Espaço de atividade literária pública e memória cronista

domingo, 10 de dezembro de 2023

Presépio Familiar - Natal de 2023 !

 

Já está feito o presépio familiar cá em minha casa!

Feito todos os anos, não podia também faltar este ano em que passam 800 anos desde o Presépio inicialmente recriado por S. Francisco de Assis no Natal de 1223. Tendo sido então que o “Santo Puverello de Assis” criou o primeiro presépio da história, na cidade italiana de Greccio, em representação humana através de sua iniciativa, com pessoas que reuniu para ali representarem o nascimento de Jesus. 

Ora, o meu é simplesmente um Presépio Familiar. Feito anualmente, na linha da tradição familiar, vindo desde tempos de casa de meus pais e que eu continuei em minha casa, quão minha esposa e meus filhos sempre apreciaram e hoje é enlevo de meus netos, também. De iconografia doméstica, pessoal e particular. Algo que é mais significativo, imediatamente recordado quando se fala em família no Natal, na representação do nascimento de Jesus, em Belém. 

Este é o meu Presépio do Natal de 2023.


Armando Pinto

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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Entre curiosidades locais - de vez em quando… O alto do Calvário, em Rande.

Por entre lugares conhecidos de alguns, mas possivelmente de nem todos os conterrâneos, há sítios menos falados no domínio público e possivelmente algo desconhecidos. Como é a mata do Calvário, da paróquia de S. Tiago de Rande. Da qual foi entretanto feita referência no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997, deitando olhos aos documentos vislumbrados aquando das pesquisas para esse trabalho histórico-monográfico, além de algum conhecimento transmitido por pessoas mais velhas, à época. Vindo isso à ideia por estes dias, em que nas andanças à busca de musgo e outros materiais para o presépio natalício, houve oportunidade de andar por esses sítios da freguesia com réstias ainda visíveis do passado.


Nota: Local sito no alto das matas existentes por trás da capela mortuária de Rande, mais para o lado das proximidades traseiras, sendo um terreno que pertencia à paróquia e onde em tempos existiram diversas cruzes de pedra e outras construções, a formar o Calvário da Paixão Pascal. Daí o nome porque era conhecido o sítio, onde em tempos idos na semana santa, por exemplo, se celebravam cerimónias próprias. Tendo recebido essas informações verbalmente de pessoas antigas, e de modo mais vincado de uma vez que, pelo meio dos anos 60 (por volta de 1964), andamos ali ao musgo para o presépio grande feito na igreja de Rande pelo sr. Góis e pelos rapazes da “Liga Eucarística dos Homens de Rande”, com ajuda de crianças da “ Cruzada”. E entre os que andamos à procura de musgo e arvoredo ter andado o sr. Elísio da Fonte, senhor já idoso nesse tempo, que nos contou isso.

Quando fiz pesquisas para a escrita do livro “Memorial…” vi a escritura respetiva entre os documentos da paróquia, que estavam guardados no arquivo paroquial feito pelo Padre João (se bem que depois com o Padre Oliveira e o Padre Jorge aquilo já estivesse muito desorganizado, para não dizer outra coisa…) e inclusive havia uma relação feita pelo punho do Padre João com os bens da paróquia, em que a mesma mata estava devidamente descrita. Mais tarde, por trocas havidas com o proprietário das matas vizinhas, houve trocas de terrenos, deixando de pertencer à paróquia, aquando da construção da capela mortuária (por acordo de troca com o terreno mais atrás e assim haver arredondamento e junção de terrenos dessa parte), para a capela funerária ser edificada junto à estrada. 

Armando Pinto

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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Musgo para o Presépio Natalício Familiar

Está apanhado o musgo para fazer o Presépio Natalício caseiro, na linha familiar cá de casa desde que há memória pessoal da família. Mantendo assim a tradição. Tendo desta vez a ida ao musgo haver sido sem os netos, diferindo do que normalmente tem sido costume em bons momentos de convívio, por de momento não estarem cá, connosco. Havendo sido mais prudente ter andado já com isto, para antecipação à chuva que se antevia. De modo que poderá assim o musgo secar ainda antes de ser colocado no seu destino. Para então, daqui a dias, ser feito o presépio familiar cá em casa, como é hábito e faz parte do ambiente natalício doméstico.

Já anda o Natal famíliar no horizonte !

Armando Pinto

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domingo, 3 de dezembro de 2023

Caneca e íman da Comissão de Festas de Rande alusivas às “Festas em Honra de S. Tiago – Rande 2024”

Já cá estão em casa as agora minhas “lembranças” mais recentes relativas à Paróquia de S. Tiago de Rande. Estas alusivas às “Festas em Honra de S. Tiago-Rande 2024” –  a caneca e o íman decorativo com imagem do Padroeiro S. Tiago Maior e legenda da Comissão das “Festas S. Tiago-Rande 2024”. Mediante aderência à campanha natalícia efetuada nesta quadra de 2023, com disponibilidade de artigos relacionados, numa interessante iniativa da atual Comissão de Festas de Rande, tendente ao reforço da mística bairrista e ao mesmo tempo para angariação de fundos destinados à realização da próxima Festa Paroquial de Rande.

Com estas aquisições, estão já os novos adereços de simbologia local junto com outros ornatos guardados e preservados, entre objetos acondicionados pessoalmente, aqui no escritório doméstico.

Armando Pinto

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quarta-feira, 29 de novembro de 2023

(Mais um) Artigo da “Hemeroteca de Felgueiras” de Mário Pereira – continuação – no SF Felgueiras Jornal

Na continuação de anteriores partilhas de trabalhos de teor histórico-cultural, como são também os da lavra de Mário Pereira no Semanário de Felgueiras, desta vez transpõe-se o artigo publicado na edição do passado dia 24 deste mês de novembro: “VISITA À HEMEROTECA DE FELGUEIRAS”. Na pertinência da sua publicação coincidente ao 125º aniversário dos Bombeiros de Felgueiras e até calhar bem na sequência do artigo aqui publicado anteriormente sobre o Conselheiro Dr. António Mendonça.

Vem ainda a talhe lembrar que na criação do Sindicato Agrícola de Felgueiras, em Varziela, tal organização associativa ficou sediada na Casa do Bom Repouso (daí essa mansão ter sido conhecida por Casa do Sindicato), até que mais tarde teve transferência para a então vila de Felgueiras. Bem como, situando no tempo, o Conselheiro Dr. António Barbosa Mendonça, senhor da Casa de Rande, na freguesia do mesmo nome, às portas da então povoação da Longra, era o Presidente da Câmara Municipal de Felgueiras no tempo dos inícios dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras.


Armando Pinto

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segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Conselheiro Dr. António Mendonça (1858-1932) – benemérito-doador do terreno da Casa do Povo da Longra

 

Entre fotografias históricas das Casas do Povo, em tempos houve costume de colocação de quadros com fotos emolduradas de figuras de relevo com ligação a essas instituições, como foi costume durante o Estado Novo. Além das dos governantes máximos do tempo, os sucessivos Presidentes da República da era de tais organismos, ao tempo chamados Chefe de Governo (primeiro Óscar Carmona, depois Craveiro Lopes, seguindo-se Américo Tomás), mais o 1º Ministro, ao tempo chamado Presidente do Conselho (António Oliveira Salazar durante dezenas de anos e por fim Marcelo Caetano). Tendo, por exemplo na Casa do Povo da Longra, também havido um quadro com a fotografia do Governador Civil do Porto do tempo da inauguração das obras de ampliação do edifício. Além de haver um quadro com o então Administrador do Concelho, Antero Teixeira da Cunha, mais o Presidente da Câmara Municipal de Felgueiras, da época, Dr. José Leal de Faria.  

Vem à ideia este tema por ser merecedor duma homenagem do género o benemérito doador do terreno onde está implantado o edifício da Casa do Povo da Longra. Tendo sido o famoso Conselheiro de Rande, como era conhecido o Conselheiro Dr. António Mendonça, quem deu o terreno para a construção da sede da pioneira Associação Pó-Longra, fundada em 1928, à qual sucedeu em 1939 a Casa do Povo da Longra criada por Despacho Governamental, e que passou a usar a mesma casa, para a substituição de continuação verificada.

= Conselheiro de Rande, Dr. António de Barbosa Mendonça, em quadro na galeria dos retratos dos Beneméritos da Misericórdia do Unhão.

Ora, o Conselheiro de Rande, proprietário do solar e extensiva quinta da Casa de Rande, de nome mais alongado António Pedro de Barbosa Mendonça Pinto de Magalhães e Alpoim, nalguns documentos também referido por Conselheiro António Barbosa Mendonça, é conhecido por suas facetas políticas e culturais. Tendo sido chefe do Partido Regenerador em Felgueiras, bem como Presidente das Câmaras Municipais da sua região, primeiro do antigo concelho de Barrosas e depois do concelho de Felgueiras, bem como fundou o jornal Semana de Felgueiras e foi um dos fundadores do Sindicato Agrícola de Felgueiras. Mas também foi o doador do terreno da primeira cabine de corrente elétrica edificada na Longra, foi benemérito e "Protector não eclesiástico" da Misericóridia de Nossa Senhora do Rosário do Unhão (quando, por iniciativa de sua esposa, D. Carolina, foi edificada a capela da casa, onde funcionava o antigo hospital e depois convento, onde também mais tarde ele foi homenageado com seu nome na avenida de ligação ao mesmo casarão); bem como foi um dos impulsionadores do Comboio do Vale do Sousa, da "Linha Ferro-Viária de Penafiel à Lixa e Entre os Rios", que teve então estação também na Longra. E, no que vem aqui ao caso, também o Conselheiro Dr. António Mendonça foi o benemérito que doou o terreno onde está implantada a Casa do Povo da Longra.

Honra ao mérito !

Armando Pinto

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sábado, 25 de novembro de 2023

Foto com História: Padre João Ferreira da Silva num grupo de visitantes a D. António Ferreira Gomes (à terra de seu exílio)... em 1962.

 

A foto desta vez em apreço, a merecer atenção particular, reporta à época de exílio político do então titular Bispo Diocesano do Porto, D. António Ferreira Gomes, durante seu afastamento politicamente forçado no estrangeiro. Captando um grupo de padres da diocese do Porto em visita a seu Prelado, então em Espanha. Entre os quais esteve presente o Padre João Ferreira da Silva, pároco de Rande e Sernande nesse tempo e que assim está também na foto como se vê na imagem, dos sacerdotes rodeando o seu admirado Bispo, em pose de conjunto e recordação.

Essa foto consta no livro Fotobiográfico “Dom António Ferreira Gomes (1906-1989) BISPO DO PORTO AO SERVIÇO DA LIBERDADE-Fotobiografia e testemunhos”. Sendo o “Padre João de Rande” (como era mais conhecido por habitar na Residência Paroquial de S. Tiago de Rande), o primeiro do lado esquerdo dessa gravura.

D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto desde 1952, estava então já desde 1959 fora da sua diocese e do país, por ditames do ditador Salazar, numa situação que se manteve até 1969, apenas alterada com a substituição de Salazar por Marcelo Caetano no Governo da Nação, nesse período do chamado Estado Novo. Sendo a fotografia do ano de 1962, em Valência-Espanha.

Ora o Padre João Ferreira da Silva, natural do Unhão e desde 1944 pároco de Rande e Sernande, em Felgueiras (onde faleceu em 1973), havia sido colega de Seminário de António Ferreira Gomes, embora não do mesmo curso (ano) mas de frequência interna, vivendo e convivendo juntos como colegas (seminaristas, nas mesmas casas dos colégios diocesanos de regime interno seráfico). Bem como o felgueirense natural de Rande Padre Luís de Sousa Rodrigues. Ambos ordenados padres dois anos depois da ordenação presbiterial de António Ferreira Gomes, mas tendo colegas comuns nos cursos de Filosofia e Teologia, também. Como foram também colegas de Curso Teológico os felgueirenses Artur Teixeira da Fonseca e Inácio da Cunha Machado, naturais de Caramos e Macieira da Lixa, respetivamente. Enquanto, mais tarde o depois reitor da igreja da Lapa, no Porto, Padre Luís  Rodrigues, pertenceu a grupos de sacerdotes que apoiaram o mesmo amigo Bispo do Porto D. António Ferreira Gomes, durante essa sua ausência forçada da diocese. A situação mexia com a sensibilidade de quem admirava o famoso Bispo do Porto. A ponto de esses mesmos e mais outros padres terem formado uma comissão que ofereceu ao seu Prelado um carro para uso próprio na terra do exílio. 

Isso... Numa relação que teve ainda ligação à visita (agora aqui recordada) que alguns desses sacerdotes, incluindo o Padre João Ferreira da Silva, também fizeram ao exilado Bispo do Porto, indo em comitiva de padres da diocese portucalense que se deslocaram a Espanha para estar com o seu Bispo. Fazendo-lhe essa visita de cortesia e amizade em Valência, onde D. António se encontrava.


A foto no livro não está legendada, apenas inserida num conjunto de gravuras referentes ao período de "Actividade pastoral de D. António em Valência» e «D. António no exílio, 1962». Mas reconhece-se bem a fisionomia do Padre João, que bem conhecemos (ou não tivesse sido o pároco que batizou e fez as cerimónias das primeira e solene comunhões aqui do autor destas linhas). Além de na época ele ter referido o facto de haver ido a Espanha, com alguns amigos (sem contudo pormenorizar mais, sabendo-se como ao tempo era perigoso abordar assuntos de política...), numa das suas apreciadas homilias, em cujo ofício ele era um eloquente orador.   

Armando Pinto
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