamente feita em sua honra. Exprimindo, as novenas à Santa, uma componente etnográfica significativa da diversidade etnográfica, através da riqueza dos produtos musicais ligados à vida campesina, em derivado arreigo religioso profundo.

Já no início do século XX o Padre Henrique Machado registava, no seu volume histórico-literário sobre Santa Quitéria, alguns versos dessas novenas, de feição clássica e cariz religioso:

«Vamos com todo o fervor
E ardente devoção
Consagrar a Quitéria
Nossa humilde oração.
 (...)»

E João Sarmento Pimentel, nas suas “Memórias do Capitão”, relembrava entre algumas festadas e rusgas ouvidas na sua infância por estes sítios, trazendo à memória célebre grupo da terra (de Rande): «...Nas novenas a Santa Quitéria era um encanto a suave harmonia do conjunto orfeónico onde a Quina de Merouços, ainda garotinha, botava o alto, uma beleza de fé ingénua daquelas lindas e esbeltas raparigas da aldeia:

Senhora Santa Quitéria
Vinde abaixo, dai-me a mão,
Eu sou a mais pequenina
Abafo do coração. (...)»

Ora as novenas a Santa Quitéria, embora se realizassem ao longo de todo o ano, eram mais frequentes no Domingo mais próximo do seu dia, celebrado a 22 de Maio. Sendo a Santa advogada de enfermidades malignas, era associada nas orações com pedidos contra a raiva e o cancro, doenças incuráveis em diferentes épocas (segundo conhecimentos das preces atendidas nos primeiros tempos da devoção, de cuja época foi referida por Frei Bento da Ascensão uma certidão do século XVIII.)

Perduram na transmissão oral algumas estrofes bem conhecidas, entre as muitas cantadas na ida das novenas antigas:

«Santa Quitéria bendita / Nós p´ra lá imos agora. / Deitai-nos a vossa bênção / Ao sair da porta fora.

Senhora Santa Quitéria / Eu daqui a estou a ver / Com dois olhinhos na cara / parece o sol a nascer.

Senhora Santa Quitéria / Deitadinha na barquinha / Nós aqui vamos a cantar / Ela lá descansadinha.

Santa Quitéria bendita / Lindo milagre fizeste / Aqui vem o penitente / A quem vós a vida deste.

Santa Quitéria bendita / Vem voando numa pomba / vem abençoar este povo / da linda terra da Longra.

Senhora Santa Quitéria / Protetora e mensageira / acompanha o nosso rancho / Pela nossa vida inteira.

Santa Quitéria bendita / No altar de cravos brancos / Onde o Padre diz a missa / Domingos e Dias Santos.

Senhora Santa Quitéria / Varrei do caminho as areias,/ Já trago as chinelas rotas / Não posso romper as meias.

Senhora Santa Quitéria / Nós cá estamos a chegar./ Botai-nos a vossa bênção / Lá de cima do altar.

(E no regresso eram acrescentadas mais algumas apropriadas, tais como:)

Senhora Santa Quitéria / Nós cá nos imos embora. / Deitai-nos a vossa bênção / Ó sair da porta fora.

 (...)»

Pois estas manifestações devotas haviam caído no esquecimento, deixando de ser usual verem-se tais grupos em caminhada conjunta. Acontecimento que em tempo recente voltou a ser referência, por meio de participação anual de grupos representativos de Associações, Ranchos Folclóricos e outros agrupamentos das freguesias do concelho de Felgueiras. Num só dia ao ano, normalmente ao domingo mais próximo ou a calhar no dia da santa. Através de grupos, portanto, que, de bom grado, vão monte acima num ato de conservação simbólica e recordação etnológica, sem misturar nem confundir recreação com devoção, revivendo a consagração que o povo de Felgueiras desde distantes eras dedica à sua Santa.


Ora, quanto ao meu caso, voltando ao fio da meada, narrando a promessa de minha mãe… O certo é que resultou e depressa passei a comer bem. Ficando célebre nas lembranças familiares como eu gostava de guisado de carne com batatas, comido antigamente em dias de festa; e, como me fiquei a lembrar da primeira vez, em dia da antiga festa do São João da Longra, lhe chamei pelo nome apropriado, tendo essa especialidade gastronómica como tal ficado conhecida por “Batatinhas de S. João” (conforme recordo entre os contos do livro “Sorrisos de Pensamento”). Embora comendo bem, a bem dizer, mas mais do que gostava, de jeito que até era convidado para festas da família de Janarde, quer das casas do tio Tónio como do tio Quim Moreira, irmãos de minha mãe, em dias de assado no forno e outras coisas que tais, nas datas de batizados e casamentos, sobretudo (como também recordo no conto sobre a minha prima Glória, em “Suave Recordação”, no mesmo referido livro).


Posto isto, retoma-se a caminhada descritiva, nesta narrativa dedicada ao Diogo e para ele ler e reter consigo quando crescer, como e quando entretanto souber ler e entender, mais o que na vida aprouver, desejando sobretudo que seja feliz. Assim como criança rima com lembrança e também esperança.

À chegada do Diogo a nossas vidas houve atenção perante o Tiago, atendendo à novidade que era para a idade dele esse aparecimento de algo novo e diferente no meio ambiente em redor. E conhecendo-o, tentou-se dar-lhe a devida atenção, por saber que é sensível sem o demonstrar muito, saindo em parte ao lado paterno da família Pinto por sermos deveras reservados e pouco expansivos, embora por dentro sejamos atentos a tudo e emotivos em dose abundante. Enquanto ele, sem mostrar, se ia vendo que reparava em tudo, mas tendo já o irmão como coisa sua também, sempre com o Diogo como o seu amigo, apesar de ainda não poder com ele brincar. Demonstrando seu afeto em o abraçar, apertando-o por vezes sem fazer ideia de nada mais, tendo nós de olhar bem pelos dois à falta de noção dos limites e diferenças. Sendo um regalo vê-los assim muito amigos e comparsas. Tendo agora brincadeiras entre os dois que bastem, em afeto e maneiras.

O Diogo, de feitio que nestes primeiros tempos dá ideia de ser diferente do Tiago, mais desprendido e ganhando à vontade com tudo, depressa cativou toda a gente com sua desenvoltura. Crescendo a olhos vistos na evolução física e mental. Ambos muito ternos, mas cada um a seu modo. Passando a haver na família mais variedade. Tal como o Gonçalo é muito desenrascado, falador e participativo em tudo o que apareça, e o Tiago tem sido mais retraído, envergonhado diante de pessoas que não conhece ou com quem tiver pouco contacto, sendo porém amoroso no meio familiar, já o Diogo é querido por quanto se mostra senhor de si, andando muito no seu mundo, observador de tudo e com vontade própria. Complementando-se uns aos outros, numa bonita Trindade.


Dava aqui, neste passo da narrativa, para estender os braços a outras recordações dos três, tantas se vão juntando ao longo do crescimento de todos. Contudo desta feita é vez de dedicar ao Diogo uma visão de seus primeiros tempos, pelos olhos da sensibilidade do avô. Num terno abraço que desta vez, ao perfazer dois anos (tal como aconteceu com o Gonçalo e o Tiago) é ocasião do Diogo ter um livro seu escrito pelo avô.

Isso assim, porque o Diogo já tem sua história. Como tiveram os pais, os avós e toda a gente. Como se pode dizer: Recordações, quem as não tem?!

Há sempre uma arca de nossas recordações, algures nos arcanos da memória. Onde, em espaço guardado de lembranças, mais tarde damos valor ao que aí juntamos. Seja numa arca que houve nalgum sítio de nossa vida e permanece presente na retina visualizada em nosso cérebro, quer como numa perspetiva figurativa, qual baú de memórias ternas e eternas. Deixando assim guardadas algumas páginas neste livrinho, qual espaço físico do que representa a afetividade.

Voando nas asas do tempo, como que recuando a épocas passadas, uma arca representa desde logo um acervo temporal, à medida de tempo cronológico. Conforme, deambulando por memorizações, vem a talhe. Como as arcas eram bem talhadas, além de reforçadas com aldrabas, davam para guardar tudo que ali coubesse. E sobrevêm assim à mente como imagem as arcas onde se guardavam coisas de estimação, também.

Ora, um dia destes, num dia dos primeiros tempos do Diogo, velando este meu neto mais novo, com aquela atenção a que o passar dos anos deu rejuvenescimento mental, dei comigo a divagar no tempo. (Colocando a memorização na primeira pessoa, porque não adianta meter o majestático plural onde é pessoal, passe as regras narrativas dos cânones). Ora, então, estava eu a embalá-lo com a mão no berço, enquanto ele se ia deixando ir nos sonhos de poucos meses de vida, quando me lembrei que uns bons anos antes era eu assim que era baloiçado naquele mesmo berço, um exemplar de madeira torneada com travessas arqueadas nos pés, que tem passado de geração em geração e já me aconchegara, como serviu de berço a meus filhos e por fim aos netos quando aqui por casa o ambiente ganha atração com o sucessivo mais novo rebento, entre os três que enchem mais o núcleo familiar. Vindo-me à ideia, conforme certas marcas figurantes no subconsciente, como seria assim que minha avozinha Júlia me arrolava o sono, desde a cama onde estava paralisada (por doença que a atacou, estando até comigo ao colo na ocasião). E como, depois, habituado a seus embalos afetivos, muito gostava de me sentar à sua beira a ouvi-la contar-me histórias, encostado à sua cama e mexendo-lhe nas mãos, por minha vez, em embalo de acariciamento mútuo. Como me recordo de suas mãos macias e lindas, amaciadas pelo tempo, de aveludada brancura, sentindo as veias moles à flor da pele delicada!

Pois assim, habituado a histórias, não admira certa ligação à fixação de histórias da história. E com o torpor do sossego temporal, arrolando os pensamentos, o espírito da meditação voe pelo tempo e espaço. Pousando num galho a trinar em redor, como ave a repenicar sensações. Calhando então absorver o que a vida acaba por transmitir, vendo que tudo tem sequência e pode repetir ou revezar-se, dependendo do sentido tomado.

Num aspeto desse sentido, também, a história do Diogo foi partilhada por muita gente entre familiares e amigos da família, no seu batismo. Antes, houve conhecimento de seus padrinhos, tendo a notícia da escolha da madrinha sido feita através de pedido em dia de convívio familiar, em plena manhã da Páscoa seguinte ao seu nascimento. Então, passados dois meses de seu nascimento, a 16 de abril, em dia alegre e florido da Páscoa de 2017, estando nós todos no jardim de nossa casa em convívio, antes do passatempo tradicional da busca dos ovos de Páscoa (à “caça dos ovos” escondidos), quando o Nuno e a Lígia entregaram à Clara uma caixa de cartão azul toda bem decorada, na qual dentro estava uma surpresa; e, ao abri-la, se deparou um balão, que ao rebentar, fez saltar mensagem escrita a fazer o convite e pedido, que a Clara, agradavelmente surpresa e contente, como sua cara mostrava, aceitou de imediato. Momento especial de recordação familiar esse, que foi devidamente registado em fotografias que constam do álbum fotográfico desse período na coleção dos álbuns da família Pinto. De cuja reportagem se junta a este memorando uma de amostra, para constar também.


Volvido algum tempo, já com o Diogo mais crescidito, ocorreu então em Setembro o seu Batizado, na igreja paroquial de S. Tiago de Rande. No mesmo templo e na mesma pia batismal onde foram batizados o avô paterno, a tia madrinha, o pai e o irmão, além de outras pessoas da família naturalmente. Em cerimónia realizada na tarde desse domingo dia 24 de Setembro – precisamente no dia em que fazia 40 anos do casamento dos avós paternos. Tendo depois, em pleno restaurante onde decorreu o repasto festivo, sido também assinalada essa marca das Bodas de Esmeralda, ao fazer 40 anos dos avós Armando e Linda estarem casados.


Ora, entretanto, acompanhando o crescimento do Diogo, pude ir vendo e apreciando novamente a evolução da vida, quando a existência nos enche mais nossos dias. Tal como do inverno para a primavera se vai notando os dias a crescer, primeiro pelo Natal a dar um salto de pardal, e depois em Janeiro um salto de carneiro, crescendo mais um bocadito a duração da luz diurna, a partir de Fevereiro de 2017 a nossa visão ficou mais cheia como luz de luar entrada por Fevereiro dentro, na extensão da lua cheia aluarada desde Janeiro como amor primeiro. Passando a casa a ter ficado mais cheia. Sendo mais preenchidos os dias em que o Diogo vem para nossa casa, quer sozinho ou com o Tiago, conforme o tempo de pré-escola do irmão. Começando por atender ao seu estender de braços para o passear e ao mesmo tempo mimar, como o acarinhar sempre e indo-o ajudando a tentear-se em seus primeiros passos, até o agarrar pela mão ou ele se agarrar a um dedo meu, e lhe satisfazer o desejo que lhe foi muito próprio de querer ver a abrir o portão automático da garagem e não se cansar de todos os dias pedir para o levar a vê-lo levantar (querendo ter em sua mão o comando, aparelhozito eletrónico que muito gostava de apertar repetidamente, para sucessivamente aquilo subir e descer). Coisa que antes já também o Guga muito gostou e o Tiago também, cada um em seu tempo de primeiros anos. E sempre que o Diogo vinha, nos dias de cá estar em casa connosco (de nós avós paternos, na Longra), logo que pegava nele, era certo e sabido: indicando com o dedo, primeiro, e depois quando balbuciava as primeiras palavras, lhe saía da boca e soava: “pótom”, para ir ver o portão. Isso claro que depois de eu me levantar, porque ao chegar ia ver-me ainda na cama, mas não queria nada mais, a não ser andejar. Depois, quando me visse já a pé, então sim já queria estar comigo, antes era com a avó. Até ao tempo de começar a gostar de ver os bonecos da televisão, após acompanhar o irmão e por vezes o primo a verem os desenhos animados. E com interesse na televisão passou a querer outro comando, o de “mexer na televisão”. Tal como que eu lhe pusesse aquilo a dar num canal com os desenhos que mais gostava. Quando não outros procedimentos, com o passar do tempo, ao jeito de fazer retroceder os programas, de modo a ver o que mais gostava. Então era “Panda” para uma coisa e para outra, ao passo que com a evolução da fala passou a pedir “pa trás”, para andar para trás com as imagens, de modo de essencialmente ver e voltar a ver a escola do Panda, apreciador que tem sido mais das canções que do desenrolar das histórias, coisa que não entende naturalmente ou pouco mais percebe que à sua maneira.

Com personalidade já marcante, o Diogo mostrou que tem de ser ele mesmo a entender as coisas como gosta, no seu segundo Natal passado aqui em casa dos avós da Longra. Muito antes de estar à mesa com toda a família junta, mas antes, logo que viu o presépio que eu fizera na sala de casa. Primeiro a ver com sua atenção de observador, mas depressa a querer ver mais de perto e sobretudo também com as mãos. Pois enquanto os mais velhos quando eram mais pequenos viam e não mexiam muito naquilo, perante ouvirem dizer para não tocarem em nada que se podia estragar, ele viu mas também quis ver melhor e teve de agarrar no que estava mais à mão, aliás as imagens que estavam mais perto. Vendo-se ele a pegar num dos reis magos e a encosta-lo a si, mas também a juntar as ovelhinhas que pôde, como num redil mais ao jeito de com elas brincar, como quem diz que faziam melhor se com ele estivessem.

Ora, como o presépio cá de casa, feito ao longo dos anos, faz parte da história familiar, sendo o Natal ocasião especial, para as crianças pelas prendas, e aos adultos sobretudo na magia transformada em envolvência que mete ambiente, quais cheiros da doçaria tradicional e odores da presença de todos e cada qual chegada ao íntimo, cintila nas luzinhas natalícias do pensamento uma oportuna lembrança. Vindo a calhar, para acabar em beleza esta prenda embrulhada em letras escritas ao correr do sentimento, uma lembrança do que histórica e tradicionalmente era e ainda vai sendo o Natal aqui na Longra, em pleno concelho de Felgueiras, da província do Douro Litoral, área comunitária da região oficial de Sousa e Tâmega, como em tradição secular está mais amplamente na zona de transição do Entre Douro e Minho.

Eis aí a respetiva descrição, numa narrativa apresentada conforme foi escrita por mim e publicada quer no jornal “Semanário de Felgueiras” como no blogue pessoal “Longra Histórico-Literária”, agora com alguns ajustes de adaptação e juntando crónicas de anos diversos sobre o mesmo tema:

O Natal Tradicional

No fecho do ciclo anual, quando anualmente mais um ano caminha para o fim do calendário, chega a quadra natalícia que aconchega os ânimos, amenizando o natural tempo soturno de Inverno. Uma época própria das características de Dezembro, mês que prognostica o tempo que se segue, como estabelece a sabedoria popular na contagem dos “temperilhos e remedilhos” e diversos mais ditados da tradição oral da região.

Mês este que é especial, pois Dezembro é o mês de Natal, daquela festa que enche corações e mexe com sensibilidades, desde o significado especial da espiritualidade subjacente, contando a mensagem que dá ser a todo o carácter festivo da época, até às manifestações derivadas, quando se fazem votos de futuro ansiado e se contabilizam balanços de tempos passados, qual lágrima da saudade, projetando o porvir no relance da candura das crianças e desejos de paz nas consciências.

Na atualidade, porém, o consumismo tem ganho meças ao sentido mais espiritual e afetivo da festividade anual de tão forte sortilégio, no apego de tal encantamento, como se nota no caso dos símbolos profanos deterem primazia, notoriamente em ter sido uma bebida americana a impor a figura do chamado Pai Natal com roupas da própria cor mercantilista, como da árvore iluminada, pinheiro proveniente do culto mitológico de Cibele (divindade do panteão lendário da terra, agricultura e plantas) ter suplantado em muitos casos a antiga recreação do Presépio. Ou seja, por exteriorizações que alteraram a fisionomia tradicional, neste canto à beira-mar plantado e, também, extensivamente por estas paragens durienses das terras de Felgueiras.

O Natal, apesar de tudo, mantém ainda muitas das antigas tradições locais, como é a Ceia da Consoada, reunindo-se as famílias em torno da mesa patriarcal para comer o bacalhau com batatas, ficando a mesa posta noite dentro para união mental com ente-queridos já desaparecidos, enquanto se ia à Missa do Galo, com cerimónia de Beija-Menino, entre típicas comemorações possíveis, mercê dos laços da tradição.

Convirá recordar, então, o ancestral símbolo natalício que mais embelezava antigamente as casas, por estas zonas, como ainda deve diferenciar os lares mais arreigados na quadra de Natal – o Presépio. Representação que derivou da criação de S. Francisco de Assis, figurado pela primeira vez na gruta de Greccio (na Umbria, em 1223). Pretendeu então o santo “Poverello” meditar uma devida espiritualidade à lição de Natal, inerente nas escrituras e espíritos de Fé, com alma poética pura. Difundiu-se depois, desde então até tempos presentes, em diferenciados aspetos plásticos, multiplicadas imagens e ornamentações, ao sabor de inspirações e gostos, das etnografias regionais, na feição popular e sentimental.

Como pode ser que o Presépio esteja a tornar-se uma raridade, quando afinal tudo o que envolve o Natal e as prendas, os presentes provindos das oferendas dos Magos também presentes na representatividade da Lapa de Belém, sejam o que mais vincado está na viva representação do Presépio?!

Seja como for, o Natal supera tudo e persiste.

Antigamente, ainda há coisa de algumas décadas, por estes nossos sítios, o Natal era vivido com outro deleite e, sobretudo, com mais arreigo às tradições que dos avoengos já vinham.

Recuando aos idos anos de inícios da década de sessenta, do século XX (quando era eu criança), havia uma certa azáfama entusiasta nas pessoas, sobretudo no íntimo dos sentidos. E, no meio desse verdadeiro afã, também um ambiente próprio. Dias antes só se viam “moços” a andar nas matas à cata de musgo e ramalhadas, de pinheiros e sobreiros, azevinho do monte, verdejantes fetos pequenos, bugalhas, pinhas e até pedaços de urze, tudo o que servisse para compor e dar efeito à recreação rústica. Depois vinha o resto…

Entre diversos casos, do que lembra (e quanto ao que naturalmente o autor conheceu), na antiga povoação da Longra, por exemplo, havia presépios tradicionais em muitos estabelecimentos públicos – sendo construídos com autêntico esmero, juntando porções adequadas de musgo e papel sarapintado, a imitar montes e encostas graníticas, como pedra à vista, por baixo de uma árvore decorada, na qual se exibiam velas de cera a servir de enfeites, em castiçais que, por sua vez, se prendiam por mola apropriada com que terminavam nas pontas… Assim como na maioria das casas, quer com mais estilo, numas, ou simplicidade, noutras, havia presépios, feitos pelo chefe de família ou pelos filhos mais velhos, para gáudio dos mais pequenos… E, por essa altura, então, andavam por fim as crianças de casa em casa a ver os presépios, uns dos outros, e nas lojas e demais estabelecimentos, sendo famoso o presépio que havia na farmácia do Doutor Abreu, tal como era mesmo “bem feito” o da Padaria do senhor Verdial, entre diversos mais, assim como até nalgumas tascas, como na Loja da Ramadinha, havia um pequeno espaço com musgo para os “bonecos” de barro… Bem como na igreja de Rande, ainda, cujo presépio era afamado …

Natal de antigamente que, nesta região felgueirense, andava também associado à chegada de magotes de “tropas”, que regressavam nas “camionetas do Cabanelas” vindos de licença militar para passar as festas com a família, e sobretudo das criadas de servir, as “sopeiras” que, ao apearem-se das camionetas nas vésperas do Natal, despertavam a curiosidade da rapaziada conhecida, no seu retorno temporário por esses dias (depois de longas ausências de casa, por terem ido para as grandes cidades ganhar a vida no serviço doméstico em casas de patrões ricos). Enquanto, no dia de Natal, era costume, entre quem podia, estrear-se roupa nova na ocasião…

Mas isso são recordações que cada um guardará para si, conforme seu tempo. Das quais, entre algumas dessas e outras lembranças, algo entretanto ficou registado em livro da História local, no “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”.

Além disso que jaz na memória coletiva, resta muito mais, ainda. Porque, sendo efetivamente sempre quadra mágica no sentimento popular, o tempo de Natal possui uma essência especial. Nomeadamente, no quadro ambiental do afeto humano, com a reunião familiar do ritual da consoada, na evidência de costumes muito entranhados na alma das pessoas mais ou menos tradicionalistas da região. Apegos provindos de sabores bem guardados desde a infância e como tal fazendo emergir o subconsciente da criança que sempre houve em quase toda a gente, como que transpondo a realidade nos sonhos das fantasias natalícias.

Ao Natal estão indelevelmente associados produtos e hábitos, integrantes da vida das gentes de terras onde é apreciada a bênção do sentimento natalício: desde o presépio, nas casas em que ainda resiste tal tradição, às iguarias dos prazeres da mesa, na ceia dessa noite sem igual, da véspera de Natal. Cuja amplitude nunca será totalmente possível de compreensão, através de qualquer descrição contada ou escrita, apenas podendo ser entendida quando vista e sentida. Basta aludir cenas que transportam ao imaginário, como o presépio feito nas casas de família, o quadro terno de felicidade conjunta à mesa de Natal na ceia, as prendas do Menino-Jesus ansiadas pelos mais pequenos, tão ao gosto dos adultos (modernamente transplantando à figura do chamado Pai Natal), a missa do galo da freguesia, as melodias natalícias de sempre e cânticos, tal qual Vamos a Belém e Noite Feliz, de bafo harmonioso ao frio da noite santa, depois a missa da manhã e o almoço familiar no dia propriamente, a doçaria tradicional de rabanadas, formigos, aletria, leite-creme, barriga-de-freira, doce do tronco-de-natal, quase tudo com sabor a canela do Oriente onde surgiu a Estrela anunciadora do nascimento de Deus-Menino.

Para além do mais, o Natal é considerado como festa da família por excelência. Ora, como desde longos tempos a família foi e ainda vai sendo o sustentáculo da sociedade e sempre foi à mesa a ocasião mais propícia para juntar toda a família, este evento serve a preceito para sustentar o culto da mesma família na anual reunião de todos os familiares em torno de refeição tradicional, juntando na casa patriarcal todos os que têm elos comuns de união afetiva.

Esta época é assim referencial de tradições. Estando ainda vivas algumas das características peculiares da região. Das quais, porque já registamos algumas particularidades tradicionais de outrora, afloramos apenas nesta oportunidade o sentido que prevalece – encerrando viagem anual por algumas memórias antepassadas, comuns à região do pão-de-ló mais famoso, de permeio com crónicas de interesse extravasante à autoestima coletiva.
Na roda do ano, como se diz vulgarmente, o Natal é com efeito a festa maior, a época que mais fala e toca à crença e sentimento do povo, entre crentes ou não, conservadores ou desapegados, enfim dizendo sempre alguma coisa a toda a gente. Inserida no tempo das Festas Felizes, passando depois pela noite de S. Silvestre da passagem de ano, e com o início de novo ano novamente ocorrendo os cantares de Janeiras e Reis...

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Passou entretanto o Natal, o segundo da vida do Diogo, desta vez já com ele a poder ver e sentir melhor como é. Estando-se em pleno inverno, ao escrever isto, com o frio da época a fazer-se sentir fisicamente, mas de coração quente afetivo, mental e espiritualmente, como acontece quando pela família se faz tudo.

E vamos continuar assim pelo tempo fora. A criar nossos laços, a fazer nossa história conjunta. De amor de pais para filhos e de avós para netos, quão de netos para avós. Qual amor avoengo, afinal, no sentido da junção do que une nossas ligações. Avoengo é algo que vem dos avós, assim como materno o que vem da mãe, paterno tudo aquilo que vem do pai. Contando, de modo particular, o que transmite a sabedoria da experiência, que os avós são pais duas vezes. Um amor saudável e para a vida toda, para sempre, até aos confins dos tempos.

É pois tempo de repensar o tempo, aquele tempo que se via amorosamente e anseia que venha melhor, quais anseios dum porvir, fazendo por isso, à medida dos sonhos.

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Escrito em Janeiro e publicado em Fevereiro, para ser colocado como prenda de Aniversário.
Longra - Felgueiras, Fevereiro de 2019.

ARMANDO PINTO



Bibliografia DO AUTOR

Obras publicadas:
- Livro (volume monográfico) «Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras»; publicado em Novembro de 1997. Edição patrocinada pelo Semanário de Felgueiras.
- Livro (de contos realistas) «Sorrisos de Pensamento» – Colectânea de Lembranças Dispersas; publicado em Outubro de 2001. Edição do autor.
- Livro (alusivo da) «Elevação da Longra a Vila» - Julho de 2003. Edição do autor.
- Livro (cronista do) «Monumento do Nicho Nas Mais-Valias de Rande» – Dezembro de 2003 (oferecido à Comissão Fabriqueira paroquial, destinando receita a reverter para obras na igreja). Edição do autor.
- Livro «Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa» – Na passagem de 25 anos de seu falecimento; publicado em Novembro de 2004. Edição do autor.
- Livro «S. Jorge de Várzea-História e Devoção», publicado em Abril de 2006. Edição da Paróquia de Várzea.
- Livro «Futebol de Felgueiras – Nas Fintas do Tempo» (sobre Relance Histórico do F. C. Felgueiras e Panorâmica Memorial do Futebol Concelhio, mais Primeiros Passos e Êxitos do Clube Académico de Felgueiras) – pub. Setembro de 2007. Edição do autor.
- Livro "Destino de Menino" (conto personalizado - dedicado ao 1º neto) - Dezembro de 2012, em edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.
- Livro "Luís Gonçalves: Amanuense - Engenheiro da Casa das Torres", patrocinado pela fábrica IMO da Longra - biografia de homenagem ao Arquiteto do palacete das Torres, de Felgueiras - Janeiro de 2014.
- Livro "História de Coração" (conto personalizado - dedicado ao 2º neto) - Novembro de 2015, em edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.
- Livro “Torrente Escrita – em Contagem Pessoal”, ao género autobiográfico – Dezembro de 2016 - edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente (apenas para partilha familiar).
- (Agora, em Fevereiro de 2019 mais este, “História dum Brinquedo que não se pode estragar”, dedicado ao 3º neto, no seguimento dos anteriores);
 e
Livros oficiais (alusivos a realizações de eventos), entretanto também publicados:
- «1ª Mostra Filatélica e Exposição Museológico-Postal da Casa do Povo da Longra» (relativa a Semana Cultural de abrangência comemorativa do centenário do aviador Francisco Sarmento Pimentel e octogenário do Correio da Longra - Julho de 1995).
- «1º Festival Nacional de Folclore “Longra/97”» (englobando partes historiadoras e galeria diretiva da Associação Casa do Povo da Longra - Maio de 1997).
- «2º Festival de Folclore do Rancho da Casa do Povo da Longra» (contendo Lendas e Narrações das freguesias da área da instituição - Setembro de 1998).
- «Associação Casa do Povo da Longra – 60 Anos ao Serviço do Povo» (alusivo ao respetivo sexagenário, contendo a História da instituição - Abril de 1999).
- «3º Festival de Folclore da Longra – Memória etnográfica do sul Felgueirense e afinidades concelhias» (Julho de 1999).
- «4º Festival de Folclore da Longra – Celebração Folclórica do sul Felgueirense» (Julho de 2000).
- «Evocações da Festa Paroquial de S. Tiago de Rande» (Julho de 2000 - de promoção à festa desse ano, por solicitação da respetiva comissão organizadora, traçando panorâmica das festas antigas.)
- «Rancho da Casa do Povo da Longra-Sete anos depois... em idade de razões» (Maio de 2001 – livro comemorativo do 7º aniversário do mesmo agrupamento e também alusivo ao 5º Festival de Folclore da Longra, de Julho seguinte – incluindo texto de fundo narrativo do “Conto de um Rancho Amoroso”, sobre a história do grupo em questão.)
- «6.º Festival do Rancho da Casa do Povo da Longra – Desfile de Oito Anos de Vida» (Junho de 2002).
- «7.º Festival da Associação Casa do Povo da Longra – Danças Mil em Nove Anos de Folclore» (Junho de 2003).
- «Grupo de Teatro da Casa do Povo da Longra – Sete Anos na Arte de Talma Associativa» (Outubro de 2003 – Livro historiador do respetivo agrupamento, em tempo do seu sétimo aniversário).
- «8.º Festival da Associação Casa do Povo da Longra – Alcance duma Década Etno-partilhada» (Junho de 2004).
- «9.º Festival da Associação Casa do Povo da Longra – Comunhão de Tradição Associativa» (Junho de 2005).

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A.P.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

A minha avozinha Júlia: 50 anos de saudade e constante lembrança!


Quando lia o livro das lições da Escola, na primária, ao ter diante dos olhos aqueles versos de Junqueiro dos Simples, na composição sobre a moleirinha – uma velhinha que ia com seu jumentinho adiante, enquanto enternecia netos como eu, não pela personagem mas pelo que fazia lembrar  me vinha à ideia minha avozinha, então paralítica na cama havia anos, mas que me encantava.

Ah, como me fazia bem entreter-me à sua beira, sentar-me junto a ela a ouvi-la; e como nela tudo era bom. Enquanto ela vivia santamente resignada e era o sol que entrava na família e irradiava até às pessoas amigas e conhecidas, como os raios de sol que eu via entrar pelas frinchas da casa e misturado ao fumo da lareira fazia espirais, subindo como o incenso na igreja…

«…Vendo esta velhita, encarquilhada e benta,
Toc, toc, toc, que recordação!
Minha avó… se me representa…
Tinha eu seis anos, tinha ela oitenta…

(isso nos versos de Guerra Junqueiro, pois eu era criança mas nem sei quantos anos ela teria, ao tempo, interessava-me lá... eu via-a sempre de cara linda e sorridente! E como o que eu lia a espaços ia condizendo:)

...Que prazer d’outrora para os olhos meus!
Minha avó contou-me quando fui criança…

Toc, toc, e os astros abrem diamantinos,
Como estremunhados querubins divinos,
Os olhitos meigos para a ver passar…»

A minha avó tinha ficado assim quando eu tinha poucos meses e faleceu estava eu com catorze anos, meses antes de perfazer minhas quinze primaveras da vida. Fazia parte da minha vida.

Fez 50 anos neste fevereiro de 2019 que (na então terça-feira de Carnaval, em dia chuvoso e tristonho) vim propositadamente de onde estava e a não via há meses, portanto, para me poder despedir dela fisicamente. Estávamos em 1969, ano que então me fez sentir um grande abalo, na primeira perda de alguém muito querido, assim. Dando-lhe por fim um último beijo no dia do funeral, na tarde chuvosa daquele triste e ledo 18 de fevereiro, em que eu fui nem sei bem como, absorto, mais que perdido em pensamentos. Alguns dos quais mantenho bem vivos, passados já muitos anos. Sendo que isso foi já há 50 anos, numa conta de saudade entremeada por todos esses anos em que me faz bem lembrá-la. Porque sempre gostei muito da minha avó Júlia. E nunca esquecerei a minha avozinha. 

ARMANDO PINTO
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- Nota de curiosidade: Na fotografia antiga, com marca d' água sobreposta, vê-se por fundo visual a original fábrica MIT do Largo da Longra, estando à esquerda da imagem fotográfica o popular barracão onde funcionavam as oficinas da "fábrica velha" que deu origem à Mit/Metalúrgica da Longra. Cuja extremidade ia até à árvore grande que, após a construção da casa do sr. Verdial e fixação de seu negócio histórico, ficou conhecida por Carvalha da Padaria – ainda existente, mas agora com muito maior porte. (Foto que, de anteriores artigos publicados neste blogue, em 2014 e 2017, foi depois copiada para o livro "Felgueiras: 500 anos de Concelho", à página 150... mas sem a respetiva marca, por certo retirada em arranjo gráfico).

A. P. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Feira Regional num Estabelecimento de Ensino da área de Lisboa com produtos felgueirenses...!


Como curiosidade e também com orgulho de nível afetivo, registamos um facto que merece relevo: - Felgueiras, como parte importante da região norte e integrante do Douro Litoral, teve produtos locais em acontecimento ocorrido num estabelecimento de ensino de renome na área circunvizinha de Lisboa, através de produtos regionais patentes a dignificarem a representação da província dominante do distrito do Porto.


Com efeito, tendo decorrido na passada sexta-feira, de meio deste fevereiro, uma Feira Regional no âmbito das atividades da turma da 3ª Classe do Externato Padre António Vieira, em Linda-A-Velha (concelho de Oeiras), realização essa de mega-produção que como tal e por norma acontece de quatro em quatro anos (quando coincide a organizadora ser a professora da respetiva 3ª classe, em tal período quadrienal), a região de Felgueiras esteve também e bem representada. Quer através de boa prestação do neto mais velho do autor destas linhas, o Gonçalo, aluno desse estabelecimento de ensino, e extensivamente com alguns artigos de culinária regional e doçaria tradicional de Felgueiras. Consistindo esse evento numa Feira Regional expositora de particularidades das diversas regiões do país, como forma de proporcionar um melhor conhecimento geral sobre o país real. Incluindo atividades demonstrativas de danças e cantares regionais de cariz emblemático de algumas das áreas em apreço, entre momentos de convívio e boa disposição.


Com a colaboração dos pais e familiares dos alunos e ativa participação entusiasmante do corpo docente, com destaque sobretudo para a professora que consegue realizar essa mostra nacional, além da natural aprovação e apoio da direção do mesmo colégio, foi então um autêntico sucesso às portas de Lisboa essa Expo Escolar. Em cujo ambiente esteve à vista das pessoas que ali acorreram um bom conjunto de bens identificativos do Douro Litoral. Em mesa própria contendo, entre alguns pratos e sobremesas, e além das populares Francesinhas portuenses e das Tripas à Moda do Porto, também Cavacas e Pão de Ló de Margaride-Felgueiras.


Na ideia marcante de que, como traduz um rifão popular, cada terra tem seu uso e cada roca seu fuso, significando que todas as terras têm suas tradições muito próprias, mais algumas assimiladas da região envolvente, foi ali bem demonstrada a diversidade que compõe o todo nacional, no conjunto das diversas regiões portuguesas. E como também diz um outro ditado popular que pela boca se chega melhor ao coração, ali os olhos viram e o coração sentiu tudo o que chegou ao aparelho digestivo, por via da cultura genuína do país.


Disso, em suma e como ilustração, testemunham algumas imagens ali captadas – como não podia deixar de ser, com o autor destas linhas ali de alma e coração entre a assistência presente (em momento como esse do percurso da formação do meu neto mais velho) …!

Armando Pinto
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domingo, 17 de fevereiro de 2019

Artigo no SF sobre um livro felgueirense



Em mais um artigo no Semanário de Felgueiras, a habitual crónica no mesmo periódico concelhio versando assuntos felgueirenses desta vez traz à liça a publicação do mais recente livro referente a algo de Felgueiras.  

Desse artigo, como de costume, registamos o tema com transposição de imagem da respetiva coluna saída a público na edição do SF de 15 de fevereiro corrente e anotação do texto por extenso: 

Livro cronista dum sucesso histórico

Há pouco tempo ainda, chegou às mãos do autor um pequeno livro recentemente publicado, através de cuja oferta houve então conhecimento pessoal dessa edição algo interessante. Tratando-se dum livrinho narrador dum acontecimento ligado à história felgueirense e particularmente a um dos momentos marcantes do desporto concelhio, por via do histórico FC Felgueiras.

Sob título de "Futebol Clube de Felgueiras-1991/1992 Crónica de um sucesso inesperado", a publicação regista cronológica e memorialmente a época em que ocorreu o único título nacional futebolístico obtido pelo “Felgueiras”, numa iniciativa de preservar à vista coletiva esse feito do clube de futebol mais representativo do concelho. Como que numa salvaguarda de enquadramento à perpetuação dum facto que merece ser sempre lembrado, como tantos outros aliás, dos que vão passando ao olvido pela falta de suportes historiadores, em quaisquer aspetos de história local. Entre testemunhos verídicos e narrativas documentais, quais crónicas lavradas em seguimento real, quer por via de estudo como de acompanhamento à luz da tradição antiga e atual, e não cenas encomendadas a pessoas de fora que transcrevam apontamentos generalizados.

Ostentando no frontispício aquele título e extensivo sub-título, a capa é ilustrada com o emblema histórico do clube, na versão contemporânea do atual FC Felgueiras 1932, e na contra-capa uma imagem do mítico estádio Dr. Machado de Matos com a legenda de “Mais que um clube… A Nossa terra”.

O caso merece relevo, além do que fica subjacente, sobretudo por ser de iniciativa particular, por meio de publicação levada a cabo pelo presidente da Direção do clube desse tempo (embora sem conter nome de autor ou coordenador), de molde a possibilitar mais um elemento de prova e consulta graciosa sobre um dos temas que fazem parte da memória coletiva. Ajudando a complementar o que está escrito no anterior e até agora único livro sobre a história geral do futebol de Felgueiras, cujo teor naturalmente não foi possível ser alargado, ao tempo, em vista de ter sido a expensas restritas.

O futebol de Felgueiras está historicamente ligado pela ação dirigente duns Verdial Moura (Abílio), Dr. Machado de Matos, Carlos Castro, Adriano Sampaio Castro, Joaquim Carvalho, Padre Hernâni, Belmiro da Vitoreira, Armindo Carvalho, Paulino, Adriano Quintanilha, José Luís Martins, Álvaro Costa, Júlio Faria, Fernando Sampaio, Fernando Martins, Eduardo Teixeira, Pedro Martins, Reinaldo Teixeira, entre outros, até ao Dr. Leonel Costa. Num percurso que teve em 1992 um bom ponto de referência em tal conquista. Da qual trata com efeito esse pequeno mas aliciante livro sobre a época do título do FC Felgueiras como Campeão Nacional da II Divisão Nacional B, na sequência do anterior da II Divisão B-Zona Norte. Livrinho que se deparou agora ao autor destas linhas e que, segundo soubemos, fora já distribuído num recente convívio de pessoas ligadas à vida do clube azul-grená, mas do qual não houvera de permeio qualquer notícia pública. Agradecendo, no caso pessoal, a gentileza de quem o fez vir até diante de nossos olhos, em modo de ficar nas estantes da biblioteca doméstica, como estudioso e entusiasta de tudo o que eleve e faça memória do que é ser felgueirense e conserve a perenidade do ego felgueirista.

Louve-se a concretização dessa realização, pois se mais assim houvesse, caso existissem idênticas edições de mais quadrantes da vida concelhia e por via de outros campos da realidade felgueirense, haveria maior e melhor comparticipação na transmissão ao que une tudo o que edifica Felgueiras, a completar a soma colecionável da identidade felgariana.

Felgueiras fica assim mais considerada, à posteridade. Como em tudo se deve honrar Felgueiras, que Felgueiras nos contempla.

ARMANDO PINTO
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