Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Passeio anual das Paróquias do Padre Manuel Ferreira em imagens - Set. 2026

 

𝓟𝓪𝓼𝓼𝓮𝓲𝓸 𝓘𝓷𝓽𝓮𝓻-𝓟𝓪𝓻𝓸𝓺𝓾𝓲𝓪𝓵 das Paróquias do Pároco Padre Manuel Ferreira, realizado no passado dia 6 de setembro. Conforme cartaz que se regista em imagem. Com ilustração de algumas fotos que se guardam e partilham, de mais essa ocorrência de momentos comunitários que ficarão na memória coletiva, incidindo sobre captações fotográficas de pessoas conhecidas da região - através de imagens recebidas de pessoa amiga, além de figurarem em locais da Internet - e encerrando este registo com imagem do Pároco com as representantes autárquicas das respetivas freguesias.





Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Um personagem de outras eras… de vez em quando: O Padre Dr. Amorim: Uma figura do passado local

 

Padre Doutor Artur Leite de Amorim: Uma figura do passado local

Tudo tem seu lugar no valor a dar aos alcances coletivos, pois que (como afirmava o douto arqueólogo Dr. Pedro Vitorino), quem procura verdadeiro alicerce da história nada deve desaproveitar, para que se não varra a memória e o significado, do que seja.

Nessa ideia, coincide mais um mote, desta feita: Na evolução social duma terra ou região, há sempre personagens que ficaram na lembrança popular, por diferenciados motivos. Um desses casos será o do Dr. Amorim, como era conhecido o Padre Dr. Artur Amorim, um venerando ancião, todo empertigado, que se fazia transportar num clássico carro de cavalos, deveras pomposo, quando já havia automóveis em muitas casas ricas e também até em casas remediadas.

Nome, o seu, que há muitos anos é referência de localização, associado ao local onde se situa a casa em que viveu, apontado sempre como (o ou no) “Doutor Amorim” – daí que se justifique que, à posteridade, se saiba quem foi esse nome, sempre referido na região de limites confinantes da cidade de Felgueiras e da vila da Longra.

Diziam as vozes populares que ele fora para padre depois que se formara civilmente, e por ser rico nunca tomou conta de qualquer paróquia, tendo sempre vivido de rendimentos na própria casa de família, em Varziela. Sendo uma figura popular, especialmente respeitado no tempo do regime do Estado Novo, por ter sido durante longos anos o representante em Felgueiras da Legião Portuguesa.

Para se ter uma melhor ideia desse notável figurante do quotidiano local, tome-se nota do que escreveu um seu conterrâneo, o advogado Dr. Joaquim Luís Mendes Gomes (um bom Felgueirense radicado em Aveiro, que, ao correr de suas memórias, recordando vivências da década de 40 e 50, no séc. XX, o descreveu assim em suas crónicas, insertas no jornal Semanário de Felgueiras, sob título “Filhos de Pedra Maria” – de que, com a devida vénia, transcrevemos parcialmente escassas passagens dum alusivo retracto):

«Havia na aldeia outra figura inesquecível. Era um padre bastante idoso, muito rico, porque dono de muitas terras na freguesia e que vivia com duas irmãs, de idade avançada, numa casa grande assobradada, com caseiro, criadagem, a uns escassos passos da igreja velha, a matriz. Limitava-se a celebrar missa diária, por volta do meio-dia, e sabia-se que era o comandante da Legião, naquelas paragens. Tinha-se formado em teologia na Universidade de Coimbra e toda a gente sabia que era íntimo de Salazar.

Figura extremamente alta, fina, e bem-parecida, cabelo basto e ondulado. Caminhava sempre de batina preta muito curta, e realçado cabeção branco. Agarrado a uma bengala esguia e preta, de cabeça prateada. Tinha uma voz forte e bem timbrada. Não havia ninguém que a ele não acudisse quando era preciso vencer qualquer dificuldade da vida. Subia-se umas escadas em pedra, gradeadas de ferro, que davam para a porta principal, no primeiro andar. Ali ficava o seu escritório. Uma grande secretária de madeira negra trabalhada e muitas prateleiras e armários carregados de livros, cobriam grande parte das paredes, de alto tecto sumptuoso. Ali passava grande parte do seu tempo…»

O mesmo autor, Dr. Mendes Gomes, noutro trabalho, publicado num “blog” informático da internet (destinado a futuro livro sob título “O Serrador”, também sobre antigas historietas populares de Varziela), acrescenta sobre o mesmo personagem que o Dr. Amorim «…fora condiscípulo de Salazar em Coimbra, este em Finanças e aquele na Teologia…… (sendo, nos impedimentos do pároco da freguesia, quem então substituía o abade local) nas missas e tarefas habituais dum pároco… (embora não fosse) a mesma coisa. Era um padre todo intelectual. As suas homilias deixavam toda a gente na mesma, como tinham entrado. Ninguém as entendia. Demasiado teológicas e com sabor a prelecção de tese…»

Este lembrado Padre Dr. Amorim, o célebre “Doutor Amorim de Varziela”, onde não exercia paroquialidade, chamava-se Artur Leite de Amorim, vivia na da Casa da Igreja, da referida freguesia. Foi efetivamente Delegado de Felgueiras da Legião Portuguesa (cargo que lhe dava honras de representatividade em estar presente a sessões solenes e atos oficiais, assim como em pronunciar-se na nomeação de pessoas para empregos públicos), como ainda desempenhou funções de Presidente da Assembleia Geral da Associação Pró-Longra, no mandato de 1929 a 33, como depois, em 1939, pertenceu à Comissão Instaladora da Casa do Povo da Longra e de seguida, também, teve idêntico cargo de Presidente da Assembleia em diferentes exercícios de 1940/43 e 1945/47 na mesma Casa do Povo, instituição onde lhe foi honorificamente atribuída a distinção de Sócio Protector nº 1 – conforme cartão que preservamos, há muitos anos, do qual se dá imagem ilustrativa na gravura anexa. Por tal bilhete com facilidade se fica inclusive a saber que esse “Eclesiástico Católico”, que escrevia o próprio nome à maneira de seu tempo (Arthur), nascera a 17 de Agosto de 1883, sendo filho de Joaquim de Amorim e D. Adelaide C. Leite.

O Padre Amorim em atividade pública conhecida esteve ainda presente, em 1958, na homenagem prestada na Metalúrgica da Longra ao fundador da MIT, senhor Américo Martins, entre personalidades dos convidados ao grande almoço festivo, incluindo ter discursado no cerimonial de descerramento do quadro do grande industrial, então colocado em lugar de destaque, em cerimónia benzida pelo Padre João Ferreira da Silva, pároco de Rande – como se pode ver pela foto de ilustração, dessa ocasião.

A este personagem ficaram igualmente ligadas algumas histórias de menor sabor popular, que não calham muito ao tema, segundo o que tem sido transmitido pelos tempos fora, entre cenas quotidianas em tal tempo, qual expansão permanecida na memória popular da vida de aldeia, para mais pela temeridade com que era visto pela gente comum. Cuja popularidade era tanta e incisiva que, ainda nos dias que correm, a zona circundante da casa onde viveu, junto à atual rotunda local, é genuinamente conhecida por (sítio do) “Doutor Amorim” – costumando ouvir-se dizer, por exemplo, “passar ao Dr. Amorim”, “à beira do Dr. Amorim”, “estrada do Dr. Amorim”, etc.

- Observação: Não tenho memória pessoal de ter conhecido este senhor Padre Doutor Amorim, apenas tenho vaga ideia de o ter visto algures, era eu ainda criança. Mas dele ouvia muito falar, a ponto de ter conhecido muito da sua história pública, pela transmissão popular e pelas informações relatadas por pessoas de minha família e gente conterrânea. Sabendo, por exemplo, que ele, além do pároco de Rande, foi uma das pessoas que teriam interferência na ida de jovens para o Seminário, de formação canónica, à custa da família Sarmento Pimentel, da Casa da Torre, de Rande, por promessa que a D, Maria das Dores Pimentel tinha feito de pagar o curso para ordenar padres. (Não como se falava disso ser por morte de padres, que foi coisa falsa, mas por promessa dela. Aliás essa mentira que andou anos de padres mortos foi entretanto desmentida por documentação, pois quando morreram dois padres em Lisboa, e não nove como se dizia, aquando da Implantação da República em 1910, o irmão dela, Capitão João Sarmento Pimetel, nem estava onde se deu esse caso. E a lenda dele ser anticlerical é fácil de desfazer sabendo-se como quando teve de se exilar politicamente, na ida para o Brasil, foi disfarçado de padre, com roupa e batina do seu amigo Padre Albino Magalhães do Unhão.) Depois, ao pesquisar documentação para a escrita da história da região deparei-me com documentação sobre suas ligações à Longra. Tendo então recebido oferta do seu cartão, pelo meu amigo senhor Luis Tomás, que o tinha de seu sogro (sr. António Sousa Gomes), um dos intervenientes na criação da Casa do Povo da Longra. Mais tarde vi as informações publicadas pelos referidos folhetins publicados no Semanário de Felgueiras. Entretanto tentei durante anos obeter uma foto de jeito dele, através de pessoas com ligações à sua antiga casa, mas como não foi possível, fica assim como está, aqui.

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Uma foto com história e texto acrescido - em tempo de vindimas e de fim de vindima de antigamente...

À chegada do Outono, quando as folhas das videiras amarelecem e as uvas estão amadurecidas, é tempo de vindimas.  

Vem isto a propósito para trazer novamente umas imagens com uma sugestiva fotografia de um instantâneo antigo. Tratando-se duma foto, de há muitos anos, que entretanto publiquei no meu livro maior, “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, reportando a um almoço de fim de trabalhos sazonais, ainda no tempo do Conselheiro de Rande Dr. António Mendonça, em convívio à mesa colocada ao ar livre. Sendo que nesse tempo a Quinta de Rande era a maior produtora de vinho da região.

= Conjunto de imagens respeitantes à solarenga Casa de Rande e anexa sua agrícola "Quinta de Rande", reportando à antiga exploração da mesma, também conhecida popularmente por quinta da vacaria. Juntando a foto referida, no livro publicada separadamente. =

Por isso, nesta fase da roda do ano, traz-se aqui um texto em tempos publicado no jormal Semanário de Felgueiras, e que acom algumas adaptações e acrescentos, esteve para incluir um livro sobre o concelho de Felgueiras, mas que por falta de apoios, para a devida publicação, há muito tem estado guardado.

Vindimas e Vinhos de Felgueiras

À medida que as temperaturas vão baixando, passado o clima de maturação dos produtos naturais resultantes do solo, o meio ambiente desta região proporciona diferentes atractivos na sua realidade rica em pitoresco, como se expressa com as colheitas resultantes da agricultura e nomeadamente se passa com as vindimas.

Passado o Julho, em que pelo S. Tiago já pinta o bago (por ocasião da sua festa, em finais de Julho), depois, como também diz o povo, em Agosto toda a fruta tem seu gosto, tal como Agosto madura e Setembro vindima. Sendo no mês de Setembro a festa de S. Miguel, protector das colheitas, lá diz o rifão que S. Miguel soalheiro enche o celeiro. Nas vinhas e nas adegas há aquele corrupio próprio da actividade. Nos bardos e ramadas os cachos pingando manchas reluzentes estão mesmo a pedir que sejam colhidos. Procede-se à preparação das envasilhas, vêm-se em muitos lados pipas a serem revistas e preparadas, de pipo ao ar, como se costumava dizer, com água nos tampos a fazer apertar as aduelas. Depois são aqueles trabalhos que detêm ciência de experiência própria, neste caso desde que as uvas são colhidas para entrarem nos lagares e de seguida o vinho seja envasilhado, até à seguinte época das desfolhadas do milho. Faina esta que dará razão à característica local dos alpendres, onde em serãos nocturnos se desenrrolam esses trabalhos comunitários, nos também chamados beirais em cujas eiras secam as espigas, depois armazenadas nos espigueiros, todos em madeira de cima abaixo antigamente e posteriormente montados sobre pilares de granito – onde se guardam as espigas de milho novo, a arejar entre o ripado de tábuas em que se afirma afinidade nortenha diferenciada dos espigueiros galegos de cruz na empena. Até que, agasalhado o povo ao borralho, sendo entrado tempo rigoroso de Outono/Inverno no quotidiano, por tradição se vai à adega provar o vinho novo, por alturas da festa de S. Martinho, a meio de Novembro.

Por entre tentativas de descoberta de amanhos antigos, que urge preservar no conhecimento, debulhando o grão dos hábitos, se joeiram assim as tradições relativas de velhos costumes. Sem pesquisa de fósseis, mas apenas reflexões que nos acodem, numa tentativa de percurso abrangente a pretéritos panoramas, de sabor tradicional e raiz popular, como que a guiar as águas para a cultura do que nos deve merecer fidelidade.

Mas o que move estas considerações, desta feita, é o vinho mais os horizontes relativos. Desnecessário se torna descrever a labuta das vindimas, cuja faina já registamos nos seus antigos moldes (conforme texto incluído no livro “Felgueiras-Tradição com Futuro” e apresentamos com maior desenvolvimento no “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”). Desperta este arrazoado assim para diferente perspectiva, relacionada às cepas que sobem nas ramadas, estendendo varas a formar festões de parras, engavinhadas ao longo dos arames onde se encostam os cachos louros e roxos.

A área de Felgueiras inclui-se com toda a propriedade na região dos vinhos verdes, institucionalizada em 1908 por Carta de Lei de 18 de Setembro, regulamentada por seguinte Decreto de 1 de Outubro do mesmo ano, como forma de «orientação para a qualidade e regulamentação da produção e comércio do vinho verde». Cuja área, mais tarde, teve estatuto reforçado por Decreto de 10 de Dezembro de 1926, a consagrar o «estatuto da região demarcada, definindo os seus limites geográficos, caracterizando os seus vinhos, definindo regras para certificados de produção e origem e para o comércio dos vinhos verdes». Daí tendo sido criada a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), «organismo com representantes da lavoura e do comércio».

Com efeito, nesta zona da região dos vinhos verdes, a área da viticultura a nível de Felgueiras tem granjeado determinado relevo, quer na economia como na promoção do concelho, através do labor de técnicos, empresários e agricultores ligados ao sector. Por via disso são alguns os vinhos de qualidade com marca registada de Felgueiras, que se podem encontrar nas garrafeiras de mercados pelo país fora, causando orgulho aos Felgueirenses, além do sabor apaladado.

Gravura do rótulo do antigo vinho “Quinta de Rande”

Em tempos longínquos existiram algumas casas de nome com seu próprio vinho, como por exemplo foi o caso, em princípios do século XX, dos vinhos “Solar da Torre” e “Quinta de Rande”, das casas brasonadas dos mesmos apelidos na freguesia de Rande. Tendo o último, do Conselheiro de Rande Dr. António Mendonça, sido galardoado nas Exposições Nacionais do Palácio de Cristal do Porto em 1903 e 1904 e na Exposição Distrital de Amarante em 1908. Tal como existiu na Longra, por volta da primeira à segunda década do século XX, o vinho “Raposinho” com patente de estabelecimento comercial ao tempo sito no Largo da Longra (casa A Comercial, de Adelino Pinto Sampaio e Castro), propriedade do então senhorio da quinta em que o mesmo era produzido, de castas da Quinta do Raposo, de S. Cristóvão de Lordelo. No decurso dos tempos muitos rótulos mais apareceram, dos quais algumas marcas entretanto desaparecidas, como aconteceu com o “Casal de Santiago”, da freguesia de Rande, por sinal premiado no concurso de vinho branco, na categoria de produtores/engarrafadores, da Felmostra/Feira do Vinho Verde em 1987.

Antigas marcas engarrafadas, estas já desaparecidas, como possivelmente terão existido mais na região.

Agora, passe a possível publicidade (contando tão só como simples anotação de registo), existem os vinhos Caves do Casalinho e mais seu famoso Três Marias, de Regilde e Santo Adrião, coleccionador de muitas distinções, desde eventos de Lisboa a Lubliana, Bristol e Bratislava, através de medalhas de ouro e prata em diversos anos; como também as marcas da Cooperativa de Felgueiras-Caves Felgerias Rubeas, Terras de Felgueiras, em verde e espumante, mais o Azal da Lixa (tendo a marca Cooperativa de Felgueiras sido premiada com o 1º lugar de armazenistas/engarrafadores, de vinho branco, na Felmostra-Feira do Vinho Verde/88; tal como, posteriormente, obteve outros galardões, entre os quais se pode salientar a medalha de prata no concurso internacional de vinhos “Cidade do Porto”, em 2000, entre outras distinções); bem como o Quinta da Lebre, de Margaride; a Sociedade dos Vinhos Borges com o Quinta da Lixa e seus Monsenhor, Anjos de Portugal e Vinha Real, além dos Terras do Minho e suas qualidades Trajadura-Azal-Avesso-Pedernã-Padeiro (com que a empresa da Quinta da Lixa-Sociedade Agrícola foi reconhecida, sendo esses vinhos premiados com uma medalha de ouro e outra de prata na ”Chalenge Internacional du Vin”, duas medalhas de bronze no III Concurso Mundial de vinhos-“Wine Masters Chalenge 2001”, assim como uma de prata no “Concurso de Vinho Verde Engarrafado 2001/C.V.R.V.V. e outra igual no “Concurso da 13ª Festa dos Vinhos Verdes”, continuando nos anos seguintes a colher prémios, a nível nacional e internacional, em sucessivos “Challenges” e outros certames); mais os Quinta dos Lagareiros, Quinta do Lugarinho e Quinta dos Quintais, também da Lixa; o Quinta da Cerca e Quinta da Cela, de S. Jorge de Vizela, o vinho de quinta da Sociedade Agrícola de Maderne, de Várzea, o Sousão e o Conde D. Mendo, da Quinta de S. Mamede, do Unhão, e de Cimo de Vila, de Rande, etc.

Não contando, para o caso, produtores e engarrafadores particulares de sítios de minifúndio, sem timbre registado, entre os quais figuram outros apreciados vinhos de quinta de lavrador; por entre o que temos conhecimento, embora possivelmente ainda haja outras marcas mais. De notar que não são referidas marcas com rótulos que, embora pertencendo a pessoas da região, derivam de vinhos de outras zonas, de fora do concelho de Felgueiras, como acontece nalguns exemplos conhecidos.

Acresce, outrotanto, ligação afim no aparecimento em 1998 da AFAVI-Associação Feminina de Amigas do Vinho, agremiação sediada em Felgueiras, que tem permanecido no seu caracter associativo através de conjunto de senhoras que se esforçam por reabilitar o vinho, como acompanhante predilecto das refeições em moderada bebida, como por tornar conhecida a importância de Felgueiras através deste produto tradicional, no respectivo sector económico nacional. Instituição esta que, inclusive, editou em 2006 um caderno com receitas de culinária produzida com vinho verde (“Gastronomia com Vinho de Felgueiras”). E, depois, houve a instalação da Confraria do Vinho de Felgueiras, honorífica instituição criada em 2006, composta por personalidades entronizadas em representação de entidades do ramo e figuras públicas nomeadas e convidadas, com fins subjacentes.

Em suma todas essas firmas, existentes ou desaparecidas, constituem valiosa referência, associando-se às características locais dentro das tradições vinhateiras, formando genericamente bom naipe de elementos da cultura Felgueirense.

Armando Pinto

Nota explicativa: as marcas referidas inicialmente por serem antigas não precisam de explicaçao de atualização, obviamente. Assim como há uma exceção no caso do vinho Casalinho, que até há pouco tempo sua localização de Santo Adrião ainda pertencia ao concelho de Felgueiras (sendo hoje Santo Adrião de Vizela). Já as mais recentes marcas e nomes referem-se ao que era conhecido em 2006, ao tempo do texto.

((( Clicar sobre as imagens )))

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

De vez em quando… um livro… “Dicionário Corográfico de Portugal” de 1940 com indicações administrativas de todo o país

 

Livro “Dicionário Corográfico de Portugal”, de M. Sampaio, publicado em 1940. Prefaciado por Albino Forjaz Sampaio. «Contendo todas as Províncias, Distritos, Concelhos e Freguesias, Cidades e Vilas, com seus fogos e habitantes, distâncias da sede do concelho e comunicações, caminhos-de-ferro, correios e outras indicações úteis» pelo código administrativo da época. Incluindo naturalmente o concelho de Felgueiras. De cujo conteúdo se partilham em imagens fotografadas, como exemplos, as páginas com indicações do concelho de Felgueiras e das freguesias da vila da Longra atual. Como ao tempo estava tudo referenciado administrativamente, quanto a serviços de Estação de correio da área e se essas estações eram Telefono-Postal, Posto Público e pertenciam a Rede Telefónica Pública; além de número de fogos (habitações) e de habitantes.




Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Padre Manuel Ferreira - Pároco de Rande, Sernande, Idães e Revinhade - presente na Eucaristia do aniversário da Dedicação da Catedral da Diocese do Porto e de Ação de Graças pelo ministério de D. Vitorino Soares na Diocese do Porto.

 

Esta quarta-feira recém-passada, 9 de setembro, teve lugar na Sé Catedral do Porto a anual Eucaristia celebrativa do aniversário da Dedicação da Catedral, e, desta vez, extensivamente de Ação de Graças pelo ministério de D. Vitorino Soares na Diocese do Porto, que se despede de Bispo-Auxiliar do Porto e passará a ser Bispo do Algarve. Na cerimónia esteve presente o nosso pároco, Padre Manuel Ferreira - como se pode ver pela imagem, à esquerda da fila da frente.

Então presidida por D. Manuel Linda, Bispo Diocesano do Porto, e numa Assembleia de sacerdotes da diocese e de fiéis leigos, decorreu essa celebração extensivamente dedicada ao novo bispo do Algarve. numa sentida homenagem durante a Missa da Dedicação da catedral do Porto. A celebração foi antecedida por uma apresentação das obras do Seminário Maior do Porto, do qual D. Vitorino Soares foi reitor nos últimos sete anos.

«Na sua homilia, o bispo do Porto envolveu na sua homenagem a D. Vitorino Soares todos os bispos, sacerdotes, diáconos que estiveram na celebração em grande número e todo o povo de Deus.» (conforme regista reportagem da “Voz Portucalense”). Acrescentando, em nome da Diocese: «O povo de Deus aqui representado nestes leigos e eu próprio, não nos despedimos de ti, no sentido de corte total de laços. Pelo contrário, reconheceremos sempre que esta foi a tua Igreja da mais longa pertença», disse D. Manuel Linda.


Armando Pinto

((( Clicar sobre a imagem )))

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Lembrando… o sorridente Senhor António Sousa de Cimo de Vila de Rande !

Era eu ainda jovenzito quando, conforme me lembro, comecei a ver um senhor muito sorridente que passava na Longra diante de minha casa (claro, a casa de meus pais e da minha família) e sempre metia conversa com meu pai, já conhecidos que eram. Depois passei a conhecê-lo já em sua casa, aquando de algumas vezes em que acompanhei o meu pai nas suas idas à quinta da casa de Junfe, no Unhão - onde morava ao tempo esse senhor - por via de levar algum motor de puxar água, mesmo até um televisor ou outro aparelho, por exemplo, que viera para consertar na oficina de meu pai, ou ainda por algum outro motivo relacionado com instalações elétricas, por exemplo, efetuadas lá. Mais tarde soube que esse senhor passou a viver na quinta de Cimo de Vila, em Rande. Indo lá eu também, uma vez por outra, conforme calhasse por idênticos motivos, a esse alto da freguesia de Rande, de onde se via um panorama bonito nas vistas para o vale da Longra, ao fundo, ou pelo outro lado mais distante para o alto de Santa Quitéria, e ainda mais ao longe, para o planalto da Serrinha, mais além, entre planos a perder de vista por múltiplas cores vertidas pelo horizonte. Sítio interessante mas quase sem casas, nesse tempo, a não ser a casa, beiral e outros anexos da quinta onde vivia com sua família, o senhor Sousa de Cimo de Vila. Senhor de quem depois fiquei também a ser amigo e com o qual dava gosto conversar. Como tantas vezes ia acontecendo, quer quando nos encontrávamos na Casa do Povo da Longra, por exemplo, onde ele ia tratar assuntos de previdência rural ou de saúde, como de temas da freguesia noutros locais e das vezes que nos encontrávamos. Assim como mais tarde, quando tive um meu irmão e sua família a viverem em Cimo de Vila, já depois do lugar se ter desenvolvido, houve ainda maior convivência.

Antes, Cimo de Vila foi simplesmente um local idílico no alto de Rande, perto do penedo alto de Santana, mas um sítio quase despovoado. Até que, após ali se ter tornado proprietário de terrenos dessa quintazinha, o senhor António Sousa foi desbravando terreno, teimando ao longo de alguns anos seguintes, quão foi conseguindo alargar o caminho que beirava seu eido e paulatinamente foi transformando matas, campos, leiras e quintais através de terraplanagens e loteamentos, dando lugar a lotes de construções, onde foram sendo erguidas casas familiares e tornado o lugar um bom sítio de vizinhanças. Até mais ter conseguido que o caminho que ali passava fosse transformado numa estrada, e dali se ramificassem algumas vias. Metendo ao barulho Câmara, Junta e o que mais foi preciso fazer. Coisa que sem suas iniciativas não teria acontecido assim, embora no decurso de uns anos bons, como foi necessário labutar pelo surgimento de tal progresso.

Ora, numa minúcia possível de tanta história, aqui se tenta vincar isso, ainda que resumidamente, num traço de escrita a procurar contar esse papel havido no desenvolvimento dum lugar de pormenores sui generis, contendo histórias várias, guardadas na memória duma terra infinita, assim. Que foi sítio em festa, por vezes, na ideia conseguida através de iniciativa acontecida, quão a necessidade aguça o engenho, de modo que foram feitas melhores cores no panorama do ambiente local, que o povoador do sítio foi oferecendo ao sentido comunitário.

Sabendo e valorizando o facto, eu (autor deste texto) tentei em tempos que fosse atribuído o nome do senhor António Sousa, de Cimo de Vila, a uma das ruas daquela área de Rande. Tendo aproveitado, para isso, o facto de ter sido incluído numa inicial comissão formada pela Junta de Freguesia de Rande para estudo de nomes a atribuir a ruas e caminhos da freguesia. E assim, entre os diversos nomes, indiquei o nome do senhor Sousa de Cimo de Vila. Contudo, depois já não pertenci à comissão que deu os nomes que foram colocados. Pois então, porque depois a Câmara Municipal de Felgueiras (CMF) e a Junta de Freguesia de Rande, desse tempo, nomearam uma outra comissão definitiva com membros indicados pela CMF, incluindo representantes da Junta e da Assembleia de Freguesia de Rande, mais representantes de outras áreas (cujos nomes constam das atas respetivas), foi quase tudo alterado, tendo sido retirados uns nomes e colocados outros, pouco restando do projeto inicial, como acabou por ficar com algumas situações que se não entendem. De modo que, infelizmente, o senhor António Sousa não foi honorificamente perpetuado como merecia. Esperando-se que ainda venha a ser um dia… Tal como outros em casos diversos.

Em suma, pode dizer-se e proclamar que foi o senhor António Sousa que deu vida a esse lugar sobranceiro da encosta de Rande, que como tal respira a jovialidade de agrado que se sente nessa existência.

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))