Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sábado, 6 de setembro de 2025

De quando em vez… Entre gente da nossa terra… Homenagem aos sacristãos da paróquia de S. Tiago de Rande na pessoa de um carismático – Luís Peixoto, o popular “Luís Papa” e meu amigo Luís do Paço!

 

Nem só de pão vive o homem, como é muito referido, estando essa frase numa das passagens do Evangelho, em citação bíblica de dois dos Evangelistas, pelo menos, a lembrar essa máxima que Jesus usou. Sendo que, nesse sentido, também são essenciais para a vida humana outros valores necessários, que não apenas a alimentação. E como tal, transpondo à vivência normal, também muitos outros valores existenciais fazem parte da vida. Como por exemplo os serviços comunitários, em que se insere um aspeto que queremos aqui puxar à valorização, quão foi e é o mister dos ajudantes dos párocos nas paróquias, os normalmente chamados sacristãos. E na percussão respetiva, qual tinir da campainha que se ouvia na missa a ecoar no som sagrado, homenagear os sacristãos de tão relevante serviço em Rande, entre os quais um mais carismático, por assim dizer. Do qual, para melhor o referir e até considerar, tem de se indicar pelo nome com que normalmente é mais conhecido, o Luís “Papa”. Referência com que carinhosamente o elevamos aqui, como se eleva o incenso que ele tanto ajudou a fazer subir perto do altar. Mesmo porque não é qualquer um que é Papa… Tal o caso do meu amigo Luís, e primo ainda em terceiro grau, que também era conhecido por Luís do Paço, por em criança e jovem ter vivido no lugar do Paço, junto à Casa da Torre, como depois passou a viver no Paço de cima, onde contruiu sua casa.

Ora, em Rande, como por outras paróquias – mas aqui e agora vem ao caso o que conheço melhor, expondo na primeira pessoa – antigamente os sacristãos eram rapazes que viviam na casa do Padre, habitando também na Residência Paroquial, junto com o pároco e a governanta da casa, como era a Dosindinha (de Adosinda), tão simpática senhora, criada do Padre João. Estando assim o sacristão sempre pronto para os serviços da igreja. Lembrando-me ainda de diversos antigos criados do padre, como se dizia, porque normalmente a partir que faziam (acabavam) a escola e a catequese, ou seja desde que ficavam livres do antigo ensino obrigatório e podiam trabalhar, iam para casa do pároco como seus ajudantes. Claro que um só, enquanto jovem sem outro trabalho, e depois quando esse ia trabalhar numa qualquer profissão e saía dali, havia outro rapaz a dar continuidade, conforme acordo com os pais. E assim sucessivamente, uns após outros, ajudando à missa e prestando serviços caseiros, tal como faziam recados, etc. Mas dos que conheci e de outros anteriores sobre os quais ouvi falar, ganhou contornos simpáticos o caso do amigo Luís. Desde logo porque no primeiro dia de missa dominical ao ir tocar o sino – que era tocado à mão, com ambas as mãos, após subir as escadas do campanário sineiro e junto aos dois arcos com os sinos, do lado de fora, sendo tocado o sino grande, do lado esquerdo, com a mão esquerda, e à direita o pequeno com a mão direita, portanto – ele causou engraçada sensação ao passar-se para o outro lado, ficando sobre o telhado, para tocar como mandava a tradição, visto ser esquerdino… e usava obviamente as mãos ao contrário do normal. Enquanto depois continuou nas boas graças populares, como figura pública que era, pela sua simpatia, ao longo do tempo, visto ser rapaz engraçado com quem todos simpatizavam.

Antes, em tempo da escola, enquanto ele e os de nosso tempo andamos na escola velha da Longra (embora em classes diferentes, tendo o Luís coisa duns dois anos mais que eu, mas andando juntos porque todas as classes tinham a mesma ampla sala e o recreio era o mesmo pequeno espaço de jogar à bola com as balizas em ângulos diferentes, por o terreno ser irregular e para as bolas rematadas não caírem tanto ao quintal vizinho…), já era aí o Luís Moreira Peixoto algo saliente, então por sua grande mira, sendo artista a atirar aos pássaros, com pequenas pedras, ao cóio como dizíamos. Raramente errava e pássaros e ninhos que calhassem na sua mira caíam de certeza. Talvez por isso, por raramente falhar, ou fosse lá o motivo que fosse e não sei porquê, ele era conhecido nesse tempo por Luís Zero. Mas depressa, logo que foi para casa do padre João e passou a ser sacristão, começou a ser conhecido por Papa. Quer dizer, em pouco tempo subiu na hierarquia da igreja, também, passando acima do padre e até de bispos e cardeais, no conhecimento popular.

Então, um dos afazeres do Luís era vir buscar o correio à Longra aos domingos, no fim da missa. Pois a estação do correio da Longra nesse tempo estava aberta até ao meio dia dos domingos, para quem quisesse ir lá buscar correio, que naturalmente não era levado a casa como nos outros dias. Andando à semana os carteiros na respetiva distribuição de porta em porta, mas aos domingos havia esse serviço de exceção. E por isso o Luís vinha à Longra, pelo final da manhã (depois da tradicional missa das dez horas) e aproveitava, como gostava, de conviver com os amigos e mais amiúde comigo e com os que comigo andavam. Sendo assim por esse tempo que tantas vezes li os jornais semanais de Felgueiras, que saíam aos sábados e chegavam aos domingos pelo correio, normalmente, e também os diários do Porto, dos quais com cuidado tirávamos a fita de papel de fecho que tinha o endereço e depois de visto o que mais nos chamasse a atenção das páginas, um pouco à pressa, voltávamos a colocar como estava antes. Bem como depois, de tarde, quando o Luís folgava, vinha também até à Longra, antes da reza do terço, antes de voltar para ajudar na cerimónia. Sendo de uma dessas vezes que, convivendo connosco, no fim do almoço, fomos fotografados juntos, eu, o Luís, o meu irmão Fernando e o Rosário, aproveitando a passagem de um amigo que levava uma máquina fotográfica, indo para casa da namorada, e nós então estreamos esse rolo fotográfico antes da namorada (do amigo Fernando Carvalho, de Barrosas, que ia para Varziela…). Ficando daí essa pose fotográfica de amigos, em conjunto, para a posteridade. Que, depois da fotografia revelada, dias depois (como acontecia, ao tempo), eu guardei e tenho no meu primeiro álbum. E aqui dá jeito para ilustrar estas recordações.


Essa foto, captada quando os postes de iluminação pública da Longra eram ainda de barras de ferro (como se vê parcialmente um, ao lado, dos postes transformados dos antigos railes da linha do comboio que passou na Longra), mostra ainda, dentro da visualização possível, alguns aspetos antigos do Largo da Longra, como a casa da antiga oficina de bicicletas, acima da loja da Ramadinha (encoberta pelo muro da casa do talho), por exemplo.

Seguidamente, quando o Luís cresceu e com maior idade foi trabalhar para a Metalúrgica da Longra, deixando assim de ser sacristão, passou ele então a incluir o Grupo Coral da Liga Eucarística dos Homens de Rande, dos cantores que animavam as missas na igreja de Rande. Então substituiu-o seu irmão Adão como sacristão, a viver por conseguinte em casa do padre; ao qual acabou por suceder depois o Monteiro, um dos mais novos da família ao tempo residente na quintazinha do Rabelo de Rande, no lugar da Laje, numa época em que, ainda no tempo do Padre João, começou também a ajudar à missa como sacristão-acólito voluntário o senhor Joaquim Sampaio, do alto de Cimalhas da Longra. Enquanto em Sernande, paróquia vizinha e anexa a Rande desde 1911, havia normalmente um sacristão que era habitante vizinho da igreja. Situação que vigorava quando o Padre João Ferreira da Silva morreu, em 1973. Até que depois de entrado como administrador o Padre Joaquim Oliveira, pároco de Varziela e interino de Rande e Sernande, deixando de estar habitada a Residência Paroquial de Rande, a paróquia de Rande deixou de ter sacristão propriamente, ficando com essa função exclusiva de acólito o sr. Sampaio em Rande e Sernande. Mais tarde, a partir dos párocos sucessores nomeados, começando a haver os diversos grupos paroquiais saídos dos escalões da catequese, começou e passou a haver o agora habitual Grupo de Acólitos, de rapazes e raparigas, como na atualidade ainda. Mas, mesmo assim, durante algum tempo, enquanto lhe foi possível, com o Luís Peixoto a ser cara dos ajudantes, quanto a tomar conta de tudo o que se relacionasse com as celebrações e até das existências paroquiais, como elemento da Comissão Fabriqueira, depois Conselho Económico da Paróquia, tendo feito parte de equipas de mérito, entre as diversas valências do Conselho Paroquial da Pastoral de Rande.

Entretanto, ainda enquanto jovem, o Luís ficara ainda famoso também localmente como guarda-redes da equipa de futebol do Futebol Clube da Longra. Como consta no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, em diversas páginas e sobretudo na parte narrativa desse histórico clube desportivo. Assim como seu nome consta nas listas de diversos órgãos autárquicos, na sua ligação político-social à administração pública da freguesia de Rande, também descrita no mesmo livro historiador. Mas foi e é sobretudo a sua dedicação à paróquia que mais o faz homem da imagem coletiva da terra que nos une.

“Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que vem da boca de Deus.” Quão tudo o que seja a louvar quem se dedica à comunidade merece palavras de apreço, embora humanas mas sinceras.

Armando Pinto

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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

De vez em quando… Lembrança de (mais) um Longrino de tempos idos: o senhor Manuel das mobílias e do café da Longra!

 

Como não somos os únicos a olhar o céu, e lá em cima haverá muita gente conhecida que faz parte das memórias aqui da terra, olhando cá de baixo o infinito azul da abóbada celeste vem à ideia gente desaparecida, mas não esquecida. Como desta vez se lembra por aqui mais alguém de nosso apreço, entre pessoas merecedoras de serem lembradas, pelo menos na memória coletiva: - o senhor Manuel do Café, um amigo que foi também figura pública da Longra. O mesmo também muito popular senhor Manuel das Mobílias, como inicialmente foi conhecido quando veio para a Longra, e depois senhor Manuel do Café, assim chamado desde que abriu o seu Café Longra. De nome completo Manuel António Marinho da Silva, mas normalmente tratado na Longra por senhor Manuel, e entre amigos de fora por Marinho da Silva, sobretudo por sua profissão posterior de vendedor de carros, em que foi grande artista considerado o melhor do Vale do Sousa.

= Aspeto do interior do Café Longra, nos seus primeiros tempos - em imagem constante do livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras".

Ora o senhor Manuel, quando veio para a Longra, era eu ainda pequeno (daí não ter bem ideia de mais pormenores), estabeleceu-se com um estabelecimento de mobílias de madeira, de venda e conservação de móveis, incluindo o seu tratamento de acabamentos – pois ia buscar os móveis ainda por acabar, que na loja da Longra eram depois envernizados e postos em exposição, senão logo levados aos compradores. Loja essa sita ao lado do fontanário central da Longra e que também era local de convívio da então povoação da Longra, quão aí se juntavam amigos em conversas com ele e entre eles. De modo que nessa convivência ele conseguia vender móveis de qualquer jeito ou feitio mesmo a quem não precisasse. E ali se criaram bases de futuro até de famílias. Mas isso são outras histórias. Tendo, contudo e sobretudo, com sua vinda para a Longra, sendo ele presença diária ali do Largo, resultado que conhecesse a mulher de sua vida e acabado por criar a sua família. Havendo de permeio residido ainda nas redondezas, até que por fim veio habitar no Largo da Longra, junto aos antigos jardins fronteiros às casas que foram do senhor Abel Faria do carro e do senhor Camilo (onde antes houve um antigo café do senhor Adriano Castro). Espaços ajardinados esses depois desaparecidos, com a criação de espaços mais largos na berma da estrada.

Entretanto, como na Longra apenas havia um local de convívio público, vulgo café ou bar, o chamado Bar da Casa do Povo, que funcionava mais à noite, e nada mais entre Lousada e Felgueiras, o senhor Manuel resolveu instalar um negócio de cafetaria no centro da Longra, abrindo então o Café Longra. Aberto pela primeira vez e ainda durante alguns dias em dezembro de 1969 (com interrupção derivada porque pelo meio se meteu doença agravada e morte de sua mãe) e depois em definitivo no princípio de 1970. De permeio com sua função de vendedor de carros. Ficando o Café entregue à esposa, a Isaurinha do café, por isso mesmo assim mais conhecida, enquanto ele corria tudo a vender carros, os Toyotas então deveras em voga, que ele vendia quase com uma perna às costas, como se dizia, chegando a ir ao meio dos campos de lavradores amigos e conhecidos vender carros, conforme era dito. A pontos de ser então famoso como maior vendedor da região do Vale do Sousa, através do Stand de Paredes. Juntando o costume de se fazer acompanhar por amigos, a fazer-lhe companhia, que levava e esperavam enquanto ele vendia carros, levasse o tempo que levasse.

Sendo à época assim um personagem da vida local, o senhor Manuel envolveu-se também na vida social, a partir que, depois do 25 de Abril de 1974, surgiram os partidos livres e então ele foi pioneiro a nível local na divulgação de um partido político que havia sido formado por esse tempo, o PPD-Partido Popular Democrata, de Francisco Sá Carneiro (mais tarde transformado em PSD-Partido Social Democrata). Em cujo envolvimento o senhor Manuel chegou a fazer parte de listas concorrentes a eleições autárquicas, derivando disso que em 1977 foi eleito para a Assembleia de Freguesia de Rande, órgão de que fez parte no triénio de 1977 a 1979.

= Café Longra: um aspeto inicial, em 1970 - por imagem ampliada da gravura constante do livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras", publicado em 1997.

Entremeando com toda essa vivência, o senhor Manuel era pessoa de facilmente fazer amigos, de conhecidos de seu tempo e mesmo de outras idades. Tendo sido um grande amigo de meu pai, que foi um dos primeiros clientes dele na compra de uma cadeira articulada de madeira com assento de pano, para a minha avozinha (que estava paralítica há muito tempo, como esteve durante mais de 14 anos) e mais tarde ainda também uns sofás e uma pequena mesa central de sala para nossa casa. Bem como foi amigo cá de toda a minha família e meu, naturalmente. Chegando entre nós dois a estar combinada a publicação (em reedição, por cópias) do antigo álbum de fotografias do comboio que passou na Longra. E modo de o vender às pessoas, etc. e tal… Só que isso não chegou a passar de conversas de café, misturadas com outros assuntos que depressa distraíam as atenções.

Em suma, tendo o senhor Manuel sido um respeitado habitante da Longra, está referenciado no livro historiador da região, "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras", quer no capítulo da Longra, por exemplo, como na parte da Junta e Assembleia de Freguesia. Além de ter também sido referenciado, por exemplo, no livro escrito sobre o senhor Sousa da IMO. E agora fica aqui com sua memória avivada, como amigo de seu amigo. 

Armando Pinto

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domingo, 24 de agosto de 2025

De vez em quando... Lembrança de (mais) um Longrino de tempos idos: o senhor António Ferreira fundador do Rancho das Quatro Barrocas da Longra e da letra da Marcha da Longra – adepto romântico do "Porto"!

Naquele tempo – não no sentido do Evangelho, mas com laivos evangélicos – ao correr dos anos da primeira metade dos anos 60, em pleno período algo poético e de harmonia melodiosa de já mais de meio do século XX… eram cheios de vida os dias passados na Longra, tal o ambiente em torno da praçazinha do pinheiro do Largo da Longra, mais a parte de cultura e recreio da convivência na Casa do Povo e ainda os ajuntos populares nas Quatro Barrocas, no sítio da confluência de caminhos onde entretanto foi erigido o nicho das Alminhas da Longra, mais extensão do lugar até às Cortes Novas. Sendo ali, nas Quatro Barrocas, que aos domingos e em dias santos e feriados, por assim dizer quando o povo folgava, que se reuniam rapazes e raparigas em danças de roda. Enquanto nos outros dias os moços de idade infantil, fora de tempos de aulas ou de horário da escola, se juntavam e andavam todo o santo dia, ou pelo menos enquanto podiam, em brincadeiras que faziam esquecer o tempo e cujas distrações só eram interrompidas quando tocava a sirene da então chamada popularmente “Fábrica Nova” da Longra (a Metalúrgica, que tinha tido mudanças da antiga do Largo, para a nova da Arrancada), porque estava na hora de pais e irmãos mais velhos virem a casa comer, os que vinham, que eram os que viviam na Longra, porque os de mais longe comiam onde calhava de alguém da família lhes ir levar de comer. E como eramos felizes, assim, em brincadeiras que duravam pelo dia fora, saindo de casa logo pela manhã e aparecendo depois a suar em bica para comer, antes que algo corresse mal…

Ora por esses tempos habituei-me a ver o senhor Ferreira das Cortes Novas a passar, de jornal debaixo do braço, bem dobrado e estimado, em direção a casa. E como eu admirava a sua postura a andar, assim, e sua elegância de pessoa culta, que sabia de muitos assuntos pelas suas leituras do jornal diário, sempre com alguma graça a dizer alguma coisa aos catraios, e a mim em particular desde que soube que eu era Portista, como ele. Mas com seu caráter harmonioso a não deixar que houvesse disputas entre rapazinhos adeptos dos vários clubes, mais por saber que os outros eram menos e não sabiam sequer porque eram do contra, por assim dizer. Como de uma vez que o Benfica perdeu a Taça dos Campeões (a primeira das várias finais perdidas, portanto, em 1963) e nós quase todos vínhamos contentes com riso aberto de ver aquilo na televisão na Casa do Povo… e um colega benfiquista ter desmaiado. Só que nós (a gente, como dizíamos), bem sabíamos que ele desmaiava sempre que havia vacinas e nessa tarde houvera sessão de vacinação em série aos alunos da escola da Longra, motivo que levou a todos termos ido à Casa do Povo, onde por norma decorriam essas picadelas com uma pena no braço. E então juntou-se o útil, que teve de ser, ao agradável de se poder ver o jogo na televisão. E como correu ainda melhor.

= O senhor António Ferreira junto ao seu Rancho Folclórico da Longra !

Ora, o senhor Ferreira  António Ferreira de primeiro nome e sobrenome  por esses tempos, estivera também à cabeça da fundação de um rancho local, o Rancho Folclórico da Longra, popularmente mais conhecido por Rancho das Quatro Barrocas da Longra, por ser o nome conhecido então do lugar onde se efetuavam os ensaios e inclusive se deu a primeira apresentação pública, na festa do São João do mesmo lugar. E também, entre outras facetas, ele fez algumas das letras das cantigas para as tradicionais Marchas da Longra para a festa do padroeiro de Rande, S. Tiago. Tendo uma dessas cantigas ficado mesmo como Marcha da Longra, assim conhecida.

= Um dos lados da Bandeira do Rancho...

Pois o senhor António Ferreira – que para melhor identificação será de referir que era o patriarca da família das Padeiras, como eram conhecidas as mulheres da casa e os filhos e o homem eram por extensão. Com a curiosidade dele ser mesmo também dessa profissão e sua família se ter formado por ele e a que veio a ser sua esposa terem trabalhado juntos na Padaria da Longra. Mas isso é outra história, já aflorada levemente num outro artigo, esse sobre a Quininha que foi também parteira de muitas gerações de crianças nascidas na Longra e arredores. E por isso até o Rancho da Longra por vezes era referido também por “Rancho das Padeiras”, por ter sido fundado por ele, ajudado por suas filhas Mena e Luísa, incluindo dois filhos ainda nos ensaios lá em casa, mais o César na verdade.

Era então o senhor Ferreira pessoa de muito respeito e que dava respeito a tudo em que se envolvesse. Tal como ficou registado e descrito no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras – de cujas páginas se mostra uma das passagens referentes (para não alongar a história aqui). Porque nesse livro historiador há mais referências ao senhor Ferreira nas partes das cantigas, no historial do Rancho, etc. De modo que, por meio de fotografias dessas folhas em que está resumida a biografia do senhor António Ferreira, se pode avivar a memória deste senhor que foi figura pública da Longra.


Armando Pinto

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sábado, 16 de agosto de 2025

De vez em quando… Curiosidades e recordações Felgueirenses: crachá usado no "Dia de Felgueiras na Expo/98", mais outras lembranças da ocasião…

 

Estando-se em tempo de verão, vem desta vez a calhar ser lembrado um dia de espacial relevo acontecido no verão de 1998, como foi o Dia de Felgueiras na histórica Expo-98, oficialmente considerada Exposição Mundial de Lisboa de 1998. Cujo tema central "Os Oceanos, um Património para o Futuro", celebrava os 500 anos das Descobertas Portuguesas e a relação do país com o mar. Exposição essa de cariz mundial mas que na prática foi um marco na revitalização da zona oriental de Lisboa, transformando-a no atual Parque das Nações.

Ora, nessa mostra de coisas portuguesas ao mundo, diversos municípios procuraram marcar também presença. Entre os quais Felgueiras, que a 23 de julho de 1998 teve o seu oficial DIA DE FELGUEIRAS NA EXPO’98. Havendo então sido convidadas associações e agrupamentos, mais pessoas representativas de instituições, além claro de munícipes com cargos autárquicos. Tendo aqui o autor destas lembranças recebido convite como fundador e responsável do Rancho Infantil e Juvenil da Casa do Povo da Longra, de cuja Associação era também ainda presidente, ao tempo. Todos formando uma embaixada felgueirense que viajou até Lisboa, em autocarros disponibilizados pela Câmara Municipal. Havendo então lá no amplo espaço da Expo havido uma concentração de gente de Felgueiras, num dia agradável pelas experiências proporcionadas de visitas aos pavilhões das diversas nações e como tal se ter podido visionar curiosidades interessantes. Terminando essa jornada num dos pavilhões portugueses, na nave do chamado Pavilhão do Território, em sessão solene iniciada pelas 18, 30 horas com a Banda de Música de Felgueiras a tocar o Hino de Felgueiras e o Hino Nacional em frente ao local da sessão. Seguindo-se o número oficial com membros do Governo Português desse tempo e a presidente, mais vereadores e autarcas de Felgueiras, diante dos munícipes felgueirenses presentes.

Desse dia, além de memórias vividas, guardaram-se algumas recordações físicas, como foi e é o caso do convite, mostrado à entrada (para um carimbo aposto no braço), mais o crachá recebido e usado na ocasião. Algo que permanece entre curiosidades e recordações pessoais-felgueirenses.

Armando Pinto

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quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Reportagem sobre a Peregrinação de Felgueiras – in Semanário de Felgueiras Jornal

A grande Peregrinação de Santa Quitéria, realizada anualmente em agosto, fica mais uma vez reportada na edição do jornal Semanário de Felgueiras, único órgão informativo e historiador que atualmente perpetua em meio e modo clássico de papel os factos e fastos de Felgueiras. Em cuja edição de 14 de agosto de 2025, à página 11, está e fica patente a narrativa dessa manifestação religiosa coletiva.

Armando Pinto

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domingo, 10 de agosto de 2025

Peregrinação Concelhia neste Ano Jubilar ao Monte de Santa Quitéria – em Felgueiras

A tradicional Peregrinação Concelhia Anual de Felgueiras, popularmente conhecida por Peregrinação de Santa Quitéria, por ser em direção ao monte assim conhecido, como também pelo nome da Santa, o histórico Monte das Maravilhas, teve este domingo segundo de agosto mais uma realização. Desta vez dentro do Ano Santo Jubilar de 2025, como Peregrinação Jubilar.  Sendo em Honra de Nossa Senhora do Imaculado Coração. Cujo andor encerra tradicionalmente a procissão, que desde os anos da década de 40, do século XX, culmina a Consagração do Concelho de Felgueiras ao Imaculado Coração de Maria. 

Sendo esta Procissão uma terna manifestação já antiga das gentes de Felgueiras, desde os tempos dos finais da Segunda Grande Guerra Mundial, mais uma vez teve continuidade neste domingo quente de agosto. Este ano tida como jubilar, por ser em Ano Santo Jubilar, (como aconteceu em 2000, em 1975 e 1950, em anos de Jubileu Ordinário; porque existiram entretanto alguns Jubileus Extraordinários, como em 2015 quando o Papa Francisco proclamou o Ano da Misericórdia). Sempre como grande Peregrinação concelhia. Quão se regista por algumas imagens captadas à saída da cidade de Felgueiras, quando a Peregrinação Felgueirense já rumava em direção ao alto do Monte de Santa Quitéria. Para depois terminar na hora de sol sobranceiro na também tradicional missa campal, de confluência dos felgueirenses e muitos fieis dos mais variados locais das redondezas, pelo menos. Dando depois lugar a convívios familiares e de amigos e conhecidos ao longo da tarde.












Antigamente era usual nos costumes locais e concelhios a "Peregrinação de Santa Quitéria" ser dia de encontros familiares, algo que ainda vai tendo alguma sequência, com tradicionais almoços ao ar livre, nos recantos do monte da Santa, através dos farnéis levados a propósito desse preceito habitual, dando lugar a animados merendeiros de reunião de famílias, amigos e conhecidos, à sombra das árvores da Santa.

Armando Pinto

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sábado, 9 de agosto de 2025

Passagem da Volta a Portugal em Bicicleta/2025 pela Longra e por Felgueiras – em imagens televisivas !

Na passada sexta-feira, 8 de agosto, a mais tradicional prova nacional de ciclismo, a popular Volta a Portugal andou pela região de Felgueiras, na 2.ª etapa da edição deste ano da chamada Grandíssima Portuguesa. Embora atualmente já sem despertar interesse como em tempos idos, com perda de popularidade que se vai verificando nos últimos anos. Mesmo assim a mesma prova teve ligação a Felgueiras mais uma vez. Inicialmente com a partida mesmo na cidade de Felgueiras, para essa etapa Felgueiras-Fafe; e depois de ter percorrido trajeto por diversos pontos concelhios da região do Vale do Sousa, voltou no respetivo itinerário a ter passagem por Felgueiras, rumando depois para Fafe. Tendo então, vindo de Lousada, também passado na vila da Longra e de seguida na cidade de Felgueiras.

Ora, como a televisão, pelo canal 1 da RTP, transmite diretamente partes de cada etapa, nesta da sexta-feira também foram transmitidas televisivamente essas passagens. De cuja transmissão se captaram algumas imagens, para registar mais este facto. Vendo-se a passagem na Longra (com pouca assistência precisamente pela menor atenção que o ciclismo profissional vai tendo atualmente) e de seguida panorâmicas da cidade Felgueiras e do alto de Santa Quitéria nos correspondentes momentos em que os ciclistas passavam nessas áreas e a reportagem difundia imagens aéreas.




Armando Pinto

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