Espaço de atividade literária pública e memória cronista

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Homenagem a um dos amigos de sempre... entre figuras simpáticas da Longra!

Era ideia, aqui do autor deste blogue, de honemagear pessoalmente, por via da escrita normal deste espaço, com as melhor das intenções, um senhor amigo que foi natural e residente da Longra em sua vida. Na linha de homenagens já feitas anteriormente a outros antigos personagens da Longra e arredores. Mas, após pedido parecer a elementos da família, não tendo sido o caso entendido, como tal, aqui segue em modo de indicação sem nome do visado, porque ele merece ser homenageado, mesmo que nesta impossibilidade de nomeação pública. 

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Ecoam nos recantos da memória pessoal de infância os cânticos ouvidos na igreja de Rande, em tardes domingueiras de reza do terço, por entre a distração de outras atenções, com as melodias saídas do dueto de vozes do Padre João com a de uma senhora habitual no acompanhamento dos cantares da igreja local, a sobreporem-se a algumas não muito interessantes chegadas aos ouvidos. Sendo que o Padre João tinha muito boa voz, e a simpática senhora dava gosto ouvir. Isso por inícios e mais além ainda dos anos 60, pelos idos tempos da idade da catequese e primeiras classes da escola do autor destas lembranças. Enquanto ao lado de minha mãe eu estava dentro da igreja a ver e ouvir o que me despertava. Lembrando-me ainda da sonoridade do cântico “Virgem Pura, tua ternura”, com forte carga no coro “Noite e dia de Maria, a beleza hei-de cantar”… Assim como pelo Mês de Maria e até nas procissões me ficou nos ouvidos um outro cântico tradicional religioso, "Coração Virginal de Maria" (Coração virginal de Maria/sede luz e guia do pobre mortal…), que era entoado pelo coro dos homens da Liga Eucarística de Rande. Era eu ainda criança e lembro-me, também, que entre o grupo dos primeiros membros da Liga de Rande (como popularmente se encurtava chamar à Liga Eucarística dos Homens de Rande) havia um senhor de voz grave, que me chamava a atenção pela sua simpatia e respeito que metia entre os rapazes da mesma associação, irmão da referida senhora que cantava muito bem, já casado e com filhos nesse tempo, mas que andava na Liga como outros mais velhos, entre jovens desse tempo.

Ora esse mesmo senhor era muito amigo de minha família e particularmente do meu irmão mais velho, com quem fez parte da comissão da angariação de fundos para a compra da bandeira da Liga, tendo andado no peditório pela freguesia, de porta a porta, a angariar dinheiro necessário para depois ter sido possível comprar a bandeira representativa da Liga de Rande, como foi conseguido. E entretanto eu via e ouvia ainda nos ensaios que o grupo fazia em casa de uns e outros, em certos dias de semana a ensaiar para cantarem na missa de Rande do domingo seguinte, como aconteceu por vezes em minha casa (de minha família, de meus pais e minha, claro), assim como acompanhei por vezes noutras. Era eu ainda criança, muito antes de também ter podido pertencer à mesma Liga. Então fui-me habituando e familiarizando com a simpatia desse senhor, sempre risonho e pronto a dizer qualquer graça, das suas graças engraçadas.

Com o tempo decorrido, passei anos depois a estar lado a lado com ele nas andanças da Liga de Rande, sobretudo nas procissões a ladear a bandeira daquela corporação religiosa paroquial, e sempre que possível gostava de o ouvir. Vivia em sua casa, ao lado de uma fábrica. Lembrando-me ainda, também, de como ele, portista apaixonado, gostava de falar do Porto, de assuntos relacionados com a vida do Futebol Clube do Porto, que ele (querendo dizer ser o representante da região do distrito), religioso como era, dizia ser o FC Porto o Clube melhor que pertencia à Diocese do Porto.


= Cartões da Liga do senhor em apreço (apenas do verso, para não ser identificável) - relativos à fidelidade e frequência dos atos mensais da Liga de Rande …

Com essas e outras dou comigo, por vezes, e desta vez ainda, a pensar como o tempo voou e tanta gente conhecida e amiga já desapareceu, uns mais velhos, como no caso, mas outros nem tanto. Vindo assim este voo da lembrança a pousar num galho da memória em que, entre amigos simpáticos, me lembro desse senhor amigo e conterrâneo.

Foi irmão da referida senhora, também lembrada num dos contos do livro “Sorrisos de Pensamento”; bem como irmão de um senhor lembrado também num outro dos contos daquele meu livro de contos, numa das memórias  a partir de outras memórias coletivas. 

O senhor aqui homenageado, por este meio possível, pelo tempo adiante foi sempre um simpático frequentador dos locais e eventos da Longra e da igreja de Rande. Permanecendo na minha memória como um dos antigos conterrâneos que vale a pena recordar. Merecedor como era, foi e é, entre os que, ao virem à imagem do pensamento, são figuras que se recordam com um sorriso de satisfação e terno apreço.

Armando Pinto

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Nota: Pode-se rever anteriores artigos sobre a Liga de Rande, clicando em

http://longrahistorico.blogspot.com/2025/04/bau-da-liga-eucaristica-dos-homens-de.html

AP


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