terça-feira, 7 de julho de 2020

Meu aniversário (de 2020)


Mais um belo dia de anos junto à minha conta, com o aniversário festejado agora, no dia de meu mês, em 2020. Assim passei feliz e contente mais um dia de festejo aniversariante, junto à minha família, com minha esposa, filhos, genro e netos, ao meu gosto.

Logo pela manhã recebi dois desenhos que me enterneceram, feitos pelos meus netos mais velhos, um que já anda na escola e outro que ainda vai entrar no ensino primário, mas com identificação simbólica de mais outro que ainda nem saiu de casa dos pais e avós. Havendo ainda lembrança de mais alguém que virá, na mesma linha hereditária. Guardando então nessa oferta enternecedora mais o que os desenhos refletem.


Entretanto fui tomando conhecimento das mensagens recebidas de amigos, conhecidos e seguidores, a quem agradeço sensibilizado tais comunicações de provas de apreço enviadas. Incluindo até pela tarde a visita de meu amigo sr. Gabriel Azevedo, antigo ciclista do FC Porto e um dos meus ídolos de juventude no acompanhamento ao mundo desportivo alvi-anil, em surpresa muito agradável.

Depois foi o culminar de mais um ano bem passado e a pedir meças ao futuro, com simbologia patente. De cujo festejo não junto imagens visuais, por motivos óbvios de privacidade e proteção de menores, mas apenas uma amostra simbolicamente pessoal. (Acrescendo que o par infantil da moldura familiar respeita aos filhos, hoje já pais de família também.)


Passou assim mais um dia de aniversário. Algo que sempre gostei de festejar, desde pequeno. Agora mais porque cada ano que passa é mais uma temporada vivida entre quem gosto e a par do que gosto, bem como por continuar a poder estar com os que me amam e em sintonia com quem gosta de mim, além de poder acompanhar ainda tudo o que me atrai. Coisa genérica que há muito aprecio, lembrando-me de festejos pelo menos desde meus seis anos, quando foram colocadas seis velas, que eu disse que queria azuis, sobre o bolo que minha mãe com grande enlevo mandou fazer… Até que agora esse número passou a 66…!

Agradecendo a toda a gente que me proporcionou um dia assim especial, agradeço sinceramente. E guardarei no meu álbum afetivo tudo o resto. A vida é mesmo assim, para ser vivida a nosso gosto e envolvida com o que nos liga à vida.

Armando Pinto

quarta-feira, 1 de julho de 2020

17º Aniversário da Vila da Longra


1 de Julho foi o dia em que em 2003 foi oficialmente elevada a antiga povoação da Longra à categoria de vila. Passam agora em 2020 já 17 anos desde essa data histórica.

Lembrando o dia, para que ao menos não passe despercebida a efeméride, evoca-se este aniversário mais uma vez, pois aqui jamais será deixado esquecer.


Olhando com olhos da recordação, evoca-se assim o facto, através de imagem do respetivo diploma oficial, que está guardado na Câmara Municipal de Felgueiras e do qual consta cópia na Junta de freguesia correspondente à atual união de freguesias da área. Complementando essa imagem com algumas fotos de tempos de outrora e outras da época da criação da vila; mais umas quantas ainda da centenária chegada e passagem do comboio do Vale do Sousa na Longra, no trajeto histórico que em 1914 ligou Penafiel à Longra e depois da Longra a Felgueiras, seguindo viagem…




Intercalando com essas memórias visuais de antanho, juntam-se relatos diversos de cunho pessoal sobre o aniversário da Vila da Longra.

***** 

Na passagem de 17 anos sobre o acontecimento histórico da aprovação nacional da elevação da Longra a vila, recordamos o livro que na ocasião foi escrito e publicado pelo autor deste blogue, sob título “Elevação da Longra a Vila”. 

Facto inesquecível. Cuja ocorrência ficou então em livro, logo apresentado publicamente no imediato dia 4, em festa comemorativa…


Faz então agora, hoje, 17 anos que a Longra passou a vila.


Passavam poucos minutos das 18 horas da terça-feira 1 de Julho de 2003, cerca das 18,13 quando o presidente da Assembleia da República começou a ler a parte que interessava à Longra, da lei respetiva, até que por volta das 18 Horas e 18 minutos referiu que ia ser votada e de seguida proclamou: A povoação da Longra, do distrito do Porto, é elevada a vila!... 

Estávamos lá nós, também, nessa célebre ocasião. Fomos então de imediato entrevistados pelo amigo Pedro Alves, que fazia a reportagem em direto para a Rádio Felgueiras…

Do dia, entre tantas e tantas recordações, ficou-nos ainda o original da letra duma das cantigas entoadas durante o percurso, e que acabou em nossas mãos através de oferta derivada à celebração que projetamos para o inicio do fim de semana imediato, com a realização duma festa celebrativa na Casa do Povo.


Nesse dia, durante as horas antecedentes, no decurso da viagem sobretudo, começou a germinar cá dentro a ideia de fazer um livro a registar tão importante ocasião. E dias depois, na sessão solene realizada na noite de sexta-feira seguinte, foi apresentado ao público esse referido pequeno livro a historiar tal obtenção... Em cujas páginas está tudo descrito, narrando tantas vivências proporcionadas. 


Neste tempo de crise social e de valores, sente-se o ambiente algo acabrunhado, perante antigas aspirações e perspetivas. Mesmo assim a Longra é sempre Longra, e será a Longra de todos nós os que nos sentimos afeiçoados a esta terra. A atual vila da Longra. 

Pelas 18 horas e um quarto, sensivelmente, como foi costume até há poucos anos, no Largo da Longra costumavam rebentar bombas-foguetes em número correspondente aos anos da efeméride. Assinalando a comemoração da elevação da Longra a vila, quando, há 17 anos, naquela célebre terça-feira, foi declarada a aprovação da lei que criou a vila na Assembleia da República.


Pois então, são disso algumas das recordações que se guardam e se mostram aqui, tais como a foto de pose de conjunto em frente à Assembleia da República de quem esteve lá nesse dia, mais alguns documentos alusivos...



Algo que depois foi festejado durante anos.

= Uma imagem da concentração da corrida de cicloturismo englobada no programa do 1º aniversário da vila da Longra, em 2004 =

Ora, assim sendo, a Longra está de parabéns e merece felicidades! 

Armando Pinto
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domingo, 28 de junho de 2020

Falecimento do historiador Prof. Maurício Antonino Fernandes (1927 - 2020)


Faleceu o historiador Maurício Antonino Fernandes, autor de alguns livros sobre história de Felgueiras e muitos de outras localidades, além de co-autor de volumes de genealogia. Desaparecido do número dos vivos no passado dia 25, com 93 anos, era natural de Aião-Felgueiras e residia em Oliveira de Azeméis, onde foi sepultado no dia seguinte.

Não tendo ainda havido referências ao caso em noticiários de Felgueiras, passados alguns dias do falecimento, a notícia chegou ao conhecimento aqui do autor deste blogue através de notícias surgidas pelo motor informático de busca Google, por via de nota do jornal Correio de Azeméis. Sendo que o Professor Maurício Fernandes era figura da área da zona centro do país, sobretudo Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Cucujães e arredores, onde lecionou e sobre cujas terras publicou grande parte da sua obra historiográfica.

Pela referida nota informática, deu assim notícia o “Correio de Azeméis:

«MAURÍCIO ANTONINO FERNANDES PARTIU AOS 93 ANOS

Correio de Azeméis -25/06/2020

Autor de inúmeras monografias do concelho, nomeadamente de Ossela, Madail, Macinhata da Seixa e Cesar, Maurício Antonino Fernandes partiu aos 93 anos. Professor e escritor, Maurício Antonino Fernandes exerceu ainda funções no pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e foi diretor da Casa Museu Regional. Encontrava-se, atualmente, a preparar uma monografia respeitante à freguesia de Loureiro.»

O funeral realizou-se na sexta-feira dia 26, com cerimónias na igreja matriz de Oliveira de Azeméis.

*****
Natural de Felgueiras, nascido em 1927, a 12 de março, na freguesia de Aião, foi professor de Filosofia, História e Português. Nas horas livres era estudioso de história local e genealogia. Publicou mais de 20 obras histórico-monográficas e foi ainda diretor da Casa-Museu Regional de Oliveira de Azeméis entre 1984 a 1996. Assim como foi também assessor do Pelouro da Cultura do Município de Oliveira de Azeméis, de 1982 a 1996 e fundador da Associação de Defesa e Conhecimento do Património Cultural Oliveirense e da revista UL-VÁRIA. Era ainda sócio da Associação Portuguesa de Genealogia, da Academia Internacional de Généalogie, da ASBRAP-Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia, etc.

= Foto de tempos de sua juventude

Sua bibliografia (com anos de publicação entre parênteses):

Co-autor de “Carvalhos de Basto – 10 volumes” (1977-2007), “Fonsecas Coutinhos de Fonte Arcada” (1983), “Macinhata da Seixa” (1985) e “Valentes da Silva” (2019).

Autor de “Relações geo-históricas das gentes de Arouca com as de Oliveira de Azeméis” (1987), “Felgueiras de ontem e de hoje” (1989), “Pombeiro e o seu fundador” (1991), “S. Nicolau da Feira – Tombo” (1995), “A Comenda de Oliveira de Azeméis – Património e Comendadores” (1996), “São João da Madeira – Cidade do Trabalho” (1996), “Património Heráldico Oliveirense” (1996), “Esteves Rebelo de Amarante” (1999), “Os Magalhães de Heitor de Magalhães” (2000), “Matrículas da Mitra de Braga (Ordinandos)” (2002), “Silvas históricos” (2005), “Famílias Genuínas do Porto, os Beliáguas” (2006), “Ribeiros: Morgados de Torrados e de Idães” (2006), “Os Brandões – Origem e varonia (938-1688)” (2007), “S. Pedro de Ossela – Memorandum” (2009), “Carvalhos históricos” (2011), “Família de Mattos” (2012), “Moreiras – Patronos de Tarouquela” (2013), “A família Cudell em Portugal : ascendência, costados e descendência” (Vila de Cucujães-2015), “Madaíl, S. Mamede, no passado e no presente” (2017), “Cesar: pátria de heroismo e de progresso” (2019) e “Moniz Rebelo”, de Fafe (2019).
Quanto a reedições, há a destacar “Nobiliário de Famílias de Portugal (com Felgueiras Gayo) -12 vols” (1989-1990), “Pedatura Lusitana (Alão de Moraes) – 6 vols” (1997/98) e “Gerações de Entre Douro e Minho (M. Sousa da Silva) – 2 vols” (2000).

= Foto de tempo recente...

Descanse em paz!
(Nota: Fotos da Internet)

Armando Pinto


sábado, 27 de junho de 2020

Efemeride do aniversário de minha Mãe



Nesta data, de há 105 anos, nasceu minha Mãe. A 27 de junho de 1915. A quem foi dado o nome de Matilde, o nome de sua madrinha também. Ficando depois no registo civil com o sobrenome do pai, da Costa, como era uso na época apenas o do lado paterno.


Faz hoje então 105 anos que nasceu quem me deu vida, quem me gerou e me trouxe ao mundo. Nascida que foi então no lugar de Janarde e depois me teve, há já quase 66 anos, na (ao tempo) povoação da Longra, da freguesia de Rande e concelho de Felgueiras.


– Tinha olhos castanhos, de encantos tamanhos...!

Nesta data em que meus pensamentos sobem ao infinito e se estendem como sempre pelo universo celestial, recordo o seu nascimento com imagem do livrete de identidade, como era na época o Bilhete de Identidade. Documento esse, no caso, passado aquando do casamento. Mais uma certidão passada por esses anos, conforme atesta a data respetiva, junto com um documento mais recente contendo a assinatura pessoal.


Hoje fazia anos a minha Mãe. Faz anos que nasceu. Sendo assim a efemeride da passagem da data do seu aniversário. Nascida a 27 de junho de 1915 e falecida a 15 de janeiro de 1988.

Mãe há só uma e a minha está sempre no meu coração!

Armando Pinto
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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Homenagem a uma simpaticamente histórica senhora parteira popular da Longra – A Quininha Padeira !


Num artigo mais da colaboração normal no Semanário de Felgueiras, a crónica desta semana versa sobre a ideia de prestar uma homenagem pessoal a alguém com uma história de vida digna de apreço comunitário. Entre pessoas de bem que sempre gostaram de "fazer o bem, sem olhar a quem".


Dessa pessoa que permanece na memória do autor e historicamente integra uma autêntica galeria de pessoas simples do povo permanentes na vida de muita gente, é pois o artigo que vem publicado na edição do jornal Semanário de Felgueiras desta sexta-feira dia 26 de junho.


Do mesmo, para eventualmente facilitar a leitura, junta-se o texto original:

A Quininha Padeira

Houve um tempo em que as estrelas parece que faziam mover o universo dum modo suave, à maneira como toda a gente revê tempos passados, ainda que nem sempre bem passados. Mas a apalavrar-se outras feições, nas aparências que perduram. Movendo-se imagens que passam diante dos olhos da rememoração.

Assim, na ligação telúrica de algo ou alguém, entre temas de afeição, há certa apetência por juntar coisas inerentes a uma espécie de vocação. Como quem junta lembranças dum conjunto de circunstâncias que completam todo um vasto espaço de relação vinculativa. Quão, num relâmpago de memórias surge ideia de lembrar justamente pessoas normais mas muito úteis à sociedade, de outrora, como no caso desta vez a evocar.

Então, como quem ouve uma canção pela própria música (e quando em línguas estrangeiras quantas vezes nem percebendo patavina do que diz a letra), também se pode recordar gente que se conheceu mais pelo que ouvimos. Como num caso duma senhora que, já em criança ainda, eu soube ser prestável a ajudar aos nascimentos.

Ora, num dia algures pelos anos de minha infância, andando entre coleguinhas de brincadeiras pelos caminhos das quatro barrocas da Longra e, dali próximo, vi correr uma senhora bem conhecida, saída à pressa de sua casa do lugar das Cortes Novas, levando embrulho de qualquer coisa debaixo do braço. Vendo-a depois, na minha curiosidade de observador, a entrar noutra casa dali à beira. Mas depressa aquilo se me varreu da cabeça, estando com sentido na troca de “macacos” com colegas, para obter mais alguns cromos de jogadores da bola para a minha caderneta, como era acotiado ao tempo. Eis senão que ouço então um choro de bebé a vir daquele lado, ficando todos a olhar para o que seria. Até que vimos a senhora que ali entrara a vir fora com um alguidar de barro…

Pois isso ficou-me na curiosidade infantil e só mais tarde percebi do que se tratara. Ficando ainda mais admirador daquela senhora. Pois por isso mesmo, também assim, entre uma coleção mental e física de recordações, apraz elevar mais um dos casos de pessoas que por algum motivo de apreço de vez em quando afloram a nossas recordações.

Ora, entre tais memórias bem guardadas temos terna ideia de pessoas populares ao longo da vida, e, por assim dizer, de utilidade pública. Tal o caso, acima já adiantado, da referida senhora da Longra, a Quininha Padeira, assim conhecida, ela que era artista no mister de parteira tradicional.

Tendo já sido lembradas outras pessoas de boa memória, desta feita é oportunidade de fazer justiça a essa pessoa, sobre a qual, calha aqui e agora prestar-lhe uma homenagem, com umas linhas escritas das que dedico a figuras populares de antigamente.

Joaquina Nunes, tal era a sua graça de batismo e registo civil, natural do concelho amarantino, veio na sua juventude para terras de Felgueiras graças a então haver na Longra trabalho de panificação, a que estava afeita. Nascida num dia de setembro de 1906 na freguesia de Santa Maria de Gondar, de Amarante, era padeira de profissão. Não admirando que popularmente ficasse assim conhecida como Quina Padeira na terra que passou a ser sua. Visto ter constituído família no rincão de seu marido, que conheceu precisamente por via de seu trabalho. Decorrendo toda uma vida de dedicada esposa, mãe de 12 filhos a tempo inteiro, entremeando com mister gracioso de habilidosa a ajudar mulheres a terem seus filhos, à maneira antiga, em casa de cada uma. Quer de pessoas do povo comum como de gente rica, nesse tempo em que os nascimentos eram naturais, nos modos de antanho. Sendo assim, como parteira de boa vontade, que, sem nada ganhar, por suas mãos chegaram ao mundo muitas vidas, havendo ajudado a puxar à luz inúmeras crianças da região, da própria terra como das freguesias vizinhas e até algumas na própria sede do concelho de Felgueiras. Coisa que ela fazia e bem de cara alegre. Como a lembro, num sorriso de pensamento, mais.

Armando Pinto
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quinta-feira, 25 de junho de 2020

O São Pedro e extensivo Cortejo das Flores de Felgueiras


Este ano tudo está a ser diferente, sendo um ano atípico, como se diz, por causa da pandemia do Covid-19. E, como tal, não há festas populares. Tendo até acontecido que a sessão de apresentação do meu livro “Ciclistas de Felgueiras” foi o último evento público que ainda aconteceu em local de serviço municipal de Felgueiras, antes do confinamento (tendo ocorrido no sábado 7 de março, na biblioteca municipal, pois logo na segunda-feira imediata fechou tudo, encerrando os espaços públicos em Felgueiras, até ao recente levantamento gradual das medidas oficiais, ainda com restrições). Acontece assim, infelizmente, que não vai haver o tão belo Cortejo das Flores, o qual, depois que foi reativado em finais do século XX, passou a ser um dos maiores ícones da imagem de marca felgueirense. E é tradição única no país (embora ultimamente tenham aparecido cópias noutras festividades, contudo a tradição original é o cortejo da urbe de Felgueiras para o Monte da Santa Quitéria).


Pois então, este ano, na impossibilidade social de ajuntamento de pessoas, segundo as normas oficiais, vai ter de ser numa espécie de revivalismo virtual, pelas redes sociais, em convívios de conversas em linha... Ficando-se à espera do próximo ano, para o reativar da tradição, fisicamente.


Entretanto...
Atendendo a como esse evento estava já enraizado nas tradições atuais, na linha dos ancestrais usos e costumes concelhios, por assim dizer, será de lembrar algo do que se sabe ainda de tudo isso. Relembrando e partilhando parte do que em anos anteriores foi publicado no jornal Semanário de Felgueiras dentro das crónicas do autor destas linhas e presentemente está guardado para um futuro possível livro sobre o concelho:

Festa do Concelho de Felgueiras (com Costume dos Vasos e Tradicional Cortejo das Flores) na Quadra dos Santos Populares

Todos os anos se fazem sentir evidências da festa que, a partir de 1911, deu origem ao feriado municipal felgueirense, na continuidade aos festejos que vinham de tempos remotos. Sendo que os feriados municipais da atualidade passaram a ser instituídos assim com o surgimento do regime republicano. Pois a festa do São Pedro de Felgueiras é muito antiga e quando se deparou a atualização do dia do concelho foi essa festa que mereceu principal referência. 

Entre velhas tradições arreigadas à alma popular de Felgueiras, como por outras zonas também, estão os festejos dos santos populares, os três santos que o povo celebra por meio de arraiais festivos em que prevalece algo genuíno do que ao longo dos tempos brotou de realizações do povo, desde épocas remotas com características próprias no rico folclore local.

No concelho de Felgueiras, como terra nortenha, salvo efémeras exceções, nunca houve grande tradição de festejar o Santo António em noitadas, a não ser episódicas festas Antoninas realizadas nos Carvalhinhos alguns anos, em Margaride. Já a festa de S. João (não na feição paroquial, como se celebra nas respetivas paróquias, mas na vertente popular) teve antigamente laivos de primazia em diversas áreas, com realce para o S. João da Longra durante várias décadas (havendo notícias nos jornais desde inícios do séc. XX), até haver acabado essa grande festa nos princípios dos anos sessenta, ou seja muitas décadas depois, ainda no mesmo século XX. Porém, mais que todas foi sempre a do S. Pedro, efetivamente, em importância e continuidade, pois além de assinalada devidamente nalgumas freguesias, distinguiu-se sempre das demais como festa do concelho.

Ora o S. João na verdade fez parte do imaginário tradicional, transportando costumes ancestrais. Vem ao caso que em noite de S. João, nalgumas das terras Felgueirenses, até se traçavam destinos de raparigas solteiras, por meio de hábitos anualmente repetidos para verem a sorte que o destino lhes antevia. Coisas próprias dos tempos antigos dessa festa popular, bem como a fogueira na mesma noite, ao escurecer, da qual também três raparigas de nome Maria iam pela fresca ao quintal apanhar cidreira, para armazenar com vista às necessidades de chá durante o ano, para as más disposições de barriga.

= Postal ilustrado - Mulher trajada com cesto alusivo ao cortejo das flores, em frente ao templo do monte de Santa Quitéria.

Tal festa, do santo mais popular das profanas romarias do norte, teve preponderância até décadas atrás, havendo sido durante muitos anos uma das noitadas mais alegres da região, com as estradas e caminhos enfeitados com arcos pendentes e decorados com garridos papeis recortados, nos quais havia lamparinas, enquanto pelas bordas estavam espalhados pucarinhos de barro com cera a arder.

Já a festa do São Pedro, abarcando todo o concelho, tem-se mantido na sua essência, festejada no monte da Santa - no espaço envolvente do santuário de Santa Quitéria, sito no monte do mesmo nome, onde existira em tempos remotos uma ermida dedicada a S. Pedro. Capela essa que era a mais antiga da região, segundo a “Corographia” do Padre Carvalho da Costa; e que, derrubada em 1719, foi substituída por templo dedicado a Santa Quitéria, concluído em 1725.

Antigamente esta festa ali realizada era feita por iniciativa popular, mas com o tempo passou a ficar à responsabilidade das autoridades civis, que tomaram a seu encargo a incumbência de manter o costume, como festa do concelho dedicada ao santo a que Felgueiras pedia proteção, desde os tempos imemoriais da capela da primitiva invocação. Para fazer face aos custos havia uma verba inscrita no orçamento municipal, para ajudar a completar a soma angariada em peditórios, de porta a porta, pelo território concelhio.

Costume que, com variações conforme os tempos e as vontades, se tem mantido sensivelmente na mesma linha tradicional.

= Frente do santuário e espaço envolvente da igreja de Santa Quitéria com decorações da Festa concelhia do São Pedro

Em tempos passados, pela noite festiva, por altas horas quando os foliões regressavam a penates, provindos da noitada da festa, era costume os rapazes solteiros roubarem vasos de flores das casas de raparigas solteiras, colocando-os em exposição num local central da terra, da respetiva localidade de cada grupo, para no dia seguinte verem as moças irem buscá-los.

Por esses tempos costumavam as freguesias fazerem-se representar anualmente no concelhio Cortejo das Flores de S. Pedro, levado a cabo tradicionalmente por ocasião da festa. Desfile em que todas as representações das mesmas figuravam através de rapazes e raparigas, que ao jeito de cortejo iam até ao cimo do monte em festa. Como curiosidade (por associação à castidade de Santa Quitéria, ali venerada), era tradição irem apenas raparigas tidas como virgens, solteiras portanto, para levarem à cabeça os cestos enfeitados com flores que davam colorido e beleza ao evento...


= Uma imagem do Cortejo das Flores, com raparigas solteiras e jovens acompanhantes  pelos idos da década de 40, no século XX...

Para o efeito a Câmara lembrava ao regedor de cada freguesia e este encarregava uma pessoa com disponibilidade para organizar grupo de representação local. Atitude que depois teve sequência com a Confraria de Santa Quitéria, indo um dos mesários a cada freguesia proceder de forma idêntica, a rogar pessoa responsável, no que mais tarde houve continuidade através de comissão de festas, com igual pedido.

= Deposição final das flores, no epílogo do florido cortejo, ficando no meio da esplanada todo aquele amontoado multicolor a adornar o monumento de Nossa Senhora

Nos anos mais recentes, a partir de inícios da década dos anos 2000, surgiram dentro da novidade, sempre acrescentada no decurso do tempo, as chamadas marchas populares. Quais desfiles, mediante representações de localidades do concelho, que, apesar do nome, serão mais apropriadamente levadas à imagem das Rusgas Sanjoaninas do Porto, vistosas em efeitos coloridos e, nalguns casos pelo menos, com entoação de letras adaptadas de antigas cantigas de ligação local.

Algumas das diversas particularidades dignas de memória, estas, por entre frases alinhavadas no seguimento de evocação ao fundo tradicional da vida local de outras eras. De que felizmente, ainda vão restando resquícios revivalistas, atendendo à recuperação em boa hora efetuada desde há alguns anos, já que o Cortejo das Flores foi recuperado e mantém-se, por meio de contributo de Ranchos Folclóricos, Associações, Escolas e outros grupos, cujos elementos participantes elaboram enfeites, custeiam as flores e dão seu folguedo. Inebriados no perfume natural da coisa pública comum.

Armando Pinto

domingo, 21 de junho de 2020

Curiosidade: Um ilustre Lousadense que era Felgueirense, nascido na Longra – Jaime Moura


A título de curiosidade…… como de vez em quando há novidades sobre raridades que ressaltam na ligação de coisas comuns, será de interesse registar o facto de ser natural do concelho de Felgueiras um personagem que faz parte da memória histórica do vizinho concelho de Lousada – o homem que fez com que Lousada fosse terra conhecida por capital do automobilismo em Portugal. Como foi Jaime Moura, nascido na então povoação da Longra, da freguesia de Rande e concelho de Felgueiras, que desde muito novo viveu em Lousada. Tendo residido na Longra seus primeiros tempos de vida, apenas, saído ainda com tenra idade para a vila de Lousada, onde seu pai se estabeleceu. 

Embora praticamente para Felgueiras e Longra só interesse o facto do local de nascimento, convirá mesmo assim registar o caso. Pois o mesmo tema é desconhecido de quase toda a gente e Jaime Moura viveu e morreu como Lousadense de afeição. Inclusive, apesar da Longra ser próxima de Lousada, ter havido distanciamento físico, ficando ele sem quase conhecer nada nem ninguém na terra de seus antepassados e viveu também algum tempo. Motivo de entretanto nem ter sido lembrado em relações de naturais de nossa terra, porque o que não é visto não é lembrado. Mas como nasceu aqui, é justo que haja conhecimento disso, a partir que chegou agora ao nosso conhecimento. Sabendo-se que sua mãe era natural da Longra (sendo irmã da esposa do regedor sr. António Cândido e também da esposa do sr. Capitão Joaquim Teixeira). Enquanto seu pai, Jaime Pinto de Moura, natural de Freamunde e depois residente de Lousada, veio para a Longra onde trabalhava na antiga fábrica Metalúrgica da Longra, e aqui casou e residiu; inclusive tendo mais tarde feito parte duma sociedade industrial que ajudou a criar depois, de curta duração, também na Longra. Indo de seguida para Lousada fundar a fábrica FAMO, mediante a experiência adquirida na Longra. Como está anotado no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” (publicado em 1997) e no livro “Luís de Sousa Gonçalves – O Senhor Sousa da IMO” (publicado em 2019). Mas, embora sabendo-se ainda da ligação do descendente Jaime Moura, não havia notícia quanto ao registo civil de seu local de nascimento, entre o povo da Longra. Apenas se sabia e sabe que da família havia e há ainda a propriedade duma casa, o edifício onde funcionou em última versão a antiga estação de Correio da Longra.

Adveio conhecimento disto, ao autor destas linhas, quanto à naturalidade em apreço, por via de leitura do importante trabalho “Efemérides de Lousada”, da lavra do historiador lousadense Prof. Luís Ângelo Fernandes. Onde, sobre Jaime Moura (filho), está escrito:

« 7 de setembro - 1947 – Nascimento, na Longra (Felgueiras), de Jaime José Nunes de Moura, filho de Jaime Pinto de Moura e de Maria da Conceição Nunes Couto. Empresário, sócio-gerente da FAMO, importante empresa de móveis metálicos e de material de escritório e hospitalar. Fundador e presidente do Clube Automóvel de Lousada, que possibilitou a construção do Eurocircuito da Costilha e a realização de importantes provas do calendário automobilístico nacional e internacional. Presidente da Associação de Cultura Musical e dirigente de várias coletividades concelhias e Vereador da Câmara Municipal, à qual chegou, por duas vezes, a ser candidato à presidência (1989 e 1993). Falecido a 15/2/2008.»

Assim, Jaime Moura, filho, teve nascimento em 7 de setembro de 1947, na Longra-Felgueiras, e falecimento a 15 de fevereiro de 2008, com 61 anos, em Lousada.


Na Wikipédia, a enciclopédia livre, consta sobre ele:

«Jaime José Nunes de Moura (Felgueiras, 1947 - Cristelos, Lousada, 15 de Fevereiro de 2008) foi um empresário e político português. Graças ao seu trabalho no impulsionamento do desporto automóvel na região, era frequentemente considerado o "Pai do automobilismo no Vale do Sousa".
Jaime Moura foi uma das mais prestigiadas figuras do concelho de Lousada entre as décadas de 80 e 2000. Foi o fundador e Presidente do Clube Automóvel de Lousada entre 1987 e 2006, saindo em diferendo com a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK). Foi ainda líder da Associação de Cultura Musical de Lousada e da Assembleia Recreativa e Desportiva Louzadense e dirigente da Associação Desportiva de Lousada, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada e da Associação Industrial de Lousada.
Jaime Moura faleceu aos 61 anos, vítima de doença prolongada, pelas 19.30 horas de 15 de Fevereiro de 2008, na sua residência.
Política - Jaime Moura fez uma incursão pela política, tendo-se candidatado à presidência da Câmara de Lousada em dois mandatos consecutivos, primeiro em 1989 pelo então CDS (como independente), e depois pelo PSD, partido no qual se filiou em 1993. Foi também Vice-Presidente da Câmara Municipal durante o executivo da Aliança Democrática, então liderado por Amílcar Neto, que durou até 1989.
Automobilismo - Moura foi fundador e sócio n.º 1 do Clube Automóvel de Lousada, tendo sido seu Presidente durante 20 anos. Tornou-se um dos mais importantes dirigentes no panorama do desporto automóvel nacional. A ele se deve o facto de Lousada ter sido considerada pelos aficionados da modalidade como a “Capital do Automobilismo”, durante a década de 90 e princípios do novo século. Apenas deixou para trás o sonho de construir um autódromo em Lousada, projeto que iniciou em 1985, mas impossível de concretizar, devido a fatores económicos.
Abandonou a presidência do Clube em 2006, depois da FPAK ter anunciado a intenção de alternar a realização do Europeu de Rallycross entre o circuito de Lousada e Montalegre.
Empreendimento - Empresário de sucesso, Moura era sócio-gerente da FAMO, uma empresa de mobiliário de escritório, sedeada em Lousada e com filiais em países dos continentes europeu, americano, asiático e africano (essencialmente em Angola).»


Jaime Moura tem sido homenageado ainda no Circuito da Costilha em anual prova organizada pelo Clube Automóvel de L ousada, através das “400 Voltas Jaime Moura”, que já teve várias edições. E tem seu nome numa rua da vila de Lousada, em justo preito toponímico na sede do concelho onde viveu quase toda a sua vida.

Armando Pinto
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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Miniatura escultural numa réplica impressa em 3D - versão em miniatura do próprio… autor deste blogue !


Ora, sem grande necessidade de apresentação, porque o que aparece à vista fala por si, eis uma miniatura aqui do autor deste blogue. Com associada simbologia de apreço e identificação pessoal. Sem faltar naturalmente a camisola à Porto vestida, em passatempo de escrita. Tendo na base os títulos dos livros de minha autoria, até agora publicados.


Esta obra de arte é de um amigo artista felgueirense, residente na Longra. Que naturalmente está de parabéns por esta configuração impecável. Sendo autor da miniatura Mário Guimarães, também conhecido por sua anterior ligação ao futebol, tendo sido treinador da equipa B do FC Felgueiras 1932, assim como foi treinador de duas equipas belgas e inclusive campeão – como está historiado num artigo que lhe dediquei no jornal Semanário de Felgueiras em julho de 2018.

(Para eventuais interessados: As miniaturas têm 18 cm de altura e custam normalmente 60 €, podendo acrescer um pouco mais em caso de conter acessórios. Através de envio do que é pretendido por uma fotografia de corpo inteiro.)

É uma empresa de Felgueiras, da Longra, que presta este atraente serviço, chamada “1001 Impressão 3D”. Residindo o Mário no Edifício Longra, junto à zona industrial da antiga Metalúrgica da Longra.

Neste modo moderno de artesanato o trabalho de Mário Guimarães, com esta firma sediada na Vila da Longra, dedica-se à impressão 3D. Um dos seus produtos com mais sucesso são as miniaturas. Como a do exemplo evidente e bem conseguido. Estas pequenas “estátuas” são impressas em 3D, pintadas à mão, num processo que pode demorar até 50 horas.

“Basta enviar uma fotografia de corpo inteiro e o resto é com a 1001 Impressão 3D”, como adianta Mário Guimarães, gerente da 1001 Impressão 3D. O preço das miniaturas é de 60€, com oferta de portes incluídos. “A primeira etapa é modelar e criar os ficheiros para depois poder imprimir através das fotografias que o cliente envia. Depois de impresso em 3D, procede-se à pintura”, conta ainda Mário Guimarães. A reação dos clientes “tem sido fantástica. Mostram-se surpreendidos com a qualidade e os detalhes das miniaturas” concluiu.

Para além das miniaturas, a 1001 Impressão 3D tem outros produtos em destaque, como luminárias personalizadas com fotografia, luas personalizadas com fotografias, bolas com nome para o Presépio de Natal ou outros efeitos. Podem ainda ser replicadas peças de consumo de aparelhos.

Eu gostei muito do produto, desta miniatura pessoal. Fiquei encantado e terá lugar especial no meu escritório doméstico. E aconselho: -Sendo obviamente excelente ideia como sugestão para uma prenda original e personalizada.


Pode-se encontrar a 1001 Impressão 3D através de página do Facebook ( http://bit.ly/2RGTL6Q ), onde constam outras indicações.

 Armando Pinto
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