Espaço de atividade literária pública e memória cronista

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Homenagem a um dos amigos de sempre... entre figuras simpáticas da Longra!

Era ideia, aqui do autor deste blogue, de honemagear pessoalmente, por via da escrita normal deste espaço, com as melhor das intenções, um senhor amigo que foi natural e residente da Longra em sua vida. Na linha de homenagens já feitas anteriormente a outros antigos personagens da Longra e arredores. Mas, após pedido parecer a elementos da família, não tendo sido o caso entendido, como tal, aqui segue em modo de indicação sem nome do visado, porque ele merece ser homenageado, mesmo que nesta impossibilidade de nomeação pública. 

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Ecoam nos recantos da memória pessoal de infância os cânticos ouvidos na igreja de Rande, em tardes domingueiras de reza do terço, por entre a distração de outras atenções, com as melodias saídas do dueto de vozes do Padre João com a de uma senhora habitual no acompanhamento dos cantares da igreja local, a sobreporem-se a algumas não muito interessantes chegadas aos ouvidos. Sendo que o Padre João tinha muito boa voz, e a simpática senhora dava gosto ouvir. Isso por inícios e mais além ainda dos anos 60, pelos idos tempos da idade da catequese e primeiras classes da escola do autor destas lembranças. Enquanto ao lado de minha mãe eu estava dentro da igreja a ver e ouvir o que me despertava. Lembrando-me ainda da sonoridade do cântico “Virgem Pura, tua ternura”, com forte carga no coro “Noite e dia de Maria, a beleza hei-de cantar”… Assim como pelo Mês de Maria e até nas procissões me ficou nos ouvidos um outro cântico tradicional religioso, "Coração Virginal de Maria" (Coração virginal de Maria/sede luz e guia do pobre mortal…), que era entoado pelo coro dos homens da Liga Eucarística de Rande. Era eu ainda criança e lembro-me, também, que entre o grupo dos primeiros membros da Liga de Rande (como popularmente se encurtava chamar à Liga Eucarística dos Homens de Rande) havia um senhor de voz grave, que me chamava a atenção pela sua simpatia e respeito que metia entre os rapazes da mesma associação, irmão da referida senhora que cantava muito bem, já casado e com filhos nesse tempo, mas que andava na Liga como outros mais velhos, entre jovens desse tempo.

Ora esse mesmo senhor era muito amigo de minha família e particularmente do meu irmão mais velho, com quem fez parte da comissão da angariação de fundos para a compra da bandeira da Liga, tendo andado no peditório pela freguesia, de porta a porta, a angariar dinheiro necessário para depois ter sido possível comprar a bandeira representativa da Liga de Rande, como foi conseguido. E entretanto eu via e ouvia ainda nos ensaios que o grupo fazia em casa de uns e outros, em certos dias de semana a ensaiar para cantarem na missa de Rande do domingo seguinte, como aconteceu por vezes em minha casa (de minha família, de meus pais e minha, claro), assim como acompanhei por vezes noutras. Era eu ainda criança, muito antes de também ter podido pertencer à mesma Liga. Então fui-me habituando e familiarizando com a simpatia desse senhor, sempre risonho e pronto a dizer qualquer graça, das suas graças engraçadas.

Com o tempo decorrido, passei anos depois a estar lado a lado com ele nas andanças da Liga de Rande, sobretudo nas procissões a ladear a bandeira daquela corporação religiosa paroquial, e sempre que possível gostava de o ouvir. Vivia em sua casa, ao lado de uma fábrica. Lembrando-me ainda, também, de como ele, portista apaixonado, gostava de falar do Porto, de assuntos relacionados com a vida do Futebol Clube do Porto, que ele (querendo dizer ser o representante da região do distrito), religioso como era, dizia ser o FC Porto o Clube melhor que pertencia à Diocese do Porto.


= Cartões da Liga do senhor em apreço (apenas do verso, para não ser identificável) - relativos à fidelidade e frequência dos atos mensais da Liga de Rande …

Com essas e outras dou comigo, por vezes, e desta vez ainda, a pensar como o tempo voou e tanta gente conhecida e amiga já desapareceu, uns mais velhos, como no caso, mas outros nem tanto. Vindo assim este voo da lembrança a pousar num galho da memória em que, entre amigos simpáticos, me lembro desse senhor amigo e conterrâneo.

Foi irmão da referida senhora, também lembrada num dos contos do livro “Sorrisos de Pensamento”; bem como irmão de um senhor lembrado também num outro dos contos daquele meu livro de contos, numa das memórias  a partir de outras memórias coletivas. 

O senhor aqui homenageado, por este meio possível, pelo tempo adiante foi sempre um simpático frequentador dos locais e eventos da Longra e da igreja de Rande. Permanecendo na minha memória como um dos antigos conterrâneos que vale a pena recordar. Merecedor como era, foi e é, entre os que, ao virem à imagem do pensamento, são figuras que se recordam com um sorriso de satisfação e terno apreço.

Armando Pinto

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Nota: Pode-se rever anteriores artigos sobre a Liga de Rande, clicando em

http://longrahistorico.blogspot.com/2025/04/bau-da-liga-eucaristica-dos-homens-de.html

AP


terça-feira, 11 de agosto de 2026

AVISO À NAVEGAÇÃO - LEITORES E AMIGOS!

Já estou de regresso ao Facebook. A situação foi resolvida e a página recuperada. Entretanto com os dias de ausência forçada não pude corresponder a diversas solicitações, pedidos e contactos diversos, além de nem ter sido possível dar meus parabéns a aniversariantes dos dias decorrentes desse período e consequentemente colocar gostos em posts e temas de que gostei. Como também não pude assinalar as diversas publicações nos meus blogues. Mas já está tudo em ordem, agora, como pode ser verificado no meu perfil e página do Facebook, mais nos dois blogues pessoais.

Armando Pinto

domingo, 9 de agosto de 2026

Peregrinação anual do Concelho de Felgueiras ao Santuário do Monte de Santa Quitéria - Procissão de 2026!

A tradicional Peregrinação Concelhia Anual de Felgueiras, popularmente conhecida por Peregrinação de Santa Quitéria, por ser em direção ao monte assim conhecido, como também pelo nome da Santa, o histórico Monte das Maravilhas, teve este domingo segundo de agosto mais uma realização. Desta vez com a 78.ª Grande Peregrinação do Concelho de Felgueiras ao Imaculado Coração de Maria, como acontece desde finais da 2.ª Grande Guerra Mundial, embora em tempos idos fosse a Nossa Senhora das Graças. Cujo andor da imagem de Nossa Senhora do Imaculado Coração encerra tradicionalmente a procissão, que desde os anos da década de 40, do século XX, culmina a Consagração do Concelho de Felgueiras ao Imaculado Coração de Maria. 

Já com diferenças notórias de antigos tempos para a atualidade, a procissão da chamada Peregrinação de Felgueiras tem representações de quase todas as paróquias da Vigariaria do concelho de Felgueiras, já não como antigamente com muita gente e representatividade de Irmandandes, Cruzada, Liga, Cordeirinho paroquial com fitas circundantes, etc, mas agora  ainda com as cruzes processionais e bandeiras dos padoreiros paroquiais. Em mais um momento coletivo de fé e esperança, reunindo o concelho de Felgueiras aos pés de Nossa Senhora, percorrendo os peregrinos uma caminhada conjunta desde o sopé da cidade de Felgueiras até ao alto local do santuário de Santa Quitéria. Cujas celebrações, desde a procissão de velas da véspera, à peregrinação de domingo e missa campal, tiveram presidência do bispo D. Nélio Pita, Auxiliar da Aquidiocese de Braga e membro da Ordem dos Padres da Missão de forte carisma vicentino felgueirense. 

Sendo esta Procissão uma terna manifestação já antiga das gentes de Felgueiras, desde os tempos dos finais da Segunda Grande Guerra Mundial, como agradecimento coletivo pelo fim da guerra e neutralidade de Portugal (conforme  noção popular da época), mais uma vez teve continuidade neste domingo quente de agosto. Quão se regista por algumas imagens captadas à saída da cidade de Felgueiras, quando a Peregrinação Felgueirense já rumava em direção ao alto do Monte de Santa Quitéria. Para depois terminar na hora de sol sobranceiro na também tradicional missa campal, de confluência dos felgueirenses e muitos fiéis dos mais variados locais das redondezas, pelo menos. Dando depois lugar a convívios familiares e de amigos e conhecidos ao longo da tarde.

















Antigamente era usual nos costumes locais e concelhios a "Peregrinação de Santa Quitéria" ser dia de encontros familiares, algo que ainda vai tendo alguma sequência, com tradicionais almoços ao ar livre, nos recantos do monte da Santa, através dos farnéis levados a propósito desse preceito habitual, dando lugar a animados merendeiros de reunião de famílias, amigos e conhecidos, à sombra das árvores "da Santa".

Armando Pinto

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Um Hino à Vida

 

Um destes dias soube que faleceu um antigo companheiro das andanças da vida. Que conheci jovem, era eu ainda um miúdo, como se diz de um catraio, um rapazinho e ele era já frade. Vindo o caso a puxar o fio da memória, por via de interessantes lembranças.

Andava eu nos Capuchinhos em Gondomar, talvez no 2.º ano, ou possivelmente no 3.º do curso de seminarista e do antigo ensino liceal da época, quando conheci uns colegas de Ordem religiosa mais velhos, já  estudantes do ensino superior, a cursar talvez Teologia, isso não sei, mas sei que vestiam hábito, a veste de frade de votos ainda de profissão simples. Andando eles então num Seminário da mesma Ordem mas de ensino mais adiantado. Por isso nem nos conhecíamos e eu fiquei a conhecê-los com os olhos de criança, ainda, e eles ficaram a conhecer um magote de rapazes que ao tempo andavam entre coisa dos 11 aos 13 anos, mais ou menos. Porque um belo dia, mas à noite, após o jantar, houve visita de estudantes mais velhos, da casa do Ameal do Porto, para fazerem um convívio com os mais novos, à base de um género de espetáculo com que eles brindaram o pessoal da casa de Gondomar. 

De vez em quando apareciam alguns alunos espigadotes que já andavam nalguma das casas de seminários maiores da mesma Ordem, mas sempre a horas fora das refeições, pois como já tinham andado ali no menor sabiam que a comida não prestava para os seminaristas, estando eles já melhor habituados ao seu novo estatuto. Sendo essas visitas sempre apreciadas, estando a malta do Seminário de Gondomar confinada ao ambiente interior, pois entre as idas a casa nas férias, estava-se sempre dentro dos muros da quinta da casa solarenga do Seminário e pouco se sabia do que se passava fora. Tanto que de Gondomar, fora os dias em que de vez em quando havia umas caminhadas pelas localidades das redondezas, em grupo e de tarde de tempos a tempos, praticamente só conhecíamos de vista o Monte Crasto, por o vermos de baixo.

Dessa vez foi então a seguir ao jantar, num sábado à noite. Aparecendo-nos aí um grupo de jovens vestidos de hábito Capuchinho Franciscano que diante de nós cantaram, declamaram poemas e contaram anedotas, do que me lembro. Fixando eu isso por uma das melodias que nos cantaram.

Coisa que recordei há tempos. Porque aqui há uns anos, tendo-me passado pelas mãos alguns dos papéis que guardei da minha passagem por Gondomar, deparei-me com a letra de uma canção que na época me tocou muito. Uma canção que eu pensava que era da autoria de um desses referidos, mas depois soube que era de outros. Tendo-me ficado ideia que era do Sério, como se chamava um desses jovens candidatos a frades. Por ter sido ele a cantá-la e o fez com grande sensibilidade. Mas soube mais tarde que era de dois outros, José Ramos e Bento Correia, que andavam mais adiantados ainda e inclusive o primeiro chegou a ser ordenado padre. Como tinha ouvido outra canção, anteriormente, que pensava que era de quem a ouvi, pela boca do Frei Nuno, mas que todos diziam ter sido feita pelo Sério, a qual (se não era o título, pelo menos era a frase mais forte) descrevia a singularidade duma Capelinha do Sertão, mas com o título "Capelinha da Missão" (que mais tarde, também, soube que era de outro, do Ilídio Novais).

Ora, antes então de recordar a que gostei muito, recordo esta última referida.  Melodia, esta (pois da outra falo a seguir) que marcou a viagem duma excursão de visita ao Minho, que fizemos no meu 1.º ano (1965/66) – em que, para surpresa nossa (apenas de véspera nos mandaram ter o fato novo em ordem), numa bela manhã, fomos metidos numa camioneta (autocarro) sem sabermos para onde íamos, pois só já em andamento nos apercebemos que era uma excursão… e, a nossos olhos, de petiz, o itinerário se nos deparou quando chegamos diante do castelo de Guimarães… Tendo-nos maravilhado, do que melhor fixamos, a visita ao Paço dos Duques e, depois, o almoço, com aquele refogado de batatas com carne que se comia em dias de festas, por lá em Gondomar, e que nesse dia nos foi servido mais longe, com todos abancados no parque de S. Bento da Porta Aberta, em pleno Gerês… Ora, durante essa viagem, o Frei Nuno muito nos encantou a cantar a tal canção da capelinha, com voz sentida, conforme a enternecedora música pedia e a respetiva letra puxava…

Ora, voltando ao tema, entretanto os tais companheiros do Sério, que eram já Freis experimentais, por assim dizer, também, ao que me apercebi depois, por já usarem hábito quando os vi, tinham andado em Gondomar pelo menos até ao antigo 5.º Ano. Mas na época da visita em apreço era diferente. Porque era já em tempo de transição dos Seminários, pois no meu primeiro ano, em Gondomar ainda frequentaram o Seminário Seráfico os alunos do 1.º ao 5.º ano, havendo alguma distância entre os mais novos e os mais velhos pelas diferenças de brincadeiras. Contudo recordo-me, por exemplo, havia alguns mais velhos que, como eram amigos colegas de ano do meu primo Rosário, me “davam bola”. Lembrando-me, ainda ao acaso, do “decano” que ia sempre à frente do ordenamento em fila, etc. etc. Depois, em anos seguintes, ficamos só os do 1.º até ao 2.º ano, em Gondomar, embora depois ainda continuasse novamente por anos seguintes a evolução, pelo que aos mais velhos só os víamos quando, em dias de passeio, alguns dos que estavam no Porto vinham visitar a antiga casa, ou então em ocasiões especiais, como aconteceu na ordenação episcopal de D. Francisco da Mata Mourisca, no Ameal, quando nós, os mais pequenos, fomos incorporar o coral da cerimónia, para fazermos a primeira voz… ou, mais, tarde, na inauguração da 1.ª pedra para a Cripta da igreja conventual de Gondomar, quando vieram todos (já que, mais tarde, na bênção da Cripta nós, os mais novos, ainda estávamos de férias grandes, no verão)…

Dos tais mais velhos que então não conhecia, naquela noite de fim de sábado fiquei com alguns deles bem familiares, por, mais uma vez sem ninguém nos ter dito nada, ter aparecido esse grupo deles para fazer um género de serão, deliciando-nos no refeitório, a servir de salão (que então havia sido mudado, tendo passado para o sítio da antiga capela) com uma atuação inesquecível… E, aí, vi(mos) os intérpretes das cantigas de mistura religiosa e social. Foi então que ouvi a tal canção, que me fez lembrar disto tudo, de modo até a ter decorado. Pensava que era intitulada A Montanha. Como a passei depois ao papel pelo que fixei, motivo por que não coloquei toda a devida pontuação, apenas a que mais se salientava.

Ora um destes dias, tendo falecido esse José Ramos, que entretanto havia saído da Ordem e foi um renomado professor catedrático em Lisboa, apareceu-me diante dos olhos um texto do respetivo co-autor da cantiga (sendo um da música e outro da letra), como homenagem póstuma ao falecido amigo, e assim pude rever a mesma canção, que afinal teve o título de “Montanha da minha Vida". Podendo eu rever e recordar essa mesma cantiga, de estilo balada, completa:

« MONTANHA DA MINHA VIDA

Música: Bento Correia

Letra: José Augusto Ramos

Refrão

Sobre a montanha da minha vida

Sinto a brisa fresca,

Vejo o céu azul a convidar a convidar,

Eu vou subir lá bem ao cimo,

Quero ver o mundo,

Quero ver a luz com outro olhar.

 

Estrofes

I

Sei que estes vales vão cantar

Ao ver o dia a despontar,

Tudo sorri ao olhar p’ra mim!

Sei que tu vais também viver

Ao ver o dia amanhecer,

Oh! Como é belo viver assim!

 

II

Nas brisas frescas a correr,

Nas folhas tenras a crescer

Sinto a presença do Criador.

Na tua vida a caminhar

Nas tuas dores a chorar,

Como não sentes o seu amor?

 

(Bento)»


E aí está a recordação, nesta memória, que serve também de homenagem aos autores dessa cantiga. Nenhum dos intervenientes chegou a frade em anos seguintes, tendo eu saído de lá ainda rapazinho sem barba na cara, sequer, e sem ter vestido qualquer hábito, entenda-se, enquanto alguns dos mais adultos também acabaram por seguir outras vidas. Como tantos mais. Lembrando-me eu disso, e eles nem sei. Mas ficou um Hino à Vida por essas e outras lembranças. 

Paz e Bem, à memória desses tempos.

E Descanse em Paz José Augusto Ramos.

Armando Pinto

Nota: Para rever alguns outros artigos referentes ao tema “Capuchinhos”, clicar em

http://longrahistorico.blogspot.com/2014/10/ecos-historicos-duma-missao.html

http://longrahistorico.blogspot.com/2022/10/faleceu-o-capuchinho-frei-vitor-arantes.html

http://longrahistorico.blogspot.com/2023/10/dia-de-lembrar-s-francisco-de-assis.html

http://longrahistorico.blogspot.com/2025/11/encontro-de-reencontro-de-amigos-e.html

http://longrahistorico.blogspot.com/2026/02/memorias-pessoais-do-historico-sismo-de.html

AP

domingo, 2 de agosto de 2026

Aviso à navegação (amigos e leitores):

 Agora e por tempo indeterminado, não vai ser possível dar conhecimento de publicações de novos artigos, como até agora se noticiava pelo Facebook. Visto a minha página de Facebook ter sido pirateada, por alguém de fraca gente e como tal enquanto não conseguir recuperar a página ou tiver de criar uma nova, não vai haver possibilidade de dar conhecimento de novas publicações. De modo que quem gostar de ler futuras e próximas publicações deve seguir diretamente o blogue, através do link

http://longrahistorico.blogspot.com/

ou fazer-se seguidor ou por busca no Google.

Aproveito para acrescentar que quaisquer publicações surgidas proximamente no Facebook não serão minhas, portanto, até aviso meu em contrário. Ou pedidos como por vezes acontece em casos similares.

Armando Pinto

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Artigo de um Felgueirense da Longra na "Revista da Maia 2026" - crónica na publicação anual da Câmara Municipal da Maia, sobre "Ligações históricas do FC Porto com a Maia", por Armando Pinto...

 

Na anual publicação de uma revista cultural da Câmara Municipal da Maia, este ano intitulada “Revista da Maia 2026”, de seu ano XI, consta um artigo escrito aqui pelo autor deste blogue, que foi pedido ao autor pelo editor da mesma revista. Artigo esse em género de crónica ou pequeno memorial, a historiar resumidamente algumas das “Ligações Históricas entre o Futebol Clube do Porto e a Maia”. Sendo essa revista algo interessante e como não há muitos municípios a fazer e ter, prestando missão dum bom repositório de recolha de memórias e curiosidades identificativas das terras e gentes do Concelho da Maia. E como tal a ligação desportiva de cariz portista tem razão de ser, tendo mesmo muita história.

= O editor da revista com o autor deste artigo em equação - onde foi escrito o texto...

Para se perceber melhor o contexto, como se diz, atente-se numa crónica publicada no jornal “maiahoje”, em sua edição do passado dia 17.

Obviamente a mesma publicação abarca diversos e variados assuntos, incluindo ser dedicada a alguém que foi importante precisamente na historiografia maiata, o entretanto falecido senhor que foi inclusive principal dinamizador, mentor intelectual e editor fundador da mesma revista, o Dr. José Augusto Maia Marques, que por sinal foi um grande portista. Sendo por meio do atual editor da mesma revista, o historiador Dr. Rui Teles de Menezes, também portista dos bons, que o artigo pessoal teve razão de existir. Estando na revista desde a página 80 até à 101 - como se pode vislumbrar, aqui e agora, por imagens relativas à publicação, em modo de captação fotográfica, para obviar de digitalizar essa totalidade de folhas.











Armando Pinto

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Novenas a São Cristóvão de outrora e festa dos automobilistas ainda atual

 

Ainda ecoam nos ares da memória coletiva as antigas tradições das novenas a santos da região, a sítios, igrejas e capelas de santos de invocação popular, dos chamados advogados de causas. De cuja feição, nos dias que correm, resta a organização anual de recriação das novenas a Santa Quitéria, numa iniciativa tendente a recuperar essa ancestral manifestação de cunho religioso popular. Mas havia outras, com realce para as idas a São Cristóvão, como popularmente se dizia da freguesia de S. Cristóvão de Lordelo. Realidade com que outrora eram “pagas” promessas e que nos tempos de agora é trazida a público em revivalismo sadio, de reconhecimento devido ao interesse com que já vão sendo tidas lembranças de tempos idos, como integrantes da memória coletiva.

Essas práticas de exercício devoto seguiam pisadas das antigas peregrinações, de que ainda vão sucedendo algumas, provindas de gentes de paragens vizinhas e sítios distantes em demanda de Felgueiras, através de longas caminhadas comunitárias. Remanescentes como réstia de folclore religioso, que em tempos de antanho era exercido com danças e bailados litúrgicos, de culto externo durante a Idade Média, algo ocorrido nos templos religiosos nalgumas ocasiões de festividades, mas interditado entretanto. Essa influência religiosa cedeu assim parcelas sentimentais ao espírito popular, na senda de que a parte espiritual sempre atraiu a imaginação e a crença, refletindo na poesia singela a ambiência vivida. Antigamente, quando havia qualquer aflição, pestes e outras doenças, tal como para livrar um mancebo da tropa ou outro motivo de força maior, pedia-se o milagre ansiado a um santo ou santa da devoção particular, a quem se apegava a pessoa suplicante na sua fé, ao que em contrapartida, fundamentada em esperança de atendimento, era feita promessa de ação de graças. Entre essas promessas estavam caminhadas, desde a casa de quem tinha a promessa a cumprir até à ermida ou igreja onde se destinava, levando grupo de pessoas a cantarem clamores em agradecimento, conforme o prometido. Se o rancho de gente era de seis componentes chamava-se Serão, ao passo que de nove era Novena. Caso a prece fosse por uma menina normalmente a promessa era de levar nove meninas a cantarem, se fosse por um menino era costume um serão de meninos, e se fosse por pessoa adulta tanto iam só moças adultas como uma mistura de meninas e raparigas espigadas, até mulheres casadas por vezes. Acompanhadas atrás pelas pessoas pagadoras da graça: aquela por quem fora feito o voto, que por vezes ia amortalhada ou levava uma vela de cera do seu tamanho; e a que prometera, indo esta nesse cumprimento, levava então à cabeça cesta ou açafate com farnel para fortalecer o rancho durante o caminho. No fim, ao regressarem a casa, era dado a todo o conjunto de pessoas intervenientes um almoço de recompensa, que por norma consistia de arroz de feijão branco, servido em companhia de bolinhos de bacalhau.

Na região de Felgueiras esses destinos eram vários, percorridos com ajuda de cânticos entoados ao longo dos percursos da satisfação das promessas. Havia serões e novenas conforme as proximidades das terras dos santos mais invocados, mas também de mais distantes paragens, podendo ser a Santa Quitéria, ao monte de seu nome sobranceiro à antiga vila de Felgueiras (hoje cidade), como à Senhora da Saúde ou ao S. Cristóvão, a Lordelo, à Senhora do Alívio, na Serrinha, bem como a santos e santas de devoção mais local, como aos padroeiros das freguesias, ou ainda fora do concelho à Senhora da Livração, ao S. Bento das Pêras, à Senhora da Lapinha, entre diversos rumos.

Ora, um caso havia especial que era das promessas a S. Cristóvão. Santo atualmente mais lembrado como padroeiro dos motoristas, viajantes e peregrinos, mas em tempos recuados tido como advogado contra o fastio e a falta de apetite, na cultura popular e religiosa portuguesa, de maleitas de quem comia muito pouco. Sendo que então o povo era devoto dessa prece recorrendo a São Cristóvão para pedir a cura ou o alívio da falta de vontade de comer, visto que a perda de apetite era vista como sinal de doença grave. Em todos esses casos por o santo ser visto como forte, corpulento, pelo que teria de ser de bom comer, como se dizia. Tal como o seu nome Cristóvão se associa a "portador de Cristo", derivado da lenda em que como homem agigantado ajudou um menino (que era Cristo, na feição de Menino Jesus) a atravessar um rio caudaloso, levando o menino ao obro e como tal arcando com o peso do mundo. Enquanto na associação moderna o facto se reflete mais ao aspeto transportador, na proteção atribuída aos viajantes.

Entre essas ligações, ainda recentemente ocorreu a anual celebração da festa dos automobilistas de Felgueiras, juntando também aderentes de Lousada. Embora o dia litúrgico dedicado ao santo seja a 25 de julho, mas talvez por o mesmo ser também dia de S. Tiago e por exemplo nos arredores haver a festa grande de Lousada, ultimamente tem o festejo de S. Cristóvão de Lordelo-Felgueiras sido no domingo anterior, como aconteceu este ano, mais uma vez.  Mas sempre com grande entusiasmo de vários modos e feitios. Sendo dessa mesma festividade a lembrança antiga dos “santinhos” de tempos idos, as pagelas entregues na ocasião aos devotos. Como são os exemplos que se juntam, da imagem de ilustração, com pagelas de anos diferentes, uma que já pertencia à coleção aqui do autor destas lembranças e as outras duas pagelas recebidas agora, por gentil oferta de uma prima minha natural e residente em S. Cristóvão de Lordelo. Sendo desses "santinhos" os mais antigos de versões também diferentes e já raros, não havendo já disso, como se diz, e mesmo o mais recente também pouca gente já terá, visto esses exemplares físicos, em papel, serem lembranças de existências remotas, de tempos idos.

Armando Pinto

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