Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sábado, 11 de maio de 2024

Na calha do 92.º aniversário do FC Felgueiras

 

Passou num destes dias de inícios de maio o 92.º aniversário do Futebol Clube de Felgueiras, comemorado no dia 8. Na linha histórica dos inícios, desde o original Santa Quitéria Foot-ball Club e imediato Futeball Club de Felgueiras, em 1932. Ora, na sequência dessas ligações memorandas, vem a propósito evocar uma curiosidade relacionada, por constar o nome do original clube de futebol felgueirense na História do FC Porto escrita em 1933 por Rodrigues Teles  estando ali "o Felgueiras" dos primórdios então entre um dos muitos clubes que endereçaram ao FC Porto parabéns quando o FC Porto foi Campeão em 1932. Aquando do triunfo do FC Porto no Campeonato de Portugal da época de 1931/1932. Como se pode recordar aqui, deitando olhos ao final da página 110 e início da 111 da referida publicação.

Armando Pinto

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quarta-feira, 8 de maio de 2024

Lembrando… O senhor Américo Pereira – no 30.º aniversário de seu falecimento!

Passam 30 anos da morte do senhor Américo Pereira, o amigo senhor Pereira que foi figura pública da Longra e conhecido homem das obras municipais de Felgueiras nos anos 50 e 60, do século XX. Em tempos deveras associado à vida concelhia como responsável do setor de obras na era de Presidentes da Câmara como o Dr. José Leal Faria (nos últimos tempos de sua presidência), Dr. Dias da Cunha, Dr. António Leal de Faria, Dr. Dias Ribeiro e ainda do Dr. José de Barros (em parte de sua presidência). Além de pessoa culta, grande colecionador de discos de vinil com música portuguesa de sua preferência e inovador de meios informáticos de tempos antigos na região. Tanto que teve em sua casa o primeiro aparelho de televisão na Longra, onde causou sensação nesse tempo com a montagem da sua grande antena para a captação televisiva, erigida no quintal da casa, quando nada disso ainda havia pela região. Mais tarde ficou também ligado ao surgimento e continuação nos primeiros tempos da Rádio Felgueiras. Como, sobretudo era amigo de seus amigos, e fomos amigos. 

Américo Soares da Silva Pereira, nascido em 1925 no Padrão da Légua, Leça do Balio-Matosinhos, passou a viver na Longra, concelho de Felgueiras, nos inícios dos anos 50, onde veio a falecer a 8 de maio de 1994.

Comungando ambos grande paixão pelo Futebol Clube do Porto, eu e ele, como ele sabia eu ser portista ainda em criança, por então já ser muito amigo e colega de brincadeiras de seu filho mais velho, como depois pelos anos adiante sempre frequentei muito sua casa na convivência com todos os seus filhos, Zé, Belinha e Lino, em sua casa quantas vezes ouvimos os relatos dos jogos do Porto e apreciei como ele vibrava em tudo com seu vozeirão. Tal como ainda o acompanhei também numas das suas idas de carro à procura de locais de passagens da Volta a Portugal em bicicleta, para vermos passar os ciclistas do F. C. Porto. Antes ainda, como o sr. Pereira era também grande aficionado pelo Futebol Clube de Felgueiras, ficou ligado à primeira subida de Divisão do clube azul-grená, em julho de 1965, por ter proporcionado um género de estágio aos jogadores felgueiristas antes da finalíssima com o F. C. Lixa, que levou à ascensão d’ “o Felgueiras” da então 3.ª Divisão à 2.ª Distrital da Associação de Futebol do Porto. Sendo deveras conhecida sua presença nos jogos do campo da Rebela (depois chamado campo Dr. Machado de Matos e muito mais tarde com o mesmo nome já transformado em estádio), sentado num banquinho que levava sempre, visto nesse tempo a assistência do público ser em pé no então campo de terra do Felgueiras, onde ele se colocava junto ào ferro de separação, normalmente. E por vezes ainda levava alguns jovens da Longra a ver jogos do Felgueiras fora de casa. Era grande admirador do Sabú, sendo famosas as suas chamadas de apoio ao "Sabuzinho", com sua voz forte. Como na época do treinador-jogador Caiçara acompanhou a equipa para todo o lado. Tendo merecido bem algumas fotos que no fim das respetivas épocas recebia, com as equipas das históricas subidas.

= Equipas do FC Felgueiras de 1964/1965 e 1965/1966

Volvidos anos, quando passou a seguir mais assiduamente os jogos do Porto, nas Antas e no entusiasmo do tempo do treinador Pedroto, sobretudo, era também bem conhecida sua voz potente a puxar pelo Frasco, médio organizador de jogo do FC Porto, chamando-lhe "fanequinha", em tom de incentivo, por ser de Matosinhos, terra de peixe pescado e concelho de onde um e outro eram oriundos. 

Ora, na passagem do 30.º aniversário de seu falecimento, recordamos aqui o amigo sr. Américo Pereira da Longra, com lembrança da notícia que ao tempo foi escrita por este seu amigo e publicada no jornal Notícias de Felgueiras, edição de 12 de maio desse ano de 1994.

Sobre ele depois ficou exarado pessoalmente, também, algo no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997.


Armando Pinto

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sexta-feira, 3 de maio de 2024

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Nos 45 anos do falecimento do Padre Luís Rodrigues - evocação com lembrança do livro publicado em 2006

24 de Abril 1979 - 24 de Abril 2024

«No 45.º aniversário da partida para a eterna glória do Pai, do Reitor Pe. Luís de Sousa Rodrigues:

"Há homens que são nossos parentes,

não pelo sangue, mas pelo coração."

A inscrição na pagela do seu funeral, é hoje a lembrança do homem de DEUS, que o foi em plenitude!» 

 

No 45.º Aniversário do falecimento do Padre Luís de Sousa Rodrigues, recorda-se o saudoso reitor da Lapa do Porto, natural de Rande-Felgueiras. Evocando sua memória com a lembrança do livro que lhe foi dedicado aquando da passagem de 25 anos, em 2006.



Armando Pinto
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sexta-feira, 19 de abril de 2024

Homenagem póstuma e de reconhecimento público a Ernesto Oliveira

 

Faleceu Ernesto Gonçalves de Oliveira, cidadão e munícipe felgueirense que viveu em Rande muitos anos, tendo residido na Longra desde que casou, até ter voltado à sua terra natal, freguesia de Jugueiros. Havendo, em boa parte do período em que foi habitante de Rande, servido esta terra afetiva como elemento da autarquia local, depois de ter concorrido às eleições autárquicas nas listas de seu partido político, assim como integrou um dos órgãos diretivos da Associação Casa do Povo da Longra durante um mandato.

Assim sendo, na linha do que aqui se tem procurado exaltar sobre quem fez algo pela nossa terra, propicia a ocorrência uma justa homenagem ao amigo Ernesto, pessoa que fez parte do ambiente da Longra, muito afável, além de deveras culto. Quão sociável, a ponto de ter interpretado sua disposição de serviço social, em cujo âmbito de cidadania se disponibilizou a ter papel ativo, dentro do que foi possível.

Dessas funções, ilustra-se a lembrança com algumas recordações dos manifestos eleitorais em que Ernesto integrou as listas da CDU (das vezes em que chegaram prospetos respetivos às mãos do autor destas lembranças). .


Em 1989, 1993 e 2005.

Bem como, ainda, no acréscimo de sua atividade pública, também uma imagem duma declaração de quando ele foi Secretário da Casa do Povo da Longra (num documento pessoal, passado ao autor destas linhas, para uma das vezes em que foi preciso apresentação de currículo de carreira, por exemplo). 

No caso em 2000, na viragem do século, ainda a Longra era considerada Povoação, três anos antes da localidade ter sido elevada a Vila; e estava-se a meia dúzia de anos da conclusão do serviço local correspondente).

Que o amigo Ernesto descanse em paz, no repouso dos justos. 

Armando Pinto

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quarta-feira, 17 de abril de 2024

Memórias de há 50 anos do 25 de Abril em Felgueiras

 

O dia 25 de Abril em 1974 nasceu de sol aberto no concelho de Felgueiras, assim como pelo interior nortenho do País (tal qual por toda a Nação, conforme a visão das imagens televisivas). Estava uma manhã de sol radioso quando me comecei a aperceber que alguma coisa se passava por Lisboa, lá ao longe então, pelas notícias entretanto chegadas. Mas cá na região de Felgueiras, por quanto me apercebi e lembro, nada de especial se passava, além de ser um dia normal. Daí que só dias depois tenha havido algo diferente, com uma manifestação pública, espontânea e com grande afluência, de apoio ao Movimento das Forças Armadas que havia derrubado o regime da ditadura de Salazar e Caetano. A primeira manifestação pública e livre de que há memória em Felgueiras.

Quando se deu o 25 de abril, a meio dessa semana de tempo primaveril, mesmo, fui apanhado de surpresa quando, ao chegar ao café (aqui da Longra) pela manhã, ouvi falar que em Lisboa havia uma revolução. Eu nesse tempo estava à espera de ir para a tropa. Havia em janeiro anterior ido à inspeção e tendo ficado apurado para o serviço militar, fiquei em espera de incorporação para o exército, ou seja de ser chamado para ir para a tropa, como se dizia. E, por via disso, com o curso dos liceus mas em idade militar, estava sem conseguir emprego, pensando que mais mês, menos mês, lá iria para um quartel e depois para a guerra. Mas, afinal, com o 25 de abril já não fui… e após oficialização de passagem à reserva, arranjei logo emprego.

Ora, voltando atrás, no dia, propriamente, no 25 de abril de 1974, como nos emissores de rádio e televisão só davam músicas de marchas militares, ao início da tarde fui até Felgueiras, à então vila de Felgueiras-sede do concelho, para no Café Albano (Jardim) ouvir quem saberia melhor qualquer coisa, pois ali se costumavam juntar alguns senhores em tertúlias que até metiam assuntos políticos. Alguns dos quais entretanto, como também não sabiam ainda grande coisa, foram até ao monte de Santa Quitéria para lá no alto ouvir em melhor captação qualquer coisa de emissoras estrangeiras. Depois disso tudo, ao chegar a casa mais para o final da tarde, já ouvi alguns comunicados radiofónicos do MFA e pela noite dentro chegou a ocasião de ver na televisão a comissão visível da Junta de Salvação Nacional. No dia seguinte os jornais esgotaram e por isso apenas pude ler no café o diário que lá estava, na sexta-feira; e no sábado seguinte devorei as páginas do jornal nas reportagens sobre o 25 de abril, mais a mais porque já eram referidos os irmãos João e Francisco Sarmento Pimentel, da casa da Torre, como exilados políticos que em breve regresaariam a Portugal. Dias depois ainda dei uma vista de olhos por um dos jornais de Felgueiras, mas sem conseguir ficar com ele. O resto é História.

Nesse sábado seguinte ao 25 de abril, ou seja no dia 27, fui até Felgueiras com a minha namorada, sendo que ao tempo as manhãs dos sábados eram ocasiões de muita gente ir passear à vila, como se dizia, depois da semana de trabalho (pois ela trabalhava, tendo emprego obviamente), aproveitando para fazer compras e conviver. E então, pelas conversas com quem nos deparamos, apercebi-me que pouca gente ainda estava ciente do que tinha verdadeiramente acontecido, fruto de ninguém até então saber nada de política, por assim dizer. Daí que, entretanto e seguidamente, valeu  o resultado de conversas entre algumas tertúlias de gente sociável e estudantes, sobretudo, para depois ter havido uma crescente ideia da manifestação que acabou por ir para a rua, dias depois.

Ora, tendo o dia 25 de Abril de 1974 sido na última quinta-feira do mês, depois na terça-feira seguinte, dia 30, houve então a histórica manifestação em Felgueiras, na véspera do então já proclanamado oficialmente feriado nacional do Dia do Trabalhador, que veio a ser o efusivo 1.º de Maio em Portugal.

Não havendo, assim, grande material relacionado que tenha sido publicado, quanto ao 25 de Abril em Felgueiras, e como só dias depois houve uma manifestação na sede concelhia, percorrendo as ruas principais da então vila de Felgueiras, cuja arruada culminou com a manifestação por fim concentrada em frente ao quartel dos Bombeiros Voluntários, é dessa ocorrência a memória que perdura mais. Como foi mais tarde registado («20 anos depois…») na revista “Felgueiras Cidade” do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Felgueiras – de cujas páginas se retira a recordação da reportagem de tal acontecimento local. 


Tempos depois, já em Maio, houve em Felgueiras uma outra manifestação, de homenagem, essa de boas-vindas ao regresso de um antifascista que viveu em Felgueiras antes de ter saído para o exílio forçado no Brasil, por motivos políticos do regime deposto com o 25 de abril - como foi com João Sarmento Pimentel. Então regressado à Pátria após o 25 de abril, tendo sido recebido em Felgueiras na Câmara Municipal, ao tempo da presidência do Dr Machado de Matos à frente da ainda Comissão Administrativa nomeada depois da mudança de regime político nacional. Homenageado então que foi o ainda Capitão João Sarmento Pimentel com efusiva manifestação pública. tendo tido receção à chegada, com autêntico banho de multidão, subindo depois ao salão nobre, onde desde a varanda proclamou um vibrante discurso. 

= Instantâneo fotográfico da chegada do então ainda Capitão João Sarmento Pimentel à receção oficial que lhe foi prestada no Município de Felgueiras, na Primavera de 1974, no seu regresso vitorioso à Pátria em liberdade depois de 47 anos de exílio político, após o 25 de abril em 1974. Na foto: Ao subir as escadas nobres de entrada nos Paços do Concelho, recebido e acompanhado pelo então Presidente da Comissão Administrativa Municipal, Dr. Machado de Matos, mais por seu sobrinho Engenheiro António Pimentel, ao tempo proprietário da Casa da Torre, e por um político amigo. (De notar uma visão saudosista desse antigo escadario nobre da entrada interior no edifício dos Paços do Concelho, com o seu característico gradeamento de corrimão em ferro forjado clássico, destruído e desaparecido com obras de transformação operadas nos inícios do século XXI, ao tempo da presidência municipal da Drª Fátima Felgueiras)…  = Foto de arquivo do sr. Mário Pereira. =


Entretanto tinha havido transferência de poderes na Câmara com a nomeação duma Comissão Administrativa Municipal. Que tomou posse ainda mais tarde, como se pode ver pela reportagem referida. 

Memórias de há 50 anos do 25 de Abril em Felgueiras e tempos seguintes, do que resta ainda na lembrança e perdura, além de escassas referências na imprensa concelhia da época.

Armando Pinto

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