Espaço de atividade literária pública e memória cronista

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Efeméride: (relembrando) Início do grande voo da 1.ª Travessia Aérea Portugal-Índia, em 1930 - por um felgueirense. Viagem aérea reconhecida no estrangeiro e olvidada em Portugal do Estado Novo...

Eram 7 horas e 30 minutos do dia 1 de Novembro de 1930, quando um pequeno monomotor prateado,“Havilland Puss-Moth” com a palavra “Marão”, pintada no lado direito da fuselagem, e com a Cruz de Cristo estampada, descolou do campo de aviação da Amadora. O piloto, Tenente Francisco Sarmento Pimentel, e o navegador, Capitão Moreira Cardoso, não estavam em missão de rotina. Tinham um objetivo ambicioso, levar o pequeno avião até à Índia Portuguesa. Se a viagem tivesse êxito seria a primeira vez que asas portuguesas chegariam à distante Colónia.

Pelo meio muitas peripécias e dificuldades, com paragem forçada de oito dias por avaria mecânica, devido a uma peça que se partiu e teve de ser substituída, após dias de espera pelo seu envio.

No dia 18 de Novembro o “Marão” aterrou suavemente no aeródromo de Diu. No dia seguinte, foi a chegada triunfal a Goa. O objectivo fora cumprido. Pela primeira vez um avião português aterrava na antiga colónia portuguesa da Índia. 


Foi então a 1 de novembro, naquele distante ano de 1930, o início dessa longa travessia pioneira, de Francisco Sarmento Pimentel. Sendo normalmente nas publicações alusivas referido em primeiro lugar o seu acommpanhante, Capitão Manuel Moreira Cardoso, devido à patente muilitar da época, comparativamente com a do então Tenente Piloto-Aviador Francisco Sarmento Pimentel. 

O célebre felgueirense piloto-aviador pioneiro Francisco Sarmento Pimentel, ilustre Filho do concelho de Felgueiras, nascido em S. Tiago de Rande no ano de 1895 e falecido no Brasil em 1988.

Um acontecimento histórico, esse, da 1.ª Travessia Aérea de Portugal à Índia!

~~~ ***** ~~~

Agora não é novidade nenhuma andar de avião, alcançando longas distâncias em escasso tempo. Mas noutros tempos, muito depois da barcarola do Padre Gusmão, de Da Vinci fazer projetos, Júlio Verne imaginar como seria e mesmo dos primeiros saltos dos irmãos Wright, até Santos Dumont ter planado significativos metros no ar, era uma aventura fazer andar aparelhos a imitar os pássaros, mais para ligações aéreas de um ponto ao outro da terra, como paulatinamente foi sendo alcançado.

Ora, nesse especto, as primeiras viagens aéreas e posteriores voos de longas travessias pioneiras ganharam significativo apreço, como tal, marcando época. Por assim dizer como certos acontecimentos imprimiram cunho próprio em cada um dos seus momentos, ao que lembram exemplos referenciais de modernidade evolutiva no automóvel pequeno, o carro mini surgido em 1959, sem esquecer a mini-saia a partir de 1967 e o micro-chip informático desde 1973.

Como na epopeia dos Descobrimentos marítimos de Quinhentos em que frágeis caravelas transportaram notícias até então desconhecidas do outro lado dos oceanos, pese as distâncias do tempo e espaço, também o ar foi conquistado heroicamente, muito depois naturalmente. O americano Read salientou-se desde logo, ainda não tinha terminado a segunda década do século XX. Poucos anos volvidos, os Portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922, atravessaram pelo ar a distância de Portugal ao Brasil, através de etapas em que empregaram três aparelhos. Seguiram-se algumas outras experiências no decurso de alguns anos mais, com destaque para o “Raid” a Paris do também americano Lindbergh, em 1927, cobrindo rota de 5.800 quilómetros. Alguns portugueses, como Brito Pais, Sarmento de Beires, etc. tiveram também coragem para arriscados rumos, na mesma linha. Até que um Felgueirense, num só avião, realizou uma grande ligação – Francisco Sarmento Pimentel que, em 1930, efetuou a primeira travessia aérea de Portugal à Índia então Portuguesa, distância recordista de mais de 11.800 quilómetros que lhe valeu reconhecimento com trofeu da Liga Internacional dos Aviadores.

= Francisco Sarmento Pimentel =

Passaram todos estes anos desde que isso aconteceu, tendo a mesma travessia aérea sido iniciada a 1 de Novembro e durado dez dias úteis até alcançar espaço aéreo do Estado Português da Índia, com onze de tempo real à última etapa (fora alguns de espera até ter sido possível substituição de peça que se partira), havendo chegado à Índia Portuguesa, fazendo escala em Diu, no dia 18 do mesmo mês; embora a conclusão do itinerário tenha sido, depois, com aterragem em Goa no seguinte dia 19. Escusamos de refazer descrição do roteiro de viagem, com suas curiosidades, aflições como da tempestade surgida quase logo no início, muitas outras peripécias, dos sulcos rasgados no ar pelas asas à força de hélice forrada a tela, contratempo de avaria mecânica surgida, a penosa duração das horas levadas a sobrevoar o deserto da Síria, enfim, até ao campo de aviação de Murmugão onde pousou por fim o “Marão” pilotado pelo então Tenente Sarmento Pimentel, acompanhado na navegação pelo seu amigo Capitão Moreira Cardoso, naquele pequeno avião que Francisco Sarmento Pimentel adquirira a expensas próprias. Acontecimento, que na época mereceu as atenções concelhias, segundo os relatos de imprensa desse tempo, então denominado Raid Aéreo Lisboa-Diu-Goa, mas concretizado mais precisamente desde a Base Aérea Militar da Amadora até ao Indostão Lusitano. Viagem pioneira cuja autoria recebeu efusivas comemorações conterrâneas e inclusive homenagens municipais, incluindo colocação de uma lápide alusiva na casa onde nasceu, além naturalmente do reconhecimento a nível nacional e internacional, com atribuição da Placa Internacional dos Aviadores.

Tudo isso e muito mais, incluindo referências da imprensa nacional e estrangeira, já registamos inserido entre o material dedicado ao “Raid” da Amadora a Goa e seu autor no “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”. Mas, pela importância que tem para o orgulho Felgueirense, não se pode deixar passar despercebido o evento, nesta oportunidade mais.

São do conhecimento público os motivos políticos que fizeram com que a façanha daquele Felgueirense fosse menosprezada na época e propositadamente olvidada anos a fio. Apesar da repercussão havida, ao ponto de, entre sintomáticas manifestações, o então Ministro português titular da Pasta dGguerra ter recebido do seu congénere de França um telegrama de felicitações, em nome pessoal e no da aviação francesa, pelo bom êxito da viagem aérea até à Índia... e a Liga Internacional dos Aviadores se ter apressado a distinguir o autor da travessia com alusivo galardão. Agora, o que não se entende é como, passados tantos anos e mudada a situação política há muito, reconhecido de permeio o então Coronel Piloto-Aviador Pimentel (ainda em vida) mesmo com a Ordem da Liberdade, ainda não haja sido feita a devida reabilitação e, sobretudo, reconhecida como deve ser, a nível nacional, tal façanha, cuja autoria, inclusive, naqueles alvores da década de trinta, apesar de tudo valeu condecorações, entre as quais as insígnias da Ordem de Avis e da Ordem Militar da Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito!

Devido à ideologia política, Francisco Sarmento Pimentel, viu-se posteriormente forçado a ausentar-se do país por via de exílio político. Tendo o seu feito ficado quase que ignorado pelo regime do Estado Novo, apesar das manifestações de apreço recebidas de governos estrangeiros. Em vista da censura vigente, tal façanha esteve simplesmente riscada durante longo tempo dos compêndios ditos historiadores e volumes enciclopédicos. Mesmo ao nível de Felgueiras o facto pairou quase olvidado e manteve em sua aura uma penumbra ditada por espécie de amnésia oficial de conveniência, cujos efeitos se prolongaram muito para lá da ausência da democracia.

Felizmente que em tempos recentes começou a ser reparada a memória desse vulto de audaz patriota, como se nota, por exemplo, em seu nome já fazer parte de importante colecção como a “História de Portugal-Dicionário de Personalidades”, volume XVIII, da Quidnovi, ed. 2004. E em Rande-Felgueiras foi comemorado o seu 1º centenário natalício, em 1995, através de programa conseguido por uma comissão que o autor destas linhas pôde congregar, iniciado com uma missa na igreja paroquial, deposição de um ramo de flores junto à lápide colocada em sua casa, mais um voo simbólico de uma avioneta sobre a região, mais um cortejo de recreação revivalista dos tempos da mala-posta (desde o Largo da Longra até à Casa do Povo) e abertura de uma Mostra Filatélica e Exposição Museológico-postal que, durante uma semana cultural, decorreu na Casa do Povo da Longra. Bem como, anos volvidos, teve sobre ele uma exposição patente na Biblioteca Municipal de Felgueiras, em Maio de 2021, no mês do 126.º aniversário de seu nasciemnto. 

Francisco Ferreira Sarmento de Morais Pimentel, que viveu de 1895 a 1988, teve um percurso intensamente marcante, desde o berço natal no concelho de Felgueiras, onde nasceu na Casa da Torre, da freguesia de Rande, passando pelas diversas etapas distribuídas por variados pontos nevrálgicos da História da Grei. Até ter sido obrigado a sair do país e se radicar em São Paulo, no Brasil, onde construiu uma situação respeitável a prestigiar seu currículo. Consta da sua Folha de Serviço à Pátria a sua importante participação no movimento que derrotou a Monarquia do Norte, restaurando a República, em 1919, além da iniciativa e materialização da pioneira Travessia Aérea de 1930 que ligou Portugal à então Índia Portuguesa, o que por junto lhe valeu, entre outras distinções, haver sido agraciado com a Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito, colar do grau de oficial com insígnia; Medalha de Comportamento Exemplar, grau fita-prata; Medalha de Bons Serviços, grau fita-prata com palma; Ordem Militar de Avis, com fita; e a Ordem da Liberdade, com insígnia-grau de grande oficial. De Felgueiras recebeu honra de figurar, ainda em vida, na toponímia da então vila e hoje cidade de Felgueiras, a par com colocação pela Câmara Municipal de uma lápide na casa onde nasceu, tendo muito mais tarde recebido, por solicitação vincada num órgão de imprensa concelhia, a oferta de uma medalha de Felgueiras numa das suas visitas de romagem à terra-mãe, antes de falecer. Para a posteridade, seu espólio memorial integra o acervo do Museu do Ar, em Alverca, na Ala dos Pioneiros.

= Vislumbre alusivo, em visita do Museu do Ar, com o autor deste trabalho junto à vitrine do seu heróico conterrâneo Aviador Francisco Sarmento Pimentel =

Longo voo o seu, a que tem correspondido curto reconhecimento, estranhamente quase nada celebrado para o destaque atingido, merecedor contudo do justo alcance. E se de mais não servir esta honra, para Portugal e Felgueiras, ao menos fica a consolação de que é sempre bom ter-se recordações...

Em extensão temporal, a justificar a valorização perene, Felgueiras decidiu-se finalmente a homenagear o seu famoso aviador. Então, mediante ideia de construção de um aeródromo, houve seguimento de antiga aspiração do mesmo piloto aviador, embora na época ele tivesse tentado isso para o alto de Santana (conforme se pode notar na biografia que se dedicou a Francisco Pimentel no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras). Assim, em 2006, por decisão tomada pela Câmara Municipal em reunião de 8 de Agosto, foi aprovado por unanimidade o projeto “Visão Estratégica do Aeródromo”, no âmbito da revisão do Plano Diretor Municipal de Felgueiras – sendo decidido atribuir o nome do pioneiro Felgueirense da aviação a essa estrutura a construir futuramente, o Aeródromo Francisco Sarmento Pimentel, planeado para ser situado no planalto dos Maragoutos, em Revinhade (num extremo do concelho de Felgueiras, de fronteira com Lousada).

Por ora, isto paira numa intenção ainda no papel… mas que, como outros projetos, quem sabe se terá alguma viabilidade… Tal como o regresso do comboio, falado nos últimos anos, já nos anos vintes do século XXI.

*

A façanha aérea de Francisco Sarmento Pimentel, para se ver a sua importância social nesse tempo, constou entre as reportagens da Ilustração Portuguesa, famosa publicação que foi das mais importantes revistas portuguesas - publicada em Lisboa, semanalmente, e existente desde 1903 (em título recuperado pelo jornal O Seculo, de antiga publicação de cariz literário, apresentou fotografias de personalidades de vulto da cultura portuguesa e crónicas da vida nacional, constitui assim, sem dúvida, um dos mais relevantes acervos do quotidiano do primeiro quartel do século XX.

Pode comprovar-se o facto através de dois exemplos, extraídos de tão importante edição publicista:

= Ilustração Portuguesa, nº 118, de 16 de Novembro de 1930 

= Ilustração Portuguesa (“Christmas”), nº 120, 16 de Dezembro de 1930:

Em edição dedicada ao Natal, e com anúncio vitorioso do sucesso do Raide aéreo à Índia: "Os aviadores Cardoso e Pimentel voam no 'Marão' de Lisboa à Índia portuguesa empregando exclusivamente óleo Golden e gasolina Shell"… =


ARMANDO PINTO

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

(Mais) Uma Foto com história – tomada de posse do Professor Freitas como presidente da CMF em 1971

Abril de 1971 – Sessão da tomada de posse, no salão nobre do edifício dos Paços do Concelho, do professor Francisco José de Assis e Freitas como Presidente da Câmara Municipal de Felgueiras.  

Recorde-se que Francisco José de Assis e Freitas, na região mais conhecido simplesmente por Professor Freitas, foi professor na Escola Primária da Longra, pelos idos tempos de finais dos anos 40 e parte dos 50 do século XX, tendo ficado na memória coletiva pelo que contavam os jovens desse tempo que andaram na escola velha da Longra. Bem como mais tarde, já em parte da primeira metade da década dos anos 60, também lecionou cursos pós-laborais na Metalúrgica da Longra, dando aulas após o horário de trabalho aos operários, com vista a melhoria de instrução e possível aumento de grau de ensino.

À época (da foto, em 1971), o Professor Freitas, até aí vice-presidente da Câmara Municipal de Felgueiras, fora entretanto nomeado Presidente da CMF na Primavera desse ano, e tomou então posse no cargo, nesse ato documentado pela respetiva fotografia de captação da assistência presente na sala. Vendo-se ali também algumas caras conhecidas da região da Longra e de muitas terras de todo o concelho de Felgueiras.

Armando Pinto

((( Clicar sobre a imagem )))   

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Evocação do célebre comício de antes do 25 de abril em Lousada – também com histórica participação de Felgueirenses, com realce memorando do Dr. Machado de Matos…

Numa iniciativa do Município de Lousada, associando-se às "Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril", iniciaram-se no domingo, dia 22, as respetivas comemorações alusivas com programa aberto através de evocação do comício e posterior carga policial que aconteceu no salão dos Bombeiros locais, em outubro de 1973.

Então, na manhã deste passado domingo outonal, pelas 11h00, foi descerrada uma placa evocativa, seguida de uma tertúlia com a participação de alguns dos intervenientes e uma recriação teatral da intervenção da GNR. Seguindo-se um momento musical protagonizado pelo Bando das Gaitas na sessão que decorreu no Espaço AJE, ao lado do quartel dos Bombeiros, a assinalar por parte do Município de Lousada esse evento, assim devidamente comemorado no âmbito dos 50 anos do 25 de Abril de 1974. Tendo o célebre comício do MDP nos Bombeiros sido revivido com bastante realismo, perante testemunhos de Berta Granja e António Silva Mota, que discursaram no comício de 1973. Com a mesa de honra composta pelo historiador Prof. Luís Ângelo Fernandes, mais o presidente do Município de Lousada, Pedro Machado, e pelos intervenientes. O grupo teatral Passado Vivo deu um cunho realista ao evento, recriando a invasão da GNR e a forte carga que exerceu sobre os assistentes.

Recorde-se que à época estava-se ainda no tempo em que não se podia “falar de política” e aliás, derivado aos muitos anos da censura do Estado Novo, nem se sabia nada disso, a não ser entre alguns mais informados e franjas de pessoas cultas. Enquanto ainda nesses inícios dos anos 70 reinava total obscurantismo de muitos anos, apesar de ter havido alguma esperança da “Primavera Marcelista”, quando Salazar “caiu da cadeira” e entrou Marcelo Caetano para o Governo, mas depressa tudo voltou à forma antiga. 

Nesse ambiente, estando na ordem do dia a aproximação dumas eleições, coisa quase inédita ao tempo, embora em sufrágio condicionado, quando se soube da realização desse comício começou a haver algum falatório, nalgumas conversas de estabelecimentos de ensino e rodas de amigos dos chamados democratas. Tendo ido lá a Lousada também alguns felgueirenses, com realce para o Dr. Machado de Matos e alguns seus correligionários, mais alguns estudantes do ensino noturno, que ao tempo havia na então vila de Felgueiras (de homens feitos e jovens, habitantes de diversas freguesias do concelho de Felgueiras, para preparação instrutiva com ideia de melhoria de empregos). Esses e outros, que se juntaram aos oriundos de Lousada e de concelhos vizinhos, entre a muita assistência que assim esteve presente nesse célebre comício do Movimento Democrático Português, em 24 de outubro de 1973, no salão dos Bombeiros de Lousada, a abarrotar de gente. Algo que foi um marco histórico da luta contra o antigo regime, pelos bons e maus motivos.

A propósito, o jornal “O Louzadense” descreve o caso, relembrando: «Na génese desse comício esteve o Movimento Democrático Português (que englobava vários partidos clandestinos e tendências ideológicas, onde o PCP era uma das principais forças). Foi uma das mais importantes organizações políticas da oposição ao regime do Estado Novo em Portugal até ao 25 de Abril de 1974. O MDP foi fundado em 1969, atuando através de comissões democráticas eleitorais para concorrer às eleições legislativas, que o governo totalitário de Marcelo Caetano prometera realizar para a Assembleia Nacional. Uma dessas comissões eleitorais reuniu no dito comício em Lousada, facto raro no interior do país, pois tais eventos tinham sobretudo palco nas grandes cidades. Por ser uma novidade, as autoridades estiveram mais atentas a este passo do MDP e destacaram para Lousada um forte contingente policial, vindo do Porto, para intimidar a participação popular. “Na praça em frente aos Bombeiros instalou-se um forte contingente de carros militares e até metralhadoras tinham”.» Segundo testemunho dum participante: “O salão estava cheio”.

«O comício estava marcado para as 22 horas. Porém, atrasou-se meia hora. A sessão começou com os temas do costume: a carestia da vida, a horrenda Guerra Colonial, a liberdade de imprensa e a necessidade de mudança de rumo político. O tom do discurso não poupou a GNR que pretendia intimidar os presentes». Incomodado assim o sistema fascista, que mobilizou muitos militares e meios para intimidar e bater, houve então uma fortíssima carga agressiva, batendo em toda a gente presente, a pontos que houve até «quem passasse muito mal, valendo alguém dos bombeiros ter aberto uma porta que serviu de escapatória para alguns terem conseguido fugir às bastonadas e coronhadas”».

«Tudo se precipitou quando chegou a meia-noite e o responsável distrital da GNR deu ordens para que toda a gente se retirasse. E de imediato um oficial mandou invadir a sala. Várias dezenas de militares que tinham barricado quase todas as saídas, espancaram as pessoas que tentavam fugir apavoradas. Há relatos de óculos partidos, calçado deixado para trás e roupas rasgadas. Mas também de muitos gritos e sangue, cabeças partidas, pânico e correrias desenfreadas.»

Um dos que sofreu no corpo esse ataque foi o Dr. Machado de Matos, de Felgueiras, vítimado com algumas costelas amassadas, como se dizia. Tendo esse facto originado ele ter passado a ter ainda mais admiração entre os felgueirenses atentos às situações contemporâneas, nesses idos dos inícios da década dos anos 70, no século XX. Enquanto os estudantes-trabalhadores felgueirenses que também lá estiveram, depois com vergonha e certo receio de represálias, atendendo ao ambiente da época, não diziam ter participado, mas sabiam contar o que se passou…


~~~ ***** ~~~
Como melhor falam as imagens, ficam da ocorrência comemorativa algumas fotos para ilustração narrativa em imagens: 

( Fotos, com a devida vénia, de origem do Município de Lousada)

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))


sábado, 21 de outubro de 2023

Falecimento do sr. Óscar Magalhães – antigo elemento da Tocata do Rancho da Longra

 

Faleceu o senhor Óscar Magalhães, que durante uns bons anos integrou o Rancho Folclórico da Casa do Povo, como elemento da Tocata do Rancho Infantil e Juvenil da Casa do Povo da Longra. Sendo deveras conhecido o seu engenho de tocador de instrumentos de corda, quer de viola como violão, sobretudo. 

O seu funeral, como consta do anúncio oficial, será este domingo, dia 22/10, pelas 15 horas, em S. Cristóvão de Lordelo. 

Descanse em paz, amigo!

Sentidos pêsames à família; nomeadamente à filha, D. Isabel, que também chegou a fazer parte do Côro do Rancho da Casa do Povo da Longra, acompanhando o pai e pessoas amigas.

A.P.

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Exercício de memória: Algures no tempo e pelos tempos de convívios de estudantes da área e arredores da Longra… nos anos 70 !

Captações fotográficas à maneira do tempo e de quem nesse tempo não tinha grande “massa” para máquinas de fotografias de jeito naquele tempo… Imagens de grupos de estudantes amigos de convívios normais pela Longra. No caso precisamente no dia do 18º aniversário do autor destas recordações. Estando eu, aqui o aniversariante desse dia, junto com o meu irmão Fernando, mais o Zé e o Lino Pereira, António Rosário, Isabel Pereira, Luísa Mendonça, Natália Carvalho, os Magalhães da Pedreira e Airães (o António “Naia” e o outro depois professor), penso que também o Mesquita e o Tó Jó, e não sei já bem se mais porque deve ter ficado alguém na sombra do que a máquina, nem sei de quem já, não conseguiu “apanhar”…

Estava-se ainda antes do 25 de abril de 74. Com fraca visibilidade, mas a dar para recordar e fixar à posteridade.

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

sábado, 14 de outubro de 2023

Jornada cultural felgueirense em palestra informativa sobre arte funerária e exposição documental – em Felgueiras

Decorreu na tarde deste sábado de meio de outubro, dia 14, uma verdadeira jornada de memorização, informação e convívio cultural, através duma visita guiada ao Cemitério Municipal de Margaride-Felgueiras, em conjunto de pessoas entusiastas de valores históricos; e no fim houve ainda tempo e lugar à apreciação duma alusiva exposição patente na biblioteca municipal, perante a mostra documental que tem ali estado à vista e continuará ainda por mais alguns dias. Realização decorrente no âmbito do 509.º aniversário da outorga do Foral Manuelino de Felgueiras.

Então, para assinalar os 509 anos do Foral de D. Manuel I outorgado a Felgueiras, a 15 de outubro de 1514, a Câmara Municipal promoveu, no dia 14 de outubro, uma visita ao Cemitério Municipal de Felgueiras, sob mote “Depois da morte: memória e arte tumular”, orientada pelo doutor Francisco Queiroz. Com acompanhamento pelos Dr.s Carlos Ferreira, José Ribeiro e Manuela Melo. Mais destaque para a presença do Deputado Nacional sr. António Faria; e naturalmente dos restantes aderentes.


Após esse encontro de interessados no campo santo municipal, e após regresso à baixa da cidade de Felgueiras, houve oportunidade de na Biblioteca Municipal ser vista uma mostra documental intitulada “Apontamentos para a história dos cemitérios”, ali patente na Biblioteca e Arquivo Municipal de Felgueiras e devidamente elucidada publicamente pela Dr.ª Manuela Melo, antes de seguintes momentos de convívio.

Foi mais uma bela jornada cultural, do que por vezes ainda vai acontecendo de bom por Felgueiras. Embora, como de costume, com aderência de público deveras menor que o desejado, quer por falta de mais informação através de mais meios divulgativos, bem como também por certo desinteresse que estes assuntos ainda vão tendo e mesmo até alguma vergonha que ainda há em aderir a realizações do género. Incluindo, conforme se notou, mesmo faltas de representação municipal ao nível autárquico, quer de Vereação ou Presidência e Assembleia Municipal, quer de Juntas e Assembleias de Freguesia, etc. Sendo contudo de referir que a mostra ainda estará exposta até ao próximo dia 31 deste outubro na Biblioteca Municipal.

Dessa interessante jornada ocorrida assim nessa tarde bem passada se dá conta, por meio de algumas imagens captadas na ocasião: primeiro do belo panorama que do alto do início do monte da Santa (Quitéria), junto à primeira capela e ao cemitério, se vê para o centro da cidade sede do concelho; e depois, já em baixo, na exposição, algumas imagens documentais. Com realce para o registo do sepultamento de uma figura histórico-emblemática de Felgueiras, a célebre doceira Leonor Rosa da Silva, pioneira do Pão de Ló de Margaride; como depois para as plantas de "obras a fazer" e relação das obras e materiais de orçamento da reparação da capela do cemitério de Margaride-Felgueiras, da lavra do “engenheiro"-arquiteto Luíz Gonçalves, o mesmo sr. Luís Gonçalves da Longra que desenhou o palacete da Casa das Torres de Felgueiras e está historiado devidamente no livro “Luís Gonçalves: Amanuense-Engenheiro da Casas das Torres”, publicado em 2014 e da autoria do autor também destas linhas.


Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Recordando a “Professora D. Joaquina da Pedreira” – na data de seu centenário natalício

 

Hoje é dia de festa no Além, soando sinos e trombetas de feliz aniversário no céu, ecoando aqui na terra pela área da vila da Longra, a dar os Parabéns à “Professora Dona Joaquina da Pedreira”. Perfazendo hoje, 9 de outubro de 2023, a conta de 100 anos que nasceu em Várzea-Felgueiras, a 9 de outubro de 1923, essa simpática e muito querida senhora D. Joaquina Dias de Sousa Ribeiro, esposa do sr. Professor Luciano, mãe do meu amigo António Magalhães (NAIA), além naturalmente de seus irmãos, e cunhada da minha professora da 2ª à 4ª classe na Escola Primária da Longra, D. Fernanda. A tão terna D. Joaquina que durante muitos anos foi professora na Escola Primária da Pedreira, junto com o marido, onde fixou residência. E entretanto tanto gostava de conversar comigo sempre que ia ao Centro de Saúde da Longra e logo me procurava, gostando eu muito de a ouvir e poder corresponder ao que fosse necessário. Estando-me ainda e sempre nos ouvidos suas amigas palavras, a dizer-me como gostava do que eu ia escrevendo em livros e nos jornais regionais, mais outras coisas que eram de agrado mútuo.

Enquanto vai faltando ainda na freguesia da Pedreira uma evocação em sua memória, fica aqui a lembrança. Com algumas imagens de seu livro, publicado no início da segunda década deste século, contendo flores plantadas de toda a região afetiva.

A D. Joaquina está pois entre os anjos, mas lá de cima verá até melhor como cá em baixo ainda é lembrada. 

Parabéns extensivos a toda a sua prole, que tem sabido honrar sua memória.

Armando Pinto

((( Clicar sobre as imagens )))