domingo, 30 de março de 2014

Costumes da Quaresma


Passado o período de folias de Carnaval, é tempo quaresmal de sossego até à Páscoa. Época que tradicionalmente comportava noutros tempos, por esta região Felgueirense, alguns costumes relacionados.

 Como se aflorou anteriormente, os excessos de Entrudo provinham de festividades populares de tempos recuados, realizando-se durante a romanização as Lupercais, antes das Calendas de Março, celebradas em honra de Pan, deus dos pastores - relacionando-se a denominação com Lupercus (do latino lobo). Ora esta festa anual estava associada a orgias e outras boémias, pelo que o Papa Gelasio instituiu, em sua substituição, a festa da Purificação ou da Candelária. Não tendo sido, porém, completamente extintos os festejos com os desmandos abusivos do Carnaval, passou depois essa festa religiosa a cingir-se ao dia, como também ficou conhecido, de Nossa Senhora das Candeias.

 Este dia, depois dos populares saberes de "Temperilhos e Remedilhos" (de previsão do tempo, associando o estado de cada dia a um mês respectivo, entre o dia de Santa Luzia, a 13 de Dezembro, e o Natal e, depois, em contagem decrescente desde o 26 de Dezembro até ao dia de Reis, a 6 de Janeiro), servia então o dia da Candelária, a 2 de Fevereiro, também de nova prova meteorológica, qual reforço de confirmação, pois, ao que se dizia, se nesse dia de Nª Sª das Candeias estiver de chuva, na voz do povo «Nossa Senhora a chorar, está o inverno a acabar», significando futuro clima ameno; enquanto que se «estiver a rir (fazendo sol), está o inverno p’ra vir»...que é como quem diz que vai sobrevir tempo invernoso com rigor.

 Assim o período mais reparador passou a verificar-se a partir do dia seguinte à terça-feira de Carnaval, numa espécie de água fria a arrefecer os ímpetos desenfreados. Este tempo começa então pela quarta-feira de cinzas.

 Não se trata, no caso, de nos determos sobre o tempo litúrgico propriamente, ido desde a quarta-feira de cinzas até quinta-feira da Semana Santa, de quarenta dias preparativos para a Páscoa. Apenas alusão sucinta de algumas das antigas tradições locais, como recordação de particularidades populares da maneira de viver noutras eras.

           Posto isso, guardadas as fantasias de Carnaval, chegava o tempo da abstinência, já que durante este período de nada valiam os pagamentos de “bulas” que se faziam para o resto do ano. Pairava ambiente rígido, pela religiosidade vivida, acrescido da preocupação de não se poder comer carne às sextas-feiras durante a Quaresma, chegando-se ao ponto de nas vésperas da abstinência se “escaldarem” as panelas para que não restassem nas mesmas quaisquer restos de gorduras.

           Passado algum tempo de penitência, sensivelmente a meio da Quaresma, possivelmente para atenuar o ambiente, aconteciam alguns cerimoniais de raiz popular. Como a “Serração da velha”, na noite de quarta-feira da terceira semana desse tempo quaresmal. Andanças nocturnas em que os novos iam “asserrear” as mulheres idosas junto às suas portas. Antes ou depois, mais precisamente em Março, no dia do Pai, que calha também dentro do mesmo período (seja baixa ou alta a altura do ano em que se calendarize o Carnaval e a quarentena que se lhe segue), havia ainda a “festa do cuco”, nuns moldes parecidos, apenas com a diferença de incidir directamente aos homens, cujas relações das suas mulheres eram faladas em sentido negativo. Pelo que, na dúvida da paternidade, ao que poderia andar no ar, o referido ritual popular fazia incluir crianças (transportadas com carrinhos de mão), a fim de serem distribuídas, por brincadeira, junto às casas de cuja reputação o povo falava... enquanto com galhofa, os participantes da marosca, sorrateiramente, imitavam o canto dos cucos.

            Lá para o fim deste período antigamente havia, sob o prisma religioso, ainda o rito das imagens dos santos nas igrejas estarem escondidas por panos roxos desde o Domingo de Ramos até ao Sábado de Aleluia, incutindo um espírito muito próprio à habituação do povo.

Nos dias de hoje são apenas assim cobertas as cruzes existentes no interior do templo, durante toda a Quaresma, com excepção de uma que é colocada em destaque junto ao altar-mor, contendo pendente dos braços uma faixa roxa a formar um M. Havendo, ultimamente, também colocação de uma cruz no exterior das igrejas, com uma ou mais faixas roxas, contendo motivos da Paixão Redentora - como ainda se pode ver junto à igreja de Rande, conforme registamos na imagem cimeira.

Época essa, de aproximação à Páscoa, em que noutras eras se realizavam, inclusive, ao ar livre autos da Paixão nalgumas freguesias, perante grande número de assistentes que, quantas vezes, de todos os anos presenciarem ou de quando em vez também participarem, sabiam mesmo de cor os papéis dos declamadores de textos normalmente feitos em versos.

Maneiras de passar o tempo que, entretanto, já passaram à história como celebrações típicas, comuns à região.

(Texto que, com algumas variantes e adaptações, foi entretanto já publicado no jornal Semanário de Felgueiras e noutras publicações, além de estar entre material para um futuro livro, há muito esperando viabilidade...)

Armando Pinto

sexta-feira, 28 de março de 2014

Evocação à memória do Dr. Machado de Matos, carismático presidente do Município Felgueirense


Passa esta sexta-feira a conta de vinte e cinco anos desde o falecimento do Dr. Machado de Matos, o primeiro presidente da Câmara Municipal eleito no concelho de Felgueiras. Permanecendo pelos anos fora como figura de grande respeito e admiração.


Ainda hoje é reconhecido o contributo que José Maria Machado de Matos deu à região, primeiro como opositor ao regime anterior ao 25 de Abril e mais tarde como autarca. Sempre numa conduta a favor da liberdade. Após o 25 de Abril de 1974, Machado de Matos foi nomeado, em 1975, presidente da primeira comissão administrativa do município felgariano, acabando depois por ser eleito em 1976 presidente efetivo e mais tarde reeleito, para a presidência da câmara em listas do Partido Socialista. Havendo permanecido como presidente da câmara até 1985, quando foi eleito presidente da Assembleia Municipal, também pelo PS.

Machado de Matos morreu aos 73 anos de idade, de forma inesperada, na segunda-feira de Páscoa de 1989, vítima de enfarte.

Recordando esse personagem incontornável da história local, referiu-lhe assim o Semanário de Felgueiras, em seu número mais recente: «Com um estilo muito peculiar de estar na vida e na política, participou nas principais instituições de Felgueiras, desde o extinto Futebol Clube de Felgueiras à Santa Casa da Misericórdia, passando pelos Bombeiros Voluntários, dando um importante contributo para o engrandecimento das instituições e do concelho. Advogado de profissão foi sempre o elemento pacificador, o elo da concórdia da família dos bombeiros, formando direções, congregando boas vontades, colaborando na recolha de fundos, dedicando-se às instituições. Desempenhou o cargo de Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Felgueiras entre 1975 e finais de 1976, sendo eleito Presidente para dois mandatos consecutivos em 1976 e 1979. Era considerado um orador brilhante. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Felgueiras de 1986 a 1988. Morreu a 28 de Março de 1989, desempenhando à data o cargo de Presidente da Assembleia Municipal de Felgueiras.»

Na cidade de Felgueiras, foi já há muito tempo atribuído o nome de Machado de Matos ao antigo campo de futebol do F C Felgueiras, como reconhecimento pelo seu aturado trabalho em prol do histórico clube azul-grená, mantendo-se depois o nome, muito justamente, quando o mesmo recinto foi transformado em estádio, atualmente municipal. Mais tarde foi ainda o nome do Dr. Machado atribuído a uma praça interior da cidade, inaugurada recentemente pelo atual presidente do município, eleito pelo PSD.


Na ocasião de sua morte, tendo o autor também se associado ao preito que o então existente jornal Notícias de Felgueiras lhe dedicou, recordamos aqui e agora essa singela mas sentida homenagem vertida em letra de forma: 

(CLICAR sobre os recortes, para ampliar e ler)


Armando Pinto

quarta-feira, 26 de março de 2014

Evocação da tradição Teatral na Longra - em vista do Dia Mundial do Teatro


Nesta fase do ano, vivendo-se o período da Quaresma, era antigamente uso e costume haver, por esta altura do calendário, diversas representações populares de autos da Paixão, num misto de religiosidade e divertimento. E, na proximidade, já com a Primavera a ditar leis, comemora-se neste período, a 27 deste mês de Março, o DIA MUNDIAL DO TEATRO - criado em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro. Uma dotação artística que tem pergaminhos históricos na Longra - como é exemplo a representação ilustrada na imagem cimeira, reportando uma peça de teatro levada à cena no palco da Casa do Povo da Longra em meados dos anos sessentas.

Tal efeméride, da data dedicada mundialmente ao teatro, mais conhecida nos meios cénicos e entre interessados na Arte de Talma, é  assinalada na ideia de não deixar esmorecer o gosto pela representação, além de promover e reforçar essa arte cultural, que desde a antiguidade tem forma de expressão.

Na chegada de mais uma ocasião destas, para assinalar o DIA DO TEATRO e, como homenagem a esta arte que ao longo dos anos tem tido tradição na região que tem a Longra como centro cultural, evocamos algumas recordações alusivas, na senda do que há alguns anos aludimos aquando da escrita do livro publicado sobre a história do Teatro da Casa do Povo da Longra.


Assim, lembrando a obra de muitos e bons personagens  que se entregaram e se têm dedicado a tão nobre causa, eis um breve resumo da memória cénica que ciranda em tablados dos palcos da Longra, entremeado por entre uma resenha histórica do teatro em Felgueiras, conforme texto escrito pelo autor há já alguns anos e que, agora, aqui se reproduz:

Teatro Amador em Felgueiras

Decorrendo desde 1999, no Teatro Municipal de Felgueiras, um anual Encontro Teatral da responsabilidade municipal (na tradicional casa de teatro de Felgueiras, antigo Cine-Teatro Fonseca Moreira, atualmente chamada Casa da Artes), será pertinente associarem-se estas anotações revivalistas a alguma tradição da arte dramática havida nesta região, para mais uma alusão retrospetiva.

Subindo então o pano, em pancadas de Moliére frisa-se que, no caso, se trata apenas de recordar de passagem algo do que temos conhecimento relativo a essa arte recreativa, ao longo dos tempos. Evitando delongas sobre outras “comédias”. Indo ao cerne da questão, propriamente, vem mesmo de longa data a ligação do povo de Felgueiras à representação pública, desde remotos tempos em que se realizavam autos populares ao ar livre, até às récitas de amadores que ainda são recordadas passados muitos e muitos anos.
Efetivamente realizaram-se noutros tempos, em diversas freguesias, autos populares de cariz religioso, sobretudo. Pela falta de outros passatempos, o povo folgava com o que podia e, assim, eram muito frequentados tais antigos espetáculos, em especial nas quadras do ano, como autos da Natividade e da Paixão - de que servem de exemplo pormenores descritos no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”. No mesmo género, e na freguesia de que temos melhor conhecimento, obviamente, depois disso também se fizeram ainda autos tradicionais na Casa do Clube, em Rande. Também no início do século a então vila de Felgueiras desfrutou da existência da Troupe Dramática Felgueirense (registada no Dicionário Histórico de Portugal, de 1907). Mais tarde, ainda na primeira década desse século XX, existiram na zona sul do concelho representações públicas com fins beneficentes, através de denominado Grupo Dramático-musical do Instituto Escolar da Longra (de que há, pelo menos, notícia escrita de um espetáculo realizado em 1918, conforme registamos também no livro referido). Já nos anos vinte, do mesmo século passado, houve um outro grupo organizado, cujos ensaios tinham lugar no barracão da fábrica velha do Largo da Longra, com apresentações em público na mata do Sambeito, chamado Teatro José Xavier. Tempos depois essa “veia” teve sequência no Grupo Cénico da Associação Pró-Longra, com a integração do antigo agrupamento na então novel coletividade criada em 1928. Entretanto surgira um grupo na vila de Felgueiras, liderado por António José da Fonseca Moreira após o seu regresso do Brasil. Aliás a Casa de Teatro de Felgueiras inclusive foi inaugurada, em 1921, com peça teatral “Feitiço contra feiticeiro” da autoria do próprio Fonseca Moreira.
Entre diversas experiências teatrais posteriores, houve também na área sul do concelho um denominado Grupo Dramático Amigos da Longra, em 1933/34, e o Grupo Cénico Amador Amigos da Longra, este desde 1943. Tudo experiências em que se salientou sempre o cunho artístico de José Xavier, quer como ator ou no comando das operações, em que se salientaram entre essas diferentes gerações alguns bons exemplos de representação em palco, como o Dr. Alexandre Abreu e Adriano Castro.

= Aspeto parcial da assistência, com crianças de idade escolar, à época, em sessão de teatro dedicada às crianças das escolas da região da Longra, englobando as freguesias de Rande, Sernande, Pedreira, Varziela, Unhão, Lordelo e Airães, na antiga sala de espetáculos da mesma casa.

Em 1949 houve em Jugueiros um Grupo Cénico integrante da respetiva Casa do Povo, que durou algum tempo. Também por esse tempo, de finais dos anos quarenta a princípios da década de cinquenta, havia na Lixa o Grupo Cénico dos Bombeiros Voluntários da Lixa (como secção pertencente a essa associação, junto com uma filarmónica adstrita à mesma Corporação), grupo esse conterrâneo de um outro grupo cénico, existente também desde finais da década de quarenta a princípios dos anos cinquenta, o Melodramático Lixense Club, que realizou récitas na Lixa, em Felgueiras e na Longra. Bem como, em meados da mesma década dos anos cinquenta, houve uma episódica existência teatral no Unhão, por meio de cenas representadas em palcos montados ao ar livre no terreiro do antigo Hospital da Misericórdia do Unhão. E em finais da mesma década de cinquenta novo movimento se gerou novamente na então Povoação da Longra, por meio de famoso Grupo Cénico da Casa do Povo da Longra, o qual se veio a desfazer sensivelmente em 1964. Contemporâneo de grupo ligado à Comunidade Vicentina de Santa Quitéria, o qual por essa época realizou espetáculos em Felgueiras e na Longra. Ainda na década de cinquenta exibiu-se o Grupo Cénico do Centro de Recreio Popular de Barrosas, numa atividade resistente de alguns anos. Outrotanto, mais para finais da década de sessenta, existiu na sede do concelho o Grupo de Amadores de Felgueiras, a que ficou sobretudo ligado o cunho de Fernando Lira, na linha hereditária de seu pai, já que, anteriormente, esse sempre recordado Constantino Lira fora um “mestre” da Arte de Talma que fez escola na vila de décadas passadas. De tempos menos distantes há que registar existência de curta duração de grupo de teatro em Airães, nos inícios da década de 70; e novo ciclo Longrino com o “Haver” do Centro Cultural e Recreativo da Longra, existente na prática de 1977 a 80, embora ainda não dissolvido oficialmente (mantendo-se em vigor os estatutos escriturados e faltando prestação de contas, para a natural dissolução, ultrapassados tantos anos...). Passada uma década foi a vez do Grupo Infanto-juvenil de Teatro do Futebol Clube da Longra, surgido em sequência de Programa de Apoio ao Associativismo Jovem na Ocupação de Férias, em 1990. Seguiu-se o Grupo Infantil de Teatro da Casa do Povo da Longra, em 1995, depois suspenso e fundido volvido um ano como Grupo de Teatro da Associação da Casa do Povo da Longra, instituído em Junho de 1996, o qual integrando jovens e adultos teve a sua estreia em espetáculo de 14 de Dezembro do mesmo ano, mantendo-se presentemente em atividade regular. Grupo que a partir de 2004 passou a organizar, por norma de dois em dois anos, o Encontro de Teatro da Associação Casa do Povo da Longra (embora em 2008, pelo menos, devido a desentendidos da Direção da Associação nessa época, a realização não contasse com a participação do grupo da casa, sendo presidido pela referida mesa diretiva da Casa do Povo). Entretanto surgira com vínculo municipal o Teatro-Oficina Fonseca Moreira, em 1998, no qual se salientou Fernando Maia. Através do qual a Câmara Municipal, desde 1999, foi realizando o anual Encontro de Teatro de Felgueiras (como se referiu, logo no início desta crónica). E posteriormente, em 2002, com a abertura do Centro Paroquial respetivo, também, o Grupo de Teatro da Pedreira apareceu em cena. Como em 2004 se estreou na ribalta de Felgueiras o Grupo de Teatro Pés na Lua, por via do entusiasmo de Cristiana Rodrigues. Assim como em 2008, graças à iniciativa do P.e Benjamim e ao empenho do escritor Nuno Higino, nas suas vertentes de autor e encenador teatral, foi criado o Teatro Infantil Maçã Vermelha, ligado à Paróquia de Margaride. Até que, no mesmo ano, surgiu o Grupo de Teatro MacPiremo, das paróquias de Macieira da Lixa, Pinheiro, Moure e Refontoura.

= Elementos do Grupo de Teatro da Casa do Povo da Longra em desfile de Halloween pelas ruas da Longra, nos inícios da organização genuína da Noite das Bruxas que se enraizou mais tarde noutros moldes.=

Há assim, com efeito, tradição da arte dramática nesta região felgueirense, podendo até ter eventualmente havido mais casos - de que não chegaram ao nosso conhecimento notícias escritas ou por via oral. Importa contudo vincar a apetência conterrânea por esta diversão artística sempre muito apreciada localmente, entre outros valores culturais dignos de nota. Que, como tal, se procura memorizar neste espaço de evocações, pois tudo o que tenha feito parte e seja da habituação do povo será sempre de recordar. Contando que isto de tradições vai muito para lá de usos e costumes com sabor popular de eras distantes por demais.

Animação Cultural da Longra

Na comédia da vida, em busca da defesa de tradições e afeições, ainda vai havendo movimentos associativos vocacionados a catalisar dedicação a causas públicas, visando uma maior união em torno de valores próprios da identidade de uma região, a propósito de passatempo e enriquecimento cultural da população em geral.
É o que se passa na Longra, antiga povoação e atual centro da vila de seu nome, de tradições culturais individuais e coletivas, onde emerge a Associação da Casa do Povo da Longra – que, através das suas secções de Folclore, Teatro e Cicloturismo, dá mais vida à área de ação em que se revêm as terras circunvizinhas.

= Presépio monumental, construído na Casa do Povo da Longra durante a quadra de Natal de 1999, através de mais uma organização do Grupo de Teatro da instituição-sede. Na imagem vêm-se os autores, também, da respetiva edificação artística. =

Ora, tendo a Longra, centro da região sul do concelho, conhecidas tradições de animação social desde tempos remotos, sentiu de há anos a esta parte tentativas de revitalização desses pergaminhos, após tempos de estagnação coletiva. De que resultou, na esteira de agrupamentos antepassados, após reabertura acontecida em 1994, existirem presentemente na Casa do Povo da Longra, no âmbito da animação cultural, o Rancho Infantil e Juvenil e sua extensão do Grupo de Cavaquinhos, mais o Grupo de Teatro, nessa senda.
O Grupo de Teatro da Casa do Povo da Longra pode até vangloriar-se de ser o agrupamento cénico mais antigo do concelho, pese a sua relativamente curta existência na atual fase organizativa. Com efeito, desde Junho de 1996 que se mantém a atividade do atual agrupamento comediante, na mais recente versão da atividade dramática que deu sequência a anteriores coletividades do mesmo ramo artístico, juntando naipe de jovens e elementos adultos, através de cuja união se formou um conjunto coeso no mesmo denominador comum da arte de Talma.

 
= Uma das actuações do Grupo de Teatro da Associação Casa do Povo da Longra, no momento de representação no âmbito do programa comemorativo dos 60 anos da instituição-sede, em 1999. =

Armando Pinto
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segunda-feira, 24 de março de 2014

Histórica Efeméride da Longra, na Agenda Cultural Felgueirense


Perfaz este ano, no próximo mês de Maio, a data centenária da inauguração da chegada do comboio à Longra.

Tão histórica efeméride, da primeira entrada do comboio em terras de Felgueiras, com efeito, ocorre no próximo dia 10 do mês das flores e dos amores. Sendo então, como tal, oportunidade de se reviver in loco como o povo se juntou a festejar a chegada do comboio à estação da Longra, logo a seguir à ponte, no lugar que, por isso, desde esse tempo passou a ser conhecido pelo nome de lugar da estação…

Pois esse evento está já devidamente incluído na Agenda de 2014 do Município de Felgueiras, entretanto já publicada, e da interessante ocorrência se regista a lembrança, para a qual o autor teve a honra de ceder algumas fotos, das imagens constantes do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, editado em 1997 (no qual está historiada, com um capítulo próprio, a existência dessa linha férrea que teve estação na ao tempo povoação da Longra e na então vila de Felgueiras), recorde-se; bem como gravuras dessa época ainda integrantes noutro livro, da “Elevação da Longra a Vila”, publicado em 2003.


Armando Pinto

sábado, 22 de março de 2014

Curiosidades - Usos e costumes de outros tempos: o papel de louceiro e as "limpezas da Páscoa"


Em tempos de deitar mão a tudo o que fosse possível, sem grandes despesas mas com bom gosto, devido às condições de vida da generalidade das pessoas em eras recuadas, também, houve, entre diversas maneiras populares, o uso de papel decorativo para embelezar o ambiente doméstico.

Tal derivava da necessidade de forrar prateleiras e ao mesmo tempo decorar essas e outras estantes de uso caseiro. Sendo normalmente coladas tiras de papel recortado, para o efeito, quer cortado de modo rendilhado, em casa, por processos pessoais, através de páginas de jornal, então de grande formato, ou embrulho com cores garridas, ou ainda por meio de papel apropriado, comprado com esse fim.


Porque vulgarmente era colocado nas prateleiras dos louceiros, de guarda da louça da cozinha e limpezas, móveis esses normalmente suspensos nas paredes, para que a bicharada lhes não chegasse, o referido padrão de papel decorativo era vulgarmente chamado por papel de louceiro – conforme se pode vislumbrar dois exemplos parcelares, nas imagens aqui colocadas.  Constando esses papeis alvo entre as curiosidades narradas num dos contos do livro “Sorrisos de Pensamento”, na descrição da Loja da Ramadinha da Longra… como se pode rever no separador da barra lateral direita deste blogue.

Esses resguardos de papel, como estavam sujeitos aos efeitos da fumarada do ar das cozinhas e mesmo pelas rodas de conversa nos serões de fumadores, entre familiares e amigos, eram anualmente mudados, sendo habitualmente substituídos por novos aquando das limpezas da Páscoa – quando, para receção festiva ao Compasso Pascal, se aproveitava para arejar e limpar as casas, na chegada da Primavera.

Armando Pinto

sábado, 8 de março de 2014

Tributo a um antigo Ás da bola felgueirense – em mais um artigo evocativo no Semanário de Felgueiras.


A vida sempre tem de continuar, mas tem também momentos de reflexão e consequentemente proporciona ocasiões de tributação valorizável, quanto a homenagear algo ou alguém que de alguma forma fez parte da vida que conhecemos e partilhamos.

Nesse prisma, de valorização da memória coletiva, prestamos desta feita uma homenagem pública através de mais uma das normais crónicas no Semanário de Felgueiras. De cuja mensagem para aqui se transporta o que transmitimos no respetivo artigo, do qual postamos a coluna impressa no jornal, à página 10 da edição desta sexta-feira dia 7 de Março.

(CLICAR sobre o recorte digitalizado, para ampliar)

Do mesmo, para mais fácil leitura, colocamos seguidamente o texto original:

Barnabé: antigo guarda-redes do panteão memorial felgueirense


Na azáfama da vida vão surgindo, por vezes, dias que são noite, no vislumbre de quão curto e passageiro é o trajeto que percorremos neste mundo. Sobretudo em lembrar como toda a nossa vivência é ligeira, no sentido da relativa brevidade, olhando-se para trás e vendo que muitas de nossas referências vão desaparecendo, na voragem dos tempos. Ora, como no inverno os dias pequenos provocam certa nostalgia e acabrunhamento, também o entardecer da vida desencadeia certo abatimento, no diferente modo de ver as coisas. Tal o que sentimos sempre que desaparecem pessoas que estimamos e admiramos, além naturalmente de entes queridos e amigos, também daqueles personagens que em momentos da vida vimos com idealismo e admiração, como figuras públicas afinal.

Pois um destes dias desapareceu do número dos vivos mais um senhor conhecido da comunidade felgueirense, entre mais naturalmente, no caso por quanto representou em determinada época para a chamada mística felgueirista, como elemento importante que foi nos tempos da implantação clubista do futebol em Felgueiras. Sabendo-se como o desporto-rei sempre foi importante veículo de promoção e desenvolvimento local, bem como elo especial de unidade bairrista. Tendo falecido recentemente o Barnabé, famoso guarda-redes de antigos tempos do futebol associativo em Felgueiras, de quando os jogos da bola começaram a despertar maior interesse e paixão e a gerar afluência de multidões. Um nome entre mais referenciais num felgueirismo sem parangonas na comunicação nacional, mas com direito a uma verdadeira recordação, quão mentalmente seja o panteão da memória felgueirense.


Com efeito, Barnabé expirou na quinta-feira dia 20 deste mês de Fevereiro, depressa se espalhando a notícia de sua morte. Não tanto pelo nome afixado nos avisos necrológicos, mas pelo cognome com que ficou conhecido. Ficando a saber-se que falecera António Joaquim da Costa, como era o verdadeiro nome completo desse senhor mais conhecido por Barnabé. Desaparecido do número dos vivos aos 78 anos, num dia pardacento de Fevereiro, em que, como diz um ditote popular, sendo pela época de S. Matias, as noites são iguais aos dias. E a notícia tocou em quem o conheceu, sobretudo por ter sido precisamente figura pública em seus tempos áureos de guardião da camisola nº 1 do F C Felgueiras. A pontos de seu nome ter andado em cantilenas que ficaram no ouvido, como, era o autor desta lembrança ainda menino e moço, por inícios da década de sessenta, e entre atentos e interessados adeptos felgueirenses se cantava, em momentos vitoriosos da equipa do Felgueiras: “O Barnabé defende a bola / Ele não tem medo / De sujar a camisola…”!


Barnabé jogou em tempos da primeira conquista regional do antigo Felgueiras, alinhando então ao lado de nomes que fizeram história entre os simpatizantes do histórico Felgueiras, como Pimenta, Sabú, Mamede, Mendes, Roda, Cardoso, Augusto, etc. Havendo depois passado a representar o Lixa, numa transferência de grande impacto pela rivalidade existente. Passou ele então a ser cobrador na empresa de camionetas da Lixa, numa feição simpática que faz lembrar ainda essa antiga função, da cobrança através de bilhetes que cortava e entregava aos passageiros, a troco de pagamento logo guardado na sacola de couro pendente a tiracolo. Como nos recordamos de o ver no trajeto da carreira para Caíde, parando sempre na Longra para colocar os sacos do correio no tejadilho, com uma vista nesses volumes de serapilheira e outra nos moços que num ápice se agarravam à escada articulada das traseiras de tais ronceiros veículos. Ficando ele, mesmo assim, ligado às recordações felgueiristas por ter jogado pelas cores lixenses na finalíssima que, em 1965, levou à primeira subida de divisão do F C Felgueiras.

Parece que foi ontem, mas já passaram muitos anos. Os catraios desses tempos tinham o Barnabé como alguém fora do comum, enquanto jogador do Felgueiras, por defender bem aquela baliza grande que víamos no campo da Rebela. Mais tarde conhecemo-lo melhor, em interessantes contactos pessoais, quando o sr. Barnabé ia à Casa do Povo da Longra assistir aos ensaios e espetáculos do Rancho criado pelo autor destas linhas, porque um dos seus netos fez parte do plantel folclórico dos primeiros passos desse agrupamento. E, tal qual diante dum quadro ou imagem, qual recordação, só não se compreende o que não se sente, como bem sentimos consideração devida a esse antigo ídolo das assistências entusiastas às tardes de bola em Felgueiras, in illo tempore.

Armando Pinto

terça-feira, 4 de março de 2014

Carnaval / 2014: Corso Carnavalesco da Longra


Numa amena tarde chuvosa, do  inverno que não tem querido largar o ambiente desta zona sousã, decorreu em tons festivos e semblantes animados o tradicional Corso Carnavalesco Longrino, numa organização que primou pela continuidade de tal louvável realização, dentro dos moldes já usuais, mas sempre interessantes e apelativos. 

Pese as contrariedades meteorológicas, cujos efeitos afastaram algum público, teve contudo assinalável afluência o cortejo decorrido na tarde deste dia de Carnaval, na Longra, perante número condigno de participantes que quiseram, mais uma vez, correr o entrudo.

Melhor que muito fraseado, mais, aqui ficam algumas imagens a descrever visualmente esta ocorrência que faz parte dos bons hábitos anuais da região.

(CLICAR sobre as fotos, para AMPLIAR)

© AP –  C/ direitos e créditos: blogue “Longra Histórico-Literária”
Armando Pinto

sábado, 1 de março de 2014

Recordações - Largo da Longra e tradições associadas...

( © Direitos reservados, com créditos ao autor e obra. )

Terra de tradições, que sempre pulsou em volta do central Largo da Longra, a antiga povoação e atual vila da Longra é pólo cultural e confluência de atenções, com direitos históricos - conforme reza a história, atestada na literatura historiadora da região.

A.P.

= Foto do arquivo do autor, incluída no livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras", publicado em 1997. Cujo original, presentemente, está emoldurado em quadro do escritório-gabinete doméstico do autor. =