Espaço de atividade literária pública e memória cronista

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Memórias dos Mosteiro de Pombeiro e de Belém, de Felgueiras e Lisboa, na revista “História” do JN, em “Histórias Soltas” pelo felgueirense Carlos Ferreira

 

Por estes dias veio a público na revista "História-Jornal de Notícias" um artigo com material histórico relacionado com Felgueiras, através de trabalho muito bem elaborado e lavrado na escrita do amigo e historiador Carlos Ferreira, sobre o cenóbio de Pombeiro. Mais precisamente arrebatando memórias relativas ao felgueirense mosteiro de Pombeiro e suas rendas, na divisória que levou a demandas com o lisbonense Mosteiro de Belém, dos Jerónimos, com extensão à existência das relações ancestrais remontadas até à antiga casa de Belém, na cabeça do concelho de Felgueiras, precisamente por causa das rendas que durante o período Filipino da História Pátria tiveram história menos condizente com os pergaminhos dos anais das instituições envolvidas.

Sabendo-se que Felgueiras raramente tem merecido espaço em publicações de âmbito nacional, saúda-se esta realidade. Sendo que Felgueiras tem muita história, apenas que em tempos idos não tinha a maior parte dessa história ainda escrita em letra de forma. Coisa que atualmente já vai tendo, ainda que em parcelas apenas estudadas por alguns interessados nessas loas do espírito memorial. Calhando, desta vez, vir à tona das lembranças memorandas, por via do trabalho em apreço, algumas curiosidades de antanho, no caso a remeter a tempos da perda da Independência nacional, tais que levaram à perda das rendas de Santa Maria de Pombeiro. Quase como, pese as naturais diferenças óbvias, como nos dias que correm ocorre com as perdas de identidade derivadas das anexações forçadas de freguesias, etc. e tal…

Vem assim, como o desenvolvimento e remembrança do caso, à tona da historiografia algo esquecida ou apagada, o tema dessa situação derivada da estada da dinastia espanhola em Portugal, causando tal desmembramento das rendas dos frades de Pombeiro, do interior nortenho português, em favor da Ordem dos frades Jerónimos detentores do Mosteiro de Belém, de Lisboa. Daí, na terra do Pão de Ló, ter existido e resistido a casa da recolha das rendas de Belém na antiga povoação de Margaride, edifício por isso detentor de brasão régio com as pedras de armas reais no cunhal do lado do antigo estradão de ligação do largo da Corredoura para o Pé do Monte (depois Rua Costa Guimarães já da antiga vila e atual cidade de Felgueiras). Sendo essa então a Casa de Belém, entretanto alterada em utilização e sua fisionomia, cujo brasão granítico era ainda visível pelos anos noventa do século XX, até ter desaparecido da vista pública. 


Está esse belo trabalho nessa revista “História”, edição do Jornal de Notícias, bem no interior das suas quase 100 folhas, mais exatamente entre as suas numeradas páginas 76 à 85. Em jeito de crónica, que prende a leitura e natural interesse pela narrativa memoranda, numa evocação de algo que apraz reconhecer, a bem da justiça histórica. Algo que vale a pena conhecer, através da leitura. Como quem diz, em linguagem mais direta, a não perder, por valer bem a pena reconhecer, depois de ter diante dos olhos e passar a fazer parte de mais conhecimento. A puxar, enrolar e desenrolar, como que a envolver, o novelo da História.

Armando Pinto

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quinta-feira, 21 de abril de 2022

Grande Prémio o Jogo/Leilosoc passa em Felgueiras no próximo dia 25 de abril

A tradicionalmente importante prova de ciclismo Grande Prémio O Jogo/ Leilosoc terá na edição deste ano de 2022 Felgueiras como ponto de passagem na próxima segunda-feira, dia 25. Vindo então desde Celorico de Basto, essa que é a 4ª e última etapa do 10.º Grande Prémio de Ciclismo O Jogo, chega à sede do concelho de Felgueiras à hora do almoço, atravessando parte da cidade de Felgueiras cerca das 13, 30 horas, no início da área histórica da sede do concelho, desde a Rua Oliveira da Fonseca para seguir em direção a Sousa, Revinhade e Barrosas. Depois que a etapa arranca às 12h30 da Praça Cardeal D. António Ribeiro, em Celorico de Basto, e por fim termina em Paredes, 140,2 quilómetros depois.

Dessa etapa partilha-se a publicação respetiva publicada no jornal O Jogo, embora aparecendo de modo incompleto quanto às explicações e mesmo identificações de terras. Contudo podendo adiantar-se as indicações acima expressas, por informações obtidas por outros meios. 

Armando Pinto

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quarta-feira, 20 de maio de 2020

Cafés e lojas mistas entre marcas ambientais felgueirenses de 60 para 70, no século XX.


Assim como há sinais que refletem indicações relacionadas com a evolução de determinada época e marcas que delimitam e distinguem alguma relação derivada, houve certos estabelecimentos de convívio público que assinalaram um tempo e modo na sua marca existencial. Como foi com os chamados cafés, que por estes lados do território felgueirense se associam a tempos de transformação social, revezando hábitos que provinham de antigas tascas e lojas de comes e bebes, ao jeito de lojas mistas. 

= Exemplo de ancestrais valências em Felgueiras: - Um aspeto do hospital Agostinho Ribeiro, do lado de trás duma das enfermarias... (Foto do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997)

Ora, num tempo como o atual, em que também a época do confinamento provocado pela pandemia do Coronavírus/Covid-19 marca diferenças de hábitos e feições, tendo-se feito sentir a diferença de convivência e comunicação no episódico encerramento dos cafés… e agora que começa a haver algum desconfinamento com a retoma que reabre esses e outros locais públicos… vem a talhe uma rememoração evocativa também sobre esses mesmos estabelecimentos de cafetaria, alguns dos quais ficaram na memória histórica como elementos de progresso social, quais substitutos das antigas lojas de serviços diversificados.

= Imagem do exterior do café Jardim, já em inícios do século XXI e antes da última remodelação (de fotos que circulam na Internet).

Recuando aos anos de transição dos anos sessenta para setenta, quando mais se fez sentir uma rápida evolução em muitos setores sociais, e naturalmente incidindo no que o autor conheceu e se recorda (o que não invalida outros casos, dos quais quem se lembrar e conheça pode também narrar por sua vez e autoria), havia na então vila de Felgueiras o Café Albano como principal referência (existente já desde uns bons anos antes), quase a par com o Café Belém, em cada caso com clientela especial; e depois apareceu o Café Popular, que como o nome indicava passou a ser frequentado pelo pessoal mais diverso. Assim como depois ainda o café Cari, com o nome do prédio em que se inseria. Ainda os cafés eram sítios de homens apenas, não sendo habitual e muito menos normal ver mulheres casadas e raparigas solteiras a acompanharem maridos e namorados. Algo que mudou depois com o surgimento da Moderna, como era chamado o café da Pastelaria Moderna, na rua de entrada (e mais tarde conhecida por rua velha, após o rasgamento da avenida nova…). E especialmente houve um café mais especial, para a rapaziada nova e juventude estudantil, como depois ficou também a ser frequentado por gente mais seleta, por assim dizer, que foi o Staminé, do Doutor Hermínio.

= Aspeto interior do Staminé. Foto de postal da época (em cujo verso constava a legenda anexa).

Era a então vila de Felgueiras um ponto de passagem nos itinerários do interior do Douro Litoral, mas sem nada de especial a fazer paragem aos viajantes. Num limbo de simplicidade e ainda antiguidade, como se notava em edifícios com marcas temporais, por exemplo.

= Um aspeto de algo característico da vila de Felgueiras de inícios dos anos 70: Quartel antigo da GNR, em frente aos Bombeiros, ao tempo de chefia do sr. Cabo Pinto.

Enquanto isso, na Longra abria também o Café Longra, junto ao Largo da Longra. Obra do sr. “Manuel das Mobílias”, como era localmente conhecido o amigo sr. Manuel Marinho Silva. Sendo de notar que nesse tempo na estrada nacional de ligação de Lousada para Felgueiras, por exemplo, dentro do espaço concelhio de Felgueiras apenas havia algumas tabernas a beirar a estrada, bem como lojas de mercearia com serviço também de tasquinhas, as populares “vendas” de vinhos e petiscos. Havendo na Longra, já na estrada para Caíde mas logo a seguir ao Largo, a Casa do Povo desde 1939 com seu bar (mais sala de espetáculos e cinema, além do Posto Médico), funcionando ali de noite e em horas de espetáculos um centro de convívio ao jeito de café, que até ao final dos anos da década de 60 era único sítio do género nas redondezas. 

= Imagens duma loja de venda diversificada na Longra, que em tempos também serviu de taberna, mas por fim, com o último “vendeiro”, o sr. Fernando Machado, se dedicou à especialidade de mercearia (Fotos do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Deparando-se então em inícios de 1970 a mudança com a abertura do café da Longra (inicialmente aberto em finais de 1969, e definitivamente ao início de 1970).

= Imagem de tempo inicial do Café Longra, com aspeto clássico de seu interior à época da fundação, em 1969/1970. (Foto do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Pois também em 1970 abriu o Sataminé em Felgueiras. De nome oficial Staminé Relax-Bar, era então uma espécie de salão de chá, com serviço de restaurante “snack-bar”, funcionando também como discoteca. Uma casa que orgulhava Felgueiras, ao tempo uma pacata vila quase desconhecida do Norte, na fronteira do Distrito do Porto com as províncias vizinhas, que com aquela porta aberta passou a ser visitada por pessoas de vilas e cidades das redondezas, à vista da iniciativa do Dr. Hermínio Martins (farmacêutico e também professor do Ciclo Preparatório em Felgueiras, bem como tido por pessoa muito culta, como alguém avançado para a época no ambiente felgueirense).

= Imagem com o “Spot” publicitário da casa, constante das bases de copos (colocadas nas mesas para proteção e embelezamento), à época.

Entretanto pelo concelho depressa foram alastrando novos cafés, que entretanto ganharam estatuto e ainda fazem parte da memória de muitas localidades e suas gentes.

 = Panorâmica do Largo da Longra nos últimos tempos da “Loja da Ramadinha” (Foto do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Claro que continuava e bem o Café Albano, nome popular do Café Jardim, mais a Pensão Albano com serviço de restaurante e cave com tradicionais petiscos, a marcar sua presença na sede concelhia. Sendo aliás o Café Jardim o mais emblemático da cabeça do concelho, desde que foi criado em 1948 pelo famoso senhor Albano, Albano Costa e Sousa (ao qual o autor destas linhas dedicou um artigo no Semanário de Felgueiras, há alguns anos já, cuja narrativa também foi partilhada neste blogue). Tudo em ambiente social de permeio reforçado com os restantes cafés. Como depois foi aumentando a chamada concorrência, na expansão que ao longo dos anos foi ampliando os locais de convívio.

= Sequência de imagens com o Café Longra em tempos diferentes (Fotos do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Passado já meio século (quando se escreve isto) são muitas as diferenças daqueles tempos de transição social e ambiental. Algo a merecer atenção, nas marcas do tempo.

Armando Pinto
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quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Uma foto interessante – duma das casas projetadas por Luís Gonçalves… em Felgueiras.


Estando prestes a ser apresentado publicamente o mais recente livro do autor, sobre “Luís de Sousa Gonçalves - O Senhor Sousa da IMO”, vem a propósito lembrar que foi aquando do lançamento do livro intitulado “Luís Gonçalves: Amanuense-Engenheiro da Casa das Torres”, em 2014, que germinou a ideia de biografar também o industrial neto do arquiteto do palacete felgueirense das Torres. Vindo à ideia este facto por um destes dias ter chegado aqui, ao autor deste blogue e dos livros, uma foto de um outro palacete (sito em frente ao outro, referido) com desenho também da lavra de Luís Gonçalves (de Matos), a mansão conhecida por Palacete Henrique Fonseca, por ter sido do irmão do edificador do palacete das Torres. Edifício esse construído mais tarde, já nos anos vinte (e que na foto aparece datado de 1927), enquanto o das Torres foi erigido antes de 1919.  


A propósito, recorde-se algo relacionado, conforme foi anteriormente já descrito em artigo sobre antigas casas de brasileiros (clicando) em


Armando Pinto


terça-feira, 6 de março de 2018

Antiga carta geo-topográfica do Distrito do Porto, com Felgueiras… ainda também salientada por Margaride!


Veja-se… Carta do Distrito do Porto com a indicação das (então) novas estradas até 1885. Sendo aí indicados devidamente todos os concelhos do distrito, com Felgueiras ainda salientada pela anterior topografia conhecida de… Margaride, além naturalmente do termo do próprio concelho.  Da anterior importância do nome agora circunscrito à freguesia central; e mesmo assim já a diluir-se na atual união de freguesias, se vingar essa farsa, das diversas aberrações… quanto ao atual estado administrativo no território concelhio felgueirense.


Uma curiosidade, patente no referido mapa de testemunho histórico, hoje em dia perdurável desse conhecimento no famoso pão de ló que manteve anterior nome matricial.

Armando Pinto
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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Artigo no SF de temática subjacente à época...


Como de costume por três vezes ao mês, às sextas-feiras correspondentes, o Semanário de Felgueiras está nas bancas e em casa dos assinantes com novidades. E, como de tantas vezes, desta feita com mais um artigo da colaboração que o autor deste blogue mantém no mesmo periódico concelhio desde 1996 – de período anterior aos vinte anos que este mês se completam, no próximo dia 21, desde a publicação do livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras" (patrocinado pelo mesmo "Semanário", graças ao reconhecimento do Dr. Manuel Faria pelo trabalho do autor no âmbito histórico-cultural felgueirense).

Ora, continuando com a mesma participação neste jornal, aí está mais um artigo de opinião.


Sob motivos do imaginário popular de relação ao tempo comum, incide sobre temas de interesse coletivo a redação escrita com que, esta semana de fim de outubro e princípio de novembro, se procura aflorar alguns motes da realidade felgueirense, na ligação à presença dos contornos nacionais na atual dependência europeia. Sem explanar demasiado, até quase a preceituar apurada atenção da leitura para a intenção da narrativa expositora. Com entremeios de algumas figuras de estilo e o mais que se pode ler, porque o que é doce nunca amargou e todos ansiamos por bom sabor para o que gostamos, de maneira melhor aos sentidos. 

Tal o intuito do artigo, publicado na edição do Semanário de Felgueiras à chegada da primeira  sexta-feira de novembro, conforme se transcreve :

Doçura ou travessura

Pelo meio desta semana de mudança da hora e dos meses da transição do outono, passou a noite do chamado Halloween. Essa noitada importada dos Estados Unidos da América e deveras notada através dos filmes americanos que ao longo de gerações foram chegando à Europa e por extensão ao cantinho português do extremo ibérico. Como até a esta região felgueirense do pão de ló de Margaride e uvas de antigos bardos e ramadas, a salpicar a tela de cores em vislumbres desde o alto de Santa Quitéria, miradouro de Santana, monte da Aparecida, Senhor dos Perdidos e outros pontos altaneiros da região felgariana. Numa natureza alterada pelos desígnios da Europa político-comunitária, chegada a era de profusão das vinhas e frutos da CEE, passados os tempos das castas locais, enquanto a produção caseira vai dando lugar ao que se vê a perder de vista, na toada natural da evolução da vida social. Como meros exemplos do que territorialmente se estende às uniões de freguesias que alteram carateres, mais o caráter do que antes unia e hoje mais separa.

Então, quão está a ficar enraizado nos hábitos, na transformação de antigas tradições para novas habituações, em plena noite da véspera e chegada do Dia de Finados, teve lugar a meio desta semana a senha da noite das bruxas, o já conhecido chavão de “doçura ou travessura”, em brincadeira típica do Halloween, qual celebração de crianças e até adultos que, de casa em casa ou diante de familiares e pessoas amigas, ditam a sentença…

Perante a atualidade, aqui pelo concelho de Felgueiras, embora sem arremedos fantasiados, por não se querer fingir a realidade e muito menos meter medo a quem quer que seja, também o povo felgueirense, antes ainda, logo ao princípio do mês, decidiu solicitar um novo maná, qual pão das almas (como antigamente em certas regiões havia a tradição do pão de Deus e por cá era costume as caveiras de botefas esburacadas a alumiar nas desfolhadas da quadra dos Santos, pela época da lembrança de Todos os Santos, à chegada do dia dos Fieis Defuntos). Estando assim ainda no paladar do povo de Felgueiras a doçura pedida, na esperança de um futuro amplo.

Ora, longe indo os tempos de antigas lendas que davam como escondidas riquezas no chão de terras nortenhas, através de tesouros que os mouros deixaram enterrados na fuga provocada por sua expulsão por sítios da sucessiva Reconquista cristã e no reino portucalense, pela região e nos alvores da nacionalidade, acrescidas algumas curiosidades também soterradas muito mais tarde aquando das invasões francesas, para evitar maiores perdas nos desmandos provocados pelos gauleses napoleónicos, ainda há muita riqueza, porém, no subsolo e acima do chão por estas bandas, nas potencialidades desta região também de mel, onde as abelhas do brasão concelhio têm correspondência no labor da gente que gosta de viver sentindo bem o que é a sensibilidade de ser Felgueirense. Sem que esta terra tivesse ficado com grandes marcas de períodos antecedentes, como a romanização, mas que tenha sinais evidentes da muito posterior cultura da edificação românica, naturalmente distintiva. Bem como noutros aspetos da história local que, mais ou menos conhecida, tem cunho próprio. Em quanto, afinal, se evidência a atenção popular, como se nota no interesse, mais por instinto afetivo que institucional, com que boa parte do povo gosta de ver e saber sobre particularidades da memória coletiva. E agora o futuro está aí, a ganhar na vista da esperança que as lições de outrora sejam tidas em conta no presente. Tal como sem valorização do passado não haverá boa visão do futuro.

ARMANDO PINTO
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terça-feira, 6 de junho de 2017

Reabertura da Casa do FC Porto de Felgueiras revitalizada


Chegou ao conhecimento, por estes dias, que vai reabrir proximamente a Casa do FC Porto de Felgueiras, Delegação nº 84 do FC Porto, fundada oficialmente em 15 de Março de 2004 e cuja sede inicial teve inauguração com pompa e circunstância a 24 de setembro do mesmo ano. Sendo então agora essa instituição felgueirense revitalizada, depois de entretanto ter mudado de edifício-sede e posteriormente haver ficado inativa há algum tempo, de permeio.

= Imagem integrante da 1ª página do jornal desportivo nacional O Jogo de 25 de setembro de 2004 =

Renasce assim, agora, essa Casa Portista Felgueirense, satisfazendo anseios de bons apoiantes do clube mais representativo do Norte de Portugal e maior embaixador desportivo do país, através de jovens adeptos em que se depositam esperanças de uma vivência dragoniana ativa.

Enquanto isto nos enche para já as medidas de satisfação, por Felgueiras deixar de estar atrás de outros concelhos nesta matéria, sendo como é o FC Porto algo especial na identificação bairrista, para quem se identifica com os símbolos e valores da nossa região, recordamos aqui a história da interligação felgueirense ao mundo portista e extensivamente a parte entretanto vivenciada com esta representação do grande baluarte desportivo nortenho, em crónica ilustrada com respigos de reportagens e recordações alusivas à mesma ligação portista vivenciada.

Felgueirenses-Dragões

O ano de 2004, entre outras ocorrências de maior ou menor interesse para os Felgueirenses, foi marca temporal da criação da Casa-Delegação do Futebol Clube do Porto em Felgueiras. Ano esse em que o F. C. do Porto confirmou a sua superioridade futebolística em Portugal, obtendo o seu 20º título de Campeão Português, e se salientou na amplitude do velho continente com a conquista da Liga dos Campeões Europeus/2004 e mesmo a nível mundial com a obtenção da Taça Intercontinental/2004, que deu ao símbolo azul e branco mais um título de Campeão do Mundo.

 = Primeira página do jornal Semanário de Felgueiras de 1 de Outubro de 2004 =

Não sendo o tema da inauguração da Casa do F. C. Porto de Felgueiras, naturalmente, um facto respeitante à totalidade dos munícipes locais, marcou de certa forma um tempo de unidade da sua maioria. Embora alguns adeptos de outros clubes se tenham antecipado, já que antes apareceram, na sede do concelho, idênticas representações dos clubes grandes do sul do país (apesar de uma delas, a Casa do Sporting, entretanto ter fechado, enquanto a outra, a do Benfica, também até esteve moribunda algum tempo, tendo sido reaberta depois), o caso despertou mesmo assim amplo interesse por ser revelador da unidade de significativa franja de pessoas identificadas pelo mesmo clube distintivo do norte do país. Tal espevitamento tardara, possivelmente, pela relativa curta distância de Felgueiras ao Porto-cidade, não havendo assim tanta necessidade como para os simpatizantes dos clubes de Lisboa. Mas apareceu e logo em tempo de euforia para os simpatizantes e adeptos da grande coletividade azul e branca: Atendendo a que, depois de históricos títulos, desde o primeiro importante galardão Portista, com a Taça dos Campeões, ganha pelo F. C. Porto em 1987, e depois o primeiro cetro de Campeão Mundial, quando o Porto venceu a primeira Taça Intercontinental obtida por um clube português, ao que se seguiu a Supertaça Europeia em 1988; e após novas alegrias com sucessivos títulos, tendo no bornal já a série de campeonatos nacionais consecutivos que totalizaram o famoso e único “Penta” conquistado em Portugal, culminou na época de 2003 em que o mesmo Clube-Dragão ganhou tudo o que havia a ganhar, a nível nacional e sobretudo internacional com a Taça UEFA, fazendo o pleno com soma de todas as provas portuguesas, Campeonato (da Liga, como se chamava, e Superliga, como se passou então a chamar), Taça de Portugal e Supertaça; depois o ano de 2004 trouxe mais um título nacional na vitória da Superliga Portuguesa e em apogeu de seguida sobreveio suprema euforia com a conquista da Liga dos Campeões Europeus, acabando ao findar do mesmo ano no levantar da Taça Intercontinental do Mundo, no Japão, num autêntico novo encher de peito, com aquela respiração que faz bem ao coração.

= Reportagem numa das páginas interiores do Semanário de Felgueiras de 01/10/2004 =

Visto isso, vem a talhe, no que nos toca, fazer uma ligação mais que justificada desse grande fenómeno relativamente com a nossa terra, onde existe desde 2004 a Felgueirense Casa do F. C. Porto, que, depois de breve hiato, volta este ano a abrir portas. Reforçando laços de afinidade portista.

Ora, vem de longe a referida afinidade, como há o exemplo de em 1928 se ter realizado a prova de ciclismo denominada “Porto-Felgueiras-Porto”, ganha por Manuel Nunes de Abreu, do F. C. Porto, como ficou para a história. Mais tarde houve um Felgueirense, o Eng.º Mário Castro, que chegou a ser um grande atleta do F. C. Porto em Andebol de Onze, na década de quarenta e cinquenta, do século XX, tendo sido então campeão nacional com o FCP e “internacional” pela seleção portuguesa da modalidade, bem como, já nos anos sessenta, o mesmo também manteve notoriedade como campeão nacional em Pesca Desportiva, igualmente neste caso em representação da coletividade da Constituição e das Antas. Ainda nos anos cinquenta, correu nas estradas do país e pela estranja o ciclista Artur Coelho, que ao serviço do FCP foi camisola amarela em diversas Voltas a Portugal e venceu a Volta a S. Paulo, no Brasil, em 1957 (a cuja memória já dedicamos uma crónica, anteriormente), ao passo que nos campos de futebol evoluíram os então jovens Felgueirenses António Freitas e António Silva, que enfileiraram na equipa de juniores de futebol com a mesma camisola alvi-anil, sob orientação de Artur Baeta. Por esse tempo, Felgueiras teve também seu nome associado à magna campanha de angariação de fundos para a construção do Estádio das Antas, inaugurado em 1952, tendo anteriormente vindo até aqui, nesse âmbito, a equipa principal do Porto, com suas vedetas do tempo (conforme registamos no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”). Performances que tiveram sequência com outros vínculos mantidos, por gente destas paragens, noutros campos onde pulsava interesse azul e branco, como foi o caso do dirigismo e demais funções. Quanto aconteceu com Adriano Castro, personagem que por esses idos de cinquenta, sobretudo, trouxe a Felgueiras diversos atletas Portistas, que eram nessa era autênticos ídolos do desporto, para realizações de apreciadas provas; assim como o anteriormente referido Eng.º Mário Sampaio Castro e Deolindo de Sousa Machado foram membros da Assembleia Delegada do FCP, a meio da década de sessenta; tal como o mesmo Eng.º Mário Osório Pinto Sampaio e Castro chegou a ser vice-presidente do F. C. Porto, nos inícios de mandato do Dr. Américo Sá, de finais de sessenta e meados de setenta; altura em que Artur Peixoto Júnior foi Seccionista do Atletismo Portista; como depois Armindo Vasconcelos foi redator do jornal “O Porto”, órgão de informação do F. C. Porto de que o autor destas linhas foi igualmente colaborador desde 1974 a 1980, além de termos estado também envolvidos na secção de Hóquei em Patins do FCP.

= Reportagem do jornal desportivo nacional O Jogo de 25 de setembro de 2004 =

Volvidos anos, após o F. C. Felgueiras ter dado salto até à então 2.ª Divisão Nacional-Zona Norte, como ao tempo se disputava o 2º campeonato maior português, tendo passado a dispor de melhores estruturas a partir de alterações verificadas no campo de jogos (transformação essa de que resultaram melhorias patentes nas instalações, sobretudo alteração no posicionamento do retângulo de jogo, alargamento das suas medidas e necessário arrelvamento), a respetiva inauguração da 1ª fase do complexo desportivo ocorreu em Setembro de 1985 perante programa de que constou como prato-forte um prélio amigável disputado com o F. C. Porto (que incluiu algumas “vedetas” desse tempo, como Walsh e Juary). Depois disso, conquistada em 1992 pelo Felgueiras a sua primeira presença na 2.ª Divisão de Honra, juntando pecúlio do pódio de Campeão da 2.ª Divisão Nacional B, houve festa de imposição das faixas de campeão, de novo com presença do F. C. Porto (através de formação composta pelos seus titulares, os detentores do título nacional máximo da época), honrando de tal maneira esse jogo festivo com as duas equipas campeãs de suas divisões, prélio que assinalou diante dos prosélitos locais essa data marcante da Equipa Felgueirense.

De permeio outras ligações foram surgindo, contando títulos nacionais de atletismo, quer de Aurora Cunha como Fernanda Ribeiro, obtidos nas respetivas provas disputadas em terrenos de Felgueiras (do Campeonato Nacional que foi corrido na original pista de cross, da zona desportiva, onde mais tarde nasceu campo de futebol “pelado”) e vitória de Fernanda Ribeiro na II Corrida dos 12 KM Várzea-Felgueiras; como diversos prélios de camadas jovens e jogos particulares de formações seniores; bem como organização de provas de automobilismo, nomeadamente o Rali do F. C. Porto. Sem pormenorizar outros aspetos, como a existência de associados entusiastas do F. C. Porto propagados pelo concelho de Felgueiras, e possivelmente outros casos curiosos.

Até que o F. C. Felgueiras e o F. C. Porto se encontraram oficialmente na primeira e única época em que o clube mais representativo do concelho de Felgueiras esteve na prova cimeira do futebol luso. Com efeito, em 1995/96, o Felgueiras empatou no Estádio Dr. Machado de Matos com a formação da Invicta (1-1) e saiu derrotado do embate das Antas (6-2) na 1ª Liga. Tendo nessa época, além de João Costa que estava cedido ao clube felgueirense,  também se salientado o então jovem Sérgio Conceição, emprestado pelo FC Porto e que em Felgueiras evoluiu a pontos de na época seguinte logo ter feito parte da equipa principal do FC Porto, dando salto conhecido da sua carreira.

Entretanto, a meio da mesma década de 90, mais um Felgueirense incorporou os Corpos Sociais do FCP, na gerência de grande timoneiro Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa, quando Mário Cunha passou a ser membro do Conselho Superior do F. C. Porto, tendo de seguida o mesmo sido reconhecido a nível clubista, galardoado em 1996/97 com o trofeu Dragão de Ouro de Dedicação Portista do ano 1996.

Depois disso as duas equipas com mais adeptos em Felgueiras voltaram a encontrar-se, tendo dessa feita, ao findar Dezembro de 2000, o F. C. Porto vencido em Felgueiras por 3-0 numa eliminatória (16 Avos) da Taça de Portugal.

Chegados tempos mais recentes, alguns jovens Felgueirenses tomaram o Porto por destino, tendo Inês Moura, atleta juvenil de especialidades em Atletismo, despertado interesse do grande clube nacional, passando a envergar a camisola azul e branca a partir de 2001/2002; assim como o promissor futebolista Tiago Moreira passou a representar o FCP na categoria de infantis em 2000/01, de onde transitou posteriormente aos Juniores. Depois André Pacheco, Felgueirense formado nas camadas jovens do Vit. de Guimarães, rumou às Antas, tendo integrado a equipa do F. C. Porto de juniores em 2002/03. Com outro estatuto, seguiu também até ao Clube-Dragão o guarda-redes Vasco Viana, que em 2002/03 fez parte do plantel sénior do F. C. Felgueiras, o qual encontrou então no Porto como companheiro o referido André Pacheco, médio entretanto incorporado nos seniores, pelo que ambos passaram em 2003/04 a fazer parte da Equipa B do F. C. Porto, de possíveis promessas do Estádio do Dragão, embora depois tenham passado a evoluir noutras formações, em diversos clubes onde deram continuidade à sua carreira. Tal como, depois, o avançado Jaime, que despontara na equipa principal do F. C. Felgueiras, integrou em 2005/06 também a Equipa B do F. C. Porto, no então último ano de existência dessa categoria na antiga fase experimental (visto no defeso de 2006 ter sido extinto esse escalão, até ter regressado noutras condições há três épocas, como se sabe).

 = Reportagem no (entretanto extinto) jornal Voz de Felgueiras, de 8 de Outubro de 2004

Ora, entre tudo isso, foi então em 2004 implantada a Casa do Futebol Clube do Porto de Felgueiras, fundada a 15 de Março. Ficando a ser a Delegação nº 84 do F. C. Porto, cuja sede foi inaugurada a 24 de Setembro do mesmo ano, com a presença do Presidente Pinto da Costa – o qual procedeu ao corte simbólico da fita, tendo depois convivido com cerca de mil Portistas de Felgueiras em jantar festivo e bem servido de fervor clubista, pois que não cabiam mais no salão em que tal repasto teve lugar (enquanto, segundo os relatos da imprensa, nas inaugurações das outras sedes referidas, não estiveram mais de cerca de uns duzentos convivas, dos outros ou seja dos rivais de Lisboa).

Depois disso, na sede, ali ao lado do jardim central da cidade de Felgueiras, entre Portistas, aficionados do mesmo emblema e apaixonados das mesmas cores, se viveu e vibrou com vitórias a nível nacional e internacional, com destaque para o título de campeões mundiais de clubes, com a Taça Intercontinental ganha em Dezembro de 2004; a Taça de Portugal de 2006, mais os campeonatos nacionais da Superliga em 2006 e 2007.

Posteriormente, por motivos ligados à exploração do espaço do bar, essas instalações, arrendadas, foram encerradas em finais de 2007, sendo adquirida uma casa na zona das Idanhas, junto à rotunda de entrada na cidade, para onde, depois de profundas obras de remodelação, foi transferida a mesma Delegação Portista, aí se fixando em 2008 a Casa do F. C. Porto de Felgueiras. Cujas instalações albergam a mesma instituição nesta nova fase de revigoramento, prestes a ganhar forma.

= Recordações pessoais de associado da Casa do FC Porto de Felgueiras e do dia da inauguração festiva.

Assim, em leves traços, ao correr de registo identificativo da prezada ocorrência singular verificada desde 2004, para documentário perene, fica uma simplificada imagem da ligação de Felgueiras e Felgueirenses ao maior clube português, cujos laços ficaram antes e ficarão agora proximamente mais fortes com a instalação e revitalização da Casa do F. C. Porto na terra do pão de ló e pólo importante do calçado. Facto esse começado num ano de tantas conquistas que, somadas a todas as já obtidas, e ao que irá advir para orgulho dos muitos e bons indefetíveis adeptos, fazem deste símbolo nortenho o mais representativo de todos quantos sentem o que identifica apego bairrista pela nossa região...

Em tempo de crise social e económica, como o que se sentiu e sente bem nos primeiros tempos do século XXI, só mesmo o FCP, com Esta Vida de Dragão, consegue servir de escape, como que substituindo as reservas pátrias de ouro no nosso orgulho!

Armando Pinto
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Nota Bene:
Na pertinência desta feliz ocorrência atual, atente-se noutros artigos insertos anteriormente neste blogue “Longra Histórico-Literária” (e ainda no "Memória Portista") sobre ligações felgueirenses ao FC Porto, sendo também Felgueiras especialmente terra de bons Dragões, sobretudo, conforme se relembra em compacto de artigos respetivos 
- clicando aqui e aqui !
A. P.

sábado, 13 de maio de 2017

Fátima – No centenário das Aparições aos Pastorinhos e ligação a esse sítio sagrado…


No centenário das Aparições de Fátima, por ocasião da vinda do Papa Francisco à celebração da data centenária da primeira aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta, na Cova da iria; e canonização dos Bem-aventurados Francisco e Jacinta Marto; é ocasião de aqui juntar algumas imagens de objetos de afinidade pessoal relacionados com Fátima. Incluindo livros, pagelas, estampas e inclusive uma foto de interessante vislumbre – para efeitos de registo atinente à memória coletiva.


Assim, aqui colocamos com intuito dessa relação alguns antigos “santinhos” guardados, quer do que foi dos pais do autor destas linhas, como de coleção pessoal, vindo desde longos tempos, incluindo postais e pagelas de outrora e mais recentes, mais capas de livros e de modo particular uma pose fotográfica “À LA MINUTE” dum “Passeio a Fátima”, como à época se dizia das excursões de três dias a Fátima e terras de passagem, efetuada por volta de 1959. Tratando-se duma excursão, de “camioneta do Cabanelas”, da então vila de Felgueiras, com gente de Rande e Varziela, de Felgueiras, mais de S. Miguel e Santa Margarida de Lousada (onde estava nesse tempo como pároco o Padre Luís Matos, natural de Rande e com família em Varziela, também). Reportando isso a tempos que a ida a Fátima ainda era caso raro para as pessoas da região.  Algo que se transporta à atualidade, quando a ida a Fátima já é outra coisa, mas sempre com um sentimento próprio, como local especial que é, efetivamente, de sagrada devoção e atração para muita gente.



Armando Pinto

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