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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Com votos de Feliz Natal : artigo de “Espírito Natalício” no SF !


Como diz o título, foi e é com esse sentido que escrevemos mais um artigo para o Semanário de Felgueiras, a calhar na época de Natal, conforme consta da edição nº 1187 agora nas bancas para o público, já, e nas caixas de correio dos assinantes, antes do Natal.

Na linha das partilhas habituais neste espaço, em ocasiões destas, colocamos recorte da respetiva coluna e transcrevemos para aqui o texto original:

Espirito Natalício

Ao virar do tempo, na diferença ambiental, entra em cena a saída de fumo das chaminés, na ascensão provocada pelo calor das lareiras. Elevando também o ar aquecido dos afetos, nomeadamente associando as chaminés com os sonhos das crianças, da chegada das prendas natalícias através das mesmas chaminés. Qual outro fumo, das espirais de incenso das igrejas, onde se beija o Menino Jesus, entre cânticos ao fascínio do presépio.
Ora, no Natal vem naturalmente à ideia o encantamento da idade infantil, sendo associado criança com lembrança. Quase desejando nunca se ter crescido, então, para manter os sonhos de infância. E enrola-se o fumo das lembranças na convivência da quadra.

Porém a realidade agora é outra, num tempo em que os valores de antigamente se têm diluído e se foram perdendo. Com algumas sombras da crise contemporânea a não explicar tudo, embora mostrando efeitos.

Descendo pelas chaminés dos lares as prendas natalícias do imaginário próprio, qual sortilégio desta quadra, também escorrega alguma negritude do escurecido panorama dos dias que correm, com a depressão que se sente nalguns setores da vida e mudanças operadas por alterações político-sociais. Apesar disso, a época de Natal vem ainda amenizar ao menos por instantes o horizonte. Como se vê felizmente na amplitude das iluminações natalícias e presépios grandes e pequenos que se vêm nas vias públicas que receberam luzes e outros adereços, com realce para o atual embelezamento do jardim central da cidade de Felgueiras e brilho ainda noutras ruas e árvores decorativas nalgumas rotundas, pelo concelho. Descontando sítios onde o quadro piorou, pois há locais também importantes que estão sem nada – como nos estamos a lembrar, por exemplo, do centro natural da vila da Longra, onde pela primeira vez em muitos anos (pelo menos desde finais do século XX, dando de barato) não há este ano qualquer peça alusiva desta vez, por simples que fosse, na confluência do chamado Largo da Longra.

Ainda assim, perante a existência ou ausência de sinais demonstrativos, o sentimento natalício sente-se mais no calor da intimidade, de onde sobe pela chaminé a evaporação da graça que traz o Natal. Havendo alegria possível na diferença que este tempo provoca, afinal. Os odores fumegantes, o cheiro e sabor da tradição transportam um bem estar mais sereno, sendo de harmonia o Natal, com os olhos no presépio familiar e coletivo que deve identificar a unidade conterrânea, no caso.

Visto assim, como compôs em cântico o mestre de música sacra Padre Luís Rodrigues, por sinal felgueirense:

“Vamos ao presépio, 
 vamos a Belém:
 louvar o Menino 
 que salvar-nos vem”!


ARMANDO PINTO

((( Clicar sobre as imagens, para ampliar )))

sábado, 9 de novembro de 2013

Artigo de atualidade no Semanário de Felgueiras...


Em mais uma abordagem relacionada com a atualidade, escrevemos desta vez, em nossa regular colaboração no jornal Semanário de Felgueiras, um artigo de temática relacionada com a recente reorganização territorial e consequente agregação de freguesias.

De cujas eleições resultaram situações que já estão a vir ao de cima, como deu conta o SF na edição do mesmo número desta sexta-feira passada presente, em notícia e comentário que transcrevemos no post a seguir (acima deste). Dando mais razão, noutros contornos, ao que explanamos neste artigo, que transpomos para aqui conforme ficou impresso na respetiva coluna, à página 10 da edição impressa do SF de 08 de Novembro:


(CLICAR sobre o recorte digitalizado, para ampliar)


… E de seguida, para devidos efeitos, aqui está o texto datilografado, para leitura mais acessível:

Agregação desagregada...

Outrora, por estes dias de inícios de Outono e à entrada de Novembro, havia um ambiente próprio da quadra dos Santos, na generalização à evocação dos Fieis Defuntos e azáfama de convívios à roda de magustos. Isto num mero exemplo de coisas simples e quase banais, que tomam proporções temporais. Agora, a bem dizer, nenhum rasto de costumes antigos e muito menos de restos de conversas inacabadas pairam no ar.

Até pedaços de tradição se está a consentir que nos destruam. Aos poucos vamos perdendo identidade e já ninguém refila. Só falta decretarem que deixe de se chamar Portugal a este país que sabemos ser o nosso, mas já não sentimos como tal, mais parecendo um Portugal sem portugueses, não só sem alguns feriados e dias santificados, de quase apenas almas levadas do diabo. Então se as próprias freguesias estão a desaparecer e os concelhos não leva muito que passem a género de comunidades agregadas intermunicipais…?!

Diz o povo que os políticos estão a dar cabo de tudo. E a realidade é essa. Sabendo-se que no caso da reorganização territorial, a nível do que nos diz mais respeito, houve culpa da Câmara Municipal e Juntas de
Freguesias que não tomaram posições devidas, assim como das outras forças políticas que não fizeram força nenhuma, já que ninguém com responsabilidades representativas teve coragem de vincar posição e mostrar decisão, todos deixando que em Lisboa decidissem no papel, sem conhecimento das realidades. E chegou-se ao cúmulo em que está o panorama organizativo, até sem o povo ainda se aperceber de toda a dimensão, algo que só com o tempo se irá demonstrar verdadeiramente.

Numa visão de arqueologia intelectual e rigor moral, recorde-se que o país real fora conhecendo mutações várias, conforme as circunstâncias, ao longo dos séculos. Numa sucinta descrição do território nacional, pode dizer-se, sobre a malha político-administrativa de outros tempos, que as províncias foram nascendo por via do fundo cultural das gentes ao longo do território e não devido a aspetos burocráticos. Assim, em 1816 eram seis as províncias, e em 1832 passaram a ser oito. Em 1836 ficaram a ser 11 as províncias existentes. No que concerne aos concelhos existentes em Portugal o número mais elevado foi de 800 durante séculos e, em 1836, passaram a ser 351. Recentemente eram 308 (ou 309, se juntarmos Olivença, que se encontra historicamente sob indevida administração espanhola desde 1801). E as freguesias eram em número que nem vale a pena agora precisar ao certo, já… Isto antes da reforma Administrativa de 2012, decretada com a “Tróica” do FMI, Fundo Monetário da CEE, sob a falsa desculpa da crise económica que se abateu sobre grande parte dos países e levou a acordos para ajudas e consequentes poupanças exigidas aos países menos desenvolvidos da Comunidade Europeia.

Entretanto, passou Felgueiras por diversas fases de constituição de seu território, consoante as alterações administrativas, sabendo-se dos factos históricos noticiosos da existência de antigos Julgados e Concelhos em parcelas depois incluídas na totalidade posterior, passando pela antiga constituição de um próprio concelho do mesmo nome mas de menor tamanho, como ainda inclusão noutro concelho, de permeio, até à
fixação em 33 freguesias englobadas com a reforma administrativa acontecida no período liberal. Tendo sido muitos anos volvidos que, em 1998, houve separação de uma para a criação do concelho de Vizela.

Agora foi a razia que se vê e sente, levando a que a grande maioria se comece a desinteressar por tudo, não se revendo já em quase nada. Tal diz uma estafada frase antiga, hoje a vir ao cimo da realidade, que um povo sem memória não tem passado, e na verdade estamos a perder tudo quanto nossos antepassados criaram e nos legaram. O que lavará a deixar-se de dar para qualquer peditório…

ARMANDO PINTO