Sábado, dia 9 de maio, foi particularmente um dia fora do
normal, quer pela realização do anual almoço de encontro do grupo “Colegas
de Escola & Amigos”, bem como depois pela sensação vista e sentida
pessoalmente na exposição coletiva visitada na Casa da Cultura da Lixa.
Com efeito, este passado sábado foi um dia em cheio. Desde o
encontro do grupo dos "Colegas de Escola & Amigos" (que terá
dedicação narrativa numa crónica respetiva), até à ida à exposição na casa da
cultura da Lixa, sensibilizado com o quadro dedicado à "Menina de
Rande" Guilhermina Mendonça, da consagrada artista felgueirense Dulce de Macedo. Além de tudo o mais. De cujo conteúdo emoldurado, que me ficou e está bem dentro
dos sentidos, aqui tentarei passar a escrito uma apreciação pessoal, neste meu blogue "Longra
Histórico-Literária, embora sinceramente sem conseguir passar bem em letras de
forma o que interiormente povoa o sentimento.
Então, estando patente na Casa da Cultura da Lixa uma
exposição coletiva de artes plásticas, denominada “Representações no feminino
de paradigmas felgueirenses”, em que (como refere a publicação oficial) estão
representadas quatro mulheres artistas de diferentes locais do concelho de Felgueiras e
também de diferentes idades (Emília Vasconcelos, Dulce de Macedo, Inês Mendes e
Marina Leão), a mesma teve apresentação pública no sábado segundo de maio.
Ora, sobre a cerimónia da apresentação pública da exposição está
feita a devida narrativa em diversos sítios informativos, tornando-se por isso desnecessário
acrescentar algo mais. Também porque, por antes ter estado no encontro de amigos
conterrâneos em que tive parte ativa, como um dos organizadores e sobretudo
como participante entusiasta, não pude marcar presença efetiva no início da cerimónia de
abertura da referida exposição, aparecendo porém ainda a tempo de conviver com as pessoas presentes. Contudo, pelo que presenciei depois e entretanto me foi demonstrado por
atos e visões, facilmente percebi tudo o que ali estava subjacente e significa
no abraço da arte com a afetividade sensitiva. Sendo que a exposição, além de
pintura, de quadros de pinturas de variados géneros, engloba também peças escultóricas.
E a apresentação contou com mensagens faladas e momentos de poesia, de permeio
com música (conforme estava programado) a intervalar as intervenções ocorridas,
numa mistura de cores ambientais com os sentimentos artísticos e afetivos.
Pois, por fim, de tudo isso, além das peças de todas as autoras (e sem esquecer as belas pinturas dos quadros a minha amiga D. Emília,
que em parte eu já conhecia de outras exposições) naturalmente a minha atenção
incidiu mais na obra e particularmente num quadro da pintora Dulce de Macedo. Artista
consagrada, inclusive com um quadro premiado em Espanha e que ali pude presenciar,
mais outros de técnicas que chamam a atenção. Sendo o quadro em apreço dedicado à Menina
de Rande, como popularmente é desde há muito conhecida Guilhermina Mendonça,
felgueirense nascida no passado século XlX e falecida nos inícios do século XX, desde longínquos tempos com aura de santidade reconhecida pelo povo que a conheceu e seus
descendentes de gerações seguintes que pelos tempos adiante a admiram em
veneração sentida. Cuja biografia está descrita no livro “Memorial Histórico de
Rande e Alfozes de Felgueiras”, onde a artista Dulce de Macedo se inspirou, devido
a ter uma sua familiar que era devota da Menina de Rande e a partir daí ela
mesma se afeiçoou, apegando-se à aura santificada da Maria Guilhermina Barbosa Mendonça.
De tal modo que até parece mesmo que algo especial a tocou no subconsciente
artístico, no modo como verteu na tela a imagem transposta em diversas formas
espirituais. Incluindo uma parte de sua vida em que o antigo namorado militar a adorou
em livro, conforme descrição constante no capítulo “Guilhermina” do livro “Memórias
do Capitão”, de João Sarmento Pimentel. Conforme esse escritor e militar, ao
tempo tenente, depois capitão e por fim general, a lembrou e eternizou, ele que
foi seu namorado e esteve presente nos últimos momentos, antes da morte a ter
encontrado mirrada pela doença que a levou. Tendo nesse livro ficado terno
testemunho da vida santificada da Menina, como primeiro atestado da consagração
de vida, justificando-se certa configuração que aparece em silhueta percetível
no quadro pintado. Numa junção de semblantes em que outras partes e facetas da
vida piedosa de Guilhermina Mendonça estão traçadas em cores e formas pinceladas
ao sabor com que a pintora leu e interpretou do meu livro Memorial, inspirando-se
também do que está descrito no mesmo “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de
Felgueiras”. Livro que ainda por isso valeu a pena ter sido feito com tanto esforço e
dedicação, como felizmente teve possibilidade de ser publicado graças ao patrocínio
do jornal Semanário de Felgueiras, por meio da boa ação então praticada pelo Dr.
Manuel Faria. Afinal tudo concorrendo em boas intervenções, como algo em que a
Menina de Rande teve influência transcendente, motivo porque um dos ex-votos
depositados sobre sua urna, onde jaz, é esse mesmo livro ali depositado em agradecimento
pessoal de ação de graças. Acrescendo agora, com o quadro em apreço, uma mais-valia
para toda a envolvência que faz perdurar a veneração que lhe é dedicada no
sentimento popular.
Posto isto, que já não é pouco, nem se chegou a referir e analisar
o aspeto e técnicas utilizadas nas obras expostas, porque no sentimento fica
uma abordagem expressionista que prioriza a emoção sobre o realismo, na
sensação da experiência mística.
A exposição continua e fica patente na Casa da Cultura da Lixa até dia 15 de junho. Com seu quê e porquê místico.
Armando Pinto
Nota: As fotos são apenas pessoais, porque não cheguei ao início e como tal não pude ser fotografado nas captações fotográficas do evento.
AP
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Obrigada, Senhor Armando Pinto. A Menina de Rande nunca será esquecida. Um grande abraço.
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