domingo, 7 de julho de 2013

Convívio Festivo e Caminhada do 10.º aniversário da Vila da Longra


Decorreu este domingo, dia 7 de Julho, a comemoração pública do aniversário da vila da Longra, através de um programa festivo que incluiu uma marcha de passeio pedestre pela região, durante a manhã, e a partir do início da tarde o tradicional convívio, culminando no corte do bolo comemorativo de aniversário.


Dessa jornada ilustramos a festiva ocorrência com algumas imagens alusivas.


E, para guardar na gaveta das memórias coletivas, registamos o que constou do “desdobrável” distribuído aos participantes na referida caminhada comunitária, referente aos locais de passagem da mesma: 

Pontos de Referência e Interesse Histórico na Caminhada “Margens do Sousa”, inserida nas comemorações do 10º aniversário da Vila da Longra - 07 DE Julho de 2013 

(Textos de: ARMANDO PINTO)

- Ex-Metalúrgica da Longra – Fábrica criada em 1920 no Largo da Longra, com o nome de MIT, na junção dos nomes dos gerentes, o sr. Américo Martins como sócio principal e seus sócios, ou seja Martins e Irmãos Teixeiras. Depois de forte crescimento a partir dos anos 30, a pontos das instalações do Largo passarem a ser insuficientes, teve mudança para a reta da Arrancada da Longra em 1950 e foi a principal bandeira da região, como principal casa empregadora da maioria do povo da região. Era célebre a sua sirene, que se ouvia a longas distâncias e por isso servia de sinal de previsão meteorológica em terras distantes, pela posição do vento que propagava o respetivo som. 

- Casa do Povo da Longra – Instituição fundada por Despacho Ministerial de 26 de Abril de 1939, que então passou a usar o edifício que antes foi sede duma antiga agremiação cultural de Rande, a Associação Pró-Longra, existente entre 1928 a 1939. A Casa do Povo da Longra, além de servir então de organismo de mutualidade rural, albergou o primeiro Posto Médico existente no concelho de Felgueiras, criado em 1941. Desde sempre que foi a casa da cultura da região, tendo tido diversas versões de grupos de Teatro, ao longo dos anos, e desde 1994 também o Rancho Folclórico representante da área respetiva. Entre outras dotações, como se sabe. 

- Casa da Família de Luís de Sousa Gonçalves – foi erigida por um antigo proprietário em África, sendo inicialmente conhecida por Casa dos Escoivos, devido ao antigo nome do lugar, dentro da povoação da Longra. Sendo o dono da família Castro, da Longra, um senhor conhecido popularmente por “africano”, daí originando que a casa seja conhecida por Casa Africana. Foi planeada por projeto do sr. Luís Gonçalves, o mesmo que muitos anos antes foi autor da Casa das Torres de Felgueiras. Na década de sessenta do século XX foi adquirida então para habitação familiar pelo sr. Luís Sousa, fundador da IMO. 

- IMO – Firma criada em finais da década de 40, do século XX, depois de anteriores experiências do sr. Luís de Sousa Gonçalves noutras sociedades, fundando então em 1947 esta fábrica, originalmente com outro nome, até que nos anos sessentas passou a chamar-se Imo. 

- Calçada de Rande – Caminho de que resta o atual pequeno percurso, assim chamado de Calçada pelo piso empedrado em lajes à maneira antiga, fazia parte do Caminho de Santiago que era percorrido na região, do itinerário das peregrinações medievais dirigidas para Santiago de Compostela. 

- Casa da Torre – Solar de existência ancestral, cuja origem ficou ligada à passagem do Caminho de Santiago do Baixo Douro, com a pertença na família da Torre dos direitos do padroado da paróquia de S. Tiago de Rande, cuja dedicação a S. Tiago foi precisamente derivada da passagem de um dos itinerários dos Caminhos de Santiago. Mais tarde foi a casa onde nasceu o aviador Francisco Sarmento Pimentel, autor da 1ª travessia aérea entre Portugal e a Índia, em 1930. 

- Casa do Outeiro – Casa fidalga com data de ter tido restauro no século XIX (dezanove) mas proveniente de tempos muito mais remotos, conforme se sabe por ter sido habitação de um anterior proprietário que foi Vereador da Câmara de Felgueiras. Já no século XX (vinte) foi a casa de José Xavier, um grande bairrista promotor de diversas realizações e agente cultural que fundou várias associações na Longra. 

- Casa de Rande – Casa que deu origem ao nome da freguesia, através do colonizador da região, um presor de nome Rando, em torno de cuja propriedade, uma vila germano romanizada, Randi Villa (significando vila de Rando), se alastrou a organização territorial. Na evolução dos tempos essa propriedade acastelada transformou-se num solar feudal, da família Pinto e Barbosa, conforme o brasão de família que encima a fronte da mansão, que sofreu diversas transformações, mantendo atualmente características de casa senhorial. Foi posteriormente dos descendentes que chegaram ao ramo de Barbosas Mendonças, dos quais o principal foi o Conselheiro Dr. António B. Mendonça e ali nasceu sua filha, a conhecida Menina de Rande, Guilhermina Mendonça, falecida em 1912 e considerada santa pelo povo da região. Recentemente vendida a outra família, é atualmente propriedade do sr. Arnaldo Freitas, que desenvolve atividades agrícolas na anexa quinta de Rande. 

- Lugar do Paço – Lugar de honra paçã torreada, onde existiu fortificação com torre, a indicar a espécie de mansão fidalga ali originária, significando grupo populacional derivado da Casa da Torre e vizinha Casa de Rande, como núcleos fidalgos de palácios locais. A torre senhorial implicava direitos de linhagens, que na evolução temporal se estendeu pelas terras ao redor. 

- Monte de Santana – Local onde o povo se reunia, indo em clamores para ajunto comunitário. Ali, por trás do penedo alto, havia um penedo com inscrições de 1509 a aludir os nomes dos párocos de Rande e Idães, à época, Pêro e Fermoso, com uma cruz esculpida a assinalar os limites das duas freguesias vizinhas. Penedo que foi destruído aquando do diferendo de 2004, como se sabe, até que posteriormente se veio a definir a pertença legal desse monte de Rande. Tem capelas originais mandadas erigir entre 1930 a 1933 pelo sr. Luís Teixeira, da Casa da Quinta (da freguesia de Rande), a quem antes a mata pertencia, sendo atualmente da Junta de Freguesia de Rande.

Casa da Capela / Sernande – Mansão antiga sobretudo ligada à figura de António Bravo Pacheco, um antigo professor carismático que lecionou na região. Casa essa onde se rezou missa paroquial, enquanto não houve igreja na então nova freguesia, criada no decurso do concelho do Unhão, em separação com área antiga de Rande e uma parte de Varziela. O mesmo antigo mestre ficou mais ligado ao ensino local, sendo quem fez obras numa sua propriedade do Burgo para criação da velha escola primária de Sernande.

- Casa de Junfe / Unhão – Mansão cuja história esteve ligada a Rande, pois Junfe e a vizinha quinta de Novais pertenceram a esta freguesia de Rande até à criação da Comarca de Felgueiras - pelas divisões que resultaram de cedências, visto nesse tempo o Unhão pertencer a Lousada e Felgueiras ter sido levada a ceder essa parcela (até meio do lugar do Janarde) para Lousada abrir mão do território da comarca que lhe pertencia. Mais tarde, quando Unhão passou definitivamente para o concelho de Felgueiras ficou então com essa área acrescida. Mas a família da mesma fazia vida em Rande, conforme relatos da época, de quando na casa era sabido haver tantas armas como o número de homens que ali serviam, tal o que ocorreu na defesa aquando dum célebre ataque do bando do Zé do Telhado. 

- Lugar da Sé / Unhão – nome provindo do latino Sede e extensiva associação a Cerca, topónimo alusivo a castro, dos ajuntos (povoados primitivos) que existiram por aí. Lugar que tem características identificativas de antiga propriedade de um só clã, alargado posteriormente a descendentes e foreiros, como se nota em ter ainda casas muito juntas e as habitações e anexos com ligações comuns. 

- Monte do Crasto / Pedreira – Nome derivado de castro, de antiga fortificação. Tal como pelos tempos além se notou sempre por ali haver muita pedra espalhada, numa das possíveis origens do nome da freguesia da Pedreira, é esse local uma réstia de um castro outrora existente, rodeando um cabeço, como por ali havia diversa disposição topográfica, através de organização castreja que povoaria estes sítios. 

- Casa da Mata / Lordelo – Casa que foi da família Rola Pereira e foi legada à Ordem dos Carmelitas Calçados. Inicialmente pertenceu a uma família de antigos sacerdotes, os Padres Bernardes, um dos quais foi pároco-coadjutor em S. Tiago de Rande e o mesmo, mais outros familiares, foram párocos de S. Cristóvão de Lordelo. A partir que passou a ser dos Padres Carmelitas funciona atualmente como convento da Ordem do Carmo, quer como casa de noviciado da mesma, quer como comunidade de sacerdotes que também prestam serviço paroquial nalgumas terras das redondezas, como nas paróquias de S. Salvador do Unhão e S. Miguel de Varziela.



 = Armando Pinto

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