Estando-se, desde este passado domingo 16 de março, no
período celebrativo do bi-centenário do nascimento de Camilo, o grande literato
com mais títulos publicados na literatura portuguesa, além de ter sido o primeiro
escritor português que por sua valia conseguiu primeiro viver da sua obra
literária… E porque aqui como espaço felgueirense,
neste sítio de memória, importa puxar tudo o que reporte temas de ligação
felgueirense… vem ao caso evocar a ligação desse célebre escritor ao
felgueirismo que nos corre na escrita memorialista. Coincidindo até com o
período da Feira do Livro da atualidade felgueirense, por estes
dias.
Assim sendo, desta feita demanda-se da ligação felgueirense
à literatura nacional as letras romanceadas, onde coabitam com enredos e
personagens diversas referências a honrar estes sítios. Com especial relevo num relance de Felgueiras pela obra Camiliana. Sendo Camilo Castelo Branco
expoente do romance nacional, o mais fecundo escritor luso e cultor de estilo
literário por excelência (cuja admiração pessoal nos leva a considerá-lo sem
dúvida o melhor novelista que lemos).
Existem, com efeito, diversas referências em Camilo que nos
tocam, desde a reconstrução histórico-descritiva do incêndio no convento de Santa
Maria de Pombeiro durante as invasões francesas. Passando por outras crónicas
intrometidas pelo meio de saborosas tramas urdidas nas suas histórias
novelistas, como alusão à fixação residencial em Margaride do Padre Casimiro
José Vieira, chefe da Revolta da Maria da Fonte, que por isso para aqui viera
refugiado, acoitando-se na Casa de Samoça e fixando depois residência na casa
da Alegria (ficando mesmo associado ao rompimento da estrada para o monte de
Santa Quitéria). Como também aflorou algumas facetas da vivência local, por
exemplo em “Anos de Prosa”, onde particularmente referiu os namoros duma
Silvina, fidalga de Margaride. Até às menções de Camilo pela narração das
ligações da vida do Zé do Telhado em incursões por terras de Felgueiras, mais
alusões ao Pão-de-Ló de Margaride, Cavacas de Margaride e frisos paisagísticos
por entre nacos de prosa deliciosa.
Disso chegou a ser passado a letra de forma um estudo do
senhor Manuel Bragança sobre a ligação de Camilo a Felgueiras, conforme ele mesmo
referiu numa entrevista ao antigo Jornal de Felgueiras, no tempo em que esse
periódico teve direção do Dr. Miguel Mota e houve fase de grande felgueirismo
nos temas publicados. Ficando ideia que esse estudo então datilografado terá
ficado na Biblioteca Municipal de Felgueiras, junto com outros trabalhos desse tempo,
como umas Achegas para a História de Felgueiras, do Padre Carlos Alves – que Inédito
ficou, entretanto, esse estudo intitulado “Achegas Para Uma Monografia de Felgueiras”,
da autoria do Padre Carlos Alves Vieira, trabalho feito na década de cinquenta
a rogo da Câmara desse tempo, mas não chegou a ser publicado, ficando a
aguardar publicação guardado no cofre do município, contudo de permeio consultado
por autores diversos que lhe citam passagens em textos publicados, entre o
quais o Padre Casimiro da Mata nas suas crónicas publicadas no jornal Notícias
de Felgueiras em inícios da década de sessenta.
Ora nessa ligação a Felgueiras, recorda-se aqui e agora um
artigo publicado no jornal Semanário de Felgueiras, há já uns anos bons, mais precisamente
na respetiva edição semanal de 03 de dezembro de 1999, à sua página 15. De cuja
crónica (porque era extensiva a outros escritores da literatura nacional) se
relembra a parte referente à obra literária Camiliana respeitante a Felgueiras.
Armando Pinto
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