Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sábado, 23 de janeiro de 2021

Falecimento do Dr. Fernando Preto

 

Como quem não quer a coisa, quando menos se espera, damos conta que aos poucos, indo nos sessenta e tal anos de vida, vamos ficando já um dos sobreviventes de diversas áreas aqui da região natal. Se já de tempos de escola e da mesma época não há muitos por aqui, embora a maioria por via de terem saído da terra pelas cambiantes da vida, entretanto vão desaparecendo outros que foram acompanhantes de outros períodos do percurso da vida pública. Como aconteceu agora com o Dr. Fernando Preto.

A morte do Dr. Fernando Afonso Preto, ocorrida neste sábado 23 de janeiro, aos 66 anos, foi e é uma das notícias que não se esperam... e deixam sensação de tristeza.  O Dr. Fernando Preto que faz parte das nossas memórias de convivência no mundo do Posto Médico da Casa do Povo / Centro de Saúde da Longra.

Devido a ambos estarmos aposentados, ultimamente apenas o via quando passava no seu jipe por aqui à beira de minha casa e nos cumprimentávamos acenando. Pois, com as restrições sociais devido à pandemia Covid-19, há algum tempo que não foi possível continuar os convívios…

Curiosamente ainda por estes dias me tinha lembrado dele a propósito de conversa com alguém sobre o grande escritor Camilo. Porque o Dr. Preto, sendo natural de Caçarelhos, povoação de terras de Vimioso, era também admirador de Camilo Castelo Branco, como eu sabia por conversas com ele sobre o tema. Na extensão do caso de um dos romances mais conhecidos do famoso escritor clássico, "A Queda de um Anjo", ter por personagem um típico fidalgo transmontano de Caçarelhos, depois transformado deputado em Lisboa, totalmente transtornado com a sedução política…   

Ah, e como ele gostava de ouvir contarmos histórias de experiências de serviço, como no caso duma ocorrência com o antigo fiscal dos Serviços Médico-Sociais sr. Fontinha, o poeta Eugénio de Andrade, conforme era o seu pseudónimo literário com que ficou famoso…

Descanse em paz amigo!

Armando Pinto

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Recordando: Prémio da Associação Industrial Portuense a Joaquim Pinto, da Metalúrgica da Longra

= Quadro com o Diploma do Prémio da Associação Industrial Portuense de 1959, outorgado a Joaquim Pinto, da Longra (n. 1916 - f. 2006). Em reconhecimento de seu mérito com obra feita como funcionário empreendedor. Com realce pela criação da Sirene da Metalúrgica da Longra (e da Ferfor da Serrinha, depois).

Prémio que lhe foi entregue em 1960, sendo uma honra para a empresa tal distinção única - como na época foi distinguido publicamente. 

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Na pertinência desta lembrança, juntam-se algumas imagens de ilustração, com fotografias relacionadas, desde gravuras documentais, incluindo cabeçalhos de ofícios das firmas antigas por que passou a "Metalúrgica", quer nos anos trinta como na década de quarenta, enquanto a fábrica esteve no Largo da Longra, como depois que em 1950 passou para a reta da Arrancada da Longra, também. Mais o que por aqui se mostra e recorda, como publicação celebrativa relacionada ao tema.

Diploma de reconhecimento pelo seu valor em vida, tanto que é o único felgueirense que foi agraciado com o Prémio da Associação Industrial Portuense (instituição mais tarde agremiada como Associação Empresarial de Portugal), ele que foi o criador da famosa sirene da "Metalúrgica da Longra" (que era referência de sinal meteorológico em sítios distantes, quando ouvida longe), assim como autor da idêntica da “Ferfor” da Serrinha; além de ter sido a sua ideia depois levada para a “Famo” de Lousada, por exemplo. 

...E foto alusiva ao ato, junto com outros agraciados do distrito do Porto.

Armando Pinto 

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Curiosidades Felgueirenses – Um folhetim intitulado Vida Rural…

Não sendo muito abundante a existência de livros antigos com motes de Felgueiras de tempos idos, há ainda alguns casos dignos de nota. Alguns dos quais praticamente desconhecidos ou pelo menos esquecidos. Como no caso da História de Felgueiras escrita por um sacerdote, Padre Carlos Alves Vieira (“Achegas Para Uma Monografia de Felgueiras”), que durante anos foi referida como estando guardada em cofre na Câmara Municipal de Felgueiras, à espera de publicação, e acabou por ficar inédita. Mas também outros acasos, entre os que chegaram a ficar em livro. Tal como bem aconteceu com um pequeno volume intitulado “Vida Rural”, da autoria do historiador e jornalista local Manuel Sampaio.

Ora esse trabalho teve primeira aparição pública em folhetim principiado em dezembro de 1935 n’ O Jornal de Felgueiras, de que era diretor e redator o mesmo senhor Manuel Sampaio. Tendo depois em edição de autor sido reunido num livro impresso em 1936, no qual, ao longo de 55 páginas e em tom romanceado, foram publicadas histórias de genealogia, contando algumas curiosidades de antanho. Como por exemplo nesse pequeno livro ficou descrito o original Brasão de Maderne. Como outros motivos ali discorridos, noutros exemplos possíveis.

Sobre esse pioneiro historiador felgueirense já escrevi em tempos um artigo biográfico no jornal Semanário de Felgueiras (mais tarde transposto também para este blogue), em cuja narrativa registei alguns dos livros que ele editou. Ora, sabendo-se que as poucas mas importantes obras literárias de Manuel Sampaio são hoje já raridades, sabe-se também que alguns desses livros (com o nome do autor constando em grafia antiga como Manoel Sampaio) fazem parte do acervo da Biblioteca Municipal de Felgueiras. Como também particularmente esse referido livro felizmente, em seu Fundo Local.

OBS.: - Sobre Manuel Sampaio, conferir (clicando) aqui

Armando Pinto

sábado, 16 de janeiro de 2021

Hino de Felgueiras

Tal como no caso da Nação, em que a nossa Pátria tem brasão das quinas circundado pela esfera armilar, mais bandeira e o hino, também o concelho de Felgueiras tem brasão, bandeira e ainda hino.

Sendo isso mesmo pouco ou quase nada conhecido, há até mais que uma versão.

Sobre esse tema brevemente será publicado um artigo do autor destas linhas, aludindo alguns pormenores relativos, mas entretanto fica aqui neste blogue uma imagem de um disco em que está gravado o hino oficial de Felgueiras. Cujo exemplar de vinil compõe melhor ainda os arquivos do autor deste blogue.

Armando Pinto

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

In Memoriam de Matilde da Costa – Em Memória de minha Mãe – 33 anos de saudade e constante presença espiritual !

Matilde da Costa

(27/06/1915 – 15/01/1988)

Já foi há 33 anos, na sexta-feira de meio do primeiro mês de 1988, o falecimento de minha Mãe, mas ela continua bem presente em espírito no nosso coração e em nossos pensamentos e momentos.

Faz agora 33 anos, nesta sexta-feira 15 de abril de 2021.

Falecida a 15 de janeiro de 1988, às 2 horas da noite do início desse dia, no Hospital de Felgueiras e pouco depois trazida para casa, onde ficou pela última vez seu corpo até ao dia seguinte.

Nascida a 27 de junho de 1915, em Janarde-Rande, em cuja freguesia casou na igreja paroquial em maio de 1940, residindo depois sempre na então povoação da Longra, faleceu pelas 2 horas da noite de 15 de janeiro e na igreja paroquial de S. Tiago de Rande em que foi batizada e casou veio a ter as cerimónias de despedida, com missa de corpo presente e encomendação, no dia 16. Ficando por fim sepultada no Cemitério Paroquial de Rande, mas continuando bem presente no íntimo de quantos a amamos.

Armando Pinto

sábado, 9 de janeiro de 2021

Artigo de outrem na revista "Evasões", com afinidades comuns…

Quando tive a conversa em jeito de entrevista para a revista Evasões do Natal de 2020, por entre deambulações de assuntos que já seriam mais ou menos familiares por via do meu blogue sobre assuntos da minha terra, a entrevistadora perguntou-me quando comecei a escrever publicamente, ou seja quando tive o meu primeiro texto publicado. Tendo de certa forma ficado admirada, pois escrevi pela primeira vez uma redação para leitura e fixação pública numa revista do estabelecimento de ensino que então frequentava, teria então entre doze a treze anos, na revista Jardim Seráfico dos Capuchinhos de Gondomar, onde vivi pouco mais algum tempo. Tendo aí escrito sobre o meu regresso à terra, nas viagens de vindas em tempos de férias, como acontecia quando vinha a casa pelo Natal, por exemplo, quão era entusiasmante esse retorno às origens, à minha terra. Acrescentando obviamente ter mais tarde conseguido verter em livro a História da minha terra e da região envolvente, além de outros livros relacionados, incluindo um de contos versando antigas ocorrências locais. 

Ora, depois de algumas horas de boa conversa com a simpática jornalista, Ana Luísa Santos, esse tema foi um dos diversos que não foram naturalmente depois referidos no artigo da revista, que teve de cingir-se a uma página apenas sobre o mote das recordações de Natal. Tendo na ocasião sido referido que entre as jornalistas da revista, incluindo a diretora, havia afinidades desse bem-querer telúrico.

Agora, neste fim-de-semana ao ler a revista Evasões com o JN, deparo-me com um artigo da diretora-editora, Dora Mota, sobre algo do género. E como já na ocasião da entrevista me ficara na dedução, vejo que realmente há pontos comuns entre pessoas que apreciam as loas do que nos identifica e nos faz sentir bem connosco e com o que nos rodeia. De modo que esse artigo merece que seja para aqui transposto, por quanto tem de comum. Bastando mudar nomes de lugares e afetos.


Armando Pinto

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Cantares tradicionais dos Reis, em período das Janeiras

Passada a quadra de Natal, ao chegar-se aos Reis, pelo dia seis de janeiro, é tempo de alagar o presépio, como se diz popularmente. Com o desfazer daquela construção caseira a servir de final da época do encanto natalício.  Mas o início de ano, no calendário festivo anual, alonga-se pelo primeiro mês adiante, com os tradicionais cantares das Janeiras, canto que a partir do dia seis passa a ser chamado dos Reis. Sendo que depois até sensivelmente ao dia 20 de Janeiro é tempo de Janeiras e Reisadas.


Estamos em tempo do tradicional canto popular das Janeiras, na entoação visitante às casas de gente conhecida e entre amigos, através de grupos formados de diversas maneiras e feitios. Incluindo desde há anos as andanças de agrupamentos organizados, como Ranchos e formações tendentes à angariação de verbas. Com acrescento de recriação folclórica, embora nem sempre condizente à realidade, visto antigamente ser gente do povo que costumava andar a cantar nesse fito das visitas de casa e casa, não se entendendo por isso como aparecem trajes domingueiros  e de pessoas ricas em tal coreografia revivalista, atualmente.

Olhando a toda a envolvência relacionada, na pertinência da época, recordamos aqui um dos textos em tempos já publicados num artigo pessoal no Semanário de Felgueiras e de permeio também vindo a público noutra publicação:


Cantares de Janeiras e Reis

Começando pelo princípio do ano, debruçamo-nos de início, ainda que levemente, sobre os tão antigos cantares de Janeiras e Reis.

Passados os festejos natalícios, comido o bacalhau e as batatas da consoada, com a árvore decorativa a representar como que uma réstia do antigo cepo que ardia nos adros das igrejas em noite de missa do galo, e com a passagem de ano, tempo de beijar comunitariamente ainda os pés do Menino no fim das missas, chega a vez das Janeiras e complementares cantares dos Reis. Costume de influência importante noutras eras, teve formas variadas conforme as terras, por esse país fora, e também no nosso ambiente concelhio. Maneira essa de convívio que mais não é que um velho uso, deveras misturado num apego religioso revestido com sabor popular, vulgo pagão.

Segundo estudiosos eminentes da matéria, do que fomos lendo algures e anotando há longo tempo, essas reuniões de grupos de amigos, familiares e vizinhos, que iam às portas uns dos outros entoar as “boas entradas”, é uma usança derivada das “Saturnais”, festas clássicas celebradas pelo povo romano e romanizado em honra de Saturno, festividade relacionada com os segredos da crença popular comum à agricultura. Folganças aquelas realizadas por alturas das calendas de Janeiro e com a particularidade de que durante tal período desapareciam as distinções sociais.

Na antiguidade, conforme ainda algo que chegou transmitido através de alguns estudos historiadores, reuniam-se ranchos de gente, formando grupos de cada lugar ou famílias, os quais a partir da noite de ano novo percorriam as casas das pessoas mais gradas a desejar-lhes as boas festas, juntando-se por fim todos os da mesma freguesia num local tradicional, normalmente no adro ou proximidade da igreja paroquial, acabando ao calor do que restara do tronco da fogueira de natal a cantarem, ora ao desafio ou todos juntos.

A respetiva campanha, conforme a definição mais conhecida, é efetivamente uma tradicional manifestação de cultura popular de origem pagã, consistindo em reunião de grupos de pessoas que, no início de Janeiro, percorrem uma região, à noite, cantando pelas casas, ao som de instrumentos tradicionais de música, e desejando às pessoas conhecidas e amigas um feliz novo ano, por via de quadras de sabor popular. Tal como as Janeiras são “cantigas de boas-festas por ocasião do Ano Novo”. A propósito de Janeiro ser o primeiro mês do ano, sendo assim chamado em honra do deus Jano (de janua = porta, entrada). Uma outra ideia relacionada, pois Jano era como que um porteiro celestial, e, consequentemente, qual deus das portas, que as abria e fechava, esperando-se a sua proteção na partida e no regresso. Tido assim por um deus dos começos, Jano era invocado para afastar das casas os espíritos funestos. Fundamentando-se, por isso, que esta manifestação tem origem em cultos pagãos, que o cristianismo não conseguiu apagar e se foram transmitindo de geração em geração. Por extensão, a versão religiosa cristianizada das Janeiras é o cantar dos Reis, desde 6 de Janeiro.

Com o decurso dos tempos surgiram transformações desse hábito, das Janeiras e Reis, por via de que resultaram particularidades diversas. Passou a associar-se cambiante de convívio mais restrito, com esse canto noturno de porta em porta, dando vivas às pessoas das casas visitadas, a ser recompensado por meio de qualquer espécie alimentar, sendo depois essa angariação repartida por todos os participantes em folguedo final conjunto.

A partir da noite de Reis, depois da ceia tradicional, que nalgumas freguesias do concelho de Felgueiras, pelo menos, metia arroz de feijão branco acompanhado de rodelas de paio, começavam então as "Reizadas", seguindo o mesmo ritual, apenas com adaptação da letra entoada ao som dos instrumentos musicais mais acotiados.

Sendo estes cantos efetuados por grupos de mulheres e homens adultos, acompanhados por rapazes e raparigas jovens e por vezes também por crianças, em anos não muito distantes passaram a ser levados a efeito mais por jovens e crianças, com o fito de receberem donativos, conhecidos por “esmola”.

Tal tradição tem sido preservada nos tempos mais recentes, sobretudo, pelos Ranchos Folclóricos e outros grupos institucionais, com o propósito de angariação de receitas para a sua sobrevivência, em vista à manutenção anual associativa, ou por comissões e agrupamentos organizados como recolha de fundos para qualquer iniciativa de interesse público.

ARMANDO PINTO

(Texto entretanto publicado parcialmente no jornal Semanário de Felgueiras em anos anteriores e entretanto guardado para publicação em livro que tem estado há anos a aguardar viabilidade de patrocínios para publicação.)

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Ora, à chegada do final da quadra natalícia, qual expirar da época festiva do Natal já passado e entrada no Ano Novo entretanto iniciado, depara-se no calendário anual a terminação dos Reis, na atualidade do dia dedicado ao tema dos Reis Magos – que, como visitantes últimos ao Menino Jesus, no seguimento da estrela de Belém, dão azo à ocasião tradicional do desfazer do presépio.

Assim, em plena época do canto das Janeiras, ancestral costume que a partir deste período dos Reis dão lugar às "Reisadas", estando-se já no fim de semana de guardar as decorações natalícias, passamos à normal vivência anual. Vislumbrando-se no horizonte uma linha de anseios natural. Como tal desejamos que se realizem os mais lindos e justos desejos comuns, entre nós, os que nos revemos nos mesmos anelos íntegros!

A. P.