Espaço de atividade literária pública e memória cronista

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Entre livros e revistas... de vez em quando: Boletim da DGSU de 1958-1960 com o edifício da Câmara Municipal de Felgueiras na capa

Desta vez é vez de relembrar, do tempo da inauguração e era inicial do edifício da Câmara Municipal de Felgueiras, o caso do mesmo ter sido imagem de capa do Boletim da "Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização", do "Ministério das Obras Públicas" - " BOLETIM: 1958 / 1960, volume 2º ". Com referência mesmo na página 2 em legenda: "NA CAPA – Edifícios dos Paços do Concelho de Felgueiras".

Boletim, em forma de livro, com 168 páginas, que faz parte também do acervo da biblioteca particular aqui do autor deste blogue.

Armando Pinto

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domingo, 22 de maio de 2022

A minha avozinha Júlia de Jesus Pinto – Lembro como sempre… e a propósito relembro à chegada do dia de seu aniversário!

 

Tenho nas memórias mais antigas, das primeiras imagens da vida, a minha avozinha. A minha avó Júlia. Deitada na sua cama, onde estava há anos paralisada, mas sempre bem-disposta, com cara sorridente, dum modo santificadamente marcante. Ficara assim desde que sofreu algo que popularmente diziam ter sido um “ataque”, estando comigo ao colo, tinha eu coisa de quatro meses apenas. A partir dali fui crescendo a querer estar junto a ela e ela a gostar de me ter à sua beira. Ouvindo-a contar-me histórias de fazer sonhar. Lembrando-me bem de suas mãos branquinhas e enrugadas, de pele muito macia, de palavras ternas como réstia duma vida cheia de histórias. Quão me vem à memória que me embalava, com um cordel preso ao berço, conforme soube mais tarde como depois fazia ao meu irmão mais novo. E nós os dois, os rapa-caçoilas da família, ali andávamos junto à sua cama, a querer ouvi-la, entre umas vezes ou outras das vezes em que rezava ou ouvia o terço e as missas no rádio que o meu pai lhe colocara na mesinha de cabeceira. Sempre com muita calma a gerir dentro do possível as brincadeiras dos netos. Era como se no seu regaço eu descansasse desses tempos de infância, dum modo que pela vida adiante sei que me acompanha. Como naquela noite dum conto que conto no meu livro Sorrisos de Pensamento. E tenho bem presente como fazendo parte de minha alma, como sinto num fechar de olhos de pensamentos.

A minha avozinha, nascida em 1884, faleceu em 1969. Em cujos 85 anos seus eu ainda a pude ter comigo alguns anos da minha vida, que então ia em 14 primaveras. Embora na época de seu falecimento eu estivesse deveras longe, por via do percurso estudantil, episodicamente ausente em período formativo num estabelecimento interno nos arredores do Porto. Como também anotei na narrativa do conto daquele livro de descritivas histórias particulares. Lembrando coisas e loisas que me apeteceu contar. Embora pudesse ter contado mais, que não calhou. Como mais tarde calhou, mas aí de viva voz, na confirmação da casa onde nasceu o célebre mestre de música sacra Padre Luís Rodrigues, porque foi na mesma casa onde anos antes ela também nascera, como contava – na Casa da Fonte, do alto de Rande, onde sua mãe fora empregada nesses tempos que se perdem na penumbra das memórias. E está registado, conforme consta na narrativa oficial do seu registo de nascimento, do qual tenho prova na Certidão de Nascimento que guardo.

Assim, como no calor duma vela acesa da lembrança que me vem à ideia, lembro a minha avozinha, ao calhar da passagem do dia de seu nascimento, na passagem da data de seu aniversário natalício. Como que sentindo tê-la à minha beira, a proteger-me, na ternura da infância que quero fazer perdurar no colo de sua recordação.  

A minha avozinha - quando ainda andava a pé...

ARMANDO PINTO
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- Nota de curiosidade: Na fotografia antiga, com marca d' água sobreposta, vê-se por fundo visual a original fábrica MIT do Largo da Longra, estando à esquerda da imagem fotográfica o popular barracão onde funcionavam as oficinas da "fábrica velha" que deu origem à Mit/Metalúrgica da Longra. Cuja extremidade ia até à árvore grande que, após a construção da casa do sr. Verdial e fixação de seu negócio histórico, ficou conhecida por Carvalha da Padaria. (Foto que, de anteriores artigos publicados neste blogue, em 2014 e 2017, foi depois copiada para o livro "Felgueiras: 500 anos de Concelho", à página 150... mas sem a respetiva marca, por certo retirada em arranjo gráfico).

A. P. 

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Entre livros e revistas… de vez em quando: exemplares das antigas normas de instituições felgueirenses históricas

As raridades destes três exemplares falam por si, através das imagens que se partilham como exemplos. Tratando-se de publicações de Estatutos, Regulamentos e Relatórios de instituições, como os Estatutos e Regulamento dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras, as Disposições Regulamentares do Colégio de Rande / Longra-Felgueiras e o Relatório e Contas da Associação Pró-Longra.

Do primeiro caso junta-se a primeira comprovação física, em formato literário. Sendo que a Associação dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras, cuja fundação remonta a 1898, teve aprovação pelo Governo Civil do Porto a 24 de Novembro desse ano, como consta da publicação de seus Estatutos, impressos pela primeira vez em 1904 – a que se reporta imagem do exemplar original a atestar as primeiras normas desta Associação que existe e resiste em Felgueiras, ainda e sempre felizmente.

Depois recorda-se o antigo Colégio da Longra, como era mais conhecido e popularmente referido esse que oficialmente era chamado Colégio de Rande, existente desde proximidades de 1918 até finais da década dos anos 1930. Ficando-se com ideia de sua funcionalidade pelo livrinho de apresentação de suas Disposições Regulamentares.

E também, ainda, pelo anual Relatório e Contas da popular Associação Pró-Longra, relativo ao seu 1º Exercício, findo em novembro de 1932, dessa Associação criada em 1928 e antecedente da Casa do Povo da Longra, para a qual contribuiu com cedência do edifício-sede e organização aquando da criação da Casa do Povo, em Despacho Ministerial de 1939, por disposição do Governo da Nação no tempo do chamado Estado Novo.

Destas três realidades, quer a ainda existente Corporação dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras, como do desaparecido Colégio da Longra e, por fim, a outra ainda existente na sucessora Casa do Povo da Longra, fazem testemunho visível e legível os documentos impressos em formato de pequenas revistas, constantes da biblioteca particular e pessoal do autor destas lembranças.

Instituições estas e essas das quais constam referências memorandas no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997.

Armando Pinto

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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Entre livros... de vez em quando: Brochura de Homenagem ao fundador da MIT / Metalúrgica da Longra - no LXV Aniversário de Américo Teixeira Martins em 1958

Este livrinho já por algumas vezes foi relembrado nalguns artigos deste blogue, a propósito de diversos temas relacionados com a fábrica grande da Longra, com o seu pessoal ou com o fundador. Bem como está lembrado no livro "Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras", publicado em 1997. Desta vez, porém, vem à lembrança mais diante da sua existência, por via da publicação respetiva com que em 1958 foi registada a realização da homenagem prestada ao grande industrial. Através dessa edição tendente a demonstrar o apreço de quantos trabalhavam na MIT e com a mesma empresa, diante da figura de Américo Teixeira Martins.

É esse o tema da recordação desta feita em equação, relembrando tal brochura, em jeito de livrinho, que faz parte das raridades da bibliografia local de temática Felgueirense e Longrina. Um exemplar histórico e memorando que integra a biblioteca pessoal aqui do autor destas lembranças. De cujo conteúdo se ilustra a narrativa com imagens de algumas páginas, apenas como demonstração, por meio de captações fotográficas alusivas.

Armando Pinto

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sexta-feira, 13 de maio de 2022

Mais fotos históricas do FC Felgueiras

Na sequência e pelas mesmas razões apontadas em anteriores apontamentos, aqui, regista-se algo mais de fotografias históricas do histórico Futebol Clube de Felgueiras, na continuidade de memórias partilhadas aos cibos da recordação.

= Equipa de juniores do FC Felgueiras da Época 1968/1969.

Em cima, a partir da esquerda - Rogério Veloso (Dirigente/delegado), José Carlos (treinador), Guerra, Rocha, “Venâncio” (Carlos Faria), Freitas, Faria, Carlos Lusquiños, Ribeiro, José Luís e Manuel Cunha (Dirigentes); em baixo, pela mesma ordem – Carvalho Guerra (massagista) Jorge, Ribeiro, Toninho, Jorge Lemos, Manuel e Casimiro (conforme legenda manuscrita no verso da foto original). Não estando identificado o rapaz (criança).


= Imagem de calendário de bolso do ano de 1986, com indicação promocional (no verso) da firma patrocinadora da equipa principal do FC Felgueiras (Séniores).

Armando Pinto

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quarta-feira, 11 de maio de 2022

Efeméride da "Subida" do FC Felgueiras à Divisão de Honra, em 1992

A época futebolística de 1991/92 ficou nos anais felgueirenses entre os momentos grandiosos do histórico Futebol Clube de Felgueiras. Tendo o FCF assegurado a subida de Divisão ainda em maio, a várias jornadas do fim do Campeonato (que terminava em junho).

Passando agora a efeméride dessa ocorrência, regista-se e relembra-se o caso. Tanto que perfaz 30 anos que o FC Felgueiras então ascendeu à antiga Divisão de Honra, no culminar dessa temporada.

De tal feito recorda-se o mesmo por imagens, da equipa dessa época e da 1ª página do suplemento do jornal O Jogo, comemorativo dessa subida de Divisão, da II Divisão B- Zona Norte à Divisão de Honra, então existente a nível nacional.

Armando Pinto

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terça-feira, 10 de maio de 2022

Lembranças pessoais de Lousada!

Um destes dias andando a passear pelo centro da vila de Lousada, em soalheita tarde destes dias quentes da Primavera de 2022, indo a pensar com os meus botões da memória, dei com os olhos na montra duma loja comercial onde em tempos passei muitas horas de manhazinha cedo, ao tempo uma padaria que era dum simpático senhor António, venerando personagem da vila de Lousada daquelas tempos. Isso porque eu ali ficava a fazer tempo, até à aproximação da hora do começo das aulas no Externato de Lousada, naqueles períodos de finais dos anos 60, em dias de aulas, aos princípios dos 70; pois como eu ia muito cedo para Lousada, na única carreira da camioneta da Pereira Meireles da Lixa que passava à Longra em horário anterior ao início das aulas, para não ficar ao frio e a pequena padaria era bem quente, eu para ali ia e ficava a conversar com o senhor Antoninho, que muito gostava de falar comigo de tudo e mais alguma coisa. Eu do lado de fora do balcão, obviamente, e ele dentro, falando entre a chegada e saída da clientela que ia buscar bejus para o pequeno almoço. Ora eu que sempre fui de falar pouco, mas com gente de que gosto e dá oportunidade até gosto de falar, conversava bem com esse meu amigo, como era o caso. 

Lembro-me bem desse senhor Antoninho, muito boa pessoa. Como tenho sempre na memória o Senhor Sousa, o porteiro do Externato, para onde eu ia logo que o via passar na sua bicicleta, para abrir a porta daquele histórico colégio de ensino externo. Entre tanta coisa passada e vivida quando por ali andei a estudar, andando eu também de livros debaixo do braço com colegas amigos, ao tempo de frequência no Externato Eça de Queirós. 

Hoje a loja naturalmente está mudada e o negócio mudado de ramo. Tal como o Externato há muito que nem existe. Mas permanece a lembrança, apesar de depois disso nem frequentar muito Lousada, por não calhar, de modo que já poucas pessoas conheço hoje em dia dessas de meus tempos estudantis lousadenses. Mas sempre com um lugar especial daquela vila em mim. 


É uma honra, mesmo, estar na história do Colégio-Externato Eça de Queirós, de Lousada.  Constando no importante livro “Uma História da Educação em Lousada", da autoria do Prof. Luís Ângelo Fernandes. Sendo por isso interessante constar naquele livro da História do ensino em Lousada, através duma foto também histórica. Uma honra, não só, mas também, porque esse antigo colégio foi uma referência no panorama da educação da região, incluindo-se então entre seus alunos, além dos naturais e residentes de Lousada, também jovens estudantes de Felgueiras, Paredes e Paços de Ferreira.


(Externato de Lousada - Foto da página de facebook do Externato Eça de Queirós)

Tempos em que o histórico colégio era deveras familiar no ambiente da terra através de figuras carismáticas, como o "Contínuo" Senhor Sousa, a secretária sempre prestável (senhora muito simpática, da qual me estava já a falhar o nome, mas recordando seu sorriso me vem à ideia como era tratada carinhosamente) a Chiquinha, assim como professores como o tão apreciado Padre Meireles de História, o Padre Campos do Português, Padre Mota de Francês, o Padre Jorge de Inglês e do célebre carro antigo, Professora Orísia de Ciências, etc. etc. Andando o tão afável sr. Sousa de cigarro de mortalha sempre na boca, além de ser conhecido nas suas andanças de bicicleta a atravessar a vila no itinerário profissional. Lembrando que comíamos barato na casa de pasto do sr. Freitas, típica mistura de tasco e restaurantezinho antigo, por trás dos Bombeiros. Ao passo que no centro da mesma vila comprávamos o jornal na loja de papelaria da Geninha, enquanto esperávamos a camioneta de carreira em frente à loja do Rega, rindo-nos com a sua useira conversa de engalhar os clientes.

(Imagem de "Postal" de finais dos anos sessenta)

Sendo do curso liceal de bons amigos como Zé Vieira, mais tarde advogado de renome e dirigente apreciado dos Bombeiros; tal como também o Jorge Magalhães, volvidos anos tornado Presidente da Câmara de Lousada; Zé Alberto; o Teles de Santa Margarida, o Costa de Silvares, o Sousa do Unhão, Reis, Graça, Raquel, Maria José, Goreti, entre outros. Além de colegas mais novos, amigos e companheiros de outros anos.

(Fotos do álbum  pessoal - em cima com parte da minha turma de Letras; e em baixo com colegas, mais o Senhor Sousa.)

Depois seguiria eu pela vida adiante, de permeio ainda com passagem pelo Colégio de Vila Meã e depois disso ficara entretanto à espera de incorporação no serviço militar, até ter acontecido o 25 de Abril, etc. e tal…

Lousada está pois aqui no coração. Diz-se de Felgueiras que quem beber da água da fonte de Santa Quitéria jamais deixa Felgueiras; enquanto eu nem precisei disso, gostando muito como sempre gostei, como felgueirense de gema a partir da água que bebi desde criança do fontanário da Longra. Mas gosto também de outros sítios, de modo diversificado. Sendo afeiçoado à cidade do Porto, por exemplo. Tanto que de modo especial onde me sinto melhor a passar algumas horas é em Fátima e no estádio do Dragão. E Lousada faz parte de minhas ternas lembranças.

Armando Pinto
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