Hoje tive de me despedir do meu amigo Tó Pedro, despedindo-me
fisicamente, que não espiritualmente, porque sempre o lembrarei como amigo de
infância e homem bom que conheci, de afinidades e amizade. O Engenheiro Pedro
Sousa, natural da Longra, onde cresceu e se fez homem, depois residente na cidade
de Felgueiras, deveras conhecido e respeitado no concelho de Felgueiras. Sendo
como era no âmbito público referenciado como um dos fundadores dos Rotários de
Felgueiras, como é usual chamar-se ao Rotary Clube de Felgueiras, tendo por
mais que uma vez sido seu presidente, inclusive quando começou a campanha “Salvar
Pombeiro” por iniciativa rotária, como ele contava e depois continuada pela
presidência municipal da época. Além de outras participações em comissões
concelhias. Mas para mim o Tó Pedro meu amigo e pessoa da Longra, que, enquanto
esteve à frente da fábrica IMO todos os dias ia ao Café da Longra e gostava de
conversar com toda a gente conhecida. Estando-me nas boas memórias as nossas
conversas, entre eu, ele, seu pai, o senhor Luís Sousa, e seu tio e meu grande
amigo, o senhor Luís da Póvoa.
Foi com muito gosto que um dia, ainda não há muitos anos,
lhe solicitei e ele aceitou fazer o prefácio para o livro que escrevi sobre seu
antepassado autor do projeto da Casa das Torres, da antiga vila e atual cidade
de Felgueiras, o seu bisavô Luís Gonçalves - obra derivada após ideia de seu
primo Neca Gonçalves, que em boa hora me lançou a sugestão, depois de ter lido um
artigo que eu escrevera no jornal Semanário de Felgueiras sobre o mesmo
projetista de várias casas da arquitetura clássica felgueirense. Tendo ele
aceitado que a IMO patrocinasse esse livro, antes de saber que eu lhe ia pedir
o prefácio respetivo. Tendo ficado desde aí assente, como eu então dei ideia e
depois consegui, que a seguir seria vez de um livro sobre seu pai, o senhor
Luís Sousa da IMO, com o prefácio a ser feito pelo filho mais novo, Rui, e o posfácio
pela neta mais velha, Marta (livro que depois foi patrocinado pelo Instituto de
Estudos Superiores de Fafe, de que era diretora a filha, prof.ª Dulce, que fez
um testemunho pessoal colocado no livro). Assim como esteve projetado um dia
fazer idêntica obra sobre a sua mãe, matriarca da família e professora
histórica da Longra, D. Maria Amélia, e esse livro idealizado teria prefácio do
filho Jorge e posfácio da nora D. Armanda, como professora também, mas a
evolução do destino alterou tal sequência. Entre conversas mantidas com o meu
amigo Tó Pedro, porque também havia em espera um livro, há muito escrito, sobre
seu tio e meu amigo senhor Luís Tomás da Póvoa. Por entre casos que não foram
sendo concretizados em papel impresso, mas isso agora são outras histórias.
Ficando ao menos o que foi possível materializar.
Ainda não há muitos anos, também, no dia do lançamento de um
dos livros de seu irmão Rui, era vivo ainda também o senhor Luís e todos estávamos
de boa saúde, felizmente, pudemos conversar sobre alguns tópicos relacionados,
quando todos juntos ficamos à posteridade numa foto que guardo com muito
carinho e apreço - a foto que encima e termina este texto.
Convém frisar, quanto a ecos por vezes andados pelo ar, que
bem seria interessante fazer muito mais livros, sobre muitas mais pessoas
ligadas a nossos afetos e à história local, mas para publicar livros, depois de
escritos, é preciso haver com quê, não podendo o autor além do trabalho ainda
arcar com mais despesas. Isso por outros motivos e num à parte.
Despedi-me hoje deste meu amigo, como me despedi há anos do
meu irmão Fernando. Mas a recordação vai ser constante.
Até sempre amigo.
Armando Pinto
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