Espaço de atividade literária pública e memória cronista

domingo, 4 de dezembro de 2022

Apresentação do livro “Feliz na Escuridão”, de José Machado, sob pseudónimo de “Pepe Guimarães”

Viveu-se em Felgueiras na tarde do primeiro sábado deste dezembro algo especial, na Biblioteca Municipal de Felgueiras, com a apresentação de um livro fora do comum. Tal foi o que aconteceu durante a tarde de sábado, 3 de dezembro, na sessão de apresentação pública do livro intitulado “Feliz na Escuridão”, da autoria do amigo José Francisco Magalhães Machado, escrito e publicado sob o pseudónimo de Pepe Guimarães.


Peseudónimo esse, com que assinou a obra, em alusão a ser natural de Guimarães – facto que me surpreendeu, pois eu pensava que ele nascera na Pedreira, onde viviam seus pais desde que me lembro e sempre o conheci, aqui por terras de Felgueiras. Para onde afinal ele veio com cerca de 2 anos e assim sendo por aqui passou a maior parte de sua vida. Mas mais ainda me surpreendeu tudo o que pude vivenciar em plena Biblioteca de Felgueiras perante o que ali se ouviu, em momentos tocantes e mesmo deveras emocionantes, tal a amplitude do que representa o ser do amigo Machado. Alguém de que todos gostamos, por assim dizer e particularmente sempre admirei tudo o que nele e dele me surge diante de meu entendimento.

Há muitíssimo tempo que conheço o Zé Francisco Machado, desde criança, passando a conhecê-lo depois melhor naturalmente quando eramos já adultos, sobretudo depois que ele regressou de estabelecimentos onde andara e ficou a viver mais pelos meus lados e a trabalhar na Metalúrgica da Longra, frequentando sítios de andanças comuns pela região. Sentindo grande admiração por ele, mesmo. Havendo tido muitas conversas com ele sempre que telefonava, de seu posto da Metalúrgica da Longra para o Posto Médico da Longra, como se dizia então popularmente, para tratar de algum assunto relacionado com o Centro de Saúde da Longra, pedindo para me chamarem, se não fosse eu a atender o telefone, e logo aproveitava para puxar temas que eram de nosso comum apreço. E depois quando comecei a escrever nos jornais de Felgueiras e mais ainda quando passaram a aparecer os meus livros, sempre agarrava temas que lhe despertavam atenção. Ficando a sensação de como era possível tanta vivência, sendo ele invisual, ou seja sem ver como se apercebia e sabia de tudo.

Este belo livro de José Francisco Machado teve como merecia uma bela moldura humana, com a sala cheia no auditório da Biblioteca Municipal de Felgueiras. Havendo a apresentação tido muitíssimo bom desempenho de Arlindo Pinto e José Quintela; mais testemunhos de diversas pessoas, como também do filho, César Machado; e individualidades da mesa, estando representada a Câmara Municipal pela srª Vereadora da Cultura, Drª Ana Medeiros, e a Junta local pelo Presidente da União das freguesias da cidade e arredores, José Lemos; contando ainda com a atuação do grupo coral da Universidade Sénior de Felgueiras a abrilhantar o ato. 

Vem então desde tempos distantes o conhecimento que tenho dele. Tendo-o visto pela primeira vez em criança, tínhamos os dois poucos anos ainda (pois ele dista de mim apenas alguns meses na idade). Tal foi em certo dia, teria eu uns 7 ou 8 anos, mais coisa menos coisa (pois já andava na escola e sabia ler, segundo me lembro), em que no Largo da Longra vi um menino diante de um bom ajunto de pessoas atentas ao que se passava, estando o pai a mostrar como ele sabia ler com as mãos. Como foi o que me apercebi e todos estavam admirados. Eu tinha ido fazer um recado a mando de minha mãe, à loja da Se’ Marquinhas, popularmente chamada loja da Ramadinha, mesmo no Largo da Longra. E chegado junto do pinheiro do centro desse sítio, dou de caras com um grande grupo de pessoas em volta de alguém. Como eu era pequeno não consegui logo ver o que era, mas por isso mesmo meti a cabeça entre os grandes e lá consegui enfiar-me em posição de também vislumbrar o que era aquilo. Percebi que o menino tinha vindo, não sei se de férias ou não, de um colégio onde aprendera a ler assim por não ver. Estando ali seu pai a apresentar o filho, aquele menino, dizendo que ele sabia ler segundo uma forma desconhecida para quem ouvia e via aquilo. Fiquei ali especado e pasmado, foi mesmo assim, tal e qual, vendo-o a ler colocando os dedos sobre um livro que tinha aberto espalmadamente junto ao peito. E a ler tocando com os dedos no papel, como que a tocar algum instrumento musical. Soube depois e sei agora que aquilo era e é leitura em Braille, mas na ocasião foi coisa que me espantou e nunca mais me esqueceu.

Pois o amigo Machado publicou agora um livro seu. Um livro encantador, verdadeiramente atraente em tudo. Contando sua história, algo envolto em género de literatura infantil mas em mensagem adulta, numa mescla de realidade misturada e escondida em modo de ficção, dando bem para perceber ali haver muito de si pessoalmente. De forma que quem conheceu seus pais e sabe os nomes de pessoas e lugares, descobre e discorre da beleza desses belos nacos autobiográficos. Livro este que de tanto que nos impressiona nem conseguimos descrever bem como o vemos, apenas sei que gostei, gosto muito e recomendo muitíssimo.

Por isso, melhor que qualquer explicação de apresentação, aconselha-se que o melhor é ler, ver e apreciar tudo o que ali encerra esta bela obra.

Abraço de parabéns amigo sr. José Machado.

Do

Armando Pinto

(Observação: as fotos da sessão de apresentação são, com a devida vénia, retiradas das páginas do Facebook dos amigos sr. Mário Pereira e Vítor Vasconcelos)

AP