A 28 de Fevereiro de 1969 ocorreu o maior sismo em Portugal
do século XX. E obviamente dos que lembram a toda a gente de nossas gerações,
dos que já existiam nesse final dos anos 60 e tinham idade para se poder
recordar, naturalmente.
Com uma magnitude de 7.9 na escala de richter, esse sismo, com
epicentro no sul, atingiu Portugal de sul a norte, tendo até provocado um
pequeno tsunami, registado ao longo das costas portuguesas, espanholas e
marroquinas, segundo se soube depois. Porque à época escasseavam as notícias,
filtradas pela censura do antigo regime. Apesar de onde eu estava termos
passado parte da noite a ouvir a emissão duma emissora de rádio.
Do que foi sentido em Felgueiras e sobretudo na Longra e
região envolvente eu também só soube depois, pelo que ouvi e me contaram mais tarde,
pois à época eu não estava em casa e muito menos na terra, na minha terra, mas
longe, nas cercanias da cidade do Porto, mais precisamente em Gondomar. Estando
ainda no Seminário (dos Capuchinhos), onde passei alguns anos e onde concluí o antigo
3.º ano liceal (hoje 7.º ano) estando então a poucos meses de sair de lá, o que
motivou que depois andasse como externo a continuar os estudos que foram
possíveis, já aqui no ambiente da minha região. Mas o tal sismo, de 1969,
passei-o lá onde estava. Havendo pessoalmente memórias disso, como ainda há
dias em conversa com amigos desse tempo me veio à cabeça um dos nossos companheiros,
por uma peripécia então passada com o Aníbal Araújo, de Oliveira de Azeméis. Curiosamente
se o Facebook tivesse aparecido uns anos antes seria um dos que possivelmente
eu teria reencontrado, em contactos possíveis, pois soube que ele depois esteve
ligado ao jornalismo oliveirense, mas quando tive essa notícia já ele não
estava entre nós…
Ora como não tenho memórias do sismo em Felgueiras, registo
o facto com as que tenho, de onde estava. E para o efeito respigo uma lembrança
que em tempos recordei, tendo descrito o caso num blogue de um dos antigos estudantes
da mesma ordem, por assim dizer.
Foi assim, então, que recordei, no blogue “Irmão Sol”:
... Do tal sismo de 28 de Fevereiro de 1969... lembranças, embora já distantes, sobre esses tempos.
Como sabem, quem já leu o que tenho escrito aqui, eu saí no Verão de 1969. Ora, aquele 1969 foi, portanto, o meu último ano, algo que na altura ainda não supunha, sequer. E o famoso “tremor de terra” apanhou-me em Gondomar, em pleno sono, no dormitório – que, nesse tempo, era já naquele casarão de pedra lateral ao edifício principal, ao lado dos balneários. Nessa época, dormia próximo o Frei Domingos, que estava encarregado de nos acompanhar no deitar e acordar. Recordo-me que, durante essa noite, acordei com um estranho ruído, seguindo-se chinfrim de ouvir as chapas das camas (lembram-se, aquelas dos números, nas cabeceiras?) a baterem contra os ferros, enquanto as camas abanavam, então, até que de repente toda a gente se levantou, instantaneamente, deitando a correr… Não me lembro de muitos pormenores, apenas tenho imagem de que um colega, na ânsia colectiva, deu uma cabeçada em qualquer coisa, não sei já se na porta ou numa das paredes, e caiu desamparado. Lembro-me que depois ficamos lá fora a ouvir notícias, referentes ao caso, através de um transístor de um senhor padre.
Agora, a propósito disso, lembro-me que, enquanto passávamos tempo nessa madrugada, fomos dar um passeio pela quinta, a ver se havia algo estragado, tendo alguns se preocupado em ir à chamada vacaria, onde estavam na época os animais de criação (pelo menos porcos e não sei se outros animais, ficando mais uma “deixa”, assim para quem se lembrar de outros pormenores). Pois, ainda a calhar, ao tema, revi há tempos um desenho que fiz durante a minha permanência em Gondomar, em cuja folha tentara desenhar e pintar, precisamente, a nossa vacaria da quinta de Gondomar…
Junto, por isso, imagem desse velho desenho (em vista geral e pormenor), onde de realce se pode ainda notar o modelo do papel que era usado, para o efeito. Já que a pintura é o que um pequeno aluno (aquilo tem data de 1967) conseguia fazer.
E pronto, é o que tal ocorrência me traz mais à memória, entre imagens já ténues.
Armando Pinto
- Memórias que vêm sempre à "lembrança" na passagem da respetiva data, a 28 de fevereiro...
AP

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