O 25 DE Abril, em plena primavera de 1974, deu-se quando os
jovens que haviam nascido pelos anos cinquentas estavam em idade de tropa, como
se dizia, com a cabeça à espera de poderem ir para a guerra em África. Nesse
tempo da guerra colonial, que era um bicho medonho com que a juventude se via
atirada, sem remédio. E uns quase da mesma idade, ou com pouca diferença de um
ano ou dois mais, já tinham sido incorporados, depois de todos apurados por aprovação
em massa, e alguns até já tinham ido para o Ultramar, enquanto outros estavam à
espera de entrada para o serviço militar obrigatório. Estava então eu à espera
de ser chamado, como se dizia, em abril de 1974, depois de ter ido à inspeção
em janeiro desse ano de 1974 e, claro, ter ficado apurado para a tropa. Ao passo que
diversos amigos já tinham ido. Um dos quais, o Tónio Branco, como era conhecido
popularmente o António Vieira Teixeira, que fora meu colega de escola e fizera
a Quarta Classe aquando a mim, como dizíamos de termos feito juntos o exame
final de último ano do ensino da Escola Primária. Tendo depois, também, ter chegado a vez dele vestir a farda, anos depois de termos
sido colegas de escola na Longra e amigos das brincadeiras por tudo quanto era
sítio da Longra; e até na doutrina em Rande, por mesmo na catequese o amigo Teixeira
ter ando pela igreja de Rande como todos nós, por esses anos… Havendo então, passados anos de nossa infância, já em plena juventude, ele ter ido então para a tropa. E estava já como militar na
Força Aérea, embora em terra, quando se deu o 25 de Abril.
Foi então o António Teixeira um dos jovens que andavam pela
Longra a ter estado envolvido nos acontecimentos do dia 25 de abril, em 1974.
Como ele conta, a pedido aqui do autor, para fazer justiça a mais um dos militares
de ABRIL, entre os nossos amigos:
«Armando: a respeito da minha participação no golpe de
estado "25 abril 1974", eu era militar da Força Aérea com a especialidade P.A. (Polícia
Aérea), na base aérea 3 em Tancos. No dia 24 de abril tudo começou a ser
estranho dentro da base, com muito movimento, muitas reuniões dos oficiais, até
que na hora de almoço fomos informados que íamos formar uma coluna militar e
que o destino era Lisboa, para uma tentativa de golpe de estado. Seguiríamos em
direção à Pontinha e aí seríamos integrados com os militares dessa unidade, que
pertencia ao Exército. Chegados lá, formamos dois grupos, cujo destino final
era um grupo ir para o Rádio Clube Português e o outro para o Quartel do Carmo, grupo
este que era onde eu estava colocado. A informação foi que íamos enfrentar a Pide,
a Legião Portuguesa, GNR e Polícia de Segurança Pública, ou seja fações que
se pensava estarem afetas ao regime em vias de poder ser deposto. Só por aí já era
suficiente para se estar com o receio natural que a ocasião impunha. O capitão
que comandou o grupo em que eu estive integrado era o Capitão Verdasca, em
coordenação com o Tenente Pinheiro. E lá estivemos a fazer o nosso papel, acabando
o dia com o objetivo conseguido, como é da história.»
«Regressados por fim ao quartel e seguindo os acontecimentos
dos tempos seguintes, em Outubro saí para cumprir o serviço militar em Angola,
na base aérea 9, em Luanda. Tempos difíceis, com a descolonização e
consequentemente com os Angolanos a mostrarem a revolta da opressão e escravidão de que foram vítimas durante a guerra colonial. Então tínhamos de nos proteger a
nós próprios e ao mesmo tempo procurar defender os portugueses que lá viviam e
teriam de regressar a Portugal, ao ainda Portugal Continental, os portugueses nesse
tempo chamados “Retornados”, pois os angolanos tinham sede de vingança.»
Ora, o António aí está, felizmente, vivaço para ainda contar
tudo isto e assim ficarmos a saber que também ele esteve no 25 de Abril. Mais um
amigo das andanças pela Longra, ele que ao tempo de escola vivia em Sernande, mas
nas vizinhanças da Longra, motivo que levou a diversas crianças dessa área terem
frequentado nesse tempo a escola da Longra. Bem como ainda depois viveu em Varziela,
mas também às portas da Longra, por assim dizer, convivendo sobretudo com os
amigos de infância e juventude, na Longra. Sendo agora um dos Colegas de Escola
e Amigos do convívio anual, que proximamente voltará a reunir bons amigos e
conhecidos, no modo salutar da convivência de afetividades vividas.
Armando Pinto
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