Foi no Outono de 1989, em finais de outubro, estendendo-se ainda
pelos inícios de novembro, que ocorreu a venda pública da solarenga Casa de Rande,
da família Barbosa Mendonça, terminada com Henrique Mendonça, na freguesia de
Rande, em plena então ainda Povoação da Longra. Primeiro com a venda do recheio da
casa, em lotes ou por peças individuais, e por fim a casa-solar, mais a quinta
agrícola. Algo que mexeu com a sensibilidade local, sendo essa mansão ligada à
história da freguesia de seu nome e da própria região envolvente. Tendo havido
certa desilusão por nem a Junta de Freguesia desse tempo, nem a Câmara Municipal
do executivo da época, terem feito qualquer coisa para que não saíssem do
concelho muitas das preciosidades ali existentes, como livros, quadros, pergaminhos,
cartas régias, álbuns fotográficos, incluindo mostradores com fotografias da
região e outros objetos relacionados com a memória coletiva. Curiosamente
passava então o centenário do nascimento de Maria Guilhermina Mendonça, a popular
Menina de Rande, por cujo nascimento, portanto cem anos antes, seu pai, o
Conselheiro Dr. António Mendonça, plantara em frente à casa uma das árvores ali
existentes ainda.
Dessa ocorrência ficou um longo artigo de reportagem no
jornal Notícias de Felgueiras. E pormenorizadamente sobre isso fala a correspondente
narrativa escrita no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” (publicado em 1997), respetivamente nos capítulos das casas e das personalidades.
Memorizando o caso, como lembrança, recorda-se a ocorrência através
do respetivo folheto entregue ao público na ocasião, o catálogo desdobrável com
informações e indicações da lista de lotes, na relação sequencial de todos os
bens que foram expostos para serem licitados. Catálogo desdobrável que se
partilha, em imagens das páginas do original guardado.
Armando Pinto
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