Espaço de atividade literária pública e memória cronista

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Francisco Sarmento Pimentel e a Casa da Torre: 1ª atividade de “FELGUEIRAS CULTURAL ON TOUR”, a 23 de maio.

“FELGUEIRAS CULTURAL ON TOUR”  – Francisco Sarmento Pimentel e a Casa da Torre é a primeira  atividade e decorre no dia 23 de maio.

A Câmara Municipal, através do projeto “Felgueiras On Tour” que se realizará aos domingos de manhã, promove o seu património cultural.

A primeira atividade que integra este projeto irá assinalar os 125 anos do nascimento de Francisco Sarmento Pimentel  através de uma exposição dedicada a este ilustre Felgueirense que nasceu na casa da Torre, freguesia de Rande.

A mostra “Francisco Sarmento Pimentel (1895-1988): Um pioneiro da aviação em Portugal e um opositor ao Estado Novo” está patente na Biblioteca e Arquivo Municipal de Felgueiras até ao dia 31 de maio.

No dia 23 de maio realizar-se-á uma visita à exposição seguida de uma visita à Casa da Torre, onde o arqueólogo José Ribeiro e a Dr.ª Teresa Sarmento Pimentel nos falarão sobre a evolução arquitetónica da Casa da Torre. Pela voz do Dr.º João Sarmento Pimentel ficaremos a conhecer um pouco da história da aviação em Portugal, na qual o seu tio, Francisco Sarmento Pimentel, protagonista da primeira viagem aérea de Portugal à Índia, tem o nome gravado.

Programa para dia 23 de maio

10H00 – Biblioteca e Arquivo Municipal de Felgueiras

  • Mostra documental “Francisco Sarmento Pimentel (1895-1988): Um pioneiro da aviação em Portugal e um opositor ao Estado Novo”
  • A evolução arquitetónica da Casa da Torre
  • A história da aviação em Portugal

Atividade sujeita a inscrição.

Inscrições até ao limite de 25 pessoas

Inscrições para o e-mail: biblioteca@cm-felgueiras.pt  até às 15h00 do dia 21 de maio.

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terça-feira, 18 de maio de 2021

Efeméride da subida do FC Felgueiras 1932 à 2ª Divisão B Nacional/Campeonato de Portugal

 O amigo Eduardo Teixeira na sua página do facebook lembrava hoje, e bem, que nesta data «é dia de relembrar um dos momentos mais brilhantes das últimas décadas» … Sendo obviamente dele os créditos da lembrança momentânea, que se releva porque na verdade dá azo a que aqui se possa recordar mais uma efeméride!

Com, efeito, em maio de 2013 o FC Felgueiras 1932 subiu à então 2ª Divisão Nacional B, que desde a época seguinte se passou a chamar Campeonato de Portugal (até ao final desta época de 2020/21, para na próxima haver novas mudanças). Tendo esse feito do Felgueiras sucedido ao do ano anterior, em que o clube mais representativo de Felgueiras foi campeão da Divisão de Honra da AF Porto e, em maio de 2012, subira então à 3ª Divisão.

Pois maio é mesmo um mês com diversas afinidades locais, entre as quais essas e outras ligadas à história do desporto felgueirense.

Disso, entre recordações presentes na retina da memória, mas também alguma documentação guardada, juntam-se imagens dos jornais locais correspondentes a esses dois feitos. De quando em 2012 o FC Felgueiras foi Campeão da Divisão de Honra da AF Porto, e em 2013 subiu depois à 2ª Nacional.

Armando Pinto

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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Artigo no JN em tempos idos… agora a propósito da próxima jornada cultural sobre o piloto da 1ª Travessia Aérea de Portugal à Índia.

Na calha da próxima realização memorial sobre o felgueirense heroico dos tempos pioneiros da aviação internacional, Francisco Sarmento Pimentel, recorda-se um artigo em tempos publicado no grande diário nacional Jornal de Notícias.

Relembre-se que no próximo domingo terá lugar em Felgueiras uma jornada cultural a fazer memória desse felgueirense saliente, Francisco Pimentel, através da abertura duma exposição evocativa, na Biblioteca Municipal de Felgueiras, seguida de visita à casa onde ele nasceu, a Casa da Torre, em Rande. Como entretanto divulga em pormenor e oficialmente a Câmara Municipal de Felgueiras.

Pois sobre esse conterrâneo ilustre… teve então lugar no jornal mais lido em Portugal um artigo dedicado ao autor e piloto do 1º voo entre Portugal e a Índia, em texto saído a público no dia 5 de outubro de 1986, inserto em espaço então chamado JN Domingo, usual nas respetivas edições dos domingos nesse tempo, do mesmo jornal. Cuja publicação, assim, nesse domingo e feriado nacional, via a luz pública no dia comemorativo da implantação da República em Portugal, a que ficara ligado João Sarmento Pimentel, irmão do aviador, tendo ambos os irmãos Pimentéis depois como oposicionistas do Estado Novo seguido o caminho do Exílio político.

Pelo tamanho das páginas, porque ao tempo o jornal era publicado em formato muito grande, dá-se visualização total através de fotografias. E para possibilitar leitura, transporta-se o texto em digitalização dividida e anexa em duas metades, como se pode ver e ler.


Armando Pinto

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sábado, 15 de maio de 2021

Padre Luís Rodrigues: Felgueirense Ilustre, figura cultural portuense e célebre mestre musical

 

«...Parece-me que o mundo de hoje anda muito à procura de processos de evangelização, porque pensa que o problema está na mecânica dos processos. E, como assim, anda o mundo descrente de muita coisa, porque só vê movimentos externos e não descobre a sua verdadeira alma interior. O seu lume, o seu Espírito.».

Era assim que o Padre Luís da Lapa, eminente Filho de Felgueiras, via a consciência global, nos alvores da década de setenta, no século XX.

= Fotos do percurso de Luís Rodrigues ao tempo de  Seminarista, com familiares, amigos e colegas...

Também, duma das suas homilias, das famosas pregações breves e incisivas que fazia, se pode retirar à posteridade uma outra passagem de suas reflexões. Então, certa vez em que desenvolveu tema sobre a Personalidade Própria, com que analisava numa homilia aquela parte do Evangelho onde ficou descrito quando Jesus estava a expulsar o demónio de um mudo, e depois de referir que o mesmo satanás tanto pode aparecer como demónio como também feito anjo, quais mudos que surgem a qualquer um em diversas facetas da vida, tentando anular as personalidades autênticas de cada qual, acrescentava: «O mesmo se passa na política e em muitas outras áreas. Ou desenvolvemos e afirmamos o nosso próprio “eu”, e as capacidades que nos foram dadas, ou não passamos de um zero na vida, e não estamos dentro do plano da realização actual da vida que nos foi dada.»

Isto, dito assim, em tempo de ditadura política Salazarista, que atirara para o exílio o Bispo do Porto, D. António... Revelava coragem e faz compreender lendas de audições do Padre Luís na sede da “Pide” no Porto.

= Monumento (de que na foto se faz sobressair a parte superior), com busto e respetiva peanha, colocado no adro lateral da igreja da Lapa, no Porto, em honra do Padre Luís de Sousa Rodrigues – escultura da autoria de Irene Vilar e inaugurado pelo Bispo do Porto D. António Ferreira Gomes. =

É esse Padre Luís que o Povo de Felgueiras, mas não só, deveria conhecer bem. Na vertente intelectual e humanista, junto à sua lavra artística, como ainda na feição humana e sentimental.

*

Com esse fito procurou-se, oportunamente, fazer algo para que as gentes locais ganhassem algum pecúlio de apreciação valorativa, também nesse especto. Como foi do conhecimento de significativa franja da atenção conterrânea, decorreu durante parte do ano de 2004 uma sequência comemorativa da passagem de 25 anos sobre a morte do Padre Luís de Sousa Rodrigues, o distinto Felgueirense em causa, qual figura de proa da cultura como da música eclesial, além de sacerdote com grande carisma na diocese do Porto, como afinal na Igreja Portuguesa e compositor famoso aquém e além-fronteiras.

O Padre Luís Rodrigues entretanto foi alvo de significativa homenagem em 2004 na sua freguesia natal, tendo sido colocada pela Junta de Freguesia de Rande, ao tempo da presidência de Vitor Pedro Ribeiro, uma placa alusiva na casa onde nasceu, na Fonte (que à época de seu nascimento pertencia ao lugar da Bouça, nome depois desaparecido com as transformações ambientais verificadas na sucessão dos tempos), em Rande. 

= Igreja de Rande, onde foi batizado e Casa da Fonte onde nasceu. Mais instantâneo do descerramento da lápide assinalável, que ficou na mesma casa de seu nascimento. = 

Aconteceu que a nível concelhio, apesar do que fora entretanto realizado em sua homenagem (sobretudo com exposição bio-bibliográfica na sede concelhia e finalmente a atribuição de seu nome a uma rua de Felgueiras), constatava-se porém na convivência normal que ainda não havia correspondente conhecimento geral, relativamente ao nome desse Ilustre Felgueirense, notando-se continuar a não ser muito acentuado no domínio público o devido preito pela sua vida e obra, da qual não houvera de permeio assimilação exata, para não dizer que sobre ele ainda pairava um quase total desconhecimento.     

= Panorâmica ambiental e humana da inauguração da Exposição na Biblioteca Municipal de Felgueiras – Julho de 2004. =

 

= Descerramento da placa da Rua Padre Luís S. Rodrigues, na sede concelhia de Felgueiras, pelo então Presidente da Câmara de Felgueiras em exercício, Dr. António Pereira, e pela Vereadora da Cultura, ao tempo, Dr.ª Margarida Sousa. = 

Então, para que pudesse e possa haver, se possível, melhor reconhecimento, ou seja para evocar mais amplamente a figura de tão insigne conterrâneo, de modo a que daí resultasse plena visão de sua dimensão e frutifiquem suas virtudes, houve, por fim, uma Conferência na Casa do Povo da Longra, dedicada à memória do Padre Luís Rodrigues, ato público que teve lugar a 27 de Novembro, de 2004, nas instalações da Associação Casa do Povo local.

Tal acontecimento teve por fundo uma dissertação, proferida solenemente pelo Cónego Dr. Ângelo Alves, da Cúria Diocesana do Porto, expressamente convidado para o efeito, como Orador dessa sessão pública organizada pela Direção da Associação respetiva, que mereceu lugar reservado na sala de espetáculos da mesma instituição Longrina e contou com aliciante programa. 

= Descerramento (pelo palestrante Cón. Dr. Ângelo Alves, na companhia do Presidente em Exercício da Câmara de Felgueiras e pelo Presidente da Associação organizadora), da lápide alusiva, que ficou a assinalar a primeira conferência realizada na Casa do Povo da Longra, dedicada a um personagem ilustre natural da região, na mais representativa Associação local – Novembro de 2004. =

 

= Mesa da Conferência sobre o Padre Luís Rodrigues, na Casa do Povo da Longra: O conferencista, Dr. Ângelo Alves, no uso da palavra, ladeado pelo então presidente da instituição e responsável da organização, pelo pároco de Rande, mais o Presidente da Câmara em exercício e o presidente da Junta de Rande.=

No intuito também de vincar quanto representa o percurso do visado personagem, o autor destas linhas publicou um livro evocativo da biografia e currículo do célebre Reitor da Lapa do Porto, intitulado “Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa”, com o qual se procurou visar o mesmo fim, aliando simultaneamente essa tentativa documental, com apresentação coincidente na ocasião.

Dessa realização, terá cabimento registar a marca de autenticidade dada na formação de mesa d’ honra, com autoridades civis e religiosas, atingindo auge por meio da palestra de fundo, cuja presença do referido ilustre orador ficou perpetuada com descerramento de uma lápide alusiva.

De uma espontânea opinião ali emitida, na leitura das comunicações recebidas, se pode sintetizar o evento: “...no meio do ambiente natural, a Associação Casa do Povo dá valor às pessoas de valor, fazendo lembrar uma expressão de um antigo Presidente da Academia de Ciências, quando disse «mediocridade atrai e promove mediocridade; o valor atrai e promove o valor».”

Em suma, acrescentamos, tal qual nem só de pão vive o homem, rematou-se com a referida realização uma possibilidade de fortalecimento espiritual, no sentido moral e cultural. Que, como dizia o Padre Luís Rodrigues, «na Compreensão está o vislumbre do Espírito».

*

Na sequência à razão de procurar honrar a memória do Padre Luís Rodrigues, procurou-se sempre dar continuidade aos estudos sobre tudo o que lhe diz respeito, numa simbiose atenta entre o autor destas linhas e outros interessados entusiastas, o amigo sr. José António Araújo, do Porto, mais o Dr. José Melo, Felgueirense residente também no Porto, de mãos dadas na pesquisa e inerente divulgação, visando complementações possíveis de dignificar a comemoração de seu centenário, em 2006.

Para superar certas formas limitadas de apreciação, nunca é de mais contemplar quem honra a terra, mesmo que num universo já a fazer parte do passado, e não só olhar ao que nos rodeia de momento. Pois que, neste caso, o Padre L. Rodrigues foi Alguém muito apreciado, também pela sua especialização musical, até ou sobretudo no estrangeiro. Como pela vertente humana, subjacente no seu Apostolado.

 = O Padre Luís da Lapa com o seu amigo e célebre Bispo do Porto D. António Ferreira Gomes

Além do que se aludiu e ficou escrito anteriormente, noutras publicações, acresce, de entre diversas descobertas interessantes, que se passou a conhecer mais algumas curiosidades relativas ao percurso e ao valor do Padre Luís Rodrigues:

Assim, apercebemo-nos que também o muito conhecido compositor Fernando Lopes Graça, por sinal nascido no próprio ano do P.e Luís, igualmente esteve em Paris, tal como L. Rodrigues, a estudar com Charles Koechlin.

De particular apreço, descortinou-se também verificação de dado sintomático, quanto à sua importância: o facto de em 1977 uma publicação estrangeira haver integrado o Padre Luís de Sousa Rodrigues entre os grandes vultos da música. Com efeito, foram então incluídas algumas das suas composições na antologia inglesa, sobre grandes compositores mundiais, denominada “International Who’s who in Music”, de Cambridge-England, a qual, na correspondente oitava edição publicada em 1977, menciona as principais obras do mesmo compositor português e felgueirense.

Como, intercalando apêndices sempre possíveis sobre ele, se ter passado a saber que, entre os coros que ficaram ligados ao currículo do P.e Luís Rodrigues (p. ex. os da Sé do Porto, de S. Tarcísio e Gregoriano do Porto), esteve também o das Pequenas Cantoras do Postigo do Sol, coral que durante anos abrilhantou uma das missas da igreja da Lapa, sob regência do maestro e professor Vergílio Pereira (natural de Paredes, onde nascera em 1900, tendo vivido no Porto até falecer em 1965, sendo ligado à Lapa pela amizade com o Padre Luís).

*

O centenário do nascimento do P.e Luís Rodrigues, em 2006, foi comemorado de algumas formas.

Terá, entretanto, de se fazer notar que, quantas vezes, por desconhecimento ou desinteresse, podem acontecer simples menosprezos ou mesmo barbaridades, quando não se sabe valorizar algo até respeitável, à falta de informações para a devida instrução de dados apreciativos. Nem todos saberão, por exemplo, mas se não tivesse havido em Portugal um Homem como D. Fernando II, o rei-consorte e regente, com apreciável apego à pátria afetiva, tinha acontecido que a célebre custódia de Belém teria sido derretida para cunhar moeda; tal como, pasme-se, se ele não tivesse tido conhecimento a tempo e não houvesse impedido, o Mosteiro da Batalha ia ser destruído, pois havia sido vendido em hasta pública para servir de pedreira... (conf. Rainer Daehnhardt, in “Páginas Secretas da História de Portugal”). Ora, só se conhecendo o significado das coisas, o passado dos monumentos, bem como de pessoas de valor, enfim a associação correspondente de pessoas e objetos a uma pátria terra, se poderá valorizar a identidade coletiva. É o que se passou, por exemplo, com a referida efeméride, digna de valorização, no contexto do sentimento matriz do concelho de Felgueiras, como era a passagem do centenário do musicólogo Padre Luís Rodrigues, um insigne Filho de Felgueiras que foi reconhecido honorificamente pelo Governo Português com a Comenda da Ordem de Santiago da Espada. Tendo cabimento o “à parte” do cotejo anterior, pese as diferenças na comparação das referidas ocorrências remotas, por o aludido segundo marido de D. Maria II (conf. “Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa”) haver ficado na memória da igreja da Lapa, do Porto, onde mais tarde o “nosso” P.e Luís foi célebre reitor.

Felizmente, depois de diversos “picanços” de alertas, houve comemoração alusiva no Porto.

Então, no dia 6 de Julho de 2006, data em que se completaram 100 anos desde o nascimento do Padre Luís de Sousa Rodrigues, houve programa comemorativo a assinalar o respetivo centenário.

Na manhã do próprio dia o Coro de S. Tarcísio recordou o seu fundador, na igreja da Trindade, com um Te Deum, em cuja celebração teve acompanhamento do Coro Gregoriano do Porto.

Depois, ao fim da tarde dessa quinta-feira, teve lugar na Lapa desenvolvido ato evocativo. Recorde-se que foi às 20 horas, pelas «oito horas da tarde», que nasceu em Rande-Felgueiras Luís S. Rodrigues, corria o sexto dia de Julho de 1906, conforme registo de seu nascimento e foi narrado no livro “...Uma Vida de Prece Melodiosa”. Com respeito, realizou-se assim uma sessão solene alusiva na igreja da Lapa, onde esse famoso musicólogo foi reitor. Aí, com uma decoração centrada em quadro do Padre Luís, decorreu o ato com elevação, contando com a presença do Bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, que presidiu a mesa de honra composta por algumas figuras ligadas ao percurso do homenageado, na presença de individualidades e público fiel (onde o autor destas linhas esteve, só não sendo o único representante Felgueirense, ali, por ter estado acompanhado por sua filha e genro... e lá ter estado também o Dr. José de Melo, Felgueirense residente no Porto, mais o referido D. Armindo...).

= Visualização duma casa onde viveu quando jovem, no lugar de Valdomar, em Rande-Felgueiras (imagem já de tempos próximos à sua demolição, desaparecida que foi com o rasgamento da auto-estrada que passa na encosta de Rande) e sua sepultura, no cemitério da Lapa no Porto, em ocasião de homenagem acontecida no tempo de seu sucessor, Cónego Ângelo Alves, como reitor da Lapa.

Então, de forma a celebrar a efeméride, para evocar tão carismático compositor e professor da área musical litúrgica e clássica, bem como sacerdote humanista, condecorado com honorífica comenda nacional, o programa começou mediante apresentação do Provedor da Venerável Ordem de Nª Sª da Lapa, António França do Amaral, proferindo alocução de abertura a invocar o sentido da homenagem. Depois teve lugar uma Conferência, pelo Monsenhor Dr. Ângelo Alves, sucessor do P.e Luís na Lapa, desenvolvendo tema sobre “P.e Luís Rodrigues: Uma perspetiva da sua Acão pastoral e pedagógica”. Seguiu-se uma dissertação do Cónego Dr. António Ferreira dos Santos, atual reitor da Lapa e músico discípulo do Padre Luís, em torno d’ “A herança do P.e Luís Rodrigues voltada para o futuro”. Encerrou essa parte uma efusiva intervenção do Bispo do Porto e também Felgueirense, D. Armindo, a recordar passagens da sua vivência com o P.e Luís, de que foi aluno, fazendo apologia da sua dimensão, nas variadas facetas que o tornaram notável. De permeio, nos intervalos das intervenções dos palestrantes houve execução, ao órgão, de várias obras musicais escritas pelo P.e L. Rodrigues, através do Mestre Capela da igreja da Lapa, Filipe Veríssimo. Seguiu-se, em tempo de intervalo, uma romagem ao cemitério da Lapa, ao mausoléu do Padre Luís, até que, por fim, de novo no interior do histórico templo que alberga o coração de D. Pedro, se celebrou um solene Te Deum, por meio de composição do homenageado P.e Luís Rodrigues.

Na ocasião teve lançamento uma 2ª edição do livro “Do Evangelho para a Vida”, de reflexões sobre homilias do P.e Luís Rodrigues, contendo desta feita um CD anexo com gravação da voz do mesmo P.e Luís.

Numa possível continuação do ciclo comemorativo, ficou idealizado que ainda fosse editada, quando possível, uma nova publicação com apontamentos biográficos e de virtudes características do Padre Luís de Sousa Rodrigues, ficando também ainda agendadas outras ações públicas na Invicta, inclusive com uma atribuição pela Câmara Municipal do Porto, dentro do mesmo âmbito. Tendo depois sido finalmente dado o nome do Padre Luís Rodrigues a uma rua, próxima à igreja da Lapa.

= Página do livro "Jorge Nuno Pinto da Costa O Portador de Alegrias", em que o "Padre Luís da Lapa" é referido elogiosamente pelo cidadão portunese Jorge Nuno Lima Pinto da Costa. 

Em Felgueiras, entretanto, apenas houve tal lembrança oficial através de um Concerto da Banda de Felgueiras, em honra do mesmo Padre L. Rodrigues. Tendo, na verdade, a Associação da Banda de Música de Felgueiras realizado, no dia 30 de Setembro seguinte, um concerto musical em homenagem a esse importante Felgueirense, sessão que teve lugar no Teatro Fonseca Moreira, na cidade de Felgueiras. Numa execução pública destinada a assinalar o centenário natalício daquele vulto da musicologia, no âmbito comemorativo do dia mundial da música. Ficando, nessa apoteótica cadência, mais vincado merecer o Padre Luís Rodrigues ser oficialmente considerado um dos Filhos Prediletos de Felgueiras.

= Prospeto entregue aos assistentes do Concerto da Banda de Música de Felgueiras com que, em 2006, a filarmónica de Felgueiras assinalou publicamente o centenário do grande nome Felgueirense da música, Padre Luís Rodrigues. Homenagem essa efetuada através de concerto público, realizado em 30 de Setembro na casa do Teatro Fonseca Moreira – no âmbito comemorativo do dia mundial da música, que se celebrava no dia imediato à execução que teve lugar na noite daquele sábado, em que foi evocado o Padre Luís de Sousa Rodrigues, musicólogo, compositor de música sacra e erudita, além de mestre de canto gregoriano.=

Mais tarde, a Câmara de Felgueiras ao tempo unicamente dedicou uma página, quase ao expirar o ano do centenário, sobre a figura do P.e Luís Rodrigues, no jornal municipal “Felgueiras-município com futuro”, em seu nº 2, de Dezembro de 2006.

No ano seguinte, depois de no Porto ter havido uma comemoração do cinquentenário do Coro de São Tarcísio, a 25 de Maio de 2007 (de que demos anteriormente notícia no Semanário de Felgueiras de 04 do mesmo mês), esse mesmo espetáculo foi trazido à Casa do Povo da Longra, sendo incluído nos festejos do 4º aniversário da Vila da Longra, numa organização da Casa do Povo e das Juntas de Rande, Sernande e Pedreira, em tributo a esse grupo coral de que o Padre Rodrigues foi fundador, numa ocorrência que teve lugar quando passavam já 101 anos do nascimento do mesmo Padre Luís.

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Passado isso, há reforços bastantes sobre o quanto é valorizado “lá fora” o trabalho do P.e L. Rodrigues. Curiosamente, há o seguinte exemplo paradigmático: um grande catedrático dado pelo nome de Paulo Castagna, investigador de música e professor do Instituto das Artes da UNESP-Universidade Estadual Paulista, de S. Paulo-Brasil, incluiu diversas passagens do livro “Música Sacra: História e Legislação”, do P.e Luís Rodrigues, na sua tese. Documento esse que, pela sua fundamentação e amplitude, foi muito divulgado, a ponto de ser traduzido para espanhol (“PRESCRIPCIONES TRIDENTINAS PARA LA UTILILIZACION DEL ESTILO ANTIGO Y DEL ESTILO MODERNO EN LA MUSICA RELIGIOSA CATOLICA – 1570/1903”), passando o mesmo a constar num “site” chileno da Internet, com divulgação em Buenos Aires e São Paulo, no qual o P.e L. Rodrigues aparece como autoridade na musicologia e aquele seu tratado, escrito em 1943, ainda como uma referência bibliográfica insistente.

= Da biblioteca particular do autor: - Literatura relacionada com a vida e obra do Padre Luís Rodrigues: desde um livrinho do Colégio da Longra (Rande-Felgueiras) onde ele estudou antes de ir para o Seminário do Porto, até outros de afinidade, quer exemplares de obras suas, como brochuras oficiais de homenagens, mais livros biográficos  e outros em que é referido.

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                A repercussão do carisma do Padre Luís Rodrigues, apesar de certo esquecimento que por vezes se abate sobre a memória, tem mantido avivada uma relativa aura, surgindo de tempos a tempos alguma ressonância da sua caixa de música perene, sensivelmente ao que provoca o legado que deixou. Sinal disso é o facto de a partir de 2010 ter sido reabilitado na seleta de cantos da liturgia da Diocese do Porto um cântico famoso, que estivera olvidado muito tempo e, sendo então recordado, passou a deter renovada importância. Com efeito, aquando das ordenações sacerdotais de 2010 na Sé do Porto, por iniciativa dos alunos do Seminário Maior do Porto, foi entoado um dos mais célebres cânticos em latim outrora muito usados, o “Tu es sacerdos in aeternum”, de L. Rodrigues, no sentido apropriado à celebração. Passando, novamente desde então, esse cântico do Padre Luís Rodrigues a integrar o programa de celebrações solenes da catedral portuense e derivadas cerimónias da Igreja Portucalense, como tem sido extensivamente, além das ordenações, também na festa da cidade do Porto, à solenidade do nascimento de São João Baptista, na igreja de S. João Novo, entre outros casos.

Então não é bom ter havido Gente assim? E haver perdurado seu rasto memorial?!

Armando Pinto

Nota: Fotos de arquivo pessoal do autor.


quinta-feira, 13 de maio de 2021

Grande Voo – a propósito de próxima exposição em Felgueiras sobre Francisco Sarmento Pimentel

 

A Câmara Municipal de Felgueiras, através da coordenação de responsáveis da Biblioteca e Arquivo Municipal, vai proximamente fazer uma exposição dedicada ao célebre felgueirense piloto-aviador pioneiro Francisco Sarmento Pimentel. A ter lugar na Biblioteca Municipal de Felgueiras, naturalmente. Numa iniciativa que se estenderá por outros números complementares, como será no dia de abertura a visita pública à casa onde nasceu esse ilustre conterrâneo do passado. No âmbito de se ter completado este mês de maio mais um aniversário natalício do ilustre Filho de Felgueiras, em apreço, nascido em 1895 e falecido em 1988.

Um acontecimento que, como obviamente será divulgado em tempo oportuno pela entidade promotora, não compete ser aqui, por este meio, mais pormenorizado. Apenas se lhe dedicando por ora esta atenção, pelo apreço pessoal que a mesma merece, sendo que será uma realização com o cunho da respetiva curadora da exposição, Dr.ª Manuela Melo, com quem é sempre uma honra poder colaborar sempre que necessário.

Assim, a talhe desta realização próxima, recordamos o grande feito desse nosso conterrâneo – a 1ª Travessia Aérea de Portugal à Índia. Transpondo partilha de texto que, em diversas fases, constou já de artigos da colaboração pessoal ao jornal Semanário de Felgueiras.

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Agora não é novidade nenhuma andar de avião, alcançando longas distâncias em escasso tempo. Mas noutros tempos, muito depois da barcarola do Padre Gusmão, de Da Vinci fazer projetos, Júlio Verne imaginar como seria e mesmo dos primeiros saltos dos irmãos Wright, até Santos Dumont ter planado significativos metros no ar, era uma aventura fazer andar aparelhos a imitar os pássaros, mais para ligações aéreas de um ponto ao outro da terra, como paulatinamente foi sendo alcançado.

Ora, nesse especto, as primeiras viagens aéreas e posteriores voos de longas travessias pioneiras ganharam significativo apreço, como tal, marcando época. Por assim dizer como certos acontecimentos imprimiram cunho próprio em cada um dos seus momentos, ao que lembram exemplos referenciais de modernidade evolutiva no automóvel pequeno, o carro mini surgido em 1959, sem esquecer a mini-saia a partir de 1967 e o micro-chip informático desde 1973.

Como na epopeia dos Descobrimentos marítimos de Quinhentos em que frágeis caravelas transportaram notícias até então desconhecidas do outro lado dos oceanos, pese as distâncias do tempo e espaço, também o ar foi conquistado heroicamente, muito depois naturalmente. O americano Read salientou-se desde logo, ainda não tinha terminado a segunda década do século XX. Poucos anos volvidos, os Portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922, atravessaram pelo ar a distância de Portugal ao Brasil, através de etapas em que empregaram três aparelhos. Seguiram-se algumas outras experiências no decurso de alguns anos mais, com destaque para o “Raid” a Paris do também americano Lindbergh, em 1927, cobrindo rota de 5.800 quilómetros. Alguns portugueses, como Brito Pais, Sarmento de Beires, etc. tiveram também coragem para arriscados rumos, na mesma linha. Até que um Felgueirense, num só avião, realizou uma grande ligação – Francisco Sarmento Pimentel que, em 1930, efetuou a primeira travessia aérea de Portugal à Índia então Portuguesa, distância recordista de mais de 11.800 quilómetros que lhe valeu reconhecimento com trofeu da Liga Internacional dos Aviadores.

= Francisco Sarmento Pimentel =

Passaram todos estes anos desde que isso aconteceu, tendo a mesma travessia aérea sido iniciada a 1 de Novembro e durado dez dias úteis até alcançar espaço aéreo do Estado Português da Índia, com onze de tempo real à última etapa (fora alguns de espera até ter sido possível substituição de peça que se partira), havendo chegado à Índia Portuguesa, fazendo escala em Diu, no dia 18 do mesmo mês; embora a conclusão do itinerário tenha sido, depois, com aterragem em Goa no seguinte dia 19. Escusamos de refazer descrição do roteiro de viagem, com suas curiosidades, aflições como da tempestade surgida quase logo no início, muitas outras peripécias, dos sulcos rasgados no ar pelas asas à força de hélice forrada a tela, contratempo de avaria mecânica surgida, a penosa duração das horas levadas a sobrevoar o deserto da Síria, enfim, até ao campo de aviação de Murmugão onde pousou por fim o “Marão” pilotado pelo então Tenente Sarmento Pimentel, acompanhado na navegação pelo seu amigo Capitão Moreira Cardoso, naquele pequeno avião que Francisco Sarmento Pimentel adquirira a expensas próprias. Acontecimento, que na época mereceu as atenções concelhias, segundo os relatos de imprensa desse tempo, então denominado Raid Aéreo Lisboa-Diu-Goa, mas concretizado mais precisamente desde a Base Aérea Militar da Amadora até ao Indostão Lusitano. Viagem pioneira cuja autoria recebeu efusivas comemorações conterrâneas e inclusive homenagens municipais, incluindo colocação de uma lápide alusiva na casa onde nasceu, além naturalmente do reconhecimento a nível nacional e internacional.

Tudo isso e muito mais, incluindo referências da imprensa nacional e estrangeira, já registamos inserido entre o material dedicado ao “Raid” da Amadora a Goa e seu autor no “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”. Mas, pela importância que tem para o orgulho Felgueirense, não se pode deixar passar despercebido o evento, nesta oportunidade mais.

São do conhecimento público os motivos políticos que fizeram com que a façanha daquele Felgueirense fosse menosprezada na época e propositadamente olvidada anos a fio. Apesar da repercussão havida, ao ponto de, entre sintomáticas manifestações, o então Ministro português titular da pasta da guerra ter recebido do seu congénere de França um telegrama de felicitações, em nome pessoal e no da aviação francesa, pelo bom êxito da viagem aérea até à Índia... e a Liga Internacional dos Aviadores se ter apressado a distinguir o autor da travessia com alusivo galardão. Agora, o que não se entende é como, passados tantos anos e mudada a situação política há muito, reconhecido de permeio o então Coronel Piloto-Aviador Pimentel (ainda em vida) mesmo com a Ordem da Liberdade, ainda não haja sido feita a devida reabilitação e, sobretudo, reconhecida como deve ser, a nível nacional, tal façanha (e até agora pouco tenha sido feito por isso também no concelho natal do heróico aviador...) cuja autoria, inclusive, naqueles alvores da década de trinta, apesar de tudo valeu condecorações, entre as quais as insígnias da Ordem de Avis e da Ordem Militar da Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito!

Devido à ideologia política, Francisco Sarmento Pimentel, viu-se posteriormente forçado a ausentar-se do país por via de exílio político. Tendo o seu feito ficado quase que ignorado pelo regime do Estado Novo, apesar das manifestações de apreço recebidas de governos estrangeiros. Em vista da censura vigente, tal façanha esteve simplesmente riscada durante longo tempo dos compêndios ditos historiadores e volumes enciclopédicos. Mesmo ao nível de Felgueiras o facto pairou quase olvidado e manteve em sua aura uma penumbra ditada por espécie de amnésia oficial de conveniência, cujos efeitos se prolongaram muito para lá da ausência da democracia.

Felizmente que em tempos recentes começou a ser reparada a memória desse vulto de audaz patriota, como se nota, por exemplo, em seu nome já fazer parte de importante colecção como a “História de Portugal-Dicionário de Personalidades”, volume XVIII, da Quidnovi, ed. 2004. E em Rande-Felgueiras foi comemorado o seu 1º centenário natalício, em 1995, através de programa conseguido por uma comissão que o autor destas linhas pôde congregar, iniciado com uma missa na igreja paroquial, deposição de um ramo de flores junto à lápide colocada em sua casa, mais um voo simbólico de uma avioneta sobre a região, mais um cortejo de recreação revivalista dos tempos da mala-posta (desde o Largo da Longra até à Casa do Povo) e abertura de uma Mostra Filatélica e Exposição Museológico-postal que, durante uma semana cultural, decorreu na Casa do Povo da Longra.

Francisco Ferreira Sarmento de Morais Pimentel, que viveu de 1895 a 1988, teve um percurso intensamente marcante, desde o berço natal no concelho de Felgueiras, onde nasceu na Casa da Torre, da freguesia de Rande, passando pelas diversas etapas distribuídas por variados pontos nevrálgicos da História da Grei. Até ter sido obrigado a sair do país e se radicar em São Paulo, no Brasil, onde construiu uma situação respeitável a prestigiar seu currículo. Consta da sua Folha de Serviço à Pátria a sua importante participação no movimento que derrotou a Monarquia do Norte, restaurando a República, em 1919, além da iniciativa e materialização da pioneira Travessia Aérea de 1930 que ligou Portugal à então Índia Portuguesa, o que por junto lhe valeu, entre outras distinções, haver sido agraciado com a Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, colar do grau de oficial com insígnia; Medalha de Comportamento Exemplar, grau fita-prata; Medalha de Bons Serviços, grau fita-prata com palma; Ordem Militar de Avis, com fita; e a Ordem da Liberdade, com insígnia-grau de grande oficial. De Felgueiras recebeu honra de figurar, ainda em vida, na toponímia da então vila e hoje cidade de Felgueiras, a par com colocação pela Câmara Municipal de uma lápide na casa onde nasceu, tendo muito mais tarde recebido, por solicitação vincada num órgão de imprensa concelhia, a oferta de uma medalha de Felgueiras numa das suas visitas de romagem à terra-mãe, antes de falecer. Para a posteridade, seu espólio memorial integra o acervo do Museu do Ar, em Alverca, na Ala dos Pioneiros.

= Vislumbre alusivo, em visita do Museu do Ar, com o autor deste trabalho junto à vitrine do seu heróico conterrâneo Aviador Francisco Sarmento Pimentel =

Longo voo o seu, a que tem correspondido curto reconhecimento, estranhamente quase nada celebrado para o destaque atingido, merecedor contudo do justo alcance. E se de mais não servir esta honra, para Portugal e Felgueiras, ao menos fica a consolação de que é sempre bom ter-se recordações...

Em extensão temporal, a justificar a valorização perene, Felgueiras decidiu-se finalmente a homenagear o seu famoso aviador. Então, mediante ideia de construção de um aeródromo, houve seguimento de antiga aspiração do mesmo piloto aviador, embora na época ele tivesse tentado isso para o alto de Santana (conforme se pode notar na biografia que se dedicou a Francisco Pimentel no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras). Assim, em 2006, por decisão tomada pela Câmara Municipal em reunião de 8 de Agosto, foi aprovado por unanimidade o projeto “Visão Estratégica do Aeródromo”, no âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal de Felgueiras – sendo decidido atribuir o nome do pioneiro Felgueirense da aviação a essa estrutura a construir futuramente, o Aeródromo Francisco Sarmento Pimentel, planeado para ser situado no planalto dos Maragoutos, em Revinhade (num extremo do concelho de Felgueiras, de fronteira com Lousada).

Por ora, isto paira numa intenção ainda no papel… mas que, como outros projetos, quem sabe se terá alguma viabilidade…

*

A façanha aérea de Francisco Sarmento Pimentel, para se ver a sua importância social nesse tempo, constou entre as reportagens da Ilustração Portuguesa, famosa publicação que foi das mais importantes revistas portuguesas - publicada em Lisboa, semanalmente, e existente desde 1903 (em título recuperado pelo jornal O Seculo, de antiga publicação de cariz literário, apresentou fotografias de personalidades de vulto da cultura portuguesa e crónicas da vida nacional, constitui assim, sem dúvida, um dos mais relevantes acervos do quotidiano do primeiro quartel do século XX.

Pode comprovar-se o facto através de dois exemplos, extraídos de tão importante edição publicista:

= Ilustração Portuguesa, nº 118, de 16 de Novembro de 1930 =


= Ilustração Portuguesa (“Christmas”), nº 120, 16 de Dezembro de 1930

Em edição dedicada ao Natal, e com anúncio vitorioso do sucesso do Raide aéreo à Índia: "Os aviadores Cardoso e Pimentel voam no 'Marão' de Lisboa à Índia portuguesa empregando exclusivamente óleo Golden e gasolina Shell"… =

 

ARMANDO PINTO

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Ternas lembranças no eco das celebrações de Fátima

Estamos em tempo das cerimónias aniversárias das Aparições de Fátima, à chegada dos dias das celebrações sempre tocantes de 12 e 13 de Maio. Algo que nem é necessário explicar exteriormente, pois é daquelas coisas que ou se sente ou não se sente.

Ora, este é um tempo, mesmo, em que ecoam na caixa de ressonância da memória diversas passagens do tempo de nossas vidas. Como num caso pessoalmente vivido, há coisa de sensivelmente 60 anos. Que mais tarde ficou narrado num dos contos do livro “Sorrisos de Pensamento”.

Passando assim uma época das celebrações de Fátima, vêm à ideia recordações esvoaçantes no tempo, por entre lembranças sentidas. Emergindo a propósito relembrar o que ficou escrito nesse livro publicado em 2001 – que como há muito esgotou, está partilhado na totalidade textual neste blogue (em espaço da direita, à vista geral). Do qual, agora para aqui se transpõe um capítulo, apenas, de 6 das 88 páginas desse livrinho de histórias personalizadas. Através de imagens digitalizadas das respetivas páginas, ainda que copiadas em silhuetas enviezadas (sem preocupação de endireitar o livro na digitalização necessária, para não estragar o exemplar guardado). 

Oportunidade esta de evocação extensiva. Desta vez em modo condizente ao que propicia a recordação dos dias de saudosas memórias. Como que num eco, à Glória da ressonância desses dias.



Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))