terça-feira, 12 de setembro de 2017

Falecimento de D. António Francisco dos Santos: O Sorridente Bispo do Porto Amigo da Vigararia de Felgueiras


Faleceu D. António Francisco, o Bispo do Porto que tinha em seu nome o mesmo nome do mítico Bispo da Carta “Pró-Memória” a Salazar, tão marcante de seu apostolado na Diocese da Cidade da Liberdade, mais do tão simpático Papa Francisco, arauto de novos tempos religiosos. Um Prelado que muito honra a Diocese Portucalense em o ter tido nos seus eleitos.


Com efeito, em surpreendente e quase inacreditável notícia, a manhã do dia 11 de setembro chegou com o embate da infeliz novidade:
- Morreu o nosso querido Bispo do Porto, Dom António Francisco dos Santos, devido a fulminante ataque cardíaco. Pessoa que muita alegria transmitia ao ambiente da Diocese Portucalense como se viu ainda no passado sábado na belíssima Peregrinação a Fátima da Diocese do Porto  algo, que nos mistérios insondáveis da vida, acabou por ser seu «adeus», na despedida pública dos fiéis diocesanos e perante tantas pessoas que o admiravam. Tocando ainda durante a manhã de segunda-feira todos os sinos das paróquias da diocese do Porto em sinal de luto por sua memória.

Ser Bispo do Porto, realmente, é uma função eclesiástica e um múnus histórico de importantíssimo papel na sociedade nacional, como se revela na honrosa galeria que, entre tantos, se glorifica historicamente, desde aquele D. Hugo dos tempos das primeiras cartas de Foral, mais D. João Peculiar influente na independência política que levou ao reinado da fundação da nação portuguesa e o D. Pedro Pitões da tomada de Lisboa, até ao Cardeal D. Américo da reorganização canónica para os atuais limites diocesanos da Sé Portucalense, passando depois por uns D. António Barroso, D. António Barbosa Leão, D. António Castro Meireles, D. Agostinho Sousa, D. António Ferreira Gomes, D. Júlio Tavares Rebimbas, D. Armindo Lopes Coelho e D. Manuel Clemente, até D. António Francisco. Numa constelação de estrelas sacrossantas que ficaram a cintilar no universo resplandecente da audácia bondosa nortenha, qual a crença de quem não verga a cerviz perante prepotências do poder reinol e desempenha relevantes serviços em prol da comunidade.


Entre esses desempenhos, dentro das facetas de outrora que levaram combatentes de Entre Douro e Minho a seguirem D. Pedro Pitões adjuvante de D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa, tal como D. António Barroso se tornou mártir vivo na mudança do regime monárquico para a República e D. António Ferreira Gomes sofreu exílio político durante o regime do Estado Novo de Salazar por não servir a dois senhores, também a ligação dos Bispos do Porto às principais instituições representativas da área diocesana foram tidas em conta na memória coletiva. Honrando os Bispos do Porto com sua presença momentos e acontecimentos de relevo da vida social da cidade do Porto, das cidades e vilas da área metropolitana do Grande Porto, bem como da diocese e das paróquias e localidades do distrito.


D. António Francisco dos Santos esteve apenas cerca de três anos e meio como Pastor da diocese, nomeado que foi em 21 de fevereiro de 2014 para a cadeira da Igreja Portucalense, na cátedra de famosos bispos, a substituir D. Manuel Clemente que, por ter sido elevado a Primaz de Lisboa, teve então passagem de testemunho no que ficou daí em diante Bispo Titular Portuense, até agora.

D. António Francisco dos Santos nasceu a 29 de Agosto de 1948, na freguesia de Tendais, concelho de Cinfães (distrito de Viseu). Tendo sido nomeado Bispo Auxiliar de Braga em Dezembro de 2004 e, dois anos depois, indicado para Bispo de Aveiro. A sua ordenação episcopal ocorreu em Março de 2005, na Sé de Lamego. Fora ordenado padre em Dezembro de 1972. Sucedendo por fim a D. Manuel Clemente, como bispo do Porto, em 2014. Pertencia ao Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, e presidiu à respectiva Comissão de Educação Cristã e Doutrina da Fé. Atualmente, na Conferência Episcopal Portuguesa era presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana e de vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé. Conhecido pela disponibilidade para o diálogo, por ter uma personalidade tolerante e pela simplicidade, António Francisco dos Santos esteve com apreciada proximidade pública à frente da diocese mais populosa da Igreja católica em Portugal, com mais de 2 milhões de habitantes (cerca de dois milhões e meio) e que abrange 26 concelhos, sobretudo do distrito do Porto, mas também dos distritos de Aveiro e Viseu. Foi distinguido em 2015 pelo FC Porto com o galardão Dragão de Honra e era membro do Conselho Consultivo da Futebol Clube do Porto-Futebol, SAD.

                                              (  »»»»»»»  Com o lenço-cachecol da Peregrinação da Diocese do Porto  )


D. António Francisco ficou intimamente ligado ao périplo da Imagem de Fátima Peregrina na visita à diocese do Porto, no período antecedente à comemoração do centenário das Aparições de Fátima, que ele sintetizou como “Abertura a uma renovação pastoral, a uma mobilização das comunidades, a um entendimento da beleza da fé”.

Então o Bispo Diocesano do Porto marcou presença assinalável no acompanhamento da visita da imagem peregrina à diocese do Porto, no seguimento do itinerário da mesma pelo país, em vista à celebração centenária dos acontecimentos de Fátima, sendo um marco que se projetou na essência temática do correspondente ano pastoral, incluindo natural passagem na vigararia de Felgueiras.

Foi essa ocorrência de 2016 vivida pelo Prelado Portuense no sentido da peregrinação, dos valores e dos sinais que o Papa Francisco transmite. Como, por fim, concretizou na recente Peregrinação a Fátima da Diocese do Porto, já em setembro (no passado fim de semana, ainda), no âmbito do centenário e ainda dentro do período comemorativo de 2017.


De permeio, rebobinando figuras retidas na sensibilidade comum, da anterior ocorrência marcante como foi a volta da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, perante a presença de D. António Francisco dos Santos em Felgueiras, como penhor seguro do significado que ficou a ter no povo felgueirense, juntamos imagens de reportagem alusiva que foi então publicada no jornal Voz Portucalense e um pequeno apontamento registado no Boletim Municipal “Felgueiras + Informa”. 



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= A Peregrinação da Diocese do Porto a Fátima, grande manifestação concretizada por D. António Francisco, num mar azul e branco de fé - que fica como sinal da dimensão de seu múnus apostólico no pastoreio da Igreja Portucalense!

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Assinala-se assim com pesar o falecimento do Senhor D. António Francisco dos Santos, Bispo Diocesano do Porto, ocorrido na segunda-feira dia 11 de setembro na Casa Episcopal da cidade do Porto, vítima de enfarte agudo do miocárdio.

Neste local de registo histórico-cultural e memória felgueirense, como tal também, registamos o infausto acontecimento, cujas  exéquias solenes serão celebradas na próxima quarta-feira dia 13 deste mês de setembro, às 15 h 00, na Catedral do Porto. O corpo de D. António, entretanto em Câmara ardente durante dois dias na Catedral do Porto, ficará sepultado dentro da própria Sé, na cripta dos bispos, após funeral honrado com a presença do Presidente da República e do Cardeal Primaz da Igreja Portuguesa, entre outras individualidades dos mais diversos quadrantes da vida nacional. Todos reconhecendo que D. António Francisco esteve curto período à frente da diocese do Porto, mas em tão pouco tempo muito fez.


Entretanto, também, a Câmara Municipal  do Porto decretou 3 dias de luto na cidade Invicta e o FC Porto apresentou condolências à Igreja Católica Portuguesa através de comunicação em nome da Direção. Também os Governantes da Nação Portuguesa e diversos políticos se manifestaram publicamente, assim como algumas Câmaras Municipais do Distrito do Porto decretaram dias de luto municipal, entre as quais se inclui Felgueiras. O Presidente do FC Porto referiu emocionado (em curta declaração ao Porto Canal) que perdeu um grande amigo, mas todos ficamos a ganhar um santo, pois que ele não era só um grande homem do Porto mas de todo o mundo. Como amigo também era tido na simpatia pública, dizemos nós, e todos apreciavamos sua simpática bondade, reconhecendo que era pessoa especial.

O Bispo do Porto, D. António Francisco, desaparece assim fisicamente do número dos vivos aos 69 anos, em direção à morada celeste que norteou sua passagem na terra. Paz à sua Alma.

Armando Pinto
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