Espaço de atividade literária pública e memória cronista

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quarta-feira, 5 de julho de 2023

Artigo no Semanário de Felgueiras sobre a passagem do 20.º Aniversário da Vila da Longra

A propósito da passagem da conta de 20 anos desde que a Longra passou a ser vila, antes ainda da comemoração respetiva do aniversário, foi pelo autor escrito um artigo alusivo, em moldes de efabulação elucidativa, então publicado no Semanário de Felgueiras Jornal, em sua edição de 3 de julho seguinte. Para cujo número entretanto já não foi a tempo, depois, uma pequena notícia escrita reportando à comemoração da elevação da Longra a vila e sobretudo sobre a cerimónia oficial, registo noticioso esse que deverá ter publicação na edição que virá a seguir, agora que este único jornal felgueirense de publicação normal é quinzenário, em tempo de saída a público.

Posto isto, regista-se neste espaço de memorização o artigo referido, conforme teve publicação na página 6, em página inteira da edição de 3 de julho. Partilhando-se aqui através de digitalização dividida em duas partes de cada meia página, para proporcionar melhor leitura.

Armando Pinto

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sábado, 20 de março de 2021

Artigo no Semanário de Felgueiras sobre um antigo ciclista felgueirense de cartaz nacional

 

Na rememoração de temas historicistas da colaboração pessoal ao jornal Semanário de Felgueiras, periódico que resiste impresso em papel no concelho de Felgueiras, desta feita foi evocado um antigo desportista felgueirense que correu de bicicleta pelo país fora, um antigo ás dos pedais do tempo de amadorismo simples – Adalberto Soares. Ciclista que faz parte de tempos de outrora do ciclismo nacional e naturalmente das pedaladas iniciais dentro de seu clube de longa duração, o FC Porto.


Ao artigo, para efeito de ilustração, junta-se aqui uma foto coeva do mesmo antigo ciclista, numa imagem retirada d' O Porto de há uns bons anos já, embora algo desbotada pela erosão do tempo no papel de jornal antigo.

Assim, em artigo próprio do signatário e autor destas linhas e deste blogue, também, é de tal modo dado a conhecer às gerações mais recentes algo sobre esse atleta do ciclismo de competição que consta dos registos ancestrais das corridas de bicicletas em Portugal. Ainda que de maneira resumida, como artigo jornalístico, a dar um ar do que um dia poderá ser mais desenvolvido (quando houver possibilidades de descrever em livro a história do ciclismo do FC Porto, antes e depois da atual boa realidade da parceria W52-FC Porto).  

Eis então o que está publicado no Semanário de Felgueiras, em sua edição de 19 de março, sobre esse antigo ciclista do FC Porto, nascido a 4 de junho de 1890, na Lixa-Felgueiras, felgueirense e portista merecedor de memorização destacável. 

Armando Pinto

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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Crónica no Semanário de Felgueiras: Evocação de um destacável felgueirense - "Luís Teixeira da Quinta"



Artigo a evocar um destacável felgueirense do passado, publicado no Semanário de Felgueiras, na edição de 5 de abril. Desta feita sobre mais um ilustre conterrâneo, no espaço habitual de temas felgueirenses:


Luís Teixeira da Quinta

A eternidade pode ser um canto mavioso dum pássaro a encantar na absorção da vida, como na famosa lenda do frade e do passarinho, aos olhos de uma fé superior; mas sobretudo é algo que não cabe bem no entendimento humano. Contudo, pode também parecer eternidade a espera de qualquer aspiração ou presença desejada. Sendo que, de qualquer forma, o facto de alguém poder ser lembrado para além do seu tempo, por se ter salientado em vida, será uma boa forma de fazer eternizar boas causas e vontades, em apreço a quem passou pelo mundo com boas ideias e ações.

Vêm a propósito estas considerações pelo mote desta feita a considerar, em notas de temas felgueirenses. Para evocar mais um personagem saliente, entre pessoas dignas de memorização, podendo passar à eternidade da memória coletiva, enquanto houver lembrança alusiva. Sendo de lembrar um ilustre personagem do meio felgueirense de tempos idos, como foi Luís de Sousa Teixeira, benemérito famoso da Misericórdia do Unhão e pessoa de cidadania ativa noutras feições na freguesia de Rande, onde era abastado proprietário da Casa da Quinta. Personagem marcante de seu tempo, porém não lembrado em livros oficiais de edições municipais, mas que foi de ação marcante para a existência institucional da Misericórdia de Nª Sª do Rosário. Em cuja sede ficou registado seu labor através duma lápide colocada na frontaria do antigo edifício hospitalar e conventual, assim como está patente seu retrato pintado na galeria de quadros dos beneméritos.


Não sendo lembrado na literatura municipal, até agora, nem tendo sido honrado com atribuição de seu nome a alguma rua da freguesia onde viveu… Luís de Sousa Teixeira foi contudo memorizado no livro historiador da sua região, estando registado seu pecúlio de ação social no “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”. Motivo de tornar desnecessário aqui enumerar seu currículo de boas obras e atividade cívica, ele que em Rande fazia parte de quase todas as comissões formadas em seu tempo, quer de âmbito paroquial como ao nível de freguesia civil. Incluindo tomar a seu encargo a organização da festa paroquial, como festeiro da festividade em honra do orago S. Tiago (como está narrado no livro “Memórias do Capitão”, de João Sarmento Pimentel).

Luís de Sousa Teixeira, que no Brasil ganhara fortuna bem aplicada em Portugal, fixando residência na sua Casa da Quinta, foi dono do primeiro automóvel aparecido na região, dizendo-se nessa altura que foi a Casa da Quinta que teve o primeiro carro das freguesias em redor (um mercedes original do princípio do século XX, com rodas de raios de madeira e ignição de “dar à manivela”, como se ilustra com a imagem junta). Isto para se ver de sua proeminência, à época.


Ora, Luís Teixeira, além de Mesário e durante anos saliente Provedor da Misericórdia do Unhão, teve comparticipação na evolução social da sua região, havendo sido por bons ofícios dele, enquanto responsável daquela instituição, que logo nos anos do princípio da República houve ensino noturno escolar no Unhão e em Rande. Tal como foi um dos subscritores que tornaram possível a chegada da luz elétrica, então ainda apenas para “distribuição domiciliária”, às freguesias de Rande, Sernande, Lordelo e Unhão.


À época, depois da pioneira iluminação pública a carboneto surgida em 1910 na Longra, em postes com gasómetros (primeira série formal no concelho); e posterior luz elétrica implantada em Felgueiras em 1917, a corrente elétrica chegaria à Longra e zonas envolventes pouco depois também, em 1919, graças a uma subscrição particular efetuada em 1918. De cujo acréscimo social (a que não era estranho a passagem do comboio da região, circulado com paragens na Longra entre 1914 a 1926, embora os trilhos apenas tenham sido retirados já pelos anos 30), passara a haver luz normal que chegava às casas à noite. Tendo, para o efeito, sido formada uma sociedade por cotas, com participação da distribuidora Companhia “Eletro-Industria do Norte” e alguns subscritores, em cujo grupo esteve Luís Teixeira, com uma «sua cota com que subscreveu para ampliar a montagem da rêde de distribuição de energia eléctrica nas freguesias de Rande, Sernande, Lordelo e Unhão, como consta da escritura efectuada no escritório do notário Dr. José de Castro Leal de Faria, em vinte e três de Dezembro de 1918».

Estava então a chegar o natal e a preparar-se uma boa prenda futura às casas da área sul felgueirense.

ARMANDO PINTO
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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Felgueirismo à prova de consideração em artigo no Semanário de Felgueiras


À porta de entrada da vida local num ciclo diferente e no mesmo número da edição do Semanário de Felgueiras em cujo espaço é publicada a primeira grande entrevista do novo presidente da Câmara Municipal de Felgueiras, Nuno Fonseca, mais um artigo de opinião do autor deste blogue tem também lugar em parte duma das páginas do mesmo jornal. No caso, como de costume, com a memória particular e coletiva no sentido. Desta vez subordinando o tema da crónica ao 

Felgueirismo

Como Felgueirenses que somos, e extensivamente Nortenhos do país começado há séculos por esta região de fortes raízes luso-galaicas e sucessor sangue afonsino aliado ao pendor sousão, temos natural caráter genuíno, ao jeito como consideramos e chamamos de gajo um espécime de referência, como alguém que por bem ou por mal não passa despercebido. Tal qual sujeito, à imagem da gramática clássica, é elemento fundamental numa frase, referimos certos tipos de figuras pelo prisma da atenção geral, sem constrangimento mas como sujeito de imaginário figurativo interessante. Podendo assim dizer que somos uns gajos porreiros, quão por vezes até conseguimos dizer umas coisas, como recentemente aconteceu com a mudança dos destinos do figurino autárquico, por assim dizer.

Pois bem, Felgueiras passa a viver uma outra fase diante da nova vivência com a realidade derivada das eleições autárquicas acontecidas ao começo deste outubro de transição, entre diferenciados casos da essência felgueirense.

Assim sendo, com natural apetência de trocar os bês pelos vês na derivação da antiga ligação aos alfozes portucalenses-durienses e arribas minhoto-galegas, cá nos postamos sem trocar de identidade, por mais água que corra pelos diversos cursos de água que formam o rio Sousa, por aqui assim chamado em diferentes percursos dos riachos que nascidos de variados locais se juntam ao sair do concelho. O que mostra, mais uma vez, como por aqui, em paragens felgarianas, é a diversificação que até ao correr da liquidez, se solidifica no que deve unir a generalidade do que torna identificável a sede da gente que bebeu e se sacia nas fontes locais.

Não há como nos sentirmos ser de alguma coisa e termos qualquer causa afetiva a que nos sintamos ligados, como sermos e termos a nossa terra e tudo o que nos leva a sentirmo-nos apertados ao rincão natal e afetivo. Realidade alterada com a reorganização administrativo-territorial decidida pelos políticos reinantes ao princípio da segunda década do século XXI, originária da união de freguesias que a partir de 2012/2013 levou a certo desinteresse generalizado pela coisa pública, incluindo o recorde de abstenção verificado nas eleições autárquicas desse período. Vindo a talhe, como mero exemplo, que um pólo urbano mais conhecido por sua localização com direitos históricos tenha passado no papel a ter outro nome imposto. O que, como se costuma dizer que há pecados que também se pagam neste mundo, tem feito com que alguns dos responsáveis dessa aberração a nível nacional e regional já tenham caído na consideração pública e outros vão pagando fatura moral, pelo menos. Como há certas coisas que apesar das dúvidas se costuma dizer que haver há-as, as quais por vezes lembram como pragas juradas por razões justas pegam mesmo e são bem feitas nas cores do tempo, por causa do cheiro da fortidão das tintas ambientais.

Estas loas de afinidades têm que se lhes diga. Numa derivação de como é, por exemplo, sentir ligação ao pão de ló, apesar de não termos qualquer lucro e apenas sensibilidade bairrista, com isso (no caso pessoal aqui do autor destas regras), por ser algo que transporta bom sabor coletivo. Bem como, noutro exemplo bem vincado, ocorreu com a alteração há anos sucedida no panorama do futebol felgueirense, perante o desaparecimento do clube representativo do nome Felgueiras e posterior ressurgimento com a fundação do sucessor clube episódico, como é da história (entretanto também narrada em livro respetivo). A pontos, que não mais esquece, em certo jogo onde o autor destas linhas presenciava a evolução do novo grupo que passara a equipar com cores diferentes do clube histórico, um assistente ao lado passou todo o tempo a puxar pela equipa adversária, pensando ser o Felgueiras que tinha na cabeça, o que só descortinou quando se deu conta que quem vestia de azul-grená eram os da outra equipa…

Estamos pois, no refrescar duma aragem capaz de fazer memória, de novo atentos à revitalização da identidade felgueirense, com esperança no que venha daí, diante do que possa voltar a tornar interessante o felgueirismo que nos corre nas veias.

ARMANDO PINTO
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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Coisas... que têm de ser ditas (escritas) - em "artigo de opinião" no Semanário de Felgueiras


Perante o ambiente vivido e sentido pelo país em tempo de calor e consequentes efeitos dos incêndios, mais as asneiras ambientais que têm sido e continuam a ser permitidas no panorama da nossa região felgueirense, no caso vertente, saiu da escrita do autor um texto relacionado, procurando chamar à razão quem de direito, enquanto é tempo e antes que haja qualquer coisa mais negativa... que para memória presente e futura inclui espaço habitual de opinião pessoal, a pensar no coletivo, com lugar no interior do jornal Semanário de Felgueiras.

Dessa crónica, vinda a público na edição do SF desta sexta-feita  23 de junho, véspera de São João e de chegada da respetiva noitada festiva, partilhamos aqui o respetivo conteúdo. Registando assim o artigo desta semana, do qual, por via das orvalhadas da memória, colocamos imagem da própria coluna impressa na página 10 do SF e, para efeitos devidos, reproduzimos o texto:
   
Cá umas Coisas…

Na língua tradicional portuguesa há um termo, coisa, que define diversificadas existências e realidades, costumando-se generalizar os mais variados temas como coisa, assim. Dependendo e simplificando. O que é preciso é ter jeito para a coisa, entre diversas coisas. Desde a chamada coisa pública até qualquer coisa.

Ora, entre muitas coisas há que ter em atenção a responsabilidade pública. Algo que vem à tona das atenções sempre que surge qualquer coisa, qual ocorrência mais tocante. Como ainda por estes dias recentes aconteceu com a catástrofe de Pedrógão, pela zona de Leiria, num pavoroso incêndio que atingiu vasta área florestal e urbana dos concelhos vizinhos, resultando em tragédia que ceifou dezenas de vidas e matou a vida de diversas localidades. Apesar das costumadas desculpas de causas naturais e ações humanas, por entre aparecimento de figuras públicas a lamentar o sucedido e manifestações de solidariedade que são apenas o que são, sem que haja um rastreio ao fundo das questões. Vindo então à ideia o que tem acontecido em décadas de anos recentes, com a profusa plantação de árvores que não trazem benefícios, como as vagas de eucaliptos que espalham suas raízes e secam tudo em redor, altaneiros entre pares erguidos por certos interesses, e de modo particular aquelas árvores esguias que espalham pelo ar uma espécie de pó saído de camadas de algodão desfeito, aquando da florescência, que têm sido plantadas através de fundos da CEE. Arvoredo que, em linguagem direta e sem necessidade de indicação de respetivos programas de dinheiros provindos da política da comunidade europeia, estão a alterar o meio ambiente natural e a colocar em risco a vida tradicional.

Como é possível que tenha havido aprovação e continue a ser autorizada a existência de manchas de árvores de grande porte entre casas, no meio de áreas urbanas, como até pelo concelho de Felgueiras existe, inclusive em território duma vila, pelo menos?!  O que aconteceu e está diante dos olhos e dos sentidos, a troco de umas notas para quem interessam tais proventos, das plantações em moda, que alteram a fisionomia desta zona verdejante de Entre Douro e Minho, na área do Douro Litoral que agora está a ser retirada mais para o interior do país na chamada zona de Tâmega e Sousa das modernas classificações de siglas Nuts.

Mas, assim sendo, já houve quem meditasse que pode haver uma catástrofe resultante de tal implantação desse arvoredo tipo selva, em falso núcleo frondoso no meio de localidades populosas? E caso aconteça qualquer catástrofe, quem será responsabilizado, se só os proprietários dos terrenos, obviamente quem tem grande lucro com esses fundos, ou também quem aprovou e quem deixa estar aquilo, na tão célebre política de "laissez faire laissez passer"… corporizando mau grado uma nefasta simbolização do liberalismo económico, em versão mercantilista do capitalismo de mercado europeu chegado aos mais recônditos sítios do interior profundo de Portugal.

Hoje em dia, com a informatização de tudo, não é difícil saber quem é quem e quem teve interferência ou influência, como quem são os donos das terras e os autores e mediadores dos projetos.

Antigamente nos dias de Santos Populares era um regalo de alma as edificações das cascatas sanjoaninas, de ilustração sentimental aos folguedos, levando o povo a deitar nos arremedados lagos das viçosas cascatas umas respetivas moedinhas da sorte, para bom augúrio, entre festanças dos saltos das fogueiras e danças de roda, enquanto se cheiravam ramos de hortelã e cidreira colhidas nas noites de São João e São Pedro. Ao passo que nos dias que correm, com o arvoredo dos dinheiros da CEE, nem se conseguem já vislumbrar as cascatas de casas que encostas acima embelezavam os cenários de nossas vilas e povoações. Obviamente com imputações, havendo sempre responsabilidades, pois tudo tem retaguarda, tal como o vinagre vem de vinho que foi bom.

ARMANDO PINTO 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Artigo no Semanário de Felgueiras – em tempo tradicional de férias ("Guerra em paz")


Guerra em paz

Com o tempo de verão na sua plenitude, como que a refletir atmosfera dos dias de muito sol, há ambiente sem nuvens de predisposição estival, à maneira da boa disposição tomar conta do ânimo envolvente. Estando-se em período de férias para muita gente, metendo fase de algum descanso ou lazer turístico, como convidam as temperaturas quentes. Sendo época que noutros tempos dava para se andar aos grilos, notados pela própria sinfonia refrescante, enquanto hoje há quem ande à procura de “pokémons”, numa moda mais virtual de jogo em voga para apreciadores.

Nessa ambiência de descontração, contando ser temporada de passeios e visitas, lembra o caso também haver quem possa passar por estes lados nossos, ao jeito como se visita monumentos e museus por outros sítios, se por cá também houver o que ver, para quem não se agarrar demasiado aos meios virtuais, entenda-se. Saltando à ideia quão interessante seria haver um museu público na cidade sede do concelho, para melhor oferta aos visitantes e que, além de conter o usual quanto a artefactos, servisse sobretudo de garante do património conjunto. Ultrapassando o que existe (sabendo-se da existência de locais particulares e especialmente do museu do Assento, este não só longe do centro urbano mas também sem um delineamento historiador do que respeita ao território, mais personalidades salientes e factos memorandos), ou seja, que diga respeito a tudo e todos.

Vem isto a propósito, ainda que não pareça, de se estar em período comemorativo da 1ª Grande Guerra Mundial, cujo início ocorreu precisamente no ano da chegada do antigo comboio a terras de Felgueiras, em 1914 recorde-se, e levou às trincheiras da Flandres até 1918 também mancebos felgueirenses incorporados no Corpo Expedicionário Português. Decorrendo então o centenário da I Guerra Mundial, período propício a pelo menos lembrar não só os mortos mas igualmente os intervenientes que sobreviveram, nessa participação mártir em que estiveram jovens conterrâneos daquele tempo. Pois esses (que deviam ser enumerados até em lista historiadora, num estudo dos muitos que deviam ficar em letra de forma), todos eles, seriam alguns dos nossos patrícios merecedores de homenagem, não tanto com medalhas a título póstumo, mas com algo físico que faça perdurar pela memória coletiva o seu sacrifício, em representação afinal da população que por cá ficou e deu seguimento à felgaridade através das gerações seguintes. Vindo a talhe reparar na falta de um museu municipal onde figurem essas e outras ocorrências, de modo a honrar os nossos antepassados.

Resulta então esta lembrança, e daí a pertinência, de um destes dias ter chegado ao conhecimento do autor destas linhas o facto da destruição dumas quantas fotografias coevas, que deixadas ao sol e à chuva, como se diz, por desleixo de descendentes, se desfizeram pelo efeito do tempo das fisionomias de rapazes que viveram nesta região, fardados com os uniformes de cotim e capacetes de soldados dos tempos de La Lys. Fotos essas, retratando pessoas desta zona que estiveram nesse conflito internacional desenrolado nos campos de batalha em solo europeu, testemunhavam em películas impressas tal período sofrido da história pátria. Entre exemplares merecedores de chegarem ao conhecimento dos vindouros. O que leva a imaginar que poderia haver forma de oficialmente prover uma recolha de documentação ainda existente, em diversos géneros de suporte, para criação dum fundo histórico, por exemplo, e extensivamente isso ficar à vista pública pelos tempos fora.

Não fazendo disto uma guerra, mas para descanso de consciência, fica a ideia para paz da memória.

ARMANDO PINTO

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Padrão de Felgueiras – artigo historiador no S. F.


Numa abordagem historiadora, buscando estudo a reportar às origens de casos identificativos, da memória coletiva felgueirense, mais um artigo daqui do autor foi pousar ao jornal Semanário de Felgueiras, de quanto se voa nestas loas, dentro da colaboração habitual com assuntos respeitantes a Felgueiras. Onde muitas coisas que se vêm todos os dias, do que está à vista de todos e existências com que nos cruzamos, nem sempre são bem do conhecimento público nas suas facetas cronológicas e razões de significado. Como é o caso do cruzeiro do jardim fronteiro ao edifício da Câmara Municipal. Na lógica e diferenciação do seu tempo. Distinto como é de outros, sem confusão possível com o vizinho cruzeiro do adro da igreja paroquial de Margaride, dali bem próximo, mas de cariz sobretudo religioso e de matriz comunitária-paroquial. Havendo assim dois cruzeiros na mesma cidade de Felgueiras, contudo de particularidades distintas, com o municipal a ser icónico padrão concelhio.

Esse, com efeito, é o mote que desta vez veio a propósito. Pois que ainda recentemente, numa conversa através do “chat” do facebook, ou seja nas mensagens privadas dessa rede social, foi feita uma pergunta sobre esse cruzeiro, também conhecido por padrão, como é de facto. Então referi que haveria de escrever sobre isso na minha colaboração ao Semanário de Felgueiras. Entretanto, como outros temas apareceram com mais atualidade e se foram intrometendo, só agora pude escrever reportando a este motivo.

Assim sendo, como o prometido é devido, abeiramo-nos do mesmo padrão, com ideia de tratar do caso em sentido estudioso. Embora num tratamento breve, como é num artigo jornalístico em espaço de opinião. Artigo esse que vem então publicado na edição desta semana do SF. De cuja crónica para aqui transpomos o texto respetivo. Ilustrando ainda a descrição com fotos intercaladas do mesmo padrão de cruz cimeira, com vistas algo diferentes conforme os estados floridos do ambiente.

Cruzeiro-Padrão da Independência em Felgueiras

De tempos a tempos há temporadas assinaláveis, comemorando algo ou classificando motivações. Restando depois, por norma, marcos edificados de alusão perene a tais acontecimentos. Como, sem rebuscar muito no tempo, ainda lembra a edificação de pequenas capelas e nichos, com dedicação a Nossa Senhora do Rosário ou da Conceição, existentes em diversas terras da região, de construção próxima à passagem das comemorações do Ano Mariano, em 1985, e em associação extensiva ainda ao período comemorativo dos 350 anos da Padroeira de Portugal, em 1996. Assim como alguns outros pequenos monumentos respeitantes à proximidade dos denominados Anos Santos, como já ocorreu igualmente no início da década dos anos 2000. Também foi assim bons anos antes, aquando da construção dos chamados Cruzeiros da Independência, que tiveram ereção à época comemorativa do tricentenário da proclamação da Padroeira de Portugal e da Restauração da Nacionalidade.

Pois foi assim que nasceu o cruzeiro-padrão de Felgueiras, ereto no jardim central da sede do concelho de Felgueiras. Tal como outros cruzeiros espalhados pelo concelho e por diversas zonas, normalmente de características religiosas-paroquiais, enquanto o de Felgueiras em moldes mais emblemáticos, puxa a um carácter simbólico de feição monumental.


Ora, os Cruzeiros, nos primórdios da organização territorial das paróquias e derivadas freguesias, foram implantados como sinal de jurisdição paroquial, em substituição dos pelourinhos das antigas freguesias. Com a erosão dos tempos, destruídos ou transformados muitos dos originais, houve então em 1940 essa campanha nacional de implantação de novos, em movimento liderado pelo Padre Moreira das Neves (da diocese do Porto, mas que se radicou em Lisboa, ao serviço da comunicação social de inspiração cristã), sendo a iniciativa baseada numa ideia de cruzeiros da independência com a divisa “Uma Cruz basta para dizer na História quem é Portugal”, em vista à comemoração da proclamação da Padroeira de Portugal. Aproveitando então para tal iniciativa patriótica o espírito de respeito do povo português perante os padrões de fé existentes por todo o país. E apelidando-os de Cruzeiro da Independência na pertinência do triplo centenário da Restauração da Nacionalidade, que passava então, junto com um conjunto de comemorações patrióticas e ações públicas de propaganda por todo o país. Dessa imensa organização de âmbito nacional resultou que fossem criadas localmente as chamadas “Comissões das Comemorações Centenárias” que diligenciaram a construção desses “Cruzeiros da Independência” na centralidade das localidades portuguesas. Muitos novos cruzeiros foram colocados pelo território português. Uns com a colaboração das Câmaras Municipais e outros por iniciativa de comissões organizadas. Em cuja sequência se deu em Felgueiras o movimento atinente a esse desiderato, que decorria ainda em finais de 1940, como se pode ler numa nota noticiosa inserta no jornal Notícias de Felgueiras de nove de Novembro de 1940, referindo existência duma «Comissão encarregada de obter fundos para o Cruzeiro da Independência, a erigir nesta vila…». Que altaneiro, é marco concelhio no coração nobre da atual cidade de Felgueiras.

O Cruzeiro da Independência felgueirense, em formato de padrão, colocado no jardim da Praça da República, «foi feito com pedra do monte de S. Torcato, (sendo) obra de bom desenho e bom gosto, riscado por António de Azevedo. No capitel da coluna oitavada (forma alusiva aos oito séculos da Nação, ao tempo) figuram oito brasões dos dois tipos afonsinos, alternados (um só com as quinas e o outro com cruz branca). Serve-lhe de remate uma cruz ornada com esferas.»

ARMANDO PINTO
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Crónica no Semanário de Felgueiras: À laia do tempo...


A habitual crónica do autor (deste blogue também) no jornal Semanário de Felgueiras, normalmente focando temas de carácter felgueirense ou pelo menos regional e culturalmente local, desta feita versa sobre o tempo ambiental do meio, atendendo ao que foi e é - conforme publicação na edição de sexta-feira, na página 2 do SF:

À laia do tempo…

Ainda não chegaram a estas paragens as andorinhas, nem outras aves de arribação, na presença de tempo por ora pouco agradável e ambiente de menor encanto. Faltando vir manhãs de Primavera, com um ressurgir de vida ao acordar, e encanto de soalheiras tardes dos dias de renovação da natureza. Mas assomam entretanto, já, outros passarinhos, arribando até cá mais aves trazendo também encantos e desencantos de alma na renovação da vida e desenvolvimento social. Pousando na diversidade, qual passarinho da recordação empoleirado num galho de lembranças, como que a trazer sentimentos revigorados, com retaguarda relacionada com aspirações de desenvolvimento.


Não é tarde nem é cedo, como se diz, para determos ideia de reminiscência, na altura de transição do ambiente natural, enquanto o Inverno não acaba nem a Primavera chega, quando o ambiente social está quase às avessas, com a crise que teima continuar. Passada a época de Carnaval, quando já a folia carnavalesca nem é como antigamente, na linha da descaracterização derivada de fusões contra natura e derivadas ocorrências de tais uniões. Entrando de seguida temporada quaresmal rigorosa, à medida da cor roxa própria da quadra, vindo então a talhe lembrar algo relacionado com outros tempos e modos. Não tanto porque quando é assim qualquer coisa serve, para o efeito, mas porque calha para lembrar a preceito.

Ora, o Carnaval já foi, voando pelo ar como confetes e serpentinas atiradas, entretanto, despido que vai o tempo de roupagem de fantasias. Pois, por ter passado já, traz memórias de outro passado, quando as passeatas de carnaval eram feitas por pessoas individualmente ou em grupos ocasionais, em desfiles de outros tempos, que saíam à rua, mascarados com suas caretas, mais roupas velhas e fora de regra, passeando-se diante dos conterrâneos, conhecidos e assistentes, sem se darem a reconhecer, nem qualquer outra intenção, quantas vezes com figurações engraçadas ou provocantes, na linha que no carnaval ninguém leva a mal. Mas sem tropelias. Até por fim ser queimado o entrudo, junto com peças fora de uso, em fogueira popular. Junto com leitura de testamento normalmente teatral, no verdadeiro termo público.

Não é necessário ir muito ao fundo da arca de lembranças, quanto a fazer uma descrição profunda, por tudo isso estar bem na memória de qualquer pessoa, conforme a época de cada qual. Nem agora se torna preciso apontar o que tem sido mais recente, por estar bem presente em todos os que assistimos ao desfile do tempo atual. Não de um corso carnavalesco qualquer, mas do trajeto que ocorre nos tempos que correm, agora. Podendo dizer-se que qualquer semelhança com a realidade não é simples coincidência, apenas pura existência.

Armando Pinto
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Novo artigo publicado no Semanário de Felgueiras: Livro de fora com algo de cá dentro...!


Mais um artigo está publicado no jornal Semanário de Felgueiras, entre as páginas da respetiva edição de sexta-feira, dia 15 do corrente ano: Crónica narrativa escrita pelo próprio autor, sem interposta assinatura ou anonimamente, como se fosse outrem a escrever (conforme às vezes se tem visto), pois não há que haver receio de se contar o que acontece, como tal.

Livro de fora com algo de cá dentro…

Ian Fleming afirmou que escrevia o que gostaria de ler se outros escrevessem para ele. Assim na linha do que referia esse escritor, há sempre um sentido de retorno no que se faz. Algo que quando atinge alguma proporção, produz natural realização e demonstra que tudo vale a pena quando a alma não é pequena, como proclamava Fernando Pessoa.

Vem a propósito esta visão sobre o que escrevemos por vezes poder chegar longe e interessar sempre a mais alguém. Como foi o caso dum trabalho escrito do autor destas linhas, também, haver merecido atenção ao longe. Facto que desta vez aqui se traz, como simples registo, mas também contado pelo próprio punho, apenas como tal. Então, permita-se relatar isto, porque, por vezes, nem há noção de quanto os escritos alinhavados aqui nestas paragens podem chegar além do horizonte e aos mais variados campos da cultura e do conhecimento. Quanto sucede no mundo global e perante o que pode operar.

Como explicação introdutória, para que se perceba, além do que o autor destas linhas escreve e escreveu aqui e noutros jornais, mais alguns livros que foram possíveis, também há dois blogues pessoais onde, no espaço informático, de quando em vez se dá largas a puxar pela redação expositora de ideias e partilha de atenções, quer de âmbito histórico-literário local, como desportivo – “Longra Histórico-Literária” e “Memória Portista”, respetivamente. Ora um desses blogues serviu recentemente, num caso, como fonte de recolha de elementos num trabalho para um livro, escrito e publicado na Itália e em italiano, sobre futebolistas tornados heróis na 1ª Grande Guerra mundial. Obra da autoria de Giorgio “Acerbis” Ciriachi, em publicação da editora Urbone Publishing, sob título e subtítulo “Foot-ballers al frente – storie di calciatori (e di un tifoso) nella grande guerra”. (Traduzindo:) “Futebolistas na Frente / histórias de jogadores (e de um apoiante) na Grande Guerra”.


= Capa e contra-capa do livro em apreço =

Com efeito, no final do passado ano ainda recente, mais precisamente em Novembro de 2015, quando perfazia sensivelmente um século da entrada da Itália na I Grande Guerra, foi dado à estampa tal livro sobre a ligação do futebol à memória dessa guerra mundial travada nas valas de terrenos entrincheirados da Europa. Tratando-se de uma boa memorização de tão importante protagonismo no curso da humanidade, mais particularmente com histórias de jovens, ao tempo, que então passaram dos campos de futebol para as trincheiras da Grande Guerra. Um livro, esse, sobre os jogadores que participaram na 1ª Guerra Mundial, contendo um capítulo referente a Joaquim Vidal Pinheiro, desportista que esteve entre os homens que vestiram a camisola do F C Porto e foram chamados ao Corpo Expedicionário Português que rumou aos campos de batalha dessa guerra. Tendo ali morrido, na tristemente célebre Batalha de La Lys, em Abril de 1918. Havendo depois os seus restos regressado, enfim, aquando da vinda também do corpo do soldado desconhecido, para a homenagem honorífica com que ficou imortalizado o Peito Lusitano.

De particular atenção, no livro é feita menção ao blogue “Memória Portista” na parte da “Bibliografia” e nota das fotos. Bem como, na página dos agradecimentos (“Ringraziamenti”), tem referência ao autor do mesmo blogue, por «…senza di lui il capitolo su Joaquim Vidal Pinheiro non avrebbe mai visto la luce…» («…sem ele o capítulo sobre Joaquim Vidal Pinheiro nunca veria a luz»).

É sempre interessante quando podemos dignificar o nome de Portugal e representatividade do que nos desperta interesse, como neste caso e àquele nível. Sendo um livro, aquele, que honra a memória portuguesa.


ARMANDO PINTO

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Artigo no SF, de título sintomático.


Mais um artigo escrito e publicado, dentro da colaboração jornalística ao jornal Semanário de Felgueiras. Cujo título sintetiza o seu conteúdo, através de  texto a procurar deixar expressa a ideia do valor atribuído ao tema.

Dessa crónica, escrita a seguir à época pascal e publicada no SF desta sexta-feira 17 da quinzena seguinte à Páscoa, colocamos a respetiva coluna, mais o correspondente texto original para mais acessível leitura, aqui.
  
Irmãs Vicentinas do Unhão 

Ainda lembra aos ouvidos o toque da campainha do Compasso Pascal, passada que foi a Páscoa, sem ir muito longe algumas lembranças relacionadas, no que toca ao tema que vem à ideia, desta vez. Sendo que esta região sempre terá umas quantas referências a puxar pela memória coletiva, quer no aspeto ambiental como nas dotações, vindo então ao caso a faceta do património humano.

Ocorreu ainda há pouco, também, a comemoração da outorga do Foral Manuelino aos antigos concelhos de Felgueiras e Unhão. Encerrando-se esse período com a celebração da concessão régia da carta foralenga à velha Honra do Unhão. Cujos festejos tiveram pontos altos nas realizações programadas com lugar no edifício conventual da Misericórdia local. Onde sobressai o labor da Comunidade Vicentina das Irmãs de Caridade da Ordem de S. Vicente de Paulo. Ora, é sobre essa realidade que desta feita apraz registar uma existência de apreço, tal é sentida a sua presença e por quanto representa na região a faina das conhecidas Irmãs em prol do bem comum. Cuja vida conventual, por outro lado, tem ainda outros contactos memoriais à vivência local, de certo modo até com interligação ao tempo pascal ainda de fresca memória, sabendo-se que Felgueiras, como terra do pão de ló, é vasto sítio de implantação da doçaria tradicional – para a qual eram precisos ovos com fartura e nos conventos eram usadas as claras para engomar os véus dos hábitos, restando as gemas para o doce pão leve e outras iguarias adocicadas.

Com efeito, antigamente as Irmãs da Comunidade Vicentina da Misericórdia do Unhão usavam umas espécies de toucas muito salientes e hirtas, de pano endurecido através de aplicação de caldas de claras de ovos e produtos similares caseiros. O autor ainda chegou a ver isso, recordando-nos de ver as Irmãzinhas (como lhes chamávamos popularmente) a circular pela região com esses hábitos distintos. Andavam pelas portas em missão e consequentemente a joeirar algo mais, assim vestidas, metendo respeito e certo temor por isso mesmo, pois usavam tal alto toucado, à espécie de "chapéu" chamado de corneta, quase se assemelhando a uma gaivota de asas abertas. Também sendo associadas à memória popular, desses tempos passados, pela assistência que prestavam com um género de medicina popular, pois eram especialistas  na confeção caseira dum remédio das bichas à maneira antiga, custoso de engolir por seu intenso travo, mas de bom efeito curativo.

Isso tudo num aspeto que assim justifica retenção de mais-valia, perante o caso de estar instalada no concelho a Comunidade das Irmãs Vicentinas, mais propriamente chamadas Filhas de Caridade da Ordem de S. Vicente de Paulo, no Unhão (além de também no monte de Santa Quitéria), onde as mesmas exercem funções de educação dirigindo externatos com infantário, pré-escolar e escolas de ensino básico, além de apoio sócio-caritativo à comunidade da região. Vindo aqui agora ao caso, no facto a realçar, o exemplo das Irmãs do Unhão, como normalmente se diz, pela ligação afetiva ao tema.

Estão as mesmas no seu convento sito no antigo Paço dos Condes, edifício que em 1868 foi comprado pela Misericórdia de Nª Sª do Rosário do Unhão, em aquisição ao Barão do Calvário (Felgueirense que ao regressar do Brasil se radicou em Penafiel), desde quando ali ficou instalada a sede definitiva daquela instituição, fundada anteriormente em 1630 (conforme aludimos no “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, em 1997). Até que as referidas Irmãs Vicentinas vieram, em 28 de Março de 1933, para o serviço do antigo hospital da Misericórdia de Nª Sª do Rosário, e desde então se fez notar, sobremaneira, a sua presença na própria terra e na região envolvente. Como que a abrir as asas do antigo véu e a pousar no ambiente de mensagem atual. Quais andorinhas a levarem uma Primavera a quem necessitar.

Armando Pinto

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Artigo com a Biblioteca Municipal em estante... no Semanário de Felgueiras


Numa ligação ao artigo anteriormente aqui tratado, continua-se nos contornos da biblioteca municipal de Felgueiras, desta vez com texto publicado na mais recente edição do jornal Semanário de Felgueiras. 

Assim sendo, não só por presentemente não acontecer nada de novo, de enfoque especial, cá pela nossa região, mas também porque o que existe vale mais, voltamos atrás no tempo para mais uma rememoração, na ciência comprovativa que a memória deve fazer justiça. 

Eis então a coluna, do que foi publicado no SF desta sexta-feira 27 de Fevereiro, seguindo-se o texto normal, para facilitar a leitura:

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Hernâni Cidade

Estamos com Fevereiro a dar seus últimos toques, com noites enluaradas, de modo que no dizer popular o luar de Fevereiro quem o dera o ano inteiro. Apesar do frio e tempo instável, como época das “Febreiradas”, na voz popular quanto às Fevereiradas a condizer, em que tanto chove como faz sol. Além de ser o mês mais pequeno, mas mesmo assim dando para as costumeiras andanças de dia e pela noite dentro, com os festejos de Carnaval (época móvel, que calha mais neste mês), tal qual primeiras manifestações populares da Quaresma.

Ora, assim sendo, pode ver-se bem como o que parece de menor abrangência e nem sempre com tempérie estável, também tem seus atrativos. Quanto no caso da cultura de interesse mais local, relacionada à identidade concelhia.

Vem ao caso a lembrança dum personagem que teve alguma influência em Felgueiras, mas por motivos diversos tem sido injustiçado nos contornos históricos felgueirenses, como foi o Prof. Dr. Hernâni Cidade. Pessoa que já nem é de nosso tempo, mas deve merecer consideração.

Houve e há quem se admire por Hernâni Cidade ter escrito, em princípios da década de quarenta, do século XX, que desconhecia a história de Felgueiras, afirmando, no que se entende de suas palavras impressas, que os felgueirenses eram dos povos felizes que não tinham um passado a reter-lhes o futuro. Sabendo-se que esse homem de cultura foi o iniciador duma pioneira biblioteca municipal, sobretudo. Mau grado opiniões contrárias, contudo com alguma verdade a constar duma publicação do antigo jornal Primeiro de Janeiro, em caderno-suplemento de edição especial vindo a público em 1979, contendo informações recolhidas precisamente com dados constantes na antiga biblioteca municipal, quando ainda estava implantada no edifício dos paços do concelho.

A relação com a falta de conhecimentos do passado felgueirense nem é de estranhar, verificando-se que nesses idos anos de quarenta e até de cinquenta praticamente nada havia a historiar Felgueiras. Temos em mãos, por exemplo, um álbum editado em 1953 pelo antigo jornal O Século, com o país de lés a lés, por distritos, incluindo imagens e informações cinquentonas de cidades, vilas e aldeias, com alguma importância. E ali, no distrito do Porto, lá estão as cidades e quase todas as vilas cabeças de concelho, mas de Felgueiras nada, mais parecia nem andar no mapa, nesses tempos…

Ora, com essas e outras, não virá mal algum ao mundo em se recuar nos trilhos da história. Remetendo à evocação do Prof. Hernâni Cidade, personagem oriundo do sul (do Redondo-Évora) mas que viveu temporadas em Felgueiras com familiares, nas férias de professor das Faculdades de Letras do Porto e Lisboa. Acontecendo então que foi ele quem criou a primeira biblioteca municipal da vila de Felgueiras, dedicando-se durante tempos de descanso a juntar livros espalhados e ordenando algum material literário e documental existente na Câmara. Apesar de desconhecer a história de Felgueiras, mas sabendo-se que vinha a Felgueiras visitar amigos e passava temporadas com a família, conforme recordava sua filha, a ativista política Helena Cidade Moura. Entretanto gerou-se uma ideia de certo menosprezo, passado muito tempo, derivado a um escrito em que ele expressou desconhecimento pela história felgueirense (crendo mesmo, como escreveu, que pertencia «à categoria dos povos felizes que a não têm...»), como resultado da falta de informações enfeixadas que à época se fazia sentir localmente. Tendo contudo Hernâni Cidade, escritor e jornalista de renome, transmitido apenas as suas impressões com “Felgueiras e seus arredores”, artigo datado de Lisboa em 1941 e publicado na coleção «Portugal Económico Monumental e Artístico», que serviu para diversos fins em publicações locais, onde teve transcrições ao longo de muitos anos.

Isto da cultura, quanto à vertente histórica, é quase como a lua, que a todos encanta mas não é de ninguém.

Armando Pinto

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Outra parte do artigo no SF sob título "Trilhos das Margens do Sousa" - Continuação


Dando continuidade ao que ficou incompleto na edição da semana anterior, completou-se no número mais recente do Semanário de Felgueiras a exposição referente a um texto que havíamos escrito tempos antes, em colaboração com recente organização local, no roteiro alusivo à Caminhada inserida nas comemorações do 10º aniversário da Vila da Longra.

Como o conteúdo era mais extenso que o costume, para o espaço do jornal, foi o mesmo texto dividido em duas partes, cuja conclusão foi publicada na edição do fim de semana passado.

Assim, aí fica, aqui, a coluna respetiva da publicação do Semanário de Felgueiras, à sua página 12 de sexta-feira dia 02 de Agosto.




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Armando Pinto

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Crónica de “SEASON” no SF…


Numa abordagem relacionada com a atualidade, escrevemos desta vez, em nossa regular colaboração no jornal Semanário de Felgueiras, um artigo de temática sazonal, quanto à estação festivaleira do ambiente local. Estando no texto o que realmente é, como se sabe, a pontos de já haver conhecimento de ter merecido leituras de análise – tal o facto de se ter até notado, entretanto, algumas feições de amuos por algumas verdades… 

Eis a referida crónica, na respetiva coluna da página 12 da edição impressa do SF de 19 de Julho:

(Clicar sobre o recorte digitalizado, para ampliar) 

… E de seguida, para devidos efeitos, aqui está o texto datilografado, também para leitura mais acessível:

Festivais Folclóricos 

Quando chega o tempo de sol radioso e ambiente alegre, das férias e de festas, o que acontece mais no Verão, por toda a região de Felgueiras e não só, a época quente é também aproveitada para realizações de festivais de folclore. 

Esses saraus, quais encontros de grupos de dança e cantares regionais, resultam num corolário festivo no auge da temporada, ao jeito de mostras do trabalho levado a cabo ao longo do ano por esses agrupamentos de reposição etnográfica, os Ranchos Folclóricos. Manifestações que, como acontecimentos relativamente recentes, servem porém mais de espetáculo e convívio, não tendo a pretensão de caracterizar em demasia antigas folganças, pois que surgiram apenas em meados do século XX, por volta dos anos cinquenta tenuemente e mais vincadamente na década de sessenta, sensivelmente. Sendo antes produto da evolução dos tempos, porque o próprio folclore revivalista também pouco tem a ver, quer se queira ou não, com o que antigamente acontecia. Sendo que a essência do que os Ranchos representam é uma recriação dos usos e costumes populares que chegaram pela transmissão provinda de tempos arquiavós, em épocas que o mundo das pessoas girava quase só em torno de sua visão local. Enquanto os próprios mancebos, que nunca haviam saído da própria terra, ao terem de ir para a tropa se lhes metia na cabeça todo um mundo desconhecido - a pontos, por exemplo, de nesses tempos, em que até havia um quartel não muito longe assim, em Penafiel, os rapazes se despediam a dizer: “Adeus Portugal, que vou pra Penafiel”… 

Ora, embora o folclore popularizado seja genericamente recuperação de características da música e danças populares de antanho, tem que se ter em conta que hoje em dia integra sobretudo o cariz de apresentação pública, através de números coreográficos, longe do espírito do passatempo simples de ajunto de pessoas de tempos passados, em que servia de folia, por meio de danças nas eiras, nas encruzilhadas ou largos comunitários e adros. Agora é em palco que acontece, e nem pode ser de outro modo para todos verem, tratando-se de espetáculo para assistências... 

De permeio há também natural sensibilidade, sabendo que tem de haver uma ligação realista, de caráter logístico. Para que haja memória e tudo seja contemplado. Não se entendendo que um Festival que já teve diversas edições com Ranchos estrangeiros, como agrupamentos espanhóis, por exemplo também, seja considerado depois, num ano mais presente, considerado 1º Internacional… A não ser que ainda haja por aí quem não saiba que Portugal vai para Norte só até à fronteira com a Galiza e depois é já solo estrangeiro, senão é como antes: Adeus Portugal, que vamos pra Penafiel… 

De qualquer forma, os elementos representados, na generalidade, refletem trabalho aplicado sobre a recuperação do estudo da cultura da alma do povo, numa prática etnológica aproximada de reprodução de antigos padrões tradicionais, das gentes dos aglomerados locais, afins à população comum, tendo subjacente quanto possível recolha dessa manifestação remota compartilhada pela gente de territórios definidos, nas suas ligações por laços pessoais de herança cultural. Querendo tudo isto, qual rapsódia, imprimir e exprimir preservação antropológica da rusticidade da terra, numa forma cultural mediática de expressão popular, englobando significado de povo e sua cultura como a própria palavra quer dizer - sendo o termo folclore o aportuguesamento dos vocábulos saxónicos folk (povo) e lore (tradição), aliás composição aproveitada já no século XIX pelo arqueólogo inglês Thoms, em substituição da expressão “antiguidades populares” usada anteriormente em monografias da especialidade. 

Graças ao trabalho de reconstituição empreendido pelos Ranchos, tem sobrevivido a memória coletiva das raízes etno-populares, em todo este vasto campo de características genuínas da personalidade, no sentido identificativo, de usos e costumes ancestrais dos nossos antepassados. 

Armando Pinto