Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Na proximidade das comemorações de Abril... Um Longrino-Felgueirense que em 1974 esteve no 25 de Abril - Carlos Guimarães Moreira: nosso amigo e conterrâneo da Longra interveniente no 25 DE ABRIL!

Pois foi! Um homem da Longra esteve mesmo no movimento militar que fez o golpe do 25 de abril. O então jovem militar Carlos Guimarães Moreira, natural e residente da Longra, da freguesia de Rande e concelho de Felgueiras. 

Desde a madrugada desse dia, saindo do quartel de Estremoz, ele que era condutor na tropa, foi um dos que conduziu os militares em direção a Lisboa, entrando pelo Cristo-rei e instalando-se em ponto estratégico. Até que por fim ele e seus camaradas de armas estiveram no Carmo, em frente ao quartel onde se deu a rendição de Marcelo Caetano, quando caiu oficialmente o antigo regime político com a saída do até aí Primeiro-ministro do regime deposto.

«À frente da coluna, o Comandante do Esquadrão, Capitão Andrade Moura.»

O Carlos era então um jovem em idade militar, dos que nesse tempo da guerra colonial tinham de ir para a tropa, e ia tudo a eito, como se dizia. E quem não fosse, como acontecia com os que emigravam para fugir à tropa, eram dados como refratários, como se dizia também, e não mais poderiam regressar à Pátria, melhor dizendo à terra mátria. Ora o amigo Carlos, que comigo andou na escola, embora em classes mais adiantadas pois é mais velho coisa duns dois anos, também foi dos meus colegas das brincadeiras pelos caminhos das quatro barrocas e nos ensaios para o Rancho Infantil da Longra, além das idas à catequese, às confissões, até à missa, etc. e tal. Depois, porque lhe faleceu o pai em França, era ele ainda muito novo, e tendo lá o irmão mais velho na nação gaulesa, de onde se mandavam francos que bastavam, ele foi lá para a França e por ali passou bons anos dos inícios de sua juventude. Mas como não queria ficar lá para sempre, quando chegou a respetiva idade veio dar a tropa, ou seja regressou temporariamente para fazer o tempo obrigatório de serviço militar. Tendo inclusive essa vinda entretanto tido até influência em sua vida futura, mas isso é outra história. 

Estava então ele no quartel de Estremoz quando se deu o “25 de Abril”…

Ora, o Regimento de Cavalaria n.º 3 (RC3) de Estremoz, situado no Convento de São Francisco, desempenhou então um papel relevante no 25 de Abril de 1974. Embora o epicentro fosse Lisboa, o RC3, conhecido como "Dragões de Olivença", teve militares envolvidos na Revolução. Havendo sido mesmo o RC3 de Estremoz considerado uma das unidades militares “mais influentes” no 25 de Abril.

«Eu sou o condutor e perdi o Boina com o vento...»
«A alegria da vitória, que o cansaço não conseguiu abater. De pé, o 1º Sargento Francisco Brás.»

Havia sido estabelecido: «Regimento de Cavalaria 3 (RC3) – Missão: Marchar sobre Lisboa com uma coluna de auto-metralhadoras e estacionar na zona da portagem da ponte sobre o Tejo, ficando a constituir reserva às ordens do Posto de Comando». Depois na prática houve que adaptar tudo às circunstâncias e os soldados lá saíram do quartel rumo a Lisboa. Inicialmente sem saberem bem ao que iam e no que se iriam envolver, pois só os oficiais estavam por dentro da situação, mas depois de lhes terem explicado, todos se entusiasmaram - como conta o nosso amigo conterrâneo que lá estava e esteve em tudo aquilo, o Carlos Guimarães Moreira.

Desde que, em plena noite escura, as «Chaimites» começaram a rolar para fora do quartel, pelo portão das traseiras…

«O Capitão Alberto Ferreira e os seus homens com um sorriso de satisfação.»

Para uma narrativa ajustada, partilhamos a descrição constante do blogue “Do Tempo da outra Senhora”, com a devida vénia, de seu artigo “Abril de 1974 - Estremoz presente na Hora da Libertação” - datado de 2010 - por Hernâni Matos (publicado inicialmente em 25 de Abril de 2010, de texto inserido em seu livro "Franco-Atirador"):

«…O RC3 de Estremoz tinha à data dos acontecimentos do 25 de Abril, quadros que haviam regressado da Guiné, nos finais do ano anterior. A unidade propriamente dita, era uma das mais bem equipadas do sul do país. Era sem sombra de dúvida, a mais forte em termos de material blindado, pelo que o comando do Movimento contava decisivamente com ela para o êxito da acção.

É no próprio dia de arrancar com a acção que os capitães Andrade Moura, Alberto Ferreira, Miquelina Simões, Major Fernandes Tomaz e outros conseguem conquistar para a sua causa o comandante da unidade, coronel Caldas Duarte. E quando a rádio passa conforme combinado, a canção “Grândola Vila Morena" de Zeca Afonso, inicia-se de imediato no quartel do RC3, sob o comando do capitão Andrade Moura, a formação do esquadrão que vai participar na acção militar, carregam-se munições nos blindados e prepara-se a saída. Logo que armado e municiado, o esquadrão fez-se à estrada. Em viatura civil, à frente dos batedores, ia o capitão Miquelina Simões e outro oficial. Alguns quilómetros atrás, o esquadrão sob o comando do capitão Andrade Moura e como adjunto o capitão Alberto Ferreira. No final da coluna seguiam viaturas Berlier com munições, água, combustível e óleo. Na acção participa o comandante da unidade, coronel Caldas Duarte.

«À vista de Estremoz, a coluna em movimento. Sempre presente, o “V” da Vitória.»

O esquadrão do RC3, partido de Estremoz tinha a missão de se dirigir a Caxias a fim de libertar os militares e os presos políticos ali detidos. Quando está na zona da Ponte Salazar, o comando do MFA decide alterar a missão, dando ordens para que o esquadrão do RC3 se dirigisse para o Largo do Carmo, em Lisboa, onde um esquadrão da Escola Prática de Cavalaria sob o comando do capitão Salgueiro Maia estava a ser pressionado por numerosas forças da GNR, fiéis ao regime. O esquadrão do RC3 atravessa a ponte a toda a velocidade e com determinação e jogando com o factor surpresa, apanha completamente desprevenidas as Forças da G.N.R., que se vêem de repente cercadas por um anel blindado. Na sequência deste envolvimento, um oficial da GNR dirige-se ao esquadrão do RC3 para dialogar, a fim de evitar um derramamento de sangue. O capitão Andrade Moura exige então a retirada em boa ordem das forças da GNR que não tinham aderido ao movimento, o que aconteceu cercas das duas horas da tarde de 25, enquanto o RC3 impede qualquer reacção hostil às forças da GNR. O RC3 isola então completamente a área frente ao Quartel do Carmo, ocupada pelo esquadrão do capitão Salgueiro Maia. Mais tarde verifica-se a rendição do Chefe do Governo, Marcelo Caetano, aí refugiado, ao General António de Spínola.»

«Aspecto parcial da coluna militar no seu regresso e com a missão cumprida.»

E então lá esteve o Carlos Guimarães Moreira!


É pois uma honra ter um conterrâneo que esteve no 25 de Abril. Acrescendo que o Carlos Guimarães Moreira é um dos membros do nosso grupo dos "Colegas de Escola e Amigos" que anualmente reunimos em MAIO, num salutar convívio através do almoço de confraternização que proximamente também acontecerá a 9 de maio deste ano de 2026.

Assim se mantem viva a memória dessa época, da ocorrência histórica e de seus intervenientes. Algo que, na passagem de mais um aniversário dessa data inesquecível, se comemora a preceito, aqui com estas recordações escritas. Em homenagem a um dos participantes nas operações, e que, como tal, participou no Esquadrão de Reconhecimento, comandado pelo capitão Andrade Moura, bem como depois sob o comando do Capitão Salgueiro Maia, nas movimentações militares de 25 de Abril de 1974 que derrubaram a ditadura.

Armando Pinto

Nota: Imagens do blogue referido. Tendo sido captadas no regresso ao quartel, quando sob efeito do cansaço, alegria do dever cumprido e sentimento da vitória, a coluna militar regressava a casa. Que o jornal de Estremoz publicou.

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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Faleceu o Jorge Novais – antigo aluno da Escola da Longra e integrante do grupo dos Colegas de Escola e Amigos…


Numa das notícias que ninguém espera nem gosta de dar, chegou a informação: - Faleceu o Jorge Novais. Um antigo aluno da Escola velha da Longra e integrante do grupo dos Colegas de Escola e Amigos. Ficando este grupo, que se reúne em convívio anual em maio, com menos um membro vivo. Tinha 77 anos, mas já perto de 78 que completaria por ocasião do próximo encontro do grupo dos colegas e amigos.

O Jorge Novais não foi meu colega de escola, pois era mais velho que eu alguns anos, mas era amigo e bem conhecido. Tendo sido colega de escola de meu irmão António e dos de sua geração, como Artur Barros, Adélio Machado e outros. Andando muito pela Longra com os meus irmãos e obviamente tendo eu convivido com ele. Posteriormente ele estudou no Externato Infante Dom Henrique, de Felgueiras, e depois no Externato Eça de Queirós, de Lousada. Tendo depois sido ele até que me indicou, por exemplo, onde eu devia ir comer nas refeições entre as aulas, quando eu fui estudar no Externato de Lousada. Havendo ele entretanto casado no concelho de Lousada e passado a residir nos arredores do Porto, em Matosinhos, onde teve sua vida profissional. 

= O Jorge Novais numa foto de conjunto de um jogo entre alunos dos Externatos de Felgueiras e Lousada. Ao tempo ele ainda estudava no Infante de Felgueiras e depois foi para o Eça de Lousada... (na imagem está em cima, do lado direito da fotografia)

Eu tinha estado com ele aquando do funeral de sua mãe, ainda recentemente. Mas como ele não tinha contactos de Facebook, nem ligação a qualquer rede social, apenas comunicávamos virtualmente pelo WhatsApp do grupo, além do número de telemóvel. Daí que a notícia de seu desaparecimento físico foi completa surpresa. Sendo contudo uma boa amizade essa, com o conhecido amigo Jorge da Sobreira, como era conhecido. Residindo fora da região há muito tempo, mas sempre visto quando vinha visitar a família e amigos.

Havia efetiva ligação da sua Casa da Sobreira, bem como dos habitantes do lugar do mesmo nome, com a Longra, desde tempos idos da povoação do surgimento da indústria metalúrgica e das realizações culturais da região, que vinha e vem de longas eras. Tanto que o Jorge Novais, apesar de ser natural e habitante da Pedreira, ao tempo de sua infância e juventude, estudou na Escola Primária da Longra e os seus amigos desde a infância eram da Longra e arredores; a ponto de ele ainda ter pertencido à Liga Eucarística dos Homens de Rande, incluindo ter participado nos históricos acampamentos dos membros da mesma Liga no Monte de Santana; assim como fez parte de grupos de áreas diversas da Longra. E atualmente fazia parte do Grupo de Colegas de Escola e Amigos que anualmente se reúnem em Encontro respetivo, perante informações alusivas emanadas através de contactos por grupo próprio do WhatsApp, como está para voltar a acontecer em Maio próximo.

De momentos desses referidos, de outrora, recordam-se alguns por duas fotografias do tempo da Liga, aquando de um dos acampamentos anuais acontecidos em convívios de seus membros: uma referente à ida em direção a Santana, e depois a outra com alguns elementos junto a uma das tendas, no acampamento da Liga de Rande. 

Numa e noutra das fotos, o Jorge Novais é o do lado esquerdo em cada uma das imagens.

Estas fotos fazem parte do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, sendo os elementos conhecidos conterrâneos, entre os quais diversos que incluem o atual grupo dos “Colegas de Escola e Amigos”.

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Com mais este desaparecimento de um membro do Grupo dos Colegas e Amigos, mais se torna evidente como o encontro anual tem pleno cabimento e se justifica tal ocorrência de confraternização. Pois não se sabe quantos se voltarão a encontrar entre um convívio e outro.

Armando Pinto

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domingo, 12 de abril de 2026

Vistas e perspetivas da Longra desde o alto de Rande


Desde o alto da encosta de Rande, eis umas vistas e naturais perspetivas visuais de parte da baixa urbana da área da vila da Longra, em pleno território ao sul do concelho de Felgueiras. Captações fotográficas neste ABRIL de 2026.


Armando Pinto

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quarta-feira, 8 de abril de 2026

De vez em quando…. Um postal antigo com o mapa do Distrito do Porto.

 

“POSTALMAPA”: Era assim intitulado este postal, dos anos 1950, edição ROTEP (de Roteiro Turístico e Económico de Portugal). Na sequência das edições de mapas ROTEP, do tempo do Estado Novo, através de mapas dos concelhos e distritos. Este em postal com estampa do Mapa do Distrito do Porto, ainda com os brasões dos concelhos no grafismo de antiga feição. Como no caso do brasão de Felgueiras, que é o antigo, como se conheceu desde esses tempos e durou até aos anos 70. Ainda também do tempo em que só os brasões do Porto e de Penafiel tinham ao cimo 5 torres, então como únicas cidades do distrito. Do qual se expande, à parte, uma pequena parcela de aumento da respetiva área de Felgueiras.

Postal da coleção pessoal do autor deste blogue.

(Não está escrito. As letras que se veem sobrepostas são apenas de marca aposta, momentânea, sem estragar ou alterar o postal.)

Armando Pinto

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Pagelas de Visita Pascal: Coleção pessoal do Compasso de Rande, desde o ano 2000, até este ano de 2026.


Coleção pessoal de PAGELAS RECEBIDAS E GUARDADAS desde que começaram a ser distribuídas em cada casa (no último ano do Padre Abílio como pároco de Rande, em 2000) e (depois com o Padre Manuel já como pároco, a partir de 2001) passaram tais pagelas a ser entregues regularmente, todos os anos. Com anúncio pascal, lido na chegada do Compasso de Rande às casas da freguesia e paróquia. Contendo gravura de motivo próprio do dia de Páscoa, na frente; e oração alusiva à mensagem de aleluia, no verso, assim como nalguns casos em forma de abrir em 4 páginas. Incluindo dos dois anos fora do normal por via da pandemia Covid, com as pagelas nos respetivos envelopes. Coleção assim com mais uma pagela este ano, após o Compasso de 2026.

Armando Pinto

= Compasso de Rande de 2026, com as duas cruzes, juízes das cruzes (marido e esposa) mais restantes membros que compuseram os grupos respetivos que percorreram o território da paróquia de S. Tiago de Rande a levar às casas dos paroquianos a cruz e anúncio do Aleluia da Ressurreição.

(Foto da página de Facebook da Paróquia de Rande - "Paróquia Rande") 

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domingo, 5 de abril de 2026

Páscoa/2026 e correspondente Compasso Pascal de Rande - Felgueiras


Dentro das tradições familiares e comunitárias mais uma Páscoa foi vivida, com sensações sempre renovadas. Perante ambiente primaveril, com ajuda de um belo dia de sol, a testemunhar o ambiente caseiro.






Culminando no tradicional Compasso Pascal, na visita de representatividade paroquial, num enlace de Aleluia de significado amplo e apreço coletivo.









Como melhor que palavras, para descrever toda a consagração respetiva, ilustra-se com fotografias alusivas que falam por si, num amplexo de imagens a fazer a narrativa visual. Incluindo a foto com o Compasso que passou aqui em minha casa, como é já tradição de anos.


Armando Pinto

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Memória fotográfica do Compasso de Rande de há mais de um século…!

- 05/4/2026 = Pela Páscoa de 2026, rememora-se o Compasso Pascal de S. Tiago de Rande pelos idos de mil novecentos e vinte e poucos... em imagem coeva.


Fotografia coeva do início dos anos 20 do século XX do Compasso Pascal da Freguesia e Paróquia de S. Tiago de Rande. Era pároco de Rande, ao tempo, o Padre Augusto Correia. Instantâneo da chegada à Casa da Quinta. Foto constante do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” e do blogue “Longra Histórico-Literária!

Armando Pinto

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