Espaço de atividade literária pública e memória cronista

sexta-feira, 11 de março de 2022

Retalhos memorandos de outros tempos: Um antigo pároco de Airães-Felgueiras (P.e Crispim Gomes Leite) que chegou a Presidente da Câmara de Gondomar

Entre curiosidades de memórias paroquiais (além das famosas de 1758, do inquérito eclesiástico seguinte ao terramoto de 1755), e mesmo outras que constam de livros de Visitas e mais testemunhos de tempos idos, ainda existentes em arquivos das paróquias ou concelhios, também já do século XX há algumas curiosas, dignas de serem avivadas. Como, por exemplo, quando se pode saber de sacerdotes que passaram cá pelo território concelhio de Felgueiras e depois desempenharam cargos de alguma relevância noutros locais, de permeio com suas funções noutras terras para onde foram em função de seu ministério eclesial, acumulando missão de cidadania também. Tal o caso de um antigo pároco de Airães: o Padre Crispim Gomes Leite.

Natural de Mosteirô (Feira), onde nasceu em 20 de março de 1889, Crispim Gomes Leite foi ordenado presbítero em 1911. Tendo depois em seus primeiros exercícios de paroquialidade, nos inícios do século XX, passado por Fornos (Feira), Bonfim (Porto), Airães (Felgueiras) e Espinho, até ter chegado a S. Cosme-Gondomar. Seguindo-se regresso à Feira e novas experiências pastorais, nas Antas (Porto), Ovar, Sé e Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e de S. José do Postigo do Sol, no Porto. Até que, por fim, 17 anos depois retornou a Gondomar, em 1955. Com a curiosidade de nos dois períodos em que esteve fixado no concelho do Monte Crasto foi por três vezes Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, em mandatos de 1931-1932, 1934-1937 e 1959-1965. Tornando-se figura popular, bem como ativo político desse tempo, tendo falecido, aos 76 anos, a 27 de outubro de 1965, enquanto exercia funções de presidente.

Armando Pinto

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quinta-feira, 10 de março de 2022

Temas de outrora e de vez em quando: “O Livro do Doutor Assis” – sobre o antigo Conde de Felgueiras

 

Alberto Costa (Alberto António da Silva Costa), mais conhecido por Pad’Zé, era um estudante da universidade de Coimbra, pelos idos finais do século XIX, a entrar pelo século XX dentro. Jovem Beirão bem vivido, como se diz, amante da vida boémia, à maneira desse tempo entre moços académicos. E que ia escrevendo umas coisas. Até que, entre suas publicações, escreveu um livro… “O Livro do Doutor Assis” que o celebrizou. Livro esse em que «o protagonista da obra é o “original catedrático” António de Assis Teixeira de Magalhães, ao tempo regente das cadeiras de Direito Civil, Direito Eclesiástico e Finanças…” » que ele caricaturou, em sua maneira crítica de estudante perante um Lente… a criticar o ensino desse tempo, através de ironia, em «charadas atribuídas ao mestre de Direito, um símbolo do magister dixit …»

Pois o Doutor Assis era o Conde de Felgueiras, cuja honraria essa lhe foi atribuída entretanto por título nobiliárquico criado pelo Rei D. Carlos I de Portugal, por Decreto de 3 de Agosto de 1907, em favor do mesmo António de Assis Teixeira de Magalhães, natural de Margaride-Felgueiras. Que, além de sua residência em Coimbra, teve casa na mesma então vila de Felgueiras, num solar que desapareceu ainda há poucos anos.

Ora tal livro, que teve muitas edições ao longo dos anos, é um dos livros que integra também a coleção de livros contendo temas relacionados com Felgueiras, enquanto um exemplar da sua 4ª edição, de 1906, é um dos livros da biblioteca particular do autor destas anotações. Sendo também um livro de interesse felgueirense.

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Ah, além da mansão familiar, de permeio o 1º Conde de Felgueiras, Dr. Assis Teixeira, também passou a ter um mausoléu de família no cemitério local. A propósito do qual o narrador Alberto Costa, o tal Pad’Zé, também escreveu. Como se pode ler numa das suas “tiradas” (que se transcreve, respeitando a grafia da época):

«O Doutor Assis mandou construir em Felgueiras um jazigo de família; e nas primeiras férias, aproveitou o ensejo de ir com os seus verificar a perfeição da obra.

Examinada esta, o Mestre declarou-se cabalmente satisfeito com a execução aprimorada do canteiro; e logo, voltando-se para a família e batendo com a mão na parede da capella, observou, com um orgulho de proprietário:

 – Pois é verdade, meninos. É aqui que havemos de vir parar – se Deus nos dér vida e saúde!»

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Professor Dr. António de Assis Teixeira de Magalhães, Conde de Felgueiras

Data de nascimento:
Local de nascimento:Felgueiras, Margaride (Santa Eulália), Portugal
Falecimento:19 Abril 1914 (63)
Coimbra, Portugal

Armando Pinto

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terça-feira, 8 de março de 2022

Em Dia da Mulher - Homenagem às Mulheres de Felgueiras !

 

Estando em dia, neste 8 de março, o dia dedicado às mulheres, e como noutras oportunidades já neste espaço de memória felgueirense foram referenciadas algumas mulheres que ao longo dos tempos se distinguiram de diversos modos, desta vez calha bem recordar o caso de quando as mulheres também começaram a ir à bola, como por cá se dizia de ir ao futebol, publicamente. 

Ora, nesta era em que o atual Futebol Clube Felgueiras 1932, clube mais representativo do concelho de Felgueiras, está na Liga 3 Nacional e a disputar atualmente um lugar de acesso ao Campeonato Nacional da Liga 2, estando então em Seniores numa boa posição, calha desta vez fazer uma rememoração por tempos da anterior existência do histórico Futebol Clube de Felgueiras, num tempo em que as mulheres não iam ainda muito ao futebol e então marcaram presença, a causar sensação boa na ocasião da subida de Divisão da 2ª à 1ª Distrital, no culminar da época de 1965/1966.

Vem agora isso mesmo a propósito, de tal curiosidade com a atualidade. Sendo de evocar que por esses tempos dos românticos anos sessenta e inclusive até sensivelmente ao 25 de Abril, de 1974, não era habitual as mulheres em Felgueiras irem ao café, melhor dizendo a locais públicos como aos cafés, e extensivamente, com raras exceções, também ao campo de futebol.

Ora, isto de se ser estudioso de história local tem destas coisas… Então não é que, há tempos, ao folhear um jornal antigo da imprensa regional felgueirense, procurando mais documentos jornalísticos, me deparei com uma imagem que despertou a atenção, fazendo recordar algo que lembro ainda de tempos de adolescência (exprimindo na primeira pessoa), e agora seduz pela ternura da inerente amplitude?! Pois é, tal o caso duma captação ao tempo feita por um jornal desportivo nacional, aquando da segunda subida de divisão e extensiva conquista do título distrital da Associação de Futebol do Porto, pelo Futebol Clube de Felgueiras, a meio da década de sessenta. Tendo então saído essa foto no jornal portuense “O Norte Desportivo” (que tinha tiragem ao domingo à noite e à quinta feira, indo para o prelo ao fim da tarde dos domingos para noticiar os resultados do fim de semana e depois a meio de cada semana, apenas), e, por isso (como vinha sempre na camioneta duma empresa de camionagem felgueirense, com garagem no Porto também; e era vendido num dos cafés centrais de Felgueiras), na distribuição à noite do domingo em que o Felgueiras voltara a subir de divisão, ao tempo de Caiçara e Cª, ainda apanhou a festa que andava pela rua na vila de Felgueiras dessa era. Fotografia essa que, dias depois, o jornal Notícias de Felgueiras reproduziu na sua edição semanal respetiva. Completando ramalhete com um dito de que nem as mulheres ficaram em casa… o que diz tudo.

Assim sendo, eis aqui  o recorte da 1ª página do Notícias de Felgueiras dessa época. Que se recorda, homenageando as Mulheres de Felgueiras, de sempre.


Armando Pinto

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segunda-feira, 7 de março de 2022

Felgueirense Virgílio Ferreira: Medalha de Ouro no Campeonato Regional de Boccia Zona Norte Bc3

Este Domingo, dia 6 de março, o felgueirense Virgílio Ferreira, atleta da Secção de Desporto Adaptado do Futebol Clube do Porto, na modalidade de Boccia, sagrou-se Campeão Regional da sua especialidade desportiva, tendo alcançado a Medalha de Ouro no Campeonato Regional de Boccia Zona Norte Bc3.

Então, após dois anos de dedicação a este desporto, viu recompensado seu esforço. Como o próprio afirma na sua página de facebook: «Durante dois extensos anos foram muitas as horas dedicadas a esta paixão. Hoje foi dia de recompensa.»

Virgílio Ferreira, além do bom gosto de ser Portista, a demonstrar ótimo caráter telúrico, bem quão nos honra como conterrâneo concelhio, muito orgulha aqui o pessoal Ego Felgariano como cidadão e munícipe felgueirense. Sendo de acrescentar, como curiosidade, que o mesmo desportista Virgílio Ferreira é Vereador do atual Executivo da Câmara Municipal de Felgueiras, com os Pelouros de Cidadania Inclusiva, Acessibilidade e Provedoria e Defesa do Consumidor.

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Nesta prova do Regional Norte de Boccia, realizado no Alto Minho, mais precisamente em Barcelos, o FC Porto arrecadou 3 medalhas, sendo uma de ouro, uma de prata e outra de bronze, havendo participado com 5 atletas, dos quais 3 chegaram à disputa dos lugares de pódio. Com a medalha de ouro a ser conquistada por Virgílio Ferreira.

Para memória, fica o registo inserto na página informática oficial do FC Porto, em fcporto.pt:

«Este fim de semana, em Barcelos, marcou o regresso às competições regionais de Boccia em Portugal após uma paragem de praticamente 2 anos. A equipa do FC Porto da classe BC3 fez-se representar por 5 atletas juntamente com os seus operadores de calha.

Na 1.ª divisão, Tiago Tavares, acompanhado por Nuno Mesquita conseguiu um honroso 6.º lugar. Na 2.ª divisão, Rui Ribeiro e Alice Moreira, acompanhados por Hugo Ferreira e Ezequiel Moreira, ultrapassaram a fase de grupos, tendo marcado encontro no jogo pela luta entre o 3.º e 4.º lugar. Rui Ribeiro levou a medalha (de bronze) para casa. Na 3.ª divisão, participaram dois estreantes pelo FC Porto numa prova de nível regional. Virgílio Ferreira e Diogo Castro, acompanhados por Elisabete Ribeiro e Rui Castro, venceram todos os jogos da fase de grupos, bem como as meias-finais, encontrando-se por último no jogo de luta pelo lugar mais alto do pódio. Nesta final, Virgílio Ferreira levou a melhor sobre o companheiro de equipa.»

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Parabéns ao Campeão Portista e Felgueirense!

Armando Pinto

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domingo, 6 de março de 2022

Temas de outrora e de vez em quando: Felgueiras em “Norte Revista” de 1983…

 

Tal como hoje é algo raro já o conhecimento e posse da antiga revista “Terras de Portugal”, em que Felgueiras teve lugar com interessante reportagem em 1963, também assim acontece com outra publicação do género publicada vinte anos depois e na qual Felgueiras também teve direito a divulgação importante, como foi o caso da “Norte Revista”.

Com efeito, assim como ainda durante os românticos anos 60 houve aquela revista icónica da época, sobre “Terras de Portugal” conforme seu nome e alinhamento, entre publicações que marcaram esses tempos; volvidos anos em 1983 apareceu uma outra, a “Norte revista”, até de maior formato e mais cingida ao Norte do país, ainda a registar a evolução das terras nortenhas. Descrevendo genericamente os concelhos e também enfatizando as cabeças de concelho, mais as vilas de cada qual, como à época eram ainda os dois centros urbanos do território felgueirense. Sendo que assim e então, em 1983 Felgueiras teve a honra de fazer parte do seu 1º número, junto com a Maia (além de outros assuntos e temas diversos, sem relação aos dois concelhos visados), nessa mesma revista – conforme destaque na capa e desenvolvimento no interior, que aqui se relembra e reproduz.

Pois então Felgueiras teve lugar de destaque nessa revista, através de diversos motes. Ficando nessas páginas registada a situação local nessa era dos idílicos tempos da década de oitenta, do século XX – como se pode ver por captação fotográfica de algumas páginas dessa revista, integrante da coleção do autor destas lembranças.

Armando Pinto

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sexta-feira, 4 de março de 2022

Antigo Treinador do FC Longra em entrevista ao jornal “ O LouZadense”

Entre memórias e recordações, uma das antigas existências Longrinas de tempos idos foi o clube desportivo Futebol Clube da Longra, fundado em 1969 e desaparecido em 1997/98. Em cuja existência, entre momentos de atividade e outros de paragem, além das peripécias que levaram ao desaparecimento, teve nos princípios dos anos noventas maior enfoque com a inscrição oficial na Associação de Futebol do Porto e sobretudo participação em provas oficiais do Campeonato de Amadores da mesma AFP. Havendo em 1993 conquistado o Campeonato respetivo e subido de Divisão (conforme está historiado devidamente no livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras”, publicado em 1997). Tempos em que no comando da equipa esteve o Lousadense Rui Sequeira, antigo guarda-redes do Lousada e do Penafiel. Que então, pelos idos anos noventas, esteve a treinar o FC Longra, no concelho de Felgueiras.

= Foto do jornal O Louzadense, edição on line de 4 de Março de 2022 =

Pois sobre esse mesmo antigo futebolista e depois treinador é publicada no jornal “O Louzadense” uma entrevista, em que o próprio recorda a sua histórica passagem pelo Longra. Da qual para aqui se transpõe a parte da sua carreira como treinador:

« Março 4, 2022 - Em Desporto, Segredos da Bola

Foi o primeiro jogador lousadense a tornar-se profissional de futebol, quando se transferiu para o Penafiel em 1976. Nesse ano treinou à experiência no Beira-Mar onde jogava Eusébio, o pantera-negra, em final de carreira. Rui Sequeira também chegou a prestar provas no Belenenses, mas não chegou a assinar pelo clube que optou por Delgado, um dos melhores guarda-redes portugueses de sempre. Estas e outras histórias são aqui contadas por Rui Sequeira, que aos 67 anos continua a treinar e a formar jogadores, agora no Macieira.

(…)

O bichinho do futebol está vivo

A carreira como treinador principal começou nos seniores do Longra, ao mesmo tempo estava no futsal do CCD da Ordem e a equipa de juniores do Lousada: “era uma fase muito intensa da minha vida em que todos os dias eu chegava a casa à uma hora da noite, mas foi gratificante porque fui campeão de série e campeão dos campeões pelo Longra e fui campeão de série no futsal do CCDO. Nos juniores desentendi-me com um diretor e não cheguei a acabar aquilo que comecei, mas tinha uma equipa muito boa”, recorda Rui Sequeira.

=  FC Longra – 1992/1993: Foto constante do livro “Memorial Histórico de Rande e Alfozes de Felgueiras” =

“Também treinei o Cristelo, onde encontrei a equipa a um ponto da linha de água e levei-a no terceiro lugar. Seguiu-se o Aparecida, onde não fiquei com boas memórias, mas já é passado. Depois, no Nogueira fiz um trabalho durante quatro anos que me agradou muito pelas amizades e pelo que consegui ajudar na carreira de alguns jogadores que ficaram meus amigos para sempre”.

A equipa de Caíde de Rei também faz parte do currículo de Rui Sequeira, embora não tenha terminado o contrato: “certo dia, no intervalo de um jogo em que estávamos a perder e eu decidi fazer uma substituição que não foi bem aceite pelo presidente daquela época, que me disse «aqui não se olha ao coração mas sim à razão», querendo dizer que eu devia tirar o meu filho, que jogava lá, mas eu não aceito que interfiram no meu trabalho e tirei a braçadeira de treinador, entreguei-lhe e vim-me embora”.

Neste momento está no Macieira, pois “o bichinho do futebol está em mim e enquanto ele estiver vivo eu deixo-me andar”, conclui.»

Armando Pinto

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quarta-feira, 2 de março de 2022

FC Felgueiras 1932 na imprensa nacional: recorte d’ O Jogo, na calha do apuramento para a disputa dos lugares de acesso à Liga 2 do futebol português

Estando a uma jornada do fim do campeonato da Liga 3 Nacional no comando da respetiva Zona Norte e apurado para a fase final da disputa dos lugares de acesso à imediata Liga 2., o Futebol Clube Felgueiras 1932 volta a ter lugar de destaque na imprensa portuguesa, como em tempos idos aconteceu com o histórico antecessor Futebol Clube de Felgueiras. Tal qual se regista, da publicação do jornal O Jogo, respigando uma coluna, acrescida de entrevista que para aqui se transpõe, da respetiva edição desta quarta-feira dia 2 de março de 2022.

Armando Pinto

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