Espaço de atividade literária pública e memória cronista

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Uma recordação…de vez em quando: o caso dos pequenos Rx de rastreio feitos em carrinha do Estado.…

 

Ainda faz parte das memórias comuns as passagens pela região da Longra de uma carrinha que de vez em quando vinha e parava para fazer exames gratuitos de rastreio à população, em camioneta do Estado, como se dizia. Dentro da qual havia máquina de radiografia onde se fazia o exame, através de pequenos Raios X (Rx) ao peito, para diagnóstico rápido sobre o tórax, para prevenção quanto a possíveis doenças relacionadas com tuberculose. Derivado a antigas sequelas dessa doença, havendo então tal género de profilaxia por meio desse meio de diagnóstico móvel. Pois com a evolução e irradicação da maioria dos casos da doença, houve cuidados adjacentes, como no caso da campanha de vacinação e de permeio esses exames rádio-fotográficos a crianças das escolas e trabalhadores adultos, sobretudo. Tendo durante o tempo de escola também eu ido a essas carrinhas, como todos os colegas, conforme eramos enviados a mando das professoras, quando algum dessses espécies de furgões parava junto à Casa do Povo da Longra, o local tradicional de todas as ações preventivas e curativas nesses tempos. Ocorrência que se prolongou no tempo e, do que ressalta nas lembranças, durou até aos anos setentas. Como já mais tarde fui em adulto, como tanta gente. Sendo que o último caso desses que me lembro de ter visto, assistido e até também participado, mais uma vez, foi em 1976, precisamente no mesmo mês em que entrei no meu emprego, ao tempo na Secretaria da Casa do Povo e Posto Clínico da Longra. Onde dessa vez parou a dita camioneta de Rx passageiro, como de costume junto ao edifício dessa mesma instituição. De cuja prova guardei a pequena película do mini-Rx, que aqui recordo. Com o  resultado de "Normal" estampado, como relatório, no pequeno envelope da "chapa", como também se dizia. Algo que assim dá para partilhar mais um caso de memórias comuns de tempos idos, da memória coletiva da região.


Armando Pinto

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domingo, 22 de setembro de 2024

Exercício de memória: Algumas datas interessantes da história recente da Longra…

 

Exercício de memória: Algumas datas interessantes da história recente da Longra, desde o início do processo da criação da vila da Longra até à extinção da freguesia de Rande…

- Julho de 2002 – Início do processo para apresentação da proposta para a elevação da Longra a vila.

- Agosto de 2002 – Tribunal deu razão a Rande, confirmando que é da freguesia de Rande o Monte de Santana, após processo judicial entre as Juntas de Freguesia de Rande e Idães (sendo autor principal o proprietário do terreno onde se incluem as capelas mais o respetivo cruzeiro e ré a JF Idães).

- Dezembro de 2002 – Mudança do antigo Posto Médico da Casa do Povo (criado em 1941) e entretanto passado a Centro de Saúde da Longra, saído então do edifício da Casa do Povo para instalações provisórias no terreno do antigo campo de futebol da Longra.

- Janeiro de 2003 – Entrada na Assembleia da República da proposta para o Projeto de Lei para a elevação da Longra a Vila

- 06-03-2003: Início das obras para colocação de passeios de cimento para peões na parte central da Longra, com sua conclusão a partir de Maio, nas antigas bermas das estradas da então ainda povoação.

- 07 /3/2003 – Abertura da caixa de Multibanco na Casa do Povo da Longra.

- 04/5/2003 – Inauguração e bênção do Nicho de Rande, Monumento dedicado a Nossa Senhora de Fátima.

- 01/7/2003 – Elevação da Longra a vila, com aprovação na Assembleia da República.

- Dezembro de 2003 – arranjo do fontanário do Largo da Longra.

- Setembro de 2004 – Inicio do funcionamento do Posto Médico/ Centro de Saúde da Longra nas novas instalações (posteriormente com inauguração oficial, de colocação de placa e corte de fita, politicamente, em janeiro de 2005).

- 07/11/2004 – Primeira realização da nova Feira da Longra, organizada pela Direção da Casa do Povo da Longra e apoio da Junta de Freguesia de Rande (cuja organização depois passou a ser em conjunto pelas duas entidades).

- Dezembro de 2004 – Aprovação pelo Executivo Municipal da Toponímia de Rande, alterando primeira proposta duma comissão da freguesia e criando outra disposição com aprovação da Junta e Assembleia de Freguesia de Rande, através duma comissão final (aproveitando algumas das propostas iniciais mas mudando outras, quanto aos nomes para as ruas e vielas).

- Março e Abril de 2005 – colocação de passeios na parte restante da área urbana da Longra.

- 17 e 18/1/2006 – Inauguração e abertura da autoestrada que passa em Rande, com acesso também desde a Longra.

(- Outubro de 2006 – saí da presidência da Casa do Povo da Longra e da responsabilidade do Rancho que fundei em maio de 1994.)

- Julho de 2007 a maio de 2008 – Realização de Cursos de Novas Oportunidades na sede da Junta de Freguesia de Rande.

- 18/5/2008 – Inaugurada a Casa Mortuária de Rande, Capela da Ressurreição Paroquial de S. Tiago de Rande.

- Maio de 2011 – Fecho da Estação do Correio da Longra (substituído por um Posto no edifício da Junta de Freguesia de Rande).

- Maio de 2012 – colocação dos railes de proteção em frente ao cruzeiro de Rande, na estrada de ligação entre o cruzeiro e o cemitério.

- Maio e junho de 2012 – Feito o parque de merendas da Longra, entre o antigo lugar das Cortes Novas e a zona dos campos da Misarela (mais tarde deixado ao abandono durante o mandato da primeira Junta da União de Freguesias que se seguiu... estando-se ainda à espera de sua recuperação, por ora.)

- Abril de 2013 – Rande deixou de ser freguesia, passando a ser incorporada na União de Freguesias de Pedreira, Rande e Sernande, contra a vontade popular, mas sem que os responsáveis autárquicos e membros dos partidos políticos locais se manifestassem nem opusessem… na ocasião.

(Apenas algumas datas, como exemplos de que a memória perdura…)

Armando Pinto

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Em tempo de início de novo ano escolar: folhas soltas de memórias pessoais

Setembro de 2024. Num voo de memória a pousar por tempos outonais de 1960 e 1961… Agora com os dias algo mais pequenos e a natureza a começar a perder folhagem de vivacidade, esvoaçando na paisagem. Enquanto a meio de setembro volta o tempo de início das aulas para a juventude. Vendo agora os netos a irem para as suas escolas continuarem o percurso estudantil. Tal como muitos anos antes eu comecei e andei. Quão me lembro ainda até dos primeiros dias. Embora diluindo-se já no tempo o meu primeiro dia de aulas, a sério, salvo raros pormenores. Nesse tempo em que as aulas começavam pelos inícios de outubro, já com o frio a fazer-se sentir, por entre a curiosidade e ansiedade dos primeiros dias de escola.

As aulas eram então na escola velha da Longra, edifício antigo todo em pedra, de grandes janelões e com duas amplas salas de aulas, uma para rapazes e outra para as raparigas, em ambos os sexos juntando por diferentes carreiras de carteiras as diversas classes. As carteiras, de madeira grossa, largas para duas crianças, juntas, tinham à frente dois tinteiros, metidos na madeira, um de cada lado, ao cimo, para molhar as penas com que se escrevia. Além de se escrever também com ponteiros nas lousas. Entre os diversos apetrechos e adereços próprios desse tempo nas escolas primárias. 

Lembro-me que, tinha eu seis anos e mais alguns meses de vida, quando, acompanhado da minha mãe, entrei pela primeira vez na escola da Longra. Mas sem ficar logo inscrito. Tendo na altura esses meus seis anos, e se deparou a situação de não poder ficar matriculado, visto então ser só possível fazê-lo com sete anos, oficialmente. Segundo informou a professora com todas as classes, incluindo a primeira, nesse ano,  E assim fiquei unicamente a assistir às aulas dos outros. Vendo diversos amigos de brincadeiras, mais velhos poucos meses, a começarem a aprender a ler e escrever, e os mais velhos já a fazer contas e falarem de histórias, etc. e tal, enquanto eu e mais dois colegas, dos que aparecemos por lá na mesma situação, ficamos de fora apenas como assistentes, numas carteiras ao fundo da sala. Daí que passados alguns dias deixamos de aparecer por lá, fartos de estar ali sem fazer nada, nem sequer poder brincar. Também por de permeio me ter apercebido que havia três amigos da mesma idade que, mesmo só com seis anos, tinham entrado, admitidos com matrícula feita. Enfim... Por isso, só no ano seguinte passei a estar matriculado e inserido mesmo nas aulas. Num ano que me ficou bem nos sentidos, nesse belo tempo em que tive como primeira professora, verdadeira, a saudosamente eterna Dona Candidinha Sousa, senhora amiga que me influenciou deveras a gostar de ler e escrever. Seguindo depois, pelos anos adiante, normal trajeto, sempre a passar de classe, já com outra professora, a D. Fernanda, desde a 2.ª à 4ª Classe. E de seguida decorreu todo o percurso de vida, que leva agora a estar a escrever estas remembranças de tempos idos.

Como o tempo passa!

Armando Pinto

terça-feira, 10 de setembro de 2024

FALECIMENTO DO CONSULTOR VAZ-OSÓRIO DA NÓBREGA – autor do livro “PEDRAS DE ARMAS E BRASÕES TUMULARES DO CONCELHO DE FELGUEIRAS”.

 

Faleceu hoje, 10 de setembro de 2024, o Consultor Artur Vaz-Osório da Nóbrega Ribeiro, uma das personalidades mais insignes da História recente de Lousada, que iria completar 100 anos de idade a 13 de novembro.

Consultor oficial de Heráldica e Genealogia, desenvolveu, durante várias décadas, um vasto trabalho de investigação histórica, incluindo “Pedras de Armas do Concelho de Lousada” (1959) e “A Heráldica de Família do Concelho de Lousada” (1999).

Distinguiu-se também como poeta e escritor, publicando muitos poemas e folhetins no “Jornal de Lousada”, concelho onde residiu durante muitos anos, na Casa dos Casais (Vilar do Torno), de que era senhor, sendo agraciado em 1999 com a Medalha de Prata de Mérito Municipal de Lousada.

Vai a sepultar no dia 11 de setembro, pelas 10h30, no cemitério do Bonfim, no Porto.»

(Informação noticiosa transmitida pelo amigo sr. Prof. Luís Ângelo Fernandes, historiador lousadense)

Artur Vaz-Osório da Nóbrega escreveu também o livro “PEDRAS DE ARMAS E BRASÕES TUMULARES DO CONCELHO DE FELGUEIRAS”, publicado em 1997 em edição da Câmara Municipal de Felgueiras, que incluiu algumas referências da Casa de Rande e Casa da Torre, ambas da freguesia de Rande, de material dos originais fotocopiados do meu trabalho para o livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, nesse mesmo ano também publicado. Cujas páginas datilografadas entretanto haviam ficado na Câmara Municipal de Felgueiras, quando esteve em equação o patrocínio municipal para esse livro, depois ficado sem efeito no tempo da Vereação da Cultura a cargo da Dr.ª Fátima Felgueiras (e mais tarde publicado, em novembro de 1997, com patrocínio do jornal Semanário de Felgueiras).

Sobre Artur Vaz-Osório da Nóbrega é no jornal TVS acrescentado ainda: «Formado em Ciências Heráldico-Genealógicas, foi consultor oficial de Heráldica e Genealogia, desenvolvendo, durante várias décadas, um vasto trabalho de investigação histórica, com projeção em vários países europeus, Rússia e Brasil, salientando-se os levantamentos heráldico-genealógicos nos concelhos de Lousada, Felgueiras, Braga, Santo Tirso, Póvoa de Varzim, Matosinhos, Terras de Bouro, Amares, Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Barcelos e Esposende, e mais estudos ligados à heráldica, genealogia, bibliografia e documentação histórica. Publicou, nomeadamente, “Pedras de Armas do Concelho de Lousada”, “A Heráldica de Família do Concelho de Lousada”, “Valles Peixotos de Villas-Bôas da Casa de Carvalho de Arca” e “Pedras de Armas e Brasões Tumulares do Concelho de Felgueiras”, além de muitos artigos, inclusivamente no jornal TVS.»

Armando Pinto

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quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Só por acaso ou porquê…?!

 

O antigo Comboio do Vale do Sousa, conhecido por Comboio de Penafiel à Lixa e Entre-Os-Rios, chegou pela primeira vez ao concelho de Felgueiras em MAIO DE 1914. Como se pode reparar pela imagem de cartaz, desse dia festivo à saída de Penafiel com destino à Longra… com a locomotiva engalada a preceito. Então o que não bate certo com o que consta do mesmo cartaz e da comemoração em causa… agora, em SETEMBRO, fora de tempo e do espaço devido?!  

Apenas um reparo  quanto ao que aqui é reproduzido do original (publicado em locais públicos). Ou como se diz na linguagem regional popularucha: é só pra “môrde” (mor de…)!


Armando Pinto

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quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Memórias pessoais e coletivas duma "Excursão do Pessoal da Casa do Povo da Longra" para sempre recordar...

O tempo passa mas as boas memórias permanecem. Como no caso da Excursão realizada em 2004, corria o sábado 21 de agosto, quando com a organização e concretização de um grande passeio de toda a gente que pertencia às atividades da Casa do Povo da Longra, em dois autocarros grandes, fizemos um Passeio com destimo ao alto do Santuário da Senhora da Peneda, nas serranias das terras de Arcos de Valdevez e proximidade de Soajo, Lindoso e Melgaço, em plena região do parque nacional da Peneda-Gerês.

Tal o exemplo dessa inesquecível realização ocorrida em 2004, ainda na gerência aqui do autor destas linhas à frente dos destinos da Casa do Povo do Povo da Longra. Tendo a excursão sido uma entre várias realizadas ao longo da dúzia de anos em que pertenci à Direção da histórica Associação, mas com especial enfoque nas lembranças por ter sido uma bela jornada de convívio, desde o percurso em bom ambiente nos autocarros, até à passagem do dia naquele alto da Gavieira. 

Vem o caso a talhe na passagem da efeméride desse dia. Quão ocorreu então a 21 de agosto de 2004, entre realizações decorridas no âmbito dos convívios proporcionados pelo ambiente vivido naquele tempo. Recordando-se tal grande “Passeio” de toda a gente que se incluía e andava então nas atividades da Associação Casa do Povo da Longra. Como então fomos desde a Longra, passando por Guimarães, Arcos de Valdevez e Soajo, até ao santuário montanhoso da Senhora da Peneda, no cimo do parque natural da Peneda-Gerês, regressando ao fim do dia pelo Lindoso e daí, com a noite cerrada mas alegre na satisfação estampada nos rostos, chegamos à Longra satisfeitos.

Na ocasião foram 2 grandes autocarros cheios de passageiros de pessoal afeto à Associação Casa do Povo da Longra, indo todo o mundo devidamente esclarecido da essência de tal realização, conforme estava explicado no desdobrável panfleto escrito pelo presidente da instituição e que foi distribuído por todos os excursionistas logo à entrada nos autocarros, à saída da Casa do Povo da Longra.

Ocorrência essa que bem permanece nas boas recordações de muita e boa gente, quão faz parte da história da instituição Casa do Povo da Longra e das suas anexas seções, sendo que foi então toda a gente dos diversos departamentos que ao tempo existiam na casa, ou seja, os Grupos do Rancho, dos Cavaquinhos, do Teatro e dos Fados, cujos elementos, mais os diretores, à época, bem como antigos dirigentes e patrocinadores convidados, incluindo os associados que se quiseram associar, puderam assim confraternizar num dia pleno de convivência cultural e ambiental.

De tal dia, além de tudo o mais, ficaram as recordações impressas nas fotografias que cada um captou, como as que estão guardadas nos álbuns particulares do autor. Com a lembrança de alguns que já partiram deste mundo, permanecendo contudo sua ligação à terra no Além que nos une pela eternidade até aos confins dos tempos.

Armando Pinto

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quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Desenho de meu retrato pessoal - da autoria de meu irmão Fernando (em 1969)

 

Podia perguntar-se se alguém reconheceria o então jovem retratado, neste retrato desenhado a lápis em folha simples de papel. Mas, além de familiares e amigos com alguma “memória fotográfica”, assim como pudesse haver quem se deitasse a adivinhar, por certo não reconheceriam este rosto… ao certo. Mas efetivamente retrata em desenho a fisionomia do autor destas lembranças, feito pela mão do meu irmão Fernando, o autor do interessante desenho.

Assim sendo, revelado o facto, além da identidade foca-se a sua autoria… Tendo este desenho sido feito pelo meu irmão Fernando, numa tarde de brincadeiras entre nós, com amigos da Longra, em 1969, durante as férias grandes do verão desse ano (como se dizia nesse tempo, quanto às férias escolares, nos descansos de anos letivos). Desenho este que desde então está bem guardado aqui comigo, apenas o partilhando visualmente através deste meu blogue LONGRA HISTÓRICO-LITERÁRIA.


Contudo, é de frisar, o desenho é dele, mas não a cara desenhada. Para comprovar e ao mesmo tempo recordar, basta ver como era ele, o meu irmão Fernando Pinto, nesse tempo. Como se recorda, mais para o lembrar, sempre.


Fica a recordação, também eternamente em coisas como estas, simples mas grandes nas lembranças, para sempre.

Armando Pinto

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