Espaço de atividade literária pública e memória cronista

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Festa de louvor ao secular arvoredo da Casa do Montebello de Rande - "Abraçar as carvalhas"!

 

Com atentos raios de sol de fim de verão a furar entre as ramagens de anciãs árvores de seu belo espaço, decorreu em Rande, este domingo penúltimo de setembro, no amplo parque florestal da “Casa do Montebello”, uma inédita e louvável iniciativa tendente a valorizar a natureza das árvores de longa duração. Tendo então, desde o final da manhã e toda a tarde, até à noite, decorrido um convívio domingueiro, de amigos e conhecidos do proprietário da ancestral “Casa do Montebello”, no popular lugar do Montebelo, da freguesia de Rande, nos limites da Vila da Longra e em pleno concelho de Felgueiras. Qual encontro abraçado por centenário arvoredo de aragem atmosférica ao ar livre, nesse ajardinado bosque ambiental. Tal o evento acontecido sob auspícios de aclimatação memoranda aos exemplares do mesmo sítio frondoso, à guisa de reserva arbórea de cariz particular da região, guardando muitas e belas árvores da família dos carvalhos, que pela sua antiguidade são consideradas carvalhas.

Neste ponto do reflexo do sol entre a ramagem das árvores vem a sentir-se a definição das mesmas árvores, em apreço, sendo que carvalho, árvore do género Quercus, se denomina assim durante seu crescimento inicial, enquanto carvalha designa um carvalho velho, de longa idade. Com especial enfoque pela copa e vigor. Curiosamente, o célebre etnógrafo Leite de Vasconcelos, em seu trabalho “Etnografia portuguesa: tentame de sistematização”, referiu até que «Carvalho em Felgueiras parece que é o carvalho que em parte se corta, e depois rebenta viçosamente…» e relativamente a uma de suas funções mais usuais em tempos idos, nas construções domésticas, quanto aos antigos barrotes ou traves, referiu por termo coletivo que «trave designa em Felgueiras o carvalho, quando, em plena vegetação, se torna apto para construções…». Com a natural noção que essas árvores são dignas em espaços próprios, por serem de folhas caducas, deixando cair todas as suas folhas pelo outono e até ao inverno, ou seja não são tanto de espaços públicos normais.

Foi pois nisso assim que este passado domingo, 21 de setembro, com muito gosto testemunhei e participei como convidado em tal inédito evento de louvor a árvores de longa história. No Montebelo, em Rande, mais precisamente na histórica “Casa do Montebello” que deu nome ao lugar circunvizinho. Graças à iniciativa do amigo e bom cidadão Longrino-Felgueirense sr. Fernando Vaz, que juntando um bom número de convidados, deu azo a essa atenção à natureza das árvores de cobertura desse bosque, de realce de tanta flora misturada com refrescante arvoredo antigo.

No livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” (publicado em 1997, com o patrocínio do jornal Semanário de Felgueiras), além de também ter ficado impresso um apontamento a historiar a casa, entre as páginas 259 e 260, aí foi registado pelo autor desta reportagem ainda uma descrição do ambiente da propriedade, narrada como «sobremaneira valorizada por muito antigo parque ajardinado, um grande jardim, lago e passeios completando um conjunto frondosamente deleitoso, realçado por lindas flores e belas espécies de arvoredo».

Ora, nesse remanso tipicamente acolhedor, de misto ambiental romântico e paisagista, entre convivência em torno de repasto de ocasião, teve lugar pela tarde dentro uma classificativa das carvalhas mais antigas, de porte mais avantajado, entre as vinte e muitas espécies de carvalhos e carvalhas do respetivo parque doméstico, num total de vinte e oito, com marcação celebrativa das nove mais grossas, algumas das quais a precisar de vários braços humanos para serem devidamente abraçadas, quão enlaçadas e medidas foram. Conforme se mostra, ilustrando toda a ocorrência, ao jeito como as imagens dispensam mais palavras.




























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Após medidas e classificadas as carvalhas, concluída a vistoria e verificação de quais as maiores, ficou estabelecido por ordem a sua classificação, mediante as medidas verificadas. Por exemplo a 1ª (número 1 final) tem 3, 96 metros e as outras correspondentes dimensões seguintes, conforme se pode verificar pelo mapa ilustrativo de conclusão (na imagem, de epílogo).


Armando Pinto

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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

De vez em quando… uma publicação com história de interesse felgueirense: Gazeta Literária da A.J. H.L.P. de realce ao Dr. Magalhães Lemos - quando fazia 100 anos (em 1955) que nasceu esse Ilustre Filho de Felgueiras!

Em tempos de puxar aos interesses concelhios, e porque o todo concelhio é o que mais deve contar e não apenas umas quantas freguesias e uma ou outra área urbana de maior influência, ou pelo menos das terras mais protegidas e melhor servidas, enfim mais bem vistas… vem a propósito trazer acima um tema de alcance geral, no caso relacionado com um dos mais ilustres felgueirenses. Por sinal natural da sede do concelho. Tal o facto de numa revista antiga de prestígio ter sido realçado logo na primeira página, com continuação na página seguinte, a figura nacional do Dr. Magalhães Lemos. Um dos maiores expoentes do orgulho felgueirense – esse que foi um médico cientista de grande renome, qual icónico Filho saliente de Felgueiras. Como uns quantos mais considerados maiores entre pares conterrâneos, felizmente, tal como Leonardo Coimbra, Francisco Sarmento Pimentel, Padre Luís Rodrigues, Lucas Teixeira, Leonor Rosa da Silva, etc., entre gente saliente felgueirense de assento de nascimento registado.

Ora, esse prestigiado cientista de medicina psiquiátrica, o Dr. Magalhães Lemos, entre tantas publicações de permeio saídas a público em sua homenagem, teve em 1955 (quando fazia 100 de seu nascimento), uma interessante referência na revista “GAZETA Literária”, com direito a um artigo de 1.ª página e continuação na segunda, a historiar a sua ligação à “Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto”, instituição da qual foi em 1907 Vice-presidente e em 1909 passou a Presidente. Tendo-se mantido depois cerca de sete anos à frente da erudita coletividade portuense. Conforme se vê pela publicação que agora aqui se recorda, memorizando a respetiva publicação do número de Agosto e Setembro de 1955 dessa revista mensal, órgão da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Cujo número faz parte da biblioteca pessoal do autor deste blogue.


Nascido em Margaride-Felgueiras a 18 de Agosto de 1855 (e como tal perfazia um século em Agosto de 1955 quando foi relembrado na Gazeta Literária da Associasção dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto), o Dr. António de Sousa Magalhães Lemos faleceu na cidade do Porto a 22 de Julho de 1931.
Ora, como dizia um político contemporâneo, do final do século XX e continuado neste século XXl, basta fazer as contas...  

Armando Pinto

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sábado, 13 de setembro de 2025

Seleção Francesa Feminina do Europeu de Hóquei em Patins fez refeições num estabelecimento da Longra-Felgueiras

Tendo-se realizado por estes dias no Norte de Portugal, e mais precisamente na região do Vale do Sousa, o Campeonato Europeu de Hóquei em Patins feminino, de 8 a 13 de setembro, em Lordelo de Paredes, uma das seleções presentes foi cliente dum estabelecimento de restauração da Vila da Longra, no concelho de Felgueiras. Tal o caso da Seleção Francesa. Conforme com natural orgulho foi registado na página dessa mesma casa e com orgulho conterrâneo e bairrista aqui se assinala, com a legenda e fotografia publicada na página de Facebook respetiva, que aqui se partilha:

«Cantinho Dos Manos Longra

Gratidão à seleção francesa de hóquei feminina

Foi um gosto fazer os vossos almoços e jantares

Façam boa viagem

Merci» 

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

De vez em quando… Um artigo sobre Património Felgueirense Edificado ("Capela do Monte do Senhor dos Perdidos") em artigo de Mário Pereira no SF Jornal

 

Entre curiosidades felgueirenses e motivos de interesse, regista-se aqui desta vez um artigo da autoria do amigo sr. Mário Pereira, publicado no jornal Semanário de Felgueiras, sobre a Capela do Monte do Senhor dos Perdidos. Um dos pontos altos do horizonte vislumbrado nos contornos paisagísticos do concelho de Felgueiras e com história que vem das brumas do tempo, entre as existências patrimoniais em terras de Felgueiras. Artigo historiador, publicado no SF Jornal, em sua edição atual de 12 de setembro, que se partilha pelo seu merecimento.



Armando Pinto

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quarta-feira, 10 de setembro de 2025

A propósito do tempo de regresso às aulas… um documento com história – meu passe de transporte…

 

Em tempo de regresso às aulas, vem a propósito algo relacionado. E como tal não podia faltar, desta vez, um exemplar do pessoal cartão de identificação de tempo escolar. No caso deitando mãos e olhos ao cartão do passe pessoal, usado de 1969 em diante e durante o “Ano Lectivo” de 1969/70. Tratando-se do passe de viagens pago antecipadamente e que assim serviu de livre-trânsito, nas viagens de camioneta de passageiros entre a Longra e Lousada e vice-versa, quando andei no Externato Eça de Queirós de Lousada. Sendo a empresa de transportes públicos a Pereira Meireles, que operava nos percursos das carreiras de Felgueiras para o Porto com passagens na Longra, nesse tempo. As então tão populares Camionetas da Lixa que eram familiares nos percursos da Lixa a Felgueiras e à Longra e Lousada (incluindo em dias de feiras de Lousada ter uma ligação de ida e volta entre a Longra a Lousada durante o dia).

Armando Pinto

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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Recordando… Em tempo de Vindimas: “Ritual do Vinho” in livro “Felgueiras-Tradição com Futuro” publicado em 1996 pela Anégia e C.M. Felgueiras

 

Estamos na época das vindimas do vinho verde na região de Felgueiras e terras do Vale do Sousa, na zona de transição do Entre Douro e Minho, do Douro Litoral interior da Comunidade do Tâmega e Sousa – tal a disparidade atual desde que o país das regiões foi integrado na CEE, nos anos 80, do século XX, e andaram pelos inícios da segunda década do século XXl os da Troika a criar confusões e arrancarem raízes às freguesias, por exemplo, com aprovação dos autarcas desses tempos… na extensão das asneiras dos governantes e deputados da Nação.

Ora, apesar disso, ainda se vão mantendo algumas tradições tipicamente regionais e outras mesmo locais, do Portugal profundo. Das quais, para se não perder tudo, algumas têm sido registadas memorialmente. Como no caso das vindimas e ciclo do vinho, de cuja memória foi publicado um artigo intitulado ”Ritual do Vinho” no livro “Felgueiras-Tradição com Futuro”, publicado em 1996 pela “Anégia Editores”, de Paços de Ferreira, em “Edição sob Alto Patrocínio da Câmara Municipal de Felgueiras” (CMF). 

Artigo esse do autor deste blogue e que foi extraído do original datilografado que estava na CMF para possível patrocínio do então futuro livroMemorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” (que não chegou a ser patrocinado municipalmente por falta de aprovação do Pelouro da Cultura da CMF e foi depois publicado com patrocínio do jornal Semanário de Felgueiras em 1997).

Eis o referido trabalho “Ritual do Vinho”, distribuído por colunas laterais das respetivas páginas 189, 190 e 191 do livro “Felgueiras-Tradição com Futuro”, em 1996.



Armando Pinto

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sábado, 6 de setembro de 2025

De quando em vez… Entre gente da nossa terra… Homenagem aos sacristãos da paróquia de S. Tiago de Rande na pessoa de um carismático – Luís Peixoto, o popular “Luís Papa” e meu amigo Luís do Paço!

 

Nem só de pão vive o homem, como é muito referido, estando essa frase numa das passagens do Evangelho, em citação bíblica de dois dos Evangelistas, pelo menos, a lembrar essa máxima que Jesus usou. Sendo que, nesse sentido, também são essenciais para a vida humana outros valores necessários, que não apenas a alimentação. E como tal, transpondo à vivência normal, também muitos outros valores existenciais fazem parte da vida. Como por exemplo os serviços comunitários, em que se insere um aspeto que queremos aqui puxar à valorização, quão foi e é o mister dos ajudantes dos párocos nas paróquias, os normalmente chamados sacristãos. E na percussão respetiva, qual tinir da campainha que se ouvia na missa a ecoar no som sagrado, homenagear os sacristãos de tão relevante serviço em Rande, entre os quais um mais carismático, por assim dizer. Do qual, para melhor o referir e até considerar, tem de se indicar pelo nome com que normalmente é mais conhecido, o Luís “Papa”. Referência com que carinhosamente o elevamos aqui, como se eleva o incenso que ele tanto ajudou a fazer subir perto do altar. Mesmo porque não é qualquer um que é Papa… Tal o caso do meu amigo Luís, e primo ainda em terceiro grau, que também era conhecido por Luís do Paço, por em criança e jovem ter vivido no lugar do Paço, junto à Casa da Torre, como depois passou a viver no Paço de cima, onde contruiu sua casa.

Ora, em Rande, como por outras paróquias – mas aqui e agora vem ao caso o que conheço melhor, expondo na primeira pessoa – antigamente os sacristãos eram rapazes que viviam na casa do Padre, habitando também na Residência Paroquial, junto com o pároco e a governanta da casa, como era a Dosindinha (de Adosinda), tão simpática senhora, criada do Padre João. Estando assim o sacristão sempre pronto para os serviços da igreja. Lembrando-me ainda de diversos antigos criados do padre, como se dizia, porque normalmente a partir que faziam (acabavam) a escola e a catequese, ou seja desde que ficavam livres do antigo ensino obrigatório e podiam trabalhar, iam para casa do pároco como seus ajudantes. Claro que um só, enquanto jovem sem outro trabalho, e depois quando esse ia trabalhar numa qualquer profissão e saía dali, havia outro rapaz a dar continuidade, conforme acordo com os pais. E assim sucessivamente, uns após outros, ajudando à missa e prestando serviços caseiros, tal como faziam recados, etc. Mas dos que conheci e de outros anteriores sobre os quais ouvi falar, ganhou contornos simpáticos o caso do amigo Luís. Desde logo porque no primeiro dia de missa dominical ao ir tocar o sino – que era tocado à mão, com ambas as mãos, após subir as escadas do campanário sineiro e junto aos dois arcos com os sinos, do lado de fora, sendo tocado o sino grande, do lado esquerdo, com a mão esquerda, e à direita o pequeno com a mão direita, portanto – ele causou engraçada sensação ao passar-se para o outro lado, ficando sobre o telhado, para tocar como mandava a tradição, visto ser esquerdino… e usava obviamente as mãos ao contrário do normal. Enquanto depois continuou nas boas graças populares, como figura pública que era, pela sua simpatia, ao longo do tempo, visto ser rapaz engraçado com quem todos simpatizavam.

Antes, em tempo da escola, enquanto ele e os de nosso tempo andamos na escola velha da Longra (embora em classes diferentes, tendo o Luís coisa duns dois anos mais que eu, mas andando juntos porque todas as classes tinham a mesma ampla sala e o recreio era o mesmo pequeno espaço de jogar à bola com as balizas em ângulos diferentes, por o terreno ser irregular e para as bolas rematadas não caírem tanto ao quintal vizinho…), já era aí o Luís Moreira Peixoto algo saliente, então por sua grande mira, sendo artista a atirar aos pássaros, com pequenas pedras, ao cóio como dizíamos. Raramente errava e pássaros e ninhos que calhassem na sua mira caíam de certeza. Talvez por isso, por raramente falhar, ou fosse lá o motivo que fosse e não sei porquê, ele era conhecido nesse tempo por Luís Zero. Mas depressa, logo que foi para casa do padre João e passou a ser sacristão, começou a ser conhecido por Papa. Quer dizer, em pouco tempo subiu na hierarquia da igreja, também, passando acima do padre e até de bispos e cardeais, no conhecimento popular.

Então, um dos afazeres do Luís era vir buscar o correio à Longra aos domingos, no fim da missa. Pois a estação do correio da Longra nesse tempo estava aberta até ao meio dia dos domingos, para quem quisesse ir lá buscar correio, que naturalmente não era levado a casa como nos outros dias. Andando à semana os carteiros na respetiva distribuição de porta em porta, mas aos domingos havia esse serviço de exceção. E por isso o Luís vinha à Longra, pelo final da manhã (depois da tradicional missa das dez horas) e aproveitava, como gostava, de conviver com os amigos e mais amiúde comigo e com os que comigo andavam. Sendo assim por esse tempo que tantas vezes li os jornais semanais de Felgueiras, que saíam aos sábados e chegavam aos domingos pelo correio, normalmente, e também os diários do Porto, dos quais com cuidado tirávamos a fita de papel de fecho que tinha o endereço e depois de visto o que mais nos chamasse a atenção das páginas, um pouco à pressa, voltávamos a colocar como estava antes. Bem como depois, de tarde, quando o Luís folgava, vinha também até à Longra, antes da reza do terço, antes de voltar para ajudar na cerimónia. Sendo de uma dessas vezes que, convivendo connosco, no fim do almoço, fomos fotografados juntos, eu, o Luís, o meu irmão Fernando e o Rosário, aproveitando a passagem de um amigo que levava uma máquina fotográfica, indo para casa da namorada, e nós então estreamos esse rolo fotográfico antes da namorada (do amigo Fernando Carvalho, de Barrosas, que ia para Varziela…). Ficando daí essa pose fotográfica de amigos, em conjunto, para a posteridade. Que, depois da fotografia revelada, dias depois (como acontecia, ao tempo), eu guardei e tenho no meu primeiro álbum. E aqui dá jeito para ilustrar estas recordações.


Essa foto, captada quando os postes de iluminação pública da Longra eram ainda de barras de ferro (como se vê parcialmente um, ao lado, dos postes transformados dos antigos railes da linha do comboio que passou na Longra), mostra ainda, dentro da visualização possível, alguns aspetos antigos do Largo da Longra, como a casa da antiga oficina de bicicletas, acima da loja da Ramadinha (encoberta pelo muro da casa do talho), por exemplo.

Seguidamente, quando o Luís cresceu e com maior idade foi trabalhar para a Metalúrgica da Longra, deixando assim de ser sacristão, passou ele então a incluir o Grupo Coral da Liga Eucarística dos Homens de Rande, dos cantores que animavam as missas na igreja de Rande. Então substituiu-o seu irmão Adão como sacristão, a viver por conseguinte em casa do padre; ao qual acabou por suceder depois o Monteiro, um dos mais novos da família ao tempo residente na quintazinha do Rabelo de Rande, no lugar da Laje, numa época em que, ainda no tempo do Padre João, começou também a ajudar à missa como sacristão-acólito voluntário o senhor Joaquim Sampaio, do alto de Cimalhas da Longra. Enquanto em Sernande, paróquia vizinha e anexa a Rande desde 1911, havia normalmente um sacristão que era habitante vizinho da igreja. Situação que vigorava quando o Padre João Ferreira da Silva morreu, em 1973. Até que depois de entrado como administrador o Padre Joaquim Oliveira, pároco de Varziela e interino de Rande e Sernande, deixando de estar habitada a Residência Paroquial de Rande, a paróquia de Rande deixou de ter sacristão propriamente, ficando com essa função exclusiva de acólito o sr. Sampaio em Rande e Sernande. Mais tarde, a partir dos párocos sucessores nomeados, começando a haver os diversos grupos paroquiais saídos dos escalões da catequese, começou e passou a haver o agora habitual Grupo de Acólitos, de rapazes e raparigas, como na atualidade ainda. Mas, mesmo assim, durante algum tempo, enquanto lhe foi possível, com o Luís Peixoto a ser cara dos ajudantes, quanto a tomar conta de tudo o que se relacionasse com as celebrações e até das existências paroquiais, como elemento da Comissão Fabriqueira, depois Conselho Económico da Paróquia, tendo feito parte de equipas de mérito, entre as diversas valências do Conselho Paroquial da Pastoral de Rande.

Entretanto, ainda enquanto jovem, o Luís ficara ainda famoso também localmente como guarda-redes da equipa de futebol do Futebol Clube da Longra. Como consta no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, em diversas páginas e sobretudo na parte narrativa desse histórico clube desportivo. Assim como seu nome consta nas listas de diversos órgãos autárquicos, na sua ligação político-social à administração pública da freguesia de Rande, também descrita no mesmo livro historiador. Mas foi e é sobretudo a sua dedicação à paróquia que mais o faz homem da imagem coletiva da terra que nos une.

“Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.” Quão tudo o que seja a louvar quem se dedica à comunidade merece palavras de apreço, embora humanas mas sinceras.

Armando Pinto

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