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quarta-feira, 22 de abril de 2026

(Mais) Um Amigo dos Colegas de Escola da Longra que esteve no 25 de Abril, na Primavera de 1974: António Teixeira!

 

O 25 DE Abril, em plena primavera de 1974, deu-se quando os jovens que haviam nascido pelos anos cinquentas estavam em idade de tropa, como se dizia, com a cabeça à espera de poderem ir para a guerra em África. Nesse tempo da guerra colonial, que era um bicho medonho com que a juventude se via atirada, sem remédio. E uns quase da mesma idade, ou com pouca diferença de um ano ou dois mais, já tinham sido incorporados, depois de todos apurados por aprovação em massa, e alguns até já tinham ido para o Ultramar, enquanto outros estavam à espera de entrada para o serviço militar obrigatório. Estava então eu à espera de ser chamado, como se dizia, em abril de 1974, depois de ter ido à inspeção em janeiro desse ano de 1974 e, claro, ter ficado apurado para a tropa. Ao passo que diversos amigos já tinham ido. Um dos quais, o Tónio Branco, como era conhecido popularmente o António Vieira Teixeira, que fora meu colega de escola e fizera a Quarta Classe aquando a mim, como dizíamos de termos feito juntos o exame final de último ano do ensino da Escola Primária. Tendo depois, também, ter chegado a vez dele vestir a farda, anos depois de termos sido colegas de escola na Longra e amigos das brincadeiras por tudo quanto era sítio da Longra; e até na doutrina em Rande, por mesmo na catequese o amigo Teixeira ter ando pela igreja de Rande como todos nós, por esses anos… Havendo então, passados anos de nossa infância, já em plena juventude, ele ter ido então para a tropa. E estava já como militar na Força Aérea, embora em terra, quando se deu o 25 de Abril.

Foi então o António Teixeira um dos jovens que andavam pela Longra a ter estado envolvido nos acontecimentos do dia 25 de abril, em 1974. Como ele conta, a pedido aqui do autor, para fazer justiça a mais um dos militares de ABRIL, entre os nossos amigos:

«Armando: a respeito da minha participação no golpe de estado "25 abril 1974", eu era militar da Força Aérea com a especialidade P.A. (Polícia Aérea), na base aérea 3 em Tancos. No dia 24 de abril tudo começou a ser estranho dentro da base, com muito movimento, muitas reuniões dos oficiais, até que na hora de almoço fomos informados que íamos formar uma coluna militar e que o destino era Lisboa, para uma tentativa de golpe de estado. Seguiríamos em direção à Pontinha e aí seríamos integrados com os militares dessa unidade, que pertencia ao Exército. Chegados lá, formamos dois grupos, cujo destino final era um grupo ir para o Rádio Clube Português e o outro para o Quartel do Carmo, grupo este que era onde eu estava colocado. A informação foi que íamos enfrentar a Pide, a Legião Portuguesa, GNR e Polícia de Segurança Pública, ou seja fações que se pensava estarem afetas ao regime em vias de poder ser deposto. Só por aí já era suficiente para se estar com o receio natural que a ocasião impunha. O capitão que comandou o grupo em que eu estive integrado era o Capitão Verdasca, em coordenação com o Tenente Pinheiro. E lá estivemos a fazer o nosso papel, acabando o dia com o objetivo conseguido, como é da história.»

«Regressados por fim ao quartel e seguindo os acontecimentos dos tempos seguintes, em Outubro saí para cumprir o serviço militar em Angola, na base aérea 9, em Luanda. Tempos difíceis, com a descolonização e consequentemente com os Angolanos a mostrarem a revolta da opressão e escravidão de que foram vítimas durante a guerra colonial. Então tínhamos de nos proteger a nós próprios e ao mesmo tempo procurar defender os portugueses que lá viviam e teriam de regressar a Portugal, ao ainda Portugal Continental, os portugueses nesse tempo chamados “Retornados”, pois os angolanos tinham sede de vingança.»

Ora, o António aí está, felizmente, vivaço para ainda contar tudo isto e assim ficarmos a saber que também ele esteve no 25 de Abril. Mais um amigo das andanças pela Longra, ele que ao tempo de escola vivia em Sernande, mas nas vizinhanças da Longra, motivo que levou a diversas crianças dessa área terem frequentado nesse tempo a escola da Longra. Bem como ainda depois viveu em Varziela, mas também às portas da Longra, por assim dizer, convivendo sobretudo com os amigos de infância e juventude, na Longra. Sendo agora um dos Colegas de Escola e Amigos do convívio anual, que proximamente voltará a reunir bons amigos e conhecidos, no modo salutar da convivência de afetividades vividas.

Armando Pinto

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