Espaço de atividade literária pública e memória cronista

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Felgueiras em páginas especiais, cadernos e suplementos de jornais nacionais

Em sequência a anteriores amostras de publicações temáticas Felgueirenses, merecerá aqui alguma atenção, também, um vislumbre por alguns cadernos e suplementos jornalísticos, além de páginas de cariz especial que tiveram publicação em edições de jornais de âmbito nacional. Contendo reportagens, ligeiros estudos e ensaios relativos a esta terra nossa felgueirense. Entre suplementos de jornais nacionais apenas, dos que chegaram ao conhecimento do autor destas lembranças, chegando então a ficar na posse colecionista pessoal. No interesse afetivo quanto a documentação histórica.

Em tal ordem será o mais antigo o caso do jornal portuense O Primeiro de Janeiro (ao tempo feito em formato tabloide, de tamanho grande), que na sua edição de 4 de Maio de 1929 dedicou uma página inteira sob título “Felgueiras: Um concelho cheio de tradições e belezas”.

Nessa reportagem, de página grande, constam ainda alguns anúncios que fazem ainda notícia de existências locais desse tempo, por exemplo.

Ainda no plano da imprensa pátria, Felgueiras foi incluída em número especial do jornal O Século, na sua edição de 28 de Maio de 1935. Nesse suplemento daquele famoso jornal de Lisboa, no âmbito comemorativo do movimento que alterara o estado político da nação, fazendo na ocasião balanço de nove anos do regime (implantado após o 28 de Maio de 1926), houve desse modo uma apresentação de obra feita no país, de apologia à «obra do Estado Novo». Assim, distribuindo os temas por distritos, ali no referido jornal, entre o espaço atribuído ao Distrito do Porto, Felgueiras (em crónica intitulada “O Município de Felgueiras”), teve referência, segundo destaque, como havendo até então despendido, desde 1926 a 1935, «a importante verba de 1.029 contos em melhoramentos na sede do concelho e nas freguesias». Cujo recorte já aqui foi registado num artigo anterior.

Com intervalo de tempo, o jornal Primeiro de Janeiro executou um suplemento, dentro de números semanais sobre concelhos, da coleção “PJ Terça”, a 13 de Março de 1979 – intitulado “Felgueiras-Indústria conduz ao progresso”. Nesse caderno, de formato A5, foi feita uma espécie de excursão sobre a Felgueiras dessa era esperançosa. 

Quase de seguida, ainda em espaço especial jornalístico, O Comércio do Porto, no seu número de 28 de Setembro de 1979, desenvolveu descrição do concelho de Felgueiras numa página inteira (ainda em tempo de formato tabloide) e continuação em parte doutra página, sob rubrica Especial Turismo, com o tema de «Felgueiras-A Pátria do Genuíno Pão de Ló».


Mais tarde, novamente em espaço jornalístico, volvidos tempos voltou O Primeiro de Janeiro com outro suplemento, a 24 de Dezembro de 1982, dentro do Caderno PJ Regiões, dessa vez com o título «Felgueiras-Rendas em terras de Ló».

Anos depois houve novo suplemento, por iniciativa d’O Comércio do Porto em 31 de Dezembro de 1984, a que foi dado título de «Felgueiras-Com sapatos de sete léguas a caminho do futuro».


Continuando essa sequência, mais tarde, com outro suplemento d’O Primeiro de Janeiro em 8 de Janeiro de 1985, denominado «Felgueiras-Gente Laboriosa».

Ainda na área jornalística, Felgueiras teve também uma página deveras especial no Jornal Ilustrado, de 27-5-1988, a fazer reportagem sobre uma pioneira juíza judicial que, de Lisboa, veio conhecer uma terra onde, «a par da riqueza material, é notória a pobreza cultural de Felgueiras» (em peça de cabeçalho «Margarida Rosa: “Aquela menina é o juiz?”» (que para aqui se não traz em ilustração, por motivos óbvios). E, logo depois, a 13 de Outubro de 1992 foi a vez de mais um suplemento d’O Primeiro de Janeiro, em caderno “3ª Especial”, sob título «Felgueiras».

Após isso, e contando só coisas do género de cariz nacional, em Julho de 1998 houve novo suplemento jornalístico, aparecendo o Caderno Especial d’O Primeiro de Janeiro de 19-7-98, sobre «Bordo Fino em Felgueiras».

De âmbito externo, em 1998 o Euroregiões-jornal regional de âmbito nacional e comunitário também dedicou espaço a Felgueiras. Tendo de seguida, em Setembro de 1999, Felgueiras sido incluída em reportagem do Jornal Europeu, in «Felgueiras e Suas freguesias».

Mais tarde, em Janeiro do ano 2000, O Primeiro de Janeiro em 31-1-2000 editou suplemento intitulado «Lixa».

Chegado 2004, em número de 06-02-2004, o tradicional “O Primeiro de Janeiro- Regiões”, dedicou caderno-suplemento intitulado «Felgueiras-Prémio Nacional municípios de futuro».

Depois disso, em 2006, o jornal O Primeiro de Janeiro voltou com dois cadernos quase seguidos, um com data de 26-01-2006 e outro de 03-4-2006 - «Felgueiras II / Iniciativas de Sucesso».


Naturalmente, entre as referidas atenções dos órgãos de comunicação, não contam as notícias, de permeio chegadas por meio dos diários ou periódicos de fora da terra, ao longo dos anos, nem, sobretudo, as muitas colunas e textos que, devido ao caso do chamado “saco azul” municipal, levaram o nome de Felgueiras por todo o espaço de leitura informativa em língua portuguesa.

Daí até à atualidade, quando atualizamos estes registos, apenas tivemos conhecimento que em Junho de 2011 o diário nacional Jornal de Notícias publicou um pequeno caderno-suplemento, de apenas 4 páginas, sobre a Festa de S. Pedro em Felgueiras. Ao qual também já neste blogue dedicamos atenção anteriormente.

Eventualmente, do que estará para trás, poderá ter existido qualquer outra publicação similar, por exemplo, que tenha ficado desconhecida aqui do interesse pessoal. Ficando desta forma, dentro do possível, guardada tal vertente de perpetuação, qual escaparate deste género publicista felgueirense, da coleção existente com ligeiros informes relativos a Felgueiras, seja com carácter historiador e descritivo ou de reportagem concisa.

Armando Pinto

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sexta-feira, 1 de abril de 2022

+ (Mais) uma publicação com temas de Felgueiras para a coleção pessoal – Revista “+mais magazine” de março 2022 com referência a um restaurante felgueirense (Caffé-Caffé)

Por gentileza de oferta amiga, chegou às mãos aqui do autor destas lembranças uma revista mais para a coleção pessoal, engrossando assim o acervo de publicações que se vão juntando, em arquivo particular, com tudo o que ajuda a documentar o interesse por quanto respeite a assuntos do concelho de Felgueiras. Desta feita tratando-se de um exemplar duma revista de âmbito nacional, a “+mais magazine” de março 2022, com uma página dedicada ao restaurante felgueirense Caffé-Caffé, do amigo Vítor Carvalho (casa que é também patrocinadora da equipa de ciclismo W52-FC Porto, da qual é principal responsável o empresário felgueirense Adriano Quintanilha, que como se sabe tem sede social em Felgueiras). Sendo a reportagem e o interesse do caso por reportar a mais um motivo de orgulho para o Ego Felgariano, vendo-se como ao longe quem tal vir e ler terá conhecimento de algo mais que dignifica Felgueiras e convida a visitar a nossa região.








Armando Pinto

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domingo, 27 de março de 2022

No Dia Mundial do Teatro – Lembrança do já saudoso mais recente Grupo de Teatro da Casa do Povo da Longra

 

O Dia Mundial do Teatro celebra-se anualmente a 27 de março.

Na oportunidade, apenas como lembrança, recorda-se que a Longra foi já um centro cultural de grande tradição teatral. Como ficou devidamente registado na monografia historiadora do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997, e mais tarde no livro sobre o mais recente grupo de Teatro da Casa do Povo da Longra – “Grupo de Teatro da Casa do Povo da Longra - sete anos na Arte de Talma Associativa”. Por ocasião do seu 7º aniversário, em 2003. Quando o Grupo existiu, ainda durante a presidência (na mesma instituição) do autor do mesmo livro e destas lembranças.


= Capa e contra-capa do livro comemorativo do 7.º aniversário do  (até agora) último Grupo de Teatro da Casa do Povo da Longra. 

Armando Pinto

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sexta-feira, 25 de março de 2022

Artigo no Semanário de Felgueiras – de apreciação ao livro ARTE E SAGRADO (na escultura de Ilídio Fontes) de José Melo

Edição de 25 de março de 2022 – página de Diversos e coluna de Opinião, do S. F.


Artigo da normal colaboração pessoal ao jornal concelhio Semanário de Felgueiras, que antes havia já sido publicado na edição on line do site do mesmo e desta vez teve publicação na edição de papel, na página 2:

ARTE E SAGRADO (na escultura de Ilídio Fontes) – Livro de José Melo

A vida é feita de diversificadas sensações, condimentada ou insossa mediante as vivências relativas. Tendo bom sentido quando e enquanto dá gosto. Como quem chega a avô sabe que ter netos é ter afetos, sentindo redobradamente o que é gostar desses rebentos que dão ser e continuidade à vida; bem como quem tem filhos, plantou árvores e escreveu algum livro sente algo especial por andar no mundo. Também assim, embora em escala diferente, mas sensível, ressoa nos nossos sentidos o dom da vida de algum livro que surge como segmento de alguém com que nos identificamos. Como é o caso agora com “ARTE E SAGRADO”, de José Melo, sobre "O Sagrado na escultura de Ilídio Fontes". Obra literária saída de pessoa de boa relação, sendo livro cativante, quão logo se lê com interesse ao primeiro olhar e de seguida se lhe toma apetite. Como aqui o autor destes apontamentos teve ocasião de se inteirar, ao ter em mãos esse volume de qualidade gráfica a condizer.

Ora o autor dessa obra, o Dr. José Melo, é um conterrâneo felgueirense, de fácil amizade e admiração pessoalmente granjeada à sombra das letras dedicadas a temas comuns, nomeadamente pela nossa ligação à memória do felgueirense Padre Luís Rodrigues. Com suas raízes naturais e afetivas brotadas por Penacova e Lagares, mas naturalmente alastradas por todo o concelho felgueirense também natal do Padre Luís da Lapa e aqui deste seu amigo destas regrazinhas de apreciação. Sendo ele, José Joaquim Leite de Melo, até ainda há pouco tempo professor de Filosofia, e sempre continuando filósofo de missão pela vida adiante.

Aposentado da Escola Artística de Soares dos Reis, do Porto, José Melo lecionou aí consecutivamente durante cerca de 30 anos, tendo anteriormente exercido essa função docente na Escola Secundária de Gondomar. Enquanto já anteriormente, tendo sido colega do Professor Ilídio Fontes, até à aposentação deste, foi por ele desafiado para escrever sobre a sua Arte Sacra.

Para uma melhor análise, seguimos o que o próprio autor anotou: «A ideia central que orientou a temática do livro foi a de realçar a identidade da Escultura, e em particular a de carácter religioso, mas também reforçar uma tese fundamental que nada possui de extraordinário, mas é, com muita frequência, secundarizada. No contexto de uma grande efervescência criativa da Arquitectura religiosa (veja-se apenas o exemplo da Basílica da Santíssima Trindade em Fátima, a Igreja de Santa Maria do Marco de Canaveses, A Igreja de Nossa Senhora de Fátima de Lagares, Felgueiras, ou a cripta da Igreja de Rio Tinto), pareceu muito paradoxal e estranho que a Estatuária e as Imagens religiosas se mantivessem numa linguagem plástica, estético-artística, demasiado academistas ou “clássicas”, como se os verdadeiros criadores de imagens devessem ser “apenas e só” os chamados Santeiros, sem menosprezo pela qualidade de muitos. Foi esta temática que orientou a elaboração do texto, cujo contexto pictórico e gráfico é da exclusiva competência de Mestre Ilídio Fontes que quis, de modo singular, exprimir a dimensão pedagógica da sua obra, incluindo no livro esquissos, desenhos, ensaios, por forma a realçar o trabalho de elaboração mental (e manual obviamente), da actividade de um artista que continua, aos 83 anos, a executar diariamente, no seu ateliê, aquilo que acabou por ser a sua vocação. »

O livro teve entretanto já apresentação pública na Maia e no Porto. Havendo-se intrometido de permeio as restrições e cautelas da pandemia Covid, está ainda em mente também tal ocorrer proximamente em Felgueiras.

Como se sabe, mas nunca é demais confirmar, com mais isto, ainda Felgueiras tem gente de grande estaleca cultural, quão vai dando letras ao mundo da escrita, em apreço às artes.


ARMANDO PINTO

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quinta-feira, 24 de março de 2022

Recordando: Quando a equipa de ciclismo W52 Quintanilha-Felgueiras teve vitórias memoráveis sobre a meta !

No princípio da década dos anos 90, quando existiu a equipa de ciclismo W52 Quintanilha-Felgueiras, entre diversos resultados algo salientes, houve também algumas vitórias em etapas. Como se pode recordar, ao acaso, por esta imagem de jornal da ocasião. Conforme em 1992 ocorreu no final da etapa de São João da Madeira, da Volta a Terras de Santa Maria da Feira, em que foi 1° Fernando Valente e 2° Paulo Pinto, com a camisola amarelo-púrpura felgueirense, ambos a fazerem assim a chamada “dobradinha” (de 2 primeiros classificados) para a W52 Quintanilha-Felgueiras. Um dos momentos assim possíveis de recordar, como memória de interesse dessa existência  duma das anteriores equipas de ciclismo de Felgueiras, como houve os casos da Zala e depois da W52 Quintanilha-Felgueiras. Honras do passado, como agora Felgueiras é honrada como contemplada em ter a sede social da equipa atual W52-FC Porto.  

Armando Pinto

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terça-feira, 22 de março de 2022

Imagem antiga da Casa do Pão de Ló de Margaride-Felgueiras no Porto - anos 20, séc. XX

Uma imagem interessante e histórica: - Aspeto antigo da baixa da cidade do Porto, em parte da Rua 31 de Janeiro, na ocasião de passagem de um grupo de motociclistas a descer essa rua, vendo-se o estabelecimento do Pão de Ló de Margaride, então existente no Porto, em plena década dos anos 1920.

O Pão de Ló de Margaride original, sendo como se sabe de Felgueiras, onde foi criada a Casa de Leonor Rosa da Silva desde o século XIX, teve entretanto outras filiais, entre as quais esta casa do Porto, como "depósito" representante da empresa felgueirense na capital do Norte e sede do distrito portuense.


= Imagem, com a devida vénia, do blogue "Porto Antigo" =

Armando Pinto.

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domingo, 20 de março de 2022

Relembrando: Foral do Unhão

 

A 20 de março de 1515 D. Manuel I outorgou foral ao Unhão, mais propriamente à Honra do Unhão. Este documento abrangia igualmente as honras de Meinedo (Lousada) e de Cepães (Fafe) divisões que pertenciam igualmente ao Conde de Unhão.

No recenseamento de 1527 referem-se expressamente as seguintes freguesias: S. João de Macieira, S. Tiago de Rande, Santa Cristina de Nogueira, S. Cristovão de Lordelo, S. Salvador de Unhão, S. Mamede de Alentem, Santa Maria de Vilar do Torno, Santa Marinha da Pedreira, S. Pedro Fins do Torno, S. João de Sernande, S. Miguel de Varziela, S. Mamede e Vila Verde, S. Miguel de Lousada.


Passou em 2015 a data comemorativa de 500 anos desde que no tempo do rei D. Manuel I foi dado Foral ao antigo concelho do Unhão. Cuja evocação teve lugar  na sede da Misericórdia do Unhão (antigo Paço dos Condes) e na igreja paroquial de São Salvador de Unhão, à área atual da União de Freguesias de Unhão e Lordelo, através de programa organizado pela Câmara Municipal de Felgueiras 

Associando a recordação desse acontecimento, escrevemos na ocasião um pequeno texto alusivo, dentro da habitual colaboração publicista colocada normalmente ao dispor do interesse geral, através de crónica tendente a motivar a mística felgueirense. Que apraz novamente relembrar, desse artigo chegado ao público pelo Semanário de Felgueiras.


Assim sendo, dessa vez, no SF, a tónica regular desenrolava-se no àmbito da mesma ocorrência, conforme o artigo publicado:


Gado de Vento e o meu Avô da Quinta…

Está na ordem do dia a comemoração da outorga do Foral Manuelino ao antigo concelho de Unhão, cuja carta régia foi passada por D. Manuel I, o rei venturoso português, está a fazer agora quinhentos anos.

Sendo que sobre isso muito está escrito e, por certo, nesta ocasião, muito será referido do que tem sido redigido, ao longo dos tempos, afloramos acrescento de algo relacionado ao tema, por quanto esse facto histórico nos toca, nos trilhos da história calcorreada por nossos antepassados. Na sequência do que publicamos no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, editado em 1997, no qual desenrolamos um capítulo sobre a Honra, Julgado e posterior Concelho do Unhão, entre os antigos Alfozes da organização regional. Tendo aí sido estudado, e pela primeira vez publicado, um princípio de apreciação pública sobre o referido documento. Estudo esse que, mais tarde, serviu de achega contributiva à monografia de Cepães, por exemplo, conforme pudemos ajudar o seu autor, entre diversos casos. Sabendo-se que o Foral do Unhão contemplava outros parâmetros, como terras jurisdicionais de antigas circunscrições de Cepães, de Fafe, Meinedo, de Lousada, etc.


Ora no Foral do Unhão, entre a matéria medieval ali contida, há uma expressão deveras interessante. A nomeação de um tal “gado de vento”, do que havia pela região. Tanto quanto sabemos, dava-se este nome nalguns forais, e mais papéis antigos, ao gado de toda a espécie que era encontrado sem dono. Tratando-se de uma expressão muito antiga, quase sempre usada nos documentos do género, com o sentido coletivo, para designar alguns animais extraviados, isto é, de que não se conhecia dono, mais precisamente que andava a monte, bravio. Esta expressão já aparecia no Código Visigótico. Chegando a ser referenciada nalgumas Ordenações do Reino. Contudo, também por quanto pudemos saber, localmente esta denominação era dirigida aos enxames de abelhas, sabendo-se que, em caso de abespinhamento, uma comunidade dessas podia sair de uma colmeia e acabar por pousar em local indeterminado. Havendo inclusive regras de honra quanto a essa realidade, respeitando o poiso escolhido por um enxame que mudasse de sítio, passando a ser de quem o conseguisse atrair a um cortiço seu… Sendo, como era, a região deveras atrita à lavra das abelhas, como mais tarde ficou nas armas heráldicas felgueirenses, na identificação concelhia que vingou.

De tenra idade ouvi essas dicas de meu avô materno, um expert famoso na região, em seus tempos, de tudo o que respeitava à criação de abelhas e derivado mel. O meu avô da Quinta, como era mais conhecido o avozinho António, tal o seu nome de baptismo, António da Costa conforme o registo lavrado na repartição de Felgueiras. Um senhor de respeito nos idílicos tempos da monarquia, oriundo de família respeitada, como filho de fora de uma família fidalga da zona, precisamente do Unhão, com um rosário de tradições, que se fez à vida e era uma espécie de feitor na Casa da Quinta, de Rande. Proprietário, com uma moradia na Longra comprada através duma tença recebida de seu pai, e sobretudo pessoa culta, que guardava muita literatura de seus tempos, de cujo rol um neto ainda conseguiu salvar alguns romances de cordel, desse tempo, como a história do Zé do Telhado em verso… e outro neto herdou o gosto pela apicultura.


= O meu "Avô da Quinta", em pose normal numa idade mais jovem e depois junto às suas colmeias, num dos quintais da Casa da Quinta =

Pois o Avô da Quinta falava muito sobre esse tal gado de vento. Ele que nos quintais da Casa da Quinta muito mel tirou de suas abelhas. Curiosamente nessa mesma Casa da Quinta onde era o remanso dum grande benfeitor da Misericórdia do Unhão, o senhor Luís Teixeira, recordado perenamente numa lápide da frontaria e num quadro do mesmo solar condal e conventual do Unhão. Enquanto ele, o meu avô materno, estava horas à beira das suas abelhas, sabendo de tudo o que elas precisavam e faziam, como convivendo com sua existência ao vento, a dar às asas da vida a leveza de seu voo existencial.



= O acima referido senhor Luís de Sousa Teixeira em quadro constante da galeria dos beneméritos da Misericórdia do Unhão - em panorâmica de quadros reportados ao então Capitão João Sarmento Pimentel, à época autor de importante verba estatal atribuída oficialmente à instituição (sendo ele nesse tempo chefe de gabinete dum ministério governamental); seguindo-se quadro do mesário e provedor Luís Teixeira, homenageado também com uma lâpide na frontaria da casa; mais D. Carolina Mendonça, que tomou a seu cargo a edificação da capela privativa do hospital e convento; e ainda o Dr. António Barbosa Mendonça, Conselheiro de Rande, que custeou as obras de remodelação do edifício da Misericóridia, sob projeto de seu amigo sr. Luís Gonçalves... (conforme registamos no livro "Luís Gonçalves: Emanuense-Engenheiro da Casa das Torres"). =

ARMANDO PINTO


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