Espaço de atividade literária pública e memória cronista

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Lembrando… o sorridente Senhor António Sousa de Cimo de Vila de Rande !

Era eu ainda jovenzito quando, conforme me lembro, comecei a ver um senhor muito sorridente que passava na Longra diante de minha casa (claro, a casa de meus pais e da minha família) e sempre metia conversa com meu pai, já conhecidos que eram. Depois passei a conhecê-lo já em sua casa, aquando de algumas vezes em que acompanhei o meu pai nas suas idas à quinta da casa de Junfe, no Unhão - onde morava ao tempo esse senhor - por via de levar algum motor de puxar água, mesmo até um televisor ou outro aparelho, por exemplo, que viera para consertar na oficina de meu pai, ou ainda por algum outro motivo relacionado com instalações elétricas, por exemplo, efetuadas lá. Mais tarde soube que esse senhor passou a viver na quinta de Cimo de Vila, em Rande. Indo lá eu também, uma vez por outra, conforme calhasse por idênticos motivos, a esse alto da freguesia de Rande, de onde se via um panorama bonito nas vistas para o vale da Longra, ao fundo, ou pelo outro lado mais distante para o alto de Santa Quitéria, e ainda mais ao longe, para o planalto da Serrinha, mais além, entre planos a perder de vista por múltiplas cores vertidas pelo horizonte. Sítio interessante mas quase sem casas, nesse tempo, a não ser a casa, beiral e outros anexos da quinta onde vivia com sua família, o senhor Sousa de Cimo de Vila. Senhor de quem depois fiquei também a ser amigo e com o qual dava gosto conversar. Como tantas vezes ia acontecendo, quer quando nos encontrávamos na Casa do Povo da Longra, por exemplo, onde ele ia tratar assuntos de previdência rural ou de saúde, como de temas da freguesia noutros locais e das vezes que nos encontrávamos. Assim como mais tarde, quando tive um meu irmão e sua família a viverem em Cimo de Vila, já depois do lugar se ter desenvolvido, houve ainda maior convivência.

Antes, Cimo de Vila foi simplesmente um local idílico no alto de Rande, perto do penedo alto de Santana, mas um sítio quase despovoado. Até que, após ali se ter tornado proprietário de terrenos dessa quintazinha, o senhor António Sousa foi desbravando terreno, teimando ao longo de alguns anos seguintes, quão foi conseguindo alargar o caminho que beirava seu eido e paulatinamente foi transformando matas, campos, leiras e quintais através de terraplanagens e loteamentos, dando lugar a lotes de construções, onde foram sendo erguidas casas familiares e tornado o lugar um bom sítio de vizinhanças. Até mais ter conseguido que o caminho que ali passava fosse transformado numa estrada, e dali se ramificassem algumas vias. Metendo ao barulho Câmara, Junta e o que mais foi preciso fazer. Coisa que sem suas iniciativas não teria acontecido assim, embora no decurso de uns anos bons, como foi necessário labutar pelo surgimento de tal progresso.

Ora, numa minúcia possível de tanta história, aqui se tenta vincar isso, ainda que resumidamente, num traço de escrita a procurar contar esse papel havido no desenvolvimento dum lugar de pormenores sui generis, contendo histórias várias, guardadas na memória duma terra infinita, assim. Que foi sítio em festa, por vezes, na ideia conseguida através de iniciativa acontecida, quão a necessidade aguça o engenho, de modo que foram feitas melhores cores no panorama do ambiente local, que o povoador do sítio foi oferecendo ao sentido comunitário.

Sabendo e valorizando o facto, eu (autor deste texto) tentei em tempos que fosse atribuído o nome do senhor António Sousa, de Cimo de Vila, a uma das ruas daquela área de Rande. Tendo aproveitado, para isso, o facto de ter sido incluído numa inicial comissão formada pela Junta de Freguesia de Rande para estudo de nomes a atribuir a ruas e caminhos da freguesia. E assim, entre os diversos nomes, indiquei o nome do senhor Sousa de Cimo de Vila. Contudo, depois já não pertenci à comissão que deu os nomes que foram colocados. Pois então, porque depois a Câmara Municipal de Felgueiras (CMF) e a Junta de Freguesia de Rande, desse tempo, nomearam uma outra comissão definitiva com membros indicados pela CMF, incluindo representantes da Junta e da Assembleia de Freguesia de Rande, mais representantes de outras áreas (cujos nomes constam das atas respetivas), foi quase tudo alterado, tendo sido retirados uns nomes e colocados outros, pouco restando do projeto inicial, como acabou por ficar com algumas situações que se não entendem. De modo que, infelizmente, o senhor António Sousa não foi honorificamente perpetuado como merecia. Esperando-se que ainda venha a ser um dia… Tal como outros em casos diversos.

Em suma, pode dizer-se e proclamar que foi o senhor António Sousa que deu vida a esse lugar sobranceiro da encosta de Rande, que como tal respira a jovialidade de agrado que se sente nessa existência.

Armando Pinto

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Imagem duma reposição - placa toponímica levantada (depois de anos caída…) - na Longra!


Nem só de reparos de avisos, tendentes a possíveis melhoramentos e recuperações, se rege a observação do que nos rodeia, mas também de factos positivos, como no caso de algo melhorado. Tal como no caso agora observado, atendendo a que nesta sexta-feira 28 de agosto foi recolocada uma placa toponímica, indicativa de um lugar antigo da Longra. Ocorrência que pode parecer de somenos, contudo como a mesma placa esteve caída, em baixo, quase ao fundo do tubo de haste metálica de seu suporte, durante vários anos, o respetivo facto de ter sido recolocada em seu sítio, passado muito tempo, para voltar finalmente a ser visível, não é coisa que passe despercebida. Acrescendo que essa placa repõe ela mesma a tradição do nome antigo do lugar, no plural, visto aquando da colocação de placas com nomes de ruas ter sido desvirtuada essa tradição e incrivelmente alterado o nome em modo singular. Quem conhece as características e particularidades locais sabe e entende a diferença, entre o verdadeiro nome do antigo lugar de Cortes Novas, para a tentativa de renomeação com uma rua duma só corte nova… O que aconteceu em tempos com a nomeação duma comissão para definitiva atribuição toponímica da freguesia, que alterou o que havia sido sugerido por uma anterior comissão, sendo o que foi mudado pela nova tido aprovação oficial, entenda-se, dos representantes autárquicos, à época.

Armando Pinto

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Em plena seca de agosto de 2026: brotaram no Largo da Longra rebentos de cedros familiares de pinheiros (será do antigo pinheiro cortado em 1982?) ?!

 

Com a acalmia do tempo de férias, em que escasseia o movimento viário e humano na localidade da atual vila da Longra, apareceram hoje, quinta-feira-feira 20 de agosto, ou seja em plena temporada da seca estival de agosto deste ano de 2026, uns ramos de cedros colocados na via pública da estrada de confluência de e para a direção da estrada Felgueiras-Longra-Caíde. Ora como a placa indicativa de Caíde até caiu, entretanto, e está no chão, assim como ali no centro houve durante muitos anos o célebre e histórico pinheiro do Largo da Longra, como era conhecida a árvore central do tempo do antigo triângulo (placa triangular de centro de convergência de estradas), até dá ideia que rebentaram raízes desse antigo pinheiro, cortado em 1982, e agora brotaram rebentos dessa histórica árvore de grande porte…´


Parecerá incrível? Mas é o que se vê… Senão repare-se nas imagens captadas precisamente ao final da manhã desta quinta-feira, 20 de agosto de 2026. E não é a… gosto que se mete esta achega. Embora havendo informação popular de trabalhos derivados do rebentamento de um tubo da água pública, o resultado é caricato. Quão também fica para a história… neste espaço de memórias históricas!

Armando Pinto

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Um Adeus ao meu amigo Tó Pedro!

 

Hoje tive de me despedir do meu amigo Tó Pedro, despedindo-me fisicamente, que não espiritualmente, porque sempre o lembrarei como amigo de infância e homem bom que conheci, de afinidades e amizade. O Engenheiro Pedro Sousa, natural da Longra, onde cresceu e se fez homem, depois residente na cidade de Felgueiras, deveras conhecido e respeitado no concelho de Felgueiras. Sendo como era no âmbito público referenciado como um dos fundadores dos Rotários de Felgueiras, como é usual chamar-se ao Rotary Clube de Felgueiras, tendo por mais que uma vez sido seu presidente, inclusive quando começou a campanha “Salvar Pombeiro” por iniciativa rotária, como ele contava e depois continuada pela presidência municipal da época. Além de outras participações em comissões concelhias. Mas para mim o Tó Pedro meu amigo e pessoa da Longra, que, enquanto esteve à frente da fábrica IMO todos os dias ia ao Café da Longra e gostava de conversar com toda a gente conhecida. Estando-me nas boas memórias as nossas conversas, entre eu, ele, seu pai, o senhor Luís Sousa, e seu tio e meu grande amigo, o senhor Luís da Póvoa.

Foi com muito gosto que um dia, ainda não há muitos anos, lhe solicitei e ele aceitou fazer o prefácio para o livro que escrevi sobre seu antepassado autor do projeto da Casa das Torres, da antiga vila e atual cidade de Felgueiras, o seu bisavô Luís Gonçalves - obra derivada após ideia de seu primo Neca Gonçalves, que em boa hora me lançou a sugestão, depois de ter lido um artigo que eu escrevera no jornal Semanário de Felgueiras sobre o mesmo projetista de várias casas da arquitetura clássica felgueirense. Tendo ele aceitado que a IMO patrocinasse esse livro, antes de saber que eu lhe ia pedir o prefácio respetivo. Tendo ficado desde aí assente, como eu então dei ideia e depois consegui, que a seguir seria vez de um livro sobre seu pai, o senhor Luís Sousa da IMO, com o prefácio a ser feito pelo filho mais novo, Rui, e o posfácio pela neta mais velha, Marta (livro que depois foi patrocinado pelo Instituto de Estudos Superiores de Fafe, de que era diretora a filha, prof.ª Dulce, que fez um testemunho pessoal colocado no livro). Assim como esteve projetado um dia fazer idêntica obra sobre a sua mãe, matriarca da família e professora histórica da Longra, D. Maria Amélia, e esse livro idealizado teria prefácio do filho Jorge e posfácio da nora D. Armanda, como professora também, mas a evolução do destino alterou tal sequência. Entre conversas mantidas com o meu amigo Tó Pedro, porque também havia em espera um livro, há muito escrito, sobre seu tio e meu amigo senhor Luís Tomás da Póvoa. Por entre casos que não foram sendo concretizados em papel impresso, mas isso agora são outras histórias. Ficando ao menos o que foi possível materializar.

Ainda não há muitos anos, também, no dia do lançamento de um dos livros de seu irmão Rui, era vivo ainda também o senhor Luís e todos estávamos de boa saúde, felizmente, pudemos conversar sobre alguns tópicos relacionados, quando todos juntos ficamos à posteridade numa foto que guardo com muito carinho e apreço - a foto que encima e termina este texto.

Convém frisar, quanto a ecos por vezes andados pelo ar, que bem seria interessante fazer muito mais livros, sobre muitas mais pessoas ligadas a nossos afetos e à história local, mas para publicar livros, depois de escritos, é preciso haver com quê, não podendo o autor além do trabalho ainda arcar com mais despesas. Isso por outros motivos e num à parte.

Despedi-me hoje deste meu amigo, como me despedi há anos do meu irmão Fernando. Mas a recordação vai ser constante.

Até sempre amigo.

Armando Pinto

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Até sempre, amigo Tó Pedro Sousa!

Aí estamos nós, Tó Pedro, a rever coisas que nos ligavam, desde nossos tempos de escola e recordações afetivas!

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Soube hoje, ao início da tarde, nesta terça-feira 18 de agosto, que faleceu o meu amigo Pedro Sousa, mais conhecido por Tó Pedro, natural da Longra e residente na cidade de Felgueiras. Deixa saudades imensas. Já aquando do último almoço do grupo de "Colegas de Escola & Amigos" eu tinha dito em comunicação antecipada a todos, na generalidade, que conviria nunca faltarmos pois nunca se sabe se será a última oportunidade de encontro. Tendo o Tó Pedro se inscrito e com interesse mostrara que ia estar presente. Mas, dessa vez, já derivado à doença que o atormentava, no próprio dia ele avisou-me, na manhã desse sábado, que não ia conseguir ir. E ao comunicar-me que não ia poder estar presente, se despediu de mim a dizer: até sempre.

O Tó Pedro era da minha idade. Fazia anos pouco tempo depois de mim, sendo eu de Julho e ele de Setembro, nascidos ambos em 1954. Fazia pois 72 anos proximamente a 15 de setembro. E andamos sempre juntos na nossa infância por tudo quanto era sítio da Longra. Tínhamos um grupo mais chegado, ele, eu e o Zé Pereira (Zezé, como ao tempo era mais conhecido o filho mais velho do senhor Américo Pereira), a que por vezes se juntavam o Rosário, o Alexandre Abreu, o meu irmão Fernando, o Quim e o Fernando da Angelininha, o Tónio Branco, o Carlos da Laurindinha, o Lino Pereira, o Zé Carlos do Dr. Aurélio, o Tó Jó Machado, mais diversos outros das várias classes da escola, de idades próximas. Recordo-me que, depois que houve televisão (aparelho ou caixa de tv) na Longra, em casa do senhor Pereira, primeiro, e depois na Casa do Povo, foi passado alguns anos em casa do sr. Sousa da IMO que houve mais um outro aparelho de televisão, e o Tó Pedro então foi propositadamente a minha casa dar-me a novidade, nesse domingo de manhã logo a seguir à missa de Rande, e a convidar-me para na tarde desse mesmo dia ir a sua casa ver a televisão, para assistirmos a um jogo da seleção portuguesa de futebol em que iam estar em campo o guarda-redes Américo e o avançado Hernâni do Porto, na primavera de 1964. Tal como sempre lembro as nossas tertúlias dos tempos em que ambos colecionávamos recortes de jornais com coisas e lousas desportivas do FC Porto, encantando-se ele com as crónicas que eu já nesse tempo escrevia e tinha registadas em cadernos e pastas de argolas. Como aliás, muitos anos mais tarde, ele até recordou quando fez parte da mesa da apresentação do livro que fiz sobre seu antepassado arquiteto da Casa das Torres de Felgueiras. 


Antes disso, uns anos atrás, já eu fizera referência a nossas ligações conterrâneas num dos apontamentos do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras, no capítulo das personalidades importantes locais, como noutras passagens. 

De algumas das apresentações dos meus livros são algumas das imagens que guardo de nossos mais recentes encontros. Além do Encontro de 2025 do grupo dos “Colegas de Escola & Amigos” da região da Longra.




Posto isto, nem apetece estar a escrever muito mais. Contando o muito que sinto, perante o pouco que quaisquer palavras aqui escritas conseguirão acrescentar. Tal como eu quase sempre sinto mais que o que pessoalmente consigo dizer, mas os bons amigos sabem como sou. E o Tó Pedro conhecia-me bem, sendo como eramos amigos desde nossa infância.

Até sempre amigo!

Armando Pinto

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Clichés memorandos das carreiras de Felgueiras que viravam no Largo da Longra para Caíde...

Vinha já de recuados anos o transporte público de camionetas de carreira entre Felgueiras e a estação de Caíde, passando pela Longra, em vários giros. Num dos quais parando para levar para o comboio os sacos com o correio da Estação CTT da Longra, assim como na volta se dava o inverso. Em viagens com horários condicionados com a CP, Comboios de Portugal, pelas tabelas dos Caminhos-de-ferro, por forma a permitir a ligação aos comboios com destino e procedência do Porto.

Por esses tempos, nas viagens até ia havendo passageiros transportados no tejadilho. Isso quando havia enchentes, pois obviamente havia a vistoria do cobrador. Sendo bem lembrados tempos, pelos anos 50 e 60, pelo menos, em que até na escada de trás, de ligação ao tejadilho, se “empoleiravam” moços em idade juvenil, como que a viajarem durante alguns metros, ou muito mais.

Obviamente ficaram também na retina das memórias as excursões, levando o pessoal da terra em passeios por outras bandas. E tantos outros casos extensivos.

Entre tantas curiosidades relacionadas, conhecidas por quem viveu esses tempos ou tem memórias, ainda que ténues, dessas vivências, há algumas deveras lembradas. Então, por exemplo, como obviamente no trajeto das camionetas vindas da então vila de Felgueiras, ao chegarem à Longra seguiam para Caíde, mudando de direção e direcionando na respetiva estrada condizente, o povo (voz popular) dizia que viravam, brincando com a situação - porque virar no termo vulgar queria dizer cair, voltar-se.

Ora, sendo que a carreira de Felgueiras para Caíde estava a cargo da empresa Cabanelas de Felgueiras, dessas carreiras ficaram memórias visuais também. Como, noutros exemplos, se pode ilustrar estas simples lembranças com algumas imagens de camionetas de tempos antigos. 

Armando Pinto

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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Homenagem a um dos amigos de sempre... entre figuras simpáticas da Longra!

Era ideia, aqui do autor deste blogue, de honemagear pessoalmente, por via da escrita normal deste espaço, com as melhor das intenções, um senhor amigo que foi natural e residente da Longra em sua vida. Na linha de homenagens já feitas anteriormente a outros antigos personagens da Longra e arredores. Mas, após pedido parecer a elementos da família, não tendo sido o caso entendido, como tal, aqui segue em modo de indicação sem nome do visado, porque ele merece ser homenageado, mesmo que nesta impossibilidade de nomeação pública. 

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Ecoam nos recantos da memória pessoal de infância os cânticos ouvidos na igreja de Rande, em tardes domingueiras de reza do terço, por entre a distração de outras atenções, com as melodias saídas do dueto de vozes do Padre João com a de uma senhora habitual no acompanhamento dos cantares da igreja local, a sobreporem-se a algumas não muito interessantes chegadas aos ouvidos. Sendo que o Padre João tinha muito boa voz, e a simpática senhora dava gosto ouvir. Isso por inícios e mais além ainda dos anos 60, pelos idos tempos da idade da catequese e primeiras classes da escola do autor destas lembranças. Enquanto ao lado de minha mãe eu estava dentro da igreja a ver e ouvir o que me despertava. Lembrando-me ainda da sonoridade do cântico “Virgem Pura, tua ternura”, com forte carga no coro “Noite e dia de Maria, a beleza hei-de cantar”… Assim como pelo Mês de Maria e até nas procissões me ficou nos ouvidos um outro cântico tradicional religioso, "Coração Virginal de Maria" (Coração virginal de Maria/sede luz e guia do pobre mortal…), que era entoado pelo coro dos homens da Liga Eucarística de Rande. Era eu ainda criança e lembro-me, também, que entre o grupo dos primeiros membros da Liga de Rande (como popularmente se encurtava chamar à Liga Eucarística dos Homens de Rande) havia um senhor de voz grave, que me chamava a atenção pela sua simpatia e respeito que metia entre os rapazes da mesma associação, irmão da referida senhora que cantava muito bem, já casado e com filhos nesse tempo, mas que andava na Liga como outros mais velhos, entre jovens desse tempo.

Ora esse mesmo senhor era muito amigo de minha família e particularmente do meu irmão mais velho, com quem fez parte da comissão da angariação de fundos para a compra da bandeira da Liga, tendo andado no peditório pela freguesia, de porta a porta, a angariar dinheiro necessário para depois ter sido possível comprar a bandeira representativa da Liga de Rande, como foi conseguido. E entretanto eu via e ouvia ainda nos ensaios que o grupo fazia em casa de uns e outros, em certos dias de semana a ensaiar para cantarem na missa de Rande do domingo seguinte, como aconteceu por vezes em minha casa (de minha família, de meus pais e minha, claro), assim como acompanhei por vezes noutras. Era eu ainda criança, muito antes de também ter podido pertencer à mesma Liga. Então fui-me habituando e familiarizando com a simpatia desse senhor, sempre risonho e pronto a dizer qualquer graça, das suas graças engraçadas.

Com o tempo decorrido, passei anos depois a estar lado a lado com ele nas andanças da Liga de Rande, sobretudo nas procissões a ladear a bandeira daquela corporação religiosa paroquial, e sempre que possível gostava de o ouvir. Vivia em sua casa, ao lado de uma fábrica. Lembrando-me ainda, também, de como ele, portista apaixonado, gostava de falar do Porto, de assuntos relacionados com a vida do Futebol Clube do Porto, que ele (querendo dizer ser o representante da região do distrito), religioso como era, dizia ser o FC Porto o Clube melhor que pertencia à Diocese do Porto.


= Cartões da Liga do senhor em apreço (apenas do verso, para não ser identificável) - relativos à fidelidade e frequência dos atos mensais da Liga de Rande …

Com essas e outras dou comigo, por vezes, e desta vez ainda, a pensar como o tempo voou e tanta gente conhecida e amiga já desapareceu, uns mais velhos, como no caso, mas outros nem tanto. Vindo assim este voo da lembrança a pousar num galho da memória em que, entre amigos simpáticos, me lembro desse senhor amigo e conterrâneo.

Foi irmão da referida senhora, também lembrada num dos contos do livro “Sorrisos de Pensamento”; bem como irmão de um senhor lembrado também num outro dos contos daquele meu livro de contos, numa das memórias  a partir de outras memórias coletivas. 

O senhor aqui homenageado, por este meio possível, pelo tempo adiante foi sempre um simpático frequentador dos locais e eventos da Longra e da igreja de Rande. Permanecendo na minha memória como um dos antigos conterrâneos que vale a pena recordar. Merecedor como era, foi e é, entre os que, ao virem à imagem do pensamento, são figuras que se recordam com um sorriso de satisfação e terno apreço.

Armando Pinto

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Nota: Pode-se rever anteriores artigos sobre a Liga de Rande, clicando em

http://longrahistorico.blogspot.com/2025/04/bau-da-liga-eucaristica-dos-homens-de.html

AP