Espaço de atividade literária pública e memória cronista

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O senhor Pereira do lugar das Quatro Barrocas!

Com a criação do "Grupo Colegas de Escola e Amigos",  grupo de amigos, de homens e mulheres, de conhecimentos pessoais da Longra e arredores, para um convívio anual de colegas de diversas gerações com ligações comuns (quão é uma realidade desde algum tempo e teve maior impacto a partir do ano passado), começaram a vir à flor da pele das lembranças certas sensações recordatórias. Visto muita da gente desse reencontro, antes disso, nem se ter encontrado durante largos anos, havendo passado muito tempo sem se verem, por via das transformações da vida e deslocações por outros locais de residências. Derivando desse avivar de afinidades as memórias comuns que ligam o presente ao passado, em factos e pessoas de boa memória. O que fez vir à tona dos pensamentos aqui do autor deste blogue a ideia de lembrar, por escrito e através deste meio da blogosfera, alguns personagens do passado da região e de algum modo relacionados com a idealização da memória local. Sendo desta feita também vez de lembrar o senhor Américo Pereira, que na Longra viveu no antigo lugar das Quatro Barrocas, sítio hoje da chamada Rua das Cortes Novas. O senhor Pereira que neste blogue já tinha sido lembrado antes, aquando de um aniversário de seu falecimento, sendo agora relembrado na linha de rememoração de pessoas que foram figuras públicas e populares entre amigos e conhecidos da Longra.

Recuam no tempo as rememorações que vêm à testa do pensamento, lembrando quando ali nos caminhos das Quatro Barrocas da Longra brincávamos em magotes de amigos, entre crianças da Longra e arredores, juntando-nos todos lá no cruzamento das Alminhas, por norma, sem ninguém precisar de combinar nada, pois todos sabíamos que ali era local de encontro. Onde, em grande parte do dia, eramos livres como passarinhos. E também ali à beira vivia o senhor Pereira e a D. Isaurinha Cardoso, pais do Zezé, o meu amigo Zé Pereira. Ali brincando eu também com ele, mais o Rosário, o meu irmão Fernando, também o Fernando e o Quim da Angelininha, como ainda outros, dos quais me lembro bem (mas não  menciono porque teria de os referir pelos apelidos populares, para melhor identificação), entre cujo grupo depois se foram juntando alguns mais novos, entre os quais o Lino e o Tó Jó. Assim como uma vez por outras apareciam também outros mais esporádicos como, por exemplo, o Tó Pedro e o Alexndre Abreu. Tal como nas férias escolares se juntavam ainda alguns vindos de fora, para passarem algum tempo em casa de avós ou tios, por exemplo. Assim como outros amigos da escola da Longra que também se juntavam sempre que podiam. E, todos nós, de permeio com jogos e corridas, quando podíamos aproveitávamos também para entrar em casa do amigo Zezé e então vermos alguma coisa na televisão da casa do senhor Pereira, sempre sob o sorriso simpático da D. Isaurinha, ainda prima da minha mãe, salvo erro em terceiro ou quarto grau. Tendo nós esse senhor Pereira como alguém que metia respeito e era algo especial, como quando ele gravou as cantigas do Rancho Folclórico da Longra aquando do São João das Quatro Barrocas, o que depois nos fez ficar admirados, interrompendo as brincadeiras, ficando mesmo quietos e calados a ouvir, quando ele pôs aquilo a tocar desde a janela de sua casa. Isso e tanta coisa mais, numa infinidade de boas lembranças desses bons tempos.

É esse o senhor Pereira que aqui e agora é tempo de recordar. O amigo senhor Américo Pereira que foi figura pública da Longra e conhecido homem das obras municipais de Felgueiras nos anos 50 e 60, do século XX. Em tempos deveras associado à vida concelhia como responsável do setor de obras na era de Presidentes da Câmara como o Dr. José Leal Faria (nos últimos tempos de sua presidência), Dr. Dias da Cunha, Dr. António Leal de Faria, Dr. Dias Ribeiro e ainda do Dr. José de Barros (em parte de sua presidência). Além de pessoa culta, grande colecionador de discos de vinil com música portuguesa de sua preferência e inovador de meios informáticos de tempos antigos na região. Tanto que teve em sua casa o primeiro aparelho de televisão na Longra, onde causou sensação nesse tempo com a montagem da sua grande antena para a captação televisiva, erigida no quintal da casa, quando nada disso ainda havia pela região. Mais tarde ficou também ligado ao surgimento e continuação nos primeiros tempos da Rádio Felgueiras. Como, sobretudo era amigo de seus amigos. E fomos amigos. 

Américo Soares da Silva Pereira, nascido em 1925 no Padrão da Légua, Leça do Balio-Matosinhos, passou a viver na Longra, concelho de Felgueiras, nos inícios dos anos 50, onde veio a falecer a 8 de maio de 1994.

Comungando ambos grande paixão pelo Futebol Clube do Porto, eu e ele, como ele sabia eu ser portista ainda em criança, por então já ser muito amigo e colega de brincadeiras de seu filho mais velho, como depois pelos anos adiante sempre frequentei muito sua casa na convivência com todos os seus filhos, Zé, Belinha e Lino, em sua casa quantas vezes ouvimos os relatos dos jogos do Porto e apreciei como ele vibrava em tudo com seu vozeirão. Tal como ainda o acompanhei também numas das suas idas de carro à procura de locais de passagens da Volta a Portugal em bicicleta, para vermos passar os ciclistas do F. C. Porto. Antes ainda, como o sr. Pereira era também grande aficionado pelo Futebol Clube de Felgueiras, ficou ligado à primeira subida de Divisão do clube azul-grená felgueirense, em julho de 1965, por ter proporcionado um género de estágio aos jogadores felgueiristas antes da finalíssima com o F. C. Lixa, que levou à ascensão d’ “o Felgueiras” da então 3.ª Divisão à 2.ª Distrital da Associação de Futebol do Porto. Sendo deveras conhecida sua presença nos jogos do campo da Rebela (depois chamado campo Dr. Machado de Matos e muito mais tarde com o mesmo nome já transformado em estádio), sentado num banquinho que levava sempre, visto nesse tempo a assistência do público ser em pé no então campo de terra do Felgueiras, onde ele se colocava junto ao ferro de separação, normalmente. E por vezes ainda levava alguns jovens da Longra a ver jogos do Felgueiras fora de casa. Era grande admirador do Sabú, sendo famosas as suas chamadas de apoio ao "Sabuzinho", com sua voz forte. Como na época do treinador-jogador Caiçara acompanhou a equipa para todo o lado. Tendo merecido bem algumas fotos que no fim das respetivas épocas recebia, com as equipas das históricas subidas.

= Equipas do FC Felgueiras de 1964/1965 e 1965/1966

Volvidos anos, quando passou a seguir mais assiduamente os jogos do Porto, no Estádio das Antas e em pleno entusiasmo do tempo do treinador Pedroto, sobretudo, era também bem conhecida sua voz potente a puxar pelo Frasco, médio organizador de jogo do FC Porto, chamando-lhe "fanéquinha", em tom de incentivo, por ser de Matosinhos, terra de peixe pescado e concelho de onde um e outro eram oriundos. 

Assim sendo e na calha extensiva, recordamos aqui o amigo sr. Américo Pereira da Longra, com lembrança da notícia que ao tempo foi escrita por este seu amigo (juntando mais alguns dados fornecidos pelo propoprietário do jornal) e publicada no Notícias de Felgueiras, edição de 12 de maio desse ano de 1994.

Sobre ele depois ficou exarado pessoalmente, também, algo no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” (publicado em 1997), aludindo alguns factos relacionados.


Armando Pinto

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