sábado, 22 de março de 2014

Curiosidades - Usos e costumes de outros tempos: o papel de louceiro e as "limpezas da Páscoa"


Em tempos de deitar mão a tudo o que fosse possível, sem grandes despesas mas com bom gosto, devido às condições de vida da generalidade das pessoas em eras recuadas, também, houve, entre diversas maneiras populares, o uso de papel decorativo para embelezar o ambiente doméstico.

Tal derivava da necessidade de forrar prateleiras e ao mesmo tempo decorar essas e outras estantes de uso caseiro. Sendo normalmente coladas tiras de papel recortado, para o efeito, quer cortado de modo rendilhado, em casa, por processos pessoais, através de páginas de jornal, então de grande formato, ou embrulho com cores garridas, ou ainda por meio de papel apropriado, comprado com esse fim.


Porque vulgarmente era colocado nas prateleiras dos louceiros, de guarda da louça da cozinha e limpezas, móveis esses normalmente suspensos nas paredes, para que a bicharada lhes não chegasse, o referido padrão de papel decorativo era vulgarmente chamado por papel de louceiro – conforme se pode vislumbrar dois exemplos parcelares, nas imagens aqui colocadas.  Constando esses papeis alvo entre as curiosidades narradas num dos contos do livro “Sorrisos de Pensamento”, na descrição da Loja da Ramadinha da Longra… como se pode rever no separador da barra lateral direita deste blogue.

Esses resguardos de papel, como estavam sujeitos aos efeitos da fumarada do ar das cozinhas e mesmo pelas rodas de conversa nos serões de fumadores, entre familiares e amigos, eram anualmente mudados, sendo habitualmente substituídos por novos aquando das limpezas da Páscoa – quando, para receção festiva ao Compasso Pascal, se aproveitava para arejar e limpar as casas, na chegada da Primavera.

Armando Pinto

2 comentários:

  1. Tereza Assunpção23 de março de 2014 12:59

    Ao pesquisar na net, navegando em busca de costumes tradicionais da Páscoa portuguesa e como é sabido com mais ênfase nortenha, descobri este blogue tão querido de estilo literário e rico em história de Portugal profundo. Parabenizo tanto saber e arte. Não sabia eu ainda desse costume das limpezas e vou andar mais pelo blogue porque vejo interessantes títulos que muito me vão enriquecer. Os seus conterrâneos devem ter orgulho em ter um historiador como o senhor, não sei se as autoridades Junta e Câmara Municipal valorizam isso, como devem, mas até toda a gente devia imprimir esses artigos, para terem uma autêntica bíbllia da vossa micro Pátria, tão ditosa assim. Parabéns e nunca lhe doa a massa da inteligência.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado D. Teresa por tão linda mensagem. Passei agora pelo seu blogue e na verdade fico a entender melhor suas palavras. Bem haja.

      Excluir