Espaço de atividade literária pública e memória cronista

domingo, 19 de março de 2023

Dia do Pai - meu também, em ambos os sentidos naturais, de filho e pai!

Mais um Dia do Pai chega agora. Fazendo voar, com a chegada das andorinhas pela Primavera, um aconchego ao ninho familiar, esvoaçando nas memórias o sentimento da vida em família. Uma vida de sorriso radiante como sorri a lembrança dos olhinhos dos filhos, outrora, que perduram na retina da memória. 

Entre as diversas prendas do Dia do pai, que recebi de meus filhos ao longo dos tempos, há um cartão recebido ainda na infância do meu casal, há muitos e bons anos, com uma frase interessante a dizer que tudo começou no pai. No sentido, em nosso caso, na vida da nossa família, também. Sendo o meu pai o meu herói e eu gostando muito que meus filhos sintam por mim o que sentem, naturalmente. Porque a vida é assim, ao menos, vivida pela sensação de valer a pena viver, havendo alma e história comum na vida que brotou e tem sucessão, abraçando-nos assim à nossa vida como ao que mais queremos. 

Com efeito, desde que meus filhos começaram a saber esboçar letras, foram desenhando sua afeição em provas de amor filial. Como foi acontecendo enquanto crianças de infantário, escola e depois pela vida adiante. Com coisas, de diversas feições, que gostei de receber, naturalmente, e guardei. Como tenho ainda. Quão, neste tempo de renovação da natureza, brota das lembranças como flores e frutos de nossas vidas.  

Assim tal qual, olhando mais atrás, relembro tempos desde que andava pela mão de meu pai e gostava de o admirar e sentir como meu pai.

 Assim sendo...

 19 de março, anualmente dia dedicado aos pais, é Dia do Pai. Sendo mais um dia para recordar também o meu pai. Pois, como meu eterno herói,... não há pai como o meu pai, para mim !

  

Ora hoje é Dia do Pai. Tradicionalmente evento comemorado no dia 19 de Março entre nós, em Portugal. Celebrando-se no dia de São José, santo popular da Igreja católica e pai de Jesus na terra, como esposo de Maria, mãe de Jesus Cristo. Cuja celebração nesta data é comum a diversos países, variando contudo de uns para outros. 

Sendo o autor destas linhas também já pai e avô… não esqueço meu pai. Recordando, a propósito, aqui e agora, sua fisionomia em diversas fases da vida, desde jovem até uma época em que nossa vida não chegara ainda ao tempo dos pensamentos profundos e tudo parecia ir durar sempre. Tal a ideia das ilustrações expostas, em cuja rememoração subjacente dedicamos agora as faces dum género de cartão alusivo, com que ilustramos esta especial missiva.

  

Importa então, para o caso, em dia de S. José e do Pai, que esta data é dedicada a homenagear os pais, pois, como diz o povo, falando em nome de todos e de cada um: não há pai pró meu pai…! Pai só há um. E o meu, desaparecido fisicamente desde 2006, continua sempre presente. Como quando viveu, nos seus quase noventa anos de vida, é sempre o meu herói. 

   
Numa singela mas sentida homenagem a meu pai, lembrando como ele gostava de ver as fotografias antigas e documentos que eu conseguia descobrir e divisar, aqui arranjo maneira de mais uma vez mostrar uma - acima - como recordação. Esta do local da “fábrica nova”, a Metalúrgica, na Arrancada da Longra (sabendo-se que a "velha" era a inicial, respetiva, do largo da Longra), onde ele inventou e construiu a sirene que era ouvida a grandes distâncias; e, sendo coisa rara à época e mais com aquela potência, sempre foi tida como referência da Metalúrgica da Longra… numa das suas facetas que lhe valeram, a Joaquim Pinto, meu pai, o Prémio da Associação Industrial Portuense, de 1959 (e que recebeu depois no Porto em 1960). 


Enquanto isto ainda permanece na retina, por fim, votamos ao além uma deposição dum texto, qual ramo florido lançado aos ares da saudade, através do qual relembramos algo que em nossa meninice nos sensibilizou na leitura do livro de ensino primário. Sempre com nosso pai no sentido… Como ele sabia e continuará a saber, nos insondáveis mistérios da eternidade!

  
  

~~~ ***** ~~~
Na viagem da vida, chegados a lugares e horas comuns de convivências posteriores, ou mais recentes à vista da retina da recordação, trocando palavras pelo silêncio da memória, alimenta-se o afeto com imagens de uma das vezes em que demos largas a temas de nosso comum interesse, do que também nos dizia a vida.


*****

Pai, figura paternal, ente querido grande, porto seguro como casa paterna onde queremos estar. Num eterno regresso de saudade, onde sempre regressamos em pensamento, como que desejando que o tempo não passe, voltando a tempos de sonhos de crianças. Agora em nosso mundo adulto, cheio de histórias, aquecendo-nos à lareira dos serões de família, no lar que sempre é da nossa história.  

Armando Pinto 

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sábado, 18 de março de 2023

Bodas de Diamante do “Café Jardim” de Felgueiras - Evocação do seu fundador em louvor à existência antepassada e apologia ao presente!

 

Bodas de Diamante do “Café Jardim” de Felgueiras

- Evocação do seu fundador em louvor à existência antepassada e apologia ao presente

O Café Jardim está em tempo de comemoração de 75 anos de sua abertura e continuadora existência. Sendo esta segunda-feira, dia 20, dia de festejo natural e louvável, por quanto representa todo esse seu tempo e sua envolvência.

Nesta oportunidade, é pois ocasião de assinalar o facto também aqui, neste cantinho singelo de letras e memórias de menção felgueirense. Havendo ideia pessoal da escrita de um artigo condizente à efeméride (como foi referido neste blogue, também, no artigo anterior). Contudo, reservando esse artigo para publicação próxima no jornal que ainda é publicado em Felgueiras, em sua edição da semana seguinte, releva-se para aqui, agora, uma rememoração evocativa sobre o fundador, pois sem princípio não haveria continuidade, nem presente e futuro.

Assim sendo, recorda-se, através de reposição dum artigo antigo, publicado há tempos no jornal Semanário de Felgueiras, esse mesmo idealismo. Com uma evocação ao patriarca da Pensão Albano e do Café Jardim  Abano da Costa e Sousa, avô do atual proprietário e continuador, José Mário Sousa. 

Tal como doutras vezes já recordamos alguns personagens típicos de eras recuadas, daquelas figuras marcantes que perduram na memória coletiva, lembramos desta feita o sr. Albano, fazendo memória do patriarca do remoto universo do Café Jardim, estendendo interligação a atrativos derivados. Conforme, em conformidade, deixamos correr a escrita num pequeno trecho, entre o que, de quando em vez, vamos legando pela memória cultural felgueirense, através da crónica que escrevemos no lugar mantido ao longo dos anos no jornal Semanário de Felgueiras.

Desse escrito, para devidos efeitos, recordamos aqui o texto alusivo ao homenageado. Quanto ao original do que foi há alguns anos publicado no Semanário de Felgueiras:

Recordando Albano Costa e Sousa – Um Nome Felgueirense…

Felgueiras está de novo no mapa das terras com futebol de bom nível, quanto o fenómeno desportivo e primazia do desporto-rei proporciona em visibilidade e importância. Regressada a terra do pão-de-ló e calçado ao rol dos locais onde ocorre colorido esplendor em tardes desportivas com banhos de multidão, no alcance do F C Felgueiras 1932, chegado por ora à atual Liga 3 Nacional Sénior. Voltando assim a ouvir-se o nome Felgueiras associado à geografia nacional, onde rumam os passos de visitas e paladares, tal a extensiva promoção deparada.

Esse cenário, puxando galões recordatórios, recua a memórias de tempos idílicos de antanho, de quando o clube representativo de Felgueiras, o histórico F C Felgueiras, jogava no velhinho campo pelado da Rebela, já chamado de Campo Dr. Machado de Matos. Recinto então, às portas da vila de Felgueiras, nesse tempo, vedado a muros irregulares de blocos de cimento, com grande porta de entrada encimada por um coberto de telhas, género de telheiro alpendrado, que era ladeado dentro por uma típica tasquinha, sítio esse de apreço público em momentos de acalmia, antes e nos intervalos dos jogos, além de muito animar os visitantes que demandavam Felgueiras com interesse em conhecer o verde vinho da região, de acompanhamento a petiscos. Corriam ventos de progresso possível, nessas eras que vêm à memória, a propósito, na amena existência dos anos cinquenta e depois pelos sessenta dentro, do século XX, quando o futebol ganhou maior ligação em Felgueiras. Sendo que, antes ainda, muitos dos forasteiros, em excursões que vinham estrada acima, iam parando pelo caminho, conhecida que era de muitos a Loja da Ramadinha da Longra, e mais adiante, por fim, já na vila de então, as lojas do Pilo, do Leão, do Milhões, do Tomate, etc… Ah, e do Albano, conforme lembra a retina popularucha memorial. Em dias de jogos, na expetativa de encontros que sempre despertavam grande interesse, indo os mais novos até ao Café Popular, a fazer tempo da proximidade à hora de todos rumarem ao campo da bola, enquanto no Belém fervilhava ambiente seleto, por baixo da Assembleia de comedido convívio mais social, nessas eras. Até que todo o povo, enchendo as bermas da estrada pela reta da Marfel adiante, seguia em numerosa fila para o local de encontro, como se para romaria fosse.

Ganhara tradição, ainda, por esses tempos, a gastronomia típica, sendo muitos os visitantes que vinham também pelo sabor da cozinha local, tal o que ouvíamos em perguntas a indagar onde ficava um ou outro sítio de comes e bebes. Havendo um paradeiro (passe a natural publicidade, mas tem de se dizer por rigor cronista) que era ponto de referência, quanto se passava com o popular Albano, tal como se dizia simplesmente da pensão Albano. Graças aos dotes culinários das mulheres da respetiva família e sobretudo à popularidade desse senhor detentor de certa simpatia e muitos conhecimentos, dentro e fora de portas, na zona.

Calha assim, na oportunidade do mote, em recordar essa figura típica como foi o senhor Albano da Pensão e do Café. Cujo Café Jardim o mesmo Albano Sousa abrira em 1948. E antes ainda, em 1936, franqueara as portas da Pensão. Como exemplo de homens felgueirenses daquele tempo, de empreendedores conterrâneos que ajudavam ao bom nome de Felgueiras. A ponto do Albano, como era popularmente mais conhecido esse empreendimento, ser falado em terras distantes, pelos comeres cujo cheiro figurativamente chegava além do horizonte, bem como pelos bons vinhos que os simpatizantes das equipas que vinham a Felgueiras aproveitavam para conhecer aos beberes.

Albano da Costa e Sousa, esse senhor Albano, ficou então na lembrança decorrente do fluxo que o futebol de tempos áureos proporcionava. Comerciante fundador da dita pensão e extensivo grupo negocial, que se alastrou na família com café e adega, tal como até loja de doçaria, por exemplo, esse senhor Albano, falecido já no começo da década dos anos 70, foi um felgueirense permanecente na recordação das gentes felgueirenses, enquanto bairrista integrante de diversas comissões de festas e organizador de realizações concelhias. Tendo sido em seu tempo de festeiro que pela Feira de Maio houve o I e II Circuito de Felgueiras, em 1950 e 1951, respetivamente, prova de ciclismo essa que trouxe a Felgueiras os grandes nomes da modalidade das bicicletas de corrida.  Cuja ação bairrista dele teve, inclusive e extensivamente, participação ativa na reorganização do clube de futebol nos anos cinquenta, revendo-se ter sido na pensão Albano, como é da história, que se realizaram reuniões da génese à revitalização do F C Felgueiras em 1952 e 53 (conforme ouvi diversas vezes contar a Adriano Sampaio e Castro, um dos elementos do clube que andaram nessas coisas, por esses tempos), no impulso de continuidade ao grupo formado em 1932Tal qual em mesas do Café Jardim se desenrolaram contactos para a formação da equipa e organizaram desenvolvimentos das épocas desportivas. 

Isso, e mais, relativamente a pessoas assim, como o fundador do Café Jardim. Do bom que se conserva do remanso de Felgueiras de tempos idos, qual celebridade do respeito merecido por gente de fibra. Mantendo-se no tempo esse nome, entre outros, dos bons velhos tempos do passado felgueirense, também, por quanto se interligavam os valores e os sabores.

ARMANDO PINTO

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quinta-feira, 16 de março de 2023

A propósito de próximas Bodas de Diamante dum café histórico de Felgueiras: - Lembranças de Cafés e Lojas mistas entre marcas ambientais felgueirenses no século XX.

 

Perfaz este mês a linda idade de 75 anos de existência um dos "Cafés" mais históricos de Felgueiras. Tema que merecerá proximamente aqui um vislumbre, mais para a ocasião dessa efeméride. Proporcionando tal caso e acaso um bom mote para se fazer um périplo de memória, ao jeito de  rememoração, sobre o que lembra dos estabelecimentos desse setor tão popular.
 
Assim como há sinais que refletem indicações relacionadas com a evolução de determinada época e marcas que delimitam e distinguem alguma relação derivada, houve certos estabelecimentos de convívio público que assinalaram um tempo e modo na sua marca existencial. Como foi com os chamados cafés, que por estes lados do território felgueirense se associam a tempos de transformação social, revezando hábitos que provinham de antigas tascas e lojas de comes e bebes, ao jeito de lojas mistas. 

= Exemplo de ancestrais valências em Felgueiras: - Um aspeto do hospital Agostinho Ribeiro, do lado de trás duma das enfermarias... (Foto do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997)

Recuando no tempo, sabe-se pela transmissão oral de antigos hotéis e lojas de vinhos e petiscos. Até que chegou a era dos "Cafés" já pelos idos tempos dos anos 40, do século XX. Numa evolução que foi sendo mais nítida pelo tempo adiante, até aos anos 60 e 70, de transformações mais vincadas.

Para quem nasceu e viveu, pelo menos, por volta dos anos médios do século XX, esses foram tempos de modo destacado na vivência comunitária. Sendo temporadas de marcas musicais, alastramento da rádio, expansão da televisão e consciencialização de situações políticas e morais, quase que num abrir de olhos ao mundo que rodeava o meio ambiente. Como também foi surgindo por Felgueiras, no horizonte da pacata região cuja população se juntava mais na anual Feira de Maio, ia monte acima à festividade do São Pedro e na Peregrinação de Agosto, já que a feira semanal apenas em meio dia das segundas-feiras dava melhor para gente madrugadora ou pessoas sem obrigações de trabalho normal.

Ora esses tempos tiveram realmente um timbre deveras marcante na evolução regional, sendo épocas em que se começou a ouvir falar de características locais antes pouco abonadas, de lado a apologias dos antigos pronunciamentos de sovelas e outros apodos, quais apelidos popularizados por certas zonas do concelho. Desaparecida imagem da pérgula central e restando o cruzeiro da independência, na sede do concelho. Até à existência de algumas modas eventualmente passageiras que deixaram memórias, como foi a realidade do Staminé que fez história, na evolução de anteriores épocas em que o Café Jardim e anexo espaço da Pensão Albano, mais o Belém e ainda o Popular, faziam parte quase emblemática do carisma felgueirense, mais tarde juntando outras salas de convívio popularizado, em tempo de mulheres ainda não irem ao café nem ao futebol e entre homens se falar mais de bola, na era de Sabú, Barnabé, Mamede, Pimenta, Paulino, Zé Carlos, Estebainha, Mário, Rodas, Caiçara e outros que povoaram os encantamentos da criançada nos recreios das escolas. Enquanto na feira se podiam comprar panfletos com letras rimadas a cantar os ases da bola do Felgueiras, mais romances heroicos de soldados que andavam na guerra da África (colonial) e até aviadores com rotas assinaladas no ar que ia além dos nossos horizontes.

~~~ *** ~~~

Ora, num tempo como o atual, em que também a recente época do confinamento provocado pela pandemia do Coronavírus/Covid-19 marcou diferenças de hábitos e feições, tendo-se feito sentir a diferença de convivência e comunicação no episódico encerramento dos cafés… e agora que se sente já natural desconfinamento com a retoma que reabriu esses e outros locais públicos… vem a talhe uma rememoração evocativa também sobre esses mesmos estabelecimentos de cafetaria. Alguns dos quais ficaram na memória histórica como elementos de progresso social, quais substitutos das antigas lojas de serviços diversificados.

= Imagem do exterior do café Jardim, já em inícios do século XXI e antes da última remodelação (de fotos que circulam na Internet).

Recuando aos anos de transição dos anos sessenta para setenta, quando mais se fez sentir uma rápida evolução em muitos setores sociais, e naturalmente incidindo no que o autor conheceu e se recorda (o que não invalida outros casos, dos quais quem se lembrar e conheça pode também narrar por sua vez e autoria), havia na então vila de Felgueiras o Café Albano como principal referência (existente já desde uns bons anos antes), quase a par com o Café Belém, em cada caso com clientela especial; e depois apareceu o Café Popular, que como o nome indicava passou a ser frequentado pelo pessoal mais diverso. Assim como depois ainda o café Cari, com o nome do prédio em que se inseria. Ainda os cafés eram sítios de homens apenas, não sendo habitual e muito menos normal ver mulheres casadas e raparigas solteiras a acompanharem maridos e namorados. Algo que mudou depois com o surgimento da Moderna, como era chamado o café da Pastelaria Moderna, na rua de entrada (e mais tarde conhecida por rua velha, após o rasgamento da avenida nova…). E especialmente houve um café mais especial, para a rapaziada nova e juventude estudantil, como depois ficou também a ser frequentado por gente mais alargada, por assim dizer, que foi o Staminé, do Doutor Hermínio.

= Aspeto interior do Staminé. Foto de postal da época (em cujo verso constava a legenda anexa).

Era a então vila de Felgueiras um ponto de passagem nos itinerários do interior do Douro Litoral, mas sem nada de especial a fazer paragem aos viajantes. Num limbo de simplicidade e ainda antiguidade, como se notava em edifícios com marcas temporais, por exemplo.

= Um aspeto de algo característico da vila de Felgueiras de inícios dos anos 70: Quartel antigo da GNR, em frente aos Bombeiros, ao tempo de chefia do sr. Cabo Pinto.

Enquanto isso, na Longra abria também o Café Longra, junto ao Largo da Longra. Obra do sr. “Manuel das Mobílias”, como era localmente conhecido o amigo sr. Manuel Marinho Silva. Sendo de notar que nesse tempo na estrada nacional de ligação de Lousada para Felgueiras, por exemplo, dentro do espaço concelhio de Felgueiras apenas havia algumas tabernas a beirar a estrada, bem como lojas de mercearia com serviço também de tasquinhas, as populares “vendas” de vinhos e petiscos. Havendo na Longra, já na estrada para Caíde mas logo a seguir ao Largo, a Casa do Povo desde 1939 com seu bar (mais sala de espetáculos e cinema, além do Posto Médico), funcionando ali de noite e em horas de espetáculos um centro de convívio ao jeito de café, que até ao final dos anos da década de 60 era único sítio do género nas redondezas. 

= Imagens duma loja de venda diversificada na Longra, que em tempos também serviu de taberna, mas por fim, com o último “vendeiro”, o sr. Fernando Machado, se dedicou à especialidade de mercearia (Fotos do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Deparando-se então em inícios de 1970 a mudança com a abertura do café da Longra (inicialmente aberto em finais de 1969, e definitivamente ao início de 1970).

= Imagem de tempo inicial do Café Longra, com aspeto clássico de seu interior à época da fundação, em 1969/1970. (Foto do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Pois também em 1970 abriu o Sataminé em Felgueiras. De nome oficial Staminé Relax-Bar, era então uma espécie de salão de chá, com serviço de restaurante “snack-bar”, funcionando também como discoteca. Uma casa que orgulhava Felgueiras, ao tempo uma pacata vila quase desconhecida do Norte, na fronteira do Distrito do Porto com as províncias vizinhas, que com aquela porta aberta passou a ser visitada por pessoas de vilas e cidades das redondezas, à vista da iniciativa do Dr. Hermínio Martins (farmacêutico e também professor do Ciclo Preparatório em Felgueiras, bem como tido por pessoa muito culta, como alguém avançado para a época no ambiente felgueirense, além de desportista concorrente a provas automobilísticas, etc. e tal).

= Imagem com o “Spot” publicitário da casa, constante das bases de copos (colocadas nas mesas para proteção e embelezamento), à época.

Entretanto pelo concelho depressa foram alastrando novos cafés, que entretanto ganharam estatuto e ainda fazem parte da memória de muitas localidades e suas gentes.

 = Panorâmica do Largo da Longra nos últimos tempos da “Loja da Ramadinha” (Foto do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Claro que continuava e bem o Café Albano, nome popular do Café Jardim, mais a Pensão Albano com serviço de restaurante e cave com tradicionais petiscos, a marcar sua presença na sede concelhia. Sendo aliás o Café Jardim o mais emblemático da cabeça do concelho, desde que foi criado em 1948 pelo famoso senhor Albano, Albano Costa e Sousa (ao qual o autor destas linhas dedicou um artigo no Semanário de Felgueiras, há alguns anos já). Tudo em ambiente social de permeio reforçado com os restantes cafés. Como depois foi aumentando a chamada concorrência, na expansão que ao longo dos anos foi ampliando os locais de convívio.

= Sequência de imagens com o Café Longra em tempos diferentes (Fotos do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Passado já mais de meio século, são muitas as diferenças daqueles tempos de transição social e ambiental. Algo a merecer atenção, nas marcas do tempo.

Armando Pinto
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quarta-feira, 15 de março de 2023

Curiosidades de… Coisas simples e banais antigas relacionadas com a Longra

Dando-se voltas a papeladas guardadas, por algum motivo, por vezes aparecem coisas que, embora simples e banais, por assim dizer, fazem lembrar tempos idos, remetendo a antigas existências, e são, afinal, coisas raras já, entretanto desaparecidas. Tal o caso de um vale da antiga Metalúrgica da Longra; tal qual bilhetes de entrada em espetáculos na Longra, de antigos e mais recentes grupos e organizações; bilhetes de transportes públicos, de camionetas (autocarros de passageiros), quer dos clássicos mais antigos ou posteriores de quando começaram as máquinas automáticas, bem como de comboio também, de deslocações da Longra para Felgueiras ou Porto, e regressos naturalmente, por exemplo; mais rifas de sorteios com fins de apoio a instituições locais; e até, inclusive, um bilhete da quarta comemoração (em 2007) da elevação da Longra a vila. Coisas simples e banais, mas que acabam por ser recordações e remetem ao reconhecimento de factos passados.


Armando Pinto

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domingo, 12 de março de 2023

Fonte Nova-Felgueiras: Mais uma Vitória Coletiva, agora na Clássica da Primavera/2023

Equipa de ciclismo Fonte Nova-Felgueiras volta a vencer por equipas de clube: Mais uma vitória coletiva, por Equipas de Clube. Já que a nível individual mais tem sido difícil, na competição dos Sub-23 com as equipas profissionais de elite, vai sendo na classificação por equipas de clube a subida ao pódio. Desta vez na Clássica da Primavera, na Póvoa de Varzim, realizada no domingo 12 de março.

Armando Pinto

🏆 𝟐𝟔ª 𝐂𝐥𝐚́𝐬𝐬𝐢𝐜𝐚 𝐝𝐚 𝐏𝐫𝐢𝐦𝐚𝐯𝐞𝐫𝐚 - Taça Jogos Santa Casa 🇵🇹

Uma prova que foi rápida desde a partida, com uma fuga logo na primeira passagem pelo Prémio de Montanha.
A fuga definitiva juntou 10 elementos e durou até à última subida ao Monte de S. Félix onde se destacou Maurício Moreira (Glassdrive-Q8-Anicolor) que venceu a prova.
Francisco Campos chegou na décima posição e conquistamos a classificação coletiva de Equipas de Clube.


Classificação Geral individual:

10º Francisco Campos +24s
27º Diogo Saleiro +1m17
51º Sérgio Saleiro +6m27
DNF Rui Silva
DNF António Cunha
DNF José Dias
DNF Diogo Mendes





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sábado, 11 de março de 2023

Presidente da União das freguesias da área da Longra – Lúcia Ribeiro – entre figuras públicas com histórias no Semanário de Felgueiras: a propósito do Dia da Mulher.

Distinção a um bom lote de mulheres no jornal Semanário de Felgueiras, em sua edição de sexta-feira dia 10 de março, na proximidade do Dia da Mulher, comemorado oficialmente dia 8 e particularmente na maioria dos casos à chegada do seguinte fim de semana, de sexta 10 ou sábado 11. Entre cujas mulheres “que desafiam os padrões e vencem em áreas denominadas tradicionalmente por homens”, foi ouvida também a Lúcia, Presidente da Junta da união das freguesias de Pedreira, Rande e Sernande, desta área geográfica da Longra.


Armando Pinto

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sexta-feira, 10 de março de 2023

Uma taça minha…

Num dos momentos de partilhas com amigos, recebi uma imagem duma fotografia antiga dum momento passado com um histórico jogador do Porto a receber uma taça, pelos idos de 1945. Reparando eu que essa taça era muito idêntica a uma que tenho, mais nova algum tempo, pois recebi-a em 1970 ou 71, mais coisa menos coisa. Não sabendo precisar já ao certo por não ter placa identificativa, como é da praxe costumeira - ah, e os anos letivos abarcarem partes de dois anos. Tratando-se dum pequeno troféu que ganhei (pois também ganhei uma taça!). Sendo que as taças ganhas pelo meu clube eu as considero minhas, como todos os adeptos e consócios também, mas essas ficam no museu do clube, quando não noutros sítios. Sendo esta mesmo minha. Ganha num torneio de ténis de mesa no Externato Eça de Queirós em Lousada, numa organização de estudantes finalistas ( in illo tempore !). Mas, talvez por que possa ter sido surripiada de algum lado por alguém da organização, para evitar despesas, ou fosse lá por que fosse, o certo é que me foi entregue na circunstância, sem qualquer placa colocada a referenciar o torneio a que se reportava. Contudo é sempre uma recordação e, por acaso, que nem foi por acaso mas porque ganhei, nessa canseira de jogos de ping-pong, esta é mesmo minha, ficando desde então comigo. E agora ainda está guardada e exposta no cimo duma estante do meu escritório de passatempo doméstico.  


Armando Pinto

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