Espaço de atividade literária pública e memória cronista

segunda-feira, 8 de maio de 2023

91 Anos do Futebol Clube de Felgueiras (1932-2023)

91 Anos do Futebol Clube de Felgueiras

Criado em 1932, inicialmente como Santa Quitéria F. C.  em Maio, e a partir de Outubro desse mesmo ano passando a ter o nome histórico de FC Felgueiras, conforme ficou lavrado em ata da Assembleia dos sócios, é agora comemorado oficialmente o aniversário do clube no mês de Maio – na junção de ter sido também a 8 de maio de 2006 a oficialização do CAF que deu continuidade ao antigo clube, antecedendo a atual denominação de FC Felgueiras 1932 e extensivo FC Felgueiras SAD.

Evocando o facto comemorativo, junta-se imagem da primeira equipa do “Felgueiras” de 1932, conforme está registado no livro “Futebol de Felgueiras – Nas Fintas do Tempo (1932-2007)”. 

E extensivamente faz-se um périplo visual por imagens de factos memoráveis da vida do FC Felgueiras, através de imagens de poses de equipas também históricas. Algumas das quais que não integraram o livro da história do futebol de Felgueiras (então para não alongar a obra, de modo a encurtar os custos, como edição de autor que foi, por iniciativa particular). 

Desta feita relembra-se assim equipas históricas, desde a primeira equipa, de 1932 (conforme está historiado no livro), passando pela da primeira subida de Divisão, em 1964/1965, mais a do primeiro título, quando o FC Felgueiras foi Campeão Distrital da 2.ª Divisão da AF Porto, em 1965/66, passando pelas seguintes subidas de Divisões, até à chegada aos Nacionais.

Armando Pinto

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domingo, 7 de maio de 2023

Dia da Mãe - em maio

 

1º Domingo de maio – Dia da Mãe: - Mais um dia dos dias de sempre lembrar minha Mãe !!!

Embora o dia da Mãe que mais baila na memória seja o antigo e mais tradicional de dezembro, como ocorria em tempos idos a 8 de dezembro, agora e depois que houve a alteração oficial é em maio que calha e, como tal, vem a talhe evocar. 

Assim sendo é tempo de lembrar nossa Mãe, também no atual Dia da Mãe, como é agora no primeiro domingo de maio, do Mês de Maria.

Algo que lembra neste dia, o Dia da Mãe. Restando recordar tudo o que nos liga a nossa Mãe e, fechando os olhos da visão real e abrindo os dos sentimentos, estreitarmos todo o ardor dessa afeição.

Com o pensamento no infinito e rebobinando imagens da retina da recordação, a lembrança assim mais nos estreita. E já que mais não é possível, isso basta assim, agora, sem necessidade de palavras ditas mas afirmações sentidas. Pois todos gostamos muito de nossa Mãe. E eu muito, muitíssimo, da minha!

Armando Pinto

sábado, 6 de maio de 2023

Feira de Maio de Felgueiras desde 1901 e memória de diversos parâmetros desse tradicional certame felgueirense

 


Entrado no calendário o mês mais primaveril, por excelência, no encanto da germinação e floração da natureza, aí está mais uma festiva Feira de Maio como é tradição anual em Felgueiras, vinda de há mais de um século, há cento e vinte e tal anos, mais exatamente desde 1901. Cuja realização este ano ocorre no presente fim de semana, desde sexta dia 5, até segunda-feira 8 de Maio.

Na inerência de tudo o que lhe está associado e por quanto significa esta ocorrência concelhia, procuramos dar mais ênfase à mesma festividade, recordando desta vez um artigo jornalístico publicado no jornal Semanário de Felgueiras em 2014, na sequência e complementação de anteriores crónicas sobre o mesmo tema. E extensivamente, além dessa crónica publicada no jornal em que o autor é colaborador desde 1996, se transporta um diferente tema sobre outra vertente histórica da mesma "Feira de Maio" de Felgueiras, puxando memórias de edições antigas. Nesse caso através dum texto já publicado neste blogue e que nesta oportunidade do momento se evoca, reportando ao Circuito de Felgueiras que nos inícios dos anos 50 fez parte do calendário do ciclismo nacional, integrando o cartaz das festas do "Maio de Felgueiras".

Nesse âmbito, recorde-se como enquadramento inicial o artigo publicado no SF a  2 de Maio de 2014:

                                  
Do mesmo texto, para facilitar a leitura, eis a versão escrita original, e de seguida o tema de acréscimo, também :

Secular Feira de Maio

Transmitia em 1901 o jornal Semana de Felgueiras a realização duma interessante feira, criada na sequência de atividades associativas do setor agrícola, de que resultara anteriormente a criação de um sindicato e o surgimento do próprio jornal Semana, como porta-voz informativo dos interesses dessa área extensiva à vida local. Num intuito alastrado a procurar uma maior intensidade dos laços de união histórica.

Com efeito, foi então criada essa mescla de feira festiva por deliberação camarária de Março de 1901, ao tempo também denominada por feira franca e de periodicidade anual, desde logo ficando assente, como era originalmente, que se devia realizar todos os anos no primeiro dia do mês de Maio. Sendo sugerida oficialmente por representantes do sindicato agrícola, teve apoio de comerciantes do concelho, os quais propuseram que a então feira anual de gado cavalar, com lugar a 28 de Junho dentro do programa das festas do concelho, passasse a ser uma realização independente e com fins de mais vasto alcance: pois, além das trocas e vendas de todas as espécies de gado, passou a incluir a generalidade das ofertas constantes do mercado normal de produtos, com laivos de festa e arraial por meio de concursos para o gado em exposição, mais atribuição de prémios para os melhores cavalos, melhor junta de bois e melhor touro. Ao que em anos seguintes foram acrescidas outras valências, como em 1902 foi inserido no cartaz um aliciante popular através dum despique de cantigas ao desafio, sendo instituído um prémio para o melhor par de cantores repentistas da feira. Enquanto, desde esses primeiros tempos, era presença tradicional a Banda do Aniceto a dar toque filarmónico, tão apreciada pelo povo que era a música de banda. E em caso como esse, já que a Feira de Maio depressa ganhou contornos de acontecimento anual; de tal forma que extravasou fama para lá do horizonte regional, chegando a fazer com que acorressem a Felgueiras nessa ocasião muitos feirantes de Trás-os-Montes e das Beiras, como deu conta uma reportagem inserta na revista Ilustração Portuguesa, publicação de grande impacto à época.

Passados esses tempos, manteve-se no decurso de longas décadas, na sede concelhia, essa assim ultra centenária e anual Feira de Maio, em Felgueiras. Com lugar no primeiro domingo e seguinte segunda-feira desse mês. «Importante feira» essa que, segundo registava a referida histórica revista “Ilustração Portugueza”, em sua edição de 2 de Junho de 1919, se realizava «no largo fronteiro» (ao antigo edifício da Câmara Municipal, depois casa do Tribunal). Transformada em certame de enraizado cunho expositor de gado, através de concursos pecuários de criadores agrícolas e competição alargada a corridas de cavalos, além de outros números de lazer. Sabendo-se, conforme referia o jornal Notícias de Felgueiras, anos mais tarde, que constava no rol um desfile etnográfico chamado Cortejo das Lavradeiras; tal como, em diversos anos, incluiu mesmo provas populares de ciclismo.

Realizavam-se essas festas de ano então ainda no centro da vila, ocupando área do campo da feira e depois outros espaços laterais das ruas, no mesmo centro. Presentemente o seu cunho tradicional tem-se diluído nas constantes mudanças de locais das realizações, indo para espaços vagos ou em obras e depois de estes ocupados para outros, sucessivamente durante anos, até que começou a ser colocada a Feira de Maio dentro da área aberta atrás da Cooperativa Agrícola, e ultimamente na urbanização das Portas da Cidade, enquanto o espaço entre os seus arruamentos tem estado vago, mais como parque de divertimentos anual, na atual cidade. Alternando nalguns anos com um programa abrangente em ideia de promoção da cultura e turismo do concelho, à mistura com animação, espaço de venda de produtos tradicionais, exposições e conferências, ao mesmo tempo que passou a ser apelidada de Feira das Tradições, com inclusão dum cortejo etnográfico e por vezes festivais folclóricos. Contudo a necessitar de reforço do carácter tradicional, esperando-se que ainda lhe seja destinado espaço próprio, um dia, para o efeito.

(© Armando Pinto)
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I e II Circuito de Felgueiras (prova de ciclismo nacional) no programa da Feira de Maio em 1950 e 1951

 

Felgueiras já teve em tempos idos uma prova oficial de ciclismo de categoria superior, corrida dentro do perímetro urbano da então vila cabeça do concelho, com a participação de ciclistas do principal escalão, ao tempo chamado de Independentes (mais tarde profissionais e de Elite), em representação das principais equipas portuguesas do Mondego para cima, como se dizia. Prova essa realizada no princípio da lustrosa década dos anos 50, então a fazer parte do programa da tradicional Feira de Maio, quando foi para a estrada em dois anos consecutivos, ao correr de 1950 e 1951, através de valoroso lote de participantes integrando pelotão de nomes famosos do ciclismo português desse tempo.

Ora, esta feira anual que desde 1901 se realiza no primeiro fim de semana de maio na sede do concelho de Felgueiras, por diversas vezes havia tido no seu programa «uma agradável corrida de bicicletas», como por exemplo ocorreu em 1919 e foi presença nos cartazes de outros anos, enquanto corrida de populares, vulgo Amadores. Sendo que então em 1950 e depois repetindo em 1951, foi já de caráter oficial e com ciclistas federados. Havendo sido organizado tal circuito nesses dois anos por grande empenho de um dos membros da Comissão de Festas, Adriano Castro, enquanto esteve na organização desses anos esse felgueirense grande entusiasta de desporto e com contactos desportivos na cidade do Porto. Sendo então a Comissão constituída por Adriano Sampaio e Castro, Daniel Moura, Albano da Costa e Sousa, Joaquim Teixeira Bica, José Alves Cunha Felgueiras e Fernando da Costa e Sousa. Tendo, com o Circuito de Ciclismo de Felgueiras a Feira de Maio, festa e feira franca de concursos pecuários e de divertimentos alargado horizontes, despertando assim muito mais atenção a longa distância e atraindo forasteiros de distantes paragens.

Acrescendo que na mesma realização, "com a colaboração da Associação de Ciclismo do Norte", estiveram em disputa de ambas as vezes a Taça Câmara Municipal de Felgueiras para o vencedor individual, e outra taça para a equipa vencedora da classificação coletiva.

Ora, em 1950 a Feira de Maio de Felgueiras calhou no fim de semana dos dias 6 e 7 de Maio. E em 1951 nos dias 5 e 6 desse mesmo mês das flores e dos amores. A que acorreram mais romeiros que noutros anos, perante o aliciante programa que, além do habitual concurso de expositores de gado, corrida de cavalos e cortejo etnográfico ("Cortejo das Lavradeiras com o carro  da Bicha de sete cabeças"), teve corridas de ciclismo de alto nível com o Circuito de Felgueiras, trazendo à então vila de Felgueiras e para atração popular os ídolos do ciclismo nortenho desse tempo.

Assim sendo, em 1950 no oficial I Circuito de Felgueiras, a 7 de maio, participaram as equipas do FC Porto, Salgueiros, Académico, Sangalhos e Centro Ciclista de Gaia.

Foi então grande o entusiasmo, da enorme mole humana apinhada nos passeios da vila, a vitoriar os corredores. Tendo vencido individualmente o ciclista Manolo Rodriguez, do Sangalhos e coletivamente o FC Porto. Após ter sido renhidamente disputado o sprint final, no epílogo das várias voltas ao percurso do circuito, com os ciclistas chegados em pelotão à meta, instalada na Avenida Magalhães Lemos, onde o Sangalhense foi seguido em 2º lugar por Onofre Tavares, em 3º Luciano Sá e em 4º Fernando Moreira de Sá, todos do FC Porto, resultando com essa classificação terem os mesmos pontuado para a vitória por equipas. Enquanto assim, com esse triunfo coletivo, o FC Porto conquistou aí a “Taça do I Circuito Ciclista de Felgueiras", de "Maio-1950". Como se pode comprovar por referência no Relatório Anual do FC Porto... 


 ... e por recorte do jornal Notícias de Felgueiras , edição seguinte de 11 de maio de 1950.

No ano seguinte, novamente voltou essa azáfama e entusiasmo a tornar a Festa do Maio de Felgueiras mais badalada. Com a segunda edição do Circuito. 

Então a 6 de maio de 1951 decorreu em Felgueiras, no âmbito da anual Feira de Maio, o II Circuito de Felgueiras. Prova de ciclismo pela segunda vez dentro do programa festivo dessa tradicional festividade concelhia da terra do Pão de Ló de Margaride, a seguir na roda da corrida que já tivera 1ª edição no ano anterior. Estando outra vez em disputa a Taça Câmara Municipal de Felgueiras para o vencedor individual, e outra taça para a equipa vencedora da classificação coletiva.

Ora, nessa prova que dava a volta ao concelho felgueirense, em diversas voltas, com saída e chegada à nesse tempo vila de Felgueiras, por entre alas do povo romeiro dessa festa de grande feira de ano, triunfou então em 1951 o ciclista Aniceto Bruno, do FC Porto. Enquanto na soma classificativa por equipas o FC Porto também venceu coletivamente, repetindo o triunfo por equipas obtido no ano anterior, também

Dessa feita, nos jornais de Felgueiras, embora tendo a festividade merecido registos, não foram mencionadas as classificações. Sabendo-se contudo os resultados mais salientes pelo que consta no relatório Anual do FC Porto. 

Com a dupla vitória em 1951 o FC Porto recebeu a “Taça Câmara Municipal de Felgueiras” do 2º Circuito de Felgueiras (6-5-951) – conforme consta do relatório anual do FC Porto de 1950-1951. No qual estão também registadas as classificações dos restantes ciclistas do FC Porto.

E assim Aniceto Bruno terminava em beleza sua longa carreira, pois desse modo no ano de sua despedida e ainda antes de pousar a bicicleta (que aconteceria após a Volta a Portugal), ele venceu esse 2º Circuito de Felgueiras, na ao tempo ainda vila de Felgueiras, em pleno Douro Litoral e interior do distrito do Porto, ficando marcado em seu percurso de ciclista a data de 6 de maio do ano de 1951.

 Equipa do FC Porto de Ciclismo de 1951, participante na XVIª Volta a Portugal em Bicicleta - da esquerda para a direita: Dias dos Santos, Fernando Moreira de Sá, Luciano Moreira de Sá, Amândio Cardoso, Joaquim Costa, Onofre Tavares, Amândio de Almeida, Aniceto Bruno e Joaquim Sá.

Nas páginas do referido relatório de Gerência do FCP estão também enumeradas as taças que ficaram na posse do clube nesse período, constando os trofeus do Circuito de Felgueiras. Como se pode ver pelos números 788 e 852 da lista respetiva. Além de se poder verificar como na época proliferavam os circuitos realizados por muitas terras do país.





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Nota: O conhecimento pessoal deste apontamento sobre o Circuito de Felgueiras, como está subentendido, foi e através da transmissão oral ouvida em tempos idos a pessoas mais velhas, e depois através de pesquisas em jornais antigos de Felgueiras, bem como seguidamente pelo referido Relatório de Gerência de FC Porto de 1950-51, que como tal registava as classificações relativas ao clube. Não constando todavia qualquer imagem fotográfica nos jornais de Felgueiras relativamente a esses I e II Circuito de Felgueiras.

Armando Pinto

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quarta-feira, 26 de abril de 2023

84.º Aniversário da Casa do Povo da Longra

Criada a 26 de abril de 1939, por Despacho Ministerial, a corresponder a aspiração manifestada in illo tempore por uma comissão de bairristas das Forças Vivas locais, a Casa do Povo da Longra perfaz agora 84 anos de existência. Sendo a mais antiga Casa do Povo do concelho de Felgueiras e originária do mais antigo Posto de Saúde que houve também no concelho de Felgueiras, continuado depois com o seguinte Posto Médico da Casa do Povo da Longra e posterior Centro de Saúde da Longra, até à atual Unidade de Saúde Familiar Lôngara Vida.

O percurso de tão histórica instituição, recordamos, está historiado no livro escrito aqui pelo autor deste blogue, também, feito e publicado aquando do 60.º aniversário da mesma Associação Casa do Povo da Longra, em 1999. Em cuja ocasião foi também cunhada uma medalha comemorativa e um carimbo. Recordações essas com que aqui e agora se ilustra esta menção, parabenizando a Casa do Povo da Longra em tão histórica longevidade, através de algumas páginas desse memorando.

Armando Pinto

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quarta-feira, 19 de abril de 2023

Em acrescento à cronologia vitoriosa da equipa de ciclismo felgueirense: mais uma vitória da Fonte Nova Felgueiras em Equipas de Clubes. E vitória na Geral da Taça de Portugal !

 

Disputou-se no passado domingo, 16 do corrente mês de abril, mais uma corrida de ciclismo de competição de estrada com a participação da equipa sub-23 Fonte Nova-Felgueiras.

Saldando-se mais esta prova, no caso, a "Clássica Aldeias do Xisto", por mais uma vitória da equipa Fonte Nova-Felgueiras na classificação coletiva de equipas de clubes, dentro do escalão sub 23. Em mais uma boa prestação, dentro do possível, também, à compita com ciclistas de elite e clubes profissionais de alta competição nacional, além dos congéneres de formação. 

A prova em disputa foi, então, uma corrida controlada pelo pelotão que não deixou formar qualquer fuga. Apenas nos últimos 20 quilómetros se deram-se algumas movimentações, que resultaram no desfecho da corrida. Assim sendo, já na subida à meta e também contagem de Prémio de Montanha deu-se a disputa da etapa, vencida naturalmente por um dos profissionais de elite, Frederico Figueiredo, da Glassdrive-Q8-Anicolor. Já Javier Moreno foi o melhor classificado da equipa de Felgueiras, colocado na 26ª posição. Enquanto a equipa Fonte Nova Felgueiras venceu novamente a classificação coletiva de equipas de clube. E, com esta classificação, na soma das provas a contar para a Taça de Portugal, a equipa azul venceu ainda também a Geral de Equipas de Clube da Taça de Portugal Jogos Santa Casa 🏆

Classificação 👥

26º Javi Moreno + 4m 22s

41º Francisco Campos +14m 12

42º José Dias +14m 12

OTL Diogo Saleiro

OTL Rui Silva

OTL Pedro Pinto

OTL Diogo Mendes


Armando Pinto

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terça-feira, 18 de abril de 2023

A propósito do "Dia Internacional dos Monumentos e Sítios": - Tradição e monumentalidade singlela dos nichos de "Alminhas" em Felgueiras

 

No território concelhio felgueirense, pese não existirem atualmente castelos roqueiros, que está levemente historiado até poder terem existido, mas infelizmente desapareceram na erosão dos tempos, ainda há algumas construções que como testemunhos de eras antepassadas se podem considerar património coletivo. Além das igrejas românicas e solares, templos setecentistas e ermidas, pontes e calçadas seculares, como ainda igrejas de eras oitocentistas, também perduram pequenos monumentos, entre os quais, sóbrios ou simples que sejam, merecem particular atenção os que marcam épocas, mesmo que não distantes por demais.

Em ideia de fixação extensiva sobre tais afinidades e vínculos memoriais, mete-se assim em rol de sabor ancestral a tradição da existência das Alminhas, dos Cruzeiros e dos Nichos - dotações religiosas com elos de ligação entre si e que, dentro do campo das edificações comunitárias, por assim dizer, desempenham papel especial no lugar que ocupam.

Deambulando por qualquer parte do nosso país, com maior incidência no norte e particularmente, no caso, pelo concelho de Felgueiras, num qualquer recanto, mais propriamente junto a confluências e nas bermas de caminhos e estradas, encontram-se numa profusão assinalável certos motivos escultóricos de tradição religiosa como são as Alminhas, os Cruzeiros e os Nichos de tipo capela.
(…)

As Alminhas são antes um marco de religiosidade, construídas em votos de “promessa” ou erigidas para fazerem lembrar o culto dos mortos.

No concelho de Felgueiras, parcela nacional que nos é mais familiar naturalmente, deparam-se nesse género muitos pequenos e singelos monumentos ou capelinhas votivas, sendo autênticos padrões sacros. Podem considerar-se típicas formas de escultura popular, existentes em estradas nacionais e municipais, vielas urbanas, caminhos e atalhos rurais, como ancestrais exemplos de arte iconograficamente expressiva, além de enternecedores temas de fé piedosa.

Primitivamente continham no seu interior “frescos” impressos na cal ou retábulo de madeira a formar painel pictórico de belas pinturas de arte popular em lugar de destaque, representando cenas religiosas. Retábulos votivos algo ingénuos e modestos por vezes, ou mais clássicos noutros casos, mas que de qualquer forma induziam incitamento à devoção do passante em vista à oração pelos falecidos.

Supõe-se haver alguma relação com antiquíssima existência de painéis havidos no tempo do império romano, numa espécie de altares em honra dos chamados lares viales e capitales, génios protetores de caminhos de encruzilhadas e dos campos, aos quais eram dedicados tais oratórios fundidos na crença do povo, quais intuitivas formas de expressão pitoresca do sentir religioso de então. E como a romanização se estendeu também a estes sítios portucalenses do velho condado, pode enquadrar-se extensiva, sem rigores cronológicos, esta necessidade que se expressou publicamente em imagens personificadas de veneração, convidando à devoção e à prece por meio de imagens e legendas capazes de tocar a piedade espiritual.

Contudo, embora tivessem acontecido adaptações dos ritos pagãos com o novo credo, aquando da chegada do Cristianismo, a interligação será apenas de alguma continuidade que não de motivo, sem raiz direta portanto. Aliás essa sua origem confunde-se no tempo, fazendo parte da fisionomia local desde eras mais ou menos recuadas, enquanto a possível ligação sofreu longo desaparecimento pois, dos que existem, os mais antigos, conforme as Memórias Paroquiais de 1758 (in Torre do Tombo), foram erigidos por Confrarias das Almas, instaladas antigamente em algumas das paróquias-freguesias, como foi o caso de Rande com as Alminhas da Renda de Santiago.

= Alminhas da Renda de Santiago, em Rande - na rua de S. Tiago, de acesso à igreja paroquial: vista do retábulo e aspeto geral.

É propositadamente que se juntam aquelas duas denominações de paróquias/freguesias, com que são referenciadas as terras conforme a indicação religiosa ou civil, pela explicação necessária: os termos Paróquia e Freguesia são ambos de origem religiosa, embora o vocábulo paróquia nunca se tenha tornado popular (profano), um tanto ao invés de freguesia, mais usado e que terminou por ser oficializado sensivelmente na segunda década do século XX, no período transformador da sociedade verificado após a implantação da República.

Mas retornando ao assunto, pode notar-se que com o decorrer dos tempos, os retábulos aludidos foram sendo alterados por painéis de azulejos, mas sempre com o mesmo sentido bondoso, convidando ao recolhimento em oração pelas almas do Purgatório.

Estes lindos e rústicos pequenos monumentos tradicionais têm por tema central, nos mais antigos, Nossa Senhora do Carmo estendendo o escapulário às almas suplicantes; havendo-os também com motivos da Paixão, ou S. Miguel Arcanjo a suspender a balança da justiça alusiva ao juízo; bem como, em alguns casos, com os santos invocados na região. Os mais recentes foram construídos por meio de promessas de fiéis, cujo incremento resultou de campanhas que atingiram cariz nacional, embora de lavra de sacerdotes da diocese do Porto, primeiro em nova iniciativa do Padre-Monsenhor Francisco Moreira das Neves (a juntar à sua faceta de incansável apóstolo da Cruzada Eucarística das Crianças); e por fim incentivada depois pelo Padre Francisco Babo (natural de Amarante, confrade de curso de D. António Ferreira Gomes, bem como dos felgueirenses Padres Luís Rodrigues e João Ferreira da silva, o primeiro célebre reitor da igreja da Lapa do Porto e compositor musical de relevo, tendo o segundo sido histórico pároco de Rande e Sernande). Houve então, nessa renovada fase um fomento de restauro aos mais antigos e edificação de novos oratórios. E entre esses, feitos desde as décadas de cinquenta e sessenta, sobretudo, sobressaem alguns com dedicação a Nossa Senhora de Fátima, com e sem os pastorinhos videntes da Cova da Iria. Todos eles, os temas referidos, têm de comum ostentarem legendas alusivas a encimar as chamas e as almas em penas purificadoras.

No carácter puramente estilístico estes motivos escultóricos representam, por assim dizer, expressão sincera de natureza especialmente elevada, sem ligar muito a escolas, como quem diz processos de arte, antes singelidade exalada na fé consubstanciada nas cenas traduzidas e introduzidas nos conjuntos trabalhados em cantaria granítica, na arte nata do povo antepassado. Em construções menos antigas aparecem, porém, alguns edificados em materiais recentes, em especial de cimento.

= Alminhas das Quatro Barrocas, na Longra, freguesia de Rande - cruzamentos de antigos caminhos, na ligação ao lugar das Cortes Novas ( e atual rua com nome recentemente alterado, sem respeitar a tradição histórica, para uma inventada Corte Nova...)

Na obra literária de índole monográfica, “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, fazemos outra abordagem geral e debruçamo-nos mais distintamente aos dois exemplares de Rande, as Alminhas da Renda de Santiago, de edificação do século XVIII (pois vem referenciada nas Memórias Paroquiais de 1758), e as Alminhas das Quatro Barrocas da Longra, de construção existente desde 1961 – entre os diversos espalhados no território concelhio onde, praticamente, não há freguesia que não tenha pelo menos um desses monumentozinhos de arte da religiosidade local, integrantes da paisagem Felgueirense e Sousã.

Muito ou pouco cuidados, os modelos de Alminhas que perduram pela região, autênticas belezas conterrâneas, erguem-se formosos, em relevo da tradição. A merecerem catalogação e sobretudo conservação. Porque, como se cantava nestes sítios em anos recuados: “O Cruzeiro e as Alminhas, / desde há muito na nação / foram da alma lusitana / a mais terna devoção”.
(…)

(Texto que, com certas adaptações, conforme o tempo de publicação, teve já lugar no livro “Encontr’Artes 99 – VII Encontro de Autores do Vale do Sousa-V Colectânea de Textos de Autores do Vale do Sousa”, editado em 1999 pela Câmara Municipal de Paredes; bem como no “Monumento do Nicho nas Mais-Valias de Rande”, edição de autor de 2003; quer sob tema e título de Tradição de Alminhas no Vale do Sousa e Felgueiras; quer como Tradição de Alminhas, Cruzeiros e Nichos em Terras de Felgueiras. Para aqui transposto apenas na parte das Alminhas, a propósito de por estes dias serem lembrados alguns focos monumentais no âmbito do "Dia Internacional dos Monumentos e Sítios".)

Armando Pinto


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segunda-feira, 17 de abril de 2023

Memória excursionista dum dos "Passeios" de outrora entre todo o pessoal da Associação Casa do Povo da Longra… !

O tempo passa mas as memórias ficam. Bem como passam as pessoas mas as instituições continuam e devem permanecer. Tal o exemplo duma inesquecível realização ocorrida em 2004, ainda na gerência aqui do autor destas linhas à frente dos destinos da Casa do Povo do Povo da Longra. 

Vem o caso a talhe deste tempo primaveril em que começam os convívios comunitários, vendo-se já diversas manifestações atinentes a recuperar ânimos. Tal como ocorreu já  há quase duas décadas, entre realizações ocorridas no âmbito dos convívios proporcionados pelo ambiente vivido naquele tempo. Como foi há cerca de 19 anos (pela conta deste lembrete de 2023, apenas como exemplo de um dos diversos rumos excursionistas, pois nesse caso até foi já em pleno verão daquele ano de 2004), recordando-se tal grande “Passeio” de toda a gente que se incluía e andava então nas atividades da Associação Casa do Povo da Longra. Como então fomos em inesquecível Excursão de convívio desde a Longra, passando por Guimarães, Arcos de Valdevez e Soajo, até ao santuário montanhoso da Senhora da Peneda, no cimo do parque natural da Peneda-Gerês.

Na ocasião foram 2 grandes autocarros cheios de passageiros de pessoal afeto à Associação Casa do Povo da Longra, indo todo o mundo devidamente esclarecido da essência de tal realização, conforme estava explicado no desdobrável panfleto escrito pelo presidente da instituição e que foi distribuído por todos os excursionistas logo à entrada nos autocarros, à saída da Casa do Povo da Longra.

Ocorrência essa que bem permanece nas boas recordações de muita e boa gente, quão faz parte da história da instituição Casa do Povo da Longra e das suas anexas seções, sendo que foi então toda a gente dos diversos departamentos que ao tempo existiam na casa, ou seja, os Grupos do Rancho, dos Cavaquinhos, do Teatro e dos Fados, cujos elementos, mais os diretores, à época, bem como antigos dirigentes e patrocinadores convidados, incluindo os associados que se quiseram associar, puderam assim confraternizar num dia pleno de convivência cultural e ambiental.

De tal dia, além de tudo o mais, ficaram as recordações impressas nas fotografias que cada um captou, como as que estão guardadas nos álbuns particulares do autor. Com a lembrança de alguns que já partiram deste mundo, permanecendo contudo sua ligação à terra no Além que nos une pela eternidade até aos confins dos tempos.

Armando Pinto

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