Espaço de atividade literária pública e memória cronista

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

De vez em quando… Foto com história: Acampamento da "Liga de Rande" em 1964

A Liga Eucarística dos Homens de Rande era um grupo paroquial de S. Tiago de Rande, cuja atividade teve vitalidade deveras saliente no meio local e na convivência conterrânea. Agrupamento esse existente durante anos das décadas de 50, 60 e 70, na paroquialidade do Padre João Ferreira da Silva, e que naturalmente está devidamente historiado também no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997.

Ora, na existência da Liga de Rande (como era popularmente mais conhecido o grupo), muitos e bons momentos ficaram por assim dizer na memória coletiva e nas lembranças das gentes desse tempo. Entre cujas diversas ocorrências se contam os “Acampamentos” realizados nalguns anos, com lugar no alto do monte de Santana, em dias seguidos de um fim-de-semana, no verão de cada ano. Proporcionando bons momentos e motivos de convívio da juventude de Rande. De um desses casos reporta a foto que desta vez se dá à estampa, a relembrar isso. Captando fotograficamente um instantâneo duma refeição, das que, entre as dormidas nas tendas de campismo, passatempos florestais e refeições em género de piquenique, iam acontecendo de sexta-feira a domingo em cada realização. Acampados esses jovens em Santana, apenas intervalando na hora da missa dominical para irem cantar à igreja, enquanto o cozinheiro de serviço ficava e ia fazendo pela vida, mesmo que por vezes enganando-se no sal deitado à comida. Seguindo-se o repasto, à sombra da vegetação frondosa desse alto da freguesia de Rande.

Sobre isso mesmo… Respeita a foto, aqui partilhada, já referente ao período de almoço domingueiro, no “Acampamento” de 1964 dos rapazes da Liga Eucarística dos Homens de Rande.

Armando Pinto

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quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Foto com história: a antiga estação de transportes da vila de Felgueiras

Dando mais uma volta em viagem do tempo, nestes apontamentos de recuperação da memória coletiva que por vezes anda arredia do conhecimento oficial e até geral da causa felgueirense, procuramos dar mais um contributo com mais um dos diversos exemplos possíveis. Desta vez resgatando para a lembrança pública mais um dos edifícios históricos de Felgueiras.

Ora, quando se fala da possibilidade de voltar a haver passagem de comboio pelo território concelhio de Felgueiras, cuja ideia está ainda para formalização de projeto, vem a talhe lembrar a casa onde em tempos funcionou na sede concelhia de Felgueiras a antiga estação do comboio da Linha Férrea de Penafiel à Lixa e Entre os Rios (com estações em terras felgueirenses na ao tempo povoação da Longra, mais nas então vilas de Felgueiras e Lixa, bem como ainda um apeadeiro na Escalheira). Sendo que assim na antiga vila de Felgueiras a estação funcionou nesse prédio que desde tempos remotos foi estação de transportes de antiga Alquilaria, dos carros de cavalos de aluguer e diligências de transportes, depois poiso de venda de bilhetes do comboio e mais tarde das camionetas de passageiros da empresa Cabanelas. Edifício este que, na passagem do tempo, acabou por ter seguidamente outras valências e funções, como se sabe. E, mais importante na atualidade, atendendo a outros casos ainda recentes... está ainda de pé felizmente.

Armando Pinto 

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terça-feira, 25 de julho de 2023

Rande acolhe Jovens Peregrinos da Jornada Mundial da Juventude/2023

A Paróquia de S. Tiago de Rande, através de grupos de dinamização paroquial e apoio da Junta de Freguesia da atual união das freguesias, aderiu ao acolhimento de jovens oriundos de outros países que vêm a Portugal com destino à Jornada Mundial da Juventude, que este ano tem lugar na capital política e religiosa do país, Lisboa, como epicentro, para a Jornada Portuguesa da Juventude a partir do dia 1 e receção ao Papa Francisco de 2 a 6 de Agosto, neste quente verão de 2023.

A Jornada Mundial da Juventude é um evento religioso instituído pelo Papa João Paulo II em 20 de dezembro de 1985, que reúne milhões de católicos de todo o mundo, sobretudo jovens. Com duração de cerca de uma semana, promovendo eventos da Igreja Católica para os jovens e com os jovens. Sendo que, depois de outros anteriores Encontros das JMJ por variados países, desta vez acontece em Portugal, com palcos e altares em Lisboa, embora também de passagem episódica por Fátima.

Assim sendo, sabendo-se que o concelho de Felgueiras recebe muitos desses peregrinos, sobretudo para acolhimento no Encontro Internacional de Jovens Vicentinos que decorre de 29 a 31 de julho no concelho, especialmente na cidade e no alto do monte de Santa Quitéria, antecipando o culminar da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, também a freguesia e Paróquia de Rande aderiu, fazendo sua parte, ao receber alguns desses jovens, no caso um grupo de algumas raparigas e um rapaz de duas nacionalidades. Ora, a jornada em Rande já começou, com a particularidade de ser precisamente em ocasião especial, a 25 de julho, no próprio Dia de S. Tiago, do nosso Padroeiro São Tiago Maior, o Apóstolo da Península Ibérica e primeiro mártir dos Apóstolos de Cristo. Sendo assim recebidos em S. Tiago de Rande, onde vão viver por estes dias, jovens da Nicarágua e do Brasil. Chegando logo pela manhâ as três primeiras moças. 

As primeiros a chegar entretanto foram as jovens da Nicarágua. Sejam Bienvenidos! 


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Esperando-se de seguida a representação dos irmãos Brasileiros, de duas raparigas e um rapaz.

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De tarde chegaram as jovens e o jovem do Brasil, juntando-se com as Nicaraguenses, mais acompanhantes portugueses de Rande-Felgueiras. Tendo toda essa juventude estado presente à noite nas cerimónias litúrgicas do dia do Orago da paróquia, na igreja de Rande. E inclusive três das raparigas incorporaram como figurantes bíblicas a Procissão Paroquial, em honra do Padroeiro S. Tiago. 

Como testemunho e registo memorial de tudo isso, por fim o grupo de jovens recebidos em Rande posaram para fotos de recordação, junto com o pároco e representantes do acolhimento.


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Estada em Rande dos jovens para a Jornada Europeia da Juventude, durante os dias seguintes: 
- Imagens de memorização entre momentos significativos na Paróquia de S. Tiago de Rande, com responsáveis do acolhimento; e na cidade de Felgueiras - pose do grupo com representantes da Câmara Municipal de Felgueiras e da Paróquia de Rande - durante a festa municipal alusiva à receção aos jovens das muitas nações que demandaram terras felgueirenses, antes de seguirem viagem para Lisboa.

Armando Pinto

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quinta-feira, 20 de julho de 2023

Históricas fotos da então vila de Felgueiras – até finais da década dos anos 1960 e princípios de 1970… com a célebre e saudosa Pérgula!

Sem recuar muito às memórias históricas do interesse geral do concelho de Felgueiras e particularizando à sede concelhia, um dos aspetos deveras lembrados e lamentados na memória coletiva é o caso do desaparecimento da antiga Pérgula, existente nos jardins do centro da então vila durante largos anos, e que depois foi destruída aquando das obras de ajardinamento novo no espaço em frente aos Paços do Concelho construídos nos anos 50. Cuja envolvência foi concluída pelos finais dos anos 60 até princípios de 70 – desde o tempo da presidência municipal do Dr. Dias Ribeiro, até à era da presidência do Dr. José de Barros.

Tema esse, da Pérgula urbana de Felgueiras, bem como de outros similares de antigas panorâmicas felgueirenses, que foi e foram descritos pelo autor deste blogue, também, em anteriores ocasiões, e inclusive em partes de um trabalho escrito sobre o concelho de Felgueiras que há muito ficou guardado e esquecido, por falta de possibilidades de apoio para a devida publicação. 

Como enquadramento, acrescente-se: Felgueiras é conhecida por ser terra com certas características de comportamentos de seus representantes, uma das quais é de ser má mãe e boa madrasta, em sentido figurado popularucho, quanto ao reconhecimento e patrocínio de entidades oficiais e mesmo ambientação de organismos e firmas. Incluindo obviamente o Município, como representação máxima da terra concelhia. Tal como se nota, sendo por norma bem acolhidos os forasteiros, em comparação com a atenção dada aos naturais do concelho, por exemplo. Assim como até por cá haver patrocínios para trabalhos de autores vindos de fora, daí surgindo coisas e loisas desfasadas com o que se passou ou ocorre, e há esquecimento e desinteresse para quem conhece a realidade e não faz nada de conta... como se diz. Isso desde há muito, como algo enraizado. Ora, com tudo isso, o caso da Pérgula ficou esquecido anos a fio, quase em total branqueamento, mas a memória popular não deixa passar nem esmorecer essa imagem.

Assim, a pérgula era realmente ALGO MUITO APRECIADO DOS FELGUEIRENSES. Como alguém ainda recentemente afirmou (na página da Internet “Felgueiras de outros tempos"): - «era lindíssima e foi uma crueldade não ter sido preservada até aos nossos dias.»

Pois dessa antiga realidade são algumas fotos que, com muito gosto, aqui se dão à estampa, desta feita. Mostrando como era belo esse «fantástico local no centro da cidade» (ao tempo da então ainda vila de Felgueiras). Fotos para aqui transpostas da referida página informática, em partilha da publicação ali feita pelo amigo Zé Mário Sousa, proprietário e dinamizador atual do Café Jardim e que havia recebido essas mesmas fotografias antigas da pérgula por cedência do Sr. Constantino Lira, conforme ele mesmo agradecia ali tal «partilha deste legado histórico da cidade». (Referindo-se isto porque, como as mesmas não têm marca de água de origem, pode eventualmente um dia ser reclamadas injustificadamente por alguém, como em certos casos já tem acontecido.) Enquanto a outra foto, colocada por fim, do tempo da transformação do jardim, será de arquivo da família Sousa da também histórica Pensão Albano e café Jardim, tendo sido partilhada pelo Zé Mário.

Assim sendo, repare-se nas fotos da pérgula, primeiro do tempo de sua existência plena, em tons azulados. Podendo ver-se em pormenor suas particularidades (incluindo assentos de namoro, tais as populares namoradeiras dos antigos varandins, mais espaço frondoso de sombras)…

(Nota mais particular do autor: Nalguns desses bancos interiores das “namoradeiras”, em certos dias da Primavera e inícios do Verão de 1965, comi ali por vezes sentado o farnel da merenda, ao almoço, no intervalo das aulas de preparação com vista ao exame final da 4.ª Classe Primária, quando íamos, eu e os meus colegas da Escola da Longra, para a casa da nossa professora – então residente na vila de Felgueiras  para ensino mais intensivo e eficaz apenas à classe dos finalistas.)

… E por fim pouco antes do seu desaparecimento, aquando do Início da construção do novo ajardinamento da Praça da República, quando ainda existia a Pérgula (que popularmente era também conhecida por "pérola") - como se vê ao fundo da imagem.


Para se fazer uma ideia de como era aquilo nesse tempo, relembre-se: A Pérgula estava sensivelmente onde hoje está posicionada a estátua do busto do Dr. Magalhães Lemos, mais o arruamento por trás. E esse conjunto escultórico, da estátua e seu pedestal de meio círculo, estava ao cimo do mesmo espaço, ou seja em frente ao edifício da Câmara (tendo sido edificado ainda antes da construção do mesmo edifício municipal), onde depois ficou e está situado o pequeno lago de espelho de água, junto à rua defronte da mesma Casa da Câmara. Enquanto o Cruzeiro-padrão da Independência (hoje ao meio do jardim) estava implantado ao fundo de tudo, na parte mais baixa (como se pode ver pela imagem coeva duma destas fotos).

Quando por vezes se fala em fazerem alterações neste jardim do centro da cidade de Felgueiras, normalmente com ideias muito fora dos desejos da população e da memória tradicional da felgaridade nativa... porque não ser pensado em repor, em seu sítio, essa antiga Pérgula tão ao gosto romântico dos felgueirenses?

Armando Pinto

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domingo, 16 de julho de 2023

Cortejo Histórico de Felgueiras - um dos números de cartaz dos primeiros anos de comemorações do aniversário da Cidade de Felgueiras

Quando Felgueiras ainda vai estando em festa no período entre a Festa do Concelho e a Comemoração da Cidade de Felgueiras, vem a propósito lembrar a ainda não muito antiga tradição do Cortejo Histórico que fez parte do cartaz desse período festivo felgueirense, no tempo dos primeiros anos da comemoração da elevação da sede concelhia a cidade. Havendo sido levados à rua desfiles sobre temas diversos, como por exemplo em anos sucessivos sobre motes de "Felgueiras e a Descoberta do Brasil", “Felgueiras no Mundo”, “Felgueiras terra com futuro”, “Felgueiras Uma terra de Exemplos”, "2001 Aos de História de Figuras de Felgueiras", "Pequena História das Freguesias - Padroeiros, Coutos e Honras de Felgueiras"etc, etc.  

Deitando olhos da memória a essa retrospetiva que ficou na retina, tomando entre vários uns dois exemplos dessa realidade já antepassada, recorda-se o caso dos cortejos de 2001 e 2004, da viragem do século.

Então, no primeiro caso, versando 2001 anos de História Felgueirense através da lembrança de figuras históricas da memória coletiva, começa-se por esse histórico cortejo felgueirense uma visão de teor memorando. 

Cortejo Histórico de Felgueiras

No ano de 2001, incluído entre algumas iniciativas integradas no âmbito do programa das comemorações do XI Aniversário de Felgueiras Cidade, ou seja da elevação de Felgueiras a cidade, realizou-se pela primeira vez um cortejo histórico dedicado à História de Felgueiras. Intitulado de “2001 anos de História”, em atenção ao ano então decorrente (pois que não é tão antigo o concelho de Felgueiras, nem coisa que se pareça), e com propensão evocativa de “Figuras de Felgueiras”, decorreu esse desfile figurativo perante assinalável moldura humana, assistente à sua passagem pelas artérias da sede do concelho, na noite de 15 de Julho do primeiro ano do século XXI.

Anteriormente houvera em anos precedentes, igualmente na comemoração dessa efeméride, uma outra iniciativa apelidada de cortejo histórico mas apenas dedicado aos Descobrimentos, cuja organização levou a efeito algumas realizações anuais, nuns anos com a viagem de Vasco da Gama à Índia por tema, noutros anos a descoberta do Brasil e ainda noutros juntando as duas viagens descobridoras, em ambos os casos por a essas viagens marítimas estar ligado o nome do “Felgueirense” Nicolau Coelho. Contudo foi o cortejo de 2001 que efectiva e primeiramente desenvolveu facetas da história comum.

Por ter sido a primeira vez que houve um cortejo alargado a motivos abrangentes à totalidade da História Felgueirense, dentro do possível, merece pois o mesmo que sobre ele fique registado, à espécie de guião, um memorando descritivo, aproveitando-se para fazer um trajecto contemplativo pela história local:

A parada pública, provinda pela “avenida nova” acima (ou seja desfilando ao longo da Avenida Dr. Leonardo Coimbra em direcção ao centro da cidade, efectuando percurso por várias das suas ruas, a passar em frente ao edifício da Câmara Municipal, até parar em frente à então ainda denominada Biblioteca Municipal Dr. Miguel Mota, na Avenida Agostinho Ribeiro), começava por prestar homenagem ao passado de Felgueiras, colocados que vinham à frente alguns jovens trajados alegoricamente de arautos (só que, talvez por distracção ou dificuldade organizativa, em vez de trombetas, como deveria ser, vinham a tocar concertinas, instrumentos desajustados da época retractada...). Jovens esses assim prestados em significado ao ambiente mensageiro dos antigos pregões, os quais aclamariam nas propagandas o tradicional vozeirão apelativo de Arraial! Arraial! Por Felgueiras!, acompanhados de grupos de tamborileiros a abrir o desfile, antecedendo primeiro carro. O qual continha pintado na frente o brasão concelhio e comportava alegoria, composta por outros jovens envergando trajes medievais com cores heráldicas do concelho de Felgueiras, empunhando bandeiras do Município de Felgueiras. Seguiam depois alguns carros, poucos em número, e personagens apeados, na grande maioria, estes quase todos agrupados em alas paralelas (cujos nomes se indicam a negro no desfile descritivo, conforme a indicação contida na legenda do dístico acompanhante que ia em mãos de uns espécies de pajens), e tudo em conjunto representando por diferentes quadros alguns de diversos momentos, factos e personalidades marcantes da memória colectiva.

Assim, o I Quadro, dedicado à ocupação romana em Felgueiras, procurava vincar característica de que os verdejantes vales do Sousa e Vizela desde tempos imemoriais convidaram à fixação de distintos povos e civilizações, cuja história se vislumbra parcialmente nalguns vestígios arqueológicos e toponímicos encontrados e existentes, respectivamente, por todo o concelho. Como tal seguiam representantes das enigmáticas e valorosas legiões romanas que atravessaram vias de que existem réstias.

Com efeito desde longas eras que povos e civilizações ocuparam as terras destes vales entrecortados de planaltos, havendo presentemente restos arqueológicos descobertos de antiga Villa Romana de Sendim, onde os fragmentos estudados pelo arqueólogo Marcelo Mendes Pinto comprovam tese de vida quotidiana na actual área do concelho entre os séculos III e IV da Era Cristã. O aglomerado era até importante, pois possuía termas, pavimento em mosaico geométrico, esgotos, canalização de abastecimento de água, etc.

Em parêntese, acrescente-se, a propósito, que o caso em desfile, porém, traz à ideia que outras idênticas ruínas existem e mais possíveis vestígios existirão noutros sítios da região Felgueirense, sabendo-se, pela História, que houve mais villas romanas, antecessoras de fortificações e sucessoras mansões solarengas. Ou seja, onde há casas antigas importantes, solares ancestrais com verdadeiros pergaminhos nobres, haverá por perto, embora não a descoberto, restos das primitivas ou pelo menos antigas construções e civilizações. Algo de que, aliás, se tem ouvido falar por vezes, pois como a descoberta de Sendim, aparecida com obras efectuadas numa propriedade, surgiram já outras com idênticos vestígios aquando de obras ocorridas noutros locais do concelho, apenas que, devido às consequências, na ocasião foi sendo mantido sigilo e prosseguido as decorrentes construções, sem que tais casos tenham chegado ao conhecimento oficial...

Continuando no cortejo revivalista: Em alegoria, a passagem referente à villa romana de Sendim era então, no desfile, representada por carro a recordar algo da Romanização, com reprodução da casa de Sendim ancestral e a ponte velha de Vila Fria (embora tivesse faltado representatividade dos Godos, povo neocolonizador de cuja origem foram os nobres fundadores das antigas Villas embrionárias das sucessoras freguesias da região, de que ficaram como prova os toponímicos de diversas paróquias/freguesias).

O II Quadro aludia ao Conde D. Gomes Aciegas, fazendo relembrar que na época da reconquista Cristã, em que valorosos reis cristãos recuperaram terras aos infiéis em pelejas impiedosas, se destacou um Governador no Entre Douro e Minho, homem de Felgueiras, o Conde D. Gomes Aciegas, frequentador da corte de Fernando Magno, rei de Leão e Castela.

O III ilustrava a fundação do Mosteiro de Pombeiro, mediante imponente carro alegórico representativo desse monumento nacional e de intervenientes da sua construção, recordando em legenda o ano 1059 da sua fundação (data que lhe tem sido atribuída, embora possa ser do séc. IX, pois já se lhe referia um breve papal de Leão IV de 853 – conforme vem em “Tesouros Artísticos de Portugal”, edição de 1976 das Selecções do Reader’s Digest).

O IV retinha referência à atribuição da Carta de Couto do Mosteiro de Pombeiro feita por D. Teresa em 1112, tornando subjacente comprovação da importância que esse cenóbio deteve nas terras Felgarianas e zonas envolventes, facto ilustrado com figuras de notário, nobres e plebeus, sugestivos da instituição da documental Carta de definição de direitos e deveres, da população abrangente do proteccionismo feudalista do mosteiro.

No V vinha enfim ilustração à doação de bens a Pombeiro por D. Afonso Henriques, fazendo menção ao facto de em 1155 o nosso primeiro rei haver doado propriedades em Pombeiro ao Conde D. Gonçalo Mendes de Sousa, conhecido à posteridade por “o Bom” (n.1124-f.1179), o qual, segundo os “Documentos Medievais Portugueses”, foi também conselheiro do fundador da nacionalidade, sendo que aquelas terras doadas por D. Afonso I provinham de herança que o conquistador da Portugalidade recebera do nobre Ordonho Echigues e que foi o mesmo monarca quem primeiro confirmou o Couto de Pombeiro e honrou as Terras de Unhão.

O VI Quadro adiantava o passo em corrida no tempo, referenciando doação de Felgueiras por D. João I a Gonçalo Pires Coelho, em 1385 – pois que o Mestre de Avis depois que assumiu o trono e manteve a soberania portuguesa concedeu, entre outras terras, o senhorio de terras de Felgueiras a D. Gonçalo, tornando-se este donatário e capitão-mor do pequeno concelho existente nesse tempo, título que deteve até à sua morte no ano de 1417.

O VII, alusivo à participação de Nicolau Coelho (séc.XV-XVI) na rota marítima para a Índia e descoberta do Brasil, sobressaía em carro alegórico próprio com formas de caravela, recriando as destemidas viagens de Coelho, o comandante da Bérrio homenageado como descobridor Felgueirense.

O VIII, prosseguindo o desfilar revivalista, dava vez à concessão do Foral de Felgueiras outorgado por D. Manuel I em 1514, apresentando séquito de vassalos e damas da corte a anteceder o casal real, fazendo desfilar o personagem do rei “Venturoso” – o qual nessa mesma distante era também concedera em 1515 idêntica Carta de Foral ao então existente Concelho do Unhão, cujas terras mais tarde passaram a completar o concelho de Felgueiras.

No IX apareceu recriada a fábrica do Pão-de-ló de Margaride, apresentando essa particular tradição local que detém imagem de marca do concelho, iguaria típica e exclusiva de reconhecimentos régios.

No X Quadro, através de alongado desfile de figurantes em passeio, eram apresentados alguns Ilustres Felgueirenses, numa galeria contudo deveras incompleta. Desse jeito, passaram diante dos assistentes diversos personagens representados em significativo número de recreações de tais figuras salientes, qual corolário de um passado distinto em que se destacaram esses notáveis Filhos de Felgueiras de naturalidade ou afeição.

Como assim, essa parte demonstrativa começava por homenagear os escritores através de D. Manuel Faria e Sousa (1590-1649), historiador, poeta, filólogo e moralista crítico promotor de Camões; seguindo-se Francisco dos Guimarães (1767-1839), sacerdote e professor erudito, autor de Memória sobre um documento inédito (referente ao Conde D. Henrique), saído no tomo IV das Memórias da Academia das Ciências; bem como António José da Fonseca Moreira (1841? ou 1848? -1938), autor de peças teatrais e patrono da casa de teatro municipal – pecando a mostra por não indicar o seu primeiro nome, para distinção do seu sobrinho Dr. Luís Gonzaga Fonseca Moreira, figura de proa do desenvolvimento local do começo do século XX (que, afinal, se verificou que faltava, não tendo sido lembrado nesta acção). Falta notória esta, por exemplo, como outras, entre as quais se notou ausência de um Dr. Eduardo Freitas (1866-1926), médico, antigo Presidente da Câmara e Provedor da Misericórdia de Felgueiras, que foi autor da primeira monografia historiadora do concelho. Depois apresentavam-se aristocratas, surgindo Egas Gomes de Sousa (1059-1102), o 1º dos Sousãos; seguido de Assis Teixeira (1850-1914), 1º Conde de Felgueiras; e Fernão Teles de Menezes (1589-1651), 1º Conde do Unhão. Aprestavam-se logo atrás alguns destacáveis vultos da magistratura, como o Conselheiro Dr. Alexandre Barbosa Mendonça (1860-1936), Juiz do Supremo Tribunal de Justiça – faltando também distinção relativa com seu irmão, o Conselheiro Dr. António Barbosa Mendonça (1858-1932), carismático político do antigo Partido Regenerador concelhio, Presidente da Câmara Municipal no último período da Monarquia e jornalista eminente, incompreensivelmente olvidado na galeria apresentada. Sendo lembrado no imediato o Conselheiro Dr. José Joaquim Coimbra (1882-1950), antigo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça; aparecendo depois lembrança do Dr. José de Barros Carneiro (1894-1988), causídico que viveu no concelho retirado das lides judiciais e que foi figura conhecida de tertúlias e acontecimentos afamados na transmissão popular. Em justa representação de religiosos ilustres, aparecia de seguida D. Frei João de Santa Gertrudes Amorim (1818-1894), Abade do Mosteiro de Cucujães e superior da fundação do Mosteiro de Singeverga - notando-se lacunas várias nesse aspecto, tantos os exemplos possíveis, entre os quais o Padre Luís da Cunha Pereira Sampaio, a quem se liga os primeiros passos da devoção local a Santa Quitéria, os antigos reitores mais famosos do Santuário de Santa Quitéria, Padres Álvares de Moura e Henrique Machado, como o Padre Luís Rodrigues (1906-1979), mestre de música gregoriana e célebre compositor de cânticos litúrgicos, reconhecido internacionalmente; mais Frei Lucas Teixeira (1918), mestre de Iluminuras e poeta, ainda vivo ao tempo. Surgia depois representante da política de outros tempos, mediante figura do Dr. Custódio Rebelo de Carvalho (1805-1883), célebre Par do Reino, a quem se ficaram a dever algumas intervenções com influência em melhoramentos públicos e na criação da Comarca de Felgueiras. Nesse prisma logo ressaltava falha grave, devido a esquecimento para com a memória do Dr. Costa Guimarães (1807-1866), principal lutador obreiro da referida promoção de Felgueiras a Comarca, concretizada em 1855. Após isso, na continuação da marcha, a representatividade de heróicos pioneiros era atribuída ao Coronel Piloto-Aviador Francisco Sarmento Pimentel (1895-1988), militar intervencionista no derrube da Monarquia do Norte em 1919, destemido aviador que empreendeu em 1930 a 1ª travessia aérea de Portugal à Índia e opositor do regime de Salazar, exilado político durante longos anos, condecorado com a Ordem da Liberdade após a democratização portuguesa – sendo Francisco Sarmento Pimentel tratado por Comandante na legenda apresentada publicamente, quando esse título honorífico era atribuído a seu irmão João, então Capitão, por este ter comandado as tropas dos movimentos militares do vitorioso 13 Fevereiro de 1919 (no derrube da Monarquia do Norte, junto com o visado Francisco) e do frustrado 3 de Fevereiro de 1927 (contra a situação política da ditadura saída do 28 de Maio de 1926), como liderara depois a colónia portuguesa de exilados políticos no Brasil (também ele, João Sarmento Pimentel, não referenciado, embora neste caso se aceite porque, apesar de ter vivido muito tempo em Felgueiras, onde muito justamente está perpetuado na toponímia citadina como General Sarmento Pimentel, não era natural do concelho como é o irmão). A figura heróica daquele aviador e militar Felgueirense, Francisco Pimentel, não teve porém condigna apresentação, pois em vez de sua figuração seguir em carro alegórico, como outros personagens eventualmente de destaque inferior (podendo ter sido apresentada alegoria que metesse imponência de um avião, coisa que nem tem faltado em carros de desfiles de corsos carnavalescos e marchas luminosas, quando se justificava que devesse mais aparecer numa altura destas)... ia tal representação de Francisco Sarmento Pimentel a pé, apresentado com uma farda que pretendia ser arremedo de uniforme militar de carreira... Passada essa reboada, apareciam simulados personagens representativos de antigos beneméritos, que muito contribuíram para a projecção da antiga vila, como Ribeiro de Magalhães (1847-1919), fundador da Misericórdia de Felgueiras, e Agostinho Ribeiro (1848-1916? ou 1920?), patrono do Hospital concelhio; e ainda o Dr. Magalhães Lemos (1855-1931), brilhante psiquiatra e cientista de renome. Por último, o Dr. Leonardo Coimbra (1883-1936), filósofo, orador e político ligado a reformas do ensino superior durante a 1ª República. Voltou então a notar-se outras faltas, entre as quais para com personagens da diáspora Felgueirense, ou seja naturais do concelho que se salientaram em terras onde se radicaram no país e no estrangeiro, de que são exemplos o Conde-barão Joaquim Pereira Marinho, falecido em 1887 na Baía-Brasil, onde foi destacado cidadão e empresário de comércio naval; assim como Basílio Leite de Vasconcelos (1885-1938), primeiro director do Arquivo Distrital do Porto. Falhas verificadas, no caso, extensíveis a outras áreas sociais, nomeadamente para com os promotores dos primórdios industriais geradores de progresso e outros agentes sociais, sendo de reter que bem merecia lugar entre as Figuras Gradas da terra, por exemplo, um José Xavier (1882-1957), pioneiro da indústria no concelho e personagem activo em realizações culturais, tal como também outros “dinossauros” da revolução industrial concelhia, como uns Antero Cunha (1886-1968), Américo Martins (1893-1967) e Verdial Moura (1915-1969), este, inclusive, além de se ter salientado na ascensão da indústria panificadora, foi até o fundador do Futebol Clube de Felgueiras. Outrotanto, nessa falha emergiu outra falta havida para com a importância do desporto e por extensão uma transposta ideia de idêntico reconhecimento para com Artur Coelho (1934-1983), antigo praticante valoroso do panorama ciclista nacional e internacional, vencedor da Clássica 9 de Julho-Volta a São Paulo, no Brasil e por diversas vezes camisola amarela na Volta a Portugal em bicicleta; bem como José Sampaio Peixoto, atleta que foi recordista nacional em provas de pista e inclusive detentor do máximo Ibérico na distância de 400 metros, em atletismo. Tal qual com instituições de carácter especial, como a centenária Associação Humanitária dos Bombeiros de Felgueiras, sendo aí de notar mais uma falta de lembrança tida para com o “Comandante” Dr. Eduardo Coelho, personagem histórico na criação da corporação dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras, tal qual carismáticos continuadores da “Bomba Felgueirense” como foi o patriarca da família Lickfold; e ainda o Mestre Aniceto Ferreira que foi regente da Banda dos Bombeiros e da Banda de Música de Felgueiras; assim como outros grandes Homens em diferentes valências da vida local, sendo de lembrar, entre outros, mais uns Dr. António Pinto Sampaio e Castro, célebre Administrador do Concelho; Eduardo Cabanelas, pioneiro no ramo dos transportes públicos; Professor Joaquim de Barros Leite, fundador do Externato Infante D. Henrique, e D. Dulce Moura, sua continuadora;  Teófilo Leal de Faria, alma-mater de diversas empresas que deixaram progressista cunho vincado; e outros mais, entre cujo leque será de lembrar o autor da música do Hino de Felgueiras, de nome Joaquim Chicória (1876-1951), músico vizelense da antiga Filarmónica Musical conhecida popularmente por “Banda do Aniceto” de Felgueiras.

A propósito, deverá acrescentar-se que essa versão do Hino Municipal foi composta em 1919 e, depois de pela primeira vez tocada em público no ano de 1942, com dedicatória ao então Presidente da Câmara Dr. Miguel Bacelar, foi recuperada muito mais tarde, com uma letra encomendada em 1991 pela C. M. F. ao poeta popular Arlindo Pinto (natural de Penafiel e residente em Felgueiras, conhecido normalmente por “Cabo Pinto” devido a ter vindo para Felgueiras como Cabo da GNR). Esse canto, com nome oficial de Hino de Felgueiras Cidade, teve gravação editada em disco de vinil no ano de 1992. A propósito, convirá focar também que há um outro hino, chamado de Hino do Concelho de Felgueiras, que aliás foi o primeiro a ter arranjo total de composição musical e poética, cuja versão foi feita em 1984 com letra de Fernando Ferreira Machado e música do Padre Carlos Moura (melodia que foi gravada em cassete através de interpretação do Coro Vicentino de Felgueiras e era entoada nos sinais de abertura e fecho das emissões iniciais da Rádio Felgueiras). 

Voltando à descrição do desfile em apreço: Encerrava a artística marcha, por fim, o último carro alegórico, de homenagem ao Poder Local, ostentando gravura a retractar o Dr. Machado de Matos (1915-1989), Presidente da Comissão Administrativa formada em 1974 após o 25 de Abril e 1º Presidente da Câmara eleito, sufragado em 1976 por maioria de votos, apesar de não ter sido natural mas sim residente de Felgueiras, para sempre representante do sentir Felgueirista como figura sintomática de democrata e bairrista Felgueirense.

Esperava-se um final apoteótico, no encerramento do cortejo, o que se não verificou totalmente, quando poderia haver, por exemplo, uma parada final de símbolos do presente, como que em representatividade de todas as associações, agrupamentos, clubes, estabelecimentos oficiais e outras instituições, enfim das colectividades e agremiações espalhadas pelo concelho, bastando as respectivas bandeiras a marcar presença, empunhadas por porta-estandartes em representação do que existe dentro desses valores colectivos – alusivo ao trabalho incessante dos «descendentes briosos do passado que constroem, no presente, o futuro ilustre de Felgueiras». 

*

Em 2002 foi reeditado o mesmo Cortejo Histórico, com poucas alterações e correcções, então denominado “Felgueiras no Mundo”. E, felizmente, no ano seguinte começaram a surgir modificações.

Em 2004 houve mudança de tema, tendo o Cortejo Histórico como lema “Padroeiros, Coutos e Honras de Felgueiras”, procurando demonstrar uma “Pequena História das Freguesias”.

Assim, a abrir, o primeiro carro apareceu dedicado aos 19 santos Padroeiros das 32 freguesias do concelho de Felgueiras. Depois, seguiam-se os quadros alusivos, com ilustrações históricas desde os alvores da expansão, das freguesias com História mais marcante – segundo o que foi apresentado no desfile:

Quadro I – S. João de Aião, com referência ao Couto do lugar de Brulhães, de 1257, como o privilégio de isenção de impostos a moradores de Aião, concedido por D. João I em 1395.

Q. II – Santa Maria de Airães, aludindo o seu Padroado ter sido da Coroa, da Ordem de Avis e da de Cristo.

III – S. Miguel de Borba de Godim, em cuja representação constava a confirmação do 1º rei de Portugal sobre Godim.

IV – S. Martinho de Caramos, ilustrando a fundação do seu mosteiro e a importância dos seus monges Crúzios em tempos remotos.

V – S. Tomé de Friande, com invocação da doação da ermida de Santo André.

VI – Santa Maria de Idães, referindo a antiga paróquia e freguesia de Samarim, depois anexa a Idães, e sobre o mosteiro de Barrosas.

VII – S. Pedro de Jugueiros, maila sua Carta de Couto, outorgada por D. Teresa.

VIII – S. Cristóvão de Lordelo, referindo a erecção da capela do Espírito Santo.

IX – Santa Leocádia de Macieira da Lixa, fazendo alusão a pergaminho de 1240, contendo referência a obrigação de seus moradores pagarem votos a Santiago de Compostela. 

X – Santa Eulália de Margaride, aludindo o testamento de Mumadona de 1059, no qual aparece sua primeira referência; assim como era representada pelo templo de Santa Quitéria e com revivalismo à Feira de Margaride.

XI – S. Salvador de Moure, em cuja representação aparecia idêntica referência à Condessa Mumadona, bem como à Justiça ali praticada antigamente em Simães. 

XII – S. Tiago de Pinheiro, antiga Honra, incluindo os ancestrais Mogudos de Sendim.

XIII – Santa Maria de Pombeiro, aludindo a fundação do correspondente mosteiro e seu Couto.

XIV – S. Tiago de Rande, que incluía alusão aos antigos fidalgos, dos quais as suas antigas quintas de Rande e Sernande, de Randi Villa, foram doadas no decurso do tempo ao Hospital de Malta, por D. Gomes Soares; aludindo, ainda, antigos vínculos de Rande, como freguesia, a posteriores Honra e Concelhos por onde andou na evolução administrativa.

XV – Santa Comba de Regilde, recordando sua Honra e posterior unificação de S. Veríssimo da Ribeira a Santa Comba de Regilde.

XVI – Santa Maria de Revinhade, com sua antiga Honra e Padroado, ao qual andou anexa a Comenda de Torrados.

XVII – S. Jorge de Riba Vizela, aludindo ter sido outra Honra, do nome antigo da freguesia, Cela.

XVIII – S. Tiago de Sendim, como freguesia do solar dos Coelhos e sede dos Capitães-mores do concelho.

XIX – S. Vicente de Sousa, antiga Honra dos Sousas, onde se situava seu palácio patriarcal e de onde houve o nome do rio que nasce no concelho.

XX – S. Pedro de Torrados, mostrando haver documento de testamento de Mem Moniz, irmão de Egas Moniz, aio do rei fundador, como de Torrados ter sido Comenda da Ordem de Cristo, em parceria com Revinhade. 

XXI – S. Salvador de Unhão, que incluía referência à fundação da sua igreja e a ter sido antiga Honra, Comenda e Concelho, como terra dos Condes de seu nome.

XXII – S. Salvador de Vila Cova da Lixa, lembrando os seus primitivos senhores, os Gondufes.

XXIII – S. Mamede de Vila Verde, terra coutada pelo Conde D. Mendo de Sousa, que teve legado aos frades de Pombeiro.

(Obviamente não estão todas as freguesias integrantes do concelho, mas foram estas as referenciadas no desfile em apreço.)

Encerrava o cortejo, em último carro alegórico, a representação do santo das Festas do Concelho, S. Pedro, motivo de romaria e veneração dos Felgueirenses desde longas eras.

 Armando Pinto

(Obs.: - Junção de textos entretanto já colocados em partes noutras publicações e como artigo conjunto para também poder ser publicado noutra eventualidade editorial). 

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sábado, 8 de julho de 2023

No 40.º Aniversário da Ordenação Sacerdotal do Padre Abílio Barbosa – Lembrança de antiga publicação, aquando das suas "Bodas de Prata"

 

= Padre Abílio Barbosa – antigo pároco das paróquias componentes da atual Vila da Longra (mais Várzea, Airães e Refontoura) e atualmente das paróquias da cidade da Lixa. =

A 10 de julho de 1983 foi ordenado na Sé catedral do Porto o Padre Abílio Barbosa, que como tal completa 40 anos de vida sacerdotal esta segunda-feira, dia 10.

Ordenado então em 1983 (junto com outros colegas, entre os quais o Padre Cónego Dr. Jorge Cunha, de Sendim-Felgueiras e atual membro do Cabido do Porto), o Padre Abílio veio depois para Felgueiras em 1984 como Pároco das Paróquias de Pedreira e Várzea. A cujo múnus de seguida se juntaram, anos depois, as paroquias de Rande e Sernande, seguidamente também Refontoura, e por fim Airães. Até que atualmente é Pároco de Vila Cova da Lixa, Borba de Godim e Macieira da Lixa.

Ora, como agora passam 40 anos de sua ordenação, vai ser assinalada essa soma de anos de sacerdócio com uma celebração especial no próprio dia, segunda-feira, dia 10, pelas 20 h 30, na Igreja Nova da Lixa.

Nesta oportunidade relembra-se o que por ocasião da passagem de 25 anos da mesma sua ordenação foi escrito (em 2008)  pelo autor deste blogue “Longra Histórico-Literária” num outro blogue, intitulado “Vila da Longra”. Antigo blogue esse em que ao tempo, eu (expondo mais diretamente na primeira pessoa) fui colaborador; e do qual a gestão principal era do amigo conterrâneo Carlos Faria, de parceria com outros gestores amigos da área da Longra. E (blogue esse) também que, ao tempo, em que houve vários blogues com "coisas e loisas" sobre Felgueiras, ganhou algum destaque no concelho derivado a certa celeuma com um outro blogue, intitulado Jornal da Longra, mas que apesar do nome, para distrair, era contudo de alguém da cidade de Felgueiras...

Pois então, do antigo blogue "Vila da Longra", partilha-se assim a recordação do que à época foi escrito. Algo que, curiosamente, serviu ainda para, por estes dias, ter dado azo à recolha de dados por algumas páginas informáticas… como facilmente se nota.



(In Blogue "Vila da Longra" - publicado a 18/6. Do qual foi feita cópia impressa em papel a 19/6/2008)

Armando Pinto

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quarta-feira, 5 de julho de 2023

Artigo no Semanário de Felgueiras sobre a passagem do 20.º Aniversário da Vila da Longra

A propósito da passagem da conta de 20 anos desde que a Longra passou a ser vila, antes ainda da comemoração respetiva do aniversário, foi pelo autor escrito um artigo alusivo, em moldes de efabulação elucidativa, então publicado no Semanário de Felgueiras Jornal, em sua edição de 3 de julho seguinte. Para cujo número entretanto já não foi a tempo, depois, uma pequena notícia escrita reportando à comemoração da elevação da Longra a vila e sobretudo sobre a cerimónia oficial, registo noticioso esse que deverá ter publicação na edição que virá a seguir, agora que este único jornal felgueirense de publicação normal é quinzenário, em tempo de saída a público.

Posto isto, regista-se neste espaço de memorização o artigo referido, conforme teve publicação na página 6, em página inteira da edição de 3 de julho. Partilhando-se aqui através de digitalização dividida em duas partes de cada meia página, para proporcionar melhor leitura.

Armando Pinto

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