Armando Pinto
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= Blogue de atividade literária e memória cronista
Livro “Dicionário Corográfico de Portugal”, de M. Sampaio,
publicado em 1940. Prefaciado por Albino Forjaz Sampaio. «Contendo todas as
Províncias, Distritos, Concelhos e Freguesias, Cidades e Vilas, com seus fogos
e habitantes, distâncias da sede do concelho e comunicações, caminhos-de-ferro,
correios e outras indicações úteis» pelo código administrativo da época. Incluindo
naturalmente o concelho de Felgueiras. De cujo conteúdo se partilham em imagens
fotografadas, como exemplos, as páginas com indicações do concelho de Felgueiras
e das freguesias da vila da Longra atual. Como ao tempo estava tudo referenciado
administrativamente, quanto a serviços de Estação de correio da área e se essas
estações eram Telefono-Postal, Posto Público e pertenciam a Rede Telefónica Pública;
além de número de fogos (habitações) e de habitantes.
Armando Pinto
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Esta quarta-feira recém-passada, 9 de setembro, teve lugar
na Sé Catedral do Porto a anual Eucaristia celebrativa do aniversário da
Dedicação da Catedral, e, desta vez, extensivamente de Ação de Graças pelo ministério
de D. Vitorino Soares na Diocese do Porto, que se despede de Bispo-Auxiliar do
Porto e passará a ser Bispo do Algarve. Na cerimónia esteve presente o nosso pároco,
Padre Manuel Ferreira - como se pode ver pela imagem, à esquerda da fila da
frente.
Então presidida por D. Manuel Linda, Bispo Diocesano do
Porto, e numa Assembleia de sacerdotes da diocese e de fiéis leigos, decorreu
essa celebração extensivamente dedicada ao novo bispo do Algarve. numa sentida
homenagem durante a Missa da Dedicação da catedral do Porto. A celebração foi
antecedida por uma apresentação das obras do Seminário Maior do Porto, do qual
D. Vitorino Soares foi reitor nos últimos sete anos.
«Na sua homilia, o bispo do Porto envolveu na sua homenagem
a D. Vitorino Soares todos os bispos, sacerdotes, diáconos que estiveram na
celebração em grande número e todo o povo de Deus.» (conforme regista reportagem
da “Voz Portucalense”). Acrescentando, em nome da Diocese: «O povo de Deus aqui
representado nestes leigos e eu próprio, não nos despedimos de ti, no sentido
de corte total de laços. Pelo contrário, reconheceremos sempre que esta foi a
tua Igreja da mais longa pertença», disse D. Manuel Linda.
Armando Pinto
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Era eu ainda jovenzito quando, conforme me lembro, comecei a
ver um senhor muito sorridente que passava na Longra diante de minha casa (claro, a casa
de meus pais e da minha família) e sempre metia conversa com meu pai, já
conhecidos que eram. Depois passei a conhecê-lo já em sua casa, aquando de
algumas vezes em que acompanhei o meu pai nas suas idas à quinta da casa de
Junfe, no Unhão - onde morava ao tempo esse senhor - por via de levar algum
motor de puxar água, mesmo até um televisor ou outro aparelho, por exemplo, que
viera para consertar na oficina de meu pai, ou ainda por algum outro motivo
relacionado com instalações elétricas, por exemplo, efetuadas lá. Mais tarde
soube que esse senhor passou a viver na quinta de Cimo de Vila, em Rande. Indo
lá eu também, uma vez por outra, conforme calhasse por idênticos motivos, a
esse alto da freguesia de Rande, de onde se via um panorama bonito nas vistas
para o vale da Longra, ao fundo, ou pelo outro lado mais distante para o alto
de Santa Quitéria, e ainda mais ao longe, para o planalto da Serrinha, mais
além, entre planos a perder de vista por múltiplas cores vertidas pelo
horizonte. Sítio interessante mas quase sem casas, nesse tempo, a não ser a casa, beiral e outros anexos da quinta onde vivia com sua família, o senhor Sousa de Cimo de Vila. Senhor de quem
depois fiquei também a ser amigo e com o qual dava gosto conversar. Como tantas
vezes ia acontecendo, quer quando nos encontrávamos na Casa do Povo da Longra,
por exemplo, onde ele ia tratar assuntos de previdência rural ou de saúde, como
de temas da freguesia noutros locais e das vezes que nos encontrávamos. Assim como mais tarde, quando tive um meu irmão e sua família a viverem em Cimo de Vila, já depois do lugar se ter desenvolvido, houve ainda maior convivência.
Antes, Cimo de Vila foi simplesmente um local idílico no alto de Rande, perto do penedo alto de Santana, mas um sítio quase despovoado. Até que, após ali se ter tornado proprietário de terrenos dessa quintazinha, o senhor António Sousa foi desbravando terreno, teimando ao longo de alguns anos seguintes, quão foi conseguindo alargar o caminho que beirava seu eido e paulatinamente foi transformando matas, campos, leiras e quintais através de terraplanagens e loteamentos, dando lugar a lotes de construções, onde foram sendo erguidas casas familiares e tornado o lugar um bom sítio de vizinhanças. Até mais ter conseguido que o caminho que ali passava fosse transformado numa estrada, e dali se ramificassem algumas vias. Metendo ao barulho Câmara, Junta e o que mais foi preciso fazer. Coisa que sem suas iniciativas não teria acontecido assim, embora no decurso de uns anos bons, como foi necessário labutar pelo surgimento de tal progresso.
Ora, numa minúcia possível de tanta história, aqui se tenta
vincar isso, ainda que resumidamente, num traço de escrita a procurar contar
esse papel havido no desenvolvimento dum lugar de pormenores sui generis,
contendo histórias várias, guardadas na memória duma terra infinita, assim. Que
foi sítio em festa, por vezes, na ideia conseguida através de iniciativa
acontecida, quão a necessidade aguça o engenho, de modo que foram feitas
melhores cores no panorama do ambiente local, que o povoador do sítio foi
oferecendo ao sentido comunitário.
Sabendo e valorizando o facto, eu (autor deste texto) tentei
em tempos que fosse atribuído o nome do senhor António Sousa, de Cimo de Vila,
a uma das ruas daquela área de Rande. Tendo aproveitado, para isso, o facto de ter sido incluído numa inicial comissão formada pela Junta de Freguesia de
Rande para estudo de nomes a atribuir a ruas e caminhos da freguesia. E assim,
entre os diversos nomes, indiquei o nome do senhor Sousa de Cimo de Vila.
Contudo, depois já não pertenci à comissão que deu os nomes que foram colocados. Pois então, porque depois a Câmara Municipal de Felgueiras (CMF) e a Junta de Freguesia
de Rande, desse tempo, nomearam uma outra comissão definitiva com membros indicados
pela CMF, incluindo representantes da Junta e da Assembleia de Freguesia de Rande,
mais representantes de outras áreas (cujos nomes constam das atas respetivas),
foi quase tudo alterado, tendo sido retirados uns nomes e colocados outros, pouco restando do projeto inicial, como acabou por ficar com algumas situações que se não entendem. De modo que,
infelizmente, o senhor António Sousa não foi honorificamente perpetuado como
merecia. Esperando-se que ainda venha a ser um dia… Tal como outros em casos
diversos.
Em suma, pode dizer-se e proclamar que foi o senhor António
Sousa que deu vida a esse lugar sobranceiro da encosta de Rande, que como tal
respira a jovialidade de agrado que se sente nessa existência.
Armando Pinto
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Nem só de reparos de avisos, tendentes a possíveis melhoramentos
e recuperações, se rege a observação do que nos rodeia, mas também de factos
positivos, como no caso de algo melhorado. Tal como no caso agora observado, atendendo
a que nesta sexta-feira 28 de agosto foi recolocada uma placa toponímica, indicativa
de um lugar antigo da Longra. Ocorrência que pode parecer de somenos, contudo
como a mesma placa esteve caída, em baixo, quase ao fundo do tubo de haste metálica
de seu suporte, durante vários anos, o respetivo facto de ter sido recolocada
em seu sítio, passado muito tempo, para voltar finalmente a ser visível, não é
coisa que passe despercebida. Acrescendo que essa placa repõe ela mesma a
tradição do nome antigo do lugar, no plural, visto aquando da colocação de
placas com nomes de ruas ter sido desvirtuada essa tradição e incrivelmente
alterado o nome em modo singular. Quem conhece as características e
particularidades locais sabe e entende a diferença, entre o verdadeiro nome do
antigo lugar de Cortes Novas, para a tentativa de renomeação com uma rua duma
só corte nova… O que aconteceu em tempos com a nomeação duma comissão para definitiva
atribuição toponímica da freguesia, que alterou o que havia sido sugerido por
uma anterior comissão, sendo o que foi mudado pela nova tido aprovação oficial, entenda-se, dos representantes autárquicos,
à época.
Armando Pinto
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Com a acalmia do tempo de férias, em que escasseia o movimento viário e humano na localidade da atual vila da Longra, apareceram hoje, quinta-feira-feira 20 de agosto, ou seja em plena temporada da seca estival de agosto deste ano de 2026, uns ramos de cedros colocados na via pública da estrada de confluência de e para a direção da estrada Felgueiras-Longra-Caíde. Ora como a placa indicativa de Caíde até caiu, entretanto, e está no chão, assim como ali no centro houve durante muitos anos o célebre e histórico pinheiro do Largo da Longra, como era conhecida a árvore central do tempo do antigo triângulo (placa triangular de centro de convergência de estradas), até dá ideia que rebentaram raízes desse antigo pinheiro, cortado em 1982, e agora brotaram rebentos dessa histórica árvore de grande porte…´
Armando Pinto
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Hoje tive de me despedir do meu amigo Tó Pedro, despedindo-me
fisicamente, que não espiritualmente, porque sempre o lembrarei como amigo de
infância e homem bom que conheci, de afinidades e amizade. O Engenheiro Pedro
Sousa, natural da Longra, onde cresceu e se fez homem, depois residente na cidade
de Felgueiras, deveras conhecido e respeitado no concelho de Felgueiras. Sendo
como era no âmbito público referenciado como um dos fundadores dos Rotários de
Felgueiras, como é usual chamar-se ao Rotary Clube de Felgueiras, tendo por
mais que uma vez sido seu presidente, inclusive quando começou a campanha “Salvar
Pombeiro” por iniciativa rotária, como ele contava e depois continuada pela
presidência municipal da época. Além de outras participações em comissões
concelhias. Mas para mim o Tó Pedro meu amigo e pessoa da Longra, que, enquanto
esteve à frente da fábrica IMO todos os dias ia ao Café da Longra e gostava de
conversar com toda a gente conhecida. Estando-me nas boas memórias as nossas
conversas, entre eu, ele, seu pai, o senhor Luís Sousa, e seu tio e meu grande
amigo, o senhor Luís da Póvoa.
Foi com muito gosto que um dia, ainda não há muitos anos,
lhe solicitei e ele aceitou fazer o prefácio para o livro que escrevi sobre seu
antepassado autor do projeto da Casa das Torres, da antiga vila e atual cidade
de Felgueiras, o seu bisavô Luís Gonçalves - obra derivada após ideia de seu
primo Neca Gonçalves, que em boa hora me lançou a sugestão, depois de ter lido um
artigo que eu escrevera no jornal Semanário de Felgueiras sobre o mesmo
projetista de várias casas da arquitetura clássica felgueirense. Tendo ele
aceitado que a IMO patrocinasse esse livro, antes de saber que eu lhe ia pedir
o prefácio respetivo. Tendo ficado desde aí assente, como eu então dei ideia e
depois consegui, que a seguir seria vez de um livro sobre seu pai, o senhor
Luís Sousa da IMO, com o prefácio a ser feito pelo filho mais novo, Rui, e o posfácio
pela neta mais velha, Marta (livro que depois foi patrocinado pelo Instituto de
Estudos Superiores de Fafe, de que era diretora a filha, prof.ª Dulce, que fez
um testemunho pessoal colocado no livro). Assim como esteve projetado um dia
fazer idêntica obra sobre a sua mãe, matriarca da família e professora
histórica da Longra, D. Maria Amélia, e esse livro idealizado teria prefácio do
filho Jorge e posfácio da nora D. Armanda, como professora também, mas a
evolução do destino alterou tal sequência. Entre conversas mantidas com o meu
amigo Tó Pedro, porque também havia em espera um livro, há muito escrito, sobre
seu tio e meu amigo senhor Luís Tomás da Póvoa. Por entre casos que não foram
sendo concretizados em papel impresso, mas isso agora são outras histórias.
Ficando ao menos o que foi possível materializar.
Ainda não há muitos anos, também, no dia do lançamento de um
dos livros de seu irmão Rui, era vivo ainda também o senhor Luís e todos estávamos
de boa saúde, felizmente, pudemos conversar sobre alguns tópicos relacionados,
quando todos juntos ficamos à posteridade numa foto que guardo com muito
carinho e apreço - a foto que encima e termina este texto.
Convém frisar, quanto a ecos por vezes andados pelo ar, que
bem seria interessante fazer muito mais livros, sobre muitas mais pessoas
ligadas a nossos afetos e à história local, mas para publicar livros, depois de
escritos, é preciso haver com quê, não podendo o autor além do trabalho ainda
arcar com mais despesas. Isso por outros motivos e num à parte.
Despedi-me hoje deste meu amigo, como me despedi há anos do
meu irmão Fernando. Mas a recordação vai ser constante.
Até sempre amigo.
Armando Pinto