Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Livro privado "50 ANOS DE NAMORO! – Primavera / Verão de 1973 a 2023"

 

Armando Pinto

 

  

50 ANOS DE NAMORO!

– Primavera / Verão de 1973 a 2023

 

 

 (foto)

 

 

= Edição particular do autor, em tiragem restrita de 20 exemplares, autenticados manualmente, primeiro para oferta de aniversário à namorada desde há 50 anos… e depois para distribuição a familiares. 

 

= 2023 =

 

 

À Linda, minha esposa,

Mãe de meus filhos e Avó de meus netos:

- Dedico e ofereço este livro, pelo teu 68.º aniversário natalício,

evocando o nosso início de namoro, passado meio século de quando há 50 anos tinhas completado 18 anos e ia começar a nossa história conjunta.

Armando

 

Era uma vez… Foi e é… uma história que deu vida a diversas boas histórias. Uma História em que, dessa e desta vez, foi e é personagem protagonista aqui o autor destas lembranças, e como tal também sou narrador, em género de memória personalizada, como parte ativa e co-autor da ação e caráter resultante.

História particular esta, que se recorda agora, em 2023, na passagem de 50 anos desde o começo correspondente. Porque nem só se refere ao respetivo início a sério, mas aos antecedentes à correspondência que possibilitou e facilitou o resultado que leva a isto estar a ser recordado, perante frutos de todo esse trajeto pessoal.

Exatamente. Vindo agora assim a ficar em letra de forma, a ser descrito na primeira pessoa, por passar por estes tempos a bela soma de cinquenta anos do que levou ao namoro que fica aqui lembrado. Na ocasião da comemoração do aniversário natalício deste ano da minha namorada desde há cinquenta anos (motivo desta escrita e sua publicação ser prenda de aniversário!), agora que de sua vida perfaz 68 anos, dos quais 50 já andei com ela, primeiro debaixo de olho e por fim mesmo ao lado dos olhos e de tudo mais, incluindo o coração.

 

~~~ ***** ~~~

Já passou meio século. Recuando a 1973, com a Primavera já florida e a juventude a fervilhar em 18 primaveras vividas, pessoalmente.

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Ao tempo, a então povoação da Longra para a parte de cima ia só até onde hoje está o Edifício Vila da Longra. Dali para a frente a estrada nacional era ainda beirada de matas de um lado e do outro, com a iluminação pública também circunscrita até ali, em postes de ferro (de bocados dos railes da antiga linha do comboio que passou no início do século XX pela região). Sendo assim o ambiente noturno deveras escuro como breu fora do centro da Longra. Bem como de dia se ia por lá acima sem ver casas, que não havia ainda por ali, nesse bocado de terreno entre o centro da Longra e arredores, por essa banda. Enquanto nesse mesmo lado, entre a Longra e Cimalhas, nesse mesmo troço de passagem, após a reta imediata e chegada à curva acima, na confluência hoje do ex-Café Juventude e edifício Mira Longra, havia a casa da Louceira com uma ramada de vides à frente e um quintal no flanco; como para o lado, também beirado de mata, era por um caminho estreito e de terra solta que se seguia para o sentido dos lugares da Piedade, Quintela e em direção à igreja de Sernande… E de seguida, acima, passada a curva da estrada nacional, havia então algumas casas, ainda que poucas, entre as quais a casa onde vivia a jovem que veio a ser também protagonista desta história. 

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As estradas nacionais por estes lados eram ainda então de leito algo reduzido, sendo mais estreita (que agora) a via de passagem dos carros e outros veículos, então em alcatrão velho, porque as bermas estavam em terra e cascalho solto, a ocupar as largas margens laterais, ficando a estrada propriamente dita com a parte melhor, embora com piso irregular e estalado, como era alcatroada numa mescla de alcatrão com seixos e pedrinhas à vista. Tal como se via e sentia, no caso em que se encontrava aquela estrada de ligação da Longra para cima, que vem ao caso. Sendo que nesse tempo as estradas eram de vez em quando compostas com piche de alcatrão, lançado por uma escura máquina em ferro, da qual saía borrifado esse líquido pegajoso, depois coberto por camadas de areia lançada a esmo, que se entranhava colando ao pavimento, para no fim ser tudo aquilo calcado com um cilindro grosso e pesado. Maquinetas essas que depois ficavam nalguma das bermas durante largo tempo, à espera de serem levadas para outros sítios a consertar pelos cantoneiros. Mesmo porque esse estado de situação à vista se manteve por mais anos adiante. A ponto que passados anos, numa imagem captada pela minha máquina fotográfica, uma dessas maquinetas pretas de ferro ficou registada à posteridade – e merecerá mais adiante também outra referência.

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Estava-se então ainda em 1973. Assim ainda antes do 25 de Abril, da revolta militar que no ano seguinte levou ao golpe de estado que alterou a sociedade portuguesa, a começar na política, coisa que nesses idos de 1973/74 pouca gente sabia e entendia. Um tempo em que pelas estradas da Longra passavam ainda poucos carros, além das camionetas de carreira e obviamente das bicicletas até então muito usuais, sendo nessa época muito raro o trânsito automóvel, de modo que se podia mesmo jogar à bola por ali, como tantas vezes acontecia. Aliás, nesse tempo, da transição de finais dos anos 60 e princípios dos 70, dos anos antecedentes ao 25 de Abril, é que passaram a aparecer mais veículos de transportes, começado que foi então mais pessoas a terem carros e motos, com o nível de vida social a melhorar.

Foi pois nesse tempo que começou nosso namoro. Em pleno verão. Mas antes começara, no princípio de tudo, ainda pela Primavera. Tinha eu ainda 18 anos de vida e ia nos 19, que completaria já depois de iniciado o namoro, portanto.

Isso assim porque, antes da “oficialização” do namoro, houve naturalmente primeiras vistas de atenção, etc. e tal. Com o processo antecedente, pessoal e intransmissível. 

A Longra era o centro urbano de região. E o Largo da Longra a zona histórica da localidade. Com o sítio de confluência das estradas (das direções de e para Felgueiras, Lousada e Caíde) a dar no chamado Largo, ao centro do qual havia o triângulo divisório, ao género de placa central de delimitar a parte rodoviária da área de estar, por assim dizer, onde costumavam estar as pessoas que por ali paravam e passavam tempos livres, incluindo uso social de conversação e poiso de diversos hábitos. Como por exemplo ali abancavam engraxas, ou seja rapazes com caixas de engraxar, sendo acotiado ali se engraxar os sapatos domingueiros e calçado de dias melhores. Cujo centro, naquele triângulo central bordejado por limites de fiadas de cimento pintado às tiras, era rematado ao meio por uma árvore de bom porte, o chamado pinheiro do Largo da Longra. Estando ao lado a Loja da Ramadinha, que fora da Se’ Marquinhas e naquele tempo estava já nas mãos do senhor Roberto, típica taberna com uma ramada na frente a cobrir um retiro meio empedrado lateral à estrada. E em frente, do outro lado, havia a casa que muito antes foi da antiga fábrica de Móveis de Ferro da Longra, da “fábrica velha” da MIT/Metalúrgica da Longra, antecessora da “fábrica nova” da Metalúrgica entretanto mudada para a reta da Arrancada. Edifício esse onde pelos inícios dessa década dos anos setenta estava instalada uma fabriqueta, a fábrica de calçado de Alexandre Sampaio, onde trabalhava também a sua filha Deolinda… e daí ficar tudo dito. Vendo-a quase todos os dias por ali, os olhos foram-se afeiçoando ao que viam.

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Os olhos da recordação reveem mentalmente esses tempos, quão permanece tudo na retina da memória. Bastando isso, aqui, porque teria de se pedir emprestadas muitas e boas palavras para conseguir descrever tão linda memória pessoal.

O certo é que foi sendo amassada dentro da cabeça a idealização, que tardou a passar do coração para a ação. Apesar de haver a ideia, mas durante tempos foi assim, sem andar decisivamente. Pois se nunca tínhamos sequer falado pessoalmente e apenas nos víamos. O círculo das amizades era então ainda muito circunscrito a quem conhecíamos melhor, com quem convivíamos anos a fio. Enquanto no Café da Longra era passado muito desse tempo.

Havia já então esse que era conhecido por Café do senhor Manel das Mobílias, embora mais gerido pela esposa, a Isaurinha. Estabelecimento que viera dar outro ar à povoação, pois até ali como ponto de encontro havia só o bar da Casa do Povo da Longra, como vinha desde há muitos anos. Apenas havia na terra e em diversas outras terras as típicas tabernas, popularmente conhecidas por lojas de vinhos e petiscos. Mas quanto a casas de café, então conhecidos por “senéque bares “ (de “snack-bar”), eram então coisa pouca e situados apenas em centros urbanos mais desenvoltos, por norma. Tanto assim que o Café Longra passou a ser sítio de convivência de muita gente da área e redondezas, pois entre Lousada e Felgueiras não havia outro, a não ser lá em cima na então vila os típicos Café Jardim do Albano, mais o Belém, o Popular e o Cari, além do efémero Staminé do Dr. Hermínio, e da Pastelaria Moderna, que aparecera pouco antes também e dera para começar em Felgueiras a ver-se mulheres irem ao café.

Ora o Café Longra, além de local de estar e conviver lá dentro, dava também para se estar fora, à porta ou junto à parede da frente a ver os andamentos e o mundo a andar, como tudo e toda a gente que por ali passava.

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Estava eu então no vai que vai ou não vai e espera a ver. Com algumas particularidades de permeio, que fazem parte das lembranças. Sabendo contudo bem quem queria ter para namorada.

Até que houve coragem pessoal e já que não havia oportunidade de falar pessoalmente, foi por carta. Que chegou ao destino, apesar de nesse tempo nem saber sequer o seu nome completo. Era ainda tempo de cartas de amor. Coisas simples e banais, mas muito amorosas. E as nossas ficaram bem no nosso íntimo. 

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Essas peripécias recordamo-las e temo-las connosco. Como a lembrança de que, afinal, resultou.

Passada a Primavera e entrado o Verão começou o namoro a sério. Marcado encontro para o fim da missa de domingo, naquela manhã de domingo de nossas vidas, começou por fim o namoro de falar pessoalmente, frente a frente. Realizando anseios e cumprindo nosso destino.

E cá andamos, com filhos e netos a abraçar-nos à vida. Agora já no Outono da nossa vida, mas com raízes profundas a toda essa vida vivida, da nossa história e das histórias nascidas e decorridas nas gerações sucessivas, até onde chega o que resulta de nosso namoro de há cinquenta anos, que aqui e agora pulsa na nossa memorização.  

~~~ ***** ~~~

Passados anos, já com o namoro transformado no casamento resultante, em 1977, após quatro anos de namoro, vieram os frutos – e que lindos rebentos brotados do enlace! Quão, neste andamento da narrativa, ultrapassando além da história do namoro para os anos seguintes, são os filhos. Do património amoroso alargado ao longo dos anos, dentro de nós a extravasar o que ficou dentro dos álbuns da família. E esses dois rebentos, vem a calhar lembrar, por sinal fotografados duma das vezes entre as sessões fotográficas paternas, já pelos anos da década de oitenta (quando também já tínhamos a nossa casa construída), a terem até ficado mesmo diante de cenário duma máquina de deitar alcatrão às estradas, das tais que testemunharam também os tempos iniciais do namoro.

Passados cinquenta anos, desse tal início, sabe bem recordar isso, ao reviver o que deste modo foi transposto a papel escrito. Tanto que, passados todos estes anos, já tantos, e com a vida entretanto passada, naturalmente com bons e menos bons momentos de diversa ordem, se tivesse que voltar atrás e na vida repetir tudo, voltava obviamente a querer e fazer tudo igual – pois era assim, como foi, que tive a minha família: nós os pais, mais os filhos e netos.

  (foto)

Como poetou Camões, pondo voz na boca do pastor Jacob, que esperando por sua amada não se importava de passar tudo mais outros tantos anos…: «– Mais servira, se não fora para tão longo amor tão curta a vida!»

Tal qual quando eu gosto de algo é mesmo a valer, quão mais ainda do que abraço nos melhores momentos da minha vida. Como eu gosto do que é meu.

Ora, andando pela vida adiante, ficamos a acariciar tudo o que está percorrido e consubstanciado no quadro da família.

 

Abril de 2023 - Armando Pinto


Viagem no tempo em imagens:

  (fotos - sequência /galeria)

  

Bibliografia DO AUTOR

Obras publicadas:

- Livro (volume monográfico) «Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras»; publicado em Novembro de 1997. Edição patrocinada pelo Semanário de Felgueiras.

- Livro «Associação Casa do Povo da Longra – 60 Anos ao Serviço do Povo» (alusivo ao respetivo sexagenário, contendo a História da instituição – Abril de 1999).

- Livro (de contos realistas) «Sorrisos de Pensamento» – Colectânea de Lembranças Dispersas; publicado em Outubro de 2001. Edição do autor.

- Livro (alusivo da) «Elevação da Longra a Vila» - Julho de 2003. Edição do autor.

- Livro (cronista do) «Monumento do Nicho Nas Mais-Valias de Rande» – Dezembro de 2003 (oferecido à Comissão Fabriqueira paroquial, destinando receita a reverter para obras na igreja). Edição do autor.

- Livro «Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa» – Na passagem de 25 anos de seu falecimento; publicado em Novembro de 2004. Edição do autor.

- Livro «S. Jorge de Várzea-História e Devoção», publicado em Abril de 2006. Edição da Paróquia de Várzea.

- Livro «Futebol de Felgueiras – Nas Fintas do Tempo» (sobre Relance Histórico do F. C. Felgueiras e Panorâmica Memorial do Futebol Concelhio, mais Primeiros Passos e Êxitos do Clube Académico de Felgueiras) – pub. Setembro de 2007. Edição do autor.

- Livro “Destino de Menino” – dedicado ao 1º neto – Dezembro de 2012, em edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.

- Livro “Luís Gonçalves: Amanuense – Engenheiro da Casa das Torres”, patrocinado pela fábrica IMO da Longra – biografia de homenagem ao Arquiteto do palacete das Torres, de Felgueiras – Janeiro de 2014.

- Livro “História de Coração” – dedicado ao 2º neto – Novembro de 2015, em edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.

- Livro “Torrente Escrita – em Contagem Pessoal”, ao género autobiográfico – Dezembro de 2016 – edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente (apenas para partilha familiar).

- Livro “História dum Brinquedo que não se pode estragar”, dedicado ao 3º neto – em Fevereiro de 2019, edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.

- Livro “Luís de Sousa Gonçalves O SENHOR SOUSA DA IMO” – Patrocinado pelo IESF-Instituto de Estudos Superiores de Fafe – biografia de homenagem ao fundador da Fábrica IMO da Longra – Novembro de 2019.

- Livro “Ciclistas de Felgueiras” – sobre os homens do ciclismo português naturais de Felgueiras que andaram na Volta a Portugal e provas importantes – publicado pela editora Bubock Publishing S.L. Janeiro de 2020.

- Livro “Um tal Covid na história familiar… num sorriso de vida”, dedicado ao 4.º neto, em Dezembro de 2022, edição restrita do autor, numerada e autenticada pessoalmente.

- (E este) Livro “50 ANOS DE NAMORO! – Primavera / Verão de 1973 a 2023”, dedicado à esposa.

 (Além da autoria de livros oficiais alusivos a realizações de eventos locais, entretanto também publicados.)

= 27 de abril de 2023

AP

quarta-feira, 10 de maio de 2023

De vez em quando... Temas - entre coleções de temática felgueirense !

- Um aspeto e um caso, simplesmente. Num relance por temas de coleções de material relacionado com Felgueiras, de suas potencialidades e particularidades. Sem necessidade de explicações, porque a imagem é expressiva.


Armando Pinto

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terça-feira, 9 de maio de 2023

Terna lembrança... a propósito das promessas de idas a Fátima e extensivo sortilégio devocional - num dos Contos do livro "Sorrisos de Pensamento"!

 

Maio é mês reluzente no ambiente e no sentimento, incluindo a fé das caminhadas rumo a Fátima. Sendo agora algo comum aos inícios do mês, quão mesmo desde há já uns bons anos, o facto de se “ir a Fátima a pé”, em peregrinações caminhantes deveras tradicionais. Isso sob cenário ambiental e intimidade de preces, promessas e votos de silêncio. Num fenómeno cuja origem leva milhares de peregrinos a caminhar até Fátima.

As idas a Fátima são já tradicionais desde longos anos, mas em tempos idos eram mais e simplesmente de autocarro, nas tradicionais excursões em camionetas de passageiros. Incluindo mesmo então também votos de silêncio, por vezes. Vindo assim à lembrança um caso especial que ficou narrado num dos contos do livro “Sorrisos de Pensamento”, publicado em 2001 (e entretanto de imediato esgotado). Reportando a um caso terno, ocorrido a meio dos anos 60. De cuja memória ficou pura e suave recordação. Como se pode recordar deitando olhos, entre as 88 páginas do singelo livro, a esse episódio narrado das páginas 22 à 27 do referido volume, escrito pelo autor deste blogue. 

Eis então imagens dessas páginas, em digitalizações do livro  contando que apesar de aqui aparecerem enviesadas, pelas condicionantes da digitalização (sem forçar a posição, para não estragar o original impresso)... no livro está tudo direitinho, nos conformes.


Armando Pinto

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segunda-feira, 8 de maio de 2023

91 Anos do Futebol Clube de Felgueiras (1932-2023)

91 Anos do Futebol Clube de Felgueiras

Criado em 1932, inicialmente como Santa Quitéria F. C.  em Maio, e a partir de Outubro desse mesmo ano passando a ter o nome histórico de FC Felgueiras, conforme ficou lavrado em ata da Assembleia dos sócios, é agora comemorado oficialmente o aniversário do clube no mês de Maio – na junção de ter sido também a 8 de maio de 2006 a oficialização do CAF que deu continuidade ao antigo clube, antecedendo a atual denominação de FC Felgueiras 1932 e extensivo FC Felgueiras SAD.

Evocando o facto comemorativo, junta-se imagem da primeira equipa do “Felgueiras” de 1932, conforme está registado no livro “Futebol de Felgueiras – Nas Fintas do Tempo (1932-2007)”. 

E extensivamente faz-se um périplo visual por imagens de factos memoráveis da vida do FC Felgueiras, através de imagens de poses de equipas também históricas. Algumas das quais que não integraram o livro da história do futebol de Felgueiras (então para não alongar a obra, de modo a encurtar os custos, como edição de autor que foi, por iniciativa particular). 

Desta feita relembra-se assim equipas históricas, desde a primeira equipa, de 1932 (conforme está historiado no livro), passando pela da primeira subida de Divisão, em 1964/1965, mais a do primeiro título, quando o FC Felgueiras foi Campeão Distrital da 2.ª Divisão da AF Porto, em 1965/66, passando pelas seguintes subidas de Divisões, até à chegada aos Nacionais.

Armando Pinto

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domingo, 7 de maio de 2023

Dia da Mãe - em maio

 

1º Domingo de maio – Dia da Mãe: - Mais um dia dos dias de sempre lembrar minha Mãe !!!

Embora o dia da Mãe que mais baila na memória seja o antigo e mais tradicional de dezembro, como ocorria em tempos idos a 8 de dezembro, agora e depois que houve a alteração oficial é em maio que calha e, como tal, vem a talhe evocar. 

Assim sendo é tempo de lembrar nossa Mãe, também no atual Dia da Mãe, como é agora no primeiro domingo de maio, do Mês de Maria.

Algo que lembra neste dia, o Dia da Mãe. Restando recordar tudo o que nos liga a nossa Mãe e, fechando os olhos da visão real e abrindo os dos sentimentos, estreitarmos todo o ardor dessa afeição.

Com o pensamento no infinito e rebobinando imagens da retina da recordação, a lembrança assim mais nos estreita. E já que mais não é possível, isso basta assim, agora, sem necessidade de palavras ditas mas afirmações sentidas. Pois todos gostamos muito de nossa Mãe. E eu muito, muitíssimo, da minha!

Armando Pinto

sábado, 6 de maio de 2023

Feira de Maio de Felgueiras desde 1901 e memória de diversos parâmetros desse tradicional certame felgueirense

 


Entrado no calendário o mês mais primaveril, por excelência, no encanto da germinação e floração da natureza, aí está mais uma festiva Feira de Maio como é tradição anual em Felgueiras, vinda de há mais de um século, há cento e vinte e tal anos, mais exatamente desde 1901. Cuja realização este ano ocorre no presente fim de semana, desde sexta dia 5, até segunda-feira 8 de Maio.

Na inerência de tudo o que lhe está associado e por quanto significa esta ocorrência concelhia, procuramos dar mais ênfase à mesma festividade, recordando desta vez um artigo jornalístico publicado no jornal Semanário de Felgueiras em 2014, na sequência e complementação de anteriores crónicas sobre o mesmo tema. E extensivamente, além dessa crónica publicada no jornal em que o autor é colaborador desde 1996, se transporta um diferente tema sobre outra vertente histórica da mesma "Feira de Maio" de Felgueiras, puxando memórias de edições antigas. Nesse caso através dum texto já publicado neste blogue e que nesta oportunidade do momento se evoca, reportando ao Circuito de Felgueiras que nos inícios dos anos 50 fez parte do calendário do ciclismo nacional, integrando o cartaz das festas do "Maio de Felgueiras".

Nesse âmbito, recorde-se como enquadramento inicial o artigo publicado no SF a  2 de Maio de 2014:

                                  
Do mesmo texto, para facilitar a leitura, eis a versão escrita original, e de seguida o tema de acréscimo, também :

Secular Feira de Maio

Transmitia em 1901 o jornal Semana de Felgueiras a realização duma interessante feira, criada na sequência de atividades associativas do setor agrícola, de que resultara anteriormente a criação de um sindicato e o surgimento do próprio jornal Semana, como porta-voz informativo dos interesses dessa área extensiva à vida local. Num intuito alastrado a procurar uma maior intensidade dos laços de união histórica.

Com efeito, foi então criada essa mescla de feira festiva por deliberação camarária de Março de 1901, ao tempo também denominada por feira franca e de periodicidade anual, desde logo ficando assente, como era originalmente, que se devia realizar todos os anos no primeiro dia do mês de Maio. Sendo sugerida oficialmente por representantes do sindicato agrícola, teve apoio de comerciantes do concelho, os quais propuseram que a então feira anual de gado cavalar, com lugar a 28 de Junho dentro do programa das festas do concelho, passasse a ser uma realização independente e com fins de mais vasto alcance: pois, além das trocas e vendas de todas as espécies de gado, passou a incluir a generalidade das ofertas constantes do mercado normal de produtos, com laivos de festa e arraial por meio de concursos para o gado em exposição, mais atribuição de prémios para os melhores cavalos, melhor junta de bois e melhor touro. Ao que em anos seguintes foram acrescidas outras valências, como em 1902 foi inserido no cartaz um aliciante popular através dum despique de cantigas ao desafio, sendo instituído um prémio para o melhor par de cantores repentistas da feira. Enquanto, desde esses primeiros tempos, era presença tradicional a Banda do Aniceto a dar toque filarmónico, tão apreciada pelo povo que era a música de banda. E em caso como esse, já que a Feira de Maio depressa ganhou contornos de acontecimento anual; de tal forma que extravasou fama para lá do horizonte regional, chegando a fazer com que acorressem a Felgueiras nessa ocasião muitos feirantes de Trás-os-Montes e das Beiras, como deu conta uma reportagem inserta na revista Ilustração Portuguesa, publicação de grande impacto à época.

Passados esses tempos, manteve-se no decurso de longas décadas, na sede concelhia, essa assim ultra centenária e anual Feira de Maio, em Felgueiras. Com lugar no primeiro domingo e seguinte segunda-feira desse mês. «Importante feira» essa que, segundo registava a referida histórica revista “Ilustração Portugueza”, em sua edição de 2 de Junho de 1919, se realizava «no largo fronteiro» (ao antigo edifício da Câmara Municipal, depois casa do Tribunal). Transformada em certame de enraizado cunho expositor de gado, através de concursos pecuários de criadores agrícolas e competição alargada a corridas de cavalos, além de outros números de lazer. Sabendo-se, conforme referia o jornal Notícias de Felgueiras, anos mais tarde, que constava no rol um desfile etnográfico chamado Cortejo das Lavradeiras; tal como, em diversos anos, incluiu mesmo provas populares de ciclismo.

Realizavam-se essas festas de ano então ainda no centro da vila, ocupando área do campo da feira e depois outros espaços laterais das ruas, no mesmo centro. Presentemente o seu cunho tradicional tem-se diluído nas constantes mudanças de locais das realizações, indo para espaços vagos ou em obras e depois de estes ocupados para outros, sucessivamente durante anos, até que começou a ser colocada a Feira de Maio dentro da área aberta atrás da Cooperativa Agrícola, e ultimamente na urbanização das Portas da Cidade, enquanto o espaço entre os seus arruamentos tem estado vago, mais como parque de divertimentos anual, na atual cidade. Alternando nalguns anos com um programa abrangente em ideia de promoção da cultura e turismo do concelho, à mistura com animação, espaço de venda de produtos tradicionais, exposições e conferências, ao mesmo tempo que passou a ser apelidada de Feira das Tradições, com inclusão dum cortejo etnográfico e por vezes festivais folclóricos. Contudo a necessitar de reforço do carácter tradicional, esperando-se que ainda lhe seja destinado espaço próprio, um dia, para o efeito.

(© Armando Pinto)
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I e II Circuito de Felgueiras (prova de ciclismo nacional) no programa da Feira de Maio em 1950 e 1951

 

Felgueiras já teve em tempos idos uma prova oficial de ciclismo de categoria superior, corrida dentro do perímetro urbano da então vila cabeça do concelho, com a participação de ciclistas do principal escalão, ao tempo chamado de Independentes (mais tarde profissionais e de Elite), em representação das principais equipas portuguesas do Mondego para cima, como se dizia. Prova essa realizada no princípio da lustrosa década dos anos 50, então a fazer parte do programa da tradicional Feira de Maio, quando foi para a estrada em dois anos consecutivos, ao correr de 1950 e 1951, através de valoroso lote de participantes integrando pelotão de nomes famosos do ciclismo português desse tempo.

Ora, esta feira anual que desde 1901 se realiza no primeiro fim de semana de maio na sede do concelho de Felgueiras, por diversas vezes havia tido no seu programa «uma agradável corrida de bicicletas», como por exemplo ocorreu em 1919 e foi presença nos cartazes de outros anos, enquanto corrida de populares, vulgo Amadores. Sendo que então em 1950 e depois repetindo em 1951, foi já de caráter oficial e com ciclistas federados. Havendo sido organizado tal circuito nesses dois anos por grande empenho de um dos membros da Comissão de Festas, Adriano Castro, enquanto esteve na organização desses anos esse felgueirense grande entusiasta de desporto e com contactos desportivos na cidade do Porto. Sendo então a Comissão constituída por Adriano Sampaio e Castro, Daniel Moura, Albano da Costa e Sousa, Joaquim Teixeira Bica, José Alves Cunha Felgueiras e Fernando da Costa e Sousa. Tendo, com o Circuito de Ciclismo de Felgueiras a Feira de Maio, festa e feira franca de concursos pecuários e de divertimentos alargado horizontes, despertando assim muito mais atenção a longa distância e atraindo forasteiros de distantes paragens.

Acrescendo que na mesma realização, "com a colaboração da Associação de Ciclismo do Norte", estiveram em disputa de ambas as vezes a Taça Câmara Municipal de Felgueiras para o vencedor individual, e outra taça para a equipa vencedora da classificação coletiva.

Ora, em 1950 a Feira de Maio de Felgueiras calhou no fim de semana dos dias 6 e 7 de Maio. E em 1951 nos dias 5 e 6 desse mesmo mês das flores e dos amores. A que acorreram mais romeiros que noutros anos, perante o aliciante programa que, além do habitual concurso de expositores de gado, corrida de cavalos e cortejo etnográfico ("Cortejo das Lavradeiras com o carro  da Bicha de sete cabeças"), teve corridas de ciclismo de alto nível com o Circuito de Felgueiras, trazendo à então vila de Felgueiras e para atração popular os ídolos do ciclismo nortenho desse tempo.

Assim sendo, em 1950 no oficial I Circuito de Felgueiras, a 7 de maio, participaram as equipas do FC Porto, Salgueiros, Académico, Sangalhos e Centro Ciclista de Gaia.

Foi então grande o entusiasmo, da enorme mole humana apinhada nos passeios da vila, a vitoriar os corredores. Tendo vencido individualmente o ciclista Manolo Rodriguez, do Sangalhos e coletivamente o FC Porto. Após ter sido renhidamente disputado o sprint final, no epílogo das várias voltas ao percurso do circuito, com os ciclistas chegados em pelotão à meta, instalada na Avenida Magalhães Lemos, onde o Sangalhense foi seguido em 2º lugar por Onofre Tavares, em 3º Luciano Sá e em 4º Fernando Moreira de Sá, todos do FC Porto, resultando com essa classificação terem os mesmos pontuado para a vitória por equipas. Enquanto assim, com esse triunfo coletivo, o FC Porto conquistou aí a “Taça do I Circuito Ciclista de Felgueiras", de "Maio-1950". Como se pode comprovar por referência no Relatório Anual do FC Porto... 


 ... e por recorte do jornal Notícias de Felgueiras , edição seguinte de 11 de maio de 1950.

No ano seguinte, novamente voltou essa azáfama e entusiasmo a tornar a Festa do Maio de Felgueiras mais badalada. Com a segunda edição do Circuito. 

Então a 6 de maio de 1951 decorreu em Felgueiras, no âmbito da anual Feira de Maio, o II Circuito de Felgueiras. Prova de ciclismo pela segunda vez dentro do programa festivo dessa tradicional festividade concelhia da terra do Pão de Ló de Margaride, a seguir na roda da corrida que já tivera 1ª edição no ano anterior. Estando outra vez em disputa a Taça Câmara Municipal de Felgueiras para o vencedor individual, e outra taça para a equipa vencedora da classificação coletiva.

Ora, nessa prova que dava a volta ao concelho felgueirense, em diversas voltas, com saída e chegada à nesse tempo vila de Felgueiras, por entre alas do povo romeiro dessa festa de grande feira de ano, triunfou então em 1951 o ciclista Aniceto Bruno, do FC Porto. Enquanto na soma classificativa por equipas o FC Porto também venceu coletivamente, repetindo o triunfo por equipas obtido no ano anterior, também

Dessa feita, nos jornais de Felgueiras, embora tendo a festividade merecido registos, não foram mencionadas as classificações. Sabendo-se contudo os resultados mais salientes pelo que consta no relatório Anual do FC Porto. 

Com a dupla vitória em 1951 o FC Porto recebeu a “Taça Câmara Municipal de Felgueiras” do 2º Circuito de Felgueiras (6-5-951) – conforme consta do relatório anual do FC Porto de 1950-1951. No qual estão também registadas as classificações dos restantes ciclistas do FC Porto.

E assim Aniceto Bruno terminava em beleza sua longa carreira, pois desse modo no ano de sua despedida e ainda antes de pousar a bicicleta (que aconteceria após a Volta a Portugal), ele venceu esse 2º Circuito de Felgueiras, na ao tempo ainda vila de Felgueiras, em pleno Douro Litoral e interior do distrito do Porto, ficando marcado em seu percurso de ciclista a data de 6 de maio do ano de 1951.

 Equipa do FC Porto de Ciclismo de 1951, participante na XVIª Volta a Portugal em Bicicleta - da esquerda para a direita: Dias dos Santos, Fernando Moreira de Sá, Luciano Moreira de Sá, Amândio Cardoso, Joaquim Costa, Onofre Tavares, Amândio de Almeida, Aniceto Bruno e Joaquim Sá.

Nas páginas do referido relatório de Gerência do FCP estão também enumeradas as taças que ficaram na posse do clube nesse período, constando os trofeus do Circuito de Felgueiras. Como se pode ver pelos números 788 e 852 da lista respetiva. Além de se poder verificar como na época proliferavam os circuitos realizados por muitas terras do país.





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Nota: O conhecimento pessoal deste apontamento sobre o Circuito de Felgueiras, como está subentendido, foi e através da transmissão oral ouvida em tempos idos a pessoas mais velhas, e depois através de pesquisas em jornais antigos de Felgueiras, bem como seguidamente pelo referido Relatório de Gerência de FC Porto de 1950-51, que como tal registava as classificações relativas ao clube. Não constando todavia qualquer imagem fotográfica nos jornais de Felgueiras relativamente a esses I e II Circuito de Felgueiras.

Armando Pinto

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quarta-feira, 26 de abril de 2023

84.º Aniversário da Casa do Povo da Longra

Criada a 26 de abril de 1939, por Despacho Ministerial, a corresponder a aspiração manifestada in illo tempore por uma comissão de bairristas das Forças Vivas locais, a Casa do Povo da Longra perfaz agora 84 anos de existência. Sendo a mais antiga Casa do Povo do concelho de Felgueiras e originária do mais antigo Posto de Saúde que houve também no concelho de Felgueiras, continuado depois com o seguinte Posto Médico da Casa do Povo da Longra e posterior Centro de Saúde da Longra, até à atual Unidade de Saúde Familiar Lôngara Vida.

O percurso de tão histórica instituição, recordamos, está historiado no livro escrito aqui pelo autor deste blogue, também, feito e publicado aquando do 60.º aniversário da mesma Associação Casa do Povo da Longra, em 1999. Em cuja ocasião foi também cunhada uma medalha comemorativa e um carimbo. Recordações essas com que aqui e agora se ilustra esta menção, parabenizando a Casa do Povo da Longra em tão histórica longevidade, através de algumas páginas desse memorando.

Armando Pinto

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