Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

125.º Aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras

  

24 de Novembro de 1898 – 24 de novembro de 2023 = 125 anos de vida!

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras completa 125 anos de existência e de serviço público.


Parabenizando toda a Corporação e em agradecimento a todos os Bombeiros e seus Dirigentes que ao longo dos anos deram vida a esta instituição tão importante e necessária na vida coletiva, recordamos algo de sua memória integrante da nossa memória coletiva.


A 24 de novembro de 1898, após trâmites que passaram por recusas e correções várias, o Governador Civil do Porto aprovou os estatutos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras. Tendo então passado a respetiva certidão, com carimbo e selos devidos. Ficando exarado nos Estatutos aprovados os seus nobres intuitos: “Esta associação tem por fim socorrer os habitantes do concelho de Felgueiras nos casos d’incendio ou de outras calamidades.”

Assinalando mais este aniversário, saúda-se a instituição, por meio de lembranças históricas (constantes do arquivo pessoal do autor): lembrando por imagens digitalizadas a original publicação dos correspondentes Estatutos e Regulamento, através da respetiva capa, e do interior também algumas páginas, sensivelmente do meio e final, com um comprovativo de uma cota; mais algumas imagens fotográficas do desfile do seu centenário, em 1998.


São pois também históricas as captações fotográficas do cortejo hostórico realizado aquando do Centenário, como se evoca através da junção de  imagens elucidativas.


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Agora, chegado este ano de 2023, assinala-se mais este aniversário dos Bombeiros de Felgueiras. 

Ora nesta anuidade, há que recordar algo de seu passado, entre imagens históricas, contando visual do antigo quartel, na sua fisionomia original (como existiu ao lado da antiga Escola Primária Conde Ferreira, depois demolida).

Quartel primeiro que teve "solene inauguração do lançamento da soleira da porta principal" a 6 de maio de ml e novencentos. E em 1902 começaram as obras de sua edificação, após processos de escrituras e tudo o mais. Como se pode rever por imagem duma das páginas do livro dos 100 Anos dos BVF. 

Depois foi toda a sua evolução, passando pelo aumento do quartel para o lado... mais exemplos de ocorrências de registo.


Até aos dias de hoje com a grande ampliação ocorrida aquando do 121.º aniversário. 


Então, cerca de 50 anos volvidos da anterior ampliação do quartel antigo, ficou assim muito mais amplo e operacional o mesmo atual, desde as partes de serviço até instalações de apoio e outras, incluindo um valioso espaço museológico, com que agora está mais salvaguardada a memorização do esforço e tenacidade dos fundadores e seus continuadores.  

Dessa também histórica ocasião, ilustra-se a memória com algumas imagens correspondentes, dando para evocar até ilustres personagens locais entretanto já desaparecidos. 



Voltando à memorização antiga, os pioneiros serão sempre motivo de constante recordação, onde houver quem valorize a memória coletiva felgueirense. Sendo os Bombeiros de Felgueiras uma instituição carismática, que oficialmente foi reconhecida com a aprovação dos estatutos pelo Governo Civil, por «alvará passado a 24 de Novembro de 1898 (autenticado com carimbo devido e estampilha de dez réis), com Estatutos e Regulamento datados de 15 de Janeiro de 1899, publicados pela 1ª vez em 1904 - de cujo original, propriedade do autor desta obra histórico-monográfica, se reproduz a capa do folheto» (in livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras", publicado em 1997).


Nesta feição, acrescenta-se ainda, como ilustração através de imagens, além de visualizações do museu respetivo, também digitalizações de algumas páginas do folheto original dos Estatutos e Regulamento, que o autor destas linhas, como felgueirense e estudioso da história relativa a tudo o que é representativo do sentido amarelo-púrpura, se orgulha de possuir e guardar.


Junta-se ainda, como acrescento memorial, digitalizações de dois artigos do autor, publicados em 1998 no suplemento do jornal Semanário de Felgueiras sobre o Centenário dos Bombeiros de Felgueiras, à época em ciclo comemorativo, ainda.




Parabéns Bombeiros Voluntários de Felgueiras !



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No âmbito dos 125 anos da Corporação, entre diversas iniciativas, houve um simulacro de socorro a acidente, realizado na rotunda da Arrancada da Longra, ao início da chamada Variante de acesso à autoestrada e princípio da reta da Arrancada. Segundo a página dos próprios Bombeiros de Felgueiras:  «…sempre prontos para cumprir a nossa missão com altruísmo, profissionalismo e sempre com espírito de missão, partilhamos imagens de um simulacro, em acidente de viação, hoje (domingo dia 19 de novembro), na Vila da Longra.»

Armando Pinto


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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Felgueirenses salientes Além-Felgueiras…!

 

Porque felgueirismo é algo que mexe com a sensibilidade de quem gosta de tudo que respeite a Felgueiras, na unidade sentimental do concelho e extensivamente pelo valor dos felgueirenses, dá-se nota de registo de haveres relacionados. Tal o que se deparou por estes dias diante dos olhos, em diversas páginas informáticas de assuntos felgueirenses, Cujo texto se regista e expande, na partilha deste espaço. Com a devida vénia – embora sem indicação da procedência, visto ter tido publicação em vários locais da Internet.

« Sabia Que?

Sabiam que temos um atleta e um dirigente envolvido em equipas na Divisão de Elite - Pro-nacional sem qualquer derrota?

Jorge Peixoto é atualmente o Vice Presidente do Padroense Futebol Clube que disputa a AF Porto Divisão de Elite - Pro-nacional Série 1 e atualmente estão sem segundo lugar e em 12 jogos não tem qualquer derrota, tem 8 vitórias e 4 empates e ainda a melhor defesa do campeonato com 4 golos.

No Aliança Gandra a disputar a AF Porto Divisão de Elite - Pro-nacional Série 2 temos o avançado Miguel Costa Ribeiro mais conhecido por Migas que leva esta época 3 golos e uma assistência ao serviço do clube.


O Aliança Gandra encontra-se na liderança e em 12 jogos tem 11 vitórias e um empate, tem o melhor ataque com 27 golos marcados e a melhor defesa com apenas 8 golos sofridos.

Assim continuam os Felgueirenses a fazer a diferença por esse país fora.

Muitos Parabéns e resto de uma boa época.»

Nota do Autor do blogue: Apraz anotar isto, por quanto representa. Acrescendo conhecimento pessoal sobre o amigo sr. Jorge Peixoto, natural de Airães e durante tempos residente na Pedreira, de onde é oriunda sua família. Sendo filho do senhor Avelino Peixoto, pessoa muito conhecida em seu tempo e que foi um estimado operário da Metalúrgica da Longra, além de muito amigo de meu pai e de nossa família. Sendo atualmente o sr. Jorge Peixoto residente na área do Grande Porto, no concelho de Matosinhos. Enquanto em Felgueiras vivem diversos seus irmãos, bem conhecidos do meio felgueirense.

Armando Pinto

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quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Recordando”: “Matança” tradicional (do porco) – na lembrança da recriação realizada pelo Rancho da Casa do Povo da Longra em 2004

Passado o tempo das vindimas e das seguintes desfolhadas, nos antigos trabalhos rurais dos costumes da região, chegava a vez da tradicional matança do porco caseiro. Entre usos e costumes regionais, hoje em dia ainda na lembrança popular. Algo que há anos teve uma recriação num evento realizado pelo Rancho Infantil e Juvenil da Casa do Povo da Longra, em 2004, com os elementos adultos a prestarem-se a essa feição revivalista. 

De cuja memorização se evoca o ocorrido, através de algumas fotos captadas pelo autor e que fizeram parte da respetiva crónica escrita e publicada no livro oficial do 9.º Festival de Folclore local, em 2005, com texto também do autor aqui deste blogue – cuja reportagem agora se recorda.

Armando Pinto

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sábado, 4 de novembro de 2023

Novembro... mês do livro apresentado em 1997 – o “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”– cujo título causou reações diversas!

Em Novembro de 1997 chegou ao público o livro que muita gente sabia estar em preparação, e até mesmo feito entretanto, mas por falta de apoios tardava a ser publicado. E então, quando surgiu diante dos olhos dos leitores, que o passaram a ter em mãos, chamou também a atenção pelo título, por desconhecimento de uma parte do público sobre o que significava Alfozes, termo mais comum a conhecedores de história local e mesmo nacional, como eram denominadas em tempos idos certas circunscrições administrativas antecessoras dos concelhos. Acontcendo então que o título ainda fez ser mais falado o caso. Tal como quando foi publicado esse livro, por certas invejas de quem não era capaz de fazer algo do género mas não gostou que alguém tivesse feito, houve também alguma campanha de certos políticos locais desse tempo, mas depois o livro até esgotou depressa, apesar de ter tido uma tiragem muito maior que a que é costume nos livros apresentados na região, e hoje muito mais gente gostaria de o ter, conforme se ouve e lê. 

Perfaz pois este mês já 26 anos que a 21 do mesmo mês onze do ano foi apresentado tal livro há muito esperado por muita gente, então publicado finalmente, o “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”! Apresentado publicamente em sessão solene realizada a 21 de novembro de 1997, então sexta-feira, nessa noite fria de outono mas muito quente de surpresas e emoções como aconteceu – na Casa do Povo da Longra, em sala muito bem composta, quer no espaço de baixo da plateia como em cima no chamado balcão, em que muito público marcou presença no salão de espetáculos, numa terna envolvência onde se viveu esse acontecimento.

Assim sendo, sabendo-se que a conta de 26 anos se completa este mês, assinala-se aqui no blogue “Longra Histórico-Literária” a ocorrência memoranda do que aconteceu em novembro de 1997.

Como mero exercício de memória, recorda-se tudo aquilo por meio de algumas imagens de arquivo pessoal, quer dum quadro (com moldura oferecida por um amigo a quem as siglas poveiras eram muito caras…), como por páginas do álbum pessoal, bem como por outros meios de objetos guardados .


Recorde-se que o livro, para o qual andei a pesquisar e fazer levantamento memorial durante uns largos anos e depois levei a escrever ainda mais alguns, além dos anos que esteve à espera de apoios para pagamento da edição, teve publicação por fim através de patrocínio do jornal Semanário de Felgueiras. No qual eu colaborava já desde dezembro de 1996 e ainda me mantenho como colaborador, em 2023. Sendo assim esse meu livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” patrocinado pelo Semanário de Felgueiras, graças ao Dr. Manuel Faria. Tendo sido algo raro e mesmo inédito, ao tempo, um jornal de Felgueiras ter patrocinado um livro (apenas tempos depois o mesmo SF patrocinou a capa de um livro de poesias e recentemente um outro livro de um antigo diretor). Sabendo-se que a gerência da Câmara Municipal de Felgueiras desse tempo, quando era Vereadora da Cultura a Dr.ª Fátima Felgueiras, ter andado anos a protelar um prometido patrocínio, acabando depois por se deitar de fora, como soe dizer-se.

O caso foi deveras interessante e mesmo importante, como volvidos anos a primeira década entretanto ultrapassada foi até assinalada no Semanário, como se recorda.

Muitos anos se passaram assim, e muita coisa se alterou com o decorrer do tempo. Hoje já não é notícia, ou como se diz agora quanto a mediatismo de ordem do dia, não é assunto viral na atualidade, não focando anseios de política, por exemplo, mas foi tema dos jornais à época publicados em Felgueiras, como se recorda por recortes das respetivas edições de 27 e 28 de novembro (do final da semana seguinte, ao lançamento do livro) daquele distante ano de 1997.



Armando Pinto

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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Efeméride: (relembrando) Início do grande voo da 1.ª Travessia Aérea Portugal-Índia, em 1930 - por um felgueirense. Viagem aérea reconhecida no estrangeiro e olvidada em Portugal do Estado Novo...

Eram 7 horas e 30 minutos do dia 1 de Novembro de 1930, quando um pequeno monomotor prateado,“Havilland Puss-Moth” com a palavra “Marão”, pintada no lado direito da fuselagem, e com a Cruz de Cristo estampada, descolou do campo de aviação da Amadora. O piloto, Tenente Francisco Sarmento Pimentel, e o navegador, Capitão Moreira Cardoso, não estavam em missão de rotina. Tinham um objetivo ambicioso, levar o pequeno avião até à Índia Portuguesa. Se a viagem tivesse êxito seria a primeira vez que asas portuguesas chegariam à distante Colónia.

Pelo meio muitas peripécias e dificuldades, com paragem forçada de oito dias por avaria mecânica, devido a uma peça que se partiu e teve de ser substituída, após dias de espera pelo seu envio.

No dia 18 de Novembro o “Marão” aterrou suavemente no aeródromo de Diu. No dia seguinte, foi a chegada triunfal a Goa. O objectivo fora cumprido. Pela primeira vez um avião português aterrava na antiga colónia portuguesa da Índia. 


Foi então a 1 de novembro, naquele distante ano de 1930, o início dessa longa travessia pioneira, de Francisco Sarmento Pimentel. Sendo normalmente nas publicações alusivas referido em primeiro lugar o seu acommpanhante, Capitão Manuel Moreira Cardoso, devido à patente muilitar da época, comparativamente com a do então Tenente Piloto-Aviador Francisco Sarmento Pimentel. 

O célebre felgueirense piloto-aviador pioneiro Francisco Sarmento Pimentel, ilustre Filho do concelho de Felgueiras, nascido em S. Tiago de Rande no ano de 1895 e falecido no Brasil em 1988.

Um acontecimento histórico, esse, da 1.ª Travessia Aérea de Portugal à Índia!

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Agora não é novidade nenhuma andar de avião, alcançando longas distâncias em escasso tempo. Mas noutros tempos, muito depois da barcarola do Padre Gusmão, de Da Vinci fazer projetos, Júlio Verne imaginar como seria e mesmo dos primeiros saltos dos irmãos Wright, até Santos Dumont ter planado significativos metros no ar, era uma aventura fazer andar aparelhos a imitar os pássaros, mais para ligações aéreas de um ponto ao outro da terra, como paulatinamente foi sendo alcançado.

Ora, nesse especto, as primeiras viagens aéreas e posteriores voos de longas travessias pioneiras ganharam significativo apreço, como tal, marcando época. Por assim dizer como certos acontecimentos imprimiram cunho próprio em cada um dos seus momentos, ao que lembram exemplos referenciais de modernidade evolutiva no automóvel pequeno, o carro mini surgido em 1959, sem esquecer a mini-saia a partir de 1967 e o micro-chip informático desde 1973.

Como na epopeia dos Descobrimentos marítimos de Quinhentos em que frágeis caravelas transportaram notícias até então desconhecidas do outro lado dos oceanos, pese as distâncias do tempo e espaço, também o ar foi conquistado heroicamente, muito depois naturalmente. O americano Read salientou-se desde logo, ainda não tinha terminado a segunda década do século XX. Poucos anos volvidos, os Portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922, atravessaram pelo ar a distância de Portugal ao Brasil, através de etapas em que empregaram três aparelhos. Seguiram-se algumas outras experiências no decurso de alguns anos mais, com destaque para o “Raid” a Paris do também americano Lindbergh, em 1927, cobrindo rota de 5.800 quilómetros. Alguns portugueses, como Brito Pais, Sarmento de Beires, etc. tiveram também coragem para arriscados rumos, na mesma linha. Até que um Felgueirense, num só avião, realizou uma grande ligação – Francisco Sarmento Pimentel que, em 1930, efetuou a primeira travessia aérea de Portugal à Índia então Portuguesa, distância recordista de mais de 11.800 quilómetros que lhe valeu reconhecimento com trofeu da Liga Internacional dos Aviadores.

= Francisco Sarmento Pimentel =

Passaram todos estes anos desde que isso aconteceu, tendo a mesma travessia aérea sido iniciada a 1 de Novembro e durado dez dias úteis até alcançar espaço aéreo do Estado Português da Índia, com onze de tempo real à última etapa (fora alguns de espera até ter sido possível substituição de peça que se partira), havendo chegado à Índia Portuguesa, fazendo escala em Diu, no dia 18 do mesmo mês; embora a conclusão do itinerário tenha sido, depois, com aterragem em Goa no seguinte dia 19. Escusamos de refazer descrição do roteiro de viagem, com suas curiosidades, aflições como da tempestade surgida quase logo no início, muitas outras peripécias, dos sulcos rasgados no ar pelas asas à força de hélice forrada a tela, contratempo de avaria mecânica surgida, a penosa duração das horas levadas a sobrevoar o deserto da Síria, enfim, até ao campo de aviação de Murmugão onde pousou por fim o “Marão” pilotado pelo então Tenente Sarmento Pimentel, acompanhado na navegação pelo seu amigo Capitão Moreira Cardoso, naquele pequeno avião que Francisco Sarmento Pimentel adquirira a expensas próprias. Acontecimento, que na época mereceu as atenções concelhias, segundo os relatos de imprensa desse tempo, então denominado Raid Aéreo Lisboa-Diu-Goa, mas concretizado mais precisamente desde a Base Aérea Militar da Amadora até ao Indostão Lusitano. Viagem pioneira cuja autoria recebeu efusivas comemorações conterrâneas e inclusive homenagens municipais, incluindo colocação de uma lápide alusiva na casa onde nasceu, além naturalmente do reconhecimento a nível nacional e internacional, com atribuição da Placa Internacional dos Aviadores.

Tudo isso e muito mais, incluindo referências da imprensa nacional e estrangeira, já registamos inserido entre o material dedicado ao “Raid” da Amadora a Goa e seu autor no “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”. Mas, pela importância que tem para o orgulho Felgueirense, não se pode deixar passar despercebido o evento, nesta oportunidade mais.

São do conhecimento público os motivos políticos que fizeram com que a façanha daquele Felgueirense fosse menosprezada na época e propositadamente olvidada anos a fio. Apesar da repercussão havida, ao ponto de, entre sintomáticas manifestações, o então Ministro português titular da Pasta dGguerra ter recebido do seu congénere de França um telegrama de felicitações, em nome pessoal e no da aviação francesa, pelo bom êxito da viagem aérea até à Índia... e a Liga Internacional dos Aviadores se ter apressado a distinguir o autor da travessia com alusivo galardão. Agora, o que não se entende é como, passados tantos anos e mudada a situação política há muito, reconhecido de permeio o então Coronel Piloto-Aviador Pimentel (ainda em vida) mesmo com a Ordem da Liberdade, ainda não haja sido feita a devida reabilitação e, sobretudo, reconhecida como deve ser, a nível nacional, tal façanha, cuja autoria, inclusive, naqueles alvores da década de trinta, apesar de tudo valeu condecorações, entre as quais as insígnias da Ordem de Avis e da Ordem Militar da Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito!

Devido à ideologia política, Francisco Sarmento Pimentel, viu-se posteriormente forçado a ausentar-se do país por via de exílio político. Tendo o seu feito ficado quase que ignorado pelo regime do Estado Novo, apesar das manifestações de apreço recebidas de governos estrangeiros. Em vista da censura vigente, tal façanha esteve simplesmente riscada durante longo tempo dos compêndios ditos historiadores e volumes enciclopédicos. Mesmo ao nível de Felgueiras o facto pairou quase olvidado e manteve em sua aura uma penumbra ditada por espécie de amnésia oficial de conveniência, cujos efeitos se prolongaram muito para lá da ausência da democracia.

Felizmente que em tempos recentes começou a ser reparada a memória desse vulto de audaz patriota, como se nota, por exemplo, em seu nome já fazer parte de importante colecção como a “História de Portugal-Dicionário de Personalidades”, volume XVIII, da Quidnovi, ed. 2004. E em Rande-Felgueiras foi comemorado o seu 1º centenário natalício, em 1995, através de programa conseguido por uma comissão que o autor destas linhas pôde congregar, iniciado com uma missa na igreja paroquial, deposição de um ramo de flores junto à lápide colocada em sua casa, mais um voo simbólico de uma avioneta sobre a região, mais um cortejo de recreação revivalista dos tempos da mala-posta (desde o Largo da Longra até à Casa do Povo) e abertura de uma Mostra Filatélica e Exposição Museológico-postal que, durante uma semana cultural, decorreu na Casa do Povo da Longra. Bem como, anos volvidos, teve sobre ele uma exposição patente na Biblioteca Municipal de Felgueiras, em Maio de 2021, no mês do 126.º aniversário de seu nasciemnto. 

Francisco Ferreira Sarmento de Morais Pimentel, que viveu de 1895 a 1988, teve um percurso intensamente marcante, desde o berço natal no concelho de Felgueiras, onde nasceu na Casa da Torre, da freguesia de Rande, passando pelas diversas etapas distribuídas por variados pontos nevrálgicos da História da Grei. Até ter sido obrigado a sair do país e se radicar em São Paulo, no Brasil, onde construiu uma situação respeitável a prestigiar seu currículo. Consta da sua Folha de Serviço à Pátria a sua importante participação no movimento que derrotou a Monarquia do Norte, restaurando a República, em 1919, além da iniciativa e materialização da pioneira Travessia Aérea de 1930 que ligou Portugal à então Índia Portuguesa, o que por junto lhe valeu, entre outras distinções, haver sido agraciado com a Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, colar do grau de oficial com insígnia; Medalha de Comportamento Exemplar, grau fita-prata; Medalha de Bons Serviços, grau fita-prata com palma; Ordem Militar de Avis, com fita; e a Ordem da Liberdade, com insígnia-grau de grande oficial. De Felgueiras recebeu honra de figurar, ainda em vida, na toponímia da então vila e hoje cidade de Felgueiras, a par com colocação pela Câmara Municipal de uma lápide na casa onde nasceu, tendo muito mais tarde recebido, por solicitação vincada num órgão de imprensa concelhia, a oferta de uma medalha de Felgueiras numa das suas visitas de romagem à terra-mãe, antes de falecer. Para a posteridade, seu espólio memorial integra o acervo do Museu do Ar, em Alverca, na Ala dos Pioneiros.

= Vislumbre alusivo, em visita do Museu do Ar, com o autor deste trabalho junto à vitrine do seu heróico conterrâneo Aviador Francisco Sarmento Pimentel =

Longo voo o seu, a que tem correspondido curto reconhecimento, estranhamente quase nada celebrado para o destaque atingido, merecedor contudo do justo alcance. E se de mais não servir esta honra, para Portugal e Felgueiras, ao menos fica a consolação de que é sempre bom ter-se recordações...

Em extensão temporal, a justificar a valorização perene, Felgueiras decidiu-se finalmente a homenagear o seu famoso aviador. Então, mediante ideia de construção de um aeródromo, houve seguimento de antiga aspiração do mesmo piloto aviador, embora na época ele tivesse tentado isso para o alto de Santana (conforme se pode notar na biografia que se dedicou a Francisco Pimentel no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras). Assim, em 2006, por decisão tomada pela Câmara Municipal em reunião de 8 de Agosto, foi aprovado por unanimidade o projeto “Visão Estratégica do Aeródromo”, no âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal de Felgueiras – sendo decidido atribuir o nome do pioneiro Felgueirense da aviação a essa estrutura a construir futuramente, o Aeródromo Francisco Sarmento Pimentel, planeado para ser situado no planalto dos Maragoutos, em Revinhade (num extremo do concelho de Felgueiras, de fronteira com Lousada).

Por ora, isto paira numa intenção ainda no papel… mas que, como outros projetos, quem sabe se terá alguma viabilidade… Tal como o regresso do comboio, falado nos últimos anos, já nos anos vintes do século XXI.

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A façanha aérea de Francisco Sarmento Pimentel, para se ver a sua importância social nesse tempo, constou entre as reportagens da Ilustração Portuguesa, famosa publicação que foi das mais importantes revistas portuguesas - publicada em Lisboa, semanalmente, e existente desde 1903 (em título recuperado pelo jornal O Seculo, de antiga publicação de cariz literário, apresentou fotografias de personalidades de vulto da cultura portuguesa e crónicas da vida nacional, constitui assim, sem dúvida, um dos mais relevantes acervos do quotidiano do primeiro quartel do século XX.

Pode comprovar-se o facto através de dois exemplos, extraídos de tão importante edição publicista:

= Ilustração Portuguesa, nº 118, de 16 de Novembro de 1930 

= Ilustração Portuguesa (“Christmas”), nº 120, 16 de Dezembro de 1930:

Em edição dedicada ao Natal, e com anúncio vitorioso do sucesso do Raide aéreo à Índia: "Os aviadores Cardoso e Pimentel voam no 'Marão' de Lisboa à Índia portuguesa empregando exclusivamente óleo Golden e gasolina Shell"… =


ARMANDO PINTO

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

(Mais) Uma Foto com história – tomada de posse do Professor Freitas como presidente da CMF em 1971

Abril de 1971 – Sessão da tomada de posse, no salão nobre do edifício dos Paços do Concelho, do professor Francisco José de Assis e Freitas como Presidente da Câmara Municipal de Felgueiras.  

Recorde-se que Francisco José de Assis e Freitas, na região mais conhecido simplesmente por Professor Freitas, foi professor na Escola Primária da Longra, pelos idos tempos de finais dos anos 40 e parte dos 50 do século XX, tendo ficado na memória coletiva pelo que contavam os jovens desse tempo que andaram na escola velha da Longra. Bem como mais tarde, já em parte da primeira metade da década dos anos 60, também lecionou cursos pós-laborais na Metalúrgica da Longra, dando aulas após o horário de trabalho aos operários, com vista a melhoria de instrução e possível aumento de grau de ensino.

À época (da foto, em 1971), o Professor Freitas, até aí vice-presidente da Câmara Municipal de Felgueiras, fora entretanto nomeado Presidente da CMF na Primavera desse ano, e tomou então posse no cargo, nesse ato documentado pela respetiva fotografia de captação da assistência presente na sala. Vendo-se ali também algumas caras conhecidas da região da Longra e de muitas terras de todo o concelho de Felgueiras.

Armando Pinto

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