Espaço de atividade literária pública e memória cronista

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terça-feira, 4 de julho de 2023

Recordando o Padre Luís Rodrigues, autor do cântico das Ordenações Sacerdotais na Sé do Porto

 

Na Diocese do Porto é tradição entre julho e agosto haver as Ordenações de Presbíteros, sempre que há novos padres para ordenar. E, ou num mês ou noutro, desses, normalmente no início de cada respetivo mês, conforme as circunstâncias derivadas de tais anos. Vindo o tema mais uma vez à atualidade, com a próxima  ordenação sacerdotal que irá ocorrer no domingo 9 de julho (deste ano de 2023), em cerimónia na Sé Catedral do Porto. Curiosamente em dia coincidente em efeméride com o que há 23 anos ocorreu quando foi ordenado o atual Pároco de Rande, Sernande e Idães, Padre Manuel Joaquim Costa Ferreira. Sendo extensivamente caso de referência por nas Ordenações sacerdotais no Porto ser carismático o alusivo cântico "Tu es sacerdos in aeternum” (Sacerdote para sempre), cujo autor é o Padre Luís Rodrigues, natural de Rande-Felgueiras e celebrizado como reitor da Lapa, no Porto. 

(Por acaso até mote, esse, que anos depois, em 1964, serviu de lema à Ordenação do Padre Marílio Faria, muito mais novo mas também natural de Rande, como consta no seu "santinho de recordação" da Ordenação e seguinte Missa Nova.)

Nesta conjugação de factos e fatores, avivam-se memórias alusivas.

Com o tempo cálido de verão, este ambiente de dias de altas temperaturas faz lembrar tempos de outrora, de ida até ao Porto com destino principal mais propriamente à Sé catedral da Diocese do Porto, do autor destas lembranças, mais amigos e conhecidos, entre gente da freguesia e paróquia de Rande, para presenciar a ordenação de um então jovem seminarista que ia ser ordenado padre, o Padre Marílio, como já o tratávamos mesmo antes, enquanto seminarista. Sendo que durante anos as Ordenações Sacerdotais no Porto ocorriam sobretudo no primeiro ou segundo domingo dos iniciais fins de semanas de agosto. Enquanto agora isso está a ser celebrado no início de julho. Costumando, na ocasião e de há anos a esta parte, as cerimónias serem coroadas liturgicamente com o cântico “Tu es sacerdos in aeternum”, de L. Rodrigues (Padre Luís Rodrigues), no sentido apropriado à celebração.

Ora, estando-se pois em tempo de Ordenação de novos Presbíteros na Diocese do Porto, calha a preceito relembrar alguns casos que nos dizem mais respeito. Como foram as ordenações de Padres naturais de Rande e padres que vieram a ser Párocos da mesma nossa paróquia de S. Tiago de Rande. Através de estampas alusivas, as populares pagelas, popularmente chamadas de “Santinhos”, das ordenações de alguns dos sacerdotes nascidos em Rande e também de padres que depois vieram para párocos de S. Tiago de Rande – conforme os “Santinhos de recordação” que consegui ter, uns recebidos de meus pais e outros obtidos pessoalmente, dos que tenho guardados.


Na pertinência de toda esta envolvência e pelo significado subjacente, vem a talhe recordar a vida e obre do "nosso" Padre Luís Rodrigues, o autor do cântico das ordenações sacerdotais na Sé do Porto. 

~~~ ***** ~~~ 

Padre Luís de Sousa Rodrigues 

«...Parece-me que o mundo de hoje anda muito à procura de processos de evangelização, porque pensa que o problema está na mecânica dos processos. E, como assim, anda o mundo descrente de muita coisa, porque só vê movimentos externos e não descobre a sua verdadeira alma interior. O seu lume, o seu Espírito.».

Era assim que o Padre Luís da Lapa, eminente Filho de Felgueiras, via a consciência global, nos alvores da década de setenta, no século XX.

= Fotos do percurso de Luís Rodrigues ao tempo de  Seminarista, com familiares, amigos e colegas...

Também, duma das suas homilias, das famosas pregações breves e incisivas que fazia, se pode retirar à posteridade uma outra passagem de suas reflexões. Então, certa vez em que desenvolveu tema sobre a Personalidade Própria, com que analisava numa homilia aquela parte do Evangelho onde ficou descrito quando Jesus estava a expulsar o demónio de um mudo, e depois de referir que o mesmo satanás tanto pode aparecer como demónio como também feito anjo, quais mudos que surgem a qualquer um em diversas facetas da vida, tentando anular as personalidades autênticas de cada qual, acrescentava: «O mesmo se passa na política e em muitas outras áreas. Ou desenvolvemos e afirmamos o nosso próprio “eu”, e as capacidades que nos foram dadas, ou não passamos de um zero na vida, e não estamos dentro do plano da realização actual da vida que nos foi dada.»

Isto, dito assim, em tempo de ditadura política Salazarista, que atirara para o exílio o Bispo do Porto, D. António... Revelava coragem e faz compreender lendas de audições do Padre Luís na sede da “Pide” no Porto.

= Monumento (de que na foto se faz sobressair a parte superior), com busto e respetiva peanha, colocado no adro lateral da igreja da Lapa, no Porto, em honra do Padre Luís de Sousa Rodrigues – escultura da autoria de Irene Vilar e inaugurado pelo Bispo do Porto D. António Ferreira Gomes. =

É esse Padre Luís que o Povo de Felgueiras, mas não só, deveria conhecer bem. Na vertente intelectual e humanista, junto à sua lavra artística, como ainda na feição humana e sentimental.

*

Com esse fito procurou-se, oportunamente, fazer algo para que as gentes locais ganhassem algum pecúlio de apreciação valorativa, também nesse especto. Como foi do conhecimento de significativa franja da atenção conterrânea, decorreu durante parte do ano de 2004 uma sequência comemorativa da passagem de 25 anos sobre a morte do Padre Luís de Sousa Rodrigues, o distinto Felgueirense em causa, qual figura de proa da cultura como da música eclesial, além de sacerdote com grande carisma na diocese do Porto, como afinal na Igreja Portuguesa e compositor famoso aquém e além-fronteiras.

O Padre Luís Rodrigues entretanto foi alvo de significativa homenagem em 2004 na sua freguesia natal, tendo sido colocada pela Junta de Freguesia de Rande, ao tempo da presidência de Vitor Pedro Ribeiro, uma placa alusiva na casa onde nasceu, na Fonte (que à época de seu nascimento pertencia ao lugar da Bouça, nome depois desaparecido com as transformações ambientais verificadas na sucessão dos tempos), em Rande. 

= Igreja de Rande, onde foi batizado e Casa da Fonte onde nasceu. Mais instantâneo do descerramento da lápide assinalável, que ficou na mesma casa de seu nascimento. = 

Aconteceu que a nível concelhio, apesar do que fora entretanto realizado em sua homenagem (sobretudo com exposição bio-bibliográfica na sede concelhia e finalmente a atribuição de seu nome a uma rua de Felgueiras), constatava-se porém na convivência normal que ainda não havia correspondente conhecimento geral, relativamente ao nome desse Ilustre Felgueirense, notando-se continuar a não ser muito acentuado no domínio público o devido preito pela sua vida e obra, da qual não houvera de permeio assimilação exata, para não dizer que sobre ele ainda pairava um quase total desconhecimento.     

= Panorâmica ambiental e humana da inauguração da Exposição na Biblioteca Municipal de Felgueiras – Julho de 2004. =

 

= Descerramento da placa da Rua Padre Luís S. Rodrigues, na sede concelhia de Felgueiras, pelo então Presidente da Câmara de Felgueiras em exercício, Dr. António Pereira, e pela Vereadora da Cultura, ao tempo, Dr.ª Margarida Sousa. = 

Então, para que pudesse e possa haver, se possível, melhor reconhecimento, ou seja para evocar mais amplamente a figura de tão insigne conterrâneo, de modo a que daí resultasse plena visão de sua dimensão e frutifiquem suas virtudes, houve, por fim, uma Conferência na Casa do Povo da Longra, dedicada à memória do Padre Luís Rodrigues, ato público que teve lugar a 27 de Novembro, de 2004, nas instalações da Associação Casa do Povo local, quando era Presidente da Direção da mesma instituição associativa o autor deste texto, também. 

Tal acontecimento teve por fundo uma dissertação, proferida solenemente pelo Cónego Dr. Ângelo Alves, da Cúria Diocesana do Porto, expressamente convidado para o efeito, como Orador dessa sessão pública organizada pela Direção da Associação respetiva, que mereceu lugar reservado na sala de espetáculos da mesma instituição Longrina e contou com aliciante programa. 

= Descerramento da lápide alusiva (pelo palestrante Cón. Dr. Ângelo Alves, na companhia do Presidente em Exercício da Câmara Municipal de Felgueiras, Dr. António Pereira, e pelo Presidente da Associação organizadora, Armando Pinto), lápide que ficou a assinalar a primeira conferência realizada na Casa do Povo da Longra, dedicada a um personagem ilustre natural da região, na mais representativa Associação local – Novembro de 2004. =

= Mesa da Conferência sobre o Padre Luís Rodrigues, na Casa do Povo da Longra: O conferencista, Dr. Ângelo Alves, no uso da palavra, ladeado de um lado pelo então presidente da instituição e responsável da organização, Armando Pinto, e pelo pároco de Rande, Padre Manuel Ferreira, mais do outro lado pelo Presidente da Câmara em exercício, Dr. António Pereira, e pelo presidente da Junta de Rande, Vitor Pedro Ribeiro. =

No intuito também de vincar quanto representa o percurso do visado personagem, o autor destas linhas publicou um livro evocativo da biografia e currículo do célebre Reitor da Lapa do Porto, intitulado “Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa”, com o qual se procurou visar o mesmo fim, aliando simultaneamente essa tentativa documental, com apresentação coincidente na ocasião.

Dessa realização, terá cabimento registar a marca de autenticidade dada na formação de mesa d’ honra, com autoridades civis e religiosas, atingindo auge por meio da palestra de fundo, cuja presença do referido ilustre orador ficou perpetuada com descerramento de uma lápide alusiva.

De uma espontânea opinião ali emitida, na leitura das comunicações recebidas, se pode sintetizar o evento: “...no meio do ambiente natural, a Associação Casa do Povo dá valor às pessoas de valor, fazendo lembrar uma expressão de um antigo Presidente da Academia de Ciências, quando disse «mediocridade atrai e promove mediocridade; o valor atrai e promove o valor».”

Em suma, acrescentamos, tal qual nem só de pão vive o homem, rematou-se com a referida realização uma possibilidade de fortalecimento espiritual, no sentido moral e cultural. Que, como dizia o Padre Luís Rodrigues, «na Compreensão está o vislumbre do Espírito».

*

Na sequência à razão de procurar honrar a memória do Padre Luís Rodrigues, procurou-se sempre dar continuidade aos estudos sobre tudo o que lhe diz respeito, numa simbiose atenta entre o autor destas linhas e outros interessados entusiastas, o amigo sr. José António Araújo, do Porto, mais o Dr. José Melo, Felgueirense residente também no Porto, de mãos dadas na pesquisa e inerente divulgação, visando complementações possíveis de dignificar a comemoração de seu centenário, em 2006.

Para superar certas formas limitadas de apreciação, nunca é de mais contemplar quem honra a terra, mesmo que num universo já a fazer parte do passado, e não só olhar ao que nos rodeia de momento. Pois que, neste caso, o Padre L. Rodrigues foi Alguém muito apreciado, também pela sua especialização musical, até ou sobretudo no estrangeiro. Como pela vertente humana, subjacente no seu Apostolado.

 = O Padre Luís da Lapa com o seu amigo e célebre Bispo do Porto D. António Ferreira Gomes

Além do que se aludiu e ficou escrito anteriormente, noutras publicações, acresce, de entre diversas descobertas interessantes, que se passou a conhecer mais algumas curiosidades relativas ao percurso e ao valor do Padre Luís Rodrigues:

Assim, apercebemo-nos que também o muito conhecido compositor Fernando Lopes Graça, por sinal nascido no próprio ano do P.e Luís, igualmente esteve em Paris, tal como L. Rodrigues, a estudar com Charles Koechlin.

De particular apreço, descortinou-se também verificação de dado sintomático, quanto à sua importância: o facto de em 1977 uma publicação estrangeira haver integrado o Padre Luís de Sousa Rodrigues entre os grandes vultos da música. Com efeito, foram então incluídas algumas das suas composições na antologia inglesa, sobre grandes compositores mundiais, denominada “International Who’s who in Music”, de Cambridge-England, a qual, na correspondente oitava edição publicada em 1977, menciona as principais obras do mesmo compositor português e felgueirense.

Como, intercalando apêndices sempre possíveis sobre ele, se ter passado a saber que, entre os coros que ficaram ligados ao currículo do P.e Luís Rodrigues (p. ex. os da Sé do Porto, de S. Tarcísio e Gregoriano do Porto), esteve também o das Pequenas Cantoras do Postigo do Sol, coral que durante anos abrilhantou uma das missas da igreja da Lapa, sob regência do maestro e professor Vergílio Pereira (natural de Paredes, onde nascera em 1900, tendo vivido no Porto até falecer em 1965, sendo ligado à Lapa pela amizade com o Padre Luís).

*

O centenário do nascimento do P.e Luís Rodrigues, em 2006, foi comemorado de algumas formas.

Terá, entretanto, de se fazer notar que, quantas vezes, por desconhecimento ou desinteresse, podem acontecer simples menosprezos ou mesmo barbaridades, quando não se sabe valorizar algo até respeitável, à falta de informações para a devida instrução de dados apreciativos. Nem todos saberão, por exemplo, mas se não tivesse havido em Portugal um Homem como D. Fernando II, o rei-consorte e regente, com apreciável apego à pátria afetiva, tinha acontecido que a célebre custódia de Belém teria sido derretida para cunhar moeda; tal como, pasme-se, se ele não tivesse tido conhecimento a tempo e não houvesse impedido, o Mosteiro da Batalha ia ser destruído, pois havia sido vendido em hasta pública para servir de pedreira... (conf. Rainer Daehnhardt, in “Páginas Secretas da História de Portugal”). Ora, só se conhecendo o significado das coisas, o passado dos monumentos, bem como de pessoas de valor, enfim a associação correspondente de pessoas e objetos a uma pátria terra, se poderá valorizar a identidade coletiva. É o que se passou, por exemplo, com a referida efeméride, digna de valorização, no contexto do sentimento matriz do concelho de Felgueiras, como era a passagem do centenário do musicólogo Padre Luís Rodrigues, um insigne Filho de Felgueiras que foi reconhecido honorificamente pelo Governo Português com a Comenda da Ordem de Santiago da Espada. Tendo cabimento o “à parte” do cotejo anterior, pese as diferenças na comparação das referidas ocorrências remotas, por o aludido segundo marido de D. Maria II (conf. “Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa”) haver ficado na memória da igreja da Lapa, do Porto, onde mais tarde o “nosso” P.e Luís foi célebre reitor.

Felizmente, depois de diversos “picanços” de alertas, houve comemoração alusiva no Porto.

Então, no dia 6 de Julho de 2006, data em que se completaram 100 anos desde o nascimento do Padre Luís de Sousa Rodrigues, houve programa comemorativo a assinalar o respetivo centenário.

Na manhã do próprio dia o Coro de S. Tarcísio recordou o seu fundador, na igreja da Trindade, com um Te Deum, em cuja celebração teve acompanhamento do Coro Gregoriano do Porto.

Depois, ao fim da tarde dessa quinta-feira, teve lugar na Lapa desenvolvido ato evocativo. Recorde-se que foi às 20 horas, pelas «oito horas da tarde», que nasceu em Rande-Felgueiras Luís S. Rodrigues, corria o sexto dia de Julho de 1906, conforme registo de seu nascimento e foi narrado no livro “...Uma Vida de Prece Melodiosa”. Com respeito, realizou-se assim uma sessão solene alusiva na igreja da Lapa, onde esse famoso musicólogo foi reitor. Aí, com uma decoração centrada em quadro do Padre Luís, decorreu o ato com elevação, contando com a presença do Bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, que presidiu a mesa de honra composta por algumas figuras ligadas ao percurso do homenageado, na presença de individualidades e público fiel (onde o autor destas linhas esteve, só não sendo o único representante Felgueirense, ali, por ter estado acompanhado por sua filha e genro... e lá ter estado também o Dr. José de Melo, Felgueirense residente no Porto, mais o referido D. Armindo...).

= Visualização duma casa onde viveu quando jovem, no lugar de Valdomar, em Rande-Felgueiras (imagem já de tempos próximos à sua demolição, desaparecida que foi com o rasgamento da auto-estrada que passa na encosta de Rande) e sua sepultura, no cemitério da Lapa no Porto, em ocasião de homenagem acontecida no tempo de seu sucessor, Cónego Ângelo Alves, como reitor da Lapa.

Então, de forma a celebrar a efeméride, para evocar tão carismático compositor e professor da área musical litúrgica e clássica, bem como sacerdote humanista, condecorado com honorífica comenda nacional, o programa começou mediante apresentação do Provedor da Venerável Ordem de Nª Sª da Lapa, António França do Amaral, proferindo alocução de abertura a invocar o sentido da homenagem. Depois teve lugar uma Conferência, pelo Monsenhor Dr. Ângelo Alves, sucessor do P.e Luís na Lapa, desenvolvendo tema sobre “P.e Luís Rodrigues: Uma perspetiva da sua Acão pastoral e pedagógica”. Seguiu-se uma dissertação do Cónego Dr. António Ferreira dos Santos, atual reitor da Lapa e músico discípulo do Padre Luís, em torno d’ “A herança do P.e Luís Rodrigues voltada para o futuro”. Encerrou essa parte uma efusiva intervenção do Bispo do Porto e também Felgueirense, D. Armindo, a recordar passagens da sua vivência com o P.e Luís, de que foi aluno, fazendo apologia da sua dimensão, nas variadas facetas que o tornaram notável. De permeio, nos intervalos das intervenções dos palestrantes houve execução, ao órgão, de várias obras musicais escritas pelo P.e L. Rodrigues, através do Mestre Capela da igreja da Lapa, Filipe Veríssimo. Seguiu-se, em tempo de intervalo, uma romagem ao cemitério da Lapa, ao mausoléu do Padre Luís, até que, por fim, de novo no interior do histórico templo que alberga o coração de D. Pedro, se celebrou um solene Te Deum, por meio de composição do homenageado P.e Luís Rodrigues.

Na ocasião teve lançamento uma 2ª edição do livro “Do Evangelho para a Vida”, de reflexões sobre homilias do P.e Luís Rodrigues, contendo desta feita um CD anexo com gravação da voz do mesmo P.e Luís.

Numa possível continuação do ciclo comemorativo, ficou idealizado que ainda fosse editada, quando possível, uma nova publicação com apontamentos biográficos e de virtudes características do Padre Luís de Sousa Rodrigues, ficando também ainda agendadas outras ações públicas na Invicta, inclusive com uma atribuição pela Câmara Municipal do Porto, dentro do mesmo âmbito. Tendo depois sido finalmente dado o nome do Padre Luís Rodrigues a uma rua, próxima à igreja da Lapa.

= Página do livro "Jorge Nuno Pinto da Costa O Portador de Alegrias", em que o "Padre Luís da Lapa" é referido elogiosamente pelo cidadão portunese Jorge Nuno Lima Pinto da Costa. 

Em Felgueiras, entretanto, com algumas mudanças sociais acontecidas no concelho, incluindo alteração das composições do Executivo Municipal e também na Direção da Casa do Povo da Longra, apenas houve tal lembrança oficial através de um Concerto da Banda de Felgueiras, em honra do mesmo Padre L. Rodrigues. Tendo, na verdade, a Associação da Banda de Música de Felgueiras realizado, no dia 30 de Setembro seguinte, um concerto musical em homenagem a esse importante Felgueirense, sessão que teve lugar no Teatro Fonseca Moreira, na cidade de Felgueiras. Numa execução pública destinada a assinalar o centenário natalício daquele vulto da musicologia, no âmbito comemorativo do dia mundial da música. Ficando, nessa apoteótica cadência, mais vincado merecer o Padre Luís Rodrigues ser oficialmente considerado um dos Filhos Prediletos de Felgueiras.

= Prospeto entregue aos assistentes do Concerto da Banda de Música de Felgueiras com que, em 2006, a filarmónica de Felgueiras assinalou publicamente o centenário do grande nome Felgueirense da música, Padre Luís Rodrigues. Homenagem essa efetuada através de concerto público, realizado em 30 de Setembro na casa do Teatro Fonseca Moreira – no âmbito comemorativo do dia mundial da música, que se celebrava no dia imediato à execução que teve lugar na noite daquele sábado, em que foi evocado o Padre Luís de Sousa Rodrigues, musicólogo, compositor de música sacra e erudita, além de mestre de canto gregoriano.=

Mais tarde, a Câmara de Felgueiras ao tempo unicamente dedicou uma página, quase ao expirar o ano do centenário, sobre a figura do P.e Luís Rodrigues, no jornal municipal “Felgueiras-município com futuro”, em seu nº 2, de Dezembro de 2006.

No ano seguinte, depois de no Porto ter havido uma comemoração do cinquentenário do Coro de São Tarcísio, a 25 de Maio de 2007 (de que demos anteriormente notícia no Semanário de Felgueiras de 04 do mesmo mês), esse mesmo espetáculo foi trazido à Casa do Povo da Longra, sendo incluído nos festejos do 4.º aniversário da Vila da Longra, numa organização da Casa do Povo e das Juntas de Rande, Sernande e Pedreira, em tributo a esse grupo coral de que o Padre Rodrigues foi fundador, numa ocorrência que teve lugar quando passavam já 101 anos do nascimento do mesmo Padre Luís.

*

Passado isso, há reforços bastantes sobre o quanto é valorizado “lá fora” o trabalho do P.e L. Rodrigues. Curiosamente, há o seguinte exemplo paradigmático: um grande catedrático dado pelo nome de Paulo Castagna, investigador de música e professor do Instituto das Artes da UNESP-Universidade Estadual Paulista, de S. Paulo-Brasil, incluiu diversas passagens do livro “Música Sacra: História e Legislação”, do P.e Luís Rodrigues, na sua tese. Documento esse que, pela sua fundamentação e amplitude, foi muito divulgado, a ponto de ser traduzido para espanhol (“PRESCRIPCIONES TRIDENTINAS PARA LA UTILILIZACION DEL ESTILO ANTIGO Y DEL ESTILO MODERNO EN LA MUSICA RELIGIOSA CATOLICA – 1570/1903”), passando o mesmo a constar num “site” chileno da Internet, com divulgação em Buenos Aires e São Paulo, no qual o P.e L. Rodrigues aparece como autoridade na musicologia e aquele seu tratado, escrito em 1943, ainda como uma referência bibliográfica insistente.

= Da biblioteca particular do autor: - Literatura relacionada com a vida e obra do Padre Luís Rodrigues: desde um livrinho do Colégio da Longra (Rande-Felgueiras) onde ele estudou antes de ir para o Seminário do Porto, até outros de afinidade, quer exemplares de obras suas, como brochuras oficiais de homenagens, mais livros biográficos  e outros em que é referido.

*

A repercussão do carisma do Padre Luís Rodrigues, apesar de certo esquecimento que por vezes se abate sobre a memória, tem mantido avivada uma relativa aura, surgindo de tempos a tempos alguma ressonância da sua caixa de música perene, sensivelmente ao que provoca o legado que deixou. Sinal disso é o facto de a partir de 2010 ter sido reabilitado na seleta de cantos da liturgia da Diocese do Porto um cântico famoso, que estivera olvidado muito tempo e, sendo então recordado, passou a deter renovada importância. Com efeito, aquando das ordenações sacerdotais de 2010 na Sé do Porto, por iniciativa dos alunos do Seminário Maior do Porto, foi entoado um dos mais célebres cânticos em latim outrora muito usados, o “Tu es sacerdos in aeternum”, de L. Rodrigues, no sentido apropriado à celebração. Passando, novamente desde então, esse cântico do Padre Luís Rodrigues a integrar o programa de celebrações solenes da catedral portuense e derivadas cerimónias da Igreja Portucalense, como tem sido extensivamente, além das ordenações, também na festa da cidade do Porto, à solenidade do nascimento de São João Baptista, na igreja de S. João Novo, entre outros casos.

Então não é bom ter havido Gente assim? E haver perdurado seu rasto memorial?!

Armando Pinto

Nota: Fotos de arquivo pessoal do autor.

quarta-feira, 5 de abril de 2023

Exercício de memória: uma das casas onde viveu em Rande o Padre Luís de Sousa Rodrigues quando seminarista

 

alturas do ano em que vêm à memória antigas memórias, como nesta da quadra atual, tantas as recordações das andanças pela freguesia no Compasso Pascal e todo o ambiente terno da visita pascal presidida pelo pároco, além das ocasiões em que foram seminaristas a substituir o respetivo pároco. Vindo então a talhe lembrar que sempre que havia seminaristas da própria freguesia isso também acontecia. Lembrando que ainda foram alguns assim, dos que depois chegaram a ser ordenados padres, além de seminaristas que não chegaram a subir ao altar para rezar missa. Sabendo-se que da paróquia de S. Tiago de Rande foram naturais em bom número alguns antigos sacerdotes do último século, e só para referir esse período, como os Padres João de Barbosa Mendonça, João Dias de Azevedo, José Monteiro de Barros, Luís de Sousa Rodrigues, Joaquim Luís de Sousa Sampaio e Marílio da Costa Faria.  Ora, neste quadro afetivo, vem a propósito fazer uma outra memória: Sabendo que os padres referidos nasceram e viveram em Rande, haverá casos em que as casas em que residiram enquanto seminaristas já nem existam. Tal o caso desta vez a lembrar. Como aconteceu com o exemplo que agora se traz à lembrança, de uma habitação antiga e entretanto desaparecida, das que foram destruídas aquando da passagem da auto-estrada pela parte média-alta da encosta da freguesia de Rande, no concelho de Felgueiras. Casa essa que então estava já desabitada, mas em tempos idos foi habitada por sucessivas famílias, uma das quais, em determinado período, a família do então seminarista Luís Rodrigues. Não sendo a casa em que ele nasceu, na Fonte, que essa ainda existe bem, mas uma das que depois foi onde a sua família também viveu, no caso em Valdomar de cima, lugar que também desapareceu com a auto-estrada abrangente às casas que ali havia.

Ora, a imagem remete a tal antiga existência, a propósito. Casa essa fotografada em devido tempo, já nos seus últimos tempos em que esteve de pé, incluída por fim no livro “Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa”, publicado em 2004 (a fazer memória daquele célebre reitor da igreja da Lapa, do Porto, que foi musicólogo de renome, mestre de música gregoriana e compositor de cânticos litúrgicos). Que aqui se recorda. em mais um exercício de memória.

Armando Pinto

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sexta-feira, 24 de abril de 2020

Padre Luís Rodrigues - 41 anos de recordação


No 41º. Aniversário da partida do Padre Luís de Sousa Rodrigues para o PAI. (24 de abril de 1979 / 2020): 
- Recordando o saudoso reitor da Lapa do Porto, Padre Luís Rodrigues, natural de Rande – Felgueiras.

Padre Luís Rodrigues

(Do Site: Terras de Portugal   http://www.terrasdeportugal.pt)

« Natural do concelho de Felgueiras, Luís de Sousa Rodrigues nasceu a 6 de Julho de 1906, na Casa da Fonte, da freguesia de Rande. Na igreja paroquial de São Tiago foi baptizado no dia seguinte, conforme consta no livro “Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa”, editado em 2004 por Armando Pinto.


Após conclusão do curso eclesiástico no seminário diocesano do Porto, teve Luís de Sousa Rodrigues ordenação sacerdotal em 1930, ano em que de imediato passou a desempenhar funções de Prefeito no seminário da diocese e aí depois foi professor de música. De 1940 até à sua morte exerceu o cargo de Reitor da igreja da Lapa, no Porto, onde desenvolveu acção notável, sendo conhecido por toda a cidade, nomeadamente pelo seu trabalho pastoral, desenvolvimento musical na liturgia e pelas suas homilias de impacto e flagrante actualidade (1).

Musicólogo de renome internacional, foi autor com vasta bibliografia, de obras literárias e publicações de composições musicais. As suas obras figuram inclusive em importante enciclopédia musical inglesa, de Cambridge, a antologia International Who’s Who in Music.

Como musicólogo, Luís Rodrigues escreveu as obras literárias “Música Sacra-História e Legislação”, publicada em 1943, as biografias de Debussy e Mussorgsky em 1945, e o “Tratado do Canto Gregoriano e Polifonia Sagrada”, em 1946. Entretanto, colaborou em artigos escritos no Boletim da Diocese do Porto e nas revistas especializadas Gazeta Musical, Arte Musical e Lumen, em Portugal. No estrangeiro participou nas Revue du Chant Grégorian (S. Waudrille), Caecilien Veriens Organ, e Zeinschrift fur Kirchenmusik (Colónia).


Publicou também temas de que foi compositor tendo, através de editoras portuguesas e estrangeiras, obras datadas tais como:

Rosa Mística, 1934
Cânticos para a bênção do SS, 1935
Miscelânea Musical Religiosa, 1937
Avé Maria; Missa Credo in Unum Deum; Meu Portugal; Missa Laudate, Pueri Dominum; estas em 1939
Cantantibus Organis, 1941
Sorrisos a Jesus Menino, 1942
Missa Regina Caeli, 1943
Eucarísticas, 1944
Manuale Officii et Missae pro Defunctis, 1944
Rosas Brancas, 1945
Florinhas a Nossa Senhora, 1946
Hino a São João de Brito, 1947
Subiu ao Céu, 1949
Coral Arcaico, 1953
Última Ceia-Meditações sobre temas gregorianos, 1954
Te Deum Laudamus, 1955
Missa Litúrgica, 1956
Hossana, 1958
Missa Christus Manet, 1959

Sem data de publicação, teve editadas outras obras tais como:

Oração pela Paz
Missa dos Anjos
Hino ao Papa
Coração Divino
Veni Sancte Spiritus
Te Igitur
Duo Cantica
Prelúdio Sinfónico
Rosas Brancas
Súplica à Senhora da Paz

É de acrescentar, ainda, que em 1954 publicou também Tantum Ergo, para três vozes, incluído no opúsculo “50.º Aniversário do Motu Proprio Tra le Sollecitudini do Papa S. Pio X”, editado em Braga, juntamente com composições de dois compositores famosos da escola bracarense.

Durante o seu percurso musical, além de outras facetas, fundou e dirigiu o famoso Coro de São Tarcísio, do Porto. Relacionou-se com figuras marcantes, tal o caso de Guilhermina Suggia, de quem foi confessor até ao último suspiro da notável violoncelista. Colaborou com o cineasta Manuel de Oliveira, em particular no filme “O Pintor e a Cidade”, cuja banda sonora é de sua autoria sendo o filme agraciado, em 1957, com o Prémio Harpa de Prata em Cork, na Irlanda.


Falecido a 24 de Abril de 1979, no Porto, foi agraciado a título póstumo, pela Presidência da República, com a comenda da Ordem de Santiago da Espada.

Está perpetuado no Porto, no adro da Lapa, com um busto da autoria da escultora Irene Vilar. Passados anos de seu desaparecimento, a obra musical de Luís Rodrigues continua viva, sobretudo no panorama internacional. Entre possíveis exemplos refira-se que serviu ainda de tema de doutoramento assinalável, como aconteceu com a dissertação de sapiência dum grande catedrático dado pelo nome de Paulo Castagna, investigador de música e professor do Instituto das Artes da UNESP-Universidade Estadual Paulista, de S. Paulo-Brasil. Incluiu diversas passagens do livro “Música Sacra: História e Legislação” do Padre Luís Rodrigues na sua tese, documento esse que, pela sua fundamentação e amplitude, foi muito divulgado, a ponto de ser traduzido para espanhol (2), sendo o nome de Luís Rodrigues amplamente citado.


Fontes bibliográficas
(Livro) “Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa”, pub. 2004, de Armando Pinto

Notas de Rodapé
(1). conf. livro “Do Evangelho para a Vida”, por António Manuel Casimiro e José António Pereira, ed. 2004, com segunda edição em 2006 acompanhada de um CD com gravação da voz do mesmo antigo Reitor Padre Luís da Lapa
(2). “Prescripciones Tridentinas Para La Utililizacion Del Estilo Antigo Y Del Estilo Moderno En La Musica Religiosa Catolica – 1570/1903” »
*****
O Padre Luís Rodrigues está honrosamente homenageado na toponímia de locais referenciais, havendo ruas com seu nome na cidade do Porto, na cidade de Felgueiras e na freguesia de Rande.

(As fotos aqui colocadas são de arquivo pessoal do autor deste blogue)
A. P.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Já se vêm animações de Natal... caseiro!


Como no cântico do Padre Luís Rodrigues, célebre felgueirense mestre de música sacra, “já se ouvem cantos no céu “… na veneração do encanto natalício. Estando “feito” já o presépio familiar.


Agora é esperar pela reunião da família em mais um Natal. E que seja um Bom Natal, para todos nós!

Armando Pinto

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Presépio Caseiro...


Já se ouvem cantos no céu,
São os Anjos a rezar;
Rezemos também com eles
De mãos postas a cantar.

Assim expressa um cântico litúrgico, por sinal da autoria do felgueirense Padre Luís Rodrigues, natural de Rande e que se elevou no sacerdócio desde o altar da igreja da Lapa, no Porto, onde foi reitor e empreendedor de grande  apostolado pela palavra e pela música.


Continua a mensagem, nesse canto de apoteose cerimonial natalícia, de final da missa da noite e do raiar da manhã de Natal, a dizer mais... na composição do “Padre Luís da Lapa”. Condizendo no simbolismo do templo que tornou local de música litúrgica, sabendo-se que Lapa é sítio de natividade, por execelência…

Vamos ao presépio,
Vamos a Belém:
Louvar o Menino
Que salvar-nos vem.
(…)

Como que ecoando aos ouvidos esse rumo harmonioso, na antevisão da estrela de Natal, já paira nos pensamentos o encanto natalício, através de símbolos e tradições que nos lembram o fascínio pela quadra da chamada festa da família. Havendo normalmente nas casas tradicionais alguma “coisa” própria da época, como por exemplo o presépio tradicional e a acompanhante árvore decorativa.


Assim já está o presépio habitual do autor destas linhas, feito na natural edificação caseira. Como ao longo dos anos sempre foi, antes para os filhos e agora para os netos, especialmente, para o Natal de família. 

…Vamos ao presépio,
vamos a Belém:
louvar o Menino
que salvar-nos vem.


Armando Pinto

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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Música do felgueirense Padre Luís Rodrigues na inauguração duma monumental igreja do Porto…


Muito já escrevemos sobre o “nosso” Padre Luís de Sousa Rodrigues, o famoso musicólogo e compositor nascido em Rande, concelho de Felgueiras. Sobre o qual o autor deste blogue já escreveu sua biografia, primeiro no capítulo das Personalidades do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997; e depois no livro “Padre Luís Rodrigues: Uma Vida de Prece Melodiosa”, publicado em 2004. Mas nunca é demasiado acrescentar algo mais.

Assim, nesta oportunidade, recordamos uma curiosidade relacionada. Como foi o facto do “Padre Luís da Lapa” (como era conhecido no Porto como reitor da igreja da Lapa) ter ficado ligado à inauguração duma igreja da cidade do Porto, benzida ainda na década de quarenta. Tal o caso ocorrido com a bênção da igreja da Imaculada Conceição, considerada monumento moderno, cuja sagração aconteceu em 1947, num cerimonial presidido pelo Cardeal Patriarca Cerejeira, ao som da música do Padre Luís Rodrigues – como registou o jornal Notícias de Felgueiras em sua edição de 13 / 12 / 1947; e, a propósito, evocamos aqui e agora, reproduzindo recorte dessa notícia esclarecedora.


Armando Pinto


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sábado, 6 de julho de 2013

Evocação Natalícia do Padre Luís Rodrigues


Há muitos anos já que nutríamos admiração, por via conterrânea, pelo Padre Luís de Sousa Rodrigues, desde que soubemos que era um compositor musical natural da minha freguesia de Rande... de ouvirmos falar dele ao pároco que nos batizou e acompanhou pela infância adiante e ainda na juventude, o inesquecível Padre João de Rande; assim como meu pai contava que o conheceu, ao Padre Luís Rodrigues, e se lembrava ainda da sua missa nova e do banquete que seus pais deram, metendo muita gente da paróquia; bem como, especialmente, por ter ouvido a minha saudosa avozinha, Júlia de Jesus Pinto, que ele nascera precisamente na casa onde ela também vivera antes, na Fonte…


Entretanto chegamos a vê-lo, de quando uma vez por outra vinha à igreja de Rande, nomeadamente para celebrar casamentos e outros sacramentos a pessoas de família e amigos de relações mais pessoais, sem no entanto havermos tido oportunidade de contactos pessoais.


...Um dia, também assistimos a um género de concerto que ele levou aos Capuchinhos de Gondomar, por volta de 1967 ou 68, se a memória não nos atraiçoa, e reparamos que ele olhava e sorria muito para o então pequeno ouvinte que fixou bem isso, aqui o autor destas linhas (julgo que alguém o informou da nossa proveniência natal). 

Mais tarde fomos aprofundando estudo sobre sua vida e obra, passando a conhecer o seu currículo e sobretudo a dimensão do seu percurso vivido. Mas não sabíamos antes duma coincidência, quanto à data de seu nascimento, ou seja, de ele fazer anos curiosamente no mesmo dia do aniversário do autor. Naturalmente ele nasceu muitos anos antes, em 1906, vindo em 1954 a dar-se depois a referida coincidência quanto ao dia da chegada ao mundo. Contudo, logo que descobrimos esse acaso, ficamos muito honrados com tal efeméride simultânea.


Ora, passa hoje mais um aniversário do nascimento do Padre Luís de Sousa Rodrigues, entretanto já falecido em 1979, mas a sua memória perdura. A pontos de o lembrarmos neste dia. Sabendo que ele que luziu cá em baixo, há-de lá em cima, no céu, luzir sempre e continuar a velar pelos que estimam os valores que legou à eternidade.



Armando Pinto
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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Uma Foto com História Canónica – Crónica no Semanário de Felgueiras


Escrevemos esta semana para o jornal Semanário de Felgueiras mais um artigo, na colaboração regular a esse periódico da imprensa regional da nossa área de Tâmega e Sousa. Um artigo do qual, pela inerente relação direta com temas locais, aqui colocamos à consideração de eventuais interessados:

(Clicar sobre a coluna digitalizada, para ampliar)

= Dessa coluna, publicada na edição de papel do SF, colocamos também aqui, de seguida, o texto original datilografado, para maior facilidade de leitura:

Uma fotografia com história 

Como numa digressão por temas que falem à sensibilidade de interesse concelhio, no que diz respeito a assuntos da memória coletiva felgueirense, surge sempre qualquer motivo mais ainda não aflorado em memorações recentes. Numa toada com vez para redescobrir histórias, daquelas que até passam despercebidas, por vezes. 

É assim que damos sequência narrativa por curiosidades históricas relacionadas com tais assuntos, através de uma fotografia cuja luz refletida, na gravura, permite ainda vislumbre da captação registada. 

Com efeito uma foto, que sobreviveu e nos chegou às mãos, percorrendo passagens de vidas que sabemos terem existido, permite-nos dar olhos a aspetos de sensação memoranda, na proporção do peso e medida de interesse público. Quão se nos depara na imagem junta, intercalada no texto, a dar conta dum conjunto de condiscípulos de capa e batina, qual pose dum naipe de jovens estudantes do seminário diocesano portucalense em tempos que há muito já lá vão.


Ora, diante da foto em apreço, retratando esse grupo de seminaristas maioristas da década dos anos vinte, do século XX, deparam-se algumas caras que foram depois figuras distintas do clero da diocese do Porto. Pois que a imagem, já com evidentes efeitos do tempo, contém pose fixando alguns nomes importantes a nível nacional e, especialmente, também felgueirense. Tais os casos dos Padres João Ferreira da Silva e Luís de Sousa Rodrigues, ambos naturais do concelho de Felgueiras e inclusive colegas nos primeiros estudos enquanto alunos no antigo Colégio da Longra. Dois importantes sacerdotes felgueirenses, tendo o primeiro, P.e João, natural do Unhão, exercido maior quinhão de seu múnus sacerdotal como pároco de Rande e Sernande, até falecer em Rande corria o último fôlego do ano de 1973; enquanto o P.e Luís, nascido em Rande-Felgueiras, teve destacada ação pastoral na cidade do Porto, como reitor da igreja da Lapa, onde faleceu em 1979, depois de se ter revelado exímio compositor e profícuo estudioso musical, tornado à posteridade como mestre de música sacra. Mas não só, também, porque entre aqueles jovens seminaristas e futuros padres, ao tempo, estão visíveis outras fisionomias de marcantes personalidades, como por exemplo, para não alongar muito a lista, focamos apenas o caso de Francisco Moreira das Neves, natural do vizinho concelho de Paredes: o conhecido Padre Moreira das Neves que mais tarde foi rosto de programas da RTP, voz na Rádio Renascença e diretor do jornal católico Novidades, além de homem de letras com obra literária publicada, tal qual foi conhecido autor de letras de muitos cânticos sempre entoados. Nome ligado à campanha dos cruzeiros da independência e imortalizado como Poeta da Eucaristia. 

Todos eles, em suma, irmanados em equipa então ainda em formação, duma fornada que deu pão bastante para as mesas dos altares. Sabendo que os referidos estudantes seráficos foram também contemporâneos de futuros bispos, como chegaram a ser D. Sebastião Resende, Bispo da Beira, e D. António Ferreira Gomes, mítico Bispo do Porto, os quais com aqueles seus colegas compartilharam espaços formativos em cursos (anos) pouco mais adiantados. Até que, na posterior colheita dos frutos, resultante foi em 1929 a ordenação do P.e João Ferreira da Silva (o 5º da fila do meio, a contar desde a esquerda, na foto anexa) e do seu companheiro Moreira das Neves (3º em primeiro plano, contando da esquerda também), como em 1930 do P.e Luís Rodrigues (último à direita, na primeira fila). 

Propicia assim a imagem que, através dela, se evoquem pessoas que da lei da morte se libertaram pelos tempos fora, na eternidade também derivada de haverem passado pelo mundo deixando rasto de luz cintilante, por via de seu percurso de vida e obra. Grandes homens que conquistaram direito à admiração e eterna recordação. 

© ARMANDO PINTO