Pegando numa ideia de recordar pessoas antigas, entre alguns
personagens típicos ou figuras públicas da vivência da Longra, num tema
entretanto interrompido por poder ser melindroso, tendo de se referir
sobrenomes popularmente tradicionais do conhecimento publico, para natural melhor
identificação… volta-se ao tema, para não cometer injustiça com outros
cujos apelidos serão mais aceites. Eis então um exemplo, para citar um senhor
que foi pessoa simpática nas andanças pela Longra, em tempos que já lá vão, na
memória local.
Recuando no tempo permanecido nas memórias, há certa magia
da vida desde a infância, pela convivência com pessoas que de alguma forma
ficaram nas nossas recordações. Percebendo ser, tal permanência no
subconsciente, bem capaz de dar vida às coisas, de reavivá-las no cantinho do
cérebro recriador, pelos olhos da memória, na “Pedra Filosofal” que faz o mundo
pular e avançar. Como por essa espécie de retina relembro pessoas que, em meu
tempo de infância e juventude, eram senhores idosos a meus olhos, ainda que os
tenha conhecido na casa de seus cinquenta, sessentas e até setenta e tais anos,
por exemplo. Quão relembro o senhor José Teixeira, que era muito amigo de meu
tio José da Costa Moreira, o meu tio Zé.
Ora, dito e referido assim, por José Teixeira, por certo que
quase ninguém verá desde já quem será, ou terá sido, melhor dizendo. Josés Teixeiras
houve e há muitos. Mas se disser que se trata de evocar o senhor Zé Branco, já há
quem saiba quem foi, obviamente. E o apelido nem é desinteressante, pois já
antigamente se dizia que uma pessoa muito vista e lembrada era como o pão branco.
Ora o senhor Zé Branco era um senhor que me habituei a ver
na Longra e muito apreciava de o ver em quaisquer das atividades que iam acontecendo
nesses tempos de minha infância e seguinte juventude. Além de ser pai do meu amigo
Tónio Branco, o António Vieira Teixeira, colega de escola e até companheiro na
ida ao exame da 4.ª Classe que completamos juntos. Bem como do Raul, mais velho
que eu mas que deveras comigo conversava, por ambos sermos Portistas. Tal qual
com o Pedro Celestino, companheiro de conversas no café da Longra. Enquanto o
senhor Zé Branco, embora vivendo mais acima da Longra, passava quase todo o seu
tempo pela Longra. Como depois, quando eu acompanhava muito o meu tio Zé
Moreira, também eramos companheiros de convivência e naturais conversas,
ouvindo-os contar coisas e loisas de seus tempos. Ao ponto que quando meu tio
Zé morreu, o senhor Zé Branco foi ao funeral e antes ao passar entre os familiares
do finado que estavam a receber as condolências, aquando de dar os sentimentos,
logo se me dirigiu e cumprimentou de modo especial, por saber que eu ali era um
amigo especial do meu tio falecido e eu e ele tínhamos afinidades nessa
convivência.
Jamais haverei de esquecer-me de pessoas dessas, que admirei
de ouvir e conheci em suas andanças pela Longra. Como o senhor Zé Branco. Cujas
memórias passam aqui diante de mim e pedem que sejam passadas à escrita destas
recordações, que, podendo ser simples, podem vir a ser transformadas em pedras
preciosas na afetividade da memória coletiva.
Armando Pinto
