sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Curiosidades Ancestrais: Um documento antigo de relação felgueirense - Carta Régia Filipina



Manuscrito de D. Filipe I de Portugal e II de Espanha - Carta Régia de Confirmação do Donatário e Capitão-Mor do concelho de Felgueiras

(Documento passado quatro anos depois da integração do território português no domínio filipino espanhol:)

Carta dada em 22 de Novembro de 1584, por el-rei D. Filipe I de Portugal e II da Espanha, a D. Francisca da Silva Coelho.

Sendo documento redigido em português sobre 4 fólios de pergaminho de 36 x 26,5 cm. Escrito com letra gótica cursiva da chancelaria régia, muito regular, bastante harmoniosa e pouco cerrada. Selo pendente em chumbo com as armas reais, assinado por Filipe I de Portugal / II de Espanha e vários chanceleres e tabeliães.

Documento assinado pelo Rei Filipe de Espanha com a confirmação da genealogia dos Capitães móres de Felgueiras - interrompida por morte de Aires Gonçalves Coelho (1540-1579 7.º donatário) na batalha de Alcácer-Quibir em 1579 - e que prossegue na linha feminina.

http://www.castroesilva.com/store/images/PT.gif Trata-se da confirmação de um título dado originalmente por D. João I em 1385, mais tarde confirmado por D. Manuel I em 1510 (quatro anos antes da outorga do Foral à terra de Felgueiras) e aqui em 1584 finalmente confirmado por D. Filipe I. Contém a genealogia da família titular, refere e relaciona genealogicamente entre outros factos Egas Moniz, a batalha de Alfarrobeira, Inês de Castro, os descobrimentos dos caminhos marítimos para a Índia e Brasil, e ainda a Batalha de Alcácer-Quibir. Em 8 de Julho de 1385 deu D. João I o concelho de Felgueiras por serviços na guerra a Gonçalo Pires Coelho (1385-1417 1.º donatário) e Capitão-mor por Carta Régia. Descendente de Egas Moniz e filho de Pêro Coelho, implicado na morte de D. Inês de Castro e no qual se vingou el-rei D. Pedro I. Em 2 de Maio de 1433 el-rei D. João I confirma Fernão Coelho (1417-1449 2.º donatário) como Alcaide-mor do castelo de Guimarães, o qual era filho varão do anterior. Em 17 de Julho de 1459 el-rei D. Afonso V confirmou a Martin Coelho (1456-1483 3.º donatário), que combateu na batalha de Alfarrobeira tendo de se exilar no norte de África, era filho primogénito do anterior e tio do navegador Nicolau Coelho. El-rei D. Manuel I confirma primeiro a Gonçalo Pires Coelho (1483-1510 4.º donatário) por carta régia e depois a seu filho Aires Coelho (1510-1533 5.º donatário) em 21 de Junho de 1510 essa doação, com todos os direitos, menos os da correição e alçadas, é dada por falecimento de seu irmão e varão, o navegador Nicolau Coelho, que comandou a nau Bérrio na frota com que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia. Depois comandou uma nau da frota com que Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil. Vindo a falecer quando regressava da sua terceira viagem á índia, em Janeiro de 1504, no trágico naufrágio que vitimou todos os três navios da frota em que ao serviço d’El-Rei D. Manuel I acompanhava o regresso a Portugal do vice-rei D. Francisco de Albuquerque. El-Rei D. João III confirma por carta régia de 1 de Agosto de 1533 a Gonçalo Coelho da Silva (1533-1584 6.º donatário). Em 1529 el-rei D. João III confirma a Aires Gonçalves Coelho, (1540-1579 7.º donatário) filho do anterior e que faleceu na batalha de Alcacér-Quibir em 1579, na qual foi combater na companhia de seu pai. Em 1584, El-Rei D. Filipe I então confirma por via hereditária a D. Francisca da Silva Coelho, filha de Aires Gonçalves Coelho e esposa de Francisco Pinto da Cunha (1579-1615 7.º donatário) que por via do casamento é reconhecido Sétimo e último donatário do concelho Felgueiras e alcaide-mor do castelo de Celorico de Basto.

Documento de enquadramento transversal na história de Portugal e Universal, que abrange diretamente os séculos XIV a XVI (1385-1584) em que constam não só os factos aqui descritos como certamente muitos outros ainda por revelar. Verdadeira fonte autenticadora de factos que contém dados históricos, genealógicos, cronológicos, jurídicos, filológicos, de diplomática, etc. etc. este documento foi citado ao longo dos séculos através de cópias das chancelarias régias e outros arquivos por diversos autores, historiadores, genealogistas e estudiosos.

A. P.
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