Espaço de atividade literária pública e memória cronista

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

De vez em quando - Uma foto com história: equipa do antigo Externato de Felgueiras com dois antigos alunos da Escola da Longra

Num registo fotográfico de meio dos anos 60, eis uma fotografia da equipa de futebol do Externato Infante D. Henrique, de Felgueiras. No caso tratando-se da ocasião de um jogo entre a equipa do Externato Infante, de Felgueiras, com a do Externato Eça de Queirós, de Lousada, em 1966, disputado no campo de jogos de Lousada - segundo as informações de onde se recolheu esta imagem. Contendo a interessante visibilidade de mostrar fisionomias de jovens desse tempo do concelho de Felgueiras, que entretanto foram figuras conhecidas, quer dos meios da então vila e depois cidade de Felgueiras, como das povoações e vilas concelhias. Com a curiosidade de entre eles estarem fotografados, nessa pose de conjunto, dois antigos alunos da Escola Primária da Longra e atuais membros do grupo “Colegas de Escola e Amigos” - Jorge Novais e Adélio Machado. 

Deixa-se à perspicácia e memória dos leitores descobrirem o respetivo posicionamento de cada um, na foto.

(Nota: Em caso de saberem e poderem, aconselha-se quem quiser comentar a fazê-lo aqui, através da caixa de comentários do blogue, visto só nos locais de partilha nas redes sociais se dispersarem os comentários e assim espalharem repetições, por exemplo. Mas naturalmente em qualquer dos locais também será interessante. ) 

Armando Pinto

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O senhor Pereira do lugar das Quatro Barrocas!

Com a criação do "Grupo Colegas de Escola e Amigos",  grupo de amigos, de homens e mulheres, de conhecimentos pessoais da Longra e arredores, para um convívio anual de colegas de diversas gerações com ligações comuns (quão é uma realidade desde algum tempo e teve maior impacto a partir do ano passado), começaram a vir à flor da pele das lembranças certas sensações recordatórias. Visto muita da gente desse reencontro, antes disso, nem se ter encontrado durante largos anos, havendo passado muito tempo sem se verem, por via das transformações da vida e deslocações por outros locais de residências. Derivando desse avivar de afinidades as memórias comuns que ligam o presente ao passado, em factos e pessoas de boa memória. O que fez vir à tona dos pensamentos aqui do autor deste blogue a ideia de lembrar, por escrito e através deste meio da blogosfera, alguns personagens do passado da região e de algum modo relacionados com a idealização da memória local. Sendo desta feita também vez de lembrar o senhor Américo Pereira, que na Longra viveu no antigo lugar das Quatro Barrocas, sítio hoje da chamada Rua das Cortes Novas. O senhor Pereira que neste blogue já tinha sido lembrado antes, aquando de um aniversário de seu falecimento, sendo agora relembrado na linha de rememoração de pessoas que foram figuras públicas e populares entre amigos e conhecidos da Longra.

Recuam no tempo as rememorações que vêm à testa do pensamento, lembrando quando ali nos caminhos das Quatro Barrocas da Longra brincávamos em magotes de amigos, entre crianças da Longra e arredores, juntando-nos todos lá no cruzamento das Alminhas, por norma, sem ninguém precisar de combinar nada, pois todos sabíamos que ali era local de encontro. Onde, em grande parte do dia, eramos livres como passarinhos. E também ali à beira vivia o senhor Pereira e a D. Isaurinha Cardoso, pais do Zezé, o meu amigo Zé Pereira. Ali brincando eu também com ele, mais o Rosário, o meu irmão Fernando, também o Fernando e o Quim da Angelininha, como ainda outros, dos quais me lembro bem (mas não  menciono porque teria de os referir pelos apelidos populares, para melhor identificação), entre cujo grupo depois se foram juntando alguns mais novos, entre os quais o Lino e o Tó Jó. Assim como umas vezes por outras apareciam também outros mais esporádicos como, por exemplo, o Tó Pedro e o Alexandre Abreu. Tal como nas férias escolares se juntavam ainda alguns vindos de fora, para passarem algum tempo em casa de avós ou tios, por exemplo. Assim como outros amigos da escola da Longra que também se juntavam sempre que podiam. E, todos nós, de permeio com jogos e corridas, quando podíamos aproveitávamos também para entrar em casa do amigo Zezé e então vermos alguma coisa na televisão da casa do senhor Pereira, sempre sob o sorriso simpático da D. Isaurinha, ainda prima da minha mãe, salvo erro em terceiro ou quarto grau. Tendo nós esse senhor Pereira como alguém que metia respeito e era algo especial, como quando ele gravou as cantigas do Rancho Folclórico da Longra aquando do São João das Quatro Barrocas, o que depois nos fez ficar admirados, interrompendo as brincadeiras, ficando mesmo quietos e calados a ouvir, quando ele pôs aquilo a tocar desde a janela de sua casa. Isso e tanta coisa mais, numa infinidade de boas lembranças desses bons tempos.

É esse o senhor Pereira que aqui e agora é tempo de recordar. O amigo senhor Américo Pereira que foi figura pública da Longra e conhecido homem das obras municipais de Felgueiras nos anos 50 e 60, do século XX. Em tempos deveras associado à vida concelhia como responsável do setor de obras na era de Presidentes da Câmara como o Dr. José Leal Faria (nos últimos tempos de sua presidência), Dr. Dias da Cunha, Dr. António Leal de Faria, Dr. Dias Ribeiro e ainda do Dr. José de Barros (em parte de sua presidência). Além de pessoa culta, grande colecionador de discos de vinil com música portuguesa de sua preferência e inovador de meios informáticos de tempos antigos na região. Tanto que teve em sua casa o primeiro aparelho de televisão na Longra, onde causou sensação nesse tempo com a montagem da sua grande antena para a captação televisiva, erigida no quintal da casa, quando nada disso ainda havia pela região. Mais tarde ficou também ligado ao surgimento e continuação nos primeiros tempos da Rádio Felgueiras. Como, sobretudo era amigo de seus amigos. E fomos amigos. 

Américo Soares da Silva Pereira, nascido em 1925 no Padrão da Légua, Leça do Balio-Matosinhos, passou a viver na Longra, concelho de Felgueiras, nos inícios dos anos 50, onde veio a falecer a 8 de maio de 1994.

Comungando ambos grande paixão pelo Futebol Clube do Porto, eu e ele, como ele sabia eu ser portista ainda em criança, por então já ser muito amigo e colega de brincadeiras de seu filho mais velho, como depois pelos anos adiante sempre frequentei muito sua casa na convivência com todos os seus filhos, Zé, Belinha e Lino, em sua casa quantas vezes ouvimos os relatos dos jogos do Porto e apreciei como ele vibrava em tudo com seu vozeirão. Tal como ainda o acompanhei também numas das suas idas de carro à procura de locais de passagens da Volta a Portugal em bicicleta, para vermos passar os ciclistas do F. C. Porto. Antes ainda, como o sr. Pereira era também grande aficionado pelo Futebol Clube de Felgueiras, ficou ligado à primeira subida de Divisão do clube azul-grená felgueirense, em julho de 1965, por ter proporcionado um género de estágio aos jogadores felgueiristas antes da finalíssima com o F. C. Lixa, que levou à ascensão d’ “o Felgueiras” da então 3.ª Divisão à 2.ª Distrital da Associação de Futebol do Porto. Sendo deveras conhecida sua presença nos jogos do campo da Rebela (depois chamado campo Dr. Machado de Matos e muito mais tarde com o mesmo nome já transformado em estádio), sentado num banquinho que levava sempre, visto nesse tempo a assistência do público ser em pé no então campo de terra do Felgueiras, onde ele se colocava junto ao ferro de separação, normalmente. E por vezes ainda levava alguns jovens da Longra a ver jogos do Felgueiras fora de casa. Era grande admirador do Sabú, sendo famosas as suas chamadas de apoio ao "Sabuzinho", com sua voz forte. Como na época do treinador-jogador Caiçara acompanhou a equipa para todo o lado. Tendo merecido bem algumas fotos que no fim das respetivas épocas recebia, com as equipas das históricas subidas.

= Equipas do FC Felgueiras de 1964/1965 e 1965/1966

Volvidos anos, quando passou a seguir mais assiduamente os jogos do Porto, no Estádio das Antas e em pleno entusiasmo do tempo do treinador Pedroto, sobretudo, era também bem conhecida sua voz potente a puxar pelo Frasco, médio organizador de jogo do FC Porto, chamando-lhe "fanéquinha", em tom de incentivo, por ser de Matosinhos, terra de peixe pescado e concelho de onde um e outro eram oriundos. 

Assim sendo e na calha extensiva, recordamos aqui o amigo sr. Américo Pereira da Longra, com lembrança da notícia que ao tempo foi escrita por este seu amigo (juntando mais alguns dados fornecidos pelo propoprietário do jornal) e publicada no Notícias de Felgueiras, edição de 12 de maio desse ano de 1994.

Sobre ele depois ficou exarado pessoalmente, também, algo no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” (publicado em 1997), aludindo alguns factos relacionados.


Armando Pinto

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Atendendo ao ditado antigo... estará este inverno (de 2026) para acabar...?

 

Hoje é dia de Nossa Senhora das Candeias. Dia de fazer previsão meteorológica, de antevisão ao tempo futuro, na tradição popular, se pelo dia Nossa Senhora estiver a rir ou chorar. Pois é dia em que, segundo o ditado popular, se estiver de sol (ou seja Nossa Senhora a rir), está o inverno para vir... E, pelo contrário, se estiver de chuva, a chorar, está a acabar... Ora, como hoje e na linha dos dias recentes, tem estado um dia chuvoso, a calhar ser dada razão ao velho aforisma que na tradição oral já de nossos avós vem, vamos então proximamente ter dias melhores e um inverno menos rigoroso.

E esta hem?!

A propósito, recorde-se um dos anteriores artigos de lembranças assim relembradas, noutros anos, avivando o que se anotou num exemplo sobre o Dia das Candeias, também neste dia e aqui neste blogue de partilha memorial.


Candeias do Tempo…! 

Chegado Fevereiro, no mando da tradição com tempo até muito próprio, pois sendo “chuvoso faz o ano formoso”, logo entra a conta das Candeias, a 2 de Fevereiro, na passagem do dia de Nossa Senhora das Candeias. Como tradicionalmente se designa essa data litúrgica da apresentação do Senhor ou da Purificação de Nossa Senhora Mãe de Deus.

Uma época que, devido ao Carnaval ser uma festividade de data móvel, calhando tanto no início, como a meio ou final do mês, se confunde com essa fase, derivada como terá sido de festividades populares de tempos recuados. Sabendo-se disso por se haverem realizado durante a romanização as Lupercais, antes das Calendas de Março, celebradas em honra de Pan, deus dos pastores - relacionando-se a denominação com Lupercus (do latino lobo). Ora esta festa anual estava associada a orgias e outras boémias, pelo que o Papa Gelásio instituiu, em sua substituição, a festa da Purificação ou da Candelária. Não tendo sido, porém, completamente extintos os festejos com os desmandos abusivos do Carnaval, passou depois essa festa religiosa a cingir-se ao dia, como ficou mais conhecido, de Nossa Senhora das Candeias. 

Em dia das Candeias “se (havendo dia chuvoso) Nossa Senhora está a chorar, está o inverno a acabar; se (perante tempo de sol) estiver a rir, está o inverno p’ra vir”, diz a voz popular, dos saberes antigos. Isto segundo o calendário rifoneiro, das fases descritas através de rifões com que a sabedoria popular impregnou os elementos naturais do quotidiano social.

= Nossa Senhora das Candeias ou Rainha da Paz – como em Rande está representada na estatuária paroquial (vendo-se a imagem de Nª Senhora sobre andor, aquando de procissão da festa de S. Tiago de Rande).= 

Eis-nos então neste tempo, de início de Fevereiro e em plena Candelária. As candeias, que, pese tantas transformações operadas na vida normal da sociedade comum e com a religiosidade a ficar algo aquém de antigos hábitos, permanece na memória duma época de afeições, dum tempo romântico aos olhos de nossas recordações. Tal as lembranças que afloram, ao autor destas linhas, sobre tempos da missa das Candeias e, por extensão, do afago de nossa mãe… 

Um destes dias, numa daquelas ocasiões em que nos deixamos levar por pensamentos, nas asas do tempo – em devaneios, até que… zás! – demos connosco a pensar em tempos de infância, quando ia pela mão de minha mãe à igreja e à sua beira ficava, lá no meio, enquanto ela me sussurrava ao ouvido orações, que me entravam com encanto no mais íntimo do ser. Ali, com ela a rodear-me em seus braços, enquanto me ensinava a orar – além de assim, também, me ter à sua beira, para não estar junto aos outros moços, alguns por acaso normal sempre com os sentidos noutros lados e modos. E dei comigo a experimentar como sinto falta, agora, de me achar bem junto à minha mãe, de como tenho saudades dela. Já passaram muitos anos, coisa de um quarto de século, desde que perdemos sua presença física. Mas parece que foi ontem ainda que nos sentíamos abraçados no encosto de seus sussurros carinhosos, ali na igreja, como nos ensinamentos de vida que nos foi dando. E lá veio à mente a missa das candeias, por ser dum tempo marcante, decorrendo o inverno, como agora. Íamos logo pela manhã cedo, com o corpo a tentar espantar o frio, ainda a noite dominava o horizonte de breu, perante o caminho alumiado por lanternas, tal a escuridão (também coisa que volta ao panorama, nos dias que correm com as poupanças atuais em luz pública, enquanto nas altas esfera do poder continua um forrobodó…); e, então naquele tempo, chegados ao templo, resplandecia um ambiente de luz das muitas velas e lâmpadas espalhadas, mais um odor de incenso que se elevava no ar. Ficando-nos, para sempre, na retina memorial, essas manhãs das Candeias, em tais dias, daqueles que tivemos nossa mãe a envolver-nos… ternamente. E, até parecendo, apesar da penumbra do alvorecer da manhã, sem ter rompido ainda o sol, que nossa senhora sorria…! 

Armando Pinto

sábado, 31 de janeiro de 2026

Figurão do Entrudo exposto a anunciar o Carnaval da Longra de 2026 (30.º Corso Carnavalesco da Longra)!

Já está exposto no Largo da Longra, pendurado no poste do candeeiro central, o tradicional Entrudo figurativo. O boneco habitualmente anunciador do Carnaval da Longra, acontecimento anual já tradicionalmente famoso pelo seu cortejo do Corso Longrino e seguinte enterro, mais final da queima do mesmo Entrudo. 




Lembra este habitual "figurão" essa festiva ocorrência próxima da terça-feira gorda carnavalesca, este ano a 17 de fevereiro.




Nota: Na realização deste ano, o Corso Carnavalesco da Longra completa 30 edições, desde que começou a ser organizado, como desfile de figurantes e carros alegóricos. Sendo assim o Carnaval da Longra de 2026 o 30.º CORSO CARNAVALESCO DA LONGRA !

Armando Pinto

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

O senhor Machado… da Loja do senhor Machado!

As terras associadas à Longra, desde a antiga povoação da Longra e extensivamente a freguesia de Rande e outras envolventes, agora integradas na área da atual Vila da Longra, não tiveram em tempos idos quem registasse suas memórias, durante largos lustros e até perto dos finais do século XX. Podendo-se dizer que sofreram como vítimas da perda da memória dos tempos. Tendo sido deveras marginalizadas na literatura felgueirense de tempos ainda não muito distantes, incluindo até jornais na maioria dos casos. Originando que, como refiro no livro historiador da região, me tivesse metido, já lá vão uns anos bons, por meio de pesquisas aprofundadas de anos, a tentar recuperar algum do tesouro da nossa história local e regional. O que, por motivos conhecidos, levou muitos anos a conseguir chegar a público, por faltas de patrocínio (até que apareceu um, graças ao Dr. Manuel Faria para a edição por meio do Semanário de Felgueiras) para a devida publicação de tal obra naturalmente cara, monetariamente. Que como tal ainda ficou incompleta, com muito material de fora, para não encarecer mais a publicação desse trabalho, concluído em setecentas e tal páginas impressas. Levando isso a que, por vezes, alguns desses temas andem aqui por este blogue. Pois, do que depender de mim, prosseguirei com a preservação de tudo e mais alguma coisa relacionada com a história local, tentando contá-la, lembrá-la, até ao meu último suspiro. Não só como apaixonado pela minha e nossa terra, mas também pela sensibilidade que estas coisas devem merecer, para não ficarem esquecidas. Coisas e loisas, mas também pessoas, quer salientes por sua participação social, em atividades de cidadania, quer normais mas com carisma na convivência e popularidade.

Ora, além das narrativas historiadoras, diversas pessoas constaram e estão mencionadas no livro referido, o “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997 e entretanto esgotado, apesar de a tiragem ter sido de 1.000 exemplares, mais que o costume para livros do género (enquanto em Felgueiras, por exemplo, qualquer livro por norma não costuma ultrapassar entre 200 a 300 exemplares). Personalidades essas que umas estão biografadas e outras referidas em diversos locais do livro. Como no caso desta vez aqui merecedor de ser relembrado - o senhor Fernando Machado, que teve um histórico estabelecimento comercial de venda de produtos diversos. Uma daquelas lojas, como eram conhecidas, e como tal também popularizadas como “vendas”. Tendo ele sido então conhecido desde sempre por senhor “Machado da Loja” e a sua “venda” conhecida por “Loja do senhor Machado”.  

= Imagens da loja de venda diversificada do senhor Machado, na Longra, que em tempos também serviu de taberna, mas por fim, com o último “vendeiro”, o sr. Fernando Machado, se dedicou à especialidade de mercearia (Fotos do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997).

Pois o senhor Fernando de Sousa Machado foi alguém que efetivamente ficou ligado à história da Longra e da freguesia de Rande, onde nasceu e viveu, apesar de depois haver saído da região para ter ido viver para S. Miguel de Lousada. Primeiro por ter feito parte da primeira equipa de futebol de que há memória ter havido na Longra, o FC Pró-Longra, com campo de jogos inaugurado em 1932, como faz parte da história também do FC Felgueiras por a equipa do Felgueiras ter participado na inauguração desse campo do Longra, assim como o Longra participou na inauguração do campo do Felgueiras. Como consta do livro “Futebol de Felgueiras - Nas Fintas do Tempo 1932/2007”, quanto aos recintos; assim como no referido “Memorial…”, na respetiva parte do FC Longra, em modo desenvolvido na narrativa dos componentes da equipa e outros pormenores. Depois por ter sido um dos primeiros empregados da fábrica original do sr. Américo Martins (tanto que havia uma foto com os operários sentados no muro do barracão da fábrica do Largo da Longra, todos com suas gorras e chapéus, cujo paradeiro da foto se perdeu…), assim como, mais tarde, foi com ele como sócio do sr. Luís Sousa que começou a indústria da fábrica Móveis Longra, dos começos da IMO, como está anotado no livro “Luís de Sousa Gonçalves-o Senhor Sousa da Imo”. Bem como, de permeio, fez parte de um mandato dos órgãos diretivos da Casa do Povo da Longra, como secretário. E, entretanto, por ter integrado durante alguns anos a Comissão Fabriqueira da Paróquia de S. Tiago de Rande. Assim como foi figura pública com a sua loja, que foi ícone do comércio tradicional da Longra e do concelho de Felgueiras. Ah, e ainda, como pessoa muito sociável e bom conversador, com sua clientela mas também com amigos com quem convivia na Longra, onde passava a maior parte de seu tempo, mesmo depois de ter ficado a residir mais longe.

Fica assim aqui rendida lembrança a mais um senhor de respeito da Longra, de tempos idos. Porque, neste caso, como no livro a sua ação conhecida foi e está desenvolvida por partes diversas dos capítulos respeitantes aos respetivos assuntos, justo é avivar sua memória com a junção de tudo, como que a fazer lembrar como na Longra de outras eras também houve assim gente com capacidades diversificadas.

Armando Pinto

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O senhor “Zé Branco”!

 

Pegando numa ideia de recordar pessoas antigas, entre alguns personagens típicos ou figuras públicas da vivência da Longra, num tema entretanto interrompido por poder ser melindroso, tendo de se referir sobrenomes popularmente tradicionais do conhecimento publico, para natural melhor identificação… volta-se ao tema, para não cometer injustiça com outros cujos apelidos serão mais aceites. Eis então um exemplo, para citar um senhor que foi pessoa simpática nas andanças pela Longra, em tempos que já lá vão, na memória local.  

Recuando no tempo permanecido nas memórias, há certa magia da vida desde a infância, pela convivência com pessoas que de alguma forma ficaram nas nossas recordações. Percebendo ser, tal permanência no subconsciente, bem capaz de dar vida às coisas, de reavivá-las no cantinho do cérebro recriador, pelos olhos da memória, na “Pedra Filosofal” que faz o mundo pular e avançar. Como por essa espécie de retina relembro pessoas que, em meu tempo de infância e juventude, eram senhores idosos a meus olhos, ainda que os tenha conhecido na casa de seus cinquenta, sessentas e até setenta e tais anos, por exemplo. Quão relembro o senhor José Teixeira, que era muito amigo de meu tio José da Costa Moreira, o meu tio Zé.

Ora, dito e referido assim, por José Teixeira, por certo que quase ninguém verá desde já quem será, ou terá sido, melhor dizendo. Josés Teixeiras houve e há muitos. Mas se disser que se trata de evocar o senhor Zé Branco, já há quem saiba quem foi, obviamente. E o apelido nem é desinteressante, pois já antigamente se dizia que uma pessoa muito vista e lembrada era como o pão branco.

Ora o senhor Zé Branco era um senhor que me habituei a ver na Longra e muito apreciava de o ver em quaisquer das atividades que iam acontecendo nesses tempos de minha infância e seguinte juventude. Além de ser pai do meu amigo Tónio Branco, o António Vieira Teixeira, colega de escola e até companheiro na ida ao exame da 4.ª Classe que completamos juntos. Bem como do Raul, mais velho que eu mas que deveras comigo conversava, por ambos sermos Portistas. Tal qual com o Pedro Celestino, companheiro de conversas no café da Longra. Enquanto o senhor Zé Branco, embora vivendo mais acima da Longra, passava quase todo o seu tempo pela Longra. Como depois, quando eu acompanhava muito o meu tio Zé Moreira, também eramos companheiros de convivência e naturais conversas, ouvindo-os contar coisas e loisas de seus tempos. Ao ponto que quando meu tio Zé morreu, o senhor Zé Branco foi ao funeral e antes ao passar entre os familiares do finado que estavam a receber as condolências, aquando de dar os sentimentos, logo se me dirigiu e cumprimentou de modo especial, por saber que eu ali era um amigo especial do meu tio falecido e eu e ele tínhamos afinidades nessa convivência.  

Jamais haverei de esquecer-me de pessoas dessas, que admirei de ouvir e conheci em suas andanças pela Longra. Como o senhor Zé Branco. Cujas memórias passam aqui diante de mim e pedem que sejam passadas à escrita destas recordações, que, podendo ser simples, podem vir a ser transformadas em pedras preciosas na afetividade da memória coletiva.

Armando Pinto

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

De vez em quando - (Mais) uma foto com história…

 

Tal como de outras vezes, desta feita calha ser vez de uma fotografia relacionada com a memória pessoal, mas também local. Tratando-se, neste caso, de um instantâneo fotográfico do dia da apresentação do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, em 1997, e mais propriamente de um dos momentos das assinaturas nos livros, tipo sessão de autógrafos, nessa noite. Por acaso, ainda e também foto, esta, colocada numa pequena moldura, junto com uma foto pessoal de infância, que, além de estar assim no escritório doméstico, é também parcialmente imagem cimeira deste blogue, a servir de ilustração genérica daqui do “Longra Histórico-Literária”.

Armando Pinto

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