Espaço de atividade literária pública e memória cronista

Mostrando postagens com marcador Presépio Natalício. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Presépio Natalício. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Tempo de Janeiras e Reis


Passada a quadra de Natal, ao chegar-se aos Reis, pelo dia seis de Janeiro, é tempo de alagar o presépio, como se diz popularmente. Com o desfazer daquela construção caseira a servir de final da época do encanto natalício.  Mas o início de ano, no calendário festivo anual, alonga-se pelo primeiro mês adiante, com os tradicionais cantares das Janeiras, canto que a partir do dia seis passa a ser chamado dos Reis.

Assim sendo, ultrapassados os festejos natalícios, comido o bacalhau e as batatas da consoada, com a árvore decorativa a representar como que uma réstia do antigo cepo que ardia nos adros das igrejas em noite de missa do galo, e com a passagem de ano, tempo de beijar comunitariamente ainda os pés do Menino no fim das missas, chega a vez das Janeiras e complementares cantares dos Reis. Costume de influência importante noutras eras, teve formas variadas conforme as terras, por esse país fora, e também no nosso ambiente concelhio. Maneira essa de convívio que mais não é que um velho uso, deveras misturado num apego religioso revestido com sabor popular, vulgo pagão.

Segundo estudiosos eminentes da matéria, do que fomos lendo algures e anotando há longo tempo, essas reuniões de grupos de amigos, familiares e vizinhos, que iam às portas uns dos outros entoar as “boas entradas”, é uma usança derivada das “Saturnais”, festas clássicas celebradas pelo povo romano e romanizado em honra de Saturno, festividade relacionada com os segredos da crença popular comum à agricultura. Folganças aquelas realizadas por alturas das calendas de Janeiro e com a particularidade de que durante tal período desapareciam as distinções sociais.

Na antiguidade, conforme ainda algo que chegou transmitido através de alguns estudos historiadores, reuniam-se ranchos de gente, formando grupos de cada lugar ou famílias, os quais a partir da noite de ano novo percorriam as casas das pessoas mais gradas a desejar-lhes as boas festas, juntando-se por fim todos os da mesma freguesia num local tradicional, normalmente no adro ou proximidade da igreja paroquial, acabando ao calor do que restara do tronco da fogueira de natal a cantarem, ora ao desafio ou todos juntos.
A respectiva campanha, conforme a definição mais conhecida, é efectivamente uma tradicional manifestação de cultura popular de origem pagã, consistindo em reunião de grupos de pessoas que, no início de Janeiro, percorrem uma região, à noite, cantando pelas casas, ao som de instrumentos tradicionais de música, e desejando às pessoas conhecidas e amigas um feliz novo ano, por via de quadras de sabor popular. Tal como as Janeiras são “cantigas de boas-festas por ocasião do Ano Novo”. A propósito de Janeiro ser o primeiro mês do ano, sendo assim chamado em honra do deus Jano (de janua = porta, entrada). Uma outra ideia relacionada, pois Jano era como que um porteiro celestial, e, consequentemente, qual deus das portas, que as abria e fechava, esperando-se a sua protecção na partida e no regresso. Tido assim por um deus dos começos, Jano era invocado para afastar das casas os espíritos funestos. Fundamentando-se, por isso, que esta manifestação tem origem em cultos pagãos, que o cristianismo não conseguiu apagar e se foram transmitindo de geração em geração. Por extensão, a versão religiosa cristianizada das Janeiras é o cantar dos Reis, desde 6 de Janeiro.

Com o decurso dos tempos surgiram transformações desse hábito, das Janeiras e Reis, por via de que resultaram particularidades diversas. Passou a associar-se cambiante de convívio mais restrito, com esse canto nocturno de porta em porta, dando vivas às pessoas das casas visitadas, a ser recompensado por meio de qualquer espécie alimentar, sendo depois essa angariação repartida por todos os participantes em folguedo final conjunto.

A partir da noite de Reis, depois da ceia tradicional, que nalgumas freguesias do concelho de Felgueiras, pelo menos, metia arroz de feijão branco acompanhado de rodelas de paio, começavam então as Reizadas, seguindo o mesmo ritual, apenas com adaptação da letra entoada ao som dos instrumentos musicais mais acotiados.

Sendo estes cantos efectuados por grupos de mulheres e homens adultos, acompanhados por rapazes e raparigas jovens e por vezes também por crianças, em anos não muito distantes passaram a ser levados a efeito mais por jovens e crianças, com o fito de receberem donativos, conhecidos por “esmola”.

Tal tradição tem sido preservada nos tempos mais recentes, sobretudo, pelos Ranchos Folclóricos e outros grupos institucionais, com o propósito de angariação de receitas para a sua sobrevivência, em vista à manutenção anual associativa, ou por comissões e agrupamentos organizados como recolha de fundos para qualquer iniciativa de interesse público.

ARMANDO PINTO

(Texto publicado em crónica no Semanário de Felgueiras há alguns anos e, com algumas adaptações, reservado para um possível livro futuro)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Natal afetivo…!


O Natal é a festa da família por excelência, uma ocasião, uma data, um tempo, uma quadra especial… até no quanto é marcante na evolução existencial.  

Fazendo parte da vida de todos nós, a magia natalícia tocou e toca de forma particular em cada qual.

Neste tempo de Natal e na linha de quantas vezes foi Natal nas nossas vidas, retemos uma imagem com cerca de três décadas de anos… respeitante a um Natal de nossas vidas.

- Quantas pessoas serão capazes de reconhecer os protagonistas da imagem, junto ao presépio de família…?

É Natal… é quase já mais um Natal, dentro de dias. E quantos ainda recordamos, na retina de nossas memórias ternamente pessoais?!


Armando Pinto

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal - Boas Festas Histórico-Literárias!


Aos Amigos leitores, interessados em assuntos locais e companheiros de andanças literárias, pesquisas históricas e afeição bairrista: 

Desejo um Feliz e Santo Natal, extensivo à quadra com votos de Boas Festas. E que durante o próximo ano e sempre se prolongue o espírito natalício!


Armando Pinto

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Apologia ao “Presépio”, no Semanário de Felgueiras


Na sensibilidade da quadra natalícia, escrevemos para o Semanário de Felgueiras, na habitual crónica, desta vez, sobre o tradicional Presépio, das mais eruditas ilustrações comemorativas do Natal. 

Dessa crónica publicada no Semanário de Felgueiras, eis aqui, de seguida, o recorte da respetiva coluna incluída na página 12 da edição impressa do SF desta sexta-feira 21 de Dezembro.

(Clicar sobre este recorte digitalizado, para ampliar e ler) 

Do mesmo, para mais fácil leitura, colocamos o texto revertido conforme o original datilografado: 

Presépio de Natal 

Aí está a chegar o Natal, em mais um tempo de interiorização, no regresso à idade de sonhos da nossa meninice, como afinal deixamos nossos pensamentos voar e pousar como pomba sobre ramo, da árvore que nossa alma mantém viçosa. Uma época de apego a símbolos, quando deixamos fluir os mais belos sentimentos, porque a vida deve ser mesmo vivida. 

Há sempre lembranças e saudades de tempos antigos, quando o Natal era mais apreciado em todo o seu esplendor, nas recordações de cada um. Numa época em que, por exemplo, nos sítios das andanças do autor, havia sempre um presépio montado em cada loja comercial da Longra, por exemplo, assim como em muitas habitações, indo nós, nas rodas de amigos de passatempos, em visitas como quem passa por capelinhas, ver e comparar os presépios que se viam então nesses e outros estabelecimentos públicos, bem como nas casas de alguns colegas, cotejando a disposição do musgo, o papel sarapintado a imitar pedras, as imagens se eram mais ou menos bonitas e perfeitas, as pequenas velas presas aos ramos por molas de ferro ou as lâmpadas que começavam a revezar tais luzes tradicionais…. Enfim, num sem número de pormenores que eram maiores a nossos olhos, num encanto que o Natal transmite. 

Na vida dos povos sempre ocasiões houve mais propícias a manifestações do chamado divino, na maneira de sentir e viver, sendo a quadra natalícia um encontro atrativo. A pontos do próprio rifoneiro tradicional ter traçado o Natal como meta em diversos aspetos, a começar no enquadramento e previsão meteorológica. Tal foi sendo valorizado na sabedoria popular, que “dos Santos ao Natal (o crescimento do dia) é um salto de pardal”, enquanto em meteorologia “dos santos ao Natal é inverno natural”, quão “dos santos ao Natal ou bem chover ou bem nevar”, e por aí adiante ficou apontado em ditados populares. Tal como noutros sentidos representa um lugar referencial. 

Na importância que acaba por se atribuir a esta quadra e suas representações, há efetivamente um carisma especial por quanto possui caraterísticas únicas, mercê dos laços da tradição. No calor humano sentido, afinal de contas, em tal festa da família por excelência e tudo o que o se relaciona à envolvência, pese as alterações que vão surgindo nas transformações do tempo, mas contudo com alguma fidelidade a tradições provindas de eras antepassadas. De quanto sobressai ainda na vivência do calendário em terras do interior nortenho. É a ceia da consoada natalícia, momento magnífico da convivência familiar, a missa do galo, nas paróquias onde ainda tem lugar, mais a cerimónia do Beija-Menino nas missas da noite e do dia, e tudo o mais, sem olvidar a sentida evocação dos ausentes, como acaba sempre por aflorar nas conversas de recordação… Ah, e o efeito do repique dos sinos, o reflexo das luzes que cintilam na árvore e mesmo em torno do presépio...


Ora o presépio, hoje já arredio de muitas casas e mais sítios, foi em tempos uma presença tradicional muito significativa. Construído dos mais variados feitios e gostos, levanta-se na figuração da lapa de Belém, como ilustração da natividade daquele Menino nascido no oriente, num humilde estábulo, segundo a tradição antiga. E adorado desde logo por todos os que tiveram conhecimento de tal facto divino, quando aconteceu há cerca de dois milénios nos arredores daquela Belém da Judeia que há muito é falada nas igrejas através das sagradas escrituras. Presépio que extravasa o musgo que exemplifica a natureza ambiental, sobreposto por ornamentações, quais arremedos de morros, caminhos e rudes construções, ao sabor da inspiração e engenho pessoal da feição respetiva, sem descurar gostos etnográficos e ar plebeu, na religiosidade tradicional. Pois o presépio encadeia, afinal, um quadro temático de horizonte emblemático, encerrando algo da sensibilidade natural, de quanto o nascimento de Cristo detém lirismo peculiar, na necessidade humana de amplitude e transfiguração. Sendo o presépio como que o coração poeta do povo a embalar os mais íntimos desejos. 

 Armando Pinto

domingo, 2 de dezembro de 2012

Natal no horizonte – Presépio doméstico…


Já com a época natalícia à vista, e perante aproximação ao Natal, como por muito lado se prepara a festividade da família, também já está instalado em nosso recanto doméstico o presépio e anexa árvore de Natal.


Com efeito, nesse espírito de sentimento e afetividade da quadra, marca já presença em nosso lar o tradicional presépio familiar do autor, construído com redobrado interesse, entusiasmo e ternura na companhia do meu neto. Como registam alguns instantâneos fotográficos da ocasião, na evolução da edificação da lapa da natividade, mais colocação de devidos adereços e enfeites, diante do encantamento próprio do colorido sortilégio natalício.






© Armando Pinto