Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Memórias pessoais do histórico Sismo de 1969...

A 28 de Fevereiro de 1969 ocorreu o maior sismo em Portugal do século XX. E obviamente dos que lembram a toda a gente de nossas gerações, dos que já existiam nesse final dos anos 60 e tinham idade para se poder recordar, naturalmente.

Com uma magnitude de 7.9 na escala de richter, esse sismo, com epicentro no sul, atingiu Portugal de sul a norte, tendo até provocado um pequeno tsunami, registado ao longo das costas portuguesas, espanholas e marroquinas, segundo se soube depois. Porque à época escasseavam as notícias, filtradas pela censura do antigo regime. Apesar de onde eu estava termos passado parte da noite a ouvir a emissão duma emissora de rádio.

Do que foi sentido em Felgueiras e sobretudo na Longra e região envolvente eu também só soube depois, pelo que ouvi e me contaram mais tarde, pois à época eu não estava em casa e muito menos na terra, na minha terra, mas longe, nas cercanias da cidade do Porto, mais precisamente em Gondomar. Estando ainda no Seminário (dos Capuchinhos), onde passei alguns anos e onde concluí o antigo 3.º ano liceal (hoje 7.º ano) estando então a poucos meses de sair de lá, o que motivou que depois andasse como externo a continuar os estudos que foram possíveis, já aqui no ambiente da minha região. Mas o tal sismo, de 1969, passei-o lá onde estava. Havendo pessoalmente memórias disso, como ainda há dias em conversa com amigos desse tempo me veio à cabeça um dos nossos companheiros, por uma peripécia então passada com o Aníbal Araújo, de Oliveira de Azeméis. Curiosamente se o Facebook tivesse aparecido uns anos antes seria um dos que possivelmente eu teria reencontrado, em contactos possíveis, pois soube que ele depois esteve ligado ao jornalismo oliveirense, mas quando tive essa notícia já ele não estava entre nós…

Ora como não tenho memórias do sismo em Felgueiras, registo o facto com as que tenho, de onde estava. E para o efeito respigo uma lembrança que em tempos recordei, tendo descrito o caso num blogue de um dos antigos estudantes da mesma ordem, por assim dizer.

Foi assim, então, que recordei, no blogue “Irmão Sol”:

... Do tal sismo de 28 de Fevereiro de 1969... lembranças, embora já distantes, sobre esses tempos.

Como sabem, quem já leu o que tenho escrito aqui, eu saí no Verão de 1969. Ora, aquele 1969 foi, portanto, o meu último ano, algo que na altura ainda não supunha, sequer. E o famoso “tremor de terra” apanhou-me em Gondomar, em pleno sono, no dormitório – que, nesse tempo, era já naquele casarão de pedra lateral ao edifício principal, ao lado dos balneários. Nessa época, dormia próximo o Frei Domingos, que estava encarregado de nos acompanhar no deitar e acordar. Recordo-me que, durante essa noite,  acordei com um estranho ruído, seguindo-se chinfrim de ouvir as chapas das camas (lembram-se, aquelas dos números, nas cabeceiras?) a baterem contra os ferros, enquanto as camas abanavam, então, até que de repente toda a gente se levantou, instantaneamente, deitando a correr… Não me lembro de muitos pormenores, apenas tenho imagem de que um colega, na ânsia colectiva, deu uma cabeçada em qualquer coisa, não sei já se na porta ou numa das paredes, e caiu desamparado. Lembro-me que depois ficamos lá fora a ouvir notícias, referentes ao caso, através de um transístor de um senhor padre.

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Agora, a propósito disso, lembro-me que, enquanto passávamos tempo nessa madrugada, fomos dar um passeio pela quinta, a ver se havia algo estragado, tendo alguns se preocupado em ir à chamada vacaria, onde estavam na época os animais de criação (pelo menos porcos e não sei se outros animais, ficando mais uma “deixa”, assim para quem se lembrar de outros pormenores). Pois, ainda a calhar, ao tema, revi há tempos um desenho que fiz durante a minha permanência em Gondomar, em cuja folha tentara desenhar e pintar, precisamente, a nossa vacaria da quinta de Gondomar…

terramoto2

Junto, por isso, imagem desse velho desenho (em vista geral e pormenor), onde de realce se pode ainda notar o modelo do papel que era usado, para o efeito. Já que a pintura é o que um pequeno aluno (aquilo tem data de 1967) conseguia fazer.

E pronto, é o que tal ocorrência me traz mais à memória, entre imagens já ténues.

Armando Pinto

- Memórias que vêm sempre à "lembrança" na passagem da respetiva data, a 28 de fevereiro...

AP

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Lembranças… De vez em quando… Fotos com história: - Quando na Longra nevou pela época de Carnaval em 1983!

 

Pois foi… Um Carnaval diferente, por cá, em 1983, com neve bem visível a cobrir espaços, na Longra. Obviamente não só na Longra, como pela região. Mas sendo da Longra as lembranças de memória fotográfica.

Nesse ano então o Carnaval foi passado sob ambiente branco de neve, que havia caído por esses dias e na terça-feira carnavalesca tudo estava assim. Como ficou registado em fotografias do Carnaval na Longra, passado em família e com vizinhos e outras pessoas amigas, enquanto passavam caretas, como à época era costume haver desfiles de espontâneos figurantes, quer individuais, como aos pares ou em pequenos grupos de mascarados.

Armando Pinto

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Carnaval da Longra / 2026 - Desfile do tradicional Corso Longrino


Perante uma tarde agradável, sem chuva e assim a contrariar o ambiente dos dias recentes, o dia de Carnaval trouxe à Longra mais umas horas alegres e engraçadas do desfile de Entrudo. Tendo mais uma vez decorrido o Corso Carnavalesco Longrino, já com tantas e boas tradições, que este ano desfilou pela 30.ª vez, em moldes organizados, contando com figurantes caretas e carros alegóricos.

Visto isso, em mais um registo anual do carnaval da Longra, guardam-se aqui imagens da edição de 2026 deste acontecimento, com uma galeria fotográfica de reportagem alusiva, com fotos captadas pelo autor deste blogue.










































Armando Pinto

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Máxima memoranda - citação dum historiador de tarimba…!

 

«O Amor à terra pode constituir uma boa razão para a História Local, porque o amor é mais perfeito e mais forte quando se apoia no conhecimento. Quem conhece a História da sua terra pode amá-la com mais consistência.»

( Francisco Ribeiro da Silva - historiador e professor universitário )

Citei.  E só posso dizer: Amém!

Armando Pinto

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Falecimento da D. Amélia Noronha - a senhora “Dona Amélia do senhor Sousa” da Longra

Faleceu esta sexta-feira, 13 de fevereiro, a senhora D. Maria Amélia Noronha, da Longra. Estava com 97 anos, em longa e marcante vida, essa senhora conhecida popularmente como “Dona Amélia do senhor Sousa”, esposa do senhor Luís Sousa da IMO.

Pessoa que ficou deveras associada à Escola Primária da Longra, conforme faz parte da história local e memória coletiva, foi por isso a D. Amélia referida no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”,  também na parte respeitante à escola. Havendo sido sua vida ligada ao ensino deveras influente em todo o seu percurso de vida, desde a vinda para a região de Felgueiras e fixação afetiva, familiar e residencial na Longra. Como está descrito no livro “Luís de Sousa Gonçalves O SENHOR SOUSA DA IMO".

A D. Amélia, Maria Amélia de Noronha e Abreu, nascida a 22 de julho de 1928, era natural de Ribeira de Pena, mas fixou-se na Longra desde o "Ano Lectivo" de 1952/1953, primeiro a viver hospedada por via de ter vindo exercer o seu mister do magistério primário na região, e depois casada e constituindo família, tendo ficado na Longra para a sua vida toda. E aqui foi efetivamente a professora com mais anos de trabalho na Escola Primária da Longra, desde a antiga do velho casarão de pedra, até à nova do edifício ainda atual. Permanecendo assim seu nome ali para sempre. Esteve depois ligada a diversas organizações comunitárias, tal foi na Conferência Vicentina de S. Tiago de Rande e S. João Baptista de Sernande e na Universidade Sénior de Felgueiras (sobre cuja existência escreveu em 2011 a “História da USAF Universidade Sénior e do Autodidacta de Felgueiras”, em género de diário das atividades da mesma organização).

Entretanto, a D. Amélia teve ainda outras participações, como no caso da apresentação do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, em 1997, na Casa do Povo da Longra, em cuja sessão fez parte da mesa de honra, a convite do autor, incluindo haver discursado a propósito (momento a que se refere a imagem do instantâneo fotográfico do cimo deste artigo em sua memória). 

Anos mais tarde, voltou a estar presente na apresentação de um outro livro, então na assistência, por na mesa estarem outros seus familiares, na sessão de lançamento do livro “Luís Gonçalves: Amanuense-Engenheiro da Casa das Torres”, em 2014, na cidade de Felgueiras e precisamente no edifício da casa projetada pelo popular arquiteto do desenho dessa mansão histórica.

E, por fim, naturalmente, em 2019 foi figura de relevo na apresentação, na Longra, do livro sobre seu marido, intitulado “Luís de Sousa Gonçalves O SENHOR SOUSA DA IMO.

Descanse em paz, senhora Dona Amélia da Longra!

Armando Pinto