Artigo publicado na edição de 14 de dezembro do Semanário de Felgueiras, em cuja versão normal se pode ler na sua página 16. Crónica essa que para aqui se transpõe, como de costume em registo da colaboração do autor ao mesmo jornal felgueirense, com o texto por extenso ladeado por imagem da respetiva coluna.
Aí está o Natal quase a chegar, mais uma
vez regressado o período natalício de animar semblantes interna e externamente.
Acendidas que já estão de novo as luzes coloridas da quadra, depara-se natural
envolvimento por encenações comunicantes aos sentimentos relacionados. Num ambiente
com certa comunhão a reminiscências do Natal de tempos felizes, como por norma
são guardadas nos arcanos da memória as lembranças da infância, e mesmo outras
fases marcantes da vida, nas recordações comuns à época.
Tal a ideia mantida dos sonhos chegados
ao sapatinho de Natal pela noite da consoada dentro, antigamente por idílica
graça do Menino Jesus e posteriormente por mais prosaica obra do Pai Natal. Até
à fase em que deixa de se acreditar num Pai Natal socialmente nada convincente,
seja qual for a cor e meios com que apareça simbolicamente.
Ligadas então as luzes e instalados cenários
das aldeias e praças natais de cada ambiente, paira ainda alguma esperança que
pouse no sapatinho comunitário, também, algo que reforce o espirito da quadra,
sobretudo por gestos de concretização. Na confiança do encanto que continua nos
presentes que possam advir.
Ora, nesse sortilégio, não será
demasiado que qualquer ser comum possa sempre aspirar a algo do género, mesmo
que mentalmente em figurada ideia. Qual será de no sapatinho felgueirense serem
depositadas concretizações dalguns dos anseios comunitários. Mas também alguns
desejos mais personalizados. Na extensão da iluminação citadina, normalmente
deveras circunscrita ao centro das duas cidades do concelho, quando parece que
ainda não é desta vez, pelo que se tem visto, ao tempo destas anotações, que (não)
chega qualquer estrela cintilante ou outra peça decorativa de iluminação ao
centro histórico duma das vilas, por exemplo. Acontecendo aí até só aparecer
decoração iluminada em frente dum edifício, a dar ideia de ser por iniciativa
privada e não de feição oficial, senão não se entende tal.
Enquanto isso, no sapatinho junto à
lareira, deixado para as prendas, a comemoração espiritual celebrará outros
desejos, para que algo fortaleça a segurança anímica. Quantas vezes terá vindo
à mente possíveis ocorrências, no pensamento que será de prever tudo e qualquer
coisa que possa acontecer. E disso o que possa ser feito. Porque pontes e
locais problemáticos não há só noutras regiões e a necessária revisão deve ser
tomada em conta, pois por cá também há pontos de passagens para outras margens
e mesmo estrangulamentos de confluências de vias terrestres. Assim como
passeios onde as pessoas não podem passar, por servirem de estacionamentos que
até vão destruindo as guias das bermas ainda em obras inacabadas. Neste
acidentado ambiente, cuja paisagem lembra colinas da figuração dos presépios
também próprios da festividade. Sendo que o presépio de Natal se revela um
símbolo, transfigurado no espírito afetivo como “lugar de encontro entre todos
e por todos os meios possíveis”.
Simbologia que, por outro lado de visão,
além dos pratos e doces tradicionais, para a afetividade felgueirense lembra o
pão de ló que não costuma faltar nas mesas da consoada, mas falta ainda em
expressão pública. Podendo ser um outro desejo que venha a calhar para o sapatinho
comunitário, de finalmente passar a haver em Felgueiras formas simbólicas, quais
alusões como da histórica rosca, nalgum dos espaços apropriados de acesso, em
modos de representatividade geral.
É pois este tempo de celebrações do Natal.
Época em que aparecem à cena também espetáculos e filmes a preencher espaços de
lazer. E, pelo que a magia natalícia representa, tudo se entende no significado
de sonhos e grandezas aos olhos das crianças; que mais não são, afinal, que uma
representação do mundo dos adultos.
ARMANDO PINTO
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