Espaço de atividade literária pública e memória cronista

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Dia do aniversário natalício de meu Pai

Lembrada a minha Mãe aqui pelo antigo Dia da Mãe, é agora ocasião de puxar a brasa da memória para a lembrança sobre meu pai, quando nesta data era dia de seus anos. Como lhe festejamos durante muito tempo e, falecido depois de termos ainda festejado seus 89 anos e antes então de poder completar os noventa, agora é de lembrar que foi há 105 anos o seu nascimento: a 10 de dezembro de 1916.

O meu pai, Joaquim Pinto, o meu herói como sempre foi, continua bem presente sempre que mentalmente surge diante dos meus olhos do pensamento, quão é frequente em sentimento. Não me esquecendo como em pequeno gostava de sentir a sua mão agarrada à minha, como gostava de ir com ele quer à igreja de Rande ou à capela da casa dos Padres da Mata (Carmelitas), bem como ao café da Casa do Povo, por exemplo, ou onde fosse por vezes, mesmo que fosse a enterros, mas também a procissões, desde que fosse com ele. Tendo tido muito orgulho logo quando soube que era muito falado por ter feito a Sirene da Metalúrgica da Longra e não me esquecendo mais como num sábado ao final da tarde gostei de ver um papel grande que ele me mostrou, ao chegar do Porto, dizendo que lho tinham dado – sendo que era, como soube mais tarde e tenho agora ainda comigo, em lugar de honra do meu escritório, o seu diploma de vencedor do Prémio da Associação industrial Portuense… 

Tal qual, quando eu andava na escola primária, me lembro bem dum dia em que o Professor Freitas, em visita à escola da Longra como Delegado Escolar, em conversa com a minha professora e inquirindo os nomes de alguns alunos e nomes dos pais de cada qual, ao saber de quem eu era filho logo fez um grande elogio do meu pai, gabando o que tinha de obra feita na Metalúrgica e outras fábricas – deixando a professora D. Fernanda a olhar para mim, com olhos que gostei de ver. 

E tal como em pequeno eu gostava de ir com ele, mais tarde em grande já, gostava de ele andar comigo, como todos os domingos dávamos um pequeno passeio domingueiro, e quantas vezes noutros dias e ocasiões, dentro do possível, fomos a muito lado… 

Continuando agora, dentro do que sinto, a gostar dele andar no meu pensamento. Como hoje, que é o seu Dia de anos!

Armando Pinto

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Recordando: Prémio da Associação Industrial Portuense a Joaquim Pinto, da Metalúrgica da Longra

= Quadro com o Diploma do Prémio da Associação Industrial Portuense de 1959, outorgado a Joaquim Pinto, da Longra (n. 1916 - f. 2006). Em reconhecimento de seu mérito com obra feita como funcionário empreendedor. Com realce pela criação da Sirene da Metalúrgica da Longra (e da Ferfor da Serrinha, depois).

Prémio que lhe foi entregue em 1960, sendo uma honra para a empresa tal distinção única - como na época foi distinguido publicamente. 

*****

Na pertinência desta lembrança, juntam-se algumas imagens de ilustração, com fotografias relacionadas, desde gravuras documentais, incluindo cabeçalhos de ofícios das firmas antigas por que passou a "Metalúrgica", quer nos anos trinta como na década de quarenta, enquanto a fábrica esteve no Largo da Longra, como depois que em 1950 passou para a reta da Arrancada da Longra, também. Mais o que por aqui se mostra e recorda, como publicação celebrativa relacionada ao tema.

Diploma de reconhecimento pelo seu valor em vida, tanto que é o único felgueirense que foi agraciado com o Prémio da Associação Industrial Portuense (instituição mais tarde agremiada como Associação Empresarial de Portugal), ele que foi o criador da famosa sirene da "Metalúrgica da Longra" (que era referência de sinal meteorológico em sítios distantes, quando ouvida longe), assim como autor da idêntica da “Ferfor” da Serrinha; além de ter sido a sua ideia depois levada para a “Famo” de Lousada, por exemplo. 

...E foto alusiva ao ato, junto com outros agraciados do distrito do Porto.

Armando Pinto 

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domingo, 30 de agosto de 2015

Mais uma recordação relativa à Longra…


Com a mesma retaguarda memorial de outras (anteriores) postagens aqui remembradas, eis uma imagem de um outro artefacto com história: 

- Um “Molde” de bobinagem, dos que foram da lavra operária de Joaquim Pinto (“Prémio da Associação Industrial Portuense - 1959”, recorde-se), com que o autor da sirene da "Metalúrgica da Longra" fazia as bobines de fios para os motores e máquinas eléctricas da indústria da Longra e arredores. No caso, o molde que guardamos, e se vê na foto, era próprio para os consertos (que necessitassem de bobinadelas) da soldadura da "Ferfor" e serviu ainda para o miolo da carcaça da sirene também da “Ferfor” da Serrinha, da autoria do mesmo.

Armando Pinto

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Em tempo de lembrar nossos entes queridos desaparecidos - In Memoriam: Joaquim Pinto (1916-2006)


Estamos em tempo de Todos os Santos e Fiéis Defuntos, cujos dias ocorreram ao princípio deste mês de Novembro. Sendo sempre este um período de maior lembrança aos familiares e demais ente-queridos entretanto ausentes fisicamente.

Havendo já desaparecido de nosso sangue pais, tios, primos e, de afinidade, também muitos amigos, evocamos noutras ocasiões deste blogue a figura materna e agora lembramos a figura paterna - como homenagem e perpetuação familiar, registando alguns traços das características que notabilizaram a nossos olhos e mais sentidos na alma da recordação esse que foi e é nosso herói eterno.

In Memoriam: Joaquim Pinto

Em ideia que temos, uma das evidências terrestres é que fixar memória respeitante a algo particular ou coletivo será uma forma de celebrar a vida. E, neste sentido, essa atitude terá em conta valorização de tudo o que mereça apreço, com discernimento de avaliação, a enaltecer na amplitude de uma identificação.

Pode a área cronista ter também afectividade e a visão literária ser sensível. Nem sempre a narrativa publicista deve ser demasiado técnica, de texto conciso, frases modelares, segundo normas feitas, mas em lugar próprio igualmente proporcionar oportunidade de manifestos sentimentos e partilha exposta de conhecimentos. Ora, sendo habitual ao autor escrever sobre os outros, em espaços públicos, desta vez calha a preceito dirigir uma pessoal mensagem, na ocasião do período dos Santos, como se costuma dizer, e ainda de aproximação natalícia, na pertinência da proximidade da festa de família por excelência. Ajustando-se a oportunidade para dedicação duma homenagem, no sentido de elo familiar, ao patriarca da família e extensivamente a toda a prole sucedânea.

Está, com efeito, eternamente viva a memória do progenitor e patriarca familiar do signatário. Por sinal também uma figura marcante da memória local, atendendo ao seu currículo prestigiado com o Prémio da Associação Industrial Portuense, em 1959 (como obreiro da sirene e de alguns inventos na Metalúrgica da Longra, fábrica de grande prestígio, que foi autêntica escola de artes laborais, a pontos de então haver consideração de ser uma honra pertencer a seus quadros). Além de bairrista e profundo conhecedor da história local de tempos passados, segundo o que viveu e ouviu, tendo tido primordial comparticipação na monografia sobre as memórias da freguesia natal, por meio das informações que nos deu para o livro Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras. Subsídio comparticipativo que se deveu também à esposa, a saudosa Mãe do autor destas evocações, a Matriarca da família, pelo muito que contava na sua ligação estremosa, dando razão suprema ao ditame de que no companheirismo a um homem de relevo sempre houve e está uma grande mulher…

Costuma dizer-se que os avós são pais com açúcar. Definição a preceito, no caso em apreço, para o avô dos filhos e sobrinhos do autor destas linhas, mas também e especialmente Pai, tal o sabor doce que deixou, a criar água em boca sufocada.

Como seiva que produz vida e renova a natureza, a memória de nosso pai permanecerá pelos tempos, em perene saudade e constante recordação. O seu exemplo estará sempre presente, nos valores que ele soube incutir, na união da família que conseguiu criar e fortalecer.

Contava ele que, segundo ouvira, se celebrava a missa dominical de Rande aquando do seu nascimento. E, conforme se tornou público, porque o parto de sua mãe estava difícil, o pároco dessa época, Padre Augusto, pediu do altar a todos uma oração. Então foi feita conjuntamente uma sentida prece, para que nascesse em boa hora. Facto passado a 10 de Dezembro de 1916, na mesma igreja onde depois foi baptizado, participou nos actos da comunidade paroquial até ao seu falecimento, ocorrido a 10 de Março de 2006; em cujo templo por fim, no seguinte dia 11, foi encomendado a Deus. Agora, de peito contrito, aqui e onde nos lembramos dele, como nosso herói e figura pública que mais nos marcou, estamos gratos, agradecendo a boa hora em que veio ao mundo para criar as raízes que deixa em nós.


= Joaquim Pinto – fisionomia aos 89 anos, quase no fim da sua marcante caminhada terrena – na foto, junto com o filho autor destas linhas. =

Aos domingos, dizia ele, para ser domingo de verdade tinha sempre de ir à missa de Rande, pela manhã; e de tarde havia de dar um passeio pela freguesia, sempre, para ver os seus sítios queridos, o lugar de Janarde onde nasceu, a casa de Valdomar onde passou sua infância, mais todos os lugares que conhecia como as próprias mãos. Quanto gostava de ver quando aparecia a seus olhos qualquer melhoria na freguesia. Assim como tinha algum desgosto pelo desaparecimento de uma fonte que fizera parte do ambiente de sua juventude, a Fonte da Vinhó, antes existente junto a um campo da Quinta, entre Casal Corne e Janarde. A freguesia de Rande fazia parte dos seus pensamentos e anseios. Como sonhava com o alargamento do Largo da Longra, de modo a que o centro da vila que ainda conheceu pudesse ter uma praça central. Conversava muito com os filhos e até os netos sobre esses e outros motivos de seu interesse, sabendo transmitir aos vindouros autêntico apego pelo torrão natal. A terra em que ele era uma referência, quer como construtor da sirene da antiga Metalúrgica, empresa onde durante muitos anos foi o operário mais antigo; tal como mais tarde artífice bobinador e, depois, por todos se terem habituado a vê-lo constantemente, em presença habitual na sua veneranda fisionomia, tão respeitado na consideração geral, tornando-se personagem grado e admirado.

No silêncio contido do nosso coração, continuamos a conversar e, sempre que haja qualquer obra ou beneficiação na sua e nossa terra, os nossos sentidos serão os seus olhos, presente como estará sempre connosco, bem no íntimo de todos quantos o amamos.

Remexendo no fundo da mensagem, que desejamos voe até ao Infinito, tomando as asas do poeta, permita-se uma adaptação para dizer-lhe, na ligação terrena fortalecida espiritualmente:

Se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que nos ficou
Da mágoa sem remédio de perder-te,
Roga a Deus que de nós te afastou 
Que na Sua Glória nos faça ver-te 
Quão ditosa a doutrina nos legou.

*
Em homenagem de reconhecimento, foi Joaquim Pinto, da Longra, merecedor de um Voto de Pesar pela Assembleia Municipal de Felgueiras, na primeira sessão ordinária realizada por aquele órgão autárquico após o seu falecimento. Deliberação essa havida na respectiva sessão ordinária realizada a 20 de Abril de 2006, por voto apresentado pelo Grupo Parlamentar do PSD e aprovado por unanimidade dos 63 membros presentes no hemiciclo municipal, de todos os grupos partidário-parlamentares Felgueirenses.

Igual reconhecimento houve de seguida na autarquia de Rande, através de voto que teve apresentação pela Junta de Freguesia de Rande e aprovação de todos os presentes em reunião magna da Assembleia local, tendo assim também a Assembleia de Freguesia de Rande tido esse sinal de apreço em sessão do seguinte dia 27 do mesmo mês.

Ora, fazendo memória, escreve o autor em nome coletivo: Também nós continuamos a procurar honrar essa memória. E, assim, cá estamos nós todos, desde os mais velhos até ao Gonçalo e ao Tiago. Com o que nos une bem presente!

Armando Pinto

terça-feira, 19 de março de 2013

Homenagem em Dia do Pai... ao meu Pai !

 

Hoje é Dia do Pai.

Tradicionalmente este evento em Portugal é comemorado no dia 19 de Março. Celebra-se no dia de São José, santo popular da Igreja católica e pai de Jesus na terra, como esposo de Maria, mãe de Jesus Cristo. A celebração desta data é comum a diversos países, variando contudo de uns para outros, sabendo-se que, além de Portugal, também celebram o Dia do Pai em 19 de Março, pelo menos, a Espanha, Itália, Andorra, Angola, Bolívia, Honduras e Liechstenstein. 

Sendo o autor também já pai e avô… não esqueço meu pai. Recordando, a propósito, aqui e agora, sua fisionomia em diversas fases da vida, desde jovem até uma época em que nossa vida não chegara ainda ao tempo dos pensamentos profundos e tudo parecia ir durar sempre. Tal a ideia das ilustrações expostas, em cuja rememoração subjacente dedicamos agora as faces dum género de cartão alusivo, com que encimamos o texto e aqui continuamos esta especial missiva.

 

Naturalmente a dedicação desta data está associada com o dia litúrgico atribuído no calendário católico a S. José. Mas haverá outras justificações para a origem do Dia do Pai, havendo nalgumas enciclopédias uma referente aos Estados Unidos, mas curiosamente muito mais tardia que a tradição há muito enraizada em Portugal; o que quer dizer que, afinal, neste como em muitos outros casos manda a tradição, que tem muita força. E já S. João Crisóstomo dizia que onde houver tradição se não busque outras provas…


Importa então, para o caso, em dia de S. José e do Pai, que esta data é dedicada a homenagear os pais, pois, como diz o povo, falando em nome de todos e de cada um: não há pai pró meu pai…! E pai só há um…!!! 

O autor destas linhas já perdeu fisicamente o pai há alguns anos. Mas enquanto ele viveu, nos seus quase noventa anos de vida, foi sempre o meu herói. 

   

Numa singela mas sentida homenagem a meu pai, lembrando como ele gostava de ver as fotografias antigas e documentos que eu conseguia descobrir e divisar, aqui arranjo maneira de mostrar uma - acima - como recordação, do local da “fábrica nova”, a Metalúrgica, na Arrancada da Longra (sabendo-se que a "velha" era a inicial, respetiva, do largo da Longra), onde ele inventou e construiu a sirene que era ouvida a grandes distâncias e, sendo coisa rara à época e mais com aquela potência, sempre foi tida como referência da Metalúrgica da Longra… numa das suas facetas que lhe valeram, a Joaquim Pinto, meu pai, o Prémio da Associação Industrial Portuense. 

Enquanto isto ainda permanece na retina, por fim, votamos ao além uma deposição dum texto, qual ramo florido lançado aos ares da saudade, através do qual relembramos algo que em nossa meninice nos sensibilizou na leitura do livro de ensino primário. Sempre com nosso pai no sentido… Como ele sabia e continuará a saber, nos insondáveis mistérios da eternidade!

   

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Armando Pinto 


                               Obs. : Conf. também 
(clicando sobre o link)


A.P.