Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Falecimento de Manuel Duarte - antigo treinador do FC Felgueiras da época de subida de Divisão à 3.ª Nacional em 1981/1982 (morreu aos 77 anos - 02/09/2022)

Faleceu Manuel Duarte, figura pública do futebol português, como antigo futebolista internacional e posteriormente treinador. Em cuja função de responsável teve prestação mais saliente quando como treinador do FC Felgueiras levou o clube felgueirense ao título de Campeão da 1ª Divisão Distrital e consequente ascensão à então 3.ª Divisão Nacional, em 1981/1982.

Segundo o que foi difundido pela oficial agência noticiosa Lusa, durante o dia de sexta-feira, 02/09/2022:

«O antigo avançado Manuel Duarte, um dos convocados da seleção portuguesa de futebol para o Mundial de 1966, em Inglaterra, morreu hoje, aos 77 anos, adiantou à Lusa fonte da família.

 Radicado desde 1972 em Fafe, concelho do distrito de Braga, o ‘magriço’, internacional em dois jogos de preparação para o mundial, mas sem qualquer minuto no torneio em que a equipa das ‘quinas’ foi terceira classificada, padecia de “uma débil condição de saúde que se deteriorou nos últimos dias”, acrescentou a mesma fonte.

Natural de Vale de Azares, localidade do concelho de Celorico da Beira, no distrito da Guarda, Manuel Duarte ‘despontou’ para o futebol na Académica, clube pelo qual se estreou no principal campeonato português com 17 anos, na temporada 1962/63.

O dianteiro rumou ao Leixões em 1964 e, nas duas épocas ao serviço do emblema de Matosinhos, apontou 14 golos em 38 partidas, tendo assegurado as chamadas à seleção portuguesa no final do segundo ano, no verão de 1966.

Manuel Duarte transferiu-se para o Sporting na época 1966/67, em que apontou 11 golos em 21 jogos, antes de perder ‘espaço’ na temporada seguinte e de se ficar pelo registo de dois golos em 14 partidas até ao final da temporada 1969/70.

O avançado representou o FC Porto em 1970/71, tendo cumprido dois jogos de ‘azul e branco’, o Varzim em 1971/72 e a AD Fafe, clube da cidade onde viria a permanecer entre 1972 e 1978.

Pai de Jorge Duarte, médio que representou Fafe, Tirsense, Desportivo das Aves, Vitória de Guimarães, Moreirense e Leixões, o antigo ponta de lança foi treinador após terminar a carreira de futebolista.

O funeral de Manuel Duarte está marcado para as 16, 00 horas de sábado, na igreja matriz de Fafe.»

Ora, como foi esquecido pela peça da Lusa que Manuel Duarte teve seu ponto alto da carreira de treinador ao serviço do FC Felgueiras, recorda-se aqui esse feito materializado em 1982 – com respigos jornalísticos da época, conforme está guardado no arquivo pessoal aqui do autor destas remembranças, incluindo ainda recordação pessoal do jogo da consagração.


Faleceu então com 77 anos esse que foi um treinador histórico do Futebol Clube de Felgueiras.

Descanse em Paz!

Armando Pinto

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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Cromo com história: Pacheco do Futebol Clube Felgueiras vindo do Braga…

Para quem acompanha o futebol de Felgueiras há muitos anos o nome do antigo jogador Pacheco é ainda lembrado. Bem como para quem tem pelo menos conhecimento da história da bola em Felgueiras, como se diz popularmente, dos tempos do clube felgueirense original, remontado à era das primeiras subidas de divisão do histórico FC Felgueiras. Tendo Pacheco sido um dos grandes jogadores desse tempo, ao lado de Sabú, Pimenta, Cardoso, Roda, Mário, Mendes, Estebainha, Zé Maria, Rocha, Monteiro, Zé Carlos, Caiçara, Franklim, Mesquita, etc. etc.

Pacheco havia jogado no Sporting de Braga, tendo sido formado precisamente no clube bracarense. Até que depois rumou ao Felgueiras e fez parte da histórica equipa do FC Felgueiras que em 1965 subiu pela primeira vez de Divisão, tal como na época seguinte continuou e integrou o plantel Campeão da 2ª Distrital da AFP e assim voltou a subir de divisão, para a imediata 1ª Distrital da Associação de Futebol do Porto.

Ora nesses tempos Sabú, Pacheco, Pimentinha e C.ª eram admirados pelos adeptos felgueiristas, sendo mesmo ídolos das crianças do concelho de Felgueiras. Num tempo em que eram usuais as crianças e jovens, pelo menos, colecionarem cromos de jogadores de futebol, daqueles de colar em cadernetas, que vinham junto com rebuçados baratos, importando porém que fossem do agrado dos colecionadores e se possível completassem a respetiva caderneta de coleção. Acontecendo por norma que os cromos eram de imagens correspondentes a equipas de época anterior, à temporada em que eram colocados ao público. Tendo então (era aqui o autor destas lembranças ainda criança em idade escolar) chegado à minha mão um cromo que me surpreendeu, causando certa admiração, por a cara daquele jogador me ser familiar. Ficando aí a saber que afinal aquele tal Pacheco antes tinha sido do Braga, coisa que ainda nem me passara pela cabeça pois apenas conhecia por o ver jogar pelo Felgueiras.

É esse cromo que hoje aqui se recorda, em imagem pública também, desse mesmo Pacheco que em Braga era conhecido por Pacheco e Tone King, enquanto em Felgueiras era popularmente conhecido por Pacheco Careca, como era sua fisionomia já nesses idos de meio da década de sessenta. O mesmo Pacheco que muitos anos depois foi homenageado em Felgueiras na comemoração da passagem de 50 anos da primeira subida de Divisão do FCF e entretanto já faleceu, conforme foi ao tempo assinalado também neste blogue.

Armando Pinto

Nota: - Sobre o falecimento de Pacheco, em 2020, recorde-se (clicando)  em 

http://longrahistorico.blogspot.com/2020/08/noticia-do-falecimento-em-abril-do.html

AP

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domingo, 28 de agosto de 2022

Exercício de memória – Foto com alguma história… na Longra de tempos idos.

Verão de 1969, na Longra, em época de férias grandes, após meses de ausência da terra por motivo de vida estudantil desse tempo… Num tempo de brincadeiras entre companheiros de passatempos: Pose de quatro amigos, em intervalo de jogo da bola com mais colegas, de encontros de mudar aos cinco e acabar aos dez… ou mais.

A foto, desses finais da década dos idílicos anos sessenta, captou também uma fase da vivência longrina dessas eras, quando os então jovens estudantes da Longra (quer os que andavam longe, como os que estudavam mais por perto...) formaram um grupo a que deram o nome de ADEL (Associação Desportiva Estudantil da Longra). Um conjunto de amigos formado por mais que estes da fotografia, naturalmente. Cuja existência foi também aflorada entre memórias desportivas no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”.

Armando Pinto

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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Um caso de respeito, a propósito de seu aniversário natalício: remembrança de crónica jornalística sobre Adalberto Ferreira, um bom filho de Rande!


Por se ouvir ao longe acordes de tocata de música folclórica e por facilmente se perceber de onde vinha, também nos apercebemos que era dia de anos de um conterrâneo em cuja casa costuma ser festejado seu aniversário a seu modo, como ele gosta. Motivo que leva a uma rememoração, por isso e para o felicitar e lhe desejar muitos anos de vida. Sendo pessoa que aqui há uns anos, mais precisamente em 2016, ainda, mereceu algumas linhas de apreço numa crónica que lhe dedicamos entre a colaboração publicista ao Semanário de Felgueiras. Sem qualquer foco de interesse que não fosse e seja o respeito de admiração que merecem pessoas à maneira antiga, de honra. Porque hoje em dia já não há muitas pessoas de meter certo respeito, como noutros tempos, mas, como no caso, havendo ainda algo assim, tem de se salientar e parabenizar.

~~~ ***** ~~~

Na linha da cronologia memorial que tem evocado casos, factos e personagens dignos de apreço geral na memória coletiva, desta vez damos atenção a um conterrâneo destacável, como procuramos descrever em mais um artigo de colaboração escrita no jornal concelhio Semanário de Felgueiras. Através de cuja publicação tentamos fazer valer que o conhecimento do passado revela uma fonte de inspiração para o presente e para o futuro. Ao preservar e valorizar a memória ganha-se boa porção identificativa. Sendo que as terras valem também pelos seus habitantes.


Do mesmo artigo, publicado na edição de sexta-feira dia 28 de Outubro de 2016, juntamos assim imagem da coluna saída no mesmo jornal, acrescido do texto por extenso.

Adalberto Ferreira: Um caso particular de realce

Na andança terrena, para quem anda na terra e sente efeito telúrico derivado, relativo aos elementos respeitantes ao solo produtivo, naturalmente que chega também o Outono em fase madura da vida. Tal como no próprio tempo se depara a época das vindimas, temporada que diz muito a quem se identifica com o fruto das colheitas. Como é o caso desta vez merecedor dumas linhas de escrita, dentro da norma idealizada de memorizar algo que deva ser preservado nos arcanos da memória.

Pois então, como antigamente por estes dias do amarelecer das folhas se ouvia o chiar dos carros de bois, carregados de cestos cheios de uvas, por agora já se ouviu roncar tratores apinhados também com uvas, antes da refrega do fazer do vinho, até à chegada do desfolhar das espigas de milho, entre trabalhos hoje em dia mais simplificados. Havendo certa identificação nesses ciclos com pessoas dedicadas a tais labores. Quer por modo de vida, mas também por paixão pela manutenção de hábitos antigos e dotações a que se afeiçoaram. Como é o caso de Adalberto Ferreira, em tema que desta feita elegemos. Sendo este senhor um felgueirense que mete respeito, por assim dizer. Acontecendo ser um empreiteiro conhecido no ramo da construção civil, como profissão, mas especialmente por ao mesmo tempo ser apaixonado por vinhas, dedicando muito do seu tempo ao cultivo de videiras espalhadas pelos seus terrenos, enquanto produtor privado por gosto próprio. 


É pois este um exemplo simples em como a distinção não se reduz a heroicidades ou notabilismos. Pois que a vida é feita de pequenas coisas que podem ter algum significado, conforme se vêm e sentem, como em tudo o que dá plenitude à existência.

Assim sendo, naquele apreço de que vale a pena andar no mundo quando se faz algo de jeito, trazemos agora esta referência, em função de trabalhar a memória. Vindo ao caso mencionar o referido felgueirense, proprietário atual da Casa do Outeiro, de Rande, e como tal conservador da antiga vivenda do grande bairrista que foi José Xavier, mais de sua sucessora D. Celestina, madrinha do personagem agora lembrado.


Ora, do alto de antigos bardos e ramadas, como das atuais linhas de vinha, muita história foi escorrendo para as envasilhas. E na fidelidade ao cultivo tradicional aí está ainda Adalberto Manuel de Freitas Ferreira, já de oitenta anos feitos a 26 de Agosto, tendo nascido em 1936, no Casal, uma herdade em Rande que fazia parte do património do sr. Xavier do Outeiro. Havendo na sua juventude Adalberto Ferreira trabalhado precisamente a erguer ramadas, trabalho nesse tempo feito por artistas carpinteiros. Até que em meados dos anos 60 criou uma empresa de carpintaria fundada em nome de seu sogro, carpinteiro também como o genro. Para depois, volvidos anos, terem decidido juntar empreitadas de outros trabalhos, aventurando-se Adalberto então na construção civil, iniciado como mestre de obras a partir da edificação de raiz duma casa na Longra. De permeio com apoio da prole familiar no fabrico dos terrenos e manutenção empresarial. E a empresa cresceu, passando desde inícios dos anos 80 a ter o próprio nome junto aos dos filhos, também sócios. Contudo sem nunca descurar nos campos seu gosto pelas vinhas, a pontos de ter chegado a vindimar cerca de 100 pipas por ano. Enquanto, a par dessa atividade, porque sempre se sentiu ligado ao torrão natal, foi procurando ajudar a sua terra. Havendo entretanto, além de haver integrado a Assembleia da sua freguesia, também contribuído, por exemplo, com doação do calcetamento no adro da igreja paroquial de S. Tiago de Rande, assim como na cedência do local onde ficou ereto o Nicho de Rande.

Homens assim, que cavaram fundo os alicerces, com mérito por destaque em algo apaixonante e benefícios comunitários, merecerão apreço. Deixando voar a memória como folhas soltas das videiras, na continuidade do ciclo da vida.


Nota de Aditamento: - Feito assim um resumo escrito, qual retrato descritivo, em crónica deveras resumida por via de não alongar o texto, pelas naturais limitações das págunas de jornal noticioso, acrescentamos, para melhor completar a devida narrativa, que o sr. Adalberto, como adepto de foguetes, ficou trambém ligado à sessão de fogo de artifício lançado na festa da elevação da vila da Longra, realizada no Largo da Longra em Julho de 2003. Tendo tomado a seu encargo o respetivo peditório, como popularmente se diz da recolha pública de contribuições, para o efeito. Bem como, no seguimento de seu gosto por pirotecnia, costuma celebrar bons momentos com foguetório, sendo apreciado o fogo que manda "deitar" em dias festivos e outros acontecimentos, como é tradicional pela Páscoa na passagem do Compasso em sua casa. 

Fica assim anotado mais um caso personalizado de destaque, entre lembranças que devem ficar ao conhecimento perene. Para  evitar que no passar dos dias a lembrança das coisas possa passar ao esquecimento e deixe de haver ideia de nomes e imagens do passado. Continuando deste modo um contacto com a natureza identificativa da terra, como assim procuramos rememorar, em prosa de certa forma vincada aos sentidos temporais.

ARMANDO PINTO

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sábado, 20 de agosto de 2022

Uma Figura Felgueirense… de vez em quando: - Padre António Pacheco Barbosa Mendonça (17/7/1909 – 24/10/1986) - Fundador do Centro Social com seu nome...

Filho do Juiz Conselheiro Dr. Alexandre Barbosa Mendonça, oriundo da família Barbosa Mendonça da Casa de Rande, da freguesia do mesmo nome, o Padre António Pacheco Barbosa Mendonça nasceu em Airães, concelho de Felgueiras, na casa do Bacelo, a 17 de julho de 1909. Foi seu padrinho, junto com a esposa, o seu tio Conselheiro Dr. António Pedro de Barbosa Mendonça Pinto de Magalhães e Alpoim (mais conhecido por Conselheiro de Rande, Dr. António Mendonça), proprietário da Casa de Rande, casa-mãe da Família, e que foi presidente da Câmara do efémero concelho de Barrosas, primeiro, e depois do concelho de Felgueiras. Sua mãe, D. Teresa Pacheco, era natural de Sernande, também do concelho de Felgueiras, a qual tendo sido governanta da casa do Bacelo de Airães, casou depois com o Conselheiro Alexandre Mendonça quando seu filho António estava para ser ordenado padre.

Teve um irmão, o médico Dr. Artur Pacheco Barbosa Mendonça, médico de clínica geral e estomatologista, que foi clínico muito popular durante muitos anos no Posto Médico da Casa do Povo da Longra e de permeio teve atividade cívica como Presidente da Direção da Adega Cooperativa e da sucessora Cooperativa Agrícola de Felgueiras. Pessoa deveras sociável e animador de conversas político-sociais nos locais de convívio público na ao tempo Povoação da Longra e na então vila de Felgueiras.  Através do qual houve continuidade da família na genealogia continuadora da casa do Bacelo. Falecido em 1979, anos antes do irmão, portanto.

Como sacerdote o Padre António Mendonça foi Prefeito no Seminário de Évora, Pároco de Viana do Alentejo, Campo Maior e Vila Viçosa, no Alentejo; bem como Capelão do Sanatório de Monte Alto, da serra de S. Pedro da Cova-Gondomar (embora mais conhecido por sanatório de Valongo), e pároco de S. Pedro de Raimonda, na diocese do Porto. Faleceu a 24 de outubro de 1986.

O Padre António Barbosa Mendonça foi um dos maiores beneméritos da sua freguesia natal, tendo doado à Paróquia de Santa Maria de Airães a Quinta do Roço, por testamento destinando-a à educação de crianças, jovens e idosos, onde atualmente está instalado o Centro Social que tem o seu nome, com valência de Jardim Infantil, Centro de Dia e Lar de idosos. Em cuja quinta lhe foi dedicado um pequeno monumento, em linhas modernas, da autoria do Arq.° Fernando Coelho.

Obs.: – Por falta de conhecimento de alguma fotografia do Padre António Mendonça, não foi possível ilustrar esta crónica com imagem apropriada. Motivo porque apenas foi possível juntar imagens do pequeno monumento em sua homenagem e do Centro Social de seu nome.

Armando Pinto

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quarta-feira, 17 de agosto de 2022

A "Casa da Capela" de Sernande - a propósito duma homenagem singular ao antigo proprietário sr. Armando Pacheco

Entre diversificados temas e deambulações por existências históricas da região felgueirense, desta feita calha ser vez de se dedicar aqui um remirar memorando sobre a Casa da Capela, mansão muito antiga existente em Sernande. A propósito de recente homenagem ali prestada a um seu antepassado.

Ora, num ato significativo e pleno de merecimento  contando também ser algo deveras raro e como tal digno de se assinalar de modo especial  louvavelmente ocorreu no passado fim de semana, de meio de agosto, um caso então notável: Tendo sido colocada uma placa assinalável na Casa da Capela, em Sernande, de homenagem evocativa ao antigo proprietário da mesma mansão, Armando Pacheco, mais conhecido por senhor Armando da Capela. Cuja lápide foi descerrada no sábado dia 13 de agosto, a assinalar a data de seu nascimento, nessa data em que perfazia 106 anos que ele, António Armando Bravo Monteiro Pacheco, nasceu em 1916.

Uma elogiável iniciativa da família, digna de registo. 

= António Armando Bravo Monteiro Pacheco, o popular senhor Armando da Capela - homenageado em agosto de 2022 com uma lápide na sua casa histórica.


Dentro disto, o caso leva a que se lembre, por um merecido memorando, algo da antiguidade dessa mesma casa. 

Com efeito, a casa da Capela, em tempos idos muito distantes, foi conhecida por Casa do Burgo, quando pertenceu aos ancestrais do ramo de Borges Barreto e Velhos, vindo desse cipoal de costado (de membros originários de várias freguesias de Lousada - conf. Chancelaria da Ordem de Cristo, livro 19). Tendo no século XVII passado a ter capela com vínculo da Santíssima Trindade, instituído por um ancestral, Salvador do Couto Pereira.

= “Declaração da obrigação das missas da Capella da Santíssima Trindade sita no lugar do Burgo desta frgª de São João de Cernande”…=

Depois (em resumo) na evolução dos tempos chegou ao ramo familiar de Bravos e Monteiro Pacheco. Chegando mais tarde a era de António Bravo Pacheco, fundador da primeira escola de Sernande, que ficou ligado ao ensino local por haver sido quem fez obras numa sua propriedade do Burgo para criação da velha escola primária de Sernande, no então caminho do Burgo. O qual tinha vários irmãos todos também proprietários e com ele eram seis irmãos todos formados, dois dos quais foram professores e uma lecionou mesmo em Sernande, a ainda muito lembrada professora Juca. Até que a propriedade da casa chegara entretanto ao tempo dos pais de Armando Pacheco, com toda a evolução seguinte a chegar aos dias de hoje.

Além disso, como ligação à mesma casa, o caso faz lembrar também pessoalmente, sobre o senhor Armando:  Eramos muito amigos, ele e eu, mesmo com grande diferença de idades, obviamente. Sendo ele da idade de meu pai, com quem tinha andado na "doutrina", nas aulas da catequese e feito as comunhões, na igreja de Rande  como dizia. Tanto que ele, o senhor Armando da Capela, quando ia ao médico à Longra, quer ao antigo Posto Clínico da Casa do Povo, como depois ao sucessor Centro de Saúde da Longra, era a mim que procurava, ou seja era comigo que logo ia ter à secretaria, no atendimento público... E foi através dele, com documentação que ele me mostrou e disse que guardava, que eu soube que inicialmente a Capela da sua casa, a Capela dedicada à Santíssima Trindade, foi a Capela de Sernande, das missas e cerimónias paroquiais, aquando da criação da freguesia e paróquia de S. João de Sernande, já durante a existência do concelho do Unhão (antes portanto da edificação da igreja que ficou depois a ser paroquial). Tendo na oportunidade duma dessas nossas conversas eu tirado alguns apontamentos, com cujas notas fiquei para futuro estudo. Ao que fui juntando algumas outras anotações mais, que se foram deparando com outras pesquisas, por quanto nas buscas estudiosas surgem por vezes e assim foram aparecendo diversificadas curiosidades, por extensão. Não tendo logo usado esse material no livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras" por aí o capítulo das casas históricas se reportar às da freguesia de Rande, naturalmente, mas tendo tudo aquilo ficado guardado para um outro livro, esse sobre o concelho de Felgueiras, que foi ficando e está aguardando na gaveta há muito, por falta de patrocínio.

Na capela da casa, em apreço, ficaram e estão sepultados os antigos membros fidalgos da família da inicial Casa do Burgo e posteriormente chamada da Capela – como acontecia ao tempo, anteriormente à existência do cemitério paroquial (em sinal da respetiva importância familiar, sendo que a população em geral, e mesmo fidalgos de outras casas, eram e foram sepultados em adros de igrejas da região). 

Fica pois assim aqui esta referência, em homenagem também ao senhor Armando Pacheco da Capela. Para de uma próxima oportunidade se poder lembrar outras histórias de mais existências desta região.

Armando Pinto

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segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Nova existência de património paroquial – Bandeira da "Conferência Vicentina de S. Tiago de Rande e S. João Baptista de Sernande"

Mais um elemento patrimonial ficou a integrar o património paroquial, no caso respeitante às paróquias anexas de Rande e Sernande, com a existência agora duma bandeira representativa dum dos grupos da vida interparoquial, como sinal visível e identificativo da "Conferência Vicentina de S. Tiago de Rande e S. João Baptista de Sernande". Grupo criado em Rande, em 1995, com primeira sede na Longra, e seguidamente na Residência Paroquial de Rande, no lugar de Santiago, integrando membros residentes das duas paróquias e com fim de assistência aos paroquianos necessitados das duas comunidades.  

Com efeito foi no passado primeiro domingo de agosto apresentada a bandeira da Conferência Vicentina de S. Tiago de Rande e S. João Baptista de Sernande, em cerimónia realizada na igreja paroquial de Rande na tarde do domingo dia 7 de agosto de 2022, durante a missa celebrada em honra festiva dos idosos das duas paróquias. Cuja festa, como é habitual, teve depois epílogo num lanche de convívio no salão da Residência Paroquial. Tendo na ocasião celebrativa sido apresentada a referida bandeira que representa uma homenagem a todos quantos passaram pela vida da mesma Conferência – conforme foi referido publicamente pelo Pároco, Padre Manuel Ferreira.

Passa assim a haver representatividade física de mais um dos grupos paroquiais, à imagem como antigamente houve as bandeiras da Juventude Católica de Rande (integrando o Grupo Coral das Meninas da Juventude de Rande), no tempo do Padre Alberto Brito; mais da Cruzada Eucarística das Crianças de Rande e da Liga Eucarística dos Homens de Rande (também incluindo seu grupo coral), no tempo do Padre João Ferreira da Silva. Bandeiras que após a extinção desses grupos ficaram guardadas na Residência Paroquial em Rande. Além, obviamente, das bandeiras das antigas Associações Paroquiais, Associação de S. José e Associação do Sagrado Coração de Jesus, que integravam as procissões e enterros. Mais a bandeira de representatividade da Paróquia de S. Tiago de Rande, estandarte com figuração da imagem do Padroeiro, de oferta assinalável da Comissão da Festa de Rande em 1987. Passando agora a haver esta nova bandeira de representatividade da Conferência Vicentina local, nesta era do Padre Manuel Joaquim da Costa Ferreira.

Ora esta bandeira nova, em apreço, fica pois a existir como imagem da Conferência Vicentina criada no tempo do Padre Abílio Barbosa, através de ação da Irmã Rosa de Lurdes, uma das Irmãs de Caridade de S. Vicente de Paulo residentes no antigo convento da Misericórdia do Unhão (cujo trabalho seguidamente teve depois acompanhamento sucessivo pelas irmãs Agostinha Ramos, Vitória e Esperança da Purificação Pinto). Tendo sido fundada em 1995 na Longra e inicialmente ficado instalada como local de reuniões em casa do senhor Luís Sousa da IMO, ao tempo da primeira presidência, que calhou por eleição ao autor destas lembranças, Armando Pinto, e da segunda em que foi eleito Fernando Ribeiro, naturalmente acompanhados por todos os confrades respetivos, até que a Conferência passou a ter como sede o salão da Residência Paroquial, junto à igreja – como está historiado no livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras", desde sua criação até ao ano da publicação, em 1997. Tal como estão historiadas as outras agremiações paroquiais referidas. Havendo de permeio passado pela sua caminhada diversos componentes até aos atuais, todos com a melhor das intenções, seguindo-se as sucessivas presidências e constituições que foram dando continuidade à mesma Conferência Vicentina (tendo entretando sido presidentes sucessivamente Manuel Pinto, Acácio Guimarães, Joaquina Pinto e Virgínia Silva), estando na atualidade evidente a sua vitalidade com mais este sinal existencial.

Armando Pinto

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