Espaço de atividade literária pública e memória cronista

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O senhor Pereira do lugar das Quatro Barrocas!

Com a criação do "Grupo Colegas de Escola e Amigos",  grupo de amigos, de homens e mulheres, de conhecimentos pessoais da Longra e arredores, para um convívio anual de colegas de diversas gerações com ligações comuns (quão é uma realidade desde algum tempo e teve maior impacto a partir do ano passado), começaram a vir à flor da pele das lembranças certas sensações recordatórias. Visto muita da gente desse reencontro, antes disso, nem se ter encontrado durante largos anos, havendo passado muito tempo sem se verem, por via das transformações da vida e deslocações por outros locais de residências. Derivando desse avivar de afinidades as memórias comuns que ligam o presente ao passado, em factos e pessoas de boa memória. O que fez vir à tona dos pensamentos aqui do autor deste blogue a ideia de lembrar, por escrito e através deste meio da blogosfera, alguns personagens do passado da região e de algum modo relacionados com a idealização da memória local. Sendo desta feita também vez de lembrar o senhor Américo Pereira, que na Longra viveu no antigo lugar das Quatro Barrocas, sítio hoje da chamada Rua das Cortes Novas. O senhor Pereira que neste blogue já tinha sido lembrado antes, aquando de um aniversário de seu falecimento, sendo agora relembrado na linha de rememoração de pessoas que foram figuras públicas e populares entre amigos e conhecidos da Longra.

Recuam no tempo as rememorações que vêm à testa do pensamento, lembrando quando ali nos caminhos das Quatro Barrocas da Longra brincávamos em magotes de amigos, entre crianças da Longra e arredores, juntando-nos todos lá no cruzamento das Alminhas, por norma, sem ninguém precisar de combinar nada, pois todos sabíamos que ali era local de encontro. Onde, em grande parte do dia, eramos livres como passarinhos. E também ali à beira vivia o senhor Pereira e a D. Isaurinha Cardoso, pais do Zezé, o meu amigo Zé Pereira. Ali brincando eu também com ele, mais o Rosário, o meu irmão Fernando, também o Fernando e o Quim da Angelininha, como ainda outros, dos quais me lembro bem (mas não  menciono porque teria de os referir pelos apelidos populares, para melhor identificação), entre cujo grupo depois se foram juntando alguns mais novos, entre os quais o Lino e o Tó Jó. Assim como umas vezes por outras apareciam também outros mais esporádicos como, por exemplo, o Tó Pedro e o Alexandre Abreu. Tal como nas férias escolares se juntavam ainda alguns vindos de fora, para passarem algum tempo em casa de avós ou tios, por exemplo. Assim como outros amigos da escola da Longra que também se juntavam sempre que podiam. E, todos nós, de permeio com jogos e corridas, quando podíamos aproveitávamos também para entrar em casa do amigo Zezé e então vermos alguma coisa na televisão da casa do senhor Pereira, sempre sob o sorriso simpático da D. Isaurinha, ainda prima da minha mãe, salvo erro em terceiro ou quarto grau. Tendo nós esse senhor Pereira como alguém que metia respeito e era algo especial, como quando ele gravou as cantigas do Rancho Folclórico da Longra aquando do São João das Quatro Barrocas, o que depois nos fez ficar admirados, interrompendo as brincadeiras, ficando mesmo quietos e calados a ouvir, quando ele pôs aquilo a tocar desde a janela de sua casa. Isso e tanta coisa mais, numa infinidade de boas lembranças desses bons tempos.

É esse o senhor Pereira que aqui e agora é tempo de recordar. O amigo senhor Américo Pereira que foi figura pública da Longra e conhecido homem das obras municipais de Felgueiras nos anos 50 e 60, do século XX. Em tempos deveras associado à vida concelhia como responsável do setor de obras na era de Presidentes da Câmara como o Dr. José Leal Faria (nos últimos tempos de sua presidência), Dr. Dias da Cunha, Dr. António Leal de Faria, Dr. Dias Ribeiro e ainda do Dr. José de Barros (em parte de sua presidência). Além de pessoa culta, grande colecionador de discos de vinil com música portuguesa de sua preferência e inovador de meios informáticos de tempos antigos na região. Tanto que teve em sua casa o primeiro aparelho de televisão na Longra, onde causou sensação nesse tempo com a montagem da sua grande antena para a captação televisiva, erigida no quintal da casa, quando nada disso ainda havia pela região. Mais tarde ficou também ligado ao surgimento e continuação nos primeiros tempos da Rádio Felgueiras. Como, sobretudo era amigo de seus amigos. E fomos amigos. 

Américo Soares da Silva Pereira, nascido em 1925 no Padrão da Légua, Leça do Balio-Matosinhos, passou a viver na Longra, concelho de Felgueiras, nos inícios dos anos 50, onde veio a falecer a 8 de maio de 1994.

Comungando ambos grande paixão pelo Futebol Clube do Porto, eu e ele, como ele sabia eu ser portista ainda em criança, por então já ser muito amigo e colega de brincadeiras de seu filho mais velho, como depois pelos anos adiante sempre frequentei muito sua casa na convivência com todos os seus filhos, Zé, Belinha e Lino, em sua casa quantas vezes ouvimos os relatos dos jogos do Porto e apreciei como ele vibrava em tudo com seu vozeirão. Tal como ainda o acompanhei também numas das suas idas de carro à procura de locais de passagens da Volta a Portugal em bicicleta, para vermos passar os ciclistas do F. C. Porto. Antes ainda, como o sr. Pereira era também grande aficionado pelo Futebol Clube de Felgueiras, ficou ligado à primeira subida de Divisão do clube azul-grená felgueirense, em julho de 1965, por ter proporcionado um género de estágio aos jogadores felgueiristas antes da finalíssima com o F. C. Lixa, que levou à ascensão d’ “o Felgueiras” da então 3.ª Divisão à 2.ª Distrital da Associação de Futebol do Porto. Sendo deveras conhecida sua presença nos jogos do campo da Rebela (depois chamado campo Dr. Machado de Matos e muito mais tarde com o mesmo nome já transformado em estádio), sentado num banquinho que levava sempre, visto nesse tempo a assistência do público ser em pé no então campo de terra do Felgueiras, onde ele se colocava junto ao ferro de separação, normalmente. E por vezes ainda levava alguns jovens da Longra a ver jogos do Felgueiras fora de casa. Era grande admirador do Sabú, sendo famosas as suas chamadas de apoio ao "Sabuzinho", com sua voz forte. Como na época do treinador-jogador Caiçara acompanhou a equipa para todo o lado. Tendo merecido bem algumas fotos que no fim das respetivas épocas recebia, com as equipas das históricas subidas.

= Equipas do FC Felgueiras de 1964/1965 e 1965/1966

Volvidos anos, quando passou a seguir mais assiduamente os jogos do Porto, no Estádio das Antas e em pleno entusiasmo do tempo do treinador Pedroto, sobretudo, era também bem conhecida sua voz potente a puxar pelo Frasco, médio organizador de jogo do FC Porto, chamando-lhe "fanéquinha", em tom de incentivo, por ser de Matosinhos, terra de peixe pescado e concelho de onde um e outro eram oriundos. 

Assim sendo e na calha extensiva, recordamos aqui o amigo sr. Américo Pereira da Longra, com lembrança da notícia que ao tempo foi escrita por este seu amigo (juntando mais alguns dados fornecidos pelo propoprietário do jornal) e publicada no Notícias de Felgueiras, edição de 12 de maio desse ano de 1994.

Sobre ele depois ficou exarado pessoalmente, também, algo no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” (publicado em 1997), aludindo alguns factos relacionados.


Armando Pinto

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Atendendo ao ditado antigo... estará este inverno (de 2026) para acabar...?

 

Hoje é dia de Nossa Senhora das Candeias. Dia de fazer previsão meteorológica, de antevisão ao tempo futuro, na tradição popular, se pelo dia Nossa Senhora estiver a rir ou chorar. Pois é dia em que, segundo o ditado popular, se estiver de sol (ou seja Nossa Senhora a rir), está o inverno para vir... E, pelo contrário, se estiver de chuva, a chorar, está a acabar... Ora, como hoje e na linha dos dias recentes, tem estado um dia chuvoso, a calhar ser dada razão ao velho aforisma que na tradição oral já de nossos avós vem, vamos então proximamente ter dias melhores e um inverno menos rigoroso.

E esta hem?!

A propósito, recorde-se um dos anteriores artigos de lembranças assim relembradas, noutros anos, avivando o que se anotou num exemplo sobre o Dia das Candeias, também neste dia e aqui neste blogue de partilha memorial.


Candeias do Tempo…! 

Chegado Fevereiro, no mando da tradição com tempo até muito próprio, pois sendo “chuvoso faz o ano formoso”, logo entra a conta das Candeias, a 2 de Fevereiro, na passagem do dia de Nossa Senhora das Candeias. Como tradicionalmente se designa essa data litúrgica da apresentação do Senhor ou da Purificação de Nossa Senhora Mãe de Deus.

Uma época que, devido ao Carnaval ser uma festividade de data móvel, calhando tanto no início, como a meio ou final do mês, se confunde com essa fase, derivada como terá sido de festividades populares de tempos recuados. Sabendo-se disso por se haverem realizado durante a romanização as Lupercais, antes das Calendas de Março, celebradas em honra de Pan, deus dos pastores - relacionando-se a denominação com Lupercus (do latino lobo). Ora esta festa anual estava associada a orgias e outras boémias, pelo que o Papa Gelásio instituiu, em sua substituição, a festa da Purificação ou da Candelária. Não tendo sido, porém, completamente extintos os festejos com os desmandos abusivos do Carnaval, passou depois essa festa religiosa a cingir-se ao dia, como ficou mais conhecido, de Nossa Senhora das Candeias. 

Em dia das Candeias “se (havendo dia chuvoso) Nossa Senhora está a chorar, está o inverno a acabar; se (perante tempo de sol) estiver a rir, está o inverno p’ra vir”, diz a voz popular, dos saberes antigos. Isto segundo o calendário rifoneiro, das fases descritas através de rifões com que a sabedoria popular impregnou os elementos naturais do quotidiano social.

= Nossa Senhora das Candeias ou Rainha da Paz – como em Rande está representada na estatuária paroquial (vendo-se a imagem de Nª Senhora sobre andor, aquando de procissão da festa de S. Tiago de Rande).= 

Eis-nos então neste tempo, de início de Fevereiro e em plena Candelária. As candeias, que, pese tantas transformações operadas na vida normal da sociedade comum e com a religiosidade a ficar algo aquém de antigos hábitos, permanece na memória duma época de afeições, dum tempo romântico aos olhos de nossas recordações. Tal as lembranças que afloram, ao autor destas linhas, sobre tempos da missa das Candeias e, por extensão, do afago de nossa mãe… 

Um destes dias, numa daquelas ocasiões em que nos deixamos levar por pensamentos, nas asas do tempo – em devaneios, até que… zás! – demos connosco a pensar em tempos de infância, quando ia pela mão de minha mãe à igreja e à sua beira ficava, lá no meio, enquanto ela me sussurrava ao ouvido orações, que me entravam com encanto no mais íntimo do ser. Ali, com ela a rodear-me em seus braços, enquanto me ensinava a orar – além de assim, também, me ter à sua beira, para não estar junto aos outros moços, alguns por acaso normal sempre com os sentidos noutros lados e modos. E dei comigo a experimentar como sinto falta, agora, de me achar bem junto à minha mãe, de como tenho saudades dela. Já passaram muitos anos, coisa de um quarto de século, desde que perdemos sua presença física. Mas parece que foi ontem ainda que nos sentíamos abraçados no encosto de seus sussurros carinhosos, ali na igreja, como nos ensinamentos de vida que nos foi dando. E lá veio à mente a missa das candeias, por ser dum tempo marcante, decorrendo o inverno, como agora. Íamos logo pela manhã cedo, com o corpo a tentar espantar o frio, ainda a noite dominava o horizonte de breu, perante o caminho alumiado por lanternas, tal a escuridão (também coisa que volta ao panorama, nos dias que correm com as poupanças atuais em luz pública, enquanto nas altas esfera do poder continua um forrobodó…); e, então naquele tempo, chegados ao templo, resplandecia um ambiente de luz das muitas velas e lâmpadas espalhadas, mais um odor de incenso que se elevava no ar. Ficando-nos, para sempre, na retina memorial, essas manhãs das Candeias, em tais dias, daqueles que tivemos nossa mãe a envolver-nos… ternamente. E, até parecendo, apesar da penumbra do alvorecer da manhã, sem ter rompido ainda o sol, que nossa senhora sorria…! 

Armando Pinto

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Livro "Tomás Gonçalo: Em passeio no tempo afetivo" - dedicado ao meu sobrinho-neto especial!

Livro publicado pela Páscoa de 2024, oferecido ao meu sobrinho-neto Tomás:


"Tomás Gonçalo: Em passeio no tempo afetivo" 

- dedicado ao meu sobrinho-neto especial!


(Capa com duas fotos)

e páginas a partir da 1 até 44 


Armando Pinto

  

Tomás Gonçalo: Em passeio no tempo afetivo!


 

= Edição particular do autor, com tiragem restrita de 15 exemplares, autenticados manualmente:

 

(foto) 

 Livro dedicado ao Tomás… para distribuição familiar.

 

= 2024 =

 

(foto) 

Ao Tomás:

- Dedico e ofereço este livro, pelo tempo de entrada na fase inicial do trabalho profissional e de tua maioridade,

Evocando tempos em que te vi e senti crescer, comigo.

O teu tio Armando.

 

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Ao Tomás Gonçalo:

Em jeito de conversa, com um tempo de recordação a povoar afetos e voando nas asas das lembranças, quão o tempo voa, aqui ficam escritas algumas linhas saídas bem de dentro, para fora do tempo. De modo a ficarem no sentimento comum. Como é isto de gostarmos de alguém, tanto como há muito tempo me senti ligado ao Tomás e sou desde que ele entrou nas nossas vidas.

Ora, como há muito tempo, também, aos meus filhos dediquei a cada um, individual e particularmente, um conto no meu livro de contos “Sorrisos de Pensamento”; e à Mariana, sobrinha-neta que cresceu em nossa casa, dediquei um outro conto naquele mesmo meu livro, entre lembranças dispersas como o título encarna; e depois ainda alonguei essa ideia mais em livros, dedicados aos meus quatro netos; agora, desta feita, é vez de puxar pela sensibilidade que representa o apego amigo ao Tomás, meu sobrinho-neto que ajudei a criar e vi crescer: O meu menino, como era quando nasceu e foi crescendo. Já então os meus filhos eram crescidos. E agora como tenho mais os meus netos, o Tomás ainda continua a ser um dos meus meninos, mesmo já homem feito, contudo vendo-o com os olhos de sempre, a saltitar na retina da memória, qual vista ligada ao coração.

Nascido a 13 de novembro de 2004, com nome completo Tomás Gonçalo Carvalho Sampaio Marques, o Tomás fez parte de nossa família desde o seu primeiro dia. Tendo então a nossa família estado bem presente na ocasião, com a Clara lá no Hospital de Penafiel, onde trabalhava ao tempo e o Tiago veio ao mundo (embora depois fosse registado em Felgueiras). E logo eu tendo ficado a saber da notícia, quando depois o Tomás foi tomado nos braços da já sua tia Linda, como ficou fixado em fotografia coeva.

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~~~ ***** ~~~

Tomás!

Quando eu um dia ao sair do emprego, ao final dum dia de trabalho, dei comigo nesse fim de tarde a não ir ao café para me encontrar com amigos, como era costume, onde nos reuníamos numa mesa em que diariamente nos juntávamos, e então fui direto à nossa loja para estar com meu sobrinho-neto, senti que gostava já muito daquele miúdo, o meu menino, como eu dizia – o Tomás Gonçalo.

E lá estava ele, sempre à minha espera com aqueles olhinhos de desejo para me abraçar. E depois de apertado abraço de um com o outro, bem contra o outro, peito com peito e cara com cara, aos beijos e abraços, logo que pegava nele ao colo, ansioso por aproveitar cada segundo que se seguiria, finalmente, ele me pegava e agarrando na mão logo dizia: - vamos passear. E lá íamos então porta fora e estrada acima ou abaixo, pela berma, a conversar. Ele farto de estar tanto tempo dentro de paredes, como obviamente estivera antes, e eu a precisar de espairecer e sentir à larga algo assim diferente, dando de mim o que queria tanto dar.

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Acontecia isso quando tínhamos a loja, a Casa Linda, gerida e mantida pela Linda, onde tinha estado com a tia durante o dia o Tomás, por quem ela olhava, como se diz, enquanto os pais dele trabalhavam em seus empregos. Onde ele ficava quando ela estava na loja (de venda de diversificados artigos), quando não em nossa casa, quando estávamos em casa. Tal como antes criara praticamente a Mariana, e então o Tomás também, de seguida e conjuntamente. O Nuno e a Clara, nossos filhos, estudavam e tinham seus tempos de escola e casa, primeiro no tempo inicial da Mariana, e depois na era do Tomás vir para nosso cuidado já a Clara estava a formar-se em Lisboa e o Nuno tinha já seu trabalho. Enquanto eu tinha o meu emprego, já de muitos anos, e no fim do dia me juntava a toda essa minha gente, com quem podia estar. E o Tomás esperava sempre por mim, e quando me via eu sabia e sentia que me via com seus olhos de quem vê quem quer ver. Tanto que uma vez, no Centro de Saúde, em que eu trabalhava, de uma vez que ele lá foi, com alguém, e eu calhei de chegar ao balcão do atendimento da secretaria, vindo de dentro do meu gabinete, no caso, uma minha colega que estava no atendimento público se apressou a avisar-me da presença dele, dizendo que estava ali alguém que quando me viu foi como se tivesse visto Deus. E eu quando o vi senti que estávamos os dois com olhos a rir um para o outro. Tal como quando ele começou a estar connosco, nos primeiros tempos, ainda de colo, foi como se tivesse chegado ao mundo a sorrir.

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Também, anos antes, uma vez que a Mariana foi lá ao Posto Médico, dessa vez para ir às vacinas, onde ela ia tomar uma vacina, como se dizia e diz em conversa normal, ela quando me viu fez força para eu ir com ela, e eu fui então, levando-a pela mão ao gabinete de enfermagem. Acontecendo que ela depois da pica da vacina, para não chorar e nem dizer que não gostara, quer do que sentira como de quem lhe fizera aquilo, virou-se para mim e disse de repente, exclamando: - é de ti que eu gosto! Abraçando-se a mim.

Pois dessa feita era o Tomás, e nem precisara ainda de ir às enfermeiras para me mostrar que gostava de mim, assim.

E de lá, do Posto Médico, como era mais vulgarmente conhecido o Centro de Saúde da Longra, por entre ofertas de brindes recebidos dos delegados de propaganda médica, que iam visitar os médicos para apresentarem os produtos que representavam (e então costumavam querer agradar aos funcionários administrativos para darem aos médicos conhecimento de sua presença), os pequenos objetos recebidos que dessem para brincar eram levados para o Tomás, como antes foram levados para a Mariana e anos antes ainda tinha sido para os filhos. E como ele gostava, conforme os seus olhitos diziam, quando recebia isso. Embora para duração curta, pois gostava muito de ver e saber como tudo aquilo era feito…

Foi pois assim, por isso, que deixei de ir ao Café da Longra, meu habitual café de há muitos anos passados, então deixado nesses finais de tarde, desde que passamos a cuidar do Tomás, o meu menino e principalmente desde que ele começou a estar fora do berço. E por isso também, mais tarde, quando ele era já crescidito e nos tiraram o Tomás, eu disse logo que não mais me havia de prender a nenhum miúdo assim, assentando ideia de nunca mais me afeiçoar a nenhuma criança de fora de nossa casa, e jamais “criaríamos” alguém de fora. Tendo até, entretanto, havido um pedido do género, mas de imediato recusado. De modo que depois, só quando tivemos os nossos netos voltamos a ter crianças connosco e eu a sentir de novo isso de gostar assim de alguém pequenino e amoroso.

Como tinha sido com o Tomás.

Inicialmente nem estava nos planos ficarmos com o Tomás à nossa conta, pois já tínhamos a irmã, tendo entretanto olhado pela Mariana nesses anos passados, nos seus primeiros anos e então ainda, também. Mas os pais pediram muito, pois não tinham a quem o deixar ficar. Porque a avó de um lado, viúva e a ter de olhar por outros e ainda dar de comer à sua gente, não podia, obviamente; e os avós do outro lado, não queriam, como não quiseram antes com a Mariana. Tendo de véspera da mãe deles acabar o tempo de licença de parto e ter de ir trabalhar, aparecido em nossa casa o casal, os pais das duas crianças, nesse fim de tarde de domingo, e então com o à vontade que tinham connosco, nos voltaram a pedir, como já haviam feito antes, e por fim perguntaram se tínhamos coragem de deixar o menino ir para uma creche, com pessoas de fora. Então naturalmente acedemos, ficando com os dois, com a Mariana já crescidita e o Tomás ainda de colo e a passar esses primeiros tempos no berço, quando não nos braços de quem estivesse mais à mão…

Naturalmente havia muita afinidade nossa com o casal dos pais, os nossos sobrinhos Ricardo e Fátima, desde tempos muito de trás. Com o Ricardo como primeiro sobrinho (rapaz, pois havia uma menina antes, a Zezinha) a ser muito acarinhado pelas suas tias maternas, sendo ainda muito pequenino quando começamos a namorar eu e a Linda. Bem como depois passou a ser muito de nossa casa para vir brincar com o primo Nuno, mais pequeno mas com quem se dava muito bem. E já rapazinho até vinha comer ao almoço connosco, quando trabalhava na Longra. Acrescendo, depois, ter ficado a primeira filha, Mariana, desde bebé ao nosso cuidado, durante os dias.

Passou o Tomás então a juntar-se à Mariana em nossa companhia. De manhã, algum tempo, em casa da Fátima (tia Fatinha, para eles), e de tarde na loja, com a Linda, até os pais virem busca-los. Quando não mais tempo e algumas noites também connosco, em nossa casa. Enquanto eles (pais) trabalhavam mais tempo ou por algum motivo tinham de sair, mas também por outros casos. Como quando a Mariana chorava muito de noite e não deixava os pais descansarem, sequer, enquanto em nossa casa passava bem a noite. Por exemplo.

Ora, quando calhava alguma vez de eu ficar em casa de manhã e estava até mais tarde na cama, quando a Mariana e o Tomás vinham logo de manhã, tal como acontecia com a Mariana quando era muito pequenina, também o Tomás ficava comigo, em bebé. E, passados bons anos desde que os meus filhos eram pequenos, então passaram os sobrinhos-netos a terem o meu mimo. Ah, como era boa e engraçada a sensação de ter ao lado coisas assim pequenas, poder sentir vidas assim a crescer diante dos olhos, apreciar bebés queridos, pequeninos seres de quem gostava. Algo que depois do Tomás pude voltar ainda a ter com meus netos, mais tarde. Porque com os nossos é tudo outra coisa!

E o Tomás ia ficando a ser mais nosso, meu também.

A nossa casa era, afinal, a sua casa, até. E na loja, por todo o edifício desse estabelecimento comercial, era também seu mundo, porque era já familiar aos olhos e sentidos de toda a gente.

E foi crescendo, sempre connosco, o Tomás. Sempre presente em tudo, mesmo nas festas de família de nossa casa, que eram festejadas por esses tempos. Começando pela festa que lhe fizemos logo quando fez meio ano de vida e depois algumas outras, sem conta.

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Nos outros dias, logo pela manhã, acompanhava a tia a tomar o pequeno-almoço na pastelaria ao lado da loja, ao tempo ainda da mãe da Catarina, jovem que estava ao balcão durante o dia. E ali o Tomás era uma espécie de coqueluche na simpatia dos clientes frequentadores desse estabelecimento de pastelaria e cafetaria, no Edifício Nova Longra. Tal como era por assim dizer algo familiar aos donos e à empregada da pastelaria. E ao fim do dia, quando eu chegava e ia até ali, depois com ele, para (eu) beber um fino ou tomar café com um bolo, por exemplo, ou o que visse interessar mais de momento, até a Catarina, muito amiga dele também, reparava e quase que ficava com ciúmes de nossa cumplicidade. Como de uma vez eu pressenti, estando eu e a Linda sentados à mesa, com ele sentado na mesma mesa diante e abraçado a mim, notei dela fazer sinal para isso, acenando com a cabeça, como quem diz: - “Olha isto”! 

Mas, entretanto, em nossa casa todos eram muito afeiçoados ao Tomás. Como à Mariana. Que como mais crescida queria impor-se mais a ele, mas a ele tanto fazia, o que queria era brincar e andar comigo.

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A ligação familiar e toda essa envolvência levou mesmo à Clara e ao Hugo, ainda namorados e já noivos, a serem padrinhos de batismo do Tomás, a convite que aceitaram com gosto. De modo que ao primeiro nome do afilhado foi acrescentado o segundo nome do padrinho. E com gosto também sentimos isso, com filha e futuro genro a apadrinhar o menino da casa.

Esteve nessa condição o Tomás, depois, entre os convidados ao casamento dos seus padrinhos, com direito a atenções especiais dos noivos naquele dia sagrado da vida da nossa família, a 28 de Maio de 2005.

Momentos naturalmente gravados na memória, e também no álbum fotográfico familiar.

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De seguida, na festa do seu 1º aniversário, ofereci ao Tomás a inscrição de Associado do F. C. Porto, junto com o cartão de sócio.

Quanto aos festejos que eram cerejas no topo dos bolos da convivência, de uma das vezes, passados alguns anos, mais precisamente no seu 4.º aniversário, que calhou à semana e ele, crescidito, andava pela loja (Casa Linda), os seus anos foram então festejados no vizinho café-pastelaria, ali bem ao lado, que então era já explorado pela Olga e por sua irmã Nela. Por iniciativa nossa e por nossa conta, assim naturalmente, essa comemoração. Tendo sido reservado praticamente todo o seu espaço público para isso, com as mesas todas juntas em fiada, e com as crianças amigas, filhas e filhos das pessoas com lojas naquele mesmo edifício, a formar o lote de convivas, mediante copo-d’água feito lá na pastelaria, à maneira da ocasião com os chamados salgados e doçaria, ao final do dia para eu estar já presente. Na presença também das lojistas amigas e incluindo aquilo até ser filmado pelo Nuno, enquanto eu fazia de fotógrafo amador. Tudo resultante num belo momento de ternura infantil, na contagiante alegria da pequenada, ali toda junta, deixando o Tomás como alvo das manifestações próprias do dia.

Momentos ternos e vividos com carinho, normalmente registados através de fotografias, em fotos em que por norma eu não ficava, também, por estar por trás da máquina, a captar o que se passava à frente. De cujos instantâneos fotográficos para aqui se transpõem alguns exemplos, conforme ficaram coladas e legendadas as fotografias nos álbuns de família. Ainda as máquinas fotográficas eram mecânicas, de imagens analógicas, pois só anos depois começaram a ser mais conhecidos os meios digitais.

Também foram sendo feitas algumas fotografias de estúdio fotográfico, havendo ao lado da nossa loja, do outro lado, começado a haver uma loja de fotografias; sendo o fotógrafo pessoa amiga, o Filipe, que ao começar ali o negócio aproveitou a presença do Tomás, especialmente, a prestar-se de modelo (embora numa ou outra foto também a Mariana), para fazer fotografias de exposição decorativa e amostras de trabalho. Algumas das quais tiveram obviamente como destino o meu álbum de família… Sendo essa casa deveras familiar, na convivência amiga, como se manteve na continuidade com a irmã, a Inês. Enquanto os nesse tempo mais pequenos membros da sua família, filhos mais velhos do Filipe, ainda brincaram com o Tomás, por ali.

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Enquanto isso, o Tomás, pequenito então ainda, era como se fosse o homem da casa, no caso da loja (Casa Linda). Passados os tempos das papas e leite, que comera pela mão das tias Linda e Fátima. Chegada a fase em que interessava a seus olhos mais rebuçados, chupas, gomas e outras guloseimas. Mas andando sempre por ali, junto à tia Linda. Tanto que um dia, em que entrou pela loja um bando de ciganada e enquanto os ciganos mandaram de encontrão a Linda para trás e as ciganas começavam a roubar o que podiam agarrar, ele ouvindo a tia a mandá-lo chamar o Filipe depressa, num repente correu à loja ao lado a chamar esbaforido que estavam a fazer mal à tia e foi então depressa que todos os que se aperceberam logo acorreram, impedindo roubo maior e sabe-se lá o que mais.

Lembranças, estas e outras, que como cerejas vêm umas com as outras. Entre as recordações, vividas e conhecidas, que acodem à ideia, num rosário de contas de que reza a memória.

Claro que quando há sentimento, os resquícios dessa afeição ganham raízes. Como por vezes ressalta vir acima, por o pé desse veio ter boa rega. Como um dia sintomaticamente a Mariana teve um dito engraçado, que deixou surpresa a pessoa que ouviu e contou. Tendo, de certa vez que à sua beira uma prima conversava com ela sobre qualquer coisa relacionada com fotografias, ela ter respondido sem pestanejar: «-Vou dizer ao meu tio Armando e ele tira-nos uma fotografia». Como se o tio fosse só dela, como resultou na graça. Sendo assim, porque as crianças, na sua pureza e sinceridade, não estão com meias medidas, o que é, é. E aí o Tomás, mais pequeno então, estava na mesma onda de sintonização. De tal forma que sempre que vinha aos anos de alguém a nossa casa, na comemoração de aniversários, ficava sempre à minha beira quando via que eu ia ficar na fotografia, também.

E o tempo corria, enquanto o Tomás crescia, em graça e apego. Até ao dia em que foi dito à tia (Linda) que ele deixava de vir para nós, passando a ir para um infantário em tempo laboral, e fora dos dias de horário normal ia para outros lados. Deixando o Tomás de estar connosco, saindo de nossos olhos.

Apesar disso, íamos fazendo por o ver, quando possível, e o Tomás continuou, depois, a ser convidado para as festas de nossa casa. A ponto de, tempos depois, de uma das vezes em que ele veio, ao chegar cá, ter deixado escapar um desabafo, quase sem reparar, dizendo a suspirar. - «Esta é a minha casa»! E isso eu ouvi e guardei.

Entretanto já o Tomás não estava connosco diariamente, há algum tempo, quando nasceu o nosso primeiro neto, o Gonçalo, mas veio naturalmente conhecê-lo e passou a tê-lo como amigo mais novo, como foi sendo pelo tempo adiante. E com os outros nossos netos e seus primos, seguintes, Tiago, Diogo e Vasco, no decurso dos anos Vindo sempre estar entre nós em momentos especiais de nosso ambiente familiar, tal como toda a sua família, naturalmente.

Entretanto, passados anos, já com o Gonçalo crescidito, também, mas a passar por idade de colocar tudo em dúvida ou nem ver as coisas como antes, pude apreciar o Tomás a fazer ver ao primo, em conversa, como havia pessoas que gostavam muito dele (Guga), tal como ele (Tomás) em mais crescido já entendia melhor.

Enquanto tudo isso, o Tomás sempre que vinha a nossa casa para comemorações festivas ia recuperando energias e descontando tempo perdido, quão sempre fazia por estar junto de quem gostava.

(foto)

Quando ainda em idade escolar, de um dos convites, sempre feitos, fosse para o que fosse, uma outra vez foi para ir comigo ao futebol ao Porto. Ele, que enquanto esteve comigo sabia como eu era portista mas a sua idade não dava ainda bem para fazer opções a sério, passara de permeio por um tempo de indefinição quanto a preferências desse género. Embora o Tomás fosse sócio do Porto, desde pequenino, porque então já tinha sido inscrito por mim como sócio do Futebol Clube do Porto. Havendo contudo tido mesmo uma época confusa, por saber que o padrinho era benfiquista. Mas depois, segundo se soube, chegou uma ocasião em que contou mais agradar ao tio. Tendo então, num sábado de meio de verão, em tempo de pré-época de futebol em que ia haver a festa e jogo de apresentação da equipa principal do F. C. Porto para a época seguinte, e tendo eu conseguido arranjar dois bilhetes de convite (pois se usasse o meu de sócio era só um; e o Tomás não tinha a situação de sócio regularizada, desde que deixara de estar diariamente connosco), eu então o convidei para ir comigo. E fomos. Também foi connosco um amigo, um elemento que pertencera ao Rancho da Casa do Povo da Longra que eu fundei e ele lá andava enquanto estive a presidir ao mesmo agrupamento, o qual apercebendo-se nem sei como que eu ia, se atrelara a ir também a pedido; mas esse sem levar bilhete, embora tentasse que eu lhe desse um convite, dizendo que o miúdo podia entrar comigo, porém o convite era para o Tomás, e foi, enquanto o amigo teve de se desenrascar lá, se quis entrar no estádio. Ora lá dentro, o Tomás, como vi, teve uma tarde porreira, quer nas bancadas do estádio do Dragão, como a ir aos bares de dentro buscar coisas para ocupar também a boca. E, com a minha máquina fotográfica à mão, até lhe “tirei“ várias fotografias, aproveitando também de à nossa beira terem ficado alguns jogadores do Andebol do F. C. Porto, Bem como ele, tomando na sua mão também a mesma máquina, fartou-se de fotografar tudo e mais alguma coisa, até os passarinhos que pousavam na cobertura da bancada da frente, incluindo ter captado uma foto, tipo “selfie” (auto-foto a si mesmo e a quem está junto), a apanhar-me também enquanto eu estava distraído, a olhar absorto para o relvado do campo do Dragão. Estando ele ainda, nos entretantos, sempre de cachecol do Porto a mexer, um que levei para lhe emprestar. E, antes e depois, pelo caminho, o cachecol andou sempre a esvoaçar!

Em sequência disso, passado algum tempo e de uma das vezes que fui ao Porto, comprei um cachecol à Porto na loja do Dragão, para dar ao Tomás. Prenda, que então até foi de ideia da Linda e eu logo concordei satisfeito, que lhe ofereci quando ele veio a um aniversário de um dos primos, e ele logo fez questão de ser fotografado com o cachecol do Porto, a preceito.

Passados anos, chegado à idade de eleitor (para poder votar) e já poder tirar carta (de condução), como se diz sobre a chegada à idade de cidadão adulto, o Tomás festejou seus 18 anos com toda a família mais próxima, numa bonita festa comemorativa proporcionada pelos pais e a que estivemos presentes, nessa tarde de domingo 13 de novembro de 2022.

E disso mesmo com satisfação ficamos com alusiva fotografia, de pose apropriada ladeando o aniversariante, bem como uma recordação que o Tomás distribuiu pelos presentes; lembrança essa que ficou e está preservada no meu escritório, junto com um ramo que tenho ainda da Mariana (recebido em 2001, aquando da sessão de apresentação do meu livro de contos “Sorrisos de Pensamento”)…

 (foto)

Algo duradouro, este ramalhete, por ser com galhos secos e pontas de espigas de trigo, mas mais porque foi guardado devidamente, como tanta coisa interiormente. Pelo significado, por quanto certas coisas simples e normais valem bastante quando nos dizem muito, quão objetos destes, pessoalmente, representam algo importante na nossa consideração.

Além disso, mas também, continuamos assim depois, como sempre, com algo comum. E além de tudo o mais, também, com o tempo comum vivido. Porque mais que tudo o resto, o importante é viver e ter com que viver. Tal como sabemos, quem sabe e nota, claro, ainda esse mesmo miúdo de outrora continua a ser perdido pelo tio, e o tio é por ele. Como se diz usualmente, em linguagem popular, de quem muito quer a quem se gosta muito. De modo que quis dedicar-lhe este narrativo resumo textual, ao Tomás. O meu sobrinho-neto de quem gosto muito e sei que ele também de mim. A ponto que, quando nos vemos e cumprimentamos, hoje e sempre, ainda é com um beijo, como quando ele era criança, tal como com meus filhos e netos. Pois o Tomás é um caso especial de sobrinho-neto.

E assim, como muitos anos atrás, agarro agora na mão, com a mão da escrita, mais com o pensamento da narrativa, e dou um passeio no tempo com o Tomás.

 (foto)

Narradas assim algumas recordações de forma escrita, continua-se em modo extensivo de ilustração.


Passeando no tempo em imagens:

(sequência de 40 fotos) 

 

- Do teu tio Armando:

Este folar de Páscoa, escrito. Legado aqui em modo descritivo. Publicado e dado pela época Pascal, em tempo de tua maioridade.

Março de 2024 – Armando Pinto

 

Bibliografia DO AUTOR

Obras publicadas:

- Livro (volume monográfico) «Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras»; publicado em Novembro de 1997. Edição patrocinada pelo Semanário de Felgueiras.

- Livro «Associação Casa do Povo da Longra – 60 Anos ao Serviço do Povo» (alusivo ao respetivo sexagenário, contendo a História da instituição – Abril de 1999).

- Livro (de contos realistas) «Sorrisos de Pensamento» – Colectânea de Lembranças Dispersas; publicado em Outubro de 2001. Edição do autor.

- Livro (alusivo da) «Elevação da Longra a Vila» - Julho de 2003. Edição do autor.

- Livro (cronista do) «Monumento do Nicho Nas Mais-Valias de Rande» – Dezembro de 2003 (oferecido à Comissão Fabriqueira paroquial, destinando receita a reverter para obras na igreja). Edição do autor.

- Livro «Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa» – Na passagem de 25 anos de seu falecimento; publicado em Novembro de 2004. Edição do autor.

- Livro «S. Jorge de Várzea-História e Devoção», publicado em Abril de 2006. Edição da Paróquia de Várzea.

- Livro «Futebol de Felgueiras – Nas Fintas do Tempo» (sobre Relance Histórico do F. C. Felgueiras e Panorâmica Memorial do Futebol Concelhio, mais Primeiros Passos e Êxitos do Clube Académico de Felgueiras) – pub. Setembro de 2007. Edição do autor.

- Livro “Destino de Menino” – dedicado ao 1º neto – Dezembro de 2012, em edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.

- Livro “Luís Gonçalves: Amanuense – Engenheiro da Casa das Torres”, patrocinado pela fábrica IMO da Longra – biografia de homenagem ao Arquiteto do palacete das Torres, de Felgueiras – Janeiro de 2014.

- Livro “História de Coração” – dedicado ao 2º neto – Novembro de 2015, em edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.

- Livro “Torrente Escrita – em Contagem Pessoal”, ao género autobiográfico – Dezembro de 2016 – edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente (apenas para partilha familiar).

- Livro “História dum Brinquedo que não se pode estragar”, dedicado ao 3º neto – em Fevereiro de 2019, edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.

- Livro “Luís de Sousa Gonçalves O SENHOR SOUSA DA IMO” – Patrocinado pelo IESF-Instituto de Estudos Superiores de Fafe – biografia de homenagem ao fundador da Fábrica IMO da Longra – Novembro de 2019.

- Livro “Ciclistas de Felgueiras” – sobre os homens do ciclismo português naturais de Felgueiras que andaram na Volta a Portugal e provas importantes – publicado pela editora Bubock Publishing S.L. Janeiro de 2020.

- Livro “Um tal Covid na história familiar… num sorriso de vida”, dedicado ao 4.º neto, em Dezembro de 2022, edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.

- Livro “50 ANOS DE NAMORO! – Primavera / Verão de 1973 a 2023”, dedicado à esposa, em edição restrita também para a família. Abril de 2023.

 (Mais este, de 2024. Além da autoria de anteriores livros oficiais alusivos a realizações de eventos locais, entretanto também publicados.)

 (página 44)...

Contra-capa + 3 fotos.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Na data do Dia da Mulher: Homenagem às mulheres de sempre da região da Longra - Felgueiras!

 

Na pertinência da data do Dia da Mulher, a 8 de Março, dia assim dedicado às mulheres na linha com que foi e está instituído como Dia Internacional da Mulher, aqui se homenageia deste simples modo pessoal as mulheres de sempre da região da Longra (porque este blogue é da Longra, mas abrangendo a vasta região felgueirense) e englobando Rande e Sernande, no caso, como paróquias anexas desde há muitos anos. Vindo ao caso lembrar o facto através de uma imagem de um grupo de jovens mulheres de outrora, com um antigo pároco de Rande e Sernande. Homenagem esta, afinal, que se presta a fazer preito às mulheres da região, inserida na área urbana da Longra, com a recordação da imagem ancestral que se estende de então a antepassadas visavós, avós e mães de muitas gerações atuais da sociedade local, na continuidade dos tempos.  

Assim sendo, como noutros anos aqui se tomou como exemplo diversos casos relacionados com factos históricos de relevo, a enaltecer o papel das mulheres na comunidade local, desta feita relembra-se uma das funções de evidência nesses tempos de nossas avoengas, tomando o todo pela parte, desde antepassadas eras. Servindo de mote o antigo Grupo de Jovens que existiu em Rande, incluindo jovens também de Sernande, no tempo do Padre Alberto Brito. O pároco que posou na fotografia que se dá à estampa: com o Grupo de Jovens raparigas da “Juventude Católica de Rande”, fundado por si. Tendo ele criado a Juventude de grupos de rapazes e raparigas, a JOC (Juventude Operária Católica) e a JAC (Juventude Agrária Católica), depois fundidas na “Juventude”, então já só com moças, raparigas em fase de crescimento adulto, com saliência como Grupo Coral da Paróquia de S. Tiago de Rande.

Padre Alberto, este, que esteve na paróquia de Rande e anexa de Sernande em grande parte da década dos anos trintas, do século XX, mais precisamente de 1932 até 1940. Tendo naturalmente habitado a casa da Residência Paroquial de Rande durante sua paroquialidade deveras frutuosa. Mais tarde, depois que foi substituído por outro pároco, o Padre Gomes, ainda o Grupo da Juventude, referido, continuou algum tempo. E com o passar do tempo outros grupos existiram, como faz parte da história, conforme está historiado no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997. No qual está publicada esta fotografia, incluindo a indicação dos nomes corespondentes. Acrescendo agora esta imagem servir a preceito para homenagear as nossas mulheres de sempre.

= Foto do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” =

Armando Pinto

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sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Alberto Baltazar Portela – dado a conhecer e lembrado por merecimento de apreço felgueirense – em artigo no Semanário de Felgueiras Jornal

Artigo escrito pelo autor e publicado no Semanário de Felgueiras Jornal, edição de sexta-feira 08 de setembro de 2023, em sua página 14, espaço de opinião.

Do mesmo, junta-se texto original, ilustrado em modo acrescido com mais imagens. 

Alberto Balthazar Portella: Felgueirense Histórico no Brasil

Olhando para o horizonte, desde o ocidente ao oriente, resplandece pelo mundo fora a gesta da diáspora felgueirense, por onde chegaram felgueirenses que marcaram um rasto de sucesso. Havendo nessa marca assinalável algo de quão se impõe a alma de Felgueiras, pela evidência respeitante à sensibilidade correspondente. Tal qual o caso desta vez a merecer evidência, entre um desses exemplos a enaltecer na perenidade da memória coletiva, conforme merece ser lembrado Baltazar Portela, um Felgueirense que quando demandou a terra do pau vermelho ainda assinava portuguesmente seus apelidos familiares por Balthazar Portella, a seguir a seu primeiro nome, Alberto.

= "Casa Alberto", a empresa de Alberto Balthazar Portella no Rio de Janeiro. Anúncio publicitário.

Ora, Alberto Baltazar Portella emigrou muito jovem para o Brasil, desde o concelho de Felgueiras, saindo de Portugal em demanda de vida melhor na nação brasileira. Depressa alcançando uma situação social importante, a ponto de ter sido um dos pioneiros dirigentes históricos do grande Clube de Regatas Vasco da Gama, do Rio de Janeiro. Ficando na História Vascaína como afamado tesoureiro do clube da cruz maltina, esse que era dono de conhecida loja de uniformes militares, escudos bordados e bandeiras que por muitos anos serviu o seu Vasco juntamente com a família. Além de em Portugal ter ainda tido ação altruísta nalgumas instituições, sendo conhecido seu papel de benfeitor da Escola Primária da Longra, localidade onde tinha raízes familiares, e depois foi dado seu nome ao campo então existente como recinto desportivo da Longra.

Alberto Balthazar Portella nasceu em Margaride-Felgueiras a 1 de novembro de 1881. Era filho único de João Balthazar Portella e Maria Joaquina Fernandes Portella. Foi para o Brasil no início do século XX como pedreiro, mas logo se instalou por sua conta no comércio, tendo comprado a um tio, que já morava no Brasil, uma alfaiataria e fábrica de confeções. Tornando-se então um empresário bem-sucedido. Além de se ter inserido na vida carioca e embrenhado associativamente no inicial período do grande clube desportivo Vasco da Gama, como Tesoureiro responsável. Havendo então, pelos inícios da década dos anos 20, participado como Dirigente durante o período em que o Vasco teve a corajosa decisão de retirar o seu “time” do campeonato carioca por causa de racismo. Evento conhecido como “Resposta Histórica” (brevemente a completar 100 anos, em 2024). Acrescendo aí ter sido ainda Diretor do Departamento de Tiro no clube. Como empresário empregou jogadores no seu próprio estabelecimento, para que tivessem vida compatível com a prática desportiva e sustentassem com dignidade suas famílias. Assim como socialmente teve muita importância, facto deveras revelador por sua vida sociável. Tanto que com sua esposa formava um casal apreciador de festas sociais e todas as vitórias do seu clube eram comemoradas em sua casa juntando atletas e dirigentes. Foi agraciado com o título de Grande Benemérito do clube Cruzmaltino.

=  Cerimónia da «Implantação do Tiro de Guerra no Vasco da Gama: Alberto Balthazar Portella segurando a bandeira e a esposa, D. Avelina, a 1ª da direita para a esquerda, ao lado do pequeno escuteiro.»

A esposa, Avelina Fernandes Portella, sua prima, foi uma grande companheira e igualmente entusiasta do clube. Teve participação na criação do emblema do Clube de Regatas Vasco da Gama e foi ela quem tricotou as toucas utilizadas pelos jogadores no primeiro uniforme de futebol. Foi também Benemérita e tem o título de sócia n.º 1 do clube.

= Casal Alberto e D. Avelina, ainda jovens, com seus símbolos cruzmaltinos...

Igualmente na igreja os dois obtiveram destaque, como membros da Irmandade de Santa Luzia. Tiveram 5 filhos e criaram mais 2 sobrinhos órfãos. 

A filha mais velha, Rosa Fernandes Portella, sócia nº 2, casou-se com um atleta importante do clube, Adão António Brandão, nascido em Penafiel, Portugal (formado no FC Porto e no Brasil campeão em 7 modalidades desportivas, autor do 1.º golo do Vasco; tendo ainda sido um dos “Camisas Negras” na equipa de 1923 que ganhou o 1.º título de futebol carioca.)

= Adão António Brandão, craque da equipa carioca nos anos 20 e tais, junto ao símbolo do clube, com outros colegas de bons momentos cruzmaltinos de seu tempo.

Alberto Baltazar Portela faleceu a 25 de agosto de 1962, em sua casa, no bairro de Ipanema, Rio de Janeiro. Tendo legado a seus descendentes valores originários de Felgueiras-Portugal e gosto adocicado pela terra do Pão de Ló de Margaride.

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Posto isto, porque num artigo de jornal há que respeitar o espaço destinado e assim não se deve alongar demasiado o texto, há algo a acrescentar, aqui e agora, como explicação e conclusão.

O Tema desta vez contido no artigo, em mais uma crónica da colaboração pessoal ao SF, trata de lembrar (e dar a conhecer a muita gente, por certo) a figura de Alberto Baltazar Portela, um felgueirense de outros tempos. Cujo nome há anos chegou ao conhecimento do autor pela popular transmissão oral, visto em tempos, pelos anos 1930 do séc. XX, ele ter sido benfeitor da Escola Primária da Longra, tendo em sua homenagem sido dado seu nome a um campo desportivo de basquetebol aqui da então Povoação da Longra. Aliás sempre que vinha a Portugal de férias ele era visita oficial a essa escola. Tanto que, sobre o mesmo e reportando esses casos, há devidas referências no livro grande que escrevi e foi publicado em 1997, “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, versando a história daqui da região sul-felgueirense. Livro há muito esgotado, mas sobre o qual, e mesmo de extensivos assuntos, há diversos artigos entretanto explícitos neste meu blogue “Longra Histórico-Literária”.

Longra – Anos 30 – Século XX. Alunos da antiga Escola Primária da Longra (concelho de Felgueiras), em pose de conjunto com sua professora e um benemérito, no espaço do recreio da escola (edifício de pedra no caminho de ligação ao cruzamento das quatro barrocas, caminho esse que hoje tem o nome de Rua das Alminhas). Em dia de festa pela visita do Benfeitor sr. Alberto Baltazar Portela, que sempre que vinha do Brasil visitava a escola que cumulava com sua ação de bem-fazer bairrista. Para quem conheceu o local, ao tempo da captação fotográfica estava ajardinado em canteiros rústicos, algo que depois se modificou, sendo onde mais tarde os rapazes jogavam à bola.

(Foto constante dos livros “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997; “Elevação da Longra a Vila”, pub. em 2003; e “Luís de Sousa Gonçalves – o Senhor Sousa da IMO”, pub. em 2019.)

Quanto ao que foi escrito no artigo, há um caso que merece anotação, para salvaguarda. Tendo sido indicado que o genro de Alberto Portela, o Adão Brandão, era natural de Penafiel, conforme consta na literatura historiadora do próprio Clube de Regatas Vasco da Gama e inclusive teve também entretanto referências em jornais e livros penafidelenses. Contudo há uma versão familiar referindo ele ter nascido em Paredes, como se sabe concelho vizinho de Penafiel. Terras essas da região do Vale do Sousa, as duas, como também Felgueiras, por aqui todas próximas e comuns nas mais variadas tradições e potencialidades. Já quanto ao patriarca da família, Alberto Baltazar Portela, não há dúvidas, pois sabe-se ao certo que nasceu em Margaride-Felgueiras, conforme consta de sua documentação, identificando-o documentalmente ainda como Alberto Balthazar Portella.

= Pose histórica de Alberto Baltazar Portella junto à entrada e montra de sua loja.

Com este artigo, além da rememoração sobre o ilustre felgueirense Alberto Baltazar Portela, vem agarrado o tema do seu clube, o "Club de Regatas Vasco da Gama", vulgarmente chamado em Portugal por Vasco da Gama do Brasil. Como em gaipas de uvas, neste tempo de vindimas do vinho verde da região do Douro Litoral, em Portugal, também sobe na ideia “engaipilhado” (quão se refere aos cachos de uvas e suas ramificações, no regionalismo de Entre Douro e  Minho). Vindo assim ligado o Vasco da Gama, um clube da simpatia, por assim dizer, de muitos adeptos portugueses, ou não seja um clube que foi fundado outrora por portugueses. Podendo mesmo dizer-se que, entre Lusos seguidores do futebol, não haverá português ou luso-brasileiro que não simpatize de certa forma com este glorioso clube, com a caravela do tempo do nauta descobridor Vasco da Gama e a cruz das caravelas, também chamada Cruz de Cristo, vulgo Cruz de Malta, no seu emblema.

Foi em 1898, no Rio de Janeiro, que foi fundado originariamente o mesmo clube, em homenagem ao quarto centenário do feito do navegador Vasco da Gama, que descobriu o caminho marítimo para a Índia. Então por iniciativa de alguns rapazes remadores, todos portugueses ou filhos de portugueses, resolvidos a criar um clube de regatas. Assim, nasceu o Club de Regatas Vasco da Gama, inicialmente de desportos náuticos, de água, mas depois já incluindo desportos normais, de terra, também. Mais tarde, para agregar diversos clubes de portugueses e desse modo formar uma união da colónia portuguesa, em torno do clube, criando assim uma enorme “torcida cruzmaltina”, houve associação mais vincada com um desses clubes, o Lusitânia, inserindo o departamento de futebol do Lusitânia Sport Club. Passando, com tal fusão, o Vasco a partir de 1915 a ter também secção de futebol, incorporando o desporto-rei entre o ecletismo clubista já com diversas modalidades. Sendo o Vasco da Gama do Brasil, daí em diante, um dos grandes clubes de futebol brasileiro, com uma história grandiosa desportiva e socialmente. Tendo até sido o primeiro clube brasileiro a ter homens de cor negra nos seus quadros diretivos e inclusive no seu plantel também jogadores negros, o que lhe causou alguns dissabores à época e depois foi deveras apreciado. Havendo em 1916 o Vasco estreado a sua equipa de futebol na terceira divisão do campeonato carioca, enquanto em 1923 já figurava na divisão principal, e sido campeão. Mas isso é outra história, a própria história desse eclético clube desportivo.

Ora, no que interessa mais aqui para o caso em apreço, que é de interesse felgueirense, é que um dos principais Diretores dos tempos iniciais do futebol no Clube Vasco da Gama, além de também Dirigente e impulsionador da modalidade de Tiro, como sobretudo Tesoureiro da Direção do clube, e mais tarde membro do Conselho Deliberativo também do mesmo clube, do qual chegou a ser Presidente nos anos 50, foi um felgueirense, Alberto Baltazar Portela. Mas além disso, ainda mais se junta a curiosidade de seu genro, Adão António Brandão, também português, oriundo igualmente do Vale do Sousa, área a que pertencem os concelhos de Felgueiras, Penafiel e Paredes, ter sido o desportista mais eclético do clube da Cruz de Malta, considerado o maior atleta da história do Vasco da Gama, tendo conquistado medalhas e troféus em sete modalidades, incluindo ser o autor do primeiro golo do Vasco, no primeiro jogo disputado por uma equipa de futebol do Vasco da Gama.

= Equipa Vascaína com Adão Brandão, apresentando-se com casacos sobre o equipamento (como era uso, ao tempo, antes dos jogos, ao género dos fatos de treino ou blusões atuais). Estando os jogadores com as toucas tricotadas por D. Avelina, esposa de Alberto Portela.

= Adão António Brandão

Já sobre a esposa de Alberto, Avelina Fernandes Portella (sua prima em primeiro grau), além das alusões referidas, acresce que foi também ela que bordou a primeira bandeira do clube, segundo consta em testemunhos escritos pela história vascaína. Tendo, durante a vida do marido, e até mesmo depois do falecimento de seu estimado cônjuge, estado presente a diversas homenagens como representante de toda essa ligação familiar ao Vasco da Gama do Rio de janeiro.

= «Batismo do barco "Manuel Costa" pela Ex.ma Sra Alberto Balthazar Portella, em 16 de novembro de 1952.» Conforme consta de legenda de foto do clube. Estando D. Avelina à frente de Rafael Veri, treinador do Remo do Vasco.

Sobejam ainda mais algumas outras curiosidades, quão de importância é de referir que muito do que foi possível descobrir, sobre o mesmo tema, se deve a uma bisneta do casal Alberto Balthazar Portella e neta da filha mais velha do casal Rosa Fernandes Portella Brandão, casada com Adão Brandão – a D. Ana Beatriz, que confidenciou aqui ao interlocutor dos inerentes contactos e autor destas linhas: «- Aprendi a amar Portugal através dos meus avós, minha bisavó e meus pais. (Meu avô paterno, por coincidência, também era de Felgueiras). Tento passar para meus filhos o enorme respeito e admiração que tenho por esta linda terra.»

*****

Alberto Balthazar Portella, nascido em Margaride-Felgueiras, Portugal, a 1 de novembro de 1881, faleceu a 25 de agosto de 1962, no Rio de Janeiro, Brasil. Tendo então sido escrito numa coluna jornalística a enternecedora reportagem que se guarda à posteridade:

Agradecimento: Além das pesquisas efetuadas para o efeito, em buscas possíveis ao longo de alguns anos, para melhor conhecimento da antiga existência deste felgueirense saliente do Vasco da Gama, clube importante do futebol brasileiro, foi através de informações da bisneta de Alberto Baltazar Portela, D. Ana Beatriz Nogueira, que se tornou possível acelerar o estudo. A quem, D. Bea, bisneta deste felgueirense Alberto, e neta de seu genro Adão Brandão, residente no Brasil, agradeço a correspondente partilha informativa e o respetivo envio das fotos. Através de cujo material se fica a conhecer melhor os dois ilustres naturais da área portuguesa do Vale do Sousa, do Distrito do Porto, deste nosso Norte de Portugal. 

Armando Pinto

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