Espaço de atividade literária pública e memória cronista

terça-feira, 10 de maio de 2022

Lembranças pessoais de Lousada!

Um destes dias andando a passear pelo centro da vila de Lousada, em soalheita tarde destes dias quentes da Primavera de 2022, indo a pensar com os meus botões da memória, dei com os olhos na montra duma loja comercial onde em tempos passei muitas horas de manhazinha cedo, ao tempo uma padaria que era dum simpático senhor António, venerando personagem da vila de Lousada daquelas tempos. Isso porque eu ali ficava a fazer tempo, até à aproximação da hora do começo das aulas no Externato de Lousada, naqueles períodos de finais dos anos 60, em dias de aulas, aos princípios dos 70; pois como eu ia muito cedo para Lousada, na única carreira da camioneta da Pereira Meireles da Lixa que passava à Longra em horário anterior ao início das aulas, para não ficar ao frio e a pequena padaria era bem quente, eu para ali ia e ficava a conversar com o senhor Antoninho, que muito gostava de falar comigo de tudo e mais alguma coisa. Eu do lado de fora do balcão, obviamente, e ele dentro, falando entre a chegada e saída da clientela que ia buscar bejus para o pequeno almoço. Ora eu que sempre fui de falar pouco, mas com gente de que gosto e dá oportunidade até gosto de falar, conversava bem com esse meu amigo, como era o caso. 

Lembro-me bem desse senhor Antoninho, muito boa pessoa. Como tenho sempre na memória o Senhor Sousa, o porteiro do Externato, para onde eu ia logo que o via passar na sua bicicleta, para abrir a porta daquele histórico colégio de ensino externo. Entre tanta coisa passada e vivida quando por ali andei a estudar, andando eu também de livros debaixo do braço com colegas amigos, ao tempo de frequência no Externato Eça de Queirós. 

Hoje a loja naturalmente está mudada e o negócio mudado de ramo. Tal como o Externato há muito que nem existe. Mas permanece a lembrança, apesar de depois disso nem frequentar muito Lousada, por não calhar, de modo que já poucas pessoas conheço hoje em dia dessas de meus tempos estudantis lousadenses. Mas sempre com um lugar especial daquela vila em mim. 


É uma honra, mesmo, estar na história do Colégio-Externato Eça de Queirós, de Lousada.  Constando no importante livro “Uma História da Educação em Lousada", da autoria do Prof. Luís Ângelo Fernandes. Sendo por isso interessante constar naquele livro da História do ensino em Lousada, através duma foto também histórica. Uma honra, não só, mas também, porque esse antigo colégio foi uma referência no panorama da educação da região, incluindo-se então entre seus alunos, além dos naturais e residentes de Lousada, também jovens estudantes de Felgueiras, Paredes e Paços de Ferreira.


(Externato de Lousada - Foto da página de facebook do Externato Eça de Queirós)

Tempos em que o histórico colégio era deveras familiar no ambiente da terra através de figuras carismáticas, como o "Contínuo" Senhor Sousa, a secretária sempre prestável (senhora muito simpática, da qual me estava já a falhar o nome, mas recordando seu sorriso me vem à ideia como era tratada carinhosamente) a Chiquinha, assim como professores como o tão apreciado Padre Meireles de História, o Padre Campos do Português, Padre Mota de Francês, o Padre Jorge de Inglês e do célebre carro antigo, Professora Orísia de Ciências, etc. etc. Andando o tão afável sr. Sousa de cigarro de mortalha sempre na boca, além de ser conhecido nas suas andanças de bicicleta a atravessar a vila no itinerário profissional. Lembrando que comíamos barato na casa de pasto do sr. Freitas, típica mistura de tasco e restaurantezinho antigo, por trás dos Bombeiros. Ao passo que no centro da mesma vila comprávamos o jornal na loja de papelaria da Geninha, enquanto esperávamos a camioneta de carreira em frente à loja do Rega, rindo-nos com a sua useira conversa de engalhar os clientes.

(Imagem de "Postal" de finais dos anos sessenta)

Sendo do curso liceal de bons amigos como Zé Vieira, mais tarde advogado de renome e dirigente apreciado dos Bombeiros; tal como também o Jorge Magalhães, volvidos anos tornado Presidente da Câmara de Lousada; Zé Alberto; o Teles de Santa Margarida, o Costa de Silvares, o Sousa do Unhão, Reis, Graça, Raquel, Maria José, Goreti, entre outros. Além de colegas mais novos, amigos e companheiros de outros anos.

(Fotos do álbum  pessoal - em cima com parte da minha turma de Letras; e em baixo com colegas, mais o Senhor Sousa.)

Depois seguiria eu pela vida adiante, de permeio ainda com passagem pelo Colégio de Vila Meã e depois disso ficara entretanto à espera de incorporação no serviço militar, até ter acontecido o 25 de Abril, etc. e tal…

Lousada está pois aqui no coração. Diz-se de Felgueiras que quem beber da água da fonte de Santa Quitéria jamais deixa Felgueiras; enquanto eu nem precisei disso, gostando muito como sempre gostei, como felgueirense de gema a partir da água que bebi desde criança do fontanário da Longra. Mas gosto também de outros sítios, de modo diversificado. Sendo afeiçoado à cidade do Porto, por exemplo. Tanto que de modo especial onde me sinto melhor a passar algumas horas é em Fátima e no estádio do Dragão. E Lousada faz parte de minhas ternas lembranças.

Armando Pinto
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quarta-feira, 4 de maio de 2022

Apresentação do livro “ARTE E SAGRADO na Obra de Ilídio Fontes”, da autoria do felgueirense Dr. José Melo - Sábado Dia 21, às 17 horas – Convite à população em geral

 


Alteração do dia da apresentação – Por motivo do autor do livro ter sido vítima recente de dença subita, mas passageira, e como tal estar afastado por alguns dias do convívio público, teve de haver mudança do dia da apresentação do livro em apreço. Tendo o dia respetivo ficado remarcado para 21 de Maio. No mesmo local e à mesma hora (17 horas do sábado dia 21). 

- Dia 21 de maio, pelas 17 horas, na Casa do Cruzeiro da Paróquia de Margaride-Felgueiras, será apresentado em sessão pública o livro “ARTE E SAGRADO na Obra de Ilídio Fontes”, com a presença do autor do livro, José Melo, felgueirense de naturalidade, e do Mestre escultor Ilídio Fontes. Livro que será apresentado com o apoio do pároco Padre Benjamim e terá um momento musical e diversas intervenções explicativas do seu conteúdo, que inclui também uma análise estética à igreja de Nossa Senhora de Fátima de Lagares, terra à qual o autor está ligado por fortes laços familiares.



Armando Pinto

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terça-feira, 3 de maio de 2022

Arruada de Bombos do transporte da chave de S. Pedro em Felgueiras

Está ganha a tradição da arruada de bombos, da chave de S. Pedro, na noite do primeiro dia da Feira de Maio, para colocação da Chave de S. Pedro diante da Câmara Municipal, em Felgueiras – a marcar o início da programação da seguinte Festa do Concelho, dedicada a S. Pedro. Como aconteceu na sexta-feira 30 de abril, véspera do 1º de maio. Tendo sido num mar de gente, quer a desfilar e a tocar bombos, como a assistir e marcar presença. 

Desta vez também a assinalar em Felgueiras o regresso das festas, após a pandemia. Envolvendo a população nesse primeiro grande momento da programação da Feira do Maio e marca do arranque das festas de S. Pedro. Cujo inicio da Festa do concelho ocorre desde há alguns anos com a entrega da Chave em frente aos Paços do Concelho.

Armando Pinto

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domingo, 1 de maio de 2022

Dia da Mãe !

1º Domingo de maio – Dia da Mãe: - Mais um dia dos dias de sempre lembrar minha Mãe !!!


Armando Pinto

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Quando a Feira de Maio de Felgueiras alargou horizontes com o I e II Circuito de Felgueiras, em 1950 e 1951

 

Felgueiras já teve em tempos idos uma prova oficial de ciclismo de categoria superior, corrida dentro do perímetro urbano da então vila cabeça do concelho, com a participação de ciclistas do principal escalão, ao tempo chamado de Independentes (mais tarde profissionais e de Elite), em representação das principais equipas portuguesas do Mondego para cima, como se dizia. Prova essa realizada no princípio da lustrosa década dos anos 50, então a fazer parte do programa da tradicional Feira de Maio, quando foi para a estrada em dois anos consecutivos, ao correr de 1950 e 1951, através de valoroso lote de participantes integrando pelotão de nomes famosos do ciclismo português desse tempo.

Ora, esta feira anual que desde 1901 se realiza no primeiro fim de semana de maio na sede do concelho de Felgueiras, por diversas vezes havia tido no seu programa «uma agradável corrida de bicicletas», como por exemplo ocorreu em 1919 e foi presença nos cartazes de outros anos, enquanto corrida de populares, vulgo Amadores. Sendo que então em 1950 e depois repetindo em 1951, foi já de caráter oficial e com ciclistas federados. Havendo sido organizado tal circuito nesses dois anos por grande empenho de um dos membros da Comissão de Festas, Adriano Castro, enquanto esteve na organização desses anos esse felgueirense grande entusiasta de desporto e com contactos desportivos na cidade do Porto. Sendo então a Comissão constituída por Adriano Sampaio e Castro, Daniel Moura, Albano da Costa e Sousa, Joaquim Teixeira Bica, José Alves Cunha Felgueiras e Fernando da Costa e Sousa. Tendo, com o Circuito de Ciclismo de Felgueiras a Feira de Maio, festa e feira franca de concursos pecuários e de divertimentos alargado horizontes, despertando assim muito mais atenção a longa distância e atraindo forasteiros de distantes paragens.

Acrescendo que na mesma realização, "com a colaboração da Associação de Ciclismo do Norte", estiveram em disputa de ambas as vezes a Taça Câmara Municipal de Felgueiras para o vencedor individual, e outra taça para a equipa vencedora da classificação coletiva.

Ora, em 1950 a Feira de Maio de Felgueiras calhou no fim de semana dos dias 6 e 7 de Maio. E em 1951 nos dias 5 e 6 desse mesmo mês das flores e dos amores. A que acorreram mais romeiros que noutros anos, perante o aliciante programa que, além do habitual concurso de expositores de gado, corrida de cavalos e cortejo etnográfico ("Cortejo das Lavradeiras com o carro  da Bicha de sete cabeças"), teve corridas de ciclismo de alto nível com o Circuito de Felgueiras, trazendo à então vila de Felgueiras e para atração popular os ídolos do ciclismo nortenho desse tempo.

Assim sendo, em 1950 no oficial I Circuito de Felgueiras, a 7 de maio, participaram as equipas do FC Porto, Salgueiros, Académico, Sangalhos e Centro Ciclista de Gaia.

Foi então grande o entusiasmo, da enorme mole humana apinhada nos passeios da vila, a vitoriar os corredores. Tendo vencido individualmente o ciclista Manolo Rodriguez, do Sangalhos e coletivamente o FC Porto. Após ter sido renhidamente disputado o sprint final, no epílogo das várias voltas ao percurso do circuito, com os ciclistas chegados em pelotão à meta, instalada na Avenida Magalhães Lemos, onde o Sangalhense foi seguido em 2º lugar por Onofre Tavares, em 3º Luciano Sá e em 4º Fernando Moreira de Sá, todos do FC Porto, resultando com essa classificação terem os mesmos pontuado para a vitória por equipas. Enquanto assim, com esse triunfo coletivo, o FC Porto conquistou aí a “Taça do I Circuito Ciclista de Felgueiras", de "Maio-1950". Como se pode comprovar por referência no Relatório Anual do FC Porto... 


 ... e por recorte do jornal Notícias de Felgueiras , edição seguinte de 11 de maio de 1950.

No ano seguinte, novamente voltou essa azáfama e entusiasmo a tornar a Festa do Maio de Felgueiras mais badalada. Com o a segunda edição do Circuito. 

Então a 6 de maio de 1951 decorreu em Felgueiras, no âmbito da anual Feira de Maio, o II Circuito de Felgueiras. Prova de ciclismo pela segunda vez dentro do programa festivo dessa tradicional festividade concelhia da terra do Pão de Ló de Margaride, a seguir na roda da corrida que já tivera 1ª edição no ano anterior. Estando outra vez em disputa a Taça Câmara Municipal de Felgueiras para o vencedor individual, e outra taça para a equipa vencedora da classificação coletiva.

Ora, nessa prova que dava a volta ao concelho felgueirense, em diversas voltas, com saída e chegada à nesse tempo vila de Felgueiras, por entre alas do povo romeiro dessa festa de grande feira de ano, triunfou então em 1951 o ciclista Aniceto Bruno, do FC Porto. Enquanto na soma classificativa por equipas o FC Porto também venceu coletivamente, repetindo o triunfo por equipas obtido no ano anterior, também

Dessa feita, nos jornais de Felgueiras, embora tendo a festividade merecido registos, não foram mencionadas as classificações. Sabendo-se contudo os resultados mais salientes pelo que consta no relatório Anual do FC Porto. 

Com a dupla vitória em 1951 o FC Porto recebeu a “Taça Câmara Municipal de Felgueiras” do 2º Circuito de Felgueiras (6-5-951) – conforme consta do relatório anual do FC Porto de 1950-1951. No qual estão também registadas as classificações dos restantes ciclistas do FC Porto.

E assim Aniceto Bruno terminava em beleza sua longa carreira, pois desse modo no ano de sua despedida e ainda antes de pousar a bicicleta (que aconteceria após a Volta a Portugal), ele venceu esse 2º Circuito de Felgueiras, na ao tempo ainda vila de Felgueiras, em pleno Douro Litoral e interior do distrito do Porto, ficando marcado em seu percurso de ciclista a data de 6 de maio do ano de 1951.

 Equipa do FC Porto de Ciclismo de 1951, participante na XVIª Volta a Portugal em Bicicleta - da esquerda para a direita: Dias dos Santos, Fernando Moreira de Sá, Luciano Moreira de Sá, Amândio Cardoso, Joaquim Costa, Onofre Tavares, Amândio de Almeida, Aniceto Bruno e Joaquim Sá.

Nas páginas do referido relatório de Gerência do FCP estão também enumeradas as taças que ficaram na posse do clube nesse período, constando os trofeus do Circuito de Felgueiras. Como se pode ver pelos números 788 e 852 da lista respetiva. Além de se poder verificar como na época proliferavam os circuitos realizados por muitas terras do país.





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Nota: O conhecimento pessoal deste apontamento sobre o Circuito de Felgueiras, como está subentendido, foi e através da transmissão oral ouvida em tempos idos a pessoas mais velhas, e depois através de pesquisas em jornais antigos de Felgueiras, bem como seguidamente pelo referido Relatório de Gerência de FC Porto de 1950-51, que como tal registava as classificações relativas ao clube. Não constando todavia qualquer imagem fotográfica nos jornais de Felgueiras relativamente a esses I e II Circuito de Felgueiras.

Armando Pinto

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quinta-feira, 28 de abril de 2022

Sobre o I e II Circuito de Ciclismo de Felgueiras...

Felgueiras já teve um Circuito oficial de Ciclismo, realizado em dois anos dentro do programa de festas da anual Feira de Maio, no princípio da década os anos 50 – o I e II Circuito de Felgueiras, com ciclistas famosos, à época chamados Independentes (mais tarde Profissionais e de Elite). Já em tempos fiz uma crónica sobre isso. E esse será o tema de um próximo artigo, após investigação mais detalhada em jornais antigos de Felgueiras.

Armando Pinto

terça-feira, 26 de abril de 2022

Um livro de vez em quando… “Associação Casa do Povo da Longra 60 Anos ao Serviço do Povo” (historiador da C. P. L. – publicado em 1999)

No dia em que a Casa do Povo da Longra comemora 83 anos de existência, vem a propósito recordar que em 1999 foi publicado um pequeno livro a historiar a instituição, por ocasião comemorativa do então Sexagenário, em 1999. 

Livro esse, da lavra do autor deste blogue também, a assinalar o programa comemorativo, à época, com registo extensivo do historial da mesma Casa, fundada a 26 de abril de 1939 por Despacho Ministerial, a corresponder a processo histórico que deu sequência à antiga e anterior Associação Pró-Longra.

Dessa publicação juntam-se imagens da capa e de algumas das suas páginas, como ilustração.


Armando Pinto

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