Era ideia, aqui do autor deste blogue, de honemagear pessoalmente, por via da escrita normal deste espaço, com as melhor das intenções, um senhor amigo que foi natural e residente da Longra em sua vida. Na linha de homenagens já feitas anteriormente a outros antigos personagens da Longra e arredores. Mas, após pedido parecer a elementos da família, não tendo sido o caso entendido, como tal, aqui segue em modo de indicação sem nome do visado, porque ele merece ser homenageado, mesmo que nesta impossibilidade de nomeação pública.
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Ecoam nos recantos da memória pessoal de infância os cânticos ouvidos na igreja de Rande, em tardes domingueiras de reza do terço, por entre a distração de outras atenções, com as melodias saídas do dueto de vozes do Padre João com a de uma senhora habitual no acompanhamento dos cantares da igreja local, a sobreporem-se a algumas não muito interessantes chegadas aos ouvidos. Sendo que o Padre João tinha muito boa voz, e a simpática senhora dava gosto ouvir. Isso por inícios e mais além ainda dos anos 60, pelos idos tempos da idade da catequese e primeiras classes da escola do autor destas lembranças. Enquanto ao lado de minha mãe eu estava dentro da igreja a ver e ouvir o que me despertava. Lembrando-me ainda da sonoridade do cântico “Virgem Pura, tua ternura”, com forte carga no coro “Noite e dia de Maria, a beleza hei-de cantar”… Assim como pelo Mês de Maria e até nas procissões me ficou nos ouvidos um outro cântico tradicional religioso, "Coração Virginal de Maria" (Coração virginal de Maria/sede luz e guia do pobre mortal…), que era entoado pelo coro dos homens da Liga Eucarística de Rande. Era eu ainda criança e lembro-me, também, que entre o grupo dos primeiros membros da Liga de Rande (como popularmente se encurtava chamar à Liga Eucarística dos Homens de Rande) havia um senhor de voz grave, que me chamava a atenção pela sua simpatia e respeito que metia entre os rapazes da mesma associação, irmão da referida senhora que cantava muito bem, já casado e com filhos nesse tempo, mas que andava na Liga como outros mais velhos, entre jovens desse tempo.
Ora esse mesmo senhor era muito amigo de minha família e particularmente do meu irmão mais velho, com quem fez parte da comissão da angariação de fundos para a compra da bandeira da Liga, tendo andado no peditório pela freguesia, de porta a porta, a angariar dinheiro necessário para depois ter sido possível comprar a bandeira representativa da Liga de Rande, como foi conseguido. E entretanto eu via e ouvia ainda nos ensaios que o grupo fazia em casa de uns e outros, em certos dias de semana a ensaiar para cantarem na missa de Rande do domingo seguinte, como aconteceu por vezes em minha casa (de minha família, de meus pais e minha, claro), assim como acompanhei por vezes noutras. Era eu ainda criança, muito antes de também ter podido pertencer à mesma Liga. Então fui-me habituando e familiarizando com a simpatia desse senhor, sempre risonho e pronto a dizer qualquer graça, das suas graças engraçadas.
Com o tempo decorrido, passei anos depois a estar lado a lado com ele nas andanças da Liga de Rande, sobretudo nas procissões a ladear a bandeira daquela corporação religiosa paroquial, e sempre que possível gostava de o ouvir. Vivia em sua casa, ao lado de uma fábrica. Lembrando-me ainda, também, de como ele, portista apaixonado, gostava de falar do Porto, de assuntos relacionados com a vida do Futebol Clube do Porto, que ele (querendo dizer ser o representante da região do distrito), religioso como era, dizia ser o FC Porto o Clube melhor que pertencia à Diocese do Porto.
Com essas e outras dou comigo, por vezes, e desta vez ainda, a pensar como o tempo voou e tanta gente conhecida e amiga já desapareceu, uns mais velhos, como no caso, mas outros nem tanto. Vindo assim este voo da lembrança a pousar num galho da memória em que, entre amigos simpáticos, me lembro desse senhor amigo e conterrâneo.
Foi irmão da referida senhora, também lembrada num dos contos do livro “Sorrisos de Pensamento”; bem como irmão de um senhor lembrado também num outro dos contos daquele meu livro de contos, numa das memórias a partir de outras memórias coletivas.
O senhor aqui homenageado, por este meio possível, pelo tempo adiante foi sempre um simpático frequentador dos locais e eventos da Longra e da igreja de Rande. Permanecendo na minha memória como um dos antigos conterrâneos que vale a pena recordar. Merecedor como era, foi e é, entre os que, ao virem à imagem do pensamento, são figuras que se recordam com um sorriso de satisfação e terno apreço.
Armando Pinto
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Nota: Pode-se rever anteriores artigos sobre a Liga de Rande,
clicando em
http://longrahistorico.blogspot.com/2025/04/bau-da-liga-eucaristica-dos-homens-de.html
AP
