Passam os tempos mas permanecem as recordações, do percurso
de vida. Estando sempre presentes as lembranças de nosso tempo de escola, de quando
aprendemos as primeiras letras e as contas feitas na pequena lousa pessoal e no
quadro de lousa da parede da sala da escola. Onde havia a grande secretária da
professora (ou professor, conforme os casos) e por trás, na parede de fundo do salão,
fixados estavam os quadros dos governantes da nação a ladear um crucifixo,
enquanto nós alunos estávamos sentados nos bancos das grandes carteiras de
madeira e escrevíamos molhando as penas na tinta dos pequenos tinteiros de louça
branca, metidos nos respetivos furos, orifícios esses ao cimo da inclinada
frente para a escrita. E tudo o mais, que era usual nos tempos da antiga escola
primária. Enquanto entre nós, por vezes em que a professora não estava ou se virava para os das outras classes (que a nossa sala de aula, da escola velha, era grande a albergar tudo e todos), quando não ficávamos calados por receio de ir ao quadro, ainda falávamos entre nós também de brincadeiras, dos jogos da bola e até dos jogos da equipa de basquete da Metalúrgica da Longra... que vem assim a calhar para distrair um bocado, entenda-se.
Ora, do tempo atual dos amigos e colegas que ainda nos vamos
reunindo, entre conhecidos da Longra e arredores, de gerações diversas, há
alunos que tiveram como mestres e regentes de ensino professoras e professores também
diversos, desde o Professor Freitas e sua esposa professora Carminda, às
professoras D. Amélia, D. Maria Parteira, D. Candidinha, D. Fernanda, D.
Madalena, D. Nininha, D. Alice, etc. etc. até mais recentes como a D. Fátima,
D. Emília, D. Maria de Deus, D. Celina, etc, etc. Conforme as gerações, dos oitentas,
setentas, sessentas e cinquentas… E talvez mais para outros mais novos, dos
agora na casa já dos quarentas…
Pois então, entre isso tudo, cada um terá as suas recordações,
quão ficaram na retina da memória e imagens permanecidas nas cabeças dos alunos
e alunas que frequentaram a escola da Longra, quer a antiga do casarão de pedra
do caminho por trás da casa dos presuntos até às quatro barrocas, bem como a
nova já edificada em estilo da arquitetura escolar do Estado Novo. Assim como
aqui o autor destas linhas… tenho as minhas.
Pois, assim sendo, em traços leves, vem-me à ideia relembrar algumas das minhas lembranças e derivações da passagem desse tempo da Escola da Longra: na antiga, com seu recreio, terreno lateral à casa de pedra, aquele pequeno recinto com uma retrete de madeira à antiga portuguesa e espaço de brincadeiras inclinado, onde se jogava à bola como calhava e para as bolas não caírem sempre ao quintal da casa vizinha se colocava a baliza de baixo mais ao lado, na abertura do espaço vão debaixo do edifício. Etc, e tal. Mas para não estar a alongar esta narrativa, por demais, relembro melhor algo disso por imagens, com os diplomas de passagem de classe e o do exame final.
Sendo, por fim, uma boa lembrança desse
exame de fim da escola, o ter sido coincidente com a ocorrência da subida de divisão do
Futebol Clube de Felgueiras.
Mais o que ficou associado nas lembranças pessoais que cada um lembrará sempre, pelo tempo fora. Quão, mais tarde, quando publiquei o livro da história da região, já não pude ter comigo a minha professora da 1.ª Classe, a tão boa senhora e mesmo cativante professora D. Candidinha Sousa, que havia falecido tempos antes, mas recebi em nome dela um abraço do marido, o meu amigo senhor Luís da Póvoa; enquanto a minha professora da 2.ª à 4.ª classe, a D. Fernanda Silva, me enviou uma carta a justificar sua ausência da sessão de apresentação da obra, dando contudo os parabéns pelo livro, certamente a pensar se ainda se lembrava de mim, como se entende, mas também a pensar possivelmente que terá valido a pena ter sido minha professora.
Ficam assim aqui alguns tópicos de memorizações, para se
puxar pela memória, de memórias feitas de afinidades locais à memória coletiva.
Armando Pinto
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