Espaço de atividade literária pública e memória cronista

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O senhor “Zé Branco”!

 

Pegando numa ideia de recordar pessoas antigas, entre alguns personagens típicos ou figuras públicas da vivência da Longra, num tema entretanto interrompido por poder ser melindroso, tendo de se referir sobrenomes popularmente tradicionais do conhecimento publico, para natural melhor identificação… volta-se ao tema, para não cometer injustiça com outros cujos apelidos serão mais aceites. Eis então um exemplo, para citar um senhor que foi pessoa simpática nas andanças pela Longra, em tempos que já lá vão, na memória local.  

Recuando no tempo permanecido nas memórias, há certa magia da vida desde a infância, pela convivência com pessoas que de alguma forma ficaram nas nossas recordações. Percebendo ser, tal permanência no subconsciente, bem capaz de dar vida às coisas, de reavivá-las no cantinho do cérebro recriador, pelos olhos da memória, na “Pedra Filosofal” que faz o mundo pular e avançar. Como por essa espécie de retina relembro pessoas que, em meu tempo de infância e juventude, eram senhores idosos a meus olhos, ainda que os tenha conhecido na casa de seus cinquenta, sessentas e até setenta e tais anos, por exemplo. Quão relembro o senhor José Teixeira, que era muito amigo de meu tio José da Costa Moreira, o meu tio Zé.

Ora, dito e referido assim, por José Teixeira, por certo que quase ninguém verá desde já quem será, ou terá sido, melhor dizendo. Josés Teixeiras houve e há muitos. Mas se disser que se trata de evocar o senhor Zé Branco, já há quem saiba quem foi, obviamente. E o apelido nem é desinteressante, pois já antigamente se dizia que uma pessoa muito vista e lembrada era como o pão branco.

Ora o senhor Zé Branco era um senhor que me habituei a ver na Longra e muito apreciava de o ver em quaisquer das atividades que iam acontecendo nesses tempos de minha infância e seguinte juventude. Além de ser pai do meu amigo Tónio Branco, o António Vieira Teixeira, colega de escola e até companheiro na ida ao exame da 4.ª Classe que completamos juntos. Bem como do Raul, mais velho que eu mas que deveras comigo conversava, por ambos sermos Portistas. Tal qual com o Pedro Celestino, companheiro de conversas no café da Longra. Enquanto o senhor Zé Branco, embora vivendo mais acima da Longra, passava quase todo o seu tempo pela Longra. Como depois, quando eu acompanhava muito o meu tio Zé Moreira, também eramos companheiros de convivência e naturais conversas, ouvindo-os contar coisas e loisas de seus tempos. Ao ponto que quando meu tio Zé morreu, o senhor Zé Branco foi ao funeral e antes ao passar entre os familiares do finado que estavam a receber as condolências, aquando de dar os sentimentos, logo se me dirigiu e cumprimentou de modo especial, por saber que eu ali era um amigo especial do meu tio falecido e eu e ele tínhamos afinidades nessa convivência.  

Jamais haverei de esquecer-me de pessoas dessas, que admirei de ouvir e conheci em suas andanças pela Longra. Como o senhor Zé Branco. Cujas memórias passam aqui diante de mim e pedem que sejam passadas à escrita destas recordações, que, podendo ser simples, podem vir a ser transformadas em pedras preciosas na afetividade da memória coletiva.

Armando Pinto